domingo, maio 29, 2005

CÁ SE FAZEM...

E agora se pagam. Miguel Cadilhe não é esquecido e pagou a dívida ao primeiro-ministro, do seu tempo no governo. Como ministro das Finanças foi inventado por Cavaco Silva. A oposição viu-se aflita com ele. Era eficiente e pragmático. Razoavelmente jovem para ter sido visto na Lisboa nocturna e de ter absorvido uma popularidade que talvez incomodasse o austero inquilino da residência oficial, à Estrela. Sem contestação técnica ou política, o ministro das Finanças teve de ser atacado pelo seu desembaraço como cidadão, a vasculhar nos buracos das leis, para não pagar sisas, nas frequentes trocas de habitação; de utilizar os meios da GNR para as mudanças de residência, a que tinha direiro por ser ministro das Finanças, logo com sigilos a preservar. E foi mesmo o par do Independente, Esteves Cardoso e Paulo Portas a lixá-lo, ao transcrever um diálogo telefónico, que escutaram a Tomás Taveira, no seu, dele, escritório, em que tratava por tu um tal Miguel, que ia mudar-se para as torres das Amoreiras.
Recatado e puritano como só um antigo antecessor na residência oficial de primeiros ministros, Cavaco Silva achou excessivo e prescindiu abruptamente do homem do taco. Cadilhe não disfarçou uma certa amargura e quando lhe puseram a questão da solidariedade ele disse: "A solidariedade é como o chapéu de chuva: só damos pela sua falta, quando chove"...
Não sei se Cavaco estava ou não precavido, mas ficou a saber que, com chapéu ou sem ele, quem anda à chuva molha-se. Como economista ele sabe que o resultado é a soma dos factores. Mas a ordem destes é arbitrária...

1 comentário:

João disse...

Eu não estou esquecido do ministro das amoreiras, ele nessa altura levou um pontapé no cu e saltou do governo. De volta e meia vem destilar o veneno para a praça pública. Eram outros tempos em que os ministros tinham que ter alguma seriedade, outros tempos!
Não tarda é convidado pelo PS, tem perfil para isso.