Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

A Segunda República

Como nota introdutória gostaria de pedir desculpa aos que, por uma razão, ou por outra, por aqui passam, à espera de qualquer coisa nova e encontram sempre o mesmo. Os meus últimos textos, aparentemente contraditórios dizem bem da perplexidade com que tenho acompanhado os últimos meses da política portuguesa e justificam, de certo modo a minha nula intervenção. Acho, contudo, que é tempo de voltar a falar com os meus amigos e comunicar-lhes alguns dos meus medos
Hoje quero falar de receios concretos, fruto da incompreensão com que continuo a ouvir as notícias, a ler os jornais e a ouvir os novos humoristas, os comentadores políticos, que se comentam uns aos outros e procuram saber qual a respectiva posição no ranking dos mais "engraçados".
A propósito deste despropósito de trazer à cena pública gente que faz do comentário político um pretexto para a diversão, não posso deixar de expressar o meu primerio receio: o entusiasmo com que a gente da comunicação social fala dos males que vão acontecendo a este país e estimulam que outros, ainda piores, possam acontecer, assusta-me. É que parte do poder está entregue a gente à procura de um titulo de jornal, de uma reportagem na televisão ou na rádio como garantia um emprego...
A C(c)omunicação S(so)cial portuguesa é o pior que podia acontecer a Portugal!!!
Dirão que estou com Sócrates na análise. Não! É que foi ele a extremar estes maus instintos dos homens e das mulheres dos jornais, da tv e da rádio. A sua arrogância dos primeirtos quatro anos em que sentou na cadeira do Salazar foram, desse ponto de vista, uma permanente provocação. Aí falhou tanto como com os professores e os agricultores. Esperemos que não faça, agora, o mesmo com os enfermeiros...
A C(c)omunicação S(s)ocial, todavia, não conseguiu portar-se dentros dos padrões do profissionalismo, da ética, da honestidade e ultrapassou limites inimagináveis, atirando, inconscientemente, Portugal para a situação em que se encontra hoje,isto é, com uma imagem que permitiu ao sr. Almunia a comparação com a Grécia...
A situação não é boa. Todos o sabemos, mas a responsabilidade é repartida: por um lado, a pressa de Sócrates em fazer reformas desajustadas para os tempos e a sua arrogância e teimosia, mantendo em lugares-chave gente como a ministra da educação e o ministro da agricultura. Por outro lado há a crise internacional - que não é invenção, nem brincadeira, mas que para a gente da informação e da oposição não existe. Para eles, toda a responsabilidade é de Sócrates e do seu governo.
E surpreende que cheguemos à actual crise por causa da finanças regionais, com toda a oposição votando contra o governo...
Ouvir Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa defendendo Alberto João Jardim, indiferentes aos números que dão à Madeira o segundo lugar no das regiões mais ricas de Portugal, assusta.
Perceber a inteligência de Paulo Portas, com capacidade para entender os caminhos que esta segunda república está a tomar, aparentemente, tranquiliza, mas, logo a seguir também assusta.
Que República é esta que aceita uma crise provocada por uma questão que apenas tem importância porque nela está envolvido um homem a viver numa espécie de paraíso pago por dez milhões de papalvos que ainda não perceberam que a Madeira - o tal paraíso - já devia governar-se sózinha?
Façam um referendo, como recomendou há tempos o Vicente Jorge Silva e ver-se-á então o poder do senhor jardim. A que propósito temos nós, os habitantes de Portugal, que pagar os luxos dos amigos do sr. Jardim?
Depois de perceber o Bloco de Esquerda e ouvir o "furioso" e "irrascível" Louçã, depois de perceber que o PC aposta em todas as cartas para demonstrar que é mais esquerda do que o PS, depois de verificar que o PSD, nem completamente desagregado deixa de ter como farol o ditador da Madeira, depois disto tudo, em que só resta um CDS a preparar-se para formar o pulo do lobo ou o abraço do urso, temo pela Segunda República. Não sei se haverá uma terceira e se, no caso de caso de existir, possa ser regida pelos mesmos valores desta. Se assim não for, os vindouros terão que responsabilizar os vários loucos, mas um, de entre eles, sobressairá: Francisco Louçã, que quer, a todo o custo, eleições rápidas para demonstrar que chegará perto do PS.
Se as eleições vierem brevemente acontecerá ao Bloco o que sucedeu ao PRD, lá para trás nos idos oitenta.

Domingo, Novembro 01, 2009

VIDAS (3)

No antigamente do futebol fui tropeçando em coisas e factos, que me escapavam, mas que a memória, por sorte, resguardou. Creio já ter referido que só as Salésias, em Lisboa e o estádio (forma de expressão) do Lima, no Porto, possuiam relva. Já bem depois do fim da guerra na Europa e, logo a seguir, no Japão, após duas apressadas bombas atómicas, depois disso, dizia, começou a modernice da relva e dos Estádios. O Estádio Nacional fez-se um pouco antes, como já devo ter mencionado. Mas o mais surpreendente de todos, se me dão licença, foi o relvado na Tapadinha! Um clube de bairro popular a mostrar a quantos quiseram ver que era possível andar para a frente.
Ou o L'Equipe, que em 49 avançou com a azarada Taça Latina, que perdeu a fabulosa equipa de Turim, que regressava de Lisboa, no avião que tombou pelo caminho. A segunda edição "Latina" foi em Lisboa e a ela faltou também o campeão italiano, substitudo pelo quarto qualificado. A Taça manteve-se
alguns anos, sobreviveu mesmo à Taça dos Campeões. Também esta, é bom não esquecer, de iniciativa do diário desportivo parisiense.
E foi, aliás, esta competição europeia a romper com velhos hábitos e regras lixadas.
Vamos lembrar que a segunda taça Latina, que o Benfica ganhou, lá isso ganhou! Mas como ? Bom a primeira final terminou com um empate e após prolongamento, como era habitual nas finais de Taça. Alterou-se as regras para a segunda final. E caso de empate, seguia-se a tal meia hora. Se o empate subsistisse, far-se-iam novos prolongamentos de 15 minutos, até que um golo surgisse, dando-se de imediato fim a peleja.
Sabe-se hoje que o Benfica ganhou e sabe-se que o problema foi equacionado de forma a não repetir-se. Não deixa de ter graça que uns bons anos depois o Benfica perdeu um jogo da Taça dos Campeões, depois de prolongamento, resolvido com moeda ao ar. Alguém comentaria que jogar às moedas com escoceses era um disparate. E, claro, acabou-se com isso. Por ora, é o drama dos penalties a optar. O problema é que a questão não é essa. No futebol há três resultados possíveis: vitória, derrota, empate. A vitória é do que ganha; a derrota do que perde; o empate é isso mesmo, um empate. De resto, neste sistema de prolongamentos existem outro factores controversos, como , por exemplo, o facto de uma das equipas ter um jogador a menos, quer por lesão, quer por expulsão. Tanto faz. A meia hora extra é isso mesmo: extra! Logo deve ser efectuada em condições de igualdade, onze contra onze !
Dantes, no meu tempo juvenil, as equipas portuguesas jogavam com jogadores portugueses. É verdade que os clubes espanhois só jogavam com espanhois. Os clubes ingleses só jogavam com jogadores ingleses, mesmo que fossem brancos!
O Peyroteo, por exemplo, era de origem africana, sim senhor, mas o Espirito Santo era lisboeta, ambos genuinamente portugueses. Depois da guerra, qualquer sul-americano que chegasse à Itália era italiano. Foi daí, estou em crer, que surgiram as taxas moderadoras. Nem é tanto o facto de se ter eliminado a quota de estrangeiros nas equipas, mas de se negociar a nacionalidade como coisa de somenos que me deixa pasmado.
Já vos massacrei com a relva que havia ou não havia no futebol do meu tempo. Mas havia outras coisas que não havia: a luz, por exemplo. O futebol por cá era coisa de domingo. Jogos a sério eram às três da tarde. Quando a época começava, já o Setembro ia adiantado. Nos jogos da Taça ( no final da época)
podia começar-se um pouco mais tarde. Com o advento das competições europeias criou-se um problema. Já vão ver. Devem ter percebido que a Taça Latina quando chegou cá foi resolvida na Estádio Nacional, à tarde. Um jogo após outro. A organização da Taça dos Campeões começou cedo. No caso português o L'Equipe entendeu que deveria ser o Sporting a ganhar o campeonato por cá, tal como acontece agora com o Porto. Portanto o Sporting foi convidado prematuramente. O Benfica ganhou nesse ano, mas Otto Glória queria levar a equipa encarnada para o Brasil. A Taça Europeia não lhe dizia nada. Coube ao Sporting abrir (o que não deixa de ser um marco histórico) a competição, num domingo, no Estádio Nacional, recebendo o Partizan. Empatou. Duas semanas depois perdeu. O assunto (lá lá vamos) arrumou-se.
O Real Madrid ganhou esse e os quatro seguintes, até que o Benfica ganhou aos hungaros, na Luz, num domingo à tarde, e passou a eliminatória.Tornou-se difícil conseguir jogar a meio da tarde, em dia de semana. Foi preciso tomar a decisão estarrecedora: iluminar a Luz à noite. Fez-se luz e o Benfica venceu a Taça, nesse ano, e no seguinte. Até Salazar se comoveu. Do L'Equipe não mais se falou. Talvez seja eu que nestou surdo...
E hoje, tantos anos passados, o Benfica perdeu. E tinha uns dois ou três portugueses na equipa. Olá se tinha...

Domingo, Outubro 25, 2009

VIDAS (2)

Ontem inaugurei o Estádio e deixei Francisco Ferreira mal visto. Terei sido um tudo nada injusto. Podia ser um ajudante de treinador pouco versado, mas era um tremendo jogador, que emprestou muito do seu temperamento à aura do Benfica. Quando comecei a vibrar com a sua alma, que empurrava o adversário todo para lá do meio campo, não era ainda o capitão da equipa. Esse era, foi, o Albino, que jogava a seu lado, no meio campo encarnado, juntamente com Moreira, também ele um caso sério de voluntarismo.

Juntei este trio por mór de um confusão que havia nesse tempo. Um deles era, tinha de ser, defesa, porque atrás deles só o Gaspar Pinto e o Jacinto, típico defesa direito, enquanto Gaspar era central. Não que fosse alto, antes pelo contrário. Tal como o guarda-redes, Martins, minúsculo, como eram quase todos os que víamos nos campeonatos, à excepção do Capela que substituiu Sério na baliza do Belenenses. À sua frente, Capela dispunha dos defesas Vasco e Feliciano, também eles de estatura elevada, para a época. Eram eles, afinal, as «três torres de Belém». E muito contribuiram para a conquista do Nacional, o único que o Belenses obteve.

Retorno ao trio defensivo encarnado. Com a saída de cena de Francisco Albino, entrou Fernandes para defesa esquerdo. Assisti à despedida de Valadas, extremo-esquerdo e à consolidação de Rogério, na esquerda do ataque encarnado. Como jogador, Rogério estava uns furos acima de qualquer outro no futebol português de então, mas nem por isso era muito estimado entre os sócios.

Mais prático e eficaz era o Sporting, no qual foi evoluindo o melhor ataque do futebol português nos anos 40 e os primeiros da década posterior. Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. Havia um sexto,Martins, pau para toda a colher. Substituia, cada um dos outros, sempre que fosse necessário. Dava gosto vê-los.

Quero crer que o futebol português ganhou algo com a guerra na Europa. Os treinadores magiares que por aqui ficaram, fugindo aos nazis, fizeram escola e empurraram para a frente. Mas eram poucos!

Comecei a ir aos campos de futebol antes de ir para a escola. E comecei a jogar na escola, no pátio. Tenho uma vaga ideia dos «Sports». Nem sei quantas vezes saía. Recordo a «Stadium» por mór dos bonecos (fotos). O meu pai dava-me

«O Mosquito». Foi-mo dando enquanto custou cinco tostões; quando subiu o preço para oito, cortou. Habituei-me à «Stadium», que o meu padrinho me deixava ver e me ajudou a ler.

A guerra tinha acabado, mas as equipas continuavam a jogar com onze. Portugal jogou duas vezes com a Espanha e, claro, não foi ao Brasil. Ouvi na Onda Curta, da telefonia, um pedaço do História. O locutor dizia, em espanhol,

que eu ouvi, já a noite ia alta: «Vencemos a pérfida Albion!» Foi verdade. Os ingleses ganharam a guerra mas perderam a maestria. Nem o Brasil ganhou aquele Mundial. Ainda menos a Itália, que perdera um ano antes os jogadores do Torino (como se dizia, na época)!



Um dia, o Benfica empatou em Setubal, O presidente castigou o Felix e o Rogério. Sem processo, não era preciso. O regime era o que era. Rogério livrou-se, mas aceitou despedir-se. Felix desapareceu. Emigrou. Mas apareceu Otto Glória. E chegou Coluna. A meio do campeonato, o Benfica inaugurou a Luz, espécie de meio estádio, que mal cabia para os sócios. Antes, o Porto tinha exibido as Antas. E também arranjou um treinador brasileiro, um sujeito mau como as cobras. Mas ganhou.

Domingo, Outubro 18, 2009

VIDAS

Eu e o foot somos antigos. É comum, nestas alturas, ter saudades e recordações. Não se trata, vou avisando, da lamechice do dantes é que era bom. Era bem diferente, lá isso era, mas impos-se-nos e no que me toca comecei pelas Amoreiras. Fui lá uma ou duas vezes, não mais. E nem vi a bola. No peão, em pé, não me dava para ver mais que pernas e costas...
Depois, mais giro, foi o «campo grande», o «campo do Benfica» a «ilha da madeira», o que se quisesse, menos «Campo 28 de Maio», isto nunca, nem nos jornais, imagine-se!
O Benfica era (eu ainda não percebia disso) malquisto do Poder de então, mas na bancada dos sócios -- e o meu pai era sócio -- via bem o jogo e fui aprendendo a gostar. Gostava do Gaspar Pinto. Era um senhor defesa, matreiro.
Peyroteo um belo domingo deu-lhe um soco que o estendeu. Foi «pr'á rua» e o Benfica chegou ao empate. Era um jogo de Taça e, portanto, em fim de época. Na terça (ou quarta?) o Sporting acabaria por eliminar o Benfica (cheio de azares, pois claro!) e ganhar a final, nas «Salésias», creio que ao Olhanense.
Por esses tempos não havia ainda subidas e descidas de divisão. Eram os «regionais» que qualificavam para o «nacional». Foi por isso que levei alguns anos para conhecer o Barreirense que foi perdendo para o Vitória de Setubal. Nem havia Braga; era sempre o outro Vitória, o de Guimarães, a qualificar-se.
Sá havia jogos ao domingo. O defeso era comprido, o que tornava os inícios de época verdadeiramente festivos. O meu tio mais novo ia para o campo do Benfica pelo meio dia. Via um pedaço das segundas categorias, o jogo de reservas e o da divisão principal.
Antes dos jogos começarem os jogadores das duas equipas perfilavam-se diante dos camarotes para saudar ou excelências excelentisssimas ou dirigentes
federativos , erguendo o braço direito, para a continência!
Havia uma Cuf em Lisboa. Jogava no Lumiar-A. Uma vez vi essa Cuf ganhar por 4-1 ao Benfica. Eu fiquei triste e o meu pai muito zangado. Tal Cuf nem sequer se apurava para o Nacional. Enfim, coisas da bola! Mas é bom recordar que a par de alguns veteranos experientes jogavam por lá um tal Felix, outro ignorado Travassos, então jovens desconhecidos!Esta Cuf finou-se de repente, dias antes de começar uma nova época. O dito Travassos e o mencionado Felix atravessaram o Campo Grande e foram oferecer-se ao Benfica, onde na ausência do treinador (Biri), o Xico Ferreira dirigia o treino dos mais jovens. Disse logo que sim a Felix, mas não quis o Travassos, por ser de pequena estatura! E o Travassos foi para o Sporting, onde fez uma carreira brilhante, e seria, aliás, o primeiro português, anos depois, a ser incluido numa selecção europeia!
Como se pode depreender, a xico-expertice já vem de longe!
Já devem ter percebido que estou ainda em tempo de guerra. Era gito ir à bola e comer castanhas à saída do campo do Benfica. E patinhar a pé até ao Campo Pequeno, por ser mais fácil apanhar, ali, o eléctrico para a Baixa.
O meu pai passsava sempre pelo Leão de Ouro, antes de subir o Chiado, a caminho de casa. Se o Benfica tivesse ganho haveria um prato de ameijoas, com as imperiais. Chegava-se a casa a tempo de ligar o rádio para ouvir Alfredo Quádrios Raposo efectuar o resumo da primeira e o relato da segunda parte do jogo. Algumas vezes do jogo a que tinhamos assistido! Bons tempos!
Quando comecei a ver a bola, o Espirito Santo não jogava e eu nem sabia que ele existia. Existia e era titular no Benfica, mas teve uma lesão grave e ficou pelo menos um ano parado. O Julinho era o avançado-centro, que substituira o lesionado, já então recordista do salto em altura. Não havia, portanto, Estádio Nacional. O que havia no futebol português, de então eram muitos campos carecas e um relvado nas Salésias, em Lisboa, e outro vagamente arrelvado, no Porto, o «estádio do Lima». Podia assistir-se aos jogos sentado em bancadas ou centrais ou laterais, conforme o taco de cada qual, ou no peão, que como a palavra indica, de pé. Por essa altura aconteceu um inverno tempestuoso, com cheias na Extremadura, que gerou o «socorro social», cinco tostões nos bilhetes de cinema e, claro, de futebol, Cinco tostões era o que custava o eléctrico do Rossio a Santos. O elevador da Bica custava dois tostões.
Já agora anotem que vi e me lembro do campeonato que o Belenenses ganhou.
O belenenses do Capela, que com Vasco e Feliciano contituiam as torres de Belém, além do Serafim, que trabalhava na oficina do irmão, na rua das Flores e com o qual eu costumava conversar sobre bola, no Porto de Abrigo. O ponta esquerda era o Rafael, esse já internacional.
Foi nas Salésias que assisti, em 44, à final da Taça, Benfica-Estoril. O Estoril acabara de vencer o campeonato da segunda-divisão e, como tal, subiria de divisão e estou em crer que essa foi a primeira vez de súbida por mérito, em vez das opções regionais. E duas semanas depois, a 10 de Junho (bem entendido) era inaugurado o Estádio Nacional. Houve alguns buracos. O comboio de Cascais não acabou a tempo o desvio para o estádio; nem a auto-estrada saída das Amoreiras chegou ao Estádio. Vivia-se, ainda, em tempo de guerra na Europa e tal servia para justificar muita coisa. O Sporting ganhou então a primeira das taças que passaram a ser disputadas entre os vencedores do Nacional e da Taça. Hoje nem sei se teria sido possível. O jogo começou bem mais tarde do que estaria previsto, Acabou empatado. Meia hora depois era quase noite cerrada. Desiludido, o meu pai comentou: «...é sempre assim... o Benfica joga e... o Sporting ganha!»...
(continua).

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Um Presidente Perigoso

Os meus dois últimos escritos neste blog foram duros com Sócrates. Naquela altura, em Julho, o primeiro ministro e secretário geral do PS tinha atingido o zénite dos disparates, sobretudo com os professores e tudo indicava que o PS se iria afundar nas eleições de Setembro.
Sócrates teve, todavia, o talento, a força e a coragem para dar a volta e, simultâneamente, teve a ajudá-lo a desgraça dos adversários: Manuela Ferreira Leite quer ser avó, já não está para estas coisas e à sua volta tem um bando de gatos à espera que o saco se abra para saltarem lá para dentro. Nunca vi campanha tão pobre, tão miserabilista nas ideias, nas propostas. Um verdadeiro desastre.
O Bloco de Esquerda tomou o freio entre os dentes com as sondagens e Louça disse, nos dias decisivos da campanha muitos disparates que assustaram claramente muita gente. Sem falar na taxação dos telemóveis, recordo aqui o facto de Louçã se ter metido objectivamente na política interna de Angola, ao referir que o PS vendeu uma parte da Galp a José Eduardo dos Santos.
Vivem nesta altura largas dezenas de milhares de portugueses em Angola e há um movimento migratório que vai continuar. Ao mesmo tempo que crescem estes movimentos sociais as atitudes racistas, visíveis numa parte da imprensa angolana, também vão crescendo.
Os angolanos podem reconhecer que têm um problema de regime ou de pessoas, mas entendem que o problema é deles. Não querem que os de fora se metam nessas coisas. Louçã parecia o Bush, que invadiu o Iraque para libertar os iraquianos...
Não se pode retirar o mérito a Sócrates. Ele ganhou as eleições, tal como perdeu a maioria absoluta.
E o Presidente da República? Parece ter endoidado. Que discurso foi aquele? Que intenções tem Cavaco? Ficou zangado por o PSD não ter ganho as eleições? Prepara-se para fazer a Sócrates o que Sampaio fez a Santana?
Qualquer que sejam os seus planos, o simples facto de a sua comunicação ao país permitir estas perguntas faz dele um PRESIDENTE PERIGOSO ( e talvez doente)

Segunda-feira, Julho 06, 2009

PS Condenado por Sócrates

No meu último texto levantei a dúvida sobre se o PS teria capacidade para se ver livre de Sócrates.

Não, não tem. Sócrates arrasta o PS para o fundo. Um e outro estão sem Norte. A demissão de Manuel Pinho foi um disparate e a regra "geral" - disse o novo porta-voz, que não tem jeito nenhum para a função - segundo a qual não haverá mais candidaturas duplas vai condenar o PS à mediocridade das candidaturas locais. Jamais alguém, cuja carreira política esteja a ser feita no Parlamento vai aceitar ir disputar eleições locais, sobretudo em Câmaras cujas vitórias não estão asseguradas à partida.

Em breve voltaremos a ter os presidentes de câmara eleitos sem maiorias a "comprar" os vereadores da oposição.

Esta medida, tomada numa reunião de Sócrates com os eus clones revela um desnorte total e uma falta de dignidade confrangedora. De facto, Sócrates acabará por atirar o PS para um deserto cuja dimensão dificilmente será avaliável.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Terá O PS Força Para Se Desembaraçar De Sócrates?

As conclusões a retirar das últimas eleições europeias são simples: o País voltou para trás alguns anos e aguarda com alguma resignação, por parte de alguns, e com bastante alegria, por parte de outros, o regresso ao poder de uma aliança da direita feita de interesses e objectivos escuros que mais tarde aparecerão - ou não - nas primeiras páginas dos jornais com títulos a falar de milhões que passaram dos cofres públicos para o bolso de uma dúzia de políticos empolgados a jurar diariamente que a sua preocupação "são as pessoas".
Como é que foi possível voltarmos a este cenário? Fácil...José Sócrates ganhou as últimas eleições legislativas, rodeou-se de uma série de incondicionais, naturalmente medíocres, e começou a atacar tudo e todos: professores, camponeses, polícias, pescadores, funcionários públicos, a justiça no seu conjunto, os reformados. A certa altura a maior parte dos portugueses chegou à conclusão que tinha no governo o seu principal inimigo - que ameaça com medidas de controlo quase policial da vida de todos nós.
Ninguém acredita nas boas intenções desta gente, na teimosia deste grupo que se instalou no poder com a certeza de que a teimosia e a arrogância do seu chefe os lá vai manter até ao final da legislatura.
E depois, depois das próximas eleições, quando o PS for confrontado com o resultado do ódio que o povo vota a este governo e vir a sua votação reduzida para níveis nunca imaginados? Será que ainda vamos ouvir as palmas do Augusto Santos Silva, da Maria de Lurdes Rodrigues, do Mário Lino, do Jaime Silva, do Vieira da Silva e de todos os outros?
Quando PS de Sócrates nos entregar de novo aos que fazem da política trampolim para as contas escondidas, para as fortunas acobertadas pelos registos de outros nomes, quando isso acontecer, vamos, finalmente, concluir que José Sócrates foi o coveiro de todas as nossas esperanças de mudança.
Só nessa altura vamos concluir que deveríamos ter obrigado o Secretário Geral do PS a ser mais humilde, a preocupar-se, de facto, com as pessoas a não se aliar aos liberais mais radicais, a não fazer dos banqueiros os seus parceiros preferenciais, a conversar com os sindicatos, a não transformar a educação num reino de imcompetentes, burocratas, desejosos de poupar o mais possível, copiando modelos idiotas?
Só nessa altura, quando o PS se preparar para uma travessia no deserto, amaldioçado por quem depositou tanta esperança nas promessas de há quatro anos, vamos concluir que houve um tempo para dizer a Sócrates: chega?
Iremos então perceber que o PS é, afinal, composto por um grupo de militantes ausentes, acríticos e atentos apenas à perspectiva de um emprego, de um favor, incapaz de forçar a sua direcção a mudar de políticas quando é necessário, a fazer alianças com os grupos ideologicamente mais próximos?
Não me parece que o PS vá acordar deste sono hipnótico e demonstre capacidade para, ainda antes das próximas eleições, se desembaraçar de Sócrates, dos seus discursos arrogantes, do seu jeito odioso, das suas políticas que só alguma comunicação social ( aquela que obviamente recebe contrapartidas) entende .
Será que resta alguma força ao PS para interpretar o que é evidente há muito tempo: o Povo Português não quer esta política, não quer este governo, não quer este primeiro-ministro?