quinta-feira, dezembro 16, 2004

Heranças

Em Lisboa, perto do chamado "Túnel do Marquês" apareceram de um dia para o outro uns cartazes ("outdoors") a anunciar que alguém (não se sabe quem) queria parar a obra, mas «nós», a Câmara Municipal, "vamos fazê-lo".
É a herança da vitimização. Como se o Túnel do Marquês fosse uma necessidade e o processo que fez parar as obras tivesse constituído uma calamidade para os lisboetas.
Os lisboetas, os que vivem, de facto, na cidade, muito agradeciam que não se abrissem mais vias de invasão automóvel. E já agora: também agredeciam que o trânsito na cidade não fosse desenhado em função das entradas e saídas. As voltas que é preciso dar para fazer uma vida de cidadão normal nesta capital transformada em mundo de lata e de gases tóxicos!
Os cartazes da Câmara devem ser simpáticos para as empresas imobiliárias que vão vender as urbanizações da Artilharia 1 e do antigo Colégio dos Maristas entre a Travessa da Légua da Póvoa e a Avenida Duarte Pacheco e de que o público vai tomar conhecimento depois de o túnel do Marquês estar pronto - contra não se sabe quem - e com infraestruturas pagas pelos impostos de todos nós.
Quando o Engº. Cruz Abecassis deu luz verde à edificação do complexo das Amoreiras negociou com o seu promotor o pagamento das respectivas infraestruturas. Os promotores das novas urbanizações vão pagar alguma coisa pela vantagem de terem uma urbanização no centro da capital sem os inconvenientes do intenso tráfego, gerado na ligação com auto-estrada de Cascais? Vão partilhar com a Câmara, não com os autores dos "outdoors", as mais valias ali criadas?
Quem explica estes fenómenos? São os que herdaram a estratégia da vitimização ou é ele mesmo, o seu criador - o Pedro?

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