quarta-feira, setembro 30, 2009

Um Presidente Perigoso

Os meus dois últimos escritos neste blog foram duros com Sócrates. Naquela altura, em Julho, o primeiro ministro e secretário geral do PS tinha atingido o zénite dos disparates, sobretudo com os professores e tudo indicava que o PS se iria afundar nas eleições de Setembro.
Sócrates teve, todavia, o talento, a força e a coragem para dar a volta e, simultâneamente, teve a ajudá-lo a desgraça dos adversários: Manuela Ferreira Leite quer ser avó, já não está para estas coisas e à sua volta tem um bando de gatos à espera que o saco se abra para saltarem lá para dentro. Nunca vi campanha tão pobre, tão miserabilista nas ideias, nas propostas. Um verdadeiro desastre.
O Bloco de Esquerda tomou o freio entre os dentes com as sondagens e Louça disse, nos dias decisivos da campanha muitos disparates que assustaram claramente muita gente. Sem falar na taxação dos telemóveis, recordo aqui o facto de Louçã se ter metido objectivamente na política interna de Angola, ao referir que o PS vendeu uma parte da Galp a José Eduardo dos Santos.
Vivem nesta altura largas dezenas de milhares de portugueses em Angola e há um movimento migratório que vai continuar. Ao mesmo tempo que crescem estes movimentos sociais as atitudes racistas, visíveis numa parte da imprensa angolana, também vão crescendo.
Os angolanos podem reconhecer que têm um problema de regime ou de pessoas, mas entendem que o problema é deles. Não querem que os de fora se metam nessas coisas. Louçã parecia o Bush, que invadiu o Iraque para libertar os iraquianos...
Não se pode retirar o mérito a Sócrates. Ele ganhou as eleições, tal como perdeu a maioria absoluta.
E o Presidente da República? Parece ter endoidado. Que discurso foi aquele? Que intenções tem Cavaco? Ficou zangado por o PSD não ter ganho as eleições? Prepara-se para fazer a Sócrates o que Sampaio fez a Santana?
Qualquer que sejam os seus planos, o simples facto de a sua comunicação ao país permitir estas perguntas faz dele um PRESIDENTE PERIGOSO ( e talvez doente)

domingo, setembro 06, 2009

segunda-feira, julho 06, 2009

PS Condenado por Sócrates

No meu último texto levantei a dúvida sobre se o PS teria capacidade para se ver livre de Sócrates.

Não, não tem. Sócrates arrasta o PS para o fundo. Um e outro estão sem Norte. A demissão de Manuel Pinho foi um disparate e a regra "geral" - disse o novo porta-voz, que não tem jeito nenhum para a função - segundo a qual não haverá mais candidaturas duplas vai condenar o PS à mediocridade das candidaturas locais. Jamais alguém, cuja carreira política esteja a ser feita no Parlamento vai aceitar ir disputar eleições locais, sobretudo em Câmaras cujas vitórias não estão asseguradas à partida.

Em breve voltaremos a ter os presidentes de câmara eleitos sem maiorias a "comprar" os vereadores da oposição.

Esta medida, tomada numa reunião de Sócrates com os eus clones revela um desnorte total e uma falta de dignidade confrangedora. De facto, Sócrates acabará por atirar o PS para um deserto cuja dimensão dificilmente será avaliável.

quarta-feira, junho 10, 2009

Terá O PS Força Para Se Desembaraçar De Sócrates?

As conclusões a retirar das últimas eleições europeias são simples: o País voltou para trás alguns anos e aguarda com alguma resignação, por parte de alguns, e com bastante alegria, por parte de outros, o regresso ao poder de uma aliança da direita feita de interesses e objectivos escuros que mais tarde aparecerão - ou não - nas primeiras páginas dos jornais com títulos a falar de milhões que passaram dos cofres públicos para o bolso de uma dúzia de políticos empolgados a jurar diariamente que a sua preocupação "são as pessoas".
Como é que foi possível voltarmos a este cenário? Fácil...José Sócrates ganhou as últimas eleições legislativas, rodeou-se de uma série de incondicionais, naturalmente medíocres, e começou a atacar tudo e todos: professores, camponeses, polícias, pescadores, funcionários públicos, a justiça no seu conjunto, os reformados. A certa altura a maior parte dos portugueses chegou à conclusão que tinha no governo o seu principal inimigo - que ameaça com medidas de controlo quase policial da vida de todos nós.
Ninguém acredita nas boas intenções desta gente, na teimosia deste grupo que se instalou no poder com a certeza de que a teimosia e a arrogância do seu chefe os lá vai manter até ao final da legislatura.
E depois, depois das próximas eleições, quando o PS for confrontado com o resultado do ódio que o povo vota a este governo e vir a sua votação reduzida para níveis nunca imaginados? Será que ainda vamos ouvir as palmas do Augusto Santos Silva, da Maria de Lurdes Rodrigues, do Mário Lino, do Jaime Silva, do Vieira da Silva e de todos os outros?
Quando PS de Sócrates nos entregar de novo aos que fazem da política trampolim para as contas escondidas, para as fortunas acobertadas pelos registos de outros nomes, quando isso acontecer, vamos, finalmente, concluir que José Sócrates foi o coveiro de todas as nossas esperanças de mudança.
Só nessa altura vamos concluir que deveríamos ter obrigado o Secretário Geral do PS a ser mais humilde, a preocupar-se, de facto, com as pessoas a não se aliar aos liberais mais radicais, a não fazer dos banqueiros os seus parceiros preferenciais, a conversar com os sindicatos, a não transformar a educação num reino de imcompetentes, burocratas, desejosos de poupar o mais possível, copiando modelos idiotas?
Só nessa altura, quando o PS se preparar para uma travessia no deserto, amaldioçado por quem depositou tanta esperança nas promessas de há quatro anos, vamos concluir que houve um tempo para dizer a Sócrates: chega?
Iremos então perceber que o PS é, afinal, composto por um grupo de militantes ausentes, acríticos e atentos apenas à perspectiva de um emprego, de um favor, incapaz de forçar a sua direcção a mudar de políticas quando é necessário, a fazer alianças com os grupos ideologicamente mais próximos?
Não me parece que o PS vá acordar deste sono hipnótico e demonstre capacidade para, ainda antes das próximas eleições, se desembaraçar de Sócrates, dos seus discursos arrogantes, do seu jeito odioso, das suas políticas que só alguma comunicação social ( aquela que obviamente recebe contrapartidas) entende .
Será que resta alguma força ao PS para interpretar o que é evidente há muito tempo: o Povo Português não quer esta política, não quer este governo, não quer este primeiro-ministro?

terça-feira, maio 05, 2009

Maiorias Absolutas, Blocos Centrais, as Maningâncias do Costume

Falemos de eleições legislativas para as quais já se aventam os cenários costumeiros, sempre avançados pela mesma gente ou pelos seus representantes. Perante a certeza de que o PS jamais obterá uma maioria absoluta, aparecem os representantes da mesma moeda a sugerir que talvez eles, os do PSD a consigam.
Caso contrário - já o sugeriu o Presidente da República, já o defendem jornais, televisões e rádios e até já Jorge Sampaio se pronunciou a favor - uma coligação dos chamados dois maiores partidos para um governo "forte".
O que será para esta gente, um governo forte? Aquele que governa contra as pessoas, o que chega ao poder fazendo promessas ilusórias, o que destrói a Escola Pública para abrir os colégios dos amigos, que produz diariamente toneladas de informação sobre concessão de apoios que depois não se concretizam?
Ou um governo que, depois de tomar posse substitui toda a gente que não tem cartão partidário para colocar o primo do primo que vai a todos os comícios e bater palmas em todas as convocatórias do partido?
Um governo forte para toda esta gente que o anda a pedir é um governo que satisfaça ainda mais as exigências dos banqueiros, das chamadas empresas do regime, que promova a construção de grandes obras públicas com a maior parte do dinheiro necessário a ser gasto lá for para que as comissões caiam nas contas entretanto abertas em paraísos fiscais.
Um poder forte?
Será que os portugueses têm medo de retirar o poder a quem sempre o teve desde há trinta e cinco anos?
VAMOS TODOS, DE NOVO, NA CONVERSA DA INGOVERNABILIDADE?
O QUE É QUE OS ÚLTIMOS GOVERNOS TÊM FEITO?
Será que o Povo Português não é capaz de dar uma lição a estes vampiros e baralhar tudo, sem ouvir o que dizem as sondagens, deixando os partidos do "poder forte" com os votos dos seus militantes?
Vamos por-nos de cócoras perante os banqueiros, os grandes empresários, os interesses inconfessáveis dos que enriquecem com a política e depois saltam para a alta roda dos negócios?

terça-feira, abril 28, 2009

São os Loucos dos Cereais

Sãos os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
A Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar

Este é o refrão de uma composição cantada por um grupo musical chamado "Ala dos Namorados", mas que pode cantar-se com outras palavras:

São os loucos do sangue
Que o bebem com cereais
Logo pela manhã
Para acalmar os medos da PT.

Vem isto a propósito do que se vai passando na Portugal PT - agora apenas uma empresa, onde reuniu PT Comunicações, TMN e todas as outras, exceptuando a PT PRO, uma criação de Zenal Bava para prestar serviços a todas as empresas do Grupo.

Os trabalhadores desta empresa alguns estão a ser distribuídos pelos vários serviços da Portugal PT, outros serão, evidentemente despedidos através dos mais variados artifícios usados pela Direcção de Recursos Humanos.

De resto, a UGT, através de João Proença, seu secretário geral, já denunciou os abusos cometidos pelo maior grupoempresarial português...

Talvez por isso, um super-administrador, braço direito (talvez também esquerdo..) de Zenal Bava, Rosa da Silva, anda a fazer discursos estranhos aos trabalhadores da Portugal PT, que se resumem a duas ou três ideias:

" Sou um homem do Iriarte (ex-presidente da TMN) e do Bau (ex-presidente da TVCabo), estou há mais de dez anos na PT, conheço toda a gente como as minhas mãos e...não se preocupem porque eu como cereais com sangue todas as manhãs e hei-de conseguir que esta empresa seja rentável".

Quem o ouve não quer acreditar e, sem o dizer, vai pensando: este homem está louco. Há mesmo quem fique assutado e o imagine com sangue a escorre-lhe pela boca.

Será ele o personagem da canção SÃO OS LOUCOS DE LISBOA ?

quarta-feira, abril 22, 2009

BES e o Seu Quintal Preferido

O Banco Espírito Santo (BES) é um dos accionistas mais importantes do grupo empresarial PT. E também a entidade que melhor aproveita essa condição.É o BES que gere grande parte das finanças do grupo PT, nomeadamente no pagamento de salários, não sendo, seguramente, esta a fatia que maiores rendimentos proporciona ao banco de Ricardo Salgado.
De resto, quando se ouve Salgado falar da PT tem-se a sensação de que ele é o "dono". Os outros pouco contam.
Há também outros pormenores aparentemente insignificantes mas que explicam muito nesta relação de dono da quinta: muitos dos dirigentes da PT pertencem, simultaneamente, ao Conselho de Administração do BES. Foram os casos de Murteira Nabo, Miguel Horta e Costa e Henrique Granadeiro. Este último é hoje ainda do "chairman" da PT.
Tempos houve em que alguns administradores da telefónica resistiam às pretensões do BES, mas isso custou-lhes o lugar, pelo que hoje, mesmo que o BES não apoie explicitamente quem quer que seja, é de boa política aprovar as suas propostas. Zenal Bava, que é suportado pelo Banco Espírito Santo e por muitos investidores institucionais de âmbito internacional, encarrega-se de fazer cumprir a regra.
Não há dúvida de que a maior parte das operações financeiras entre as duas instituições são confidenciais e, portanto, nada se sabe delas. Todavia, há uma que é óbvia para os seus trabalhadores: a transferência dos seus vencimentos.
E como se faz? A PT disponibiliza ao dia 15 de cada mês as verbas necessárias para que o BES transfira para os bancos indicados pelos trabalhadores os respectivos salários. E isto acontece ao dia 20, pelo que o BES ganha os juros correspondentes a uma quantia que não deve ser pequena.
Todavia, este mês, o BES ganhou mais a manhã do dia 20 de Abril porque só disponibilizou o dinheiro na tarde desse dia, depois de alguns protestos.
A Caixa Geral de Depósitos, que também tem uma parte desta operação cumpriu com os prazos.
Como é óbvio nenhum jornal, rádio ou televisão alguma vez se referiu a esta dependência da PT relativamente ao BES, mas para quem a constata não pode deixar de ficar estupefacto. Como é que o maior grupo empresarial português se deixa subjugar desta maneira?

sábado, abril 18, 2009

Ricardo Salgado, Igreja e a Oportunidade da Crise

No dia 26 de Janeiro de 2006 escrevi um texto com o título "Ricardo Salgado Super Star" para assinalar o aparecimento do banqueiro em tudo quanto era comunicação social, numa época em que a imagem do BES passou por um mau bocado e se falavam de visitas estranhas da Judiciária a casa de altos funcionários do Banco. Desde então nunca se soube a verdade sobre essas "rusgas".

Ricardo Salgado voltou agora a fazer uma operação semelhante, dando entrevistas a vários órgãos de comunicação social. É óbvio que o interesse não partiu dos jornais, das rádios e das televisões. Foi a máquina de informação de Ricardo Salgado a manipular. É uma manipulação tão evidente que é uma vergonha para quem dirige e trabalha em tais casas "de putas".

E o que quer Ricardo Salgado desta vez? Aproveitar a crise de todos os modos. Já está a normalizar os seus balanços à custa da baixa de juros do BCE e da subida dos seus próprios juros, dificultando, tanto como os outros bancos a vida às pequenas e médias empresas e às famílias.

As entrevistas que deu revelam, primeiro, que está preocupado com a imagem que os banqueiros têm depois desta crise financeira e económica. Todo o Mundo percebeu a responsabilidade desta verdadeira catástrofe mundial, ela cabe inteirinha aos banqueiros desonestos, sem ética, gananciosos. E aqui não há excepções.

A imagem dos banqueiros vai mesmo ficando cada vez pior e Salgado vem dizer que os políticos falam mal deles "porque dá votos..." Ele tem medo dos avisos de algumas vozes credíveis: pode estar eminente uma perturbação social grave.

Ele sabe que em Portugal nada começa, mas, no resto da Europa já há indícios de que alguma coisa pode vir a acontecer aos bancos e aos banqueiros. Depois, o movimento pode chegar a este rectângulo periférico, habitado por um povo quieto, capaz de suportar políticos corruptos, forças da ordem que se dedicam a emboscadas para "sacarem" multas aos cidadãos cumpridores da lei, já que dos outros têm medo e banqueiros ladrões.

Parece evidente que o clima de impunidade que ainda se vive em todo o Mundo relativamente aos urdidores deste saque global feito pelos banqueiros e seus lacaios vai ter um fim. Parece evidente que entrámos numa outra época, cujo princípio será o fim dos chamados paraísos fiscais, onde, ainda hoje, a banca internacional continua a esconder os seus lucros escandalosos e a fuga aos impostos.
E porque o fim parece estar próximo e embora em Portugal tudo aconteça sempre mais tarde, também cá vai chegar. Então Ricardo Salgado antecipa-se e, oportunisticamente, põe em movimento a sua máquina de manipulação da comunicação social para anunciar o que, para ele, seria bom: uma amnistia global para os off shore.
Tão bom que era. Os crimes cometidos eram esquecidos, os capitais exportados podiam voltar sem ter que pagar impostos e tudo continuaria risonho para a banca e para os banqueiros.
Esta solução, sugerida por Ricardo Salgado, é uma confissão de culpa, mas o medo é muito e ele procura transformar uma dificuldade numa vantagem. Seria mais um favor da crise.
À procura do mesmo está a Igreja com o seu programa de socorro à sociedade dos desfavorecidos através de um esquema que até promete empregos.
É mesmo interessante. A Igreja mostra-se preocupada e apresenta um programa de salvação. Mas onde vai a Igreja buscar os recursos ? Ao Estado, com quem vai procurar assinar protocolos e aos cidadãos anónimos para cuja solidariedade apela, abrindo uma conta num banco (que até pode ser o BES).
Toda a comunicação social deu grande relevo a esta iniciativa e a louvou. Muita gente sugeriu mesmo que a Igreja católica se estava a substituir ao governo.
Ninguém referiu o facto de a Igreja ter milhões e milhões que lhe permitiriam criar um programa de apoio às vítimas do saque dos banqueiros perfeitamente autónomo. Nem que para tal tivesse que vender o painel de ouro com que enfeitou a nova igreja do santuário de Fátima.
Não, nada disso, a Igreja, também oportunisticamente, procura aproveitar a crise, para melhorar a imagem, por um lado, e para arranjar maneira de financiar as várias organizações que mantém e que servem também para empregar padres, irmãs de padres, amigos de padres, etc., por outro.
E assim se vai vivendo a crise em Portugal...
PS - o meu texto de 26 de Janeiro de 2006 tem 59 comentários estranhíssimos. Espero que não aconteça o mesmo com este.






sábado, abril 04, 2009

Que Esperam eles ? E Por Que Esperamos Nós?

Tenho que confessar: os últimos anos vividos em Portugal confundiram-me. Deixei de entender o que se passa e não tenho a perspectiva que a minha terra possa mudar de rumo e constituir-se num estado democrático normal, com um poder honesto, interessado em resolver os problemas das pessoas.
Se voltar atrás, à fuga desorientada de Guterres depois de ter perdido as eleições autárquicas, tenho que, à luz do que se se passa agora, perceber que ele não fugia da derrota mas de outros males: o controlo do aparelho do partido e do estado pelos novos ricos, que aparecem agora, quer no governo, quer na actividade privada a recomendar uma legislação que os obrigue a explicar porque é que em menos de vinte anos acumularam patrimónios que já não cabem em Portugal.
Depois de Guterres foram os disparates sucessivos do PSD, com promessas não cumpridas e com mais uma fuga, a de Durão Barroso, deixando o país entregue a um improvável primeiro-ministro: Santana Lopes.
Foi a rebaldaria total. Não se percebeu nada, a não ser que apareceram mais uns quantos novos ricos, visíveis na Câmara Municipal de Lisboa que ele entregou a um incrível , diria mesmo irresponsável, Carmona. A Câmara foi quase à banca rota, mas as notícias sobre prémios de gestão indicavam o objectivo dos nossos homens e mulheres que preenchem os diversos graus de poder.
Entretanto, no governo Santana Lopes criava a sua própria corte, isto é, seleccionava o grupo de amigos que poderiam a ficar ricos com ele. Alguns já não precisavam da rampa Santana, tinham subido ao palanque dos muito ricos nas escadas construídas por Cavaco Silva, durante os anos em que a União Europeia despejou carradas de dinheiro sobre esta pobre terra (pobre porque há séculos que não tem uma elite honesta...)
Não deixaria de ser interessante averiguar os companheiros de Cavaco e descobrir o modo como ficaram ricos. Muitos deles eram pobres funcionários ou do Estado ou de empresas públicas. Uma averiguação ao próprio Cavaco e já agora a Santana Lopes haveria de ter resultados interessantes.
Em todas estas etapas, a banca foi crescendo, ganhando garras. Em alguns textos que estão lá para trás eu bem que me inquietei com a arrogância, com a mentira, com a falsidade, com a falta de ética dos banqueiros, alguns deles mais parecidos com verdadeiros padrinhos da máfia.
Mas os homens do poder não tiveram, não têm força para se lhes opor e as surpresas aconteceram: o BCP alimento, de repente escândalos inconcebíveis há anos atrás, mas as consequências não foram nenhumas. Até fico com a sensação de que os portugueses apreciam os autores destes malabarismos financeiros e os invejam um pouco por não estarem em condições de fazer o mesmo.
É neste contexto que o PS ganha a sua primeira maioria absoluta, fazendo promessas que logo a seguir nega. "Não imaginávamos que a situação fosse tão má".
Esta maioria fez crescer a arrogância de Sócrates, que se rodeou de gente medíocre e transformou alguns deles em verdadeiros cães de guarda. O PS transformou-se num partido liberal, protegendo o capital e em especial as empresas dos seus antigos dirigentes, que, por alguma razão não se misturam com os ex-mandões do PSD. É deste campo que surgem os dois mais meditáticos escândalos: BPN e BPP.
O BPN revelou mais um cavaquista ladrão. Este está preso, mas os outros andam por aí. Um deles até é conselheiro de Estado. Muitos dos ex-ministros de Cavaco são accionistas do BPN e da SLN, mas nenhum deles apercebeu que o ex-secretário de estado do orçamento andava a enganar toda a gente, incluindo o Bando de Portugal, que, pela voz do seu mais alto responsável, diz ter tido conhecimento de operações irregulares apenas muito tarde.
Pelo seu lado, o BPP, uma sigla que não tinha existência nos jornais, nas rádios ou nas televisões, revelou-se como o Banco Privado Português, uma entidade que geria fortunas pessoais... e também quer beneficiar do apoio que o Govero deu aos outros bancos, traduzido em avales chorudos.
Tudo isto acontece enquanto nos Estados Unidos os banqueiros revelam também a sua verdadeira face de vigaristas, exploradores da miséria. Nasce uma crise financeira internacional, que se amplia numa crise económica.
Os diversos governos, inclusive o português, tomam medidas de apoio à economia, sobretudo, dizem eles, às pequenas e médias empresas. E o que acontece com essas medidas? Os Bancos limpam os seus balanços da especulação que andaram a fazer com as contas dos seus depositantes e não concedem o crédito de que as empresas necessitam para sobreviver. O Banco Central Europeu desce as taxas Euribor até 1,25%, mas os bancos, geridos por merceeiros de gravata última moda, aumentam o spread em 300%.
Sócrates, entretanto metido no centro de um furacão chamado "Freeport" desdobra- em operações de charme, já em pré-campanha; das pessoas só já lhe interessa o voto. E tê-lo-á, pelo menos dos que enriqueceram indevidamente porque já anunciou que uma proposta do PSD no sentido de legislar no sentido do apuramento dessas fortunas não terá o voto do PS.
Que esperar desta gente? Que esperam eles. Que nos fiquemos sempre quietos, bem educados, a bater palmas?
Espero viver ainda o tempo suficiente para ver este meu povo a dizer não. Mas um NÃO com muita força!

sexta-feira, janeiro 02, 2009

QUEM TVIU

As histórias dos bancos coitadinhos e dos investidores coitadérrimos são naturalmente insidiosas. Dificilmente se pode crer que um coitadinho foi colocar no banco, e logo em um dos recém-chegados, as suas economias, para simples resguardo! Havia promessa de melhores juros, lá isso havia, como havia, aliás, melhores juros prometidos aos próprios bancos, por outros bancos além.Claro que os novissimos banqueiros devem ter-se resguardado melhor, se é que não se limitaram a resguardar-se a tempo de salvar o que podia ser salvo. É evidente que o salvado mal chegou para os salvadores!
Aos investidores coube em sorte o azar dos Távoras. Nem se pode rogar a Deus, porque de há muito o Altíssimo determinou que a gula fosse pecado.
Mas, senhores, um governo, qualquer que seja, não é como o Barbas. Não tem que perdoar à toa; mas daí a usar o taco do povo inapto para socorrer a infelicidade de banqueiros pecaminosos cabe algum exagero.
A graça devida aos eternos criticadores não está, não senhor, dissimulada. Já o avô dos meus avós costumava explicar aos filhos perplexos: «quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão»...
Qualquer mexilhão que se preze sabe que escusa de estar descansado!
No eléctrico que me levava para os Restauradores vislumbrei no matutino do sujeito que ia ao meu lado que a Televisão estava a chegar a Portugal. Ena,pá? Pode lá ser! Podia,pois...
Era por mór da rainha inglesa, que estava a chegar. A soberana, mesmo jovem pesava e Salazar foi convencido.
Por essa altura até os banqueiros eram discretos e, sobretudo, prudentes. O pequeno comércio pagava com letras a curto prazo. O sistema foi empurrado por uma empresa, poderosa, é verdade: a CRGE! Foi o fornecedor da luz que promoveu as vendas a crédito, mas a crédito controlado, bem entendido. O meu pai comprou a primeira máquina de barbear eléctrica que entrou na nossa casa e veio a ser paga mensalmete no recibo da luz. Coisa de nada, pois. Mas o negócio alastrou, mas isto já todos por aí sabem. Não sabem ou não se lembram é do muito que se seguiu.
Tudo ou quase no salazarengo regime precisava de licenças. As licenças eram úteis porque necessitavam de fiscais. Por exemplo os isqueiros. Coisa simples. Pois! Mas atraiam pela via do cinema. Todos os galãs acendiam cigarros com isqueiros. Até as vamps fumavam no cinema e usavam isqueiros! As fosforeiras franziam as pestanas ou outras coisas possíveis de franzir.
Os isqueirados da nossa terra tiveram de munir-se de licença e criou-se uma legião imensa de fiscais. Implacáveis. Arrecadavam uma parte da multa. Estimulou-se ao mesmo tempo a delação,
permitindo ao delator arrecadar metade do prémio atribuido ao fiscal. Aliás a licença explicitava claramente que em casa de denuncia «o vil denunciante» tinha direito reconhecido. Reconheço que era um tudo nada reles, mas ainda assim permitiu aos fosforeiros reconciliar-se com o regime!
Eram coisas do passado, dir-me-ão. Pois, direi eu, que não tenho muito que dizer, a não ser
que não fui o único a recordar-me da facécia. As taxas de Rádio ou Televisão não acabaram no
25 mas aliviaram. Iam-se sumindo. A taxa da TV foi abulida pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, quando entregou à SIC e (na altura) à Santa Igreja os dois canais privados. Mas a taxa da Rádio essa manteve-se, ainda que se fosse sumindo aos poucos. Foi Arlindo de Carvalho que a recuperou para a já RDP, num alarde maquiavélico: através da cobrança mensal de Luz. Nos primeiros meses baldei-me alegando que era surdo e não ouvia Rádio. A verba para a Rádio era
referenciada no recibo da luz e permitia recusar liquidar esse valor. Mas o presidente da Rádio impôs outras regras e a refência ao montante destinado à Rádio desapareceu do recibo.
Desconheço como se passam hoje esses discretos arranjos. Mas dá que pensar. A Televisão juntou-se à Rádio. Bom, e então? Não sei. Não sei se ainda pago e se pago quanto pago. Mas...
pois, mas. Sendo juntas para onde irá (iria) o taco. Se ainda houver taxa, como é? Não se deve esquecer que a taxa é cobrada alegadamente por dispensa de pub. No caso de não se recordarem lembro-lhes que a RTP para poder cobrar taxa e exibir pub teve de criar o segundo canal isento de.
Oh! Então não se lembram do lançamento da TVCabo? Canais, muitos canais, sem pub, sem pub. Mas para montar o sistema incluiram-se os canais de antena no Cabo. A pub cresceu, creceu, sem parar...
Com a crise programada para os próximos tempos a pub deve beneficiar de descontos aliciantes
o que triplicará de anúncios e promoções. Irá gastar-se menos a produzir, gastar-se menos a comprar.
Não se queixem. A TV ainda não é obrigatória. Pode deitar-se no lixo e ir ver a bola no Estádio ou...mais prático em casa do vizinho...

sábado, novembro 22, 2008

Os Banqueiros Oportunistas e o Estado Mentiroso

De um dia para o outro o Mundo lembrou-se de Marx e há muita gente a lê-lo ou a relê-lo. As suas análises e previsões estão cada vez mais perto da nossa realidade. Um dia destes alguém se recordará de Bakunine para fazer uma releitura e incitar à leitura.
E porquê estas leituras?
A primeira porque toda a gente está a verificar que os banqueiros se estão a aproveitar de uma crise financeira - que eles próprios criaram - para reforçar a sua capacidade de intervenção nas economias dos vários estados, a começar pelos Estados Unidos (a eleição de Obama é uma grande vitória social, mas do ponto de vista político muito muito pouca coisa vai mudar...não nos iludamos). Em Portugal essas tentativas são uma vergonha.
Durante mais de trinta anos os bancos portugueses aproveitaram uma lei que lhes dava facilidades para a sua reestruturação depois de reprivatizados para fazer toda a espécie de tropelias: redução de pessoal, abertura de contas offshore, criação de taxas sobre taxas...Alguns deles interferiram nas grandes empresas, tornando-se accionistas para as secar e obrigando-as a seguir o mesmo exemplo de gestão em matéria de pessoal.
Portugal tem neste momento dezenas de milhar de homens e mulheres que foram obrigados a abandonar os seus postos de trabalho com reduções dos seus rendimentos e muitas vezes, depois de processos violentos de "assédio no trabalho". A maior parte deles ainda com as suas capacidades intactas e representando o mais importante que as empresas tinham e que jamais terão porque, para os subsituir foram contratados jovens com remunerações ridículas e em sistemas de total precaridade.
Em cima deste desprezo pela componente do trabaho no processo de produção, os banqueiros e os seus lacaios nas empresas foram enriquecendo, fazendo toda a sorte de trafulhices com a conivência dos políticos, muitos deles transformados ,como que por golpes e mágica, em gente rica, milionária.
A subordinação do poder político ao poder económico foi acentuando-se e os interesses dos grandes grupos económicos passaram a ser lei. Uma das leis é a do crescimento permanete dos lucros. É espantoso! As comparações que os bancos e as grandes empresas fazem acerca dos seus proveitos: têm sempre milhões e milhões de lucro, mas agarram-se à comparação de que não atingiram os números previstos e, nos últimos tempos, queixam-se de que as comparações com o ano anterior são desfavoráveis.
De crise em crise chegou-se ao actual estado de coisas: o Estado concede milhões de aval aos bancos para que eles possam emprestar dinheiro às empresas. E o que é que acontece? Os bancos apertam os critérios para conceder empréstimos às empresas e às famílias e reforçam as sua reservas de capital.
A economia entra em recessão porque - já dizia Marx - não há criação de verdadeira riqueza, é tudo papel que circula entre grupos de parasitas, porque nada produzem .
Os que produzem sofrem as consequências dos despedimentos em série, do fecho de empresas dos sistemas de pré-reformas e reformas antecipadas. Essas dezenas de milhar de pessoas ficam sem capacidade para comprar; deixa, portanto, de haver mercado, também porque os mais novos admitidos para substituir os pré e reformados ou despedidos são tão mal remunerados que apenas têm capacidade de repor a energia e voltar no dia seguinte - tal como no sec.XIX.
E o que faz o estado através do seu governo: começa por fazer promessas que não cumpre, ataca, através do controlo que mantém sobre a comunicação social, os grupos profissionais cujos direitos quer anular. Ataca e mente. Mente descaradamente! Neste momento não há professor que não esteja à beira de um ataque de nervos. O mesmo aconteceu com os magistrados, com os médicos e enfermeiros, com os jornalistas e os militares.
Prejudica indiscriminadamente todos os cidadãos através da introdução de expedientes ilegais, por exemplo nas finanças. O respectivo ministério deu instruções para retirar dos ficheiros todos os dados dos credores do estado e transferi-los para uma base de dados de acesso quase impossível. Os credores do estado que andam há anos a tentar receber o que lhes é devido, nomeadamente devoluções de IVA e respectivos juros têm, agora, que voltar a reiniciar um processo altamente complicado de requerimentos e, mesmo assim, sem nenhuma certeza.
O que faz o governo, por exemplo, relativamente às pequenas e médias empresas? Os seus representantes enchem a boca com a rede de emprego que elas constituem, mas oferecem-lhe linhas de crédito de 25.000€ !!!, desde que tenham tudo em ordem, isto é, desde que não devam nada. Ora, a verdade é que todas elas têm grandes dificuldades porque não têm recursos para cumprir todos os seus compromissos, incluindo as altíssimas taxas de impostos, alguns deles, como o IVA, pago antecipadamente.
Mais: o governo assegura que, ao conceder aval aos bancos espera que eles introduzam o resultado de financiamentos externos nas empresas e nas famílias através de empréstimos. Ainda ontem o primeiro-ministro se regozijava com o facto de os bancos estarem a solicitar tais avales. Esqueceu-se de referir que o primeiro banco a solicitar um aval de 750 milhões de dólares é um banco gestor de grandes fortunas - uma operação de claro oportunismo a que a SIC Notícias deu cobertura, provavelmente porque o seu patrão, aflito porque já não tem a PT Multimédia para pagar, está interessado em recorrer ao BPP.
O governo já deveria ter lgislado no sentido de obrigar a banca a criar condições de excepção para as empresas em dificuldades, tendo como critério importante a manutenção dos postos de trabalho.
O estado sabe que daqui para a frente tudo vai ser pior para as classes médias, para os pobres, mas que os ricos, os banqueiros, os gestores das grandes empresas, cujos prémios de desempenho são uma verdadeira afronta (muitos deles despedem trabalhadores das respectivas empresas para poderem usufruir de prémios milionários), vão ficar cada vez melhor. E com eles, também alguns governantes. É que, salvo raras excepções, sempre que um ministro sai do governo dá um salto para a o clube dos muito ricos. Ainda ontem Dias Loureiro assegurava que, quando saiu do Governo não tinha dinheiro. Podia até não ter dinheiro, mas tinha um património impressionante para um homem que veio de Coimbra para Lisboa como pequeno advogado sem nome, com uma mão à frente e outra atrás...
O estado comporta-se como uma pessoa desonesta, mentirosa. Pode mesmo dizer-se que o estado existe para roubar os cidadãos desprotegidos para assegurar que os outros se sintam cada vez mais protegidos.
Por isto penso que a leitura de Bakunine se vai seguir à de Marx, até porque os representantes do estado têm sempre o mesmo comportamento, independentemente da sua auto definção ideológica.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Meu Reino Por Uma Ministra

Tudo quanto se tem passado na Educação em Portugal desde que a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues e mais dois secretários de estado tomaram conta da pasta ultrapassa tudo quanto é compreensível numa sociedade regida por regras democráticas, num país que ultrapassou cinquenta anos de autoritarismo.

O que a senhora ministra responde às perguntas dos jornalistas a propósito das manifestações dos professores é incompreensível, desonesto, falacioso e tem como único objectivo garantir que, ainda que vá recuando, a sua posição seja sempre de força.

É evidente que o primeiro-ministro é culpado porque já a devia ter demitido. Sócrates é pouco esperto porque teimoso, e mau governante porque não sabe prever e... "governar é prever".

Que ele não tenha previsto a crise financeira internacional, quando ela bailava em todos os jornais internacionais e mesmo em alguns nacionais...enfim: o homem está imbuído do espírito do poder.

Agora, que não tenha "adivinhado" que a senhora ministra lhe iria causar problemas?! É um mau gestor de recursos humanos.

Os problemas da educação, somados aos da Saúde, aos das Forças Armadas aos das pequenas e médias empresas (com acesso a créditos de 25.000€!!!!) vão dar, obviamente uma derrota eleitoral para o PS.

E quem é culpado?

Obviamente o Engenheiro José Sócrates e também caixeiro viajante ao serviço do Magalhães.

Só nos resta esperar que o PSD não fique em posição de governar.

Oremos...então!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Estudantes E Os Tempos

Tempos houve em que os estudantes deste país, sempre que algum grupo social saía à rua ou levava a cabo qualquer demonstração de protesto, saíam - sempre ao lado do Povo! O 25 de Abril também foi muito obra desta solidariedade permanente dos estudantes com o Povo, com as causas, que, umas vezes desciam à rua, outras, em silêncio, se desenvolviam contra a opressão, contra os poderes arrogantes.

Os estudantes tiveram um papel importante porque sempre estiveram ao lado de quem se sentia injustiçado. Foi assim em Portugal, como noutros países, alguns dos quais conquistaram a sua independência aceitando a generosidade dos estudantes, que, para o efeito, tiveram, em muitos casos, que abandonar os estudos.

Que se passa com os estudantes neste nosso novo tempo?
Deslocam-se para as faculdades em transportes individuais (sempre que vou a Coimbra fico impressionado com o volume de automóveis estacionados nas redondezas das Faculdades. No meu tempo, era um sossego...)
Quando saiem à rua, esta gente motorizada, sai para dizer que não paga propinas, sem perceber que seria mais justa uma contestação aos preços exorbitantes praticdos nas creches...
Ninguém consegue descobrir de que lado estão os estudantes nos diversos conflitos que vão opondo o Povo aos sucessivos governos.
Por exemplo, no actual contencioso entre os professores e o Ministério da Educação, de que lado estão os estudantes?
Aqui está, seguramente, uma oportunidade para acções de solidariedade para com uma classe, cuja unidade, só por si, diz bem das suas razões para contestarem uma política de educação que define a próxima tragédia deste jardim à beira mar platado.
Onde estão os estudantes, muitos dos quais dentro de alguns anos serão professores, nesta disputa?
Amanhã espera-se que mais de cem mil professores voltem a Lisboa para repetir o NÃO à Ministra da Educação. Largos milhares deles foram dos que, noutros tempos, sairam à rua para, como estudantes, se solidarizarem com as lutas justas dos outros - pertencem à geração que teve, sempre, necessidade de protestar, mesmo agora que se avizinhavam tempos de sossego...
Seria interessante que os nossos estudantes se juntassem aos seus professores e também dissessem não, dando, assim, uma prova de confiança nos que os ensinaram para que chegassem às faculdades.
Muitos deles estarão a curtir a ressaca de sexta-feira e nem darão pela multidão que vai chegar a Lisboa.

domingo, outubro 26, 2008

Tudo Na Mesma

Se não fossem dramáticas para milhões de pessoas, as actuais mudanças do sistema financeiro internacional dariam para rir. Não há surpresas, não há imaginação e é muito fácil concluir: os ajustamentos acertados entre os estados e a banca apenas significam o mesmo de sempre: todo o Mundo trabalha para meia dúzia de "chicos espertos", invisíveis mesmo para os lacaios convencidos da sua condição de governantes. Isto é, a banca entrou em colapso porque os seus gestores, em delírio , julgavam o céu como o limite para as suas aventuras e ganhos.
E quem vai pagar? Os mesmos de sempre: os contribuintes cumpridores, trabalhadores por conta de outrém e obrigados a aceitar as mudanças das regras determinadas pelos governos em função dos interesses dos donos da banca, cujos rostos já ninguém conhece.
A actual crise do sistema financeiro poderia servir aos governantes do chamado mundo ocidental para concluirem não ser mais possível continuar a alimentar o sistema neo-liberal, responsável pela criação de um mundo de escravos - a herança cada vez mais visível para a actual geração jovem e, seguramente, pior para as seguintes.
Os"governantes" estão a dar à banca todos os instrumentos de tranquilidade: os bancos vão poder continuar a apresentar todos os anos lucros mais elevados, vão poder continuar a apoiar apenas os que, tendo contas gordas, ou sendo mesmo grandes accionistas da banca e das grandes empresas, não precisariam desses apoios. O aval dos estados vai servir para financiar operações de enriquecimento dos muito ricos. Os outros vão engrossar as estatísticas dos danos colaterais desta crise: aumento do número de desempregados, dos esfomeados, das pequenas e médias empresas falidas, porque para elas não há apoios.
E não há novo presidente dos Estados Unidos para salvar nada. Seja ele quem for, o sistema vai continuar, o Mundo vai ficar um sítio cada vez mais infeliz, com a cada vez mais pequena minoria usufruindo do trabalho, do esforço e dos sacrifícios de uma cada vez maior maioria de desgraçados, sem esperança no dia de amanhã.
A mim assusta-me verificar que tudo quanto se escreve ou diz a respeito desta matéria tem um sentido: o sistema vai renascer e a vida continuará. Para toda a gente com acesso à comunicação social institucional, "depois da tempestade virá a bonança". A Bonança deles...

sexta-feira, setembro 26, 2008

A Arrogância dos Banqueiros

O sistema financeiro do capitalismo selvagem, sem honra e sem ética, que os liberais inventaram e impuseram a todo o Mundo está pelas ruas da amargura. De tal forma que os americanos, os donos do sistema, vão ter que socializar, isto é, nacionalizar, as finanças para salvar aquilo que eles chamam de economia.
E porque é que se chegou aqui?
Não se preocupem que não vou perder muito tempo a explanar doutrinas económicas...
Aconteceu porque, em todo o Mundo, nomeadamente em Portugal, meia dúzia de chicos espertos, se serviram das teorias económicas inventadas em Chigago e noutros centros americanos, para enriquecer desalmadamente e criar o princípio de que as grandes empresas e os bancos tinham - todos os anos - que ter mais lucros do que no ano anterior.
Os administradores das grandes empresas e dos bancos criaram também outra rotina; a dos prémios chorudos para eles próprios. Os dinheiros necessários para se premiarem têm que vir de algum lado, nem que seja do despedimento de alguns milhares de trabalhadores substituídos por jovens a quem pagam 500 Euros. Há mesmo administradores de grandes empresas que não gastam um tostão já que entregam nas tesourarias as contas dos supermercados para serem incluídas nos pagamentos da empresa.
Ao longo dos anos fomos assistindo a esta coisa espantosa: os índices de produtividade aumentaram, aumentarm, aumentaram... e os pobres foram ficando cada vez mais pobres e em maior número, enquanto os ricos eram mais ricos e cada vez menos.
Os bancos, sempre na ânsia de mais lucros foram inventando os chamados produtos financeiros dos quais fazem publicidade agressiva, convidando os pobres e fazer dívidas, já que é dos juros que eles vivem. Chegaram ao ponto de mandar cheques para casa das pessoas como créditos já assegurados.
E agora, o que diz o presidente dos banqueiros, o dr. João Salgueiro?
Com um ar arrogante, de quem tem uma conta bem recheada e que se está nas tintas para os problemas dos outros, vem dizer de forma insultuosa que a culpa do endividamento dos cidadãos é da sua exclusiva responsabilidade e dá lições de bom comportamento a quem o ouve ao mesmo tempo que vai criticando as leis que o governo promulgou e que proibem os bancos de cobrar comissões pela trasnferência de empréstimos.
O que fazer com este gajo insolente, provocador, nababo, um dos chicos espertos que aproveitou a política para se instalar bem e ir acumulando dinheiro em cima de dinheiro à custa do esforço daqueles que iam aproveitando as pequenas oportunidades para melhorar as suas condições de vida?
O que fazer com este predador que nem sequer sabe onde vive e ainda não percebeu que isto agora também vai piorar para o lado dele?

domingo, setembro 21, 2008

É Tempo de Pensar

Portugal entrou definitivamente na campanha leitoral para o ano de 2009 que se aproxima a grande velocidade. Ou, pelo menos o PS já o fez. Os outros não sabem ainda o que fazer, estão amarrados à sua própria frustração de não ser poder e de não conseguir exibir o mesmo ar arrogante que Sócrates exibe nos comícios e nas Escolas onde vai vender a banha da cobra, tecendo elogios a um sistema escolar que foi aconselhado pelo FMI a vários países para diminuirem as despesas orçamentais com a Educação.
E aquele ar do primeiro ministro que aperta a mão a toda a gente atirando o braço para o lado, sinal de que vai continuar para a frente, sempre a sorrir ( o assessor de imagem deve ter imposto o sorriso permanente- será que também fica com aquele esgar em casa?... para treinar, sei lá...), aquele ar irrita mesmo, porque me faz lembrar 1991, quando toda a gente, depois de todas as asneiradas que o Cavaco fez, dizia que o homem ia aprender uma lição com uma derrota a sério e cabou por ter uma segunda maioria absoluta que nos atirou de cangalhas. Até me arrepio a pensar que pode acontecer o mesmo.
E se acontecer o mesmo os boys PS vão imitar ainda mais o ar do chefe e vão ficar ainda mais arrogantes, insuportáveis. Se já hoje não há assessor de vogal do CA de empresa pública que não se julgue capaz de, com um simples gesto, destruir a vida de um simples cidadão, daqueles que não quer mais nada, só trabalhar, só sair do sufoco para onde os impostos e a segurança social e as propinas que às vezes tem que pagar para resolver uns assuntos mais complicados o atiraram.
Eu, tal como em 1991, estou com uma grande esperança que este povo desperte e perceba que o poder não pode estar entregue a estes trafulhas que em tempos de eleições prometem tudo e depois argumentam que "também os partidos mudam de opinião..."
Nós não podemos entregar o nosso país a esta gentalha que considera que para os ricos o Estado é só generosidade, mas para os pobres nem sequer existe...
Nós não podemos entregar as nossas crianças a estes mentirosos que estão a fazer das escolas fábricas de escravos, da nossa saúde um esquema de passagem de passaportes para o cemitério e da nossa justiça um sistema de validação do crime indiscriminado.
Nós temos que colocar um travão a estes desaforos a estas notícias que ninguém explica, a esta promiscuidade entre a política e os negócios.
E temos que começar a pensar já nisso, porque os nossos inimigos já iniciaram a estratégia de manutenção do poder. Temos que os obrigar a partilhar mas não com os outros, iguais a estes. Temos que tentar outra via. Temos de ser cidadãos responsáveis. Temos de chamar à esfera do poder outros, ainda que corramos o risco de se mostrarem iguais.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Uma Aparência Igual a Zero

Um dia destes (há dois ou três), na fuga matinal que faço às rádios institucionais - que já não posso ouvir - sintonizei uma das minhas alternativas, uma "Rádio Refúgio" em que apanhei a conversa com um senhor já de idade e que, pela conversa, deve ser padre católico.
Parei para ouvir e fiquei verdadeiramente espantado: pela primeira vez ouvi alguém, pertencente a uma instituição, cujo grau de senilidade já há muitos e muitos anos ultrapassou os limites do razoável, reconhecer este facto simples: " a Igreja Católica é a hierarquia", constituída por padres, diáconos, bispos, cardeais e, no topo, o Papa. Para além disto é nada.
A voz, já um pouco cansada dos anos, falava em serviços que esta hierarquia presta e lembrava que a Igreja Católica fica longe, vive completamente afastada das comunidades em que se insere e falava, a propósito, da Igreja dos primeiros tempos, em que as pessoas se reuniam nas casas uns dos outros, segundo os relatos do apóstolo Paulo.
De facto, olhando à nossa volta, percebemos as Igrejas fechadas, os padres vestidos comos os grandes senhores, a alimentar-se bem em restaurantes caros, ao mesmo tempo que percebemos a tal hierarquia a tentar conquistar cada vez mais espaço nos media - nunca perdem uma oportunidade para exibir aqueles barretes e aqueles vestidos "giríssimos" enquanto vão falando de coisas que, na maior parte das vezes não lhes dizem respeito.
A propósito do desfazamento existente entre a Igreja e a Sociedade, na entrevista também foi referido o casamento dos sacerdotes e a participação das mulheres de forma activa na tal hierarquia.
O padre entrevistado - já referi que não me pareceu um jovem - disse mesmo que, nesta altura, há dois grupos a lutar pelo casamento: os gays e os padres.
Para mim foi o início de dia diferente. Eu que já não pensavem na Igreja há um ror de anos, dei comigo a pensar na diferença espectacular que existe entre esta Igreja Católica e, por exemplo, a Igreja Anglicana, que faz parte das comunidades em que se insere, ajudando com a sua presença activa à solução de inúmeros problemas.
Hoje o Papa foi a França. O que terão feitos os sacerdotes católicos de todo o Mundo? Aposto que muito pouco.

sexta-feira, setembro 05, 2008

A Grande Fraude

Por mais força que faça para me desinteressar em absoluto dos assuntos da política nacional e me recuse a ouvir ministros e seus agentes, tais como jornalistas, nem sempre é possível escapar ao conhecimento de algumas coisas que se vão passando neste país a caminho de um precipício.
A Educação transformou-se de "a grande paixão" na GRANDE FRAUDE socialista.
Hoje o primeiro-ministro, acompanhado da sua ministra da Educação fez saber que mais de 90.000 portugueses vão receber diplomas de "certificação de capacidades" ( suponho que a designação da mentira é essa).
E o que significam estes papéis?
Que 90.000 dos mais de 400.000 inscritos vão ficar habilitados, uns com um certificado do nono ano e outros do décimo segundo, depois de umas aulas ministradas no programa de "Novas Oportunidades" e em que, basicamente, os candidatos demonstram o que já sabem fazer e, por isso, lhes é entregue um diploma.
Estes diplomas, entregues a 90.000, vão, seguramente, ser entregues aos restantes 300.000. Com esta fartura de certificados de capacidades, Portugal sai da sua posição ingrata de país cuja população, em larga percentagem, não completou, sequer, o ensino secundário.
Em ligação com esta operação, o Ministério da Educação recomenda - e tudo faz para isso - que os alunos do ensino oficial não sejam reprovados - saibam ou não saibam. O que é importante é aumentar as percentagens de gente com habilitações de nível europeu.
Nas Faculdades aonde vão chegando os anafalbetos funcionais criados nos níveis inferiores também já se vão exercendo algumas pressões com o objectivo de o número de licenciados portugueses se aproximar do número dos restantes países europeus.
E o que é que isto vai dar?
Um país de analfabetos com diplomas que não correspondem a nada e que ficam disponíveis para serem manobrados pelos que, filhos de gente com dinheiro, estudam a sério , ou são expulsos, em colégios particulares ou no estrangeiro.
O governo de José Sócrates está a construir um país que, dentro de pouco tempo, não passará de uma opereta de mau gosto vista com o aplauso e o riso alarve de uma multidão de escravos modernos, com direito a fato cinzento e a gravata vermelha.

sábado, maio 31, 2008

Ainda o Petróleo e as Gargalhadas Deles...

Sempre que o Primeiro Ministro viaja leva consigo um batalhão de empresários. Para os países produtores de petróleo é sabido que vai o presidente da Galp, um tal não sei quantos Ferreira, que lá faz os seus negócios com a cobertura das máximas autoridades portugueses.
É o que basta para os basbaques dos nossos jornalistas - alguns(mas) não se sabe o que vão fazer nestas viagens - se congratulem e lancem montes de foguetes para saudarem os neggócios que "a petrolífera NACIONAL" fez.
Qual nacional qual carapuça... A GALP é uma companhia multinacional tal como as outras e os negócios que faz com o aval do Estado português têm como único objectivo garantir reservas e mais reservas de crude que eles venderão agora e no futuro aos preços mais altos para satisfazer os seus accionistas, a maioria dos quais são estrangeiros.
Por isso, não percebo a protecção do Estado a estes grandes empresários, que, são, afinal, meros administradores de capitais internacionais. Não percebo porque é que o Primeiro Ministro não leva nas suas viagens de caixeiro viajante os pequenos e médios empresários portugueses - esses sim, a precisarem de apoio para se internacionalizarem e criarem riqueza verdadeiramente nacional.

quarta-feira, maio 28, 2008

...Eles Riem-se

Esta coisa do petróleo é complicada. De um momento para o outro, mas, de qualquer forma, depois da invasão do Iraque, os preços começaram a subir. Servindo-se de mecanismos elaboradamente complexos, as companhias petrolíferas e os especuladores das bolsas, foram aproveitando os pretextos, mesmo que forjados pela comunicação social, particularmente a de carácter económico - que eles dominam quase de forma absoluta - para aumentar o preço do petróleo, primeiro e, depois, os dos seus derivados.


Ao mesmo tempo que se anunciam descobertas de campos petrolíferos com reservas "para mais de um monte de anos", as gasolineiras, acompanhando sempre a subida do preço do barril do petróleo, vão aumentando a gasolina o gasóleo e outros derivados.

Nunca acompanham as descidas...

Assim como não explicam que a subida é, em muitos casos, apenas uma consequência da baixa do dólar relativamente ao Euro. Aí, mais uma vez a comunicação social ajuda e não converte o valor do preço do barril do crude de dólares para euros.

Aqui recordo-me de uma frase célebre de Fernando Alves na abertura de um Congresso de Jornalistas: "OS JORNALITAS SÃO UMAS PUTAS!"

Tudo isto vai acontecendo tendo como pano de fundo, por um lado um governo que, confessando a sua perda de soberania, se desculpa com a União Europeia, atribuindo-lhe - e, ao que parece, correctamente - a responsabilidade de taxar os combustíveis. A mesma União Europeia, que, considerada como uma grande potência económica, embora completamente dependente dos países produtores de petróleo, assobia para o lado e deixa correr o marfim, isto é, o dinheiro.

Outro cenário que enquadra todo este espectáculo de aumentos quase diários é o esbanjamento das principais companhias petrolíferas, exibindo, afinal, a sua enorme capacidade económica, graças aos lucros obtidos com verdadeiros assaltos às carteiras dos cidadãos pacíficos e , já agora, também parvos.

Vejam-se, por exemplo as campanhas com que a Galp anuncia o seu apoio à Selecção Nacional de Futebol.
Eles gastam mal o que roubam e, ainda por cima, se riem de todos nós.
No fundamental o que esta crise vem demonstrar é que os Estados já não contam, estão de pés e mãos atados pelos detentores da riqueza que a Humanidade produz, mas que, sistematicamente é acumulada por meia dúzia. E essa meia dúzia é apadrinhada pelos políticos no poder, que, de uma maneira ou de outra, recebem as suas contrapartidas, às vezes verdadeiras esmolas face aos lucros que propiciaram. Os mais atrevidos chegam bem perto da tal meia dúzia.
Os Estados europeus estão numa embrulhada da qual não sabem como sair. De facto, estamos nuclime de pré-guerra, porque as populações não podem continuar a viver percebendo-se escravos de gente sem rosto mas com riso.
Já falta pouco para que alguns dos países europeus voltem ao serviço militar obrigatório e que as manifestações de carácter social encham de terror os ministros que até agora só sabem descobrir negócios para os amigos.
A Europa vai ter um Verão bem quente, um verão que só lá para o Outono chegará a Portugal. Como sempre, aqui nada começa.