segunda-feira, junho 27, 2005

GENTE FINA

É bem verdade que se vê mais da outra, da grossa. E nem me refiro aos das quintas, prefiro perder algum do meu tempo com os mais badalados nos fins de semana. Devo começar por reconhecer que não sendo quinteiro, vivo num quintal. É aqui que leio os jornais e evito, tanto quanto posso, as televisões. Li a indispensável análise às audiências televisivas. Não vi nenhum dos programas mais vistos e nem um dos menos mirados. Desisti de ver a programação porque não suporto a publicidade. Mesmo os telejornais, que ainda vou vendo, acabam para mim, quase sempre, logo que entra a pub. Em casos de interesse especial, vou saltitando no Cabo até retomar um dos noticiários, mas são poucas as vezes.
Por isto mesmo é que me dei ao incómodo de ler a entrevista com o responsável pela Informação da SIC. A primeira impressão/informação que retive foi a de que o senhor em causa é mentiroso ou, se preferirem não fala verdade. A rábula mais evidente: «Noticiário dura o tempo que as notícias exigem" é tudo menos verdade. Dura mais, muito mais e dura mais por mór da publicidade. Para justificar tanta pub em horário nobre é preciso encher o chouriço e para segurar o telespectador é preciso pintar alguns quadros com cores de tragédia ou intriga brejeira. É justamente disso que se foge ou que fogem pessoas como eu. Quero crer que, no mais o director de informação da SIC, tenha eventualmente razão e não seja preciso duvidar da preferência por integração e não fusão de redacções ou que as relações entre as criaturas sejam óptimas, com certeza, ainda que a comissão de serviço de Cândida Pinto no Expresso deva ter alguma água no bico...
Albarran consegue outra primeira página no DN. As suspeitas do Mninistério Público nos «offshores» do antigo homem da TV são o destaque da edição. Mas a segunda, senhores, é sempre tão difícil! É claramente forçada a preciosidade biografada do suspeito. Desde a alusão
a «o revolucionário que abraçou o capitalismo», no caso do assalto à embaixada de Espanha ou
outra mais delicada «a relação com Maria Elisa passou pela realização de um documentário sobre a Europa». Discreto. Bom o jornalista bem podia servir-se do exemplo para descrever o período revolucionário do pasquim, onde trabalha, no pós 25 de Abril e como ele é hoje em dia... Quem tem telhados de vidro deve evitar as pedradas. Não é a notícia, em si, que está em causa. Os personagens televisivos, por mais isto ou mais aquilo, são um pouco como os que encheram a crónica de Fernando Alves, gostam de massa e isso às vezes faz mal à linha...

1 comentário:

LS disse...

Caro Rafael, como estou de acordo consigo! Na verdade, não fora a fantástica crónica do Fernando Alves como só ele pode escrever falando da diva, da massa e do nosso pão, numa escrita que nos prende, que nos faz sentir orfãos da lingua mal vemos o derradeiro ponto final, não fora este escrito e tinha perguntado por que raio tinha comprado o jornal.
Quanto ao resto, é o resto de tudo. Os telejornais em formato Burkina Faso, arrastados em contraprogramação, as "notícias" tornadas escândalos, os meninos na rua esticando microfones exaltando a nobreza do directo em excitantes inquirições sobre o que pensa o transeunte incauto da vida, do sol, do tempo, da senhora dona europa (a mesma que tem recebido cartas do senhor santana). As tv´s que produzem os Torres, as Fatinhas e quejandos. As TV's que olham horrorizadas o fruto canalha da sua produção e torcem o nariz enfatuadas usando o galicismo desculpando-se "what a mess!". Como diria o outro. "é a vida" a nossa desgraçada, videirinha, manhosa, triste vida!!
Um abraço