domingo, janeiro 30, 2005

Leituras de Fim de Semana - Sábado

Por uma vez. Procuro outras leituras. Passo na Tabacaria e " As Aventuras do Miguel" levaram-me à compra. A leitura foi uma surpresa: "MEC na Sábado". Um membro da direcção diz que Miguel Esteves Cardoso é um génio do jornalismo português. Génio ? do jornalismo português ?
Até acredito que o MEC tenha carteira profissional, mas, apesar de todo o respeito que tenho por ele e pelas suas crónicas, penso que nunca tenha ido à procura de uma notícia, de uma reportagem. Entrevistas? sim, algumas. E uma delas é publicada nesta edição de "Sábado"- feita a Francisco Louçã.
Eu não a apresentaria como exemplo de entrevista. É mais um exercício literário, esteticamente perfeito, mas duvidoso do ponto de vista ético, sobretudo porque, logo a seguir, diminui o seu entrevistado numa crónica completamente reprovável, embora de bom estilo.
De resto, não é apenas MEC que trata mal Louçã. A direcção da revista ataca o Bloco de Esquerda, retirando do contexto frases do seu dirigente para, com uma forma verdadeiramente infantil, ingénua, "assustar" a classe média com o fantasma da "ruptura com o capitalismo" e as alterações ao "modelo de sociedade".
Lendo esta espécie de editorial percebe-se o fascínio da Direcção pela presença de MEC.
A leitura da entrevista do Ferreira Fernandes ao Miguel Sousa Tavares compensa. Ainda bem que nenhnum deles é apresentado como génio. Acredito mesmo que, continuando a escrever tão limpo como escreve na sua coluna de opinião, na última página da Revista, Ferreira Fernandes venha a ter algumas dificuldades em conviver com tanto génio.

As Novidades da Lusomundo

O Expresso publicou "A NOTÍCIA": Luís Delgado é candidato à compra da Lusomundo, na sua condição de colaborador da empresa. Ora aqui está uma verdadeira novidade - que se soube mesmo antes de Luís Delgado ter sido imposto por Morais Sarmento ao BES e à Comissão Executiva da PT como presidente do grupo de Media.

Esta novidade já está escrita num post deste blog do dia 1 de Dezembro de 2004 e em alguns outros, a seguir. Donde virá o dinheiro a Luís Delgado para a operação? O Expresso não será capaz de descobrir?

E a Bolsa de Valores de Lisboa será capaz de encontrar nesta operação de lançamento de MBO uma actuação concertada dentro da estrutura decisora do resultado final?

E a Comissão Executiva da PT vai continuar a deixar-se pressionar?

E os accionistas da PT? Que podem fazer eles?

Leitura de Fim de Semana - Público

Helena Matos assina na edição de Sábado um texto notável, lembrando o essencial e o acessório da política, nomeadamente nesta fase de campanha eleitoral, em que os principais dirigentes dos partidos políticos portugueses se afadigam a falar de coisa nenhuma, deixando para trás o tanto (importante) que existe para tratar acerca da vida da nossa sociedade, organizada no mais antigo estado da Europa.
O mais antigo e, seguramente, aquele que reproduziu a sua Nação por mais Mundo, espalhando gente pelas sete partidas.
No seu texto, "A Natureza do Mal", a cronista clama contra a tentativa de os "líderes independentistas" espanhóis procurarem "obter em Portugal o reconhecimento tácito do seu estatudo de chefes de Estado".
Lamenta que Santa Lopes, na última reunião cimeira luso-espanhola tenha permitido ser tratado ao nível dos presidentes das comunidades autónomas de Espanha e que, nem ele, nem Sócrates se pronunciem sobre o que Josep Carol Rovira, líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) veio dizer a Portugal sobre o nosso próprio Estado: que devemos preparar-nos para um futuro de mera região ibérica, no quadro de um" Estado multipolar".
A indignação de Helena Matos tem toda a razão: os principais dirigentes deste país - principais porque disputam a possibilidade de nos governar - esquecem-se, perigosamente, de que a política tem a ver com a boa governação dos povos e não com interrogações ao espelho ou à fita métrica.
Ao sr. Rovira terá que haver alguém a lembrar que Portugal não é apenas o mais antigo Estado da Europa, mas aquele que fez sair o velho continente do seu confinamento miserabilista e doentio. Alguém que diga, com voz grossa, que na Península Ibérica existem e vão continuar a existir, pelo menos, dois Estados. Não nos misturem na confusão e nos erros dos espanhóis.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Os Resultados da Crise

A crise política portuguesa, que já se arrasta há demasiado tempo, está a ter consequências verdadeiramente surpreendentes. Em alguns casos, delirantes. Atente-se na repentina capacidade de unidade dos patrões - todos juntos para pressionar o poder político, que ainda não rstá definido, mas cujo retrato começa a ser pintado nas sondagens tornadas públicas e nas outras também.

É um verdadeiro desaforo porque aparecem em alturas de crise a apontar as pistolas, de rostos façanhudos, a exigir menos despesas sociais, menos estado, cada vez menos, mas não explicam onde meteram os resultados de trinta anos de trabalho com um taxa de produtividade que eles nunca especificam.

Estes mesmos patrões que aparecem a condicionar o poder político, a sair da vontade livremente expressa pelo povo, não explicam as falências fraudulentas, a má gestão das empresas, a pouca qualificação dos seus quadros e trabalhadores. Não explicam os seus altos níveis de vida, seus e dos seus gestores.

Não explicam, mas exigem. E fazem-no porque já dominam quase tudo.

Já é tão evidente o seu domínio sobre a Comunicação Social que uma das revistas deles apareceu com a ideia delirante de constituir "um governo de sonho" em que aparecem alguns nomes de gestores considerados grandes sumidades.

A Revista, que se chama Exame, só não fez uma coisa, as contas. Quanto custaria um Governo daqueles?

O Estado teria dinheiro para lhes pagar?

Até porque alguns deles começariam por estabelecer percentagens comissionistas sobre todo os negócios em que participassem.

A Surpresa do Apoio de Freitas do Amaral

Este país parece não ter memória. Freitas do Amaral escreve um texto numa revista nacional a apoiar (mais do que apoiar, a pedir) uma maioria absoluta para o PS nas próximas eleições legislativas e toda a gente faz um ar espantado. Paulo Portas, inclusivé, diz que aquele não é o Freitas que ele conheceu.
Portas ainda andava de calções - ou bibe? - e já Freitas do Amaral fazia alianças com o PS. Esqueceram o governo PS/CDS, com Salgado Zenha a dar a cara para defender a iniciativa, classificando o CDS como partido do centro-esquerda?
Além disso, o próprio Diogo Freitas do Amaral, num daqueles programas televisivos para recordar os primeiros anos pós 25 de Abril, disse -não mandou ninguém dizer por ele - que Mário Soares o tinha incentivado a formar o CDS.
É evidente que a estratégia, nessa altura, era do secretário geral do PS: queria dividir a direita.
Mais tarde, quando foi necessário indicar alguém para Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mário Soares indicou quem ? Diogo Freitas do Amaral.
Mais história: o PSD de Cavaco Silva não pagou a parte das contas que lhe cabia da campanha para a Presidência da República em que Freitas defrontou Soares. E ele assumiu o compromisso de as liquidar pessoalmente, com os proventos obtidos através dos seus pareceres jurídicos.
Mais ainda? Depois da vitória da AD, com Sá Carneiro, o PPM e a ASDI, o CDS ficou reduzido a um partido de taxi. E porquê? porque Pinto Balsemão, na sequência da morte de Sá Carneiro, não chegando a ser igual a Santana Lopes, andou lá perto.
Além da história, há a consciência cívica de Freitas do Amaral. Só os cidadãos sem consciência cívia hipotecam o seu voto a um cartão de partido, como se de um clube de futebol se tratatasse, assim como aquele que conta em público que no dia seguinte a ter nascido era sócio do Sporting.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

O Engano dos Números

Quando chegou ao poder em Lisboa, o ex-presidente da Figueira da Foz teve uma única preocupação: esconder os números, mistificá-los, para, desse modo criar, à semelhança do que fez na cidade de onde viajou para várias voltas ao Mundo, de automóvel, um oásis que levasse os portugueses a dar-lhe um mandato de, pelo menos, dez anos.
Par esse desiderato encontrou o parceiro ideal: António Bagão Felix, que já tinha enganado o pessoal na Segurança Social.
E assim, os dois, de mãos dadas, foram apresentando números cada vez mais optimistas, até que... afinal a receita fiscal não só não subiu 4,5 por cento, como até desceu 0,5 por cento.
É um hábito português: enganamo-nos uns aos outros com os números e com as percentagens. Somos peritos em manobrar percentagens. Mas não só.
Atentemos nas facturações de Dezembro das grandes empresas prestadoras de serviços. Os enganos que acontecem, sempre no sentido de aumentar os valores que lhes permitam apresentar melhores resultados do que os que realmente têm.
Mas não só: há empresas que param os pagamentos aos fornecedores a partir de Setembro. Para quê? Para apresentarem, com as necessárias engenharias financeiras, grandes resultados no final do ano. Os tais resultados que justificam os altos prémios de desempenho no cumprimento de objectivos.
Não é apenas no Estado, portanto. Também as grandes empresas mistificam os números. E estas com um objectivo provavelmente fraudulento.
E, se no Estado há a possibilidade de um novo governo pôr tudo a claro e iniciar uma nova vida, nas empresas ninguém arrisca, porque desmontar as engenharias financeiras de anos e anos pode significar o descalabro.
Foi este país e esta gente que nos coube em sorte. Que havemos de fazer?
PS. tenho recebido alguns e-mails que me interrogam sobre a razão por que trato o actual primeiro-ministro por ex-presidente da Figueira da Foz. Eu explico: é que foi a única coisa que ele fez na vida. E mesmo assim mal. Não chegou ao fim de nenhum outro mandato ou de qualquer outra tarefa.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

A Blogoesfera

Leio os jornais, ouço as rádios, vejos as televisões e volto ao computador, para a blogoesfera, onde encontro informação clara, comentários esclarecidos, poetas inspirados, fotógrafos com objectivas limpas.
E isto lembra-me a rede clandestina de cultura e informação que se desenvolveu na antiga União Soviética, à margem do poder instituído e que, aos poucos, foi impondo a exigência de uma informação que retratasse o mais possível aquela realidade e a do resto do Mundo.
A União Soviética começou a desmoronar-se quando atirou a informação do estrangeiro para os envelopes fechados dos correspondentes da TASS e a realidade nacional para as catacumbas dos intelectuais proscritos.
A comparação ainda está longe mas já ocorre, quando se leêm os nossos jornais, se ouvem as nossas rádios e se veêm as nossas televisões Eles retratam um regime tão fechado à volta de interesses de minorias tão parasitas como as do aparelho de poder da União Soviética.
A diferença, para além das dimensões, está, sobretudo, na aparência. Para quem não frequenta a blogoesfera, a comunicação oficial, de papel passado, parece livre e democrática. E colorida!

O PORTUGAL DA POLÍTICA

De modo geral toda a actualidade política é feita de coisas velhas. E loisas também. Realidades velhas, ideias velhas, métodos velhos e políticos velhíssimos: até os novos, envelhecidos que são pelos vícios em que mergulham ao iniciar funções. Vícios institucionalizados.
Posto isto falemos de modernas velharias portuguesas.
O bafo duma onça chamada George
O poder é tão poderoso que até manda da distância. Realidade a caminho da eternização. Basta existir para ser obedecido. Até por adivinhação do seu pensamento.
Perceba-se agora a razão profunda da escolha de Durão Barroso para a presidência da União Europeia. Ou, o que é o mesmo, perceba-se a utilidade de ter servido café a Bush. O célebre café dos Açores, tão gozado na Europa mas que se tornou decisivo na preferência, ao fim de quatro tentativas, dada a um pardilho (sinónimo de pardacento, que politicamenmte era, e de cherne, como se soube por uxoriano anúncio público) lusitano.
Pardilho esse que foi, em consequência, juntamente com armamentistas, petrolíferas e assim, um dos raros e felizes contemplados com a desgraça do Iraque. Um tsunami que já vai em mais de 100.000 mortos, já se prolongou por mais de um ano e já se anuncia sem paz à vista, mas sorte grande para quem conseguiu um vencimento patriótico.
Ora, para tanta felicidade de Durão, bastou o bafo que talvez a onça não tenha dado. Mera suspeição dos seus capangas da U.E. .
La Fontaine, se fosse vivo, poderia construir, a partir daqui, a fábula do bafo adivinhado.

O PORTUGAL DA POLÍTICA

A Tragédia de Santana
E lá seguiu sacrificado ao interesse da pátria, o ex-esquerdista transmutado em neoconservador, oferecendo um país em crise ao seu ex-adversário, transmutado em companheiro neoliberal, Santana Lopes. Que, inocente, delirou com o presente envenenado.
Mas com muito veneno. Encapotado um, descarado outro, de dentro do partido, de fora dele, de membros da coligação, de adversários da mesma, enfim, comunistas, socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos, de todos os lados largaram vespas a ferrar em Santana. Exposto numa cruz de Santo André.
Contudo, as maiores ferroadas, pelo menos para magoar mais, partiram de pardos como Durão, de políticos que mudaram de valores. E mudaram porque para se calcorrearem os pedregosos atalhos que separam Mao ou Lenine de um Bush é fundamental, antes de mais, mudá-los. Vender a alma ao Diabo.
E é, pelo menos, de estranhar tanta agressividade partida de quem defendeu as atitudes de Bush, de quem lhe aceitou a insolência, de quem lhe perdoou as agressões aos direitos humanos, de quem lhe compreendeu as mentiras, de quem alinhou com as suas agressões ao direito internacional, de quem inventou justificações para as suas ambições político-imperiais, de quem o absolveu, e absolve, da sua pobreza mental.
De estranhar porque Santana Lopes é muito mais democrata que Bush, muito mais humano que Bush e, fundamentalmente, muito mais civilizado que Bush. Em verdade, e resumindo, muito mais pessoa.

O PORTUGAL DA POLÍTICA

A Razão de Sampaio, no entanto

Ora, mesmo precisamente por Bush ser, como pessoa, tão pouco é que o ser, comparativamente, mais que ele não basta para credenciar politicamente alguém.

Sampaio tinha mesmo que demitir Santana.

Encheu o seu mandato de vacilações. O que suportou a Rocha Vieira e, principalmente, a Alberto Jardim, ultrapassou até os limites do aceitável. Não tem margem para se repetir.

Faltava-lhe espaço, até moral, para deixar a inabilidade política (populismo não quer dizer talento) e escassez de conhecimentos de Santana Lopes, aliada à farfalhice de Paulo Portas, à rédea solta durante os últimos meses de presidência.

Ninguém é capaz de fazer ideia exacta do que aconteceria no país com a dupla Santana/Portas a governar dominando a A.R. e sem a tutela do P.R.. A balbúrdia dos escassos meses que levam do exercício do poder não auguram nenhum sossego.

E um país não é propriamente um parque de recreio. Para além de que um populista despassarado como Santana, no exercício das funções de primeiro-ministro, corresponde à imagem do homem errado no lugar errado. Da bagunça no poder.

Até já mostrou que sim!

segunda-feira, janeiro 24, 2005

A Destruição do Audiovisual

Já aqui foi dito que uma das razões por que a Televisão Portuguesa continua com uma qualidade impossível de comparar com qualquer outra europeia tem a ver com a destruição do audiovisual português. É que o ministro Morais Sarmento, enquanto retirava capacidade de produção à RTP, a verdadeira escola nacional de Televisão, entregava a produção televisiva a grandes grupos internacionais .
Quem são eles?
Grupo Telefónica (espanhol), onde estão incluídas as empresas Endemol, Gestmusic, Sonotech, United Broadcast, Telefónica e outras pequenas empresas-satélite, constituídas especificamente para a concretização de determinados contactos ou projectos.
A GesteMusic, por exemplo, só se radicou em Portugal para produzir e realizar a "Operação Triunfo", tendo abandonado o país quase tão vertiginosamente como se implantou.
Entre outros conteúdos, o Grupo Telefónica é responsável por grande parte dos Reality-Shows (Big Brother, Big Brother dos Famosos, Quinta das Celebridades), concursos (Quem Quer Ser Milionário, o Elo Mais Fraco...), Academia das Estrelas (Operação Triunfo), grandes séries, gravação de concertos, algumas transmissões desportivas, etc.
Grupo Media Luso (espanhol) - Apenas duas ou três grandes empresas constituem este grupo, a Media Lusa, Media Burst e a Media Pro, que detêm, quase em exclusivo, todo o mercado das transmissões desportivas nacionais, nomeadamente, o futebol.
A entrada deste grupo em Portugal está, de resto, rodeada de alguns aspectos menos claros, no que respeita aos meios técnicos utilizados e ao pessoal contratado.
Grupo NBP (Colombiano) - A actual NBP pouco ou nada tem a ver com a empresa produtora inicialmente constituída e hoje há alguma dificuldade em determinar, com exactidão, a nacionalidade dos capitais envolvidos, nomeadamente porque não é possível saber o destino que teve o Grupo Bavaria e os fundos ingleses e americanos, inicialmente envolvidos na Media Capital e na TVI.
Após alguns anos de graves dificuldades económicas, a NBP lidera, hoje, em Portugal, a produção de Telenovelas. Continua a produzir, quase em exclusivo, para o mercado nacional por não ter motivado qualquer interesse significativo no mercado externo. Apesar disso, a NBP parece póspera e com grandes projectos para o futuro.
Fremantle - Trata-se de um grande grupo internacional com um representante em Portugal e que faz aprovar, sempre que se proporciona, programas de entretimento, testados e rodados no mercado externo. A produção e os meios técnicos ficam a cargo de uma das empresas nacionais ou estrangeiras, especializadas neste tipo de serviço.
A Portugal Telecom - É um caso único no panorama Audiovisual Europeu.
O Grupo PT tem, na prática, a propriedade efectiva e o controlo da infraestrutura de distribuição do sinal de Cabo.
Tem o quase monopólio da distribuição desse sinal através de um conjunto de empresas que cobrem quase todo o espaço nacional e, na prática, desvirtua os princípios básicos das leis do mercado.
Controla, ainda, os conteúdos transmitidos por via dos canais que selecciona para distribuição pública, não implementando alternativas técnicas que permitam aos assinantes do serviço escolher livremente o conjunto de canais que pretendem receber, dos mais de duzentos a que o grupo tem acesso.
Controla, directamente, os conteúdos de alguns dos canais que transmite e de que é o principal responsável editorial.
Controla a organização da própria oferta do cabo, o chamado" pacote básico", que altera sistematicamente e sem razão plausível, favorecendo alguns canais - escandalosamente todos os canais do grupo SIC - prejudicando outros, sobretudo a RTP e a TVI, retirando da grelha canais de interesse público - M6 - e substituindo-os por autênticas aberrações de interesse e gosto mais do que duvidoso (Vivir, televendas, etc).
Finalmente, controla o mercado publcitário dos canais do cabo, não generalistas, através de contratos de concessão a longo prazo, tudo na ausência de legislação que estabeleça regras, e com a conivência efectiva das entidades reguladoras, a Alta Autoridade para a Comunicação Social e a ANACOM.
Estamos, portanto, perante meia dúzia de grandes produtores ou grupos de produção que, globalmente, controlam a esmagadora maioria do volume de negócios da Televisão Portuguesa e, por esse meio, os próprios conteúdos produzidos.
A maioria das pequenas e médias empresas de produção nacional está à beira da falência, não tem mercado de programas que justifique o investimento e a actualização tecnológica, não dispõe de quadros especializados, não tem projectos nem perspectivas de poder vir a, num futuro próximo, realizar contratos que lhes permitam sobreviver.
Estão "entalados" entre os "grandes produtores" e as empresas de "vão de escada", cuja proliferação se acentuou a partir da entrega do canal 2 da RTp à chamada sociedade civil.
Ao contrário do que se passa no resto da Europa, em que se priveligia a constituição de pequenas e médias empresas, altamente especializadas, a concentração que se verifica em Portugal tem impedido o desenvolvimento tecnológico da grande maioria das empresas, a especialização dos seus quadros técnicos, actualização dos meios e sistemas de produção, enfim a prossecução de um projecto industrial, cultural e de produção autónomo, nacional e participado.
É por isso que hoje não se produz ou realiza, em Portugal, qualquer projecto televisivo inovador, não se conquista uma única parecela de mercado internacional, não se exporta um programa, não se vende uma ideia ou conceito, não se participa em nenhuma grande produção.
Nenhum projecto televisivo dura mais do que uma época (grelha de Verão ou de Inverno), os contratos de produção nunca excedem os seis meses de duração, não há projectos a médio ou longo prazo, as empresas não possuem especializações, não têm capacidade de rentabilização dos meios técnicos e humanos envolvidos, vivem sistematicamente à beira do colapso económico e financeiro.
A maior parte das empresas desconhce as regras de funcionamento do sistema, acreditam que o modelo implantado em Portugal é comum aos restantes países europeus, não desenvolvem parcerias internacionais, não têm capacidade financeira para participar de feiras, exposições e inovações que o normal desenvolvimento do sector impõe, estão completamenmte alheadas do que realmente se produz na Europa, estão quase tão isoladas, em termos internacionais, como durante o anterior regime.
Sr. Ministro M. Sarmento, espero que ainda esteja aí, para lhe explicar que o o sr. não foi um minisitro esforçado, inovador ou porra nenhuma. O sr. condenou um sector importante da vida portuguesa à estagnação. O senhor é responsável por uma grande fatia do desemprego que nos assola. O senhor nunca devia ter sido ministro de coisa alguma.
Teria muito mais a dizer-lhe, mas sabe: tenho um blog e a maioria dos meus leitores já está um bocado cansado desta matéria. Ficamos por aqui, mas não apareça em campanha a fazer do grande homem que salvou a televisão do caos e não sei de que mais!

A Desregulamentação da Televisão em Portugal

O sr. ministro Morais Sarmento devia, de facto, ter feito algum esforço e recorrido a uns acessores criativos para perceber onde estaria a importância do seu papel como entidade tuteladora da Televisão.
Devia, por exemplo, ter obrigado os vários operadores do ramo a cumprir um conjunto de disposições que já se encontram regulamentadas.
Todos eles deviam ser obrigados a cumprir, integralmente, o Contrato Programa que assinaram com o Estado Português e que legaliza as respectivas autorizações de emissão e distribuição de sinal.
Deviam, igualmente, respeitar os diplomas e regulamentos em vigor e que regem o sector Audiovisual, sob pena de lhes serem aplicadas coimas de valor suficientemente exemplar, já que não tem significado a aplicação de uma coima de valor inferior ao lucro que a contravenção proporciona.
Em simultâneo, devia ter estabelecido um novo quadro legal do sector, mais ajustado à realidade decorrente das evoluções tecnológicas recentes, que introduziram no mercado novos produtos: canais distribuídos por satélite e fibra óptica, canais privados e empresariais.
Quanto à Televisão Pública devia ter-se apoiado nas conclusões da comissão independente que convidou e depois desprezou para definir um modelo de televisão e, em seguida, criar uma estrutura técnica e uma direcção administrativa e de conteúdos, de informação e programas adaptadas ao modelo escolhido.
O que é que aconteceu com o sr. ministro M. Sarmento?
A RTP mudou de instalações próprias para umas instalações alugadas, sofreu uma "profunda reestruturação", cujos resultados ainda não são visíveis, mas que, pelo que se passa em sectores vitais da empresa, poderão ser os piores.
Mais alguma coisa, para além da continuada protecção aos canais de Pinto Balsemão, que, de resto, já vinha de trás?

A Televisão do Nosso Descontentamento - Programação

As políticas de "grande esforço e inovação" do ministro M. Sarmento na Televisão não são responsáveis apenas pelo baixo nível da nossa informação televisiva. Eu diria que elas são, sobretudo, a causa do baixíssimo nível da programação de todos os canais portugueses.
Olhemos para o panorama geral das grelhas de programas emitidos pelas televisões portuguesas, cujas diferenças existem apenas nas bengalas em que cada uma delas se apoia: a SIC numa batelada de telenovelas produziadas pela TVGlobo, a TVI nas suas próprias telenovelas e a RTP em concursos já gastos e revistos.
Logo pela manhã, há um tempo de informação e entretenimento, na RTP1, "Bom dia Portugal", na TVI, "Diário da Manhã".
Seguem-se nas três cadeias longos "talk-shows", conversa de estúdio, sobre tudo e coisa nenhuma, com participação do público, geralmente remunerado a custo reduzido, dois ou três "especialistas convidados", figuras de quinto plano.. A opção está entre acompanhar o Jorge Gabriel (RTP1), a Fátima Lopes (SIC) ou o Manuel Goucha (TVI).
Às 13 horas, os noticiários, longos de mais de uma hora e sem qualquer critério editorial - adopção cega do modelo tabloide.
Às 14 horas todos eles adoptam pela repetição de séries, que, às vezes, já vão na quinta e na sexta repetição. Segue-se mais um talk-show em cada um deles. Só a partir do meio da tarde é que recorrem às tais bengalas, o que dá a aparência de programações alternativas.
À noite, depois de mais um longo jornal de pelo menos uma hora, com os critérios já descritos, lá vêm, na SIC e na TVI, programas de anedotas. O mesmo esquema deverá estar a ser seguido pela RTP 1, que, entretanto à falta de tal alarvidade, e por agora, apresenta uma série de produção nacional, de excelente qualidade "Ferreirinha" - uma honrosa excepção em alguns anos.
A seguir às anedotas e à tal série, a SIC e a TVI voltam às telenovelas e a RTP1 aos concursos.
Porquê uma tão confrangedora grelha de programas? Por uma questão de redução de custos? A situação financeira em que se encontra a generalidade das cadeias de Televisão em Portugal não justifica, minimamente, as opções editoriais e de programas adoptadas.
Repare, sr. ministro, vou começar a explicar-lhe: como há alguns anos afirmava o realizador brasileiro, Walter Avancini, o problema da Televisão Portuguesa é de natureza cultural e resume-se à falta de qualquer projecto cultural para o país e consequentemente para os diversos órgãos de comunicação social.
O sr. achou que esta coisa de televisão se resolvia com a entrega da produção televisiva a grandes grupos, sobretudo se fossem estrangeiros, e atirou o audiovisual português para as urtigas, estrangulando a capacidade criadora que as pequenas e médias empresas detinham para alimentar as cadeias televisivas.
O ministro Morais Sarmento não percebeu que a televisão representa o mais poderoso instrumento de divulgação cultural e entendeu apenas a sua condição de principal aparelho ideológico do Estado. Daí que, a certa altura, se deu ao desplante de afirmar que o Estado o devia controlar inteiramente, porque "os jornalistas não vão a votos".
E a verdade é que não desistiu da ideia: basta olhar os telejornais da RTP 1 e perceber as manobras com alguns programas, que podem ser considerados incómodos para o actual poder, como é o "Contra-Informação", um caso raro e notável de sobrevivência perante os ataques demolidores do ministro Sarmento às pequenas e médias empresas de audiovisual.

A Televisão do Nosso Descontentamento - Informação

As políticas de "grande esforço e inovação", levadas a cabo pelo sr. ministro M. Sarmento não tiveram efeitos apenas na RTP, a instituição que ele tutela directamente. No seu conjunto, a Televisão Portuguesa, pertencendo a um País Europeu, membro de pleno direito da União Europeia, de cultura e modo de vida europeus, pode classificar-se dentro de um modelo misto de latino-americano e de canal local americano, mas nunca uma Televisão de modelo europeu.
Analisemos em primeiro lugar, o que se faz em matéria de informação e sem falarmos das trapalhadas que se fazem com as mensagens de órgãos de soberania, por exemplo do Presidente da República ou do Primeiro Ministro, que, normalmente, aparecem a meio dos jornais, comentadas pelos jornalistas de serviço, enquadradas por oráculos de frases soltas, retiradas do contexto, tudo num cenário de feira a que não faltam as notícias de rodapé, sobre matérias que nada têm a ver com a comunicação emitida.
Em nenhuma televisão europeia, notícias de relevante importância nacional são preteridas a favor de informações locais, de interesse duvidoso, numa sucessão noticiosa sem critérios, nem objectivos, sem discernimento nem equilíbrio. Dir-se-ia que, em Portugal, só acontecem faits-divers, desastres, roubos, crimes, violações, assaltos...
É degradante a imagem que os diversos noticiários nacionais dão do País e do Povo Português. Ao relato e análise dos factos prefere-se o comentário especulativo, a informação converte-se em espectáculo: o "vizinho", o "morador", a "turista" e a "testemunha" são o novel critério jornalístico; o jornalista é a "notícia", a "notícia" é uma inimaginável sucessão de banalidades, uma feira de vaidades, pessoais e profissionais, onde a classe política no poder ganhou especial protagonismo.
O falso "volume de informação" criado neste sistema comum aos canais portugueses esconde uma outra realidade, que decorre da profunda fragilidade e incapacidade das diversas direcções de informação, da televisão pública e privadas, que não lhes permitem produzir nenhum bloco noticios sério ou qualquer magazine de informação especializado.
A Televisão Portuguesa interessa-se pouco pelo que, de concreto e capital, se passa no território nacional, despreza, soberanamente, o que ocorre no estrangeiro, sobretudo se a realidade ultrapassa a sua capacidade de compreensão imediata, se a notícia não arrasta o drama, a tragédia ou a vulgaridade e se não chegar pelo sistema diário de troca de informações televisivas internacionais (EVN's).
Este panorama é o resultado das políticas desenvolvidas pelo sr. ministro M. Sarmento, a quem aconselho a não sair daí... porque, lá mais para a frente, vou explicar-lhe porquê.

domingo, janeiro 23, 2005

A RTP Do Nosso Descontentamento III

RTP INTERNACIONAL E ÁFRICA
Na sua política de esforço e inovação, M Sarmento não conseguiu descobir algo para que não era necessário nenhum esforço: a existência de uma RTP África, ao mesmo tempo que uma RTP Internacional é uma aberração. Não faz qualquer sentido fora de um quadro de actuação definido por preocupações neo-coloniais, eu diria mesmo, racistas.
Isto é, a RTP Internacional é para brancos e a RTP África é para negros.
As preocupações, legítimas, de o Estado português utilizar os meios de comunicação social para, por um lado, comunicar com os seus cidadãos espalhados pelo Mundo e, por outro, fazer a defesa dos seus valores culturais junto de comunidades que os partilharam durante séculos e, em alguns casos, ainda partilham, têm que corresponder à elaboração e execução de políticas rigorosas.
A RTP Internacional deverá ser dirigida igualmente para África, sem uma designação específica, mas tendo em atenção as peculariedades das sociedades que ocupam os vários espaços a que se dirigem as suas emissões. Assim, se uma edição para África da RTP Internacional, não deve ter os mesmos conteúdos dos programas destinados a França, estes não podem ser iguais aos que são vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, ou no Brasil.
Esta concepção valoriza, de facto, a posição de Portugal no Mundo, mas implica investimentos. Desde logo na investigação das correntes emigratórias nacionais, nas suas várias componentes e na dotação dos departamentos responsáveis por estas emissões de gente qualificada para orientar antenas e programações para públicos eterogénos, mas com uma raíz comum.
A RTP não tem que juntar às suas emissões internacionais produtos que não correspondam a um perfil definido pela preocupação de fazer de cada minuto de televisão transmitido para o estrangeiro um tijolo na construção de uma comunidade respeitada, coesa, culturalmente avançada, com um passado contribuinte indispensável para o Mundo de hoje - uma comunidade que a todos respeita, mas que exige ser respeitada.
Não é essa a ideia que ressalta dos inquéritos, não comprovados cientificamente, mas possíveis graças à troca de ideias que a actual globalização das comunicações vai permitindo.
De resto, para comprovar a desgraçada qualidade das emissões da RTP Internacional e África basta recordar as palavras de um emigrante canadiano, proferidas há pouco tempo, em directo: "não somos só nós que já não vemos a RTP Internacional e África, tudo faremos para que os povos que nos acolheram também não as vejam, porque o País e o Povo que nos dão a conhecer não condiz com a realidade que apreciamos".
Ora aí está, sr. ministro, o resultado da sua política de "tanto esforço e inovação".

A RTP Do Nosso Descontentamento II

O CANAL 2 E A SOCIEDADE CIVIL
Um dos grandes cavalos de batalha do ministro M. Sarmento, na sua política de "grande esforço e inovação", uma adjectivação repetida por ele próprio sempre que tem oportunidade, foi a seguida com a RTP 2, "entregue à sociedade civil".
Esta "entrega" foi a maior mistificação da tal política, já que esta sociedade civil, a que foi entregue o Canal 2, não existe. As instituições que se associaram a este projecto e se constituiram como "parceiros" do canal, que patrocinam uma parte dos programas emitidos, são, na sua maioria, organismos, organizações e empresas , fundações, associações, alimentados por capitais públicos.
Para além dos capitais públicos têm outra característica comum: não têm vocação para produzir, realizar, programar, ou mesmo controlar a produção de programas de televisão. Acrescente-se que, em alguns casos, a contribuição dada ao canal 2, no panorama da tal sociedade civil, tem apenas a ver com "pequenas vaidades pessoais" dos respectivos dirigentes.
As consequências são o que se vê: quando a proclamada sociedade civil ocupa a Antena, sucedem-se os programas sem qualidade técnica, estética, artística, numa confrangedora pobreza de conteúdos e de formatos, a que a direcção do canal parece não querer nem poder pôr fim.
É que aquelas são horas preenchidas com programas entregues, para emissão, a custo zero ou tão baixo que tornam impossível a mínima exigência.
Aliás, à parte os programas produzidos pela RTP Meios, e que em nada se distinguem das piores produções externas, não existe nenhum controlo de qualidade dos programas apresentados, já que os "parceiros" do canal escolhem, soberanamente, as empresas produtoras dos seus "produtos televisivos".
Esta falta de controlo deu origem ao aparecimento das chamadas empresas de vão de escada, produtores completamente desconhecidas até agora e que são escolhidas pelos parceiros do canal para produzir e realizar a baixa qualidade que caracteriza o actual canal 2.
Em conclusão: o orçamento de Estado continua a pagar dois canais de televisão, com duas diferenças importantes: a factura do canal dois é dividida em múltiplas contas, algumas das quais não contribuem, seguramente, para o objectivo estabelecido e, ao mesmo tempo, o Estado alienou o controlo da qualidade de grande parte da grelha de emissão daquele canal.

sábado, janeiro 22, 2005

Artilharia Um, o Túnel do Marquês e o Túnel do Rossio

O Conselho de Ministros de Santana Lopes, na sua reunião de ontem, entre muitas outras resoluções, aprovou aquela que ratifica o Plano de Pormenor da Artilharia Um, no município de Lisboa.

Segundo o texto do comunicado da PCM, "o objectivo principal deste Plano de Pormenor é a inserção/integração de uma solução de reconversão do terreno afecto ao antigo anexo do Hospital Militar de Lisboa, de modo a resultar um novo pólo requalificado e dinamizador do território, na cidade de Lisboa".

"O Plano de Pormenor da Artilharia Um altera os parâmetros estabelececidos no Plano Director Municipal de Lisboa para a área onde se insere, nomeadamente no que respeita à área mínima de construção para comércio e à cércea máxima de referência".

O que isto poderá quer dizer é que as condições do concurso de 2001 para venda daqueles terrenos foram, entretanto, alteradas - o que faz do nosso Estado uma entidade desacreditada, porque promoveu condições excepcionais para beneficiar um cidadão.

De resto, a construção do Túnel do Marquês tem como objectivo alterar as condições de acesso à nova urbanização, já desenhada e entregue a agentes imobiliários. O Túnel vai ser pago com o dinheiro de todos os contribuintes e não pelo cidadão que vai beneficiar das mais valias que esta estrutura proporciona ao seu inmvestimento.

Esta resolução, arrancada a ferros numa das últimas reuniões do Conselho de Ministros de Santana Lopes, pode querer dizer, igualmente, que o Túnel ferroviário do Rossio vai ser totalmente reconstruído para que esta urbanização da Artilharia Um possa contruir em profundidade à vontade, tão à vontade como vai construir em altitude.

Finalmente, a opinião pública ficará a perceber as obras do Túnel do Marquês e o encerramento do Túnel do Rossio.

Também ficam mais claras as razões que levaram Judite de Sousa a fazer a chamada "Grande Entrevista" com João Pereira Coutinho. Afinal, que diabo, tinha que dar uma mãozinha ao seu amigo Santana Lopes.

E já agora, aos que leêm este blog, recomendo que façam uma releitura aos posts "Heranças", 15DEZ04 e "O Beneficiário do Regime Durão-Santana", de 17Dez04.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Insanidade Governativa

De repente, este governo demitido promete resolver tudo, assume todos os passivos e os seus membros - todos eles - falam como se o futuro lhes pertencesse. Estará a desbaratar o que não pode? Há quem o acuse de tomar medidas inconstitucionais, mas a verdade é que não parece haver instrumentos para o fazer parar.
Este comportamento bizarro faz lembrar as circunstâncias, por vezes infelizes, de algumas famílias, cujos patrimónios são desbaratados por um dos seus membros, decretado, entretanto, pelos tribunais, como incapaz de continuar a administrar os bens comuns. São, normalmente, situações de insanidade mental.
Não haverá maneira de pedir a um tribunal um despacho semelhante para esta gente que ainda nos governa?

As Descobertas de Sérgio Figueiredo

O Director do "Jornal de Negócios" escreveu há dias algo sobre nós todos, muito citada, depois em outros jornais. E foi citada porque ela é como que uma verdade de "La Palisse". De facto, todos reconhecemos a mediocridade das nossas elites.

Uns alimentam as instaladas e incapazes de sair de dentro da sua própria acomodação, como o jornal que ele dirige, outros criticam-nas como reconhecimento da impotência para as desalojarem e os importantes, aqueles que podiam mudar o país, vão embora. Não estão para aturar uns e outros.

Sempre foi assim em Portugal. Há séculos. O Sérgio Figueiredo, que, sendo embora jornalista económico, aprecio especialmente, devia ter isso presente em algumas das suas intervenções. E já agora: as fontes de informação que usa pertencem sempre às elites instaladas e eu asseguro-lhe que há muitas outras.

A RTP Do Nosso Descontentamento I

Escuto a auto-promoção da RTP e sorrio, ouço os seus administradores falar das realizações do consulado e surpreendo-me. Vou, seguramente, ficar de boca aberta de espanto, quando o ministro Morais Sarmento aparecer em campanha a falar da sua grande obra na Televisão pública.
Antes que o abrir de boca seja nacional e corra tudo para as urgências dos hospitais, será melhor contar o que realmente se passou com tal instituição.
Tenho um amigo que, para resumir a questão da RTP, conta a seguinte estória: "imagina que o dono de um fábrica de sapatos resolveu vender as máquinas e despedir os sapateiros. Todavia, para manter a existência da fábrica arrendou um apartamento, colocou a placa com o nome da fábrica virada para a rua e assegura a toda a gente que ela existe. De facto, está lá, só que já não fabrica sapatos".
É assim a nossa Televisão pública. Acertaram as contas? Eles dizem que sim. Venderam tudo quanto havia para vender, alugaram instalações, despediram pessoal. E agora ?
Agora, o grupo RTP abdicou de intervir nas grandes produções de televisão, de cobrir os grandes acontecimentos, de transmitir os grandes espectáculos.
Dispensou os seus melhores profissionais, nomeadamente em áreas determinantes como a produção e a realização televisiva, alienou parte dos meios técnicos de que dispunha, não se actualizou, não adquiriu novos meios, nem sequer aproveitopu a realização, em Portugal, de grandes acontecimentos, como foi o Eruro 2004, para iniciar um processo sustentado de actualização.
Por mais incrível que possa parecer a RTP não dispõe, actualmente, de meios humanos (realizadores, produtores...), capazes de produzir e realizar um ballet, uma ópera, um grande concerto, um desafio de futebol, uma corrida de fórmula 1...terá mesmo alguma dificuldade em "gravar" uma boa peça de Teatro.
E se quanto a meios humanos a situação é bastante grave, como provam as sucessivas recontratações de funcionários recentemente dispensados, a reestruturação técnica da empresa parece acompanhar o descalabro geral das grandes opções económicas e financeiras nacionais.
Além dos meios técnicos de informação, quer de estúdio, quer de reportagem, de aquisição recente e que são meios ligeiros, a empresa já de poucos meios técnicos de produção dispõe. A grande maioria das unidades está completamente desactualizada, mal equipada, com material antiquado a que falta manutenção, excepção feita para dois carros de exteriores, que ainda estão operacionais, mas que só ligados em série poderão transmitir um grande desafio de futebol.

As Pressas da Venda

A notícia é insistente: o BES quer vender a Lusomundo antes das eleições. Hoje, pela primeira vez, alguém acrescentou que outros accionistas têm opinião diversa. Estas duas informações juntam-se a uma montanha de outras sobre o interesse de toda a gente nos activos da Lusomundo.
A Media Capital, a SonaeCom e até o Jaime Antunes já fizeram circular o seu desejo de compra.

Pinto Balsemão foi ainda mais claro. Disse que quer a TSF e um Jornal Diário - espero que não seja para fazer como com a "A Capital": no dia seguinte ao fim do contrato que o obrigava a manter associado ao jornal o respectivo património, passou o edifício de "A Capital" para o seu nome. Logo a seguir entregou a respectiva direcção a Helena Sanches Osório e depois desfez-se do título.

Hoje também se disse que o ministro Morais Sarmento gostava que a Lusomundo fosse vendida à Cofina, por já possuir uma determinada percentagem do respectivo capital.

Esclareçamos duas coisas:
1-O BES tem apenas cinco por cento da PT, accionista maioritário da Lusomundo. O BES, embora pareça, não é o dono da PT e a comissão executiva do maior grupo empresarial português ainda não foi capaz de esclarecer esta questão. Toda a gente, incluindo as dezenas de milhar de pequenos accionistas da PT , ficam convencidos de que Miguel Horta e Costa e seus pares recebem ordens directas do BES
2 - O sr. ministro Morais Sarmento não tem que preferir coisa nenhuma. A venda de um activo da PT é um acto de gestão da sua Comissão Executiva.
A não ser que as preferências do sr. ministro e a pressa do BES estejam relacionadas e justifiquem o comentário que foi feito ao post publicado neste blog, a 10 de Dezembro de 2004, com o título Administradores-Comentadores.
Oh! sr. ministro ainda está a pressionar o BES ? Ainda tem poder e capacidade para retirar daquele banco as contas do Estado e das empresas públicas?

A República da Madeira

Os portugueses gostam de dizer que são conhecidos no Mundo e arredores pela sua virilidade, pela sua "macheza" ( à brasileira). E não está muito longe o tempo em que "certas ofensas só poiam ser lavadas com sangue". Porque isso de "corno" só paciência.

"Paciência de corno" é o que todos demonstramos - incluindo o Presidente da República - para aturar o presidente do Governo Regional da Madeira, dr. Alberto João Jardim.

Que é isto de "os deputados da Madeira renovam o compromisso de que, sempre e em todas as circunstâncias, colocarão os interesses da Madeira acima de quaisquer outros" ?

É este o levantamento a que Santana Lopes fez apelo ? Ou estas condições já estavam incluídas nas propostas aprovadas por Durão Barroso?

E o Presidente da República concorda com esta proclamação? Já chegámos à República da Madeira, ou ainda demora algum tempo?

Porque não se faz já um referendo para que a "matéria fique clara"?

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Um Ministro da República

O Programa televisivo "Prós e Contras" presta, normalmente, bons serviços à comunidade. Exceptuam-se aquelas edições em que se nota a intenção de conduzir a discussão em determinado sentido. Não foi o caso da última , em que tivemos a oportunidade de ouvir as opiniões de alguns dos nossos"Senadores" sem Senado.
Concordemos ou discordemos deles temos que reconhecer-lhes a sabedoria própria de quem estudou e viveu a vida. Porque uma coisa sem a outra não conduz à sabedoria - a Sabedoria definida por Platão na defesa de um governo de sábios, dos mais sábios.
Eles são os mais sábios de entre nós e, apesar de a democracia mediática do nosso tempo os excluir da possibilidade de nos governarem, não podemos deixar de os ouvir.
Mário Soares e a sua desinibição na análise do programa do Bloco de Esquerda, Freitas do Amaral a lembrar aos eleitores do PSD a dupla escolha que terão de fazer e Adriano Moreira a analisar a decomposição do Estado representaram-nos a todos. Ali estava o País, a analisar-se sem apelos absurdos a levantamentos e sem queixas de esfaqueamentos ou de pontapés em bébes prematuros.
Mas, para além da opinião daqueles três "Senadores" sem Senado, houve a de Miguel Cadilhe, ainda com idade, com força e telegenia para, antes de ser "Senador sem Senado", voltar a ser um "Ministro da República". Não um ministro do PSD ou do PS ou do que quer que seja , mas Da República, uma entidade já sem força e a correr o risco de perder identidade.

Vamos Ser Claros Nesta Matéria III

Oito licenciados em jornalismo respondem a um anúncio de uma agência de comunicação, daquelas que compram e presenteiam jornalistas - não estagiários, jornalistas, alguns com grande nome na praça - e são mimoseados com a proposta de um contrato confidencial, segundo o qual ficarão obrigados a uma prestação diária de duas horas de trabalho, durante quatro meses, sem qualquer remuneração. No caso de não cumprirem ficam sujeitos a uma indemnização de 2.500 Euros.
Ao pedido de levar o contrato para estudar (para, obviamente, pedir a opinião de um advogado) a resposta: "...isso é que era bom. Isto é confidencial e não sai daqui".
Três deles mandam os senhores (dois) da INFOPRESS dar uma volta.
Cinco ficam.
Na esperança de que alguma coisa mude, de que um dia destes talvez tenham um emprego sério e sem saber que estão a entrar no negócio da escravatura do nosso tempo: uma escravatura de luxo, que coloca ao serviço da pressão, da troca e influência e, muitas vezes da chantagem pura e simples um grupo de jovens generosos que cometeram o erro de sonhar com uma profissão aparentemente importante e muito valorizada pela vizinha, pelo sr. Manuel Padeiro, pelo condutor do autocarro da Escola e por algum professor saudoso dos tempos do jornal da sua própria escola.
Afinal não é nada disso!
E onde é que anda a Inspecção do Trabalho. Oh! sr. ministro Álvaro Bissaia Barreto, ao menos respeite um dos seus antepassados ilustres, que, sendo embora amigo do Salazar, tinha um grande respeito pelos trabalhadores. E, olhe que, tal como naqueles tempos já há muitas almas quase ingovernáveis.A Revolta das Palavras/

Vamos Ser claros, Nesta Matéria I

Para além dos muitos pontapés na Gramática que os nossos antepassados nos foram legando ao longo dos séculos, Jorge Coelho inventou o jargão político: "vamos ser muito claros nesta matéria".
Sejamos então:
A SEDES é uma instituição que ao longo da sua já longa existência nos habituou a uma reflexão séria sobre as grandes questões nacionais, sejam elas de carácter filosófico, político ou económico e as suas intervenções públicas pautam-se pela pluralidade, com a preocupação de sugerir diversos caminhos para as soluções dos probelmas em análise.
Por isso não entendo as razões por que vieram agora uma meia dúzia de economistas liberais e neo-liberais, em nome da SEDES, tentar pressionar, , os programas dos partidos concorrentes às eleições antecipadas num único sentido, o mesmo caminho que temos vindo a seguir há três anos. Não entendo, não aceito e tal como José António Barreiros ( a quem já declarei as minhas solidariedade e disponibiliodade) no seu blog REVOLTA DAS PALAVRAS, sinto "A Alma Quase Ingovernável"

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Vamos Ser claros, Nesta Matéria II

Entro numa delegação do Banco que há não sei quantos anos sabe o que ganho o que gasto e, de vez em quando, me faz propostas mais ou menos desonestas. Um rapazinho que aprendeu há dias a usar uma gilette, todo aprumado dentro do seu fato no melhor estilo executivo do tempo, abre-me a porta, afivela um sorriso e enquanto olha a cábula para saber o que fazer com o cheque que lhe deposito em cima do balcão, olha para a porta e abre-a para um outro cliente entrar, mais um gesto e mais um cliente.

No final das operações devidas e enquanto arrumo na carteira os Euros, vou-lhe dizendo: "um dia destes, você e os seus colegas,vão sentir num orifício qualquer um espanador para, enquanto descontam os cheques, dão dinheiro a uns clientes e abrem a porta a outros, aproveitem o tempo para fazer a limpeza da loja".

O senhor fica espantado, mas já não tem tempo para continuar a conversa. Saio a pensar: isto está muito mau, mesmo muito mau. Então, se aquele jovenzinho, que deve ser licenciado para aí em finanças, em enconomia , em gestão, eu sei lá, faz tudo aquilo, o seu índice de produtividade deve ser astronómico...

Como é que os banqueiros, que pagam poucos impostos, que aproveitam todas as oportunidades para nos mexer nos bolsos, andam a reclamar contra a baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, a exigir mais receitas (quer dizer, mais impostos para os outros) e menos despesas no sector social.

Dr. João Salgueiro, vamos ser claros nesta matéria: o senhor e os seus pares estão a abusar da passividade deste pobre povo de brandos costumes. Mas olhe que já há gente com " A Alma quase ingovernável" A Revolta das Palavras

Amilcar Cabral

Faz amanhã, 20 de Janeiro, 32 anos que um tiro ecoou nas planícies guineenses, com um estrondo enorme, se repercutiu nas montanhas cabo-verdianas e acabou por abalar o Mundo. Amilcar Cabral era morto, à frente de sua mulher, Ana Maria e, mesmo a morrer não desistiu de convencer o correligionário assassino do seu erro.
Não foi apenas a morte de um Homem. Foi o assassínio de alguém, que, pela inteligência, pela convicção, pelo carácter, derrotava a teoria de que somos todos iguais. Não é verdade. Amílcar é uma das provas.
E nem sequer vale a pena lembrar o seu enorme contributo para a libertação de uma parte importante de África - qual o destino que, entretanto, seguiu é outra questão e não vem ao caso, até porque se não tivesse sido aquele tiro, provavelmente tudo seria diferente.
Hoje, caminhando por esta cidade com música nos ouvidos para me distrair das coisas medonhas que por aqui se constatam, tive a felicidade de ouvir um dos mais importantes poemas de Amilcar Cabral, nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso - um associação insuperável, já que à ingenuidade e espontaneidade da Cesária se junta a técnica excepcional, ultrapassada apenas pela emoção que o próprio Caetano coloca na sua interpretação do poema "mamãe Velha".
Mamãe velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
E vibra dentro do meu coração.
Venha, mamãe velha, venha ouvir comigo.
Recobre as forças e chegue ao seu portão.
A chuva amiga já falou mantenha.
E bate dentro do meu coração.
A chuva amiga, mamãe velha,
A chuva que há tanto tempo não batia assim.
Ouvi dizer que a Cidade Velha
E a Ilha toda em poucos dias já virou jardim.
Dizem que o campo se cobriu de verde,
Da cor mais bela que é a cor da esperança,
Que a terra agora é mesmo Cabo Verde
E a tempestade já virou bonança.
Aqui fica a minha homenagem ao homem que se preocupava com a estratégia da guerra, com a política de unidade de um partido-dois estados, que foi capaz de fazer reconhecer o seu Estado, ainda ocupado por tropas coloniais, por mais de oitenta outros. Um homem capaz de tudo isso e de se preocupar com o fundamental, com a chuva "que há tanto tempo não batia assim" e com a alegria das pessoas, da mamãe velha já sem força para chegar ao portão.
Aquele tiro de há 32 anos roubou-nos o prazer do convívio, por mais alguns anos, com um verdadeiro dirigente político, um líder autêntico, capaz de transmitir um sonho à sua gente.

Nos Bastidores de...

Finalmente uma produtora cinematográfica resolveu levar a cabo uma super-produção cinematográfica, contando a história de um verdadeiro herói nacional. Hoje as televisões apresentaram os bastidores de algumas das cenas do emocionante filme, interpretado por António Mexia. O homem a anunciar o futuro - sim, porque a estória conta a história toda, incluindo a dos 16 netos de Nuno Álvares Pereira e a sua caminhada gloriosa até S. Bento, entretanto já liberta dos mouros por Afonso Henriques, ajudado por D. Jorge Nuno Pinto da Costa.
O protagonista foi apresentado a dizer que lá para o ano dois mil e 15 (será?) toda a gente pode ir de Lisboa ao Porto em uma hora e quinze - menos tempo do que um jogo de futebol. Portanto, quem tiver o papel necessário já pode ser sócio do FCP e viver na Amadora.
O interesse do enredo está, de resto, nas suas subtilezas, representadas nesta fala do verdadeiro herói português, quando salientou que tem de haver equilibrio entre o português contribuinte e o português utilizador. Nos bastidores houve quem defendesse uma fala mais directa:"estamos aqui para vender, portanto, quem utiliza, paga - é o princípio do utilizador - pagador".
Estou, todavia, informado que o autor do texto insistiu e ganhou contra tudo e contra todos, contra ventos e marés. Por isso é que os pés de microfone, que se veêm atrás do herói estão tão pouco entusiasmados. Já lhes custa acreditar na históra do D. Nuno, quanto mais nesta de uma ponte e de um comboio áquela velocidade.
Como informação de última hora, crê-se agora que a super-produção pode estar em causa porque os patrocinadores entendem os gastos excessivos para tanta fantasia. Eles também não acreditam.
Que havemos de fazer? Vamos ficar sem a tal superprodução que tanta falta faz à história do nosso cinema - quase toda realizada pelo mestre Manuel Oliveira, produtor, interprete, e realizador de "a história do princípe que batia na mãe", mas se recusava a usar símbolos nazis nas festas que fazia em casa do Duque de Viseu, com a senhora do dito - filme que é o verdadeiro começo da sua carreira.
Com esta descoberta fica também resolvido um dos grandes mistérios do nosso tempo: se a carreira de MO não tem fim, será que teve princípio?

terça-feira, janeiro 18, 2005

Os Tabús de Cavaco Silva

Confesso que nunca percebi muito bem as estratégias do prof. Cavaco Silva. Acho mesmo que ele, há dez anos, foi empurrado para a candidatura à Presidência da República com argumentos ligados ao dever de servir o partido e a Pátria.

Na verdade, não tem vocação para Presidente da República. Um presidente - em Portugal - não manda, não comanda, promulga e, para dissolver a Assembleia da República tem que encontrar um primeiro-ministro igual ao ex-presidente da Figueira.

Ora, essa não é a vocação de Aníbal Cavaco Silva. Ele gosta de mandar, mandar promulgar e comandar. Quanto à Figueira é apenas uma breve recordação na sua vida - foi lá fazer a rodagem de um carro novo.

Apesar de tudo , o prof. é apresentado desde há anos como o candidato natural da direita à Presidência da República. Será ele - afirma-se em tom comicieiro - que cumprirá o grande desígnio de "um assembleia, um governo, um presidente", anunciado noutras idades por Sá Carneiro.

São os outros que o dizem e ele encolhe os ombros. Mais do que isso: já demonstrou de formas claras não querer nada com o PSD. E não é apenas o PSL (SL, de Santana Lopes). Qualquer PSD. Estou fora, vai dizendo. Mesmo que não se possam colocar as aspas, as mensagens são claras. E porque será?

É muito fácil: o prof.dr. Aníbal Cavaco Silva não queria, de facto, concorrer à Presidência das República. Ele queria ser o Presidente da Comissão Executiva da União Europeia e foi traído por Durão Barroso e por todo o PSD.

Este foi um verdadeiro tabú, revelado agora por alguém muito próximo dele e longe da Comunicação Social, geralmente bem informada.

Aqui estão - afinal - as razões de todas as provocações , já que Santana sabe que Cavaco Silva não quer ser candidato - nem agora nem depois, quando ele andar à procura de um senhorio que lhe alugue uma casa com renda a perder de vista.


O País dos Primos

Não sei como, um dia destes, uma das televisões portuguesas abriu a antena para o Engº. Melancia, ex-governador de Macau, falar sobre a questão ingente das relações comerciais entre Portugal e a China. Isto, ao mesmo tempo que Jorge Sampaio, viajava para o Império do Oriente, acompanhado de uma comitiva recheada de empresários, e um sindicato, usando um porta-voz façanhudo, daqueles que ainda gritam "viva o marxismo-leninismo", responsabilizava, noutra televisão, o Presidente da República pela deslocalização de empresas do território nacional.
Ora aqui está matéria para uma semana de debate , mas entre gente interessada em analisar problemas e deixá-los, pelo menos, em equação e não entre cavalheiros dispostos a mostrar-se aos próximos patrões.
Queixou-se o engº. Melancia de que nunca se quis saber, em Portugal, das relações com China e do canal privilegiado que Macau representava para o seu desenvolvimento. Disse mais ainda: que nunca tinha sido perguntado pelo que quer que seja ácerca da China, ele, um conhecedor da realidade chinesa, um homem com uma experiência assente num quotidiano de grande exigência.
Ninguém ouviu o Engº Melancia, assim como ninguém ouviu outro dos muitos governadores de Macau. Em Portugal há sempre um primo, ou o amigo de um primo, ou da namorada do primo, ou a própria namorada - a pessoa ideal a quem perguntar, a quem dar um emprego bem remunerado - sobretudo se não tiver trabalho para fazer.
Sr. Engº Melancia: é um mal da nossa terra. Percebeu se alguma entidade com responsabilidades na gestão das relações de Portugal com África tivesse tido a preocupação de perguntar o que quer que fosse aos milhares de quadros - muitos deles altamente qualificados - que vieram das ex- colónias e aqui tiveram que se instalar.
O que é que se passou com esse "know-how"? Muito dele colocou-se ao serviço do estranheiro e o outro esqueceu o que sabia e habituou-se a ser primo. Os que ainda tinha idade fizeram-se de primos da namorada.
Qual é o conhecimento que Portugal tem hoje das realidades africanas? Muito pouco, porque, entretanto, as namoradas e os primos delas descobriram uns empregos simpáticos, que davam umas viagens aos trópicos, sobretudo no Inverno.
Com estas idiossincrasias não admira que os nossos empresários também não estejam muito interessados em gente com ideias lá nas suas empresas. Assim como assim, eles sabem um pouco de tudo e sempre se vão desenrascando. Mais subsídio, menos subsídio, sempre fogem à exigência dessa gente com ideias que quer alterar tudo e "acompanhar o Mundo... e essas coisas".
E, depois, o Presidente quando viaja sempre leva alguns deles e...sempre há uns programas livres: Por mais que o Presidente fale e explique, não entendem: foram convidados porque são pessoas importantes. Estudar os mercados ? Saber se é possível vender na China? Mas, então isso tem algum jeito? O Estado há-de dar. Se não for o Estado, sempre há Deus, e Braga, a cidade dos Arcebispos, onde se pode rezar a todos os santos.


domingo, janeiro 16, 2005

O Reformado

É espantoso! De repente, como se tivesse acontecido uma novidade, a comunicação social portuguesa fala do caso do Comandante da Polícia, desembargador reformado por uma Junta Médica. Aqui d'El Rei que o homem recebe mais de 5 mil Euros de Reforma e mais não sei quanto e não sei que mais.
E embrulham-se nesta análise meticulosa os mais insígnes jornalisas e não jornalistas da praça, ocupando preciosos espaços dos jornais, das revistas, das televisões, das rádios e, provavelmente, desviando as atenções dos chefes de família das suas mais pesadas responsabilidades para dizerem, pelo menos: ora, o malandro!
É isso, malandro. O sr. desembargador José Manuel Branquinho Lobo, chefe da polícia é uma malandro: primeiro, porque a doença dele não é de carácter psicológico. Ele bebe demais. E, por isso foi reformado. Não trabalha, não aparece no comando da polícia, basta ver o número de horas que a bandeira que assinala a sua presença no comando está hasteada.
O sr. desembargador delegou todas as suas competências num chefe de gabinete - que também é desembargador - e que também faz pouco e que também bebe demais. O comando da polícia trasnformou-se num coio de malandros.
Malandros de classe, porque recebem na messe da polícia toda a grã-finagem da alta sociedade portuguesa: Cavaco Silva, Dias Loureiro, Bagão Felix, etc, etc. - par almoçar e - alguns - charutar.
O resto, aquilo a que a nossa comunicação social resolveu, de repente, dar relevo, já foi falado - e muito - logo no dia da tomada de posse do comandante da PSP. E é legal - ele pode ser reformado e assumir aquelas funções, recebendo o que recebe.
A questão não é essa - a questão é saber se neste país não existe ninguém capaz de assumir aquele posto com alguma dignidade. Enfim, alguma, pelo menos... O problema já se punha quando o sr. desembargador Branquinho Lobo era inspector da Segurança Social. Ele é um santanocopófonico e, por isso, é comandante da PSP. Um dia ainda havemos todos de ter vergonha destas coisas.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

CTT - SALÁRIOS DOS AMIGOS

O que está a contecer nos CTT pode(?) ou deve(?) ser considerado crime público? A Procuradoria Geral da República tem que ser solicitada a intervir ou pode e deve fazê-lo por iniciativa própria, face a evidências públicas de gestão danosa de património público?
São muitas interrogações - mas são as que me assaltam face às informações que vão sendo confirmadas e segundo as quais, o actual conselho de administração dos CTT está a desbaratar, a esbanjar, a grande oportunidadade que teve para reforçar, nos últimos dois anos, um empresa de referência em Portugal e até na Europa.
Os CTT estão a receber do Estado entre 120 e 130 milhões de Euros por ano, graças à transferência do seu fundo de pensões para a Caixa Geral de Aposentações, feita por Manuel Ferreira Leite . Por essa transferência, os CTT deixaram de transferir aquelas quantias e, em contrapartida não tiveram, sequer que alienar património.
E o que faz o CA dos CTT com este presente caído do céu. A maior parte da sua actuação é pública: publicidade a rodos - o que permite ao seu presidente aparecer em constantes entrevistas nos jornais -, mudanças de imagem com custos exorbitantes e aumentos salariais extraordinários para os amigos, numa altura em que o país está quase negociar um lugar de pedinte na esquina de um maremoto.
Vejamos: quando este CA entrou em funções, as chamadas primeiras linhas da empresa auferiam mensalmente uma média de 5.000 Euros. Os que as ocupavam foram atirados para as prateleiras e foram substituídos por amigos dos novos "patrões", com vencimentos aumentados para mais de 6.000 Euros.
Em simultâneo foram sendo admitidos através de empresas privadas jovenss quadros, sem concursos, sem coisa nenhuma, apenas com o cartão do PSD ou com a simpatia do presidente.
No final deste ano, as actuais primeiras linhas foram aumentadas entre 33 por cento e 6 por cento. O nome mais falado deste aumento, até pela história da sua passagem pelos CTT e pela GALP é António José Cunha, que ganha agora, por mês, 8.746,10 Euros e está associado ao presidente nas grandes operações de marketing, publicidade e comunicação.
Da lista, apenas quatro dos directores foram aumentados entre 6 e 8 por cento. E são os que não amigos do presidente.
Mas há mais e pior: foram contratados no exterior 20 novos responsáveis, com contratos confidenciais, que não vão sequer aos Recusros Humanos da empresa e que contêm clausulas de indemnização substanciais, a prever já que uma próxima administração tenha que fazer umna limpeza da casa.
Ora aqui está um belíssimo objectivo de investigação para um dos inúmeros jornais económicos que existem em Portugal e que, na grande generalidade, ocupam o seu precioso espaço a falar dos baixos índices de produtividade dos trabalhadores portugueses. Esqueçam a publicidade e investiguem.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Procura-se Instabilidade

Em"Recursos Humanos", pag. 75 da Revista "Prémio", na sua edição de 24 de Dezembro de 2004 (belo dia para tal texto) está um resumo de algumas preciosas afirmações de alguns preciosos administradores executivos da nossa praça, produzidas durante um debate organizado pela preciosa "Portuguese American Post Graduate Society( PAPS).

O jornalista dá destaque a dois dos administradores presentes: Paulo Fernandes, da PT, e Rui Horta e Costa da EDP.

Já sabía que a família do barão se tinha multiplicado pela PT, a ponto de, supostamente, haver nos Recursos Humanos um departamento exclusivo da família Horta e Costa, se tinha estendido aos CTT, mas desconhecia que o baronato já tinha existência na EDP.

Mas, vamos às tais declarações:

Diz Paulo Fernandes, um ex-consultor de uma das empresas que foi dando papéis de reestruturação à PT: «No Grupo PT ainda existem muitos "gonçalvistas". Pessoas pouco ambiciosas e que foram educadas num clima de pós 25 de Abril em que o importante era manter o emprego, mesmo que a ganhar pouco».

A esta pérola, o barão da EDP acrescenta: «os trabalhadores têm de ter alguma coisa a perder. Saber punir é muito mais difícil que saber premiar. E os portugueses têm que se habituar a ser despedidos quando os objectivos não são cumpridos".

Ficamos agora a perceber porque é que algumas empresas em Portugal, em vez de directores de recursos humanos, têm "cangalheiros"...

Ficamos também a saber o que é que o patronato quer dizer com flexibilidade, que é, aliás, o título do tal texto "Procura-se flexibilidade". Qual flexibilidade?Instabilidade é que é, oh! senhor Nuno Abrantes Ferreira - o homem que assina o trabalhinho.

Trabalhinho imcompleto porque poderia ter perguntado áqueles preciosos administradores quanto ganham eles, quais os montante dos auto-prémios pelo cumprimento dos objectivos conseguido no esforço dos tais trabalhadores que devem" perder alguma coisa" e "habituar-se a ser despedidos".

E já agora, sr. Abrantes Ferreira - seja lá quem for - porque não lhes perguntou o que devem eles perder pelos gastos excessivos em mordomias - deles e dos colegas de administração , em despesas de representação, em viagens sumptuosas; pelos ganhos( para eles e para os amigos)conseguidos em negócios com os recursos das empresas que dizem administrar.

Por último, sr. Ferreira, deveria ter-lhes perguntado por que méritos especiais são eles administradores executivos das duas empresas ex-públicas mais importantes do país e que mantêm os preços dos seus produtos no mais alto nível da Europa.

E já agora, sr NAF, mude lá o título do próximo texto que escrever sobre a matéria - lute contra a porcaria do recibo verde que, de certeza, assina no final do mês para lhe pagarem uma porcaria de uma remuneracãozita.

PS. O Sr. Nuno Abrantes Ferreira poderia, inclusivé, no seu texto, e a propósito da PAPS, lembrar aos srs. administradores que os seus congéneres americanos assinam um termo de responsabilidade em que assumem, pessoalmente, as consequências dos seus actos ao serviço das respectivas empresas, incluindo actos de má gestão, prejuizos, etc. Por cá, as empresas apresentem os números que apresentarem os srs. administradores só têm direito aos prémios, que, de resto, vão "cobrando" ao longo do ano.

Misoginia Dominante

Na sua crónica do último domingo, Ana Sá Lopes , de quem sou leitor assíduo, fala da "misoginia dominante" na política nacional. E o que lá está está tudo certo. Todavia, também falta muita coisa. Suponho que a regra dos dois mil caracteres não a deixou ir mais longe.

É que a misoginia execrável que nos vai governando não existe apenas na política. Quantas mulheres existem nos conselhos de administração das grandes empresas, privadas semi-privadas, com golden shares estatais ? Quantas mulheres dirigem jornais, não especificamente femininos, em Portugal, apesar, de , como diz Ana Sá Lopes, as mulheres terem vencido as barreiras das redacções dos jornais?

Quantas mulheres saltaram nas redacções dos jornais em defesa de outras mulheres, nomeadamente políticas, sistematicamente perseguidas pela comunicação social por causa por das suas relações pessoais ? Mesmo nos casos em que a perseguição para além de um miserável sentimento misogino revelava outros, de natureza racista?
É que a misoginia não é uma atitude exclusiva dos homens. É uma condição cultural que também define as mulheres portuguesas e nos conduz a uma sociedade cada vez mais masculina, apesar de "elas" serem em maior número nas Faculdades, nas Empresas, na Administração Pública, etc. E não só mais - mais qualificadas.
As mulheres continuam a achar natural que elas próprias sejam criticadas e até excluídas porque, para além de competentes do ponto de vista técnico e mesmo político, têm os sentidos despertos, enquanto os homens continuam a ser medalhados - nem que seja pelo olhar extasiado de admiração - pela capacidade de derrubar saia atrás de saia, uma capacidade que pode constituir atributo exclusivo para chegar a primeiro-ministro.
São elas que conjugam o poder no masculino. São elas que aceitam as reuniões de horas e horas dos chamados homens importantes, dos poderosos, para quem o poder é uma dádiva divina - pertence-lhes por direito natural. Elas sabem que aquelas reuniões servem de pouco, representam apenas um dos rituais do poder masculino, que não têm outro tipo de preocupações.
Elas sabem que eles sabem que as questões familiares, com os filhos, com o canalizador, com o electricista, com as compras, as refeições, a atenção aos amigos, tudo, são resolvidas por elas.
Elas sabem que eles sabem que a família já não existe, mas eles continuam a fazer de conta (outro dos rituais masculinos...).
Elas sabem tudo isso. E a maior parte faz o quê? Aceita e imita os gestos, as atitudes, copia comportamentos. O resultado desta misoginia dominante será que um dia vamos ter uma sociedade culturalmente masculina, sem o conhecimento feminino da realidade e a consequente capacidade para resolver os problemas inerentes, uma sociedade apenas com os rituais masculinos, com feminilidades artificiais e com pouco sentido.
Enquanto existem esta capacidade e esta lógica de vida feminina é que deveriamos tentar a conjugação do poder no feminino. E nem lhes falta legitimidade, já que elas são o esteio da vida concreta.
Como é que se chega lá ? Não sei. Mas, a imitação não é, seguramente, o melhor caminho.

As Viagens

A viagem de Morais Sarmento a S. Tomé e Príncipe ( e não apenas S. Tomé como toda a comunicação social portuguesa repete) continua a fazer correr tinta. Ouvem-se as mais disparatadas observações. De resto, as viagens dos governantes sempre foram objecto da crítica de toda a gente - porque toda a gente gostaria de ir a alguns sítios onde eles (os governantes )vão ou foram. E não é só em Portugal. Todo o Mundo critica. Coitado do Presidente Lula no Brasil.
Aceite-se que esta viagem teve alguns exageros - ela mesma, pela oportunidade , pelo objecto, pelos gastos e pelas críticas que lhe foram feitas. Parecia um bando de mabecos a perseguir um deles, ferido numa pata...
Por isso, os jornais, as rádios e as trelevisões e as oposições, que agora andam tão atentas, estão a deixar passar uma outra viagem, essa sim uma verdadeira afronta.
Eu explico: a propósito dos 25 anos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o seu conselho directivo convida qualquer coisa como cerca de 12.000 (doze mil) pessoas para uma missa, um almoço e uma sessão solene em Coimbra, no próximo dia 29 de Janeiro.
O aniversário ocorreu a 29 de Dezembro e a direccção IEFP convida todos os colaboradores da instituição, que - supõe-se - deve estar a passar uma grave crise financeira, para uma viagem paga a eles e mais aos acompanhantes declarados até 18 de Janeiro.
Isto é que vai ser uma missa! As viagens estão asseguradas com partidas de todas as delegações regionais e da sede nacional, em Lisboa.
Coma falatde padres que há, ainda vamos ver algumas mulheres a rezar missa em Coimbra.

Direitos do Consumidor

Estrada fora, a ouvir a minha música, isto é, a música que eu escolhi, sem me sujeitar às encomendas das editoras, que continuam a matraquear os portugueses com a mais descarada música pimba anglosaxónica e, de repente - porque eu autorizei - entra-me uma estação de rádio no sistema audio do automóvel, para me dar informações de trânsito.

Tudo certo.

Apenas um senão: quando accionei o mecanismo do meu auto-rádio que me permite saber como vai o trânsito, não autorizei mais nada. Não quero saber quem patrocina a informação, que porcarias está a oferecer em troca de não seio o quê; e também não quero saber o que é que a emissora vai trasnmitir a seguir.

A todas as horas os meus direitos estão a ser agredidos, a minha privacidade, violada. E o que fazem as organizações que se dizem defensoras dos consumidores? Publicam revistas, onde é possível vislumbrar informação não completamente isenta, projectam a imagem dos seus líderes, instalam-se como verdadeiras instituições de exploração da credibilidade dos otários que somos todos nós- os consumidores.
Não quero ouvir publicidade no meu auto-rádio. Já desliguei. Ponto final

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Carlos Magno

Conhece toda a gente, entende todos, percebe as atitudes, recomenda roturas, faz citações eruditas - é ele, o Carlos Magno, em todo o seu esplendor.

Ouço-o colocar em dúvida a candidatura de M. Sarmento por (pergunta à bengala do outro lado...em Lisboa: por que círculo?...)

Isso mesmo, Castelo Branco. E fica satisfeito, porque, se por um lado, compreendeu a atitude do sr. ministro ("conhecendo-o como conheço, não esperaria outra coisa..."), por outro, lançou uma dúvida intrigante: será que vamos ter "o combate SarmentoXSócrates em Castelo Branco?".

É esta habilidade que faz do Carlos Magno o concorrente mais sério ao prémio "Rolha das últimas duas décadas". É nestas épocas de transição que todas as suas qualidades de "comentador político" se notam. Dá até para pensar que as botas de sete léguas estão com ele, tal é o desembaraço das suas viagens pelo mundo da crítica. Nunca a bengala jornalística do "por um lado...por outro lado..." se aplicou com tanta propriedade.
Lá vamos ter que o ouvir por mais uma década, pelo menos.

A Ópera do Malandro

O José Nuno Martins que nos tem servido, nos últimos tempos, alguns pedaços de boa Rádio, e que foi atirado para aquele horário de que ninguém gosta, lá vai reaparecer a horas cristãs para nos devolver alguma da alegria que anda arredia de Portugal, segundo um estudo da Reuters - que agora já não se dedica em exclusivo aos números da bolsa. (Está mau, isto dos negócios com números...)
Em bora hora José Nuno volta a um horário decente. Assim terá a oportunidade de explicar a um maior número de portugueses que o espectáculo a trazer a Portugal, chamado "A Ópera do Malandro" é uma das muitas obras primas do Chico Buarque e não uma revista do novíssimo Parque Mayer,escritaa partir das peripécias do ex-presidente da Figueira da Foz, a que se juntou mais um verdadeiro malandro, um ministro de confiança, ex-habitante de S.Tomé, ex-boxeur e que na perspectiva de ver o seu pedido de demissão aceite já tinha mandado fazer novos cartões de visita:
M. SARMENTO, ex-passageiro de Falcon
em viagem de 83.000 Euros

terça-feira, janeiro 11, 2005

Os´´Indices de criminalidade"

Durante anos o deputado Paulo Portas matraqueou os ouvidos do Parlamento e de toda a gente com o crescente índice de criminalidade. Os números saltavam-lhe da garganta como coelhos da cartola de qualquer mágico. Assustava: as senhoras apertavam as carteiras contra o peito, os homens entravam no Metro a apalpar o bolso das calças e toda a gente fechava bem as janelas de toda a casa antes de ir para a cama. Mas, no dia seguinte, lá gritava o então deputado Paulo Portas - às vezes lançava o seu grito nas feiras - :" estamos a ser roubaaaaados!!!!".
Mas, isso foi há alguns anos. Agora, eu já fui à polícia sete vezes para dizer que me assaltaram o carro para roubar o rádio (vejam lá!... um insignificância) e há sempre um agente da ordem, com ar inteligente, que me diz para ter cuidado. Ele quer lá saber que eu pago impostos, que, supostamente, o obrigam a a velar pelos meus bens. Provavelmente, pensa que devo levar o carro para a cama, ou para um daqueles parques de estacionamento que o ex-presidente da Figueira prometeu para Lisboa.
Conheço outras pessoas a quem aconteceram coisas piores, mas não há um deputado como Paulo Portas para gritar: "aqui del-rei!!! que nos roubaaaaam!". Nem agora, que um ministro foi a S. Tomé doar uns gravadores de som, e uns microfones velhos e gastou oitenta e três mil euros. Oh! dr. Paulo Sacadura Cabral Portas, está a perder oportunidades! Mais de oitenta mil euros é um roubo a sério. Para mais num país em crise, em recessão, à beira da falência...

"Para Elisa"

No começo chamava-se LUNA. Depois, os probelmas habituais, os costumados protestos e (não sei se chegou aí) os abaixo-assinados, houve um tubarão que comprou. O actual ministro-demissionário (felizmente) do ambiente ( não sei bem como ele se chama) juntou a Luna à sua colecção de Rádios. Já se chamou Clássica e agora chama-se classe 96. Falo de uma estação de Rádio que transmite música sem berros, a partir do Montijo, sem amplificadores de má qualidade e que está a descobrir algumas coisas simpáticas, sem eliminar o básico (aquele vestidinho preto...).

Entre o básico está o "Fur Elise"... que repetem...repetem...repetem. Alguma jovem descobriu que gosta daqueles acordes, tão harminosos, que lhe despertam a Juventude. Não sei se quem controla o computador é um ou uma jovem, mas tem uma jovem metida nisso, porque aquela canção foi escrita para uma mulher de olhos negros e de olhar alegre, na força da vida, a querer descobrir o que existia para além dela. Beethoven era mais para os olhos claros, mas a verdade é que também era surdo e escreveu a música qu escreveu.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Domingo - Vieira da Silva

Um friozinho cortante, dia cinzento, nem os pardais do Jardim das Amoreiras se atrevem ao saltitar constante do saibro para a relva e refugiam-se nos beirais. Museu da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva e a surpresa de salas cheias para ver a exposição " Vieira da Silva Nas Colecções Internacionais - Em Busca do Essencial".

O conforto inexplicável de um diálogo que nunca acaba porque se descobre um novo quadro, e no mesmo quadro um outro traço, uma outra tonalidade e o génio de uma cabeça que esteve sempre à frente do seu e do nosso tempo. Helena Vieira da Silva tranquiliza-me no desassossego da certeza das respostas que dá e das interrogações que me sugere.

À saída do Museu - ainda com muita gente a entrar - descobri no Jardim das Amoreiras uma verdadeira floresta de encantamentos.

PS. - A Exposição encerra apenas a 30 de Janeiro.

Domingo - Entrevista de Miguel Cadilhe

Este "homem do Norte" justifica a minha desconfiança relativamente à chamada "renovação das listas" assente em critérios de idade.

Aqui está um homem do país cuja experiência e sabedoria têm que ser úteis. Não se lhe pode atribuir a condição de "senador", sem Senado.

As suas preocupações políticas servem para mobilizar a economia ao serviço de projectos integrados numa realidade social que não pode ser analisada à luz das concepções europeias ou americanas dos consultores, com pós-graduações feitas em Universidades célebres e que, aos poucos, vão tomando conta dos executivos importantes, quer nas empresas, quer nos governos.

Portugal é um país concreto, com necessidades, qualidades e defeitos concretos. Não é uma abstracção e para o entender não basta um grande curriculum, obtido na frequência sucessiva de universidades cotadas. São precisas experiência e sabedoria.
Excluir deste processo de entendimento gente só porque já não suscita a admiração pela juventude, é condenar o país aos sobressaltos de experiências sempre interrompidas. É perda de tempo.

Sábado - Sondagens

As sondagens são o outro lado das cartomantes. A última que veio a público parece de uma bruxa má. Se os resultados das eleições se aproximarem daqueles números: um terço dos portugueses a querer continuar o actual estado de coisas, com mais seis ponto não sei quantos a deixar-se convencer pelo discurso das feiras, vou perguntar onde se pede a demissão desta Federação.
É que a política em Portugal faz lembrar uma disputa entre Sporting e Benfica: sejam quais forem os resultados ninguém abdica da simpatia clubista e das acusações ao árbitro.

sábado, janeiro 08, 2005

A estória da minha ida ao futebol

Amanhã, dia 8 de Janeiro, o país vai vibrar com mais um jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica. Velha tradição a que se chamam os mais variados nomes: "clássico", "derby", "campeonato na segunda circular", eu sei lá mais quantas coisas, inventadas pela imaginação sempre muito fértil dos jornalistas desportivos. Lembro-me de um com uma imaginação tão brilhante que acabou confidente do director nacional da PJ.

Eu não vou ao estádio Alvalade XXI. Até talvez pudesse ir, mas tenho as minhas razões para não ir. É uma pequena história: no último dia 4 de Janeiro, disputava-se um jogo de futebol de pequeno cartaz naquele estádio, que eu ainda não tinha visto. Também por outras razões que não vêm ao caso, mas porque pensei ser aquele um jogo de pouco cartel e, portanto, com pouca gente, seria a oportunidade ideal.

Cheguei ao local das bilheteiras para comprar bilhete com meia hora de antecedência. Havia tanta gente que tive vontade de desistir - palavrinha difícil esta!... - e lá estive o tempo necessário para obter o rectângulo de papel que me deu direito, primeiro, a ser apalpado, e depois, a entrar no Estádio. Estava a primeira parte do jogo a acabar.

Enquanto esperava que o pobre jogo recomeçasse fui matutanto nesta desgraça portuguesa da desorganização. Dantes, os estádios eram incómodos, frios, estavam à chuva e tantas outras coisas. Agora, o espaço é mais acolhedor, não se corre o risco de uma gripe se começar a chover, tem tudo um ar limpo.

Tudo muito bem. E os clientes? Deixam-se uma hora e meia à espera para ver o espetáculo!

Fazemos tantas vezes lembrar um país do terceiro mundo que começo a pensar na hipótese de não ser só piada. Estas falhas são uma questão de organização. A estrutura está lá: bonita, acolhedora, funcional -construída apenas para o futebol, mas está lá.

Iniciou-se a segunda parte do pobre jogo e os meus pobres tímpanos começaram a ser agredidos por sons estranhos: tambores e gritos amplificados por sistemas de som de má qualidade. Uma mistura que resultava num espectáculo horroroso, grotesco, que alguns espectadores, nas bancadas de topo acompanhavam com saltos simiescos e gestos descabidos.

Tudo isto, sem aparente justificação, porque na relva bem cuidada o pobre jogo continuava sem grandes primores técnicos.

Já há muito tempo que não ia ao futebol ao vivo - tenho-o preferido na televisão -. E com razão: pensei. Então perco eu alguma do meu tempo em deslocações, em esperas e depois, para além de um jogo mau, ainda tenho que assitir aquele espectáculo escabroso!

São as claques organizadas - dizem-me depois.

E são permitidas ? pergunto eu. Não só permitidas, estimuladas. Volto para casa a pensar que, para além de mal organizados no trabalho continuamos a ser mal organizados no lazer. Como é que eu algum dia convenceria a família a ir ao futebol comigo? A minha paixão pelo futebol seria definitivamente deitada no cesto das aberrações. Agora, já tenho que desligar o som por causa das crianças.Não vão elas aprender aquele linguajar dos jornalistas e comentadores futebolísticos, "aqueles que..."

sexta-feira, janeiro 07, 2005

As Listas

Os Partidos concorrentes às próximas eleições antecipadas têm vindo a divulgar as suas listas de deputados, mas o que os nossos jornais nos relatam não são as listas mas as opiniões que alguns dos jornalistas e não jornalistas (mais estes do que aqueles ) têm acerca das pessoas cujos nomes são divulgados.

Há até casos curiosos de directores de jornais - é o caso do JM Fernandes, que está agora menos gordo como diria o saudoso Mário Castrim - que se atiram "que nem gato a bofe" às listas do PS só porque, claramente, não gosta do partido nem de alguns dos nomes. Nota-se, de resto, que lhe parecendo não conseguir evitar a derrota do PS, começa já a fazer-lhe oposição - talvez na esperança de que alguns dos seus amigos, como o caso do David Justino, volte à ribalta.

As listas de deputados é claramente uma questão dos Partidos, dos seus dirigentese e quem neles milita. Aos cidadãos, e em particular aos jornalistas, cabe-lhes o principal papel que é o julgamento da actuação dos eleitos.

E, tal como não me parece justo estar a criticar desde já a composição das listas, também não me parece curial estar a louvar com algum frenesim a chamada renovação das listas com o critério da média das idades.

É que uma média de idade baixas entre os políticos significa inexperiência, transição, tudo o que não estamos a precisar neste momento . Nós necessitamos de renovação, mas renovação de qualidade e a juventude é boa, seguramente, para o futebol, não para a política. Já Platão o dizia na sua "República"