Estou numa aldeia polaca, na fronteira com a Eslováquia ( os polícias da fronteira têm sempre um ar fasccista, estes fazem lembrar os maus dos filmes americanos. Olham para os BI's com ar entendidos, isto é, com a esperança de encontrarem uma conspiraçãozita. Mas, nada, Nada que nos faça deter. Lá ficam para trás, tristes no seu triste papel.
Está frio, para trás ficou um belo e sereno Sol, filtrado pelas neblinas da montanha que se aproxima. A terra chama-se Milówka, lê-se miluvfka e a gente é simpática. O sítio é a meio da montanha. Respira-se o ambiente especial de quem rvive na altitude. À noite, no restaurante, há gargalhadas. Mulheres descontraídas, como vai sendo hábito, vivem melhor frente aos copos. Eles recolhem-se, são tímidos. Será que o Mundo vai mudar?
A cerveja polaca é boa, mas a checa é melhor. Todavia, na Polónia servem copos de litro. Perguntam-me se quero um. Amanhã experimento, digo. Com o fresco que faz, o litro não corre o risco de aquecer.
As notícias de Portugal que me chegam via SMS ( a vida está cara e a Net por aqui ainda é produto raro) são assustadoras. O país está a arder... fico espantado: mas, afinal, ainda há país para arder?
Quando é que aparece alguém a pensar certo? O combate aos fogos tem que ser feito pela Força Aérea. Equipe-se a gente da guerra e eliminem-se as diversas empresas que ganham por cada hora no ar o dinheiro suficiente para uma operação de combate a um grande incêndio.
Para quê pensar nisso?
Agora que estou fora, basta colocar um muro à volta do país e aquilo fica um manicómio.
Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
domingo, agosto 07, 2005
Viagem - o batedor
Para quem se habituou a ouvir apenas falar da República Checa como um apêndice do império dos outros tem que ficar admirado. Descobrir em pequenas aldeias patrimónios que falam da verdadeira História da Europa, daquela que enche a cabeça de todos os que julgam ter inventado o Mundo, dá que falar.
Muito mais ainda se os checos descobrirem - e aposto que sim - como se explora o Turismo. Em Dacice, por exemplo, o castelo, que tem objectos de grande valor, faz visitas guiadas de hora a hora, com guias simpáticas - belos sorrissos - mas que falam apenas checo. É uma estopada,mas mesmo assim, por causa do sorriso e das estórias que se descobrem, vale a pena.
Telc - património mundial - tem uma praça resplandecente, em que as casas são todas resguardadas por frontarias lindíssimas: Mas não tem mais nada. Se não se tiver informação coveniente, passa-se por lá como se por mais uma aldeia de camponeses, preocupados com as colheitas do trigo, das papoilas e da cevada.
Cesky Krumlov: um rio a serpentear, uma arquitectura e um urbanismo únicos, outra cidade classificada, é ainda mais atraente que Praga. Tem gente de todo o lado da República Checa, alguns austríacos, alemães e, provavelmente holandeses. Pela primeira vez numa viagem deste tipo, não ouvi uma palavra em português. Um dia destes vira moda e já não se pode andar por aqui.
Ah! os italianos, sempre aparecem: eram os únicos que destoavam na visita à exposição de Alfons Mucha, em Moravsky Krumlov: vinte quadros gigantes a narrar a história dos eslavos,da formação da pátria Checa e do movimento religioso hussita.
Do ponto de vista do aproveitamento daquele enorme potencial turístico, o mesmo disparate: fecham ao meio dia, abrem às 13 e fazem visitas guiadas, com gente que fala, fala e sorri, mas ninguém entende, exceptuando, claro,os checos, que, neste caso, ainda são - ou parecem - o maior número.
A paragem para ver Mucha, os heróicos e também as gravuras publicitárias da sua época parisiense, perturbou a chegada a Brno, para onde estava marcada uma visita para as 16 horas locais, à Villa Tugendhat, uma maravilha da arquitectura dos anos trinta, macerada e ocupada pelos nazis e pelos comunistas.
Está agora em recuperação e a cerca de uma hora que se passa ali vale bem a estopada de ouvir um cavalheiro a falar, a falar para apenas 15 pessoas sem que nenhuma delas perceba uma palavra.
E, depois, quem quiser comprar o que quer que seja tem que pagar em cash e o mais próximo multibanco fica uns quantos quarteirões abaixo.
Ma,, enfim, a propósito de Tugendhat vale a pena contar a estória da chegada.
Bron é a segunda cidade checa - enorme e não tão bem organizada como Praga. Descobrir a zona de residências senhoriais onde habitaram e devem habitar as elites de vários regimes - uns de ocupação outros não - assim, sem mais nem menos,com hora marcada, não é coisa fácil. Olham-se os mapas, pergunta-se, mas as respostas nem sempre são fáceis. A comunicação consegue-se mais por gestos. Inglês, francês, nada, e o nosso alemão está esquecido (eu acho que só os alemães se lembram, a sério, dele) . O relógio não pára e aquela visita tinha sido marcada desde Lisboa.
De repente, à nossa frente pára um carro da polícia, num semáforo, a co-piloto da viagem sái mais uma vez do carro e corre para a viatura da autoridade, aponta-lhe o mapa e o homem, sem dizer uma palavra que se perceba, faz sinal para que o seguíssemnos. Um pouco mais à frente volta a parar e - sentiu-se - resolveu levar-nos ao destino.
De facto, concluímos, depois de lá chegar, que sem batedor jamais conseguiriamos chegar às 16 em ponto.
Altura em que quatro espanhóis estavam já a ocupar os nossos lugares para visitar Tugengdhat. Um deles ainda gemeu: ..." mas somos espanhóis, vimos aqui apenas uma vez na vida..." Ao que respondemos: " ... nós somos portugueses provavelmente esta é a única viagem que aqui fazemos, temos esta visita marcada desde Lisboa e o relógio marca 16 em ponto".
Foi um gozo particular? A visita foi, a chegada com polícia, tudo isso, sim, dá para recordar com agrado. A exclusão dos espanhóis achamos um disparate. Continua a ser o sistema fechado a impôr regras que só os chefes percebem, porque só a eles dá a satisfação de um poder assumido. Além disso, as dificuldades de recuperação da vivenda são visíveis...
Os checos hão-de aprender e estes relíquias, gora são difíceis de apreciar, hão-de ser vistas por multidões.
Nessa altura será tudo muito mais caro, mas quem cedo amanhece...
Muito mais ainda se os checos descobrirem - e aposto que sim - como se explora o Turismo. Em Dacice, por exemplo, o castelo, que tem objectos de grande valor, faz visitas guiadas de hora a hora, com guias simpáticas - belos sorrissos - mas que falam apenas checo. É uma estopada,mas mesmo assim, por causa do sorriso e das estórias que se descobrem, vale a pena.
Telc - património mundial - tem uma praça resplandecente, em que as casas são todas resguardadas por frontarias lindíssimas: Mas não tem mais nada. Se não se tiver informação coveniente, passa-se por lá como se por mais uma aldeia de camponeses, preocupados com as colheitas do trigo, das papoilas e da cevada.
Cesky Krumlov: um rio a serpentear, uma arquitectura e um urbanismo únicos, outra cidade classificada, é ainda mais atraente que Praga. Tem gente de todo o lado da República Checa, alguns austríacos, alemães e, provavelmente holandeses. Pela primeira vez numa viagem deste tipo, não ouvi uma palavra em português. Um dia destes vira moda e já não se pode andar por aqui.
Ah! os italianos, sempre aparecem: eram os únicos que destoavam na visita à exposição de Alfons Mucha, em Moravsky Krumlov: vinte quadros gigantes a narrar a história dos eslavos,da formação da pátria Checa e do movimento religioso hussita.
Do ponto de vista do aproveitamento daquele enorme potencial turístico, o mesmo disparate: fecham ao meio dia, abrem às 13 e fazem visitas guiadas, com gente que fala, fala e sorri, mas ninguém entende, exceptuando, claro,os checos, que, neste caso, ainda são - ou parecem - o maior número.
A paragem para ver Mucha, os heróicos e também as gravuras publicitárias da sua época parisiense, perturbou a chegada a Brno, para onde estava marcada uma visita para as 16 horas locais, à Villa Tugendhat, uma maravilha da arquitectura dos anos trinta, macerada e ocupada pelos nazis e pelos comunistas.
Está agora em recuperação e a cerca de uma hora que se passa ali vale bem a estopada de ouvir um cavalheiro a falar, a falar para apenas 15 pessoas sem que nenhuma delas perceba uma palavra.
E, depois, quem quiser comprar o que quer que seja tem que pagar em cash e o mais próximo multibanco fica uns quantos quarteirões abaixo.
Ma,, enfim, a propósito de Tugendhat vale a pena contar a estória da chegada.
Bron é a segunda cidade checa - enorme e não tão bem organizada como Praga. Descobrir a zona de residências senhoriais onde habitaram e devem habitar as elites de vários regimes - uns de ocupação outros não - assim, sem mais nem menos,com hora marcada, não é coisa fácil. Olham-se os mapas, pergunta-se, mas as respostas nem sempre são fáceis. A comunicação consegue-se mais por gestos. Inglês, francês, nada, e o nosso alemão está esquecido (eu acho que só os alemães se lembram, a sério, dele) . O relógio não pára e aquela visita tinha sido marcada desde Lisboa.
De repente, à nossa frente pára um carro da polícia, num semáforo, a co-piloto da viagem sái mais uma vez do carro e corre para a viatura da autoridade, aponta-lhe o mapa e o homem, sem dizer uma palavra que se perceba, faz sinal para que o seguíssemnos. Um pouco mais à frente volta a parar e - sentiu-se - resolveu levar-nos ao destino.
De facto, concluímos, depois de lá chegar, que sem batedor jamais conseguiriamos chegar às 16 em ponto.
Altura em que quatro espanhóis estavam já a ocupar os nossos lugares para visitar Tugengdhat. Um deles ainda gemeu: ..." mas somos espanhóis, vimos aqui apenas uma vez na vida..." Ao que respondemos: " ... nós somos portugueses provavelmente esta é a única viagem que aqui fazemos, temos esta visita marcada desde Lisboa e o relógio marca 16 em ponto".
Foi um gozo particular? A visita foi, a chegada com polícia, tudo isso, sim, dá para recordar com agrado. A exclusão dos espanhóis achamos um disparate. Continua a ser o sistema fechado a impôr regras que só os chefes percebem, porque só a eles dá a satisfação de um poder assumido. Além disso, as dificuldades de recuperação da vivenda são visíveis...
Os checos hão-de aprender e estes relíquias, gora são difíceis de apreciar, hão-de ser vistas por multidões.
Nessa altura será tudo muito mais caro, mas quem cedo amanhece...
Viagem - as malas
É simpático reconhecer competências, dedicação, eficácia num serviço público. Já falei da Austrain Airlines bastante diferente das suas congéneres europeias, a atravessar crises miserabilistas insuportáveis. Pois, a Austrain, não apenas serve refeições a bordo com alguma dignidade, como,depois, à chegada, tem um serviço de assistência impecável.
Chegado a Viena no dia 1 de Agosto, a caminho da República Checa dei por falta de duas malas. Rapidamente soube o destino das transviadas: Barcelona. Que me seriam entregues no dia seguinte, ao fim do dia, no hotel para onde seguiria viagem.
Assim aconteceu: ainda não eram 18 horas locais do dia 2, quando o pessoal da companhia austríaca apareceu em Daceci a entregar as malas.
Daceci fica mais de 150 Kms de Viena e é noutro país. Estou mesmo a imaginar uma companhia portuguesa a prometer e cumprir entregar duas malas numa espécie de aldeia que nem no mapa vem, em Espanha...
Claro que para chegarem tão rápido não devem ter parado na espécie de paraíso do sexo que os checos plantaram à entrada da sua república, ali, disponível, de forma óbvia para quem atravessa a fronteira entre os dois países em Haugsat.
O comércio até chega a ser chocante, mas, seguramente, reflecte diferenças importantes entre dois países, agora pertencentes à União Europeia.
A República Checa exibe, confrangedoramente as sequelas dos planos quinquenais, com largas extensões de campos roubados às florestas que noutros tempos os povoaram e onde se cultivam grandes extensões de cereais. São verdadeira feridas abertas e que,obviamente, ninguém está interressado em sarar, já que é delas que vem o sustento a grande parte desta população.
A União Europeia está a entrar aqui devagar, as lojas abrem às oito e meia e fecham às 5 da tarde. É verdade que o Sol nasce às quatro, mas não se percebe muito bem o que fazem os checos da cidade. Os do campo, imagina-se que poêm aquelas enormes máquinas a trabalhar para ceifar os campos. À noite entopem as estradas...
As comunicações por aqui, junto aTelc, cidade-património mundial são um desastre e os cidadãos desta região só falam checo, assim como os portugueses da maior parte de Portugal que também só falam português. Mas, de qualquer modo, lá nos vamos entendendo
Chegado a Viena no dia 1 de Agosto, a caminho da República Checa dei por falta de duas malas. Rapidamente soube o destino das transviadas: Barcelona. Que me seriam entregues no dia seguinte, ao fim do dia, no hotel para onde seguiria viagem.
Assim aconteceu: ainda não eram 18 horas locais do dia 2, quando o pessoal da companhia austríaca apareceu em Daceci a entregar as malas.
Daceci fica mais de 150 Kms de Viena e é noutro país. Estou mesmo a imaginar uma companhia portuguesa a prometer e cumprir entregar duas malas numa espécie de aldeia que nem no mapa vem, em Espanha...
Claro que para chegarem tão rápido não devem ter parado na espécie de paraíso do sexo que os checos plantaram à entrada da sua república, ali, disponível, de forma óbvia para quem atravessa a fronteira entre os dois países em Haugsat.
O comércio até chega a ser chocante, mas, seguramente, reflecte diferenças importantes entre dois países, agora pertencentes à União Europeia.
A República Checa exibe, confrangedoramente as sequelas dos planos quinquenais, com largas extensões de campos roubados às florestas que noutros tempos os povoaram e onde se cultivam grandes extensões de cereais. São verdadeira feridas abertas e que,obviamente, ninguém está interressado em sarar, já que é delas que vem o sustento a grande parte desta população.
A União Europeia está a entrar aqui devagar, as lojas abrem às oito e meia e fecham às 5 da tarde. É verdade que o Sol nasce às quatro, mas não se percebe muito bem o que fazem os checos da cidade. Os do campo, imagina-se que poêm aquelas enormes máquinas a trabalhar para ceifar os campos. À noite entopem as estradas...
As comunicações por aqui, junto aTelc, cidade-património mundial são um desastre e os cidadãos desta região só falam checo, assim como os portugueses da maior parte de Portugal que também só falam português. Mas, de qualquer modo, lá nos vamos entendendo
Viagem - a cerveja
Isto de viajar continua a ser melhor do que ficar em casa a ver telvisão, imagens que os outros fizeram, seleccionaram venderam (ou compraram) e transmitiram às horas a que os donos das empresas de sondagens recomendam. Se, por acaso, não correspondemos aos perfis dos inquéritos, lá temos que aturar coisas que consideramos idiotas, próprias de atrasados mentais...essas coisas.
De viagem pela República Checa profunda a suportar, de quando em vez, o cheiro a suor requentado de camponeses disfarçados nas roupas, mas com os olhos cheios das planícies abertas noutros tempos por máquinas inventadas pela gente de Staline, descubro que os adversários da PAC dos franceses na União Europeia estãoa Leste. São eles que vivem da cultura extensiva de cereais e a podem trasnsformar no que quiserem e puderem.
Não percebo mesmo por que razão em Portugal toda a gente se assusta tanto com o alargamento a Leste. Sei lá... o melhor é inventar um inimigo externo.
Aqui tudo é tosco; é muto difícil encontrar alguém que fale inglês, o turismo é ainda uma curiosidade... (eu sei que tem Praga, Cesky Krumlov e Brno, mas só na capital se pode falar em turismo internacional).
Indústria? só se percebe a da cerveja - notável, diga-se
É um país a sair, seguramente, de uma noite muito escura, mas simpático, com gente esforçada e com um desígnio nacional:a Independência. É aqui que está o segredo. Contarei mais.
De viagem pela República Checa profunda a suportar, de quando em vez, o cheiro a suor requentado de camponeses disfarçados nas roupas, mas com os olhos cheios das planícies abertas noutros tempos por máquinas inventadas pela gente de Staline, descubro que os adversários da PAC dos franceses na União Europeia estãoa Leste. São eles que vivem da cultura extensiva de cereais e a podem trasnsformar no que quiserem e puderem.
Não percebo mesmo por que razão em Portugal toda a gente se assusta tanto com o alargamento a Leste. Sei lá... o melhor é inventar um inimigo externo.
Aqui tudo é tosco; é muto difícil encontrar alguém que fale inglês, o turismo é ainda uma curiosidade... (eu sei que tem Praga, Cesky Krumlov e Brno, mas só na capital se pode falar em turismo internacional).
Indústria? só se percebe a da cerveja - notável, diga-se
É um país a sair, seguramente, de uma noite muito escura, mas simpático, com gente esforçada e com um desígnio nacional:a Independência. É aqui que está o segredo. Contarei mais.
Viagem - o começo
A segunda circular de Lisboa está cada vez mais entupida e ainda não ouvi nenhum dos candidatos à presidência da Câmara da capital falar disso. De qualquer forma é por lá que se sai a caminho do aeroporto e nunca se sabe se o entupimento é maior do que o habitual. Em Lisboa, corre-se o risco de perder o avião. Desta vez foi quase...
Aeroporto de Lisboa. Nunca mais acabam as obras...os placards de indicação dos balcões de chek-in avariaram, o stress aumentou, há boas notícias...Viagem a caminho de Viena, na Air Austrian. A mesma poupança de todas as outras, mas com alguma dignidade. Nesta, não se adivinham os bancos de plástico como nos autocarros de LIsboa.
Por falar em autocarros: uma sugestão para os candidatos à CML: prometam um corredor BUS e para viaturas de emergência na segunda circular. Aquilo está perigoso a sério...
Avião cheio de crianças. Atrás de mim, um senhora queixa-se à assistente de bordo que o cavalheiro ao lado dela tresanda, não deve tomar banho há séculos...já o bisavô dele abominava a água. É a gente do Norte: água nem para beber, por isso não falam da seca.
Impecáveis, as austríacas, com muita diplomacia, removem o cavalheiro, trocando-o por uma jovem, que não sendo propriamente um modelo de limpeza, pelo menos não tresanda a suor velho e outros odores.
A viagem serve igualmente para rememorar algumas das últimas notícias escutadas em Lisboa e de que, com certeza, não vou saber desenvolvimentos. Na Guiné Bissau, os adeptos do candidato do PAIGC protestam na rua a exigirem novas eleições. É o Senegal a reagir: é que a Guiné Bissau também tem petróleo a Norte e não apenas a Sul. Todo o Mundo anda atrás do petróleo e aquele já deve estar contabilizado.
Aeroporto de Lisboa. Nunca mais acabam as obras...os placards de indicação dos balcões de chek-in avariaram, o stress aumentou, há boas notícias...Viagem a caminho de Viena, na Air Austrian. A mesma poupança de todas as outras, mas com alguma dignidade. Nesta, não se adivinham os bancos de plástico como nos autocarros de LIsboa.
Por falar em autocarros: uma sugestão para os candidatos à CML: prometam um corredor BUS e para viaturas de emergência na segunda circular. Aquilo está perigoso a sério...
Avião cheio de crianças. Atrás de mim, um senhora queixa-se à assistente de bordo que o cavalheiro ao lado dela tresanda, não deve tomar banho há séculos...já o bisavô dele abominava a água. É a gente do Norte: água nem para beber, por isso não falam da seca.
Impecáveis, as austríacas, com muita diplomacia, removem o cavalheiro, trocando-o por uma jovem, que não sendo propriamente um modelo de limpeza, pelo menos não tresanda a suor velho e outros odores.
A viagem serve igualmente para rememorar algumas das últimas notícias escutadas em Lisboa e de que, com certeza, não vou saber desenvolvimentos. Na Guiné Bissau, os adeptos do candidato do PAIGC protestam na rua a exigirem novas eleições. É o Senegal a reagir: é que a Guiné Bissau também tem petróleo a Norte e não apenas a Sul. Todo o Mundo anda atrás do petróleo e aquele já deve estar contabilizado.
sexta-feira, agosto 05, 2005
FANTASMAS
Hoje a notícia fora dos incêndios é Figo. Sai de Madrid para Milão. O Pombal está a arder. Mais de metade do país, também. O ano passado por esta altura, mais coisa menos coisa, ardiam as matas. A oposição, que hoje é governo, criticava asperamente o governo. Hoje terá sido o primeiro dia dos piores anos. O primeiro ministro está de férias. Ninguém do governo se pronunciou, nem que fosse para lastimar as vítimas. Eu sei, vamos ter que nos habituar.
Tenho andado a espreitar as primeira páginas do DN ao longo dos anos.
Não é a História que me motiva, é o jornalismo. Acho que já dei conta da mórbida curiosidade
sobre o Jornal no 28 de Maio.
È óbvio que a 28 nada haveria para contar. Do ponto de vista profissional, a curiosidade centrava-se no jornal de 29. Ora, a 29 o jornal não disse quase nada e teve muito, muito cuidado.
De facto o matutino não dava ideia de saber o que se estava a passar. No dia seguinte, já era 1927, Fevereiro: havia uma revolta militar no Porto. Finalmente, deu para entender...
De incêndios não se falava. Mas havia uma revolta e a revolta militar era o incêndio dos nossos dias. Havia para todos os gostos e conforme os dias da semana. No dia 29, já referi, falou-se do 28 de Maio, mas sem ser 28 de Maio. Eis como titulava o jornal: A odem pública alterada. mas em Lisboa e no Porto o sossêgo é absoluto. Fotos tipo passe mostraram o general Gomes da Costa, exibido como o chefe revolucionário do Norte, enquanto Mendes Cabeçadas era tido como tendo sido preso em Santarém. Uma nota oficiosa confirmava que «há sossego em todo o país. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada»...Dizia-se ainda que tinham sido organizadas duas colunas para seguirem para Braga a fim de dominar os revoltosos. Outro comunicado, do conselho de ministros, garantia que «apreciando a situação verificou que dispõe de todos os elementos para manter a ordem»...
Menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, deparava-se com algumas diferenças. Dava-se notícia de um levantamento revolucionário no Porto, mas o ministro da Guerra já tinha partido para Aveiro, onde estavam a ser concentradas tropas fieis para marchar contra os revoltosos no Porto. Mesmo assim, havia repercuções em Lisboa, onde o general Domingues, do Governo Militar de Lisboa fazia saber que ficavam proíbidos os ajuntamentos de cidadãos, usando-se de todo a violência contra os que resistirem...
Durante os 48 anos que se seguiram a medida não foi, suspensa, nem alterada, salvo para manifestações expontâneas de apoio e veneração do Presidente do Conselho, que devia estar a chegar ao topo da carreira...
Mas mais interessante e a dar o mote para o rumo que o país encetava, nessa sexta-feira, bem ao alto da primeira página, a duas colunas, à direita, a entrevista com Mussulini. onde se salientava que « o fascismo é um produto do Século» e sublinhava que «a democracia é indiscutivelmente a meta para que (para a qual) a humanidade caminha»...
A entrevista com o Duce não enganou: a guerra estava no horizonte, dele e de outyros líderes, que não falavam dela. Ele sim, e disse a propósito: «Não há nada de sinistro nos preparativos para a guerra. Pelo contrário, são mais para temer certas frases mansas que abordam o tema do pacifismo»...
Comecei a sentir-me frustrado, mesmo desmoralizado, nada de futebol na primeira página. Afinal que país era o meu. O futebol não tinha culpa os jornais é que não prestavam. Mas amanhã, que já deve ser 1928, é ano Olímpico e Portugal teve uma equipa de futebol nos Jogos e até botou fugura. Ganhou uns dois jogos e acabou eliminada aí pelo Egipto ou coisa assim..
O que é que acham?
Tenho andado a espreitar as primeira páginas do DN ao longo dos anos.
Não é a História que me motiva, é o jornalismo. Acho que já dei conta da mórbida curiosidade
sobre o Jornal no 28 de Maio.
È óbvio que a 28 nada haveria para contar. Do ponto de vista profissional, a curiosidade centrava-se no jornal de 29. Ora, a 29 o jornal não disse quase nada e teve muito, muito cuidado.
De facto o matutino não dava ideia de saber o que se estava a passar. No dia seguinte, já era 1927, Fevereiro: havia uma revolta militar no Porto. Finalmente, deu para entender...
De incêndios não se falava. Mas havia uma revolta e a revolta militar era o incêndio dos nossos dias. Havia para todos os gostos e conforme os dias da semana. No dia 29, já referi, falou-se do 28 de Maio, mas sem ser 28 de Maio. Eis como titulava o jornal: A odem pública alterada. mas em Lisboa e no Porto o sossêgo é absoluto. Fotos tipo passe mostraram o general Gomes da Costa, exibido como o chefe revolucionário do Norte, enquanto Mendes Cabeçadas era tido como tendo sido preso em Santarém. Uma nota oficiosa confirmava que «há sossego em todo o país. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada»...Dizia-se ainda que tinham sido organizadas duas colunas para seguirem para Braga a fim de dominar os revoltosos. Outro comunicado, do conselho de ministros, garantia que «apreciando a situação verificou que dispõe de todos os elementos para manter a ordem»...
Menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, deparava-se com algumas diferenças. Dava-se notícia de um levantamento revolucionário no Porto, mas o ministro da Guerra já tinha partido para Aveiro, onde estavam a ser concentradas tropas fieis para marchar contra os revoltosos no Porto. Mesmo assim, havia repercuções em Lisboa, onde o general Domingues, do Governo Militar de Lisboa fazia saber que ficavam proíbidos os ajuntamentos de cidadãos, usando-se de todo a violência contra os que resistirem...
Durante os 48 anos que se seguiram a medida não foi, suspensa, nem alterada, salvo para manifestações expontâneas de apoio e veneração do Presidente do Conselho, que devia estar a chegar ao topo da carreira...
Mas mais interessante e a dar o mote para o rumo que o país encetava, nessa sexta-feira, bem ao alto da primeira página, a duas colunas, à direita, a entrevista com Mussulini. onde se salientava que « o fascismo é um produto do Século» e sublinhava que «a democracia é indiscutivelmente a meta para que (para a qual) a humanidade caminha»...
A entrevista com o Duce não enganou: a guerra estava no horizonte, dele e de outyros líderes, que não falavam dela. Ele sim, e disse a propósito: «Não há nada de sinistro nos preparativos para a guerra. Pelo contrário, são mais para temer certas frases mansas que abordam o tema do pacifismo»...
Comecei a sentir-me frustrado, mesmo desmoralizado, nada de futebol na primeira página. Afinal que país era o meu. O futebol não tinha culpa os jornais é que não prestavam. Mas amanhã, que já deve ser 1928, é ano Olímpico e Portugal teve uma equipa de futebol nos Jogos e até botou fugura. Ganhou uns dois jogos e acabou eliminada aí pelo Egipto ou coisa assim..
O que é que acham?
quinta-feira, agosto 04, 2005
NOTÍCIAS DE VERÃO
Ainda sem linha, o TGV já derrapa. Pôs um ministro financeiro a andar e despediu o manda chuva da CGD. Com a OTA vai ter de mandar o benfeitor da TAP à vida ou, para disfarçar, despede o Rio e o Major da Metro do Porto. Anda tudo espantado com este governo dito socialista, sem razão. A confusão é confusa porque os jornalistas em vez de se deitarem a adivinhar deviam perguntar o como é ao dr. Vitorino, para ele aplicar com clareza europeia o seu «habituem-se!», cada vez mais objectivo. E não é que vão mesmo ter de se «habituar» a tanta coisa, tanta!
Quatro meses chega para merecer férias, não tanto por fazer tanto calor, mas por tudo à volta estar muito, muito quente! E o primeiro-ministro abalou e a produtividade foi as urtigas, logo a produtividade que faz um mal do caraças às pobres urtigas. Deixou por cá António Costa que para gerir a crise política nem deu pelos atropelos à Justiça.
Sem eco possível, Freitas do Amaral, esse, não voltou a falar de eleições, nem de Negócios Estrangeiros, tem-se limitado a ficar calado e, possivelmente pasmado. E como é por demais sabido que ele é o senhor que se segue, no que toca a zarpar do governo, os outros têm de esperar vez, de forma a que o analista Marcelo tenha razão e justifique o cachet.
Seguindo o exemplo do Benfica, que quer mudar o nome do estádio, para cobrar 40 milhões, o PS vai mudar o nome do Palácio de Belém. Deixa de ser palácio e passa a Asilo. Mantém-se o Belém. Não me perguntem. Não sei porque será...
Sempre desconfiado, Cavaco foi, pela manhã, saber de Sampaio quem é que quer, afinal, emparedar um ancião no asilo belenense? Deve ter saído sem resposta. Depois, à tarde, e à tarde porque, como dizia uma vizinha, bem alinhavada, mais vale à tarde que nunca, Mário Soares preparou-se para ir ouvir o Presidente, pelo caminho atropelou um poeta, malhas que o império tece.
O que ouviu ninguém sabe, ninguém viu, como dizia a cantiga. À saída disse que não falava. E disse que não falava como quem dissesse tudo. Era só querer perceber... que em Outubro, se lá chegar, vai ser uma festa!
Outra cantiga reza que Outubro não tem rival e é preciso que se diga que o Abril em Portugal não é mais que uma cantiga, o que não deixa curioso, para ouvir em período eleitoral! A letra da cantiga é posterior ao outro Abril, não tinha carga, não era contestatária, mas dá jeito, para brincar com coisas sérias...
Quatro meses chega para merecer férias, não tanto por fazer tanto calor, mas por tudo à volta estar muito, muito quente! E o primeiro-ministro abalou e a produtividade foi as urtigas, logo a produtividade que faz um mal do caraças às pobres urtigas. Deixou por cá António Costa que para gerir a crise política nem deu pelos atropelos à Justiça.
Sem eco possível, Freitas do Amaral, esse, não voltou a falar de eleições, nem de Negócios Estrangeiros, tem-se limitado a ficar calado e, possivelmente pasmado. E como é por demais sabido que ele é o senhor que se segue, no que toca a zarpar do governo, os outros têm de esperar vez, de forma a que o analista Marcelo tenha razão e justifique o cachet.
Seguindo o exemplo do Benfica, que quer mudar o nome do estádio, para cobrar 40 milhões, o PS vai mudar o nome do Palácio de Belém. Deixa de ser palácio e passa a Asilo. Mantém-se o Belém. Não me perguntem. Não sei porque será...
Sempre desconfiado, Cavaco foi, pela manhã, saber de Sampaio quem é que quer, afinal, emparedar um ancião no asilo belenense? Deve ter saído sem resposta. Depois, à tarde, e à tarde porque, como dizia uma vizinha, bem alinhavada, mais vale à tarde que nunca, Mário Soares preparou-se para ir ouvir o Presidente, pelo caminho atropelou um poeta, malhas que o império tece.
O que ouviu ninguém sabe, ninguém viu, como dizia a cantiga. À saída disse que não falava. E disse que não falava como quem dissesse tudo. Era só querer perceber... que em Outubro, se lá chegar, vai ser uma festa!
Outra cantiga reza que Outubro não tem rival e é preciso que se diga que o Abril em Portugal não é mais que uma cantiga, o que não deixa curioso, para ouvir em período eleitoral! A letra da cantiga é posterior ao outro Abril, não tinha carga, não era contestatária, mas dá jeito, para brincar com coisas sérias...
segunda-feira, agosto 01, 2005
FALIR POR FALIR
Por se escrever o que se escreve ou por não ser o que se deve ou por outra montanha de razões um jornal pode acabar. Um poeta disse que «O Século» não podia acabar. Os poetas são como os
aprendizes de presidências, não sabem nada de jornais. «A Capital» fechou. «O comércio do Porto» encerrou a porta. Foi morte anunciada. E não foi por causa de ou por causa do. Tão natural como a sede do anúncio. Os jornais, tal como se liam no passado, já não sobrevivem, entre nós. Os jornais, hoje em dia, não se dão ao respeito e, por isso, ninguém os respeita.
Hoje comprei o DN, para ler a notícia da morte de Guerra Junqueiro. Por acaso o diário não trazia o resultado do Guimarães-Benfica, nem do Sporting-Setubal, jogados à hora de fecho da edição, que é quando as galinhas se deitam.
Dantes, mesmo que as galinhas teimassem no sono precoce, a Censura fechava às três da manhã, e só depois as últimas páginas, entre as quais a primeira, desciam às oficinas. Dantes...
Hoje, não. Hoje os jornais têm de sair cedo das rotativas, porque a distribuidora quer os jornais cedo e tanto lhe faz que sejam de hoje como de ontem.
Talvez valha a pena situar este «ontem» no antes de haver televisão. Antes disso havia em Lisboa o «DN», «O Século» e o «Diário da Manha» (pelo menos nós chamavamos lhe assim) orgão oficioso oficial do governo de então, que ao contrário de outros que não interessa agora referir, mandava que se fartava. Havia mais uns jornalitos dispersos, sem impacte e de importância relativa. E havia, claro os vespertinos, a saber: «Diário Popular», «Diário de Lisboa»
e o «República», todos perfeitamente implantados, embora um deles tivesse que ser lido quase às escondidas. «A Capital» viria depois, já com a Televisão, mas sem força informativa, mas já a
interferir nos hábitos e costumes, como se vai ver.
E houve outro jornal que irrompeu a meio do dia, digamos assim. Saía à hora do almoço um tanto para evitar confrontos. Não teve grande sucesso, apesar do tom populista. Cada jornal diário dispunha de oficinas e distruição próprias. A excepção eram os jornais desportivos. «A Bola» se bem me lembro imprimia no «Século», o «Mundo Desportivo» era, penso eu, propriedade do «DN», e o «Record», posterior aos outros, nem faço ideia onde. Os desportivos vendiam~se tão bem que nem precisavam de pub.
Havia mercado. E foi havendo até a Televisão se intrometer no dia a dia dos cidadãos. A vida alterava-se. Primeiro foram os cafés, que viraram bancos; depois os cinemas a ficar às moscas e,
finalmente os jornais a perder pedalada. Os semanários em formato de jornal também foram perdendo mercado. As tiragens baixaram até não haver margem de sobrevivência. Restam uns quantos, como o «Expresso», que vendeu a alma ao diabo e enche páginas de perfídia e de especulação especulativa e sem réstea de vergonha, amparado pelo tráfico de influências, que controla o grosso da pub.
E os diários desaparecem não por serem bons ou maus, mas porque não interessam ou não são
de fiar. O capital da «Capital não era ser vespertino ou matutino; ele saltou da tarde para de manhã para tentar sobreviver. Em Lisboa e no resto do país nenhum jornal da tarde sobreviveu. O hábito de ler no comboio ou no barco e outros transportes domésticos perdeu-se um pouco, por falta de condições e excesso de confusão e já não há cafés, como havia, nem gente para os encher, a facilitar e convidar a ler pasquins ao fim da tarde, nem tertúlias.
Hoje para sobreviver, um jornal necessita de algumas especificidade, que desperte interesse ou curiosidade.
Os próximos jornais a ir a baixo vão ser, decerto, os desportivos, se entretanto não arrepiarem caminho. A intriga e compadrios começa por vender, mas acaba sempre por gerar descrédito. O major e o sr. Pinto não quiseram nem precisaram de provar inocência, de inocentes que são. A Federação Portuguesa da bola esteve e está-se nas tintas e a Liga ainda menos ou mais pior. Cada vez há menos gente a ir à bola e demasiada bola pela televisão já chateia. Nisto, como nos demais assuntos, é o jornal que acaba por pagar a crise.
De momento, andar nas vidas é o que está a dar e estimula jornalecos e revistas ditas cor de rosa. A virtude já foi, não vende, não rende. Agachem-se criaturas, agachem-se, se querem vender papel...
aprendizes de presidências, não sabem nada de jornais. «A Capital» fechou. «O comércio do Porto» encerrou a porta. Foi morte anunciada. E não foi por causa de ou por causa do. Tão natural como a sede do anúncio. Os jornais, tal como se liam no passado, já não sobrevivem, entre nós. Os jornais, hoje em dia, não se dão ao respeito e, por isso, ninguém os respeita.
Hoje comprei o DN, para ler a notícia da morte de Guerra Junqueiro. Por acaso o diário não trazia o resultado do Guimarães-Benfica, nem do Sporting-Setubal, jogados à hora de fecho da edição, que é quando as galinhas se deitam.
Dantes, mesmo que as galinhas teimassem no sono precoce, a Censura fechava às três da manhã, e só depois as últimas páginas, entre as quais a primeira, desciam às oficinas. Dantes...
Hoje, não. Hoje os jornais têm de sair cedo das rotativas, porque a distribuidora quer os jornais cedo e tanto lhe faz que sejam de hoje como de ontem.
Talvez valha a pena situar este «ontem» no antes de haver televisão. Antes disso havia em Lisboa o «DN», «O Século» e o «Diário da Manha» (pelo menos nós chamavamos lhe assim) orgão oficioso oficial do governo de então, que ao contrário de outros que não interessa agora referir, mandava que se fartava. Havia mais uns jornalitos dispersos, sem impacte e de importância relativa. E havia, claro os vespertinos, a saber: «Diário Popular», «Diário de Lisboa»
e o «República», todos perfeitamente implantados, embora um deles tivesse que ser lido quase às escondidas. «A Capital» viria depois, já com a Televisão, mas sem força informativa, mas já a
interferir nos hábitos e costumes, como se vai ver.
E houve outro jornal que irrompeu a meio do dia, digamos assim. Saía à hora do almoço um tanto para evitar confrontos. Não teve grande sucesso, apesar do tom populista. Cada jornal diário dispunha de oficinas e distruição próprias. A excepção eram os jornais desportivos. «A Bola» se bem me lembro imprimia no «Século», o «Mundo Desportivo» era, penso eu, propriedade do «DN», e o «Record», posterior aos outros, nem faço ideia onde. Os desportivos vendiam~se tão bem que nem precisavam de pub.
Havia mercado. E foi havendo até a Televisão se intrometer no dia a dia dos cidadãos. A vida alterava-se. Primeiro foram os cafés, que viraram bancos; depois os cinemas a ficar às moscas e,
finalmente os jornais a perder pedalada. Os semanários em formato de jornal também foram perdendo mercado. As tiragens baixaram até não haver margem de sobrevivência. Restam uns quantos, como o «Expresso», que vendeu a alma ao diabo e enche páginas de perfídia e de especulação especulativa e sem réstea de vergonha, amparado pelo tráfico de influências, que controla o grosso da pub.
E os diários desaparecem não por serem bons ou maus, mas porque não interessam ou não são
de fiar. O capital da «Capital não era ser vespertino ou matutino; ele saltou da tarde para de manhã para tentar sobreviver. Em Lisboa e no resto do país nenhum jornal da tarde sobreviveu. O hábito de ler no comboio ou no barco e outros transportes domésticos perdeu-se um pouco, por falta de condições e excesso de confusão e já não há cafés, como havia, nem gente para os encher, a facilitar e convidar a ler pasquins ao fim da tarde, nem tertúlias.
Hoje para sobreviver, um jornal necessita de algumas especificidade, que desperte interesse ou curiosidade.
Os próximos jornais a ir a baixo vão ser, decerto, os desportivos, se entretanto não arrepiarem caminho. A intriga e compadrios começa por vender, mas acaba sempre por gerar descrédito. O major e o sr. Pinto não quiseram nem precisaram de provar inocência, de inocentes que são. A Federação Portuguesa da bola esteve e está-se nas tintas e a Liga ainda menos ou mais pior. Cada vez há menos gente a ir à bola e demasiada bola pela televisão já chateia. Nisto, como nos demais assuntos, é o jornal que acaba por pagar a crise.
De momento, andar nas vidas é o que está a dar e estimula jornalecos e revistas ditas cor de rosa. A virtude já foi, não vende, não rende. Agachem-se criaturas, agachem-se, se querem vender papel...
domingo, julho 31, 2005
Outro fim anunciado
A Guiné Bissau encontrou, de acordo com as chamadas regras da democracia, um novo presidente. Um novo/velho presidente. Um novo/incompetente presidente. De facto, Nino Vieira só teve jeito para as armas e para as mulheres - louve-se porque muitos homens houve ao cimo da terra que nem para uma nem para a outra coisa tiveram jeito. E, mesmo com Nino, relativamente às mulheres, a gente só sabia que ele tinha muitas e as abandonava , com filhos e tudo por outras, a quem mandava comprar vestidos a Lisboa, a Paris e coisas assim.
Pois bem, Nino Vieira voltou à presidência da República da Guiné Bissau. E o que é que Nino vai fazer desta vez?
Eu sei: vai negociar com Conackry.
Quem perdeu as eleições de Bissau foi o Senegal.
Aqui pode começar o fim da actual geografia política africana.
Porquê?
Basta estudar e a resposta é clara. Houve já quem escrevesse este fim há mais de vinte anos.
O FIM
" A Capital" anunciou ontem, o fim de " A Capital". Se não fosse trágico pareceria patético. O Appio Sottomayor, um nome cheio de bigodes, conta a estória do jornal e passa ao de leve sobre as manobras do seu amigo Pinto Balsemão - responsável, afinal pelo fim deste jornal, um fim várias vezes anunciado e só agora concretizado.
Concretizado por falta de visão. É muito simpático ser português, mas às vezes é desesperante. Porquê tanta asneira?
" A Capital" ficou sózinha num mercado espantoso- o da imprensa vespertina. E, em vez de aproveitar esse facto, antecipando-se aos jornais matuttinos, fez todos os esforços par se incorporar no grande grupo dos jornais da manhã
Nem quando a mão de obra ficou barata - graças ao cavaquismo que permitiu a aberura de cursos de jornalismo em tudo quanto era universidade - a gente de " A Capital" percebeu que, trabalhando de madrugada poderia sair ao fimda tarde com um jornal que anteciparia, do ponto de vista noticioso todos os matutinos da manhã seguinte.
Não. o Pinto Balsemão, a quem apenas interessou o património do Bairro Alto ( no mesmo dia em que venceu o prazo determinado no contrato de venda do título passou para o seu nome o prédio do Bairro Alto) ; o Sarabando (lacaio do Balsemão), a Helena Sanches Osório ( com uma mão livre imcompreensível), O Matos não sei quê, os espanhóis de Badajoz, o Luís Osório, todos eles só pensaram em fazer um jornal igual a todos os outros . Ninguém pensou, nenhum deles percebeu que era na diferença que estava a vantagem.
Seja como for. Este jornal morreu. Como diz o Appio pode ser que não haja duas sem três, mas está morto. E, nesta morte, pessoalmente, presto homenagem ao homem - que não conheço e não quero conhecer - que deu o nome para o fim : Paulo Narigão Reis, director interino.
Que é feito do Luís Osório, tão impante, tão cheio de si? Fugiu? acho que sim.
BRINCAR COM A MORTE
Deve evitar-se porque geralmente é fatal. Um cidadão português, residente em Londres, denunciou à polícia
londrina a identidade e morada de um dos suspeitos de envolvimento num atentado terrorista e contribuiu para a sua detenção pelas autoridades. Não se tratou de denunciar um suspeito de pilhar galináceos ou riscar carros mal estacionados. Mas identificar alguém como presumível terrorista.
Por isso me surpreendi ao ver o referido português exibido no telejornal da SIC (e não sei se em mais outros canais) como heroi de telenovela. Apetece denunciar este atentado a uma alta autoridade qualquer, para que a Justiça, seja isso o que for, acuse (e condene) os autores da façanha, que consistiu em expôr um cidadão identificado à ira impiedosa do terrorismo.
Oferecer um alvo a fanáticos deve constituir alguma forma de crime, pelo menos revela total falta de respeito pela vida humana.
É de crer que não tenha sido a Polícia a revelar a identidade do cidadão que colaborou com as autoridades, até pode ter acontecido que tenha sido o pateta a dar a cara, mas é óbvio que as imagens não deviam ter sido projectadas.
Há regras e princípios de bom senso. Os cinco suspeitos detidos não serão decerto os únicos, nem os últimos fanáticos. A própria Polícia deveria ter advertido o cidadão zeloso a guardar alguma prudente reserva. Até aqui os atentados terroristas não têm tido alvos humanos definidos, não convirá muito arranjar pretextos para acções selectivas.
O jornalismo cada vez mais precisa de ser responsável. O jornalista que se recusa a revelar as fontes, por princípio, não deve andar por aí a revelar as dos outros, colocando pessoas em risco de vida, ou de morte. Até porque se uma história destas dá para o azar, pode muito bem cair um processo sobre o orgão de comunicação social e pior do isso pôr-se em causa a liberdade de informar...
londrina a identidade e morada de um dos suspeitos de envolvimento num atentado terrorista e contribuiu para a sua detenção pelas autoridades. Não se tratou de denunciar um suspeito de pilhar galináceos ou riscar carros mal estacionados. Mas identificar alguém como presumível terrorista.
Por isso me surpreendi ao ver o referido português exibido no telejornal da SIC (e não sei se em mais outros canais) como heroi de telenovela. Apetece denunciar este atentado a uma alta autoridade qualquer, para que a Justiça, seja isso o que for, acuse (e condene) os autores da façanha, que consistiu em expôr um cidadão identificado à ira impiedosa do terrorismo.
Oferecer um alvo a fanáticos deve constituir alguma forma de crime, pelo menos revela total falta de respeito pela vida humana.
É de crer que não tenha sido a Polícia a revelar a identidade do cidadão que colaborou com as autoridades, até pode ter acontecido que tenha sido o pateta a dar a cara, mas é óbvio que as imagens não deviam ter sido projectadas.
Há regras e princípios de bom senso. Os cinco suspeitos detidos não serão decerto os únicos, nem os últimos fanáticos. A própria Polícia deveria ter advertido o cidadão zeloso a guardar alguma prudente reserva. Até aqui os atentados terroristas não têm tido alvos humanos definidos, não convirá muito arranjar pretextos para acções selectivas.
O jornalismo cada vez mais precisa de ser responsável. O jornalista que se recusa a revelar as fontes, por princípio, não deve andar por aí a revelar as dos outros, colocando pessoas em risco de vida, ou de morte. Até porque se uma história destas dá para o azar, pode muito bem cair um processo sobre o orgão de comunicação social e pior do isso pôr-se em causa a liberdade de informar...
sábado, julho 30, 2005
AMANHÃ JÁ FOI
O Cinema terá alguma culpa, mas as aventuras de passear no tempo tornaram-se vulgares. E nos romances históricos o passado parece passado, mas a folhear jornais, se for possível, é uma festa. Hoje entretive-me a a dobrar páginas de jornais dispersos e dei nos "assumptos do dia"com a visita do rei de Hespanha anunciada para hoje, mas no jornal diz que é quinta-feira, adiantada, não por ser ontem, mas por se referir a um 10 de Dezembro, mas de 1903. No jornal de hoje volto a ler sobre a visita real, mas o rei é outro e a Espanha já não leva agá. Retive, na visita de ontem, que Sua Magestade a rainha era bem elegante, mas o seu magestoso marido tinha direito a foto muito maior e Rei grafado com maiúscula, D. AffonsoXIII...
De súbito é sabado, 11 de Março, corria o ano de 1916. Em França os alemães não avançavam
uma polegada e chegaram em alguns casos a ser repelidos, mas um contra-torpedeiro e um torpedeiro ingleses foram afundados, tal como um navio francês de 4 mastros, igualmente afundado.
Acelero e, num instante é Outubro de 1921, mas é como se fosse Abril. O governo do sr. dr. António Granjo é derrubado por um movimento de tropas revolucionárias, que tomam conta da capital sem ter encontrado resistência.
O movimento insurreccional teve início no Quartel dos Marinheiros, sob comando de alguns oficiais de menor patente. A Junta Revolucionária faz logo saber que: "a situação dolorosa do país reclama do nosso patriotismo o dever, mais do que todos generoso e instante de impôr um GOVERNO DE SALVAÇÃO PÚBLICA"...
Quem assumiu em andamento o movimento libertador foi o sr. coronel Manuel Maria C. -deixem-me ler bem - Coelho, é isso, Coelho, sim senhor. Não se falou no jornal da mulher dele, nem de eventual herdeiro. O governo caiu e o sr. dr. António José de Almeida resignou o cargo de Presidente da República. Os chefes revolucionários procuravam demover S.Exa., desse propósito, quando eu me disse que já tinha visto o filme e desandei. Ainda tentei apanhar um
transporte para Maio de 26, mas ainda não havia. Só lá para terça-feira ou coisa assim é que deve haver lugar...
E regresso ao presente. O Comércio do Porto vai fechar e nem é por mór do Bulhão. "A Capital" também. Soares vai voltar e o PS já está a descer e Nino, esse, recupera. Mas que raio de presente é isto?
E dou-me conta que o passado se parece tanto com o presente porque, no presente, andamos todos a andar para trás...
De súbito é sabado, 11 de Março, corria o ano de 1916. Em França os alemães não avançavam
uma polegada e chegaram em alguns casos a ser repelidos, mas um contra-torpedeiro e um torpedeiro ingleses foram afundados, tal como um navio francês de 4 mastros, igualmente afundado.
Acelero e, num instante é Outubro de 1921, mas é como se fosse Abril. O governo do sr. dr. António Granjo é derrubado por um movimento de tropas revolucionárias, que tomam conta da capital sem ter encontrado resistência.
O movimento insurreccional teve início no Quartel dos Marinheiros, sob comando de alguns oficiais de menor patente. A Junta Revolucionária faz logo saber que: "a situação dolorosa do país reclama do nosso patriotismo o dever, mais do que todos generoso e instante de impôr um GOVERNO DE SALVAÇÃO PÚBLICA"...
Quem assumiu em andamento o movimento libertador foi o sr. coronel Manuel Maria C. -deixem-me ler bem - Coelho, é isso, Coelho, sim senhor. Não se falou no jornal da mulher dele, nem de eventual herdeiro. O governo caiu e o sr. dr. António José de Almeida resignou o cargo de Presidente da República. Os chefes revolucionários procuravam demover S.Exa., desse propósito, quando eu me disse que já tinha visto o filme e desandei. Ainda tentei apanhar um
transporte para Maio de 26, mas ainda não havia. Só lá para terça-feira ou coisa assim é que deve haver lugar...
E regresso ao presente. O Comércio do Porto vai fechar e nem é por mór do Bulhão. "A Capital" também. Soares vai voltar e o PS já está a descer e Nino, esse, recupera. Mas que raio de presente é isto?
E dou-me conta que o passado se parece tanto com o presente porque, no presente, andamos todos a andar para trás...
sexta-feira, julho 29, 2005
O Meu Mundo
Deixei de ver televisão. De ler jornais. Ouço a antiga Luna e CD's, no carro ou na aparelhagem em casa. Tenho na cabeça o horário das crónicas do Fernando Alves. Se estou acordado, ouço. Se não, procuro, depois, na NET, pedindo a Deus que aquela geringonça funcione. Deve trabalhar com pouca gente e a recibos verdes, à moda da Lusomundo, isto é da PT.
Apesar de tudo não posso deixar de me arrepiar com as notícias que pressinto sobre os incêndios, ano após ano. Faz lembrar uma das sete pragas do Egipto a desabar sobre as nossas cabeças. Uma praga noticiada com foros de bravura, heroísmo e outras coisas semelhantes.
Os jornais vendem com fotografias espectaculares de incêncios, as televisões não podem gastar dinheiro noutro tipo de investigação e as rádios aproveitam os correspondentes locais, pagos a títulos de refeição para umas tiradas mais ou menos dramáticas sobre as chamas que " quase atingiram a habitação de uma pobre senhora velha e tetraplégica".
A merda dos jornalistas que hoje temos ainda não percebeu que por cada incêncio combatido por não seis quantos homens e viaturas, mais uns tantos helicópteros pesados e aviões canadairs, custam um pipão de massa e dão origem a um negócio.
Sabem qual é um dos negócios mais rentáveis da Lusomundo? é o da venda de pipocas. São não sei quantas toneladas de milho vendidas por ano, mais umas quantas de açucar.
Os jornalistas que a merda deste país hoje tem ainda não conseguiram investigar o reoordenamento da propriedade, que passou do minifúndio para o latifúndio na zonas ardidas até há dez anos.
Os homens dos microfones, da caneta e das câmaras ainda não conseguiram explicar por que razão nessas zonas impera o eucalipto e lá não há incêncios. Não conseguiram, sequer, explicar as razões por que esses eucaliptais estão limpos elivresde incêncios, com vigiância aturada.
Um dia destes, não se esqueçam de vir escrever, gritar e filmar que " o que é bom para o país é o eucalipto".
Já agora, juntem-se aos militantes das várias organizações ambientalistas e que, de uma maneira geral, são pagos a peso razoável, como consultores das empresas detentoras da nova propriedade florestal de Portugal.
Peço desculpa! Esqueci-me que tinha abandonado este estilo! Mas, um homem não é de ferro! E o Meu Mundo parece querer cair-me em cima da cabeça
URBANO
É um saloio citadino. No antigamente quase todos nós tinhamos rótulos. Quando ainda não havia máquinas de lavar roupa em profusão havia as lavadeiras de Caneças, que lavavam a roupinha no rio e a botavam a corar ao Sol. A Beatriz Costa é que sabia contar isso bem. Sou do tempo em que muito boa gente ia a balneários lavar-se, as casas de banho eram como os Mercedes Benz, só para alguns, os outros andavam de balneário.
E, ontem, creio eu, ouvi uma ministra falar de medidas, pelo menos disse coisas desmedidas, tais como pode pagar-se o carregamento do passe nos colectivos, no Multibanco ou coisa do género. Veem? Não há como ser urbano. Nenhum dos rapazes repórteres se lembrou de aproveitar para perguntar à senhora por que carga de água um sujeito (ou sujeita) tem de pagar tanta massa pelo dito passe - e não estou a falar da mensalidade, estou a referir o preço da Lisboa-viva. Essa malta dos jornais, que perde tanto tempo a falar de direitos adquiridos e por adquirir, quando quer servir-se do «metro» ou de machimbombos sujeita-se a tudo, para poupar algum. Mas o cartãozinho é caro e tem validade curta. Não faz mal, depois compra outro. Mas não é só ter direito a pagar adiantado um serviço que muito deixa a desejar. É que para obter o cartãozinho,
tem de preencher um formulário, botar o nome, o nº do BI, a idade, a profissão, o telefone, a morada, a frequência de visitas que efectua à vizinha ou à irmã dela, esta parte parece que está a mais...
Mas que direito, senhora ministra e senhores ministros e senhores juizes prestes a ir de férias, mas que direito, ia dizendo, têm as transportadoras de ter acesso, com caracter obrigatório, aos dados pessoais de cada um de nós? A que propósito lhes é facultado, de borla, o que se chama uma base de dados e qual a finalidade? Como é que o governo (os governos presentes e próximos passados) autorizam essa devassa e que uso fazem dela?
Nada disto é explicado. Nada disto é justificado. Apesar disto ser abusivo, ilegal e possivelmete criminoso.
Como o governo (os governos) é distraído posso lembrar que nada disto é prática corrente nos países civilizados, perdão, queria dizer europeus e similares, à excepção deste pedaço, a Oeste da Europa e juntinho ao oceano.E para não ir mais longe, não é assim em Madrid; não é assim em Paris e nem sei onde é que possa ser.
E ocorre-me uma velha estória, do tempo das lavadeiras de Caneças e das saloias da Malveira.
- Onde é que o senhor mora?
- Moro com o meu irmão...
- Bom! E onde é que mora o seu irmão?
- Mora comigo...
- Gaita!!! Onde é que vocês moram, os dois!?
- Moramos juntos...
Num tribunal, os manos até podiam ser absolvidos. Em Lisboa não terão direito ao Lisboa-viva...
E, ontem, creio eu, ouvi uma ministra falar de medidas, pelo menos disse coisas desmedidas, tais como pode pagar-se o carregamento do passe nos colectivos, no Multibanco ou coisa do género. Veem? Não há como ser urbano. Nenhum dos rapazes repórteres se lembrou de aproveitar para perguntar à senhora por que carga de água um sujeito (ou sujeita) tem de pagar tanta massa pelo dito passe - e não estou a falar da mensalidade, estou a referir o preço da Lisboa-viva. Essa malta dos jornais, que perde tanto tempo a falar de direitos adquiridos e por adquirir, quando quer servir-se do «metro» ou de machimbombos sujeita-se a tudo, para poupar algum. Mas o cartãozinho é caro e tem validade curta. Não faz mal, depois compra outro. Mas não é só ter direito a pagar adiantado um serviço que muito deixa a desejar. É que para obter o cartãozinho,
tem de preencher um formulário, botar o nome, o nº do BI, a idade, a profissão, o telefone, a morada, a frequência de visitas que efectua à vizinha ou à irmã dela, esta parte parece que está a mais...
Mas que direito, senhora ministra e senhores ministros e senhores juizes prestes a ir de férias, mas que direito, ia dizendo, têm as transportadoras de ter acesso, com caracter obrigatório, aos dados pessoais de cada um de nós? A que propósito lhes é facultado, de borla, o que se chama uma base de dados e qual a finalidade? Como é que o governo (os governos presentes e próximos passados) autorizam essa devassa e que uso fazem dela?
Nada disto é explicado. Nada disto é justificado. Apesar disto ser abusivo, ilegal e possivelmete criminoso.
Como o governo (os governos) é distraído posso lembrar que nada disto é prática corrente nos países civilizados, perdão, queria dizer europeus e similares, à excepção deste pedaço, a Oeste da Europa e juntinho ao oceano.E para não ir mais longe, não é assim em Madrid; não é assim em Paris e nem sei onde é que possa ser.
E ocorre-me uma velha estória, do tempo das lavadeiras de Caneças e das saloias da Malveira.
- Onde é que o senhor mora?
- Moro com o meu irmão...
- Bom! E onde é que mora o seu irmão?
- Mora comigo...
- Gaita!!! Onde é que vocês moram, os dois!?
- Moramos juntos...
Num tribunal, os manos até podiam ser absolvidos. Em Lisboa não terão direito ao Lisboa-viva...
quarta-feira, julho 27, 2005
As Mães
Todos os anos há um "Dia da Mãe". Transferiu-se do mês de Dezembro para o de Maio. Porquê? Porque o mês de Dezembro já era um tempo movimentado do ponto de vista comercial e Maio não tinha nada de importante. Depois do Carnaval e antes do Verão, não havia nada muito comercial. Juntou-se a importação do "Dia dos Namorados ", em Fevereiro, ao "Dia das Mães", acho que aí pelo fim de Maio.
Há os que já a não têm e não conseguem deixar de fazer de todos os dias "o dia da Mãe". Há os que tendo-a, se esquecem dela todos os dias , mesmo no tal "dia da Mãe".
E, finalmente há os que sem o perceber se transformam eles próprios no "Dia da Mãe". Estão ali, parados, escutando, receando as palavras, as estórias, as luas novas.
Hoje, que não é dia de coisa nenhuma, lembrei-me de um dia desses, um dia repetido em cada 24 horas, uma vida gasta, trocada com gosto, com amor, dedicação. Feliz e especial deveria ser a Mãe com um dia assim! Se o soubesse...concerteza o seria.
ALCATRUZES
Na fonte luminosa o idealismo de Mário Soares revelou o democrata que não aceitava ver substituida a deposta ditadura salazarenga por outra ditadura de esquerda.
Como primeiro ministro saído da Alameda, Soares meteu o idealismo na gaveta e empreendeu
uma longa e complicada carreira política, aos zigue-zagues, uma vezes mais à esquerda, outras mais à direita - e direita, nesse tempo, chamava-se centro, como muito bem explicaria Salgado Zenha.
É conveniente lembrar que os governos de Soares nunca foram um modelo de coerência, nem beneficiaram de maiorias estáveis. E do mesmo modo deve ser lembrado que o PS, de Mário Soares, perdeu duas eleições legislativas para Sá Carneiro, da AD. Como diria o meu vizinho, se fizesse comentários na televisão, o idealista lunático ganhou, o pragmático, perdeu.
Mas Mário Soares não era e não foi de desistir. E voltou a ganhar ao PSD, orfão de Sá Carneiro, e aceitou a tese de Eanes e foi liderar o Bloco Central, de má memória.
Com Eanes a travar politicamente os sonhos de Soares, o PS achou por bem avançar com Almeida Santos para as eleições seguintes. O PSD iria estrear Cavaco Silva e o próprio Eanes
aparecia mascarado de PRD.
O primeiro efeito da campanha foi a surpresa de um não de Direito. Até aí ou se era advogado ou militar. Cavaco era praticamente o primeiro político a não falar da Lei nem do Dever, mas sim da finanças e economia, sem baralhar as somas ou as subtrações!
Isso teve efeito e sentiu-se no Rato. Soares avançou e deu a cara, mas era manifestamente tarde. Cavaco começava a liderar um governo, apoiado em cerca de 30% dos deputados, no Parlamento. Uma boa (?) parte do PS encostava-se a Eanes contra Soares e isto ele não esqueceu nem perdoou nunca. Meteu-se à estrada e arrancou para as presidenciais com todo o ânimo, derrotando Freitas do Amaral, mas também deixou pelo caminho os «seus»Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.
Sentado em Belém, surgiu nitidamente de mangas arregaçadas. Ajudou Cavaco a ganhar novo acto eleitoral, com maioria absoluta, deitando o PRD, de Eanes, para o lixo. Depois foi a vez de outros notáveis do PS, entre os quais Victor Constâncio, pagarem com língua de palmo, mas sempre no melhor dos mundos com o governo de Cavaco Silva.
Este ia de vento em popa, tão à-vontade que foi alargando as rédeas aos ministros, até aí bem comportados e contidos nas exclamações. E no termo da legislatura, Soares era dono e senhor do PSD. Tão dono e senhor que Cavaco nem deixou o partido indicar candidato. O que estava em Belém servia perfeitamente. Soares queria fazer campanha e convenceu um «inocente» Basílio Horta a fingir de candidato.
Reeleito, Soares olhou para Cavaco Silva e deve ter murmurado: agora tu, meu menino.
E foi. Inferneziou o governo e em particular o primeiro- ministro, frequentemente à beira de um ataque de nervos. Demoliu a fachada social-democrata e Cavaco só percebeu isso quando se viu derrotado por Jorge Sampaio.
É notório que o octagenário dr. Mário Soares não satisfaz o pleno dos socialistas, mas que outro pode chegar a Belém? E que poderá o poeta fazer, que não seja parodiar Camões: (...) Tu, que afinal não partiste/Repousa por Belém todo contente/ E viva eu no Rato, sempre triste...
Como primeiro ministro saído da Alameda, Soares meteu o idealismo na gaveta e empreendeu
uma longa e complicada carreira política, aos zigue-zagues, uma vezes mais à esquerda, outras mais à direita - e direita, nesse tempo, chamava-se centro, como muito bem explicaria Salgado Zenha.
É conveniente lembrar que os governos de Soares nunca foram um modelo de coerência, nem beneficiaram de maiorias estáveis. E do mesmo modo deve ser lembrado que o PS, de Mário Soares, perdeu duas eleições legislativas para Sá Carneiro, da AD. Como diria o meu vizinho, se fizesse comentários na televisão, o idealista lunático ganhou, o pragmático, perdeu.
Mas Mário Soares não era e não foi de desistir. E voltou a ganhar ao PSD, orfão de Sá Carneiro, e aceitou a tese de Eanes e foi liderar o Bloco Central, de má memória.
Com Eanes a travar politicamente os sonhos de Soares, o PS achou por bem avançar com Almeida Santos para as eleições seguintes. O PSD iria estrear Cavaco Silva e o próprio Eanes
aparecia mascarado de PRD.
O primeiro efeito da campanha foi a surpresa de um não de Direito. Até aí ou se era advogado ou militar. Cavaco era praticamente o primeiro político a não falar da Lei nem do Dever, mas sim da finanças e economia, sem baralhar as somas ou as subtrações!
Isso teve efeito e sentiu-se no Rato. Soares avançou e deu a cara, mas era manifestamente tarde. Cavaco começava a liderar um governo, apoiado em cerca de 30% dos deputados, no Parlamento. Uma boa (?) parte do PS encostava-se a Eanes contra Soares e isto ele não esqueceu nem perdoou nunca. Meteu-se à estrada e arrancou para as presidenciais com todo o ânimo, derrotando Freitas do Amaral, mas também deixou pelo caminho os «seus»Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.
Sentado em Belém, surgiu nitidamente de mangas arregaçadas. Ajudou Cavaco a ganhar novo acto eleitoral, com maioria absoluta, deitando o PRD, de Eanes, para o lixo. Depois foi a vez de outros notáveis do PS, entre os quais Victor Constâncio, pagarem com língua de palmo, mas sempre no melhor dos mundos com o governo de Cavaco Silva.
Este ia de vento em popa, tão à-vontade que foi alargando as rédeas aos ministros, até aí bem comportados e contidos nas exclamações. E no termo da legislatura, Soares era dono e senhor do PSD. Tão dono e senhor que Cavaco nem deixou o partido indicar candidato. O que estava em Belém servia perfeitamente. Soares queria fazer campanha e convenceu um «inocente» Basílio Horta a fingir de candidato.
Reeleito, Soares olhou para Cavaco Silva e deve ter murmurado: agora tu, meu menino.
E foi. Inferneziou o governo e em particular o primeiro- ministro, frequentemente à beira de um ataque de nervos. Demoliu a fachada social-democrata e Cavaco só percebeu isso quando se viu derrotado por Jorge Sampaio.
É notório que o octagenário dr. Mário Soares não satisfaz o pleno dos socialistas, mas que outro pode chegar a Belém? E que poderá o poeta fazer, que não seja parodiar Camões: (...) Tu, que afinal não partiste/Repousa por Belém todo contente/ E viva eu no Rato, sempre triste...
terça-feira, julho 26, 2005
IDA E VOLTA
Não é o mesmo que ir e voltar, quer dizer, tem outro sentido. Tem tanto de OTA como de TGV.
Depois do governo tirar os projectos da cartola, não tardaram os que só viam batota. Depois veio a verdade, mas nem por estar calor ela veio despida, veio simplesmente mascarada. E claro, também fora de tempo. A doze anos de vista. Noutro tempo, por acaso de crise, o comércio
lutava apoiado na paciência de fornecedores. As letras iam-se distanciando e não tardou a ir-se para lá dos 90 dias, desdobráveis e reformáveis. Um dos vendedores conformados costumava dizer, após venda: «e letras a perder de vista!»
Na actual conjuntura é precipitado imaginar hoje um aeroporto ou um comboio de alta velocidade para daqui a dez/doze anos. Não se trata de ser um bom projecto ou mau. Antes de se avançar para projectos dessa dimensão temporal, há antes de mais de arrumar a loja. E arrumar a casa implica conhecer a rota da guerra suja. A tendência, a partir de amanhã, será a de amainar ou, pelo contrário, alastrar?
É certo que depois do atentado às torres gémeas, a aviação comercial apertou as malhas de segurança, mesmo assim, seguiu-se um período de recessão. O ataque recente a uma estância de veraneio no Egipto abre alguma expectativa na actividade turística. Sem turismo a aviação comercial perde pujança. Mesmo de TGV não se pode ir muito depressa para o México, ou no nosso caso, mais para os lados da Baía. E como já reconheceu muito boa gente o TGV só para ir ao Porto, não resolve nem acrescenta. Isto para não colocar em causa a própria segurança dos comboios de alta velocidade. E lembro, a propósito, a Espanha e a Expo de Sevilha. Estendeu-se a via férrea para o comboio veloz, mas os condicionalismo recomendaram alguma contensão e nada de altas correrias. Pelo menos uma tentativa de sabotagem foi abortada a tempo. Mas, e agora ao contrário, era outro tempo. Ainda Bush não bugia, Bin Laden estava placidamente e realojar a população do Afeganistão na Idade Média e o terrorismo em Espanha tinha uma componente caseira. Mesmo assim, optou-se pela prudência.
O País não pode parar, não deve parar, nem passar o tempo a olhar para o lado. Pode e até pode acreditar que deve, avançar com a OTA. Mas pode igualmente ser mais comedido. Imaginar na OTA uma componente do aeroporto de Lisboa, com boas pistas e instalações tipo leggo, pré-fabricadas, imitando o Marquês, que inventou o sistema para as janelas e portas do prédios da baixa pombalina. Qualquer coisa de limpinho, que poderá aumentar-se, alterar-se ou modificar-se com o andar da carruagem, deixando a Portela, aliviada e sem necessidade de mais dispêndios.
E, bem entendido, nada impede que paulatinamente não se vão estudando os futuros trajectos de vias férreas, designadamente uma ligação ferroviária à OTA, que se prolongue para lá dela, para quem chegue não tenha forçosamente de vir a Lisboa. Ele há coisas que se podem fazer ou ir fazendo. Parado não se resolve, mas andar com os pés assentes, olhando com atenção para os lados de onde soprar o vento.
Não faço ideia se será legítimo perder tempo a discutir o comboio veloz ou os aeroportos do futuro e do presente, enquanto se choram as vítimas do terrorismo, incluindo o brasileiro, afinal tão infeliz como os outros infelizes, mas já que citei o Marquês, acho que alguém (alguns) já devia ter dito como ele: «Enterrar os mortos e cuidar dos vivos».
Este ano, se for de férias, não irei além de Fornos de Algodres ou Freixo de Espada à Cinta, se entretanto a coragem não me faltar...
Depois do governo tirar os projectos da cartola, não tardaram os que só viam batota. Depois veio a verdade, mas nem por estar calor ela veio despida, veio simplesmente mascarada. E claro, também fora de tempo. A doze anos de vista. Noutro tempo, por acaso de crise, o comércio
lutava apoiado na paciência de fornecedores. As letras iam-se distanciando e não tardou a ir-se para lá dos 90 dias, desdobráveis e reformáveis. Um dos vendedores conformados costumava dizer, após venda: «e letras a perder de vista!»
Na actual conjuntura é precipitado imaginar hoje um aeroporto ou um comboio de alta velocidade para daqui a dez/doze anos. Não se trata de ser um bom projecto ou mau. Antes de se avançar para projectos dessa dimensão temporal, há antes de mais de arrumar a loja. E arrumar a casa implica conhecer a rota da guerra suja. A tendência, a partir de amanhã, será a de amainar ou, pelo contrário, alastrar?
É certo que depois do atentado às torres gémeas, a aviação comercial apertou as malhas de segurança, mesmo assim, seguiu-se um período de recessão. O ataque recente a uma estância de veraneio no Egipto abre alguma expectativa na actividade turística. Sem turismo a aviação comercial perde pujança. Mesmo de TGV não se pode ir muito depressa para o México, ou no nosso caso, mais para os lados da Baía. E como já reconheceu muito boa gente o TGV só para ir ao Porto, não resolve nem acrescenta. Isto para não colocar em causa a própria segurança dos comboios de alta velocidade. E lembro, a propósito, a Espanha e a Expo de Sevilha. Estendeu-se a via férrea para o comboio veloz, mas os condicionalismo recomendaram alguma contensão e nada de altas correrias. Pelo menos uma tentativa de sabotagem foi abortada a tempo. Mas, e agora ao contrário, era outro tempo. Ainda Bush não bugia, Bin Laden estava placidamente e realojar a população do Afeganistão na Idade Média e o terrorismo em Espanha tinha uma componente caseira. Mesmo assim, optou-se pela prudência.
O País não pode parar, não deve parar, nem passar o tempo a olhar para o lado. Pode e até pode acreditar que deve, avançar com a OTA. Mas pode igualmente ser mais comedido. Imaginar na OTA uma componente do aeroporto de Lisboa, com boas pistas e instalações tipo leggo, pré-fabricadas, imitando o Marquês, que inventou o sistema para as janelas e portas do prédios da baixa pombalina. Qualquer coisa de limpinho, que poderá aumentar-se, alterar-se ou modificar-se com o andar da carruagem, deixando a Portela, aliviada e sem necessidade de mais dispêndios.
E, bem entendido, nada impede que paulatinamente não se vão estudando os futuros trajectos de vias férreas, designadamente uma ligação ferroviária à OTA, que se prolongue para lá dela, para quem chegue não tenha forçosamente de vir a Lisboa. Ele há coisas que se podem fazer ou ir fazendo. Parado não se resolve, mas andar com os pés assentes, olhando com atenção para os lados de onde soprar o vento.
Não faço ideia se será legítimo perder tempo a discutir o comboio veloz ou os aeroportos do futuro e do presente, enquanto se choram as vítimas do terrorismo, incluindo o brasileiro, afinal tão infeliz como os outros infelizes, mas já que citei o Marquês, acho que alguém (alguns) já devia ter dito como ele: «Enterrar os mortos e cuidar dos vivos».
Este ano, se for de férias, não irei além de Fornos de Algodres ou Freixo de Espada à Cinta, se entretanto a coragem não me faltar...
Jamila
Tem três anos, não a conheço, mas, segundo a mãe adoptiva de há três meses é um espanto. Fala que se desenunha e gasta a palavra mãe, que nunca tinha pronunciado. Adivinho-lhe a felicidade e compartilho-a com ela e com a mãe. Que, por sua vez, se sente muito confortável no seu novo papel - uma resposta a um pedido feito em 1998. Há uma vida!
Que conta? Cai-lhe, agora, que quase já passou uma vida, outra vida para viver, a da Jamila, filha de pais guineenses e a quem se propõe integrar no Mundo com todas as suas valências.
Bem Vinda, Jamila!
Que conta? Cai-lhe, agora, que quase já passou uma vida, outra vida para viver, a da Jamila, filha de pais guineenses e a quem se propõe integrar no Mundo com todas as suas valências.
Bem Vinda, Jamila!
sexta-feira, julho 22, 2005
HOJE HÁ ÍNCÊNDIOS
Não é preciso muita memória para recordar o ano passado, por esta altura. Ou o anterior a esse. Ou os outros mais para trás. Todos os anos é assim quando o tempo aquece, os sinos tocam a rebate. Os fogos aparecem aqui e ali, mais além ou acolá. O inferno das chamas alastra. É a desolação e por vezes o luto.
À falta de melhor começou a servir, também, para contestação política, para suspeitar de interesses suspeitos, das madeiras queimadas aos aviões de combate às chamas. Cada governo novo trazia mais meia dúzia de bombeiros, seis postos de vigilância e uma grande fé em novos aviões. Algumas cabeças tiveram de rolar, outras foram e vieram. E tudo continou como dantes.
Nenhum governo assume ou assumiu a responsabilidade de agora ou a irresponsabilidade do antes. À vez, a oposição acusa o poder, numa cadência de alcatruzes da nora.
Mas há, de facto tem havido, responsabilidade de quem governa, responsabilidade da administração pública, sobretudo por falta de combate eficaz às causas que provocam e alimentam os incêndios. E, curiosamente, agora que estamos à beira de eleições autárquicas, convirá lembrar o desleixo que as câmaras do país mostram pelo estado das matas e terrenos baldios dos seus concelhos.
Portugal não é um país agrícola. Será, quanto muito, um país com alguma agricultura e muita, muita terra praticamente ao abandono, autênticas lixeiras de combustão fácil.Por si mesmo, os pinhais ou eucaliptais já são uma espécie de risco, cuja exploração não envolve, como devia, cuidados adequados e obrigatórios, geridos quase como ao abandono e com a mesma margem de risco. As autarquias não ignoram esta realidade, mas têm dificuldade em combatê-la, tanto mais que o Estado não as força a agir.
Sabemos todos que nos outros países onde a lei é mais drástica e a responsabilidade mais distribuida, os incêndios não acabaram. Pois, não. Mas abrandaram. Por todo o lado há doidos
incendiários, mas, noutros lados, têm menos facilidades e, provavelmente, mais severa punição, o que também contribui para diminuir os atentados à Natureza. E temos ainda uma motivação extra para nos dispormos a ajudar a Natureza: debelamos a seca...
À falta de melhor começou a servir, também, para contestação política, para suspeitar de interesses suspeitos, das madeiras queimadas aos aviões de combate às chamas. Cada governo novo trazia mais meia dúzia de bombeiros, seis postos de vigilância e uma grande fé em novos aviões. Algumas cabeças tiveram de rolar, outras foram e vieram. E tudo continou como dantes.
Nenhum governo assume ou assumiu a responsabilidade de agora ou a irresponsabilidade do antes. À vez, a oposição acusa o poder, numa cadência de alcatruzes da nora.
Mas há, de facto tem havido, responsabilidade de quem governa, responsabilidade da administração pública, sobretudo por falta de combate eficaz às causas que provocam e alimentam os incêndios. E, curiosamente, agora que estamos à beira de eleições autárquicas, convirá lembrar o desleixo que as câmaras do país mostram pelo estado das matas e terrenos baldios dos seus concelhos.
Portugal não é um país agrícola. Será, quanto muito, um país com alguma agricultura e muita, muita terra praticamente ao abandono, autênticas lixeiras de combustão fácil.Por si mesmo, os pinhais ou eucaliptais já são uma espécie de risco, cuja exploração não envolve, como devia, cuidados adequados e obrigatórios, geridos quase como ao abandono e com a mesma margem de risco. As autarquias não ignoram esta realidade, mas têm dificuldade em combatê-la, tanto mais que o Estado não as força a agir.
Sabemos todos que nos outros países onde a lei é mais drástica e a responsabilidade mais distribuida, os incêndios não acabaram. Pois, não. Mas abrandaram. Por todo o lado há doidos
incendiários, mas, noutros lados, têm menos facilidades e, provavelmente, mais severa punição, o que também contribui para diminuir os atentados à Natureza. E temos ainda uma motivação extra para nos dispormos a ajudar a Natureza: debelamos a seca...
quinta-feira, julho 21, 2005
A noite
A noite desta cidade é reveladora: não tem nada a ver com o dia.
A diferença começa a cavar-se ao fim da tarde, quando jovens com o poder de compra necessário descem às Docas, por exemplo, e começam a puxar pelos decibéis das aparelhagens que todos os cafés e restaurantes da zona têm.
Fica no ar uma espécie de inferno que não casa com a tranquilidade que se descortina lá mais longe, no horizonte onde começa o mar.
O som aumenta com a noite e instala-se uma espécie de câmara de tortura onde gente alegre, bem disposta salta, dança e não fala.
Percebem-se as empatias pelos gestos, lê-se nos lábios o pedido de mais uma bebida e reconhece-se a solidão nos corpos que se mexem sem ritmo, sem sintonia.
À medida que a noite se vai aproximando da madrugada, há grupos que fogem à câmara das torturas e descobrem o gozo da conversa.
Quando o Sol nasce já ninguém se lembra da noite e tudo mergulha na crise do dia-a-dia.
quarta-feira, julho 20, 2005
LIBERDADE TINGIDA
Em que consiste, afinal, a liberdade de imprensa?
Sendo certo que como liberdade de imprensa se entende a de toda a Comunicação Social, a interrogação é alargada na mesma medida.
Subentende-se que sejam liberdades comuns e óbvias: expressar opinião, criticar as opiniões alheias, recusar limitações a estes princípios e denunciar as violações dos direitos de cidadania.
Não deixa, por isso, de ser curioso que o DN, de hoje, surja a relembrar acontecimentos do Verão de 75, que envolveram a rebelião dos tipógrafos do «República» e do envolvimento do PS, que acusou o PCP de assalto ao jornal.
Os factos descritos dão bem a imagem da situação confusa que se vivia nesses tempos acalorados e se, por um lado, deixam sobressair o dr. Mário Soares, por outro, a avaliar pela súmula, deixam algumas interrogações sobre a responsabilidade dos comunistas de Álvaro Cunhal e isso apesar do DN, ele próprio à época, estar sob tutela comunista e após a «lavagem» da redacção. Como também não se faz com clareza a revelação de que o vespertino, que foi um símbolo de resistência ao fascismo, era de facto e de modo claro pró-PS.
À distância, ainda hoje estou em crer, que ao acabar como acabou, o «República» salvou-se da desdita de se ver reduzido a orgão partidário.
Quem melhor emergiu de todo o processo foi o dr. Mário Soares. E a Esquerda começou aí a perder. O que perdeu a Esquerda não foi o ser de esquerda, mas o estar tão ferozmente dividida.
Soares deu ânimo aos silenciados à direita das esquerdas e foi assim que, de repente, PS engrossou de democratas, digamos assim. O «República» não voltou. A gestão do DN seria entregue ao PS, não se esqueçam! E a do «Século» ao PSD.
Mesmo com Manuel Alegre a afiançar que o «Século» não podia acabar, o jornal lisboeta encerrou. Mandava quem podia e quem podia mandar refugiava-se na legitimidade democrática.
Quando chegou a sua vez, Cavaco vendeu os jornais e as rádios e abriu as mãos à televisões privadas.
É este DN que também hoje levanta dúvidas sobre a estabilidade do partido no poder. Num texto de opinião, António Peres Metelo critica o ministro das Finanças, para insinuar algumas desavenças no seio do governo. Seja como for, é um texto de opinião. O mesmo não acontece com a chamada de primeira página para a entrevista com Freitas do Amaral, a inserir amanhã, muito mais terra a terra no desígnio de publicitar algum mau estar nos corredores do governo. De Luanda o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou abusiva e vergonhosa a «habilidade» nas escolha de termos usados na entrevista, mas colocados fora do contexto.
Será que o matutino regressa ao envolvimento activo, não direi político, mas porventura económico?...
Sendo certo que como liberdade de imprensa se entende a de toda a Comunicação Social, a interrogação é alargada na mesma medida.
Subentende-se que sejam liberdades comuns e óbvias: expressar opinião, criticar as opiniões alheias, recusar limitações a estes princípios e denunciar as violações dos direitos de cidadania.
Não deixa, por isso, de ser curioso que o DN, de hoje, surja a relembrar acontecimentos do Verão de 75, que envolveram a rebelião dos tipógrafos do «República» e do envolvimento do PS, que acusou o PCP de assalto ao jornal.
Os factos descritos dão bem a imagem da situação confusa que se vivia nesses tempos acalorados e se, por um lado, deixam sobressair o dr. Mário Soares, por outro, a avaliar pela súmula, deixam algumas interrogações sobre a responsabilidade dos comunistas de Álvaro Cunhal e isso apesar do DN, ele próprio à época, estar sob tutela comunista e após a «lavagem» da redacção. Como também não se faz com clareza a revelação de que o vespertino, que foi um símbolo de resistência ao fascismo, era de facto e de modo claro pró-PS.
À distância, ainda hoje estou em crer, que ao acabar como acabou, o «República» salvou-se da desdita de se ver reduzido a orgão partidário.
Quem melhor emergiu de todo o processo foi o dr. Mário Soares. E a Esquerda começou aí a perder. O que perdeu a Esquerda não foi o ser de esquerda, mas o estar tão ferozmente dividida.
Soares deu ânimo aos silenciados à direita das esquerdas e foi assim que, de repente, PS engrossou de democratas, digamos assim. O «República» não voltou. A gestão do DN seria entregue ao PS, não se esqueçam! E a do «Século» ao PSD.
Mesmo com Manuel Alegre a afiançar que o «Século» não podia acabar, o jornal lisboeta encerrou. Mandava quem podia e quem podia mandar refugiava-se na legitimidade democrática.
Quando chegou a sua vez, Cavaco vendeu os jornais e as rádios e abriu as mãos à televisões privadas.
É este DN que também hoje levanta dúvidas sobre a estabilidade do partido no poder. Num texto de opinião, António Peres Metelo critica o ministro das Finanças, para insinuar algumas desavenças no seio do governo. Seja como for, é um texto de opinião. O mesmo não acontece com a chamada de primeira página para a entrevista com Freitas do Amaral, a inserir amanhã, muito mais terra a terra no desígnio de publicitar algum mau estar nos corredores do governo. De Luanda o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou abusiva e vergonhosa a «habilidade» nas escolha de termos usados na entrevista, mas colocados fora do contexto.
Será que o matutino regressa ao envolvimento activo, não direi político, mas porventura económico?...
Casa de Doidos
A política em Portugal virou circo de casa de doidos. Na realidade, ninguém está interessado em nada. Jornais, jornalistas, empresários e políticos estão todos virados para o mesmo lado - o lado das televisões, que fazem uma guerra insuportável pelas audiências, a que se junta uma outra, a das rádios, pelo mesmo objectivo.
Uma entrevista do ministro dos negócios estrangeiros , que ainda não foi publicada!!!! deu um escarcéu!!! Meu Deus!
Mas, aqui para nós, que pouca gente nos lê: Freitas do Amaral também já tem idade e experiência para saber o efeito das palavras. Ou se juntou à casa de doidos ou quer alguma coisa.
terça-feira, julho 19, 2005
LER JORNAIS É SABER MAIS
Se as contas não me enganam deve ter sido a um sábado que ocorreu em Lisboa um violento atentado terrorista que vitimou o Rei de Portugal e o príncipe herdeiro, seu filho. O DN de sábado comentava o atentado da "véspera", com um título de três linhas, a toda a largura da primeira página.
Li sôfrego, mas aquilo não era notícia. Era um comentário desastroso e não revelava rigorosamente nada. A notícia era da véspera e na véspera os jornais da tarde tinham feito sucessivas edições. Na manhã seguinte o DN comentava na primeira página e remetia para o interior o relato dos acontecimentos. Fiquei pior que estragado e jurei não voltar a comprar o pasquim.
Nem percebi se o articulista era estúpido, vaidoso ou se estava a rebolar de gozo. Não dava para entender. Se bem que um pequeno pormenor me chamou a atenção: «que dura e terrível lição para o moço príncipe que hoje começa tão imprevista e abruptamente o seu reinado! Oxalá o destino lhe seja mais favorável e os fados lhe corram mais propícios! Nada porém ajudará melhor a cumprir a altíssima missão em que subitamente se vê investido, do que o amor entranhado pelo seu povo e o respeito escrupuloso pela lei e pela liberdade».
Eram outros tempos. Os «assumptos» tinham outra importância. Ainda não se praticava a semana inglesa. Podia já ser um atentado suicida. Podia ter sido no Terreiro do Paço, depois do almoço do pistoleiro no Rossio. A tempo dos jornais da tarde darem a notícia, com grã cópia de
pormenores. No DN, neste, nada. Nada sobre o local, a causa, as horas, nem o como, nem o porquê, nem o quem.
Foi chato. Uma coisa é ter dado a matéria na escola, ter lido versões sobre a maquinação de eventual seita radical, outra o gozo de ler a notícia, nas páginas que tenho andado a ver desde 1864. O tempo passa a correr. Ainda me parecia que tinha começado no mês passado e já íamos em 1908, no segundo dia de Fevereiro, imediato ao regicídio. Perdi a fé no que me vão dar a ler daqui a «dois anos», em Outubro...
Hoje fingi que estava distraído e comprei o DN! E não é que era já do 5 de Outubro que se falava, na edição de 6 de Outubro de 1910. Sim, senhor, o país tinha sido «libertado»! Às onze da manhã
fora proclamada a República, na sala nobre dos paços do município. Cinco gravuras tipo passe mostravam o Dr. Joaquim Theóphilo Braga, que presidia ao governo. Como de frescos que eram
ainda não tinham complexos e anunciaram como ministro do Interior, o 2º da lista, o Dr. António José d'Almeida, cuja imagem evidenciava um homem determinado, de testa alta, bigode de pontas retorcidas e pera discreta. O Dr. Affonso Costa. Não, não era gago, eles é que escreviam assim mesmo e hoje nem sei se era forma gramatical ou pedantismo neo-modernista. Seja como for passou a ser ministro da Justiça. Para a Fazenda foi Bazílio Telles, que pelos vistos não era Doutor! Para a Guerra (dizia-se assim) António Xavier Correia Barreto, também sem Dr., o qual devia ser um teso e de família discreta, porque não tinha nenhuma letra a mais no nome, nem consoante nos apelidos!
Outro nome plebeu, sem ornamentos ortográficos, foi nomeado para outra pasta bélica, a da Marinha, era ele Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Para as Necessidades foi (deve ter ido se o ministério já fosse ali) outro ilustre Doutor, Bernardino Luiz Machado Guimarães. Outro Luiz, com zê, com Doutor e tudo, foi para as Obras Públicas e era ele um tal António Luiz Gomes.
Enquanto isso, o sr. governador Civil anunciava que «Ordem e trabalho» era a divisa da Pátria
(trabalho aparece com minúscula e vá lá saber-se porquê!) libertada pela República, enquanto «Pátria e Liberdade» surge como lema...
"Depois da proclamação sentiu-se como que um uníssono grito de entusiasmo".Oito séculos de monarquia tinham-se evaporado. O governo provisório da República saudava as praças de terra e mar que «como o Povo instituia a República, para felicidade da Pátria e confiada no patriotismo de todos»...
Onde é que eu já vi este filme?
Com alguma sorte, talvez, este fim de semana já devemos poder assistir à primeira Grande Guerra, a que se deve seguir o 28 de Maio, tão aguardado!
Mas seja como for é pena que o DN não tenha elaborado uns cadernos especiais, sobre determinadas matérias, apenas com informação noticiosa da época, com base no sumo das notícias, incluidos no jornal ou pagos à parte. Na manhã de 5 de Outurbro o DN pôs na rua pelo menos 4 edições especiais.O «filme» da queda da monarquia, visto à distância, teria sido um sucesso editorial. Retive no matutino de 2 de Fevereiro de 1908, que ia haver um jogo de futebol no campo de Sporting, ao Lumiar!
Numa infelizmente curta visita à Expo do DN, em Belém, pasmei com a viagem ao passado e sobressaltei-me pelo impacte que me causou as referências sobre a implantação do Caminho de Ferro no nosso País. Foi uma obra notável, bem diferente do que viria a ser o parque subterrâneo do Camões, um exemplo exemplar de como não se faz uma obra...
Li sôfrego, mas aquilo não era notícia. Era um comentário desastroso e não revelava rigorosamente nada. A notícia era da véspera e na véspera os jornais da tarde tinham feito sucessivas edições. Na manhã seguinte o DN comentava na primeira página e remetia para o interior o relato dos acontecimentos. Fiquei pior que estragado e jurei não voltar a comprar o pasquim.
Nem percebi se o articulista era estúpido, vaidoso ou se estava a rebolar de gozo. Não dava para entender. Se bem que um pequeno pormenor me chamou a atenção: «que dura e terrível lição para o moço príncipe que hoje começa tão imprevista e abruptamente o seu reinado! Oxalá o destino lhe seja mais favorável e os fados lhe corram mais propícios! Nada porém ajudará melhor a cumprir a altíssima missão em que subitamente se vê investido, do que o amor entranhado pelo seu povo e o respeito escrupuloso pela lei e pela liberdade».
Eram outros tempos. Os «assumptos» tinham outra importância. Ainda não se praticava a semana inglesa. Podia já ser um atentado suicida. Podia ter sido no Terreiro do Paço, depois do almoço do pistoleiro no Rossio. A tempo dos jornais da tarde darem a notícia, com grã cópia de
pormenores. No DN, neste, nada. Nada sobre o local, a causa, as horas, nem o como, nem o porquê, nem o quem.
Foi chato. Uma coisa é ter dado a matéria na escola, ter lido versões sobre a maquinação de eventual seita radical, outra o gozo de ler a notícia, nas páginas que tenho andado a ver desde 1864. O tempo passa a correr. Ainda me parecia que tinha começado no mês passado e já íamos em 1908, no segundo dia de Fevereiro, imediato ao regicídio. Perdi a fé no que me vão dar a ler daqui a «dois anos», em Outubro...
Hoje fingi que estava distraído e comprei o DN! E não é que era já do 5 de Outubro que se falava, na edição de 6 de Outubro de 1910. Sim, senhor, o país tinha sido «libertado»! Às onze da manhã
fora proclamada a República, na sala nobre dos paços do município. Cinco gravuras tipo passe mostravam o Dr. Joaquim Theóphilo Braga, que presidia ao governo. Como de frescos que eram
ainda não tinham complexos e anunciaram como ministro do Interior, o 2º da lista, o Dr. António José d'Almeida, cuja imagem evidenciava um homem determinado, de testa alta, bigode de pontas retorcidas e pera discreta. O Dr. Affonso Costa. Não, não era gago, eles é que escreviam assim mesmo e hoje nem sei se era forma gramatical ou pedantismo neo-modernista. Seja como for passou a ser ministro da Justiça. Para a Fazenda foi Bazílio Telles, que pelos vistos não era Doutor! Para a Guerra (dizia-se assim) António Xavier Correia Barreto, também sem Dr., o qual devia ser um teso e de família discreta, porque não tinha nenhuma letra a mais no nome, nem consoante nos apelidos!
Outro nome plebeu, sem ornamentos ortográficos, foi nomeado para outra pasta bélica, a da Marinha, era ele Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Para as Necessidades foi (deve ter ido se o ministério já fosse ali) outro ilustre Doutor, Bernardino Luiz Machado Guimarães. Outro Luiz, com zê, com Doutor e tudo, foi para as Obras Públicas e era ele um tal António Luiz Gomes.
Enquanto isso, o sr. governador Civil anunciava que «Ordem e trabalho» era a divisa da Pátria
(trabalho aparece com minúscula e vá lá saber-se porquê!) libertada pela República, enquanto «Pátria e Liberdade» surge como lema...
"Depois da proclamação sentiu-se como que um uníssono grito de entusiasmo".Oito séculos de monarquia tinham-se evaporado. O governo provisório da República saudava as praças de terra e mar que «como o Povo instituia a República, para felicidade da Pátria e confiada no patriotismo de todos»...
Onde é que eu já vi este filme?
Com alguma sorte, talvez, este fim de semana já devemos poder assistir à primeira Grande Guerra, a que se deve seguir o 28 de Maio, tão aguardado!
Mas seja como for é pena que o DN não tenha elaborado uns cadernos especiais, sobre determinadas matérias, apenas com informação noticiosa da época, com base no sumo das notícias, incluidos no jornal ou pagos à parte. Na manhã de 5 de Outurbro o DN pôs na rua pelo menos 4 edições especiais.O «filme» da queda da monarquia, visto à distância, teria sido um sucesso editorial. Retive no matutino de 2 de Fevereiro de 1908, que ia haver um jogo de futebol no campo de Sporting, ao Lumiar!
Numa infelizmente curta visita à Expo do DN, em Belém, pasmei com a viagem ao passado e sobressaltei-me pelo impacte que me causou as referências sobre a implantação do Caminho de Ferro no nosso País. Foi uma obra notável, bem diferente do que viria a ser o parque subterrâneo do Camões, um exemplo exemplar de como não se faz uma obra...
domingo, julho 17, 2005
Jornal "África"
Contam-me que, na RDP, a propósito de não sei bem o quê, se debateu um jornal que já não se publica há não sei quantos anos e que se dedicava exclusivamente à problemática africana. Segundo o relato que me fizeram o "projecto" foi considerado mesmo "heróico". Houve quem acrescentasse qualquer coisa sobre os financiamentos e linha editorial do tal jornal. Já li muito sobre a matéria - em tempos - porque há anos que já não se falava dele, mas nunca percebi que os mentores, construtores e fazedores do "África" alguma vez tenham sido ouvidos. E, ao que me consta, ainda andam por aí. Talvez fosse interessante descobrir se, por exemplo, o seu director tem alguma coisa a dizer a todos esses comentários.
Aqui fica a sugestão.
Os apanha-bolas
Existem em várias modalidades desportivas: no ténis, ficam agachados, junto à rede, nos enfiamentos dos vértices das marcações do campo e correm, um dum lado, outro do outro, com o intuito óbvio de propiciarem aos jogadores um jogo sem interrupções e a máxima concentração.
No futebol "vivem" por detrás dos placards publicitários, correm atrás das bolas, mas antes, entregam uma outra aos jogadores. O objectivo é impedir grandes interrupções no jogo e, nessa perspectiva, acelerar o ritmo do espectáculo.
No Volei também existem: fazem circular as bolas de um campo para o outro, de tal forma que, quando o jogador que vai servir tenha à sua disposição um "esférico".
Estou a falar dos apanha-bolas. Já toda a gente percebeu. Dos apanha-bolas bolas e não dos apanha bolas que passam a vida a tentar a agarrar todas as bolas, de papéis na mão, de corredor em corredor, escada acima, escada abaixo, a interromper todos os jogos, a meter-se mesmo em todos os jogos de cartas, sem nada entenderem e sem nada acrescentarem a cada passo que dão, a cada discussão que procuram ou interrompem.
Sãos os apanha-bolas sem utilidade e sem jogo. Que fazer?
sexta-feira, julho 15, 2005
FEIOS,PORCOS E MAUS
O sr. Valentim Loureiro reuniu um grupo de dirigentes de clubes de futebol, de segunda linha, bem endividados ou praticamente falidos, mais uma porção de senhores árbitros, aí uns quinze ou coisa que o valha, para dar a volta ao texto. Dar a volta ao texto quer dizer, como sabem, deixar tudo na mesma e deixar tudo na mesma, às vezes dá uma trabalheira do caraças...
Mesmo assim, eu pasmo. Que mais posso eu fazer, que não seja pasmar e resmungar? 'Tá tudo na mesma, sistematicamente na mesma! Mas este tudo engloba muita coisa e muita gente.
Começa na condescendência: "ele são assim"! pois é, eles são o que são, seja lá isso o que for, pois são, mas desde que se estabeleça que é gente que não interessa ao futebol, ou então é todo o futebol que não presta e alguns senhores da Costa e quejandos pintos são piores. Beras, muito beras, são os que mandam, e se dão ao luxo de mandar ficar tudo na mesma. Fico com a noção de que eu é que sou parvo.
E só agora é que descobriste?, pergunto-me a mim próprio, a lembrar-se que já há muito que devia saber que não adianta. Sei, claro que sei, mas sempre apetece chamar a atenção, porque é realmente premente chamar a atenção: eles são o que são, porque os deixam ser. E se os que deixam deixaram é porque ou são muito distraídos ou são da mesma cepa!
Em boa e honesta verdade o senhor Pinto foi escutado e o senhor Loureiro foi - oh! lá se foi! -muito escutado, e em diversdas vertentes. O advogado do senhor Pinto descobriu - e é para isso que ele é advogado! - que as escutas não deviam ter sido escutadas, por mais isto e mais aquilo,
logo o senhor Pinto e outros pintos e outros loureiros ficaram libertos de coacção limitativa.
Mas uma coisa é a Justiça e o competente Poder Judicial, repletos de princípios democráticos, e outra, diferente, a realidade dos factos. Eles foram escutados e o teor das conversas denunciado.
As leis do futebol são diferentes da rebaldaria da instrução de processos judiciais, o meio mais adequado que se conhece para deixar andar.
Não há como fugir da realidade. Se Salazar fosse vivo diria que no futebol o que parece é! Pior: eles sabem que nós sabemos, e que os da FIFA também sabem. E nós sabemos que eles sabem que nós sabemos. Também é verdaqde que em geral sabemos perfeitamente ser parvos, mas nem sempre.
A verdade no futebol tem que ser muito parecida ou então o caldo entorna-se. Mas como é que se pode acreditar no mundo da bola, se não há um - um só que seja!- que se levante e aponte: o rei vai nu...
Também, com este calor, que mal faz...
Mesmo assim, eu pasmo. Que mais posso eu fazer, que não seja pasmar e resmungar? 'Tá tudo na mesma, sistematicamente na mesma! Mas este tudo engloba muita coisa e muita gente.
Começa na condescendência: "ele são assim"! pois é, eles são o que são, seja lá isso o que for, pois são, mas desde que se estabeleça que é gente que não interessa ao futebol, ou então é todo o futebol que não presta e alguns senhores da Costa e quejandos pintos são piores. Beras, muito beras, são os que mandam, e se dão ao luxo de mandar ficar tudo na mesma. Fico com a noção de que eu é que sou parvo.
E só agora é que descobriste?, pergunto-me a mim próprio, a lembrar-se que já há muito que devia saber que não adianta. Sei, claro que sei, mas sempre apetece chamar a atenção, porque é realmente premente chamar a atenção: eles são o que são, porque os deixam ser. E se os que deixam deixaram é porque ou são muito distraídos ou são da mesma cepa!
Em boa e honesta verdade o senhor Pinto foi escutado e o senhor Loureiro foi - oh! lá se foi! -muito escutado, e em diversdas vertentes. O advogado do senhor Pinto descobriu - e é para isso que ele é advogado! - que as escutas não deviam ter sido escutadas, por mais isto e mais aquilo,
logo o senhor Pinto e outros pintos e outros loureiros ficaram libertos de coacção limitativa.
Mas uma coisa é a Justiça e o competente Poder Judicial, repletos de princípios democráticos, e outra, diferente, a realidade dos factos. Eles foram escutados e o teor das conversas denunciado.
As leis do futebol são diferentes da rebaldaria da instrução de processos judiciais, o meio mais adequado que se conhece para deixar andar.
Não há como fugir da realidade. Se Salazar fosse vivo diria que no futebol o que parece é! Pior: eles sabem que nós sabemos, e que os da FIFA também sabem. E nós sabemos que eles sabem que nós sabemos. Também é verdaqde que em geral sabemos perfeitamente ser parvos, mas nem sempre.
A verdade no futebol tem que ser muito parecida ou então o caldo entorna-se. Mas como é que se pode acreditar no mundo da bola, se não há um - um só que seja!- que se levante e aponte: o rei vai nu...
Também, com este calor, que mal faz...
O Espanto
A cidade acordou alvoroçada. As autoridades proibiram a entrada de automóveis e mesmo autocarros só os não poluentes. Foi uma festa para os eléctricos, patinadores e ciclistas. E algumas velhinhas que já não saíam à rua desde o tempo do saudoso dr. Salazar se atreveram a dar uns passos no jardim , percorrer alguns metros na avenida.
Pares de espanhóis, recentemenmte chegados de Badajós exibiam o colorido das suas roupas, a graça dos seus penteados. Havia som de apitos e há quem diga que conseguiu ouvir entre alguns sambas uma cuíca desgarrada.
A cidade deslumbrou-se consigo mesma. As gentes cumprimentavam-se e comentavam a última obra prima do património público: como que caída do céu durante a noite, uma estátua de mármore imaculado ocupava a principal praça. E à sua volta, também surgidas do nada, belíssimas rosas com gotícolas de orvalho a deslisarem por suas pétalas acetinadas, marcavam o perímetro de segurança daquela estranha e belíssima estátua, toda coberta com o desenho de uma boca feito pelo arquitecto do Mundo e pintada com o batom mais vermelho de que há memória.
O rosto assim decorado era irreconhecível, mas adivinhava-se-lhe um sorriso de tão grande felicidade que as pessoas se interrogavam se tal poderia retratar-se em carne e osso.
A festa continuou todo o dia. Ao fim da tarde veio mais gente a espreitar o efeito do Sol a reflectir-se no vermelho daqueles lábios capazes de realçar a pureza do mármore em que a obra tinha sido apenas anunciada. Foi um dia de espanto que a cidade vai recordar para sempre.
NÃO SEI...NÃO VI...NÃO ESTAVA LÁ
Sopra uma brisa quente, abrasadora, sem graça. Vale que estou à beira da piscina. Um amigo aproxima-se com dois copos na mão. Um é para mim. Refastelado, dou por mim a pensar: quem não tem amigos não bebe! Reflectir nestas circunstâncias acentua a sede. Em geral preciso de vários amigos. Pelo menos um para me levar de carro e outro para me acolher, onde haja piscina e brandies a condizer. E, claro, intrigas a fervilhar. Retive uma deliciosa, na tarde passada e bem mergulhada. Tinha tudo a ver com um conhecido xerife, carente de televisão, referenciado como consultor do primeiro ministro para a área audiovisual da C.S.
Não se trata de discutir o "ranking" diário ou coisa do género, explica o que traz as bebidas sem gelo.
- Não tens gelo? - grita a mulher de um dos dois que estão do outro lado.
- Já vem! - diz o dono da casa, que prossegue: - A ideia é verificar os termos da concessão dos canais... Tás a ver?... Já se sabe que é temporal, mas imagina-se que se trata de renegociar...
- E então? - perguntei eu, que não gosto de gelo na bebida. -Não é assim?
- Pode não ser, pode não ser! A ideia - responde ele com um sorrizinho cínico - pode não ser essa. Pode ser a de confiscar a concessão de exploração do canal televisivo, com base na violação dos termos do contrato de concessão. Qualquer coisa serve... Sei lá... excesso de pub... abusos e imoralidades... menos espaços criativos...
- Mas o que é isso? - pergunta-se lá do fundo. - Isso é perseguição ou quê? Já não bastava o Salgado? Vem agora o próprio Socrates tirar o pão da boca ao homem?
- Não é nada disso! - interrompe o intriguista. - A ideia é pô-los em sentido. Ou amocham ou ficam a ver navios...
-Não dizes nada? - pergunta-me uma das madonas que vinha em busca de qualquer coisa para pôr no gelo. - Tás sempre a dar bafos...
Sorri e endireitei-me na cadeira, sem me preocupar com o copo, de todo vazio. Reflecti uns dois bons minutos e quis ser claro:
- Não sei! Não faço ideia!
Calei-me fui à cozinha, deitei mais um golinho no copo e, como quem não quer a coisa, saí para a rua, a pensar, com os meus botões de maior confiança: "Não querem lá ver, por causa da porcaria de um copo! Querem que um gajo se comprometa...
Não se trata de discutir o "ranking" diário ou coisa do género, explica o que traz as bebidas sem gelo.
- Não tens gelo? - grita a mulher de um dos dois que estão do outro lado.
- Já vem! - diz o dono da casa, que prossegue: - A ideia é verificar os termos da concessão dos canais... Tás a ver?... Já se sabe que é temporal, mas imagina-se que se trata de renegociar...
- E então? - perguntei eu, que não gosto de gelo na bebida. -Não é assim?
- Pode não ser, pode não ser! A ideia - responde ele com um sorrizinho cínico - pode não ser essa. Pode ser a de confiscar a concessão de exploração do canal televisivo, com base na violação dos termos do contrato de concessão. Qualquer coisa serve... Sei lá... excesso de pub... abusos e imoralidades... menos espaços criativos...
- Mas o que é isso? - pergunta-se lá do fundo. - Isso é perseguição ou quê? Já não bastava o Salgado? Vem agora o próprio Socrates tirar o pão da boca ao homem?
- Não é nada disso! - interrompe o intriguista. - A ideia é pô-los em sentido. Ou amocham ou ficam a ver navios...
-Não dizes nada? - pergunta-me uma das madonas que vinha em busca de qualquer coisa para pôr no gelo. - Tás sempre a dar bafos...
Sorri e endireitei-me na cadeira, sem me preocupar com o copo, de todo vazio. Reflecti uns dois bons minutos e quis ser claro:
- Não sei! Não faço ideia!
Calei-me fui à cozinha, deitei mais um golinho no copo e, como quem não quer a coisa, saí para a rua, a pensar, com os meus botões de maior confiança: "Não querem lá ver, por causa da porcaria de um copo! Querem que um gajo se comprometa...
quinta-feira, julho 14, 2005
Os Reis e Rainhas do Nosso Mundo
Aquilo ali atrás ( é esquisito porque no blogue é à frente...) da civilização ocidental e mais não sei o quê, foi uma recaída. Um estilo que volta, outro que se vai e aqui estou a retomar estórias antigas de reis e rainhas - logo de felicidade - gente com capacidade para transformar um sorriso num reino e um reino num olhar que se espraia pela manhã e entra pelo fim da tarde.
Porque um rei quando chama pela sua rainha é ouvido por todo o povo. O povo fica contente, faz movimentar a roda da vida e aguarda, em silêncio recolhido, a resposta da sua (deles) rainha.
Para quê falar da civilização Ocidental, do Bush, dos muçulmanos ingleses, para quê tudo isso, se o mundo se pode resumir a uma bela estória de princípes e princesas?
Alguém acredita em mais alguma coisa?
Então, não andem de metro - que é perigoso, sobretudo para os claustrofóbicos.
Porque um rei quando chama pela sua rainha é ouvido por todo o povo. O povo fica contente, faz movimentar a roda da vida e aguarda, em silêncio recolhido, a resposta da sua (deles) rainha.
Para quê falar da civilização Ocidental, do Bush, dos muçulmanos ingleses, para quê tudo isso, se o mundo se pode resumir a uma bela estória de princípes e princesas?
Alguém acredita em mais alguma coisa?
Então, não andem de metro - que é perigoso, sobretudo para os claustrofóbicos.
terça-feira, julho 12, 2005
COMO OUTRORA
Tempos houve que Lisboa era mourisca. Ainda não haveria o bairro de Alvalade, mas já se devia subir a calçada do Poço dos Mouros. A Sé viria muito depois, assente sobre outras religiosidades, debruçadas sobre Alfama. O Castelo também,claro. Ainda não era de S.Jorge por certo. Nem sei o que seria a av. da Liberdade ou sequer se haveria a rua das Pretas. Já o poço dos Negros era mais provável. Mesmo nessa era remota haveria decerto quem pagasse a crise!
Nós, os lisboetas, eramos, bem entendido, mouros ou coisa equivalente. Muitos de nós nascemos e morremos naturalmente sob ditâmes arabescos. Saberiamos o que haveria a saber do Corão e de mesquitas.
Fomos invadidos pelos cristãos e martirizados por eles. Mais do que expulsos, fugiu-se alucinadamente. Mas a perseguição impiedosa dos cristãos empurrou-nos para o sul. Vamos deixar de fora os que se refugiaram em Castelo de Vide. Eram de outra religião, mas ainda assim diferente do cristianismo fanático, que emergia na Europa.
Foram incontáveis os nossos concidadãos expoliados e mortos, nem sei se alguns meus ancestrais, em nome da Fé cristã.
Oitocentos anos depois, mais minuto menos minuto, apanha-se o eléctrico para a Estrela, o mesmo que, em sentido inverso, leva turistas à Graça. Pertencemos a uma nova espécie( que teve origem, imaginem no Norte, à beira da foz do Douro!) ainda em formação, a europeia.
Mudamos de campo e de religião e se hoje em dia quisermos ter uma pálida ideia do que fomos não há como ir a Granada. Ainda há marcas de explendor. Ainda por lá ficamos algum tempo, mesmo depois dos cristãos portugueses arrecadarem para eles o Algarve.
Já depois de sermos portugueses patriotas e cristãos devotos, tratamos mui mal os judeus, mas é tempo perdido, não vale a pena falar disso: o dr. Mário Soares já pediu perdão.
Mas antes, ainda fizemos das feias no Brasil, dizimando os índios nativos, que nem sabiam rezar.
Bom, os castelhanos fizeram o mesmo no resto do Continente e os ingleses, um pouco mais acima!
Talvez tenhamos de mandar lá alguém pedir desculpa, embora os brasileiros que geramos deixem muito a desejar na matéria. Mas, princípios são princípios e assim como assim, Freitas do Amaral já ensaiou com os chineses...
Este nosso mundo foi sendo feito de tragédia. E parece que não está pronto! À laia de aviso lembro o poeta António José Forte: «...Não estranheis os sinais, não estranheis este povo que oculta a cabeça nas entranhas os mortos. Fazei todo o mal que puderdes e passai depressa».
E porque subsitem dúvidas sobre se o poeta é um visionário ou é simplesmente um fingidor, recorremos aos mesmo António J. Forte, que publicou em 1963:
« UM HOMEM
De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda»
Será da natureza humana ou maldição cósmica?
Nós, os lisboetas, eramos, bem entendido, mouros ou coisa equivalente. Muitos de nós nascemos e morremos naturalmente sob ditâmes arabescos. Saberiamos o que haveria a saber do Corão e de mesquitas.
Fomos invadidos pelos cristãos e martirizados por eles. Mais do que expulsos, fugiu-se alucinadamente. Mas a perseguição impiedosa dos cristãos empurrou-nos para o sul. Vamos deixar de fora os que se refugiaram em Castelo de Vide. Eram de outra religião, mas ainda assim diferente do cristianismo fanático, que emergia na Europa.
Foram incontáveis os nossos concidadãos expoliados e mortos, nem sei se alguns meus ancestrais, em nome da Fé cristã.
Oitocentos anos depois, mais minuto menos minuto, apanha-se o eléctrico para a Estrela, o mesmo que, em sentido inverso, leva turistas à Graça. Pertencemos a uma nova espécie( que teve origem, imaginem no Norte, à beira da foz do Douro!) ainda em formação, a europeia.
Mudamos de campo e de religião e se hoje em dia quisermos ter uma pálida ideia do que fomos não há como ir a Granada. Ainda há marcas de explendor. Ainda por lá ficamos algum tempo, mesmo depois dos cristãos portugueses arrecadarem para eles o Algarve.
Já depois de sermos portugueses patriotas e cristãos devotos, tratamos mui mal os judeus, mas é tempo perdido, não vale a pena falar disso: o dr. Mário Soares já pediu perdão.
Mas antes, ainda fizemos das feias no Brasil, dizimando os índios nativos, que nem sabiam rezar.
Bom, os castelhanos fizeram o mesmo no resto do Continente e os ingleses, um pouco mais acima!
Talvez tenhamos de mandar lá alguém pedir desculpa, embora os brasileiros que geramos deixem muito a desejar na matéria. Mas, princípios são princípios e assim como assim, Freitas do Amaral já ensaiou com os chineses...
Este nosso mundo foi sendo feito de tragédia. E parece que não está pronto! À laia de aviso lembro o poeta António José Forte: «...Não estranheis os sinais, não estranheis este povo que oculta a cabeça nas entranhas os mortos. Fazei todo o mal que puderdes e passai depressa».
E porque subsitem dúvidas sobre se o poeta é um visionário ou é simplesmente um fingidor, recorremos aos mesmo António J. Forte, que publicou em 1963:
« UM HOMEM
De repente
como uma flor violenta
um homem com uma bomba à altura do peito
e que chora convulsivamente
um homem belo minúsculo
como uma estrela cadente
e que sangra
como uma estátua jacente
esmagada sob as asas do crepúsculo
um homem com uma bomba
como uma rosa na boca
negra surpreendente
e à espera da festa louca
onde o coração lhe rebente
um homem de face aguda
e uma bomba
cega
surda
muda»
Será da natureza humana ou maldição cósmica?
segunda-feira, julho 11, 2005
A Civilização Ocidental
A propósito dos ataques terroristas e dos perdões de dívidas aos africanos dei comigo a pensar nos perigos que a Europa corre, primeiro, por não ter lideranças credíveis e, depois por se confundir, em termos civilizacionais com os Estados Unidos.
De resto, a falta de lideranças é que permite a confusão civilizacional. Nenhum líder europeu consciente dos valores do seu continente permitiria qualquer confusão com a filosofia belicista, expansionista, verdadeira apologia da terra queimada defendida e praticada por Bush.
A civilização ociental teve já muitas interpretações, a pior das quais era traduzida pela expansão da fé. Hoje, felizmente, a chamada civilização ocidental tem a ver com a defesa dos valores da liberdade individual, garantias de protecção social, defesa dos mais desfavorecidos, dos desprotegidos, velhos e crianças.
São esses os valores da verdadeira Europa, daquela que, sendo velha, mantém uma eterna capacidade de renovação para proporcionar aos seus cidadãos o ambiente, o clima para uma vida tranquila, harmoniosa e onde a igualdade de oportunidades funcione como estímulo de valorização pessoal.
Estes valores não têm nada ver com o neo-liberalismo económico dos Estados Unidos levado ao extremo pela irracionalidade dos conselheiros de Bush e também não se idenficia com a exploração de mão de obra escrava leva a cabo na China, na Índia e em outros locais, que, aproveitando a generosidade da chama "civilização ocidental", entraram na disputa de mercados organizados sem cumprirem, pelo seu lado, nenhuma regra.
Os europeus têm, por isso, que voltar a redifinir-se. Não podemos oferecer o nosso espaço, a nossa organização à conquista de verdadeiras barbáries que escravizam nas suas terras as suas gentes. E neste saco entram, de igual forma os Estados Unidos ( onde a pobreza galopa a olhos vistos), a China e todos os outros.
Assim como também não me parece justo que se perdoe a dívida dos africanos sem critério. Em muitos casos, as dívidas representam o resultado da corrupção dos estados que dizem representar os respectivos povos.
Sejamos exigentes: obriguemos esses governos à prestação de contas.
Provavelmente - dizem alguns - também já é tarde: os chineses estão a atirar dinheiro para cima de tudo quanto pode significar energia.
E donde vem o dinheiro dos chineses? Do seu sistema de exploração desenfreado das mais valias dos seus trabalhadores, escravizados ao peso da necessidade de uma malga de arroz para sobreviver.
Em conclusão: a Europa, por falta de liderança, está a pagar duramente o facto de não se ter prevenido contra estes inimigos poderosos, um dos quais - os EUA - utiliza para sua própria definição, a matriz europeia.
domingo, julho 10, 2005
A Rita Está Doente
A Rita é um doce. Atrevida. Tem talento, mas acha que é só piada. Adora comer, mas sofre porque se acha gorda. Tem uns olhos escuros, de sevilhana, que escondem todos os gramas que uns belos caramelos de Badajoz, ou de outro lado qualquer, fabriquem.
Ficou doente a Rita. Uma gastroentrite - aquilo que noutros tempos se chamava uma caganeira e se curava com dois dias a água de arroz, mas arroz mal lavado.
Está triste a Rita. Verdadeiramente triste, embora entenda que os quilos perdidos são batalhas ganhas.
Todavia, a tristeza dela é que é sincera:a Rita gosta de bons pitéus, bom queijo, bom marisco (arroz, ou feijoada). A Rita gosta de tudo o que faz as pessoas felizes, mas agora está doente, triste, mas continua a ser um doce, cheia de talento, alegria de viver contagiante. Amanhã a Rita já não estará doente e não vai precisar da canja de galinha. Essa eu prometo.
A Minha Outra Heroína
Tem inteligência de jogadora de xadrez. Joga a cada minuto que passa. Exaspera-se porque o adversário leva muito tempo a fazer a jogada seguinte e ela já tem o jogo na mão. Conhece por antecipação todas as jogadas e diverte-se ( mas também sofre) contrariando a jogada seguinte.
É uma fuga. Encontrou o seu próprio sistema para viver num país onde o xadrez não existe e toda a gente é jogador de bancada e contente por nada verdadeiramente palpável. Mais do que uma fuga é um entretenimento. Junta ao jogo da previsão dos movimentos do "adversário", o outro, fatal, o das palavras. É exímia. Acrescenta-lhe a manipulação do sorriso - que é capaz de colocar na voz.
Acontece uma vez em muitos anos, mas acontece. Tem um único problema esta minha outra heroína: continua a insistir em que os outros - todos os outros - também são gente. Ei!!! alguns são, mas outros não voam, são lesmas.
Incêndios e Terrorismo
Os incêndios em Portugal têm várias origens, diversas explicações, mas há duas sobre as quais não restam dúvidas e que recorrem ao mesmo método: fogo posto.
Há os que recorrem a ele por simples prazer, por algo que pode ser identificado como terrorismo, já que tem como único objectivo a destruição. É gente perturbada, muitas vezes - a história não deixa dúvidas - trabalham e são militantes das corpoprações de bombeiros - ( tal como a fronteira entre o polícia e o ladrão é ténue, ela também é frágil entre o bombeiro e o incendiário).
Há outro tipo de incendiário, aquele que quer os seus 15 minutos de fama, de celebridade: ao incendiar o que quer que seja, desde que a televisão apareça e dê notícia, é ele que ali está. É a sua obra ou a sua terra que são faladas.
São casos patológicos, alimentados pelo gosto que as televisões têm pelas imagens das chamas. Desede que haja incêncio há abertura de telejornal, há espaço para tiradas poéticas, apontamentos de reportagem cheios de colorido.
São os repórteres do fogo, fazem o apelo ao fogo, ao crime. Eles, que são destacados para o terreno, como uma espécie de heróis com capacidade para ouvir as vítimas, falar com o bombeiro que "há mais de 24 horas luta contra as chamas" e fazer o retrato dos "soldados da paz" exaustos. Sem os incêndios aqueles pedaços de prosa rebuscados não existiriam.
Tudo isto para dizer que as nossas televisões - aquelas que temos, que Cavaco que nos deu - são, em grande parte, responsáveis pelo aumento espectacular do número de incêndios que acontecem em Portugal.
Há, todavia, outras razões, mais substanciais, que aproveitam a televisão, os bombeiros e os tresloucados, capazes de deitar fogo à própria casa para aparecer na televisão, ainda que de forma projectada.
Estas é que deveriam começar a ser analisadas com algum cuidado pelas autoridades. É que os incêndios de Verão correspodem - quase sempre - a uma recomposição do sistema fundiário. Nas zonas onde os incêndios acontecem com muita frequência - é só olhar o mapa - também está a acontecer uma concentração da propriedade.
Os pequenos proprietários de pequenos pinhais, normalmente a viver em grandes centros urbanos, que iam buscar aos pinheiros vendidos uns extras para obras na casa de Lisboa ou do Porto, para o casamento da filha, para uma viagem, rapidamente percebem que o tal pinhal que o avô deixou pode ser - ou já é - fonte de aborrecimentos. O melhor é vender.
Veja-se o que acontece nas regiões do pinhal. Compare-se.
Os jornalistas que se apresentam aos olhos do povinho como heróis, ali à mão de sememar das chamas, deviam perder mais tempo a investigar a recomposição da propriedade, por exemplo, nos distritos de Castelo Branco, Coimbra, Viseu, etc.
Um última nota: os ingleses resolveram impedir o acesso a jornalistas dos locais onde deflagraram bombas no metro e num autocarro, resultado, ao que tudo indica, de uma acção terrorista. Acho que o Ministério da Administração Interna deveria proibir a captação de imagens dos incêndios que ocorrem todos os verões em Portugal. Na sua maioria - embora por razões diferentes - são actos de puro terrorismo. Não merecem publicidade- não a devem ter.
sábado, julho 09, 2005
A TEMPO
Quando hoje ainda é ontem aparece a frustração. Já tinha ouvido na Rádio e até visto imagens na Televisão quando, na rua, comprei o jornal e o folheei e vi Londres em festa e Paris a varrer a feira. A Bolsa londrina refulgia de ganhos. Nada daquilo era mentira, mas Londres estava de rastos e a Bolsa estava negativa. O terrorismo era o assunto da Informação. O jornal que eu tinha na mão era, afinal, um conjunto de memórias, como o caderno fotocopiado de Séculos atrás.
Houve tempo em que a Rádio não emitia notícias e Televisão não havia. Os jornais eram a fonte
do conhecimento do que ocorria no Mundo e nesse mundo cabia a nossa terra.
No tempo em que comecei a olhar os jornais já havia Censura. Eu nem sabia o que era, mas o jornais informavam os leitores que «este número foi visado pela comissão de...», mas tal não impedia dessem conta do que ia por esse mundo fora, com mais detalhe do que ocorria nos assuntos internos.
Mas já havia noticiários na Rádio. Tenho ideia de que a EN encerrava a emissão, após o noticiário da meia-noite, com o Hino Nacional. Mas os jornais não eram minimamente atingidos pela concorrência. Sempre que havia acontecimento fora do fecho da edição, preparava-se uma segunda tiragem e, não raro mais, como era o caso da Volta a Portugal em bicicleta. Os vespertinos eram mais vocacionados para esse folclore, mas frequentemente os matutinos reapareciam nas bancas e nas vozes dos ardinas a meio da manhã.
Deve ser conveniente lembrar que os tempos eram outros. Os jornais dispunham cada um de oficinas próprias e de distribuição própria e muito embora o equipamento gráfico nem sempre fosse o último grito, funcionava.
A questão que se coloca, hoje em dia, não é a do profissionalismo ou de falta dele, mas de impotência.É preciso saber primeiro se a oficina tem ou espaço para imprimir outros jornal; depois se a distribuidora de imprensa dispõe de meios para efectuar uma distribuição singular.
Não dá. Na melhor das hipóteses é preciso que o jornal seja avisado da morte súbita do Papa, 48 horas antes do passamento. E nenhum honesto terrorista se disporá a avisar das explosões no metro nem na véspera. Foi um dia de azar para a Imprensa, mas também um aviso: é preciso melhorar a capacidade de resposta...
Houve tempo em que a Rádio não emitia notícias e Televisão não havia. Os jornais eram a fonte
do conhecimento do que ocorria no Mundo e nesse mundo cabia a nossa terra.
No tempo em que comecei a olhar os jornais já havia Censura. Eu nem sabia o que era, mas o jornais informavam os leitores que «este número foi visado pela comissão de...», mas tal não impedia dessem conta do que ia por esse mundo fora, com mais detalhe do que ocorria nos assuntos internos.
Mas já havia noticiários na Rádio. Tenho ideia de que a EN encerrava a emissão, após o noticiário da meia-noite, com o Hino Nacional. Mas os jornais não eram minimamente atingidos pela concorrência. Sempre que havia acontecimento fora do fecho da edição, preparava-se uma segunda tiragem e, não raro mais, como era o caso da Volta a Portugal em bicicleta. Os vespertinos eram mais vocacionados para esse folclore, mas frequentemente os matutinos reapareciam nas bancas e nas vozes dos ardinas a meio da manhã.
Deve ser conveniente lembrar que os tempos eram outros. Os jornais dispunham cada um de oficinas próprias e de distribuição própria e muito embora o equipamento gráfico nem sempre fosse o último grito, funcionava.
A questão que se coloca, hoje em dia, não é a do profissionalismo ou de falta dele, mas de impotência.É preciso saber primeiro se a oficina tem ou espaço para imprimir outros jornal; depois se a distribuidora de imprensa dispõe de meios para efectuar uma distribuição singular.
Não dá. Na melhor das hipóteses é preciso que o jornal seja avisado da morte súbita do Papa, 48 horas antes do passamento. E nenhum honesto terrorista se disporá a avisar das explosões no metro nem na véspera. Foi um dia de azar para a Imprensa, mas também um aviso: é preciso melhorar a capacidade de resposta...
sexta-feira, julho 08, 2005
MISTÉRIOS URBANOS
Hoje abri o envelope da Epal. Raramente me dou a tal incómodo, deve ser por mór da depressão.
Não esperava encontrar grandes alterações no valor da factura da água. Valor que cresce com aborrecida frequência. Mas hoje dei-me ao cuidado de ler o resumo, nem sei se por qualquer resquício masoquista. E pasmei!
A água consumida em casa valia 0,88 euros. Não se pode dizer que fosse caro, mesmo dando de barato que a casa está quase sempre vazia e o neto que de vez em quando lá dorme não é muito de banhos. Mas o total da factura atinge os 11,85 euros! Espantoso! Por me vender água, a Epal cobra 6.71 euros. A CML, essa, arrecada 3,88 euros, que divide entre Saneamento Fixo (2,01 euros), Saneamento Variável (1,23 euros) e Adicional (0,64 euros).
Saneamento Fixo suponho saber o que seja; Saneamento Variável creio ser o saneamento que umas vezes não há e outras não é preciso; Adicional presumo ser como a tasca do galego, no antigamente lisboeta, que no fim da conta do almoço, botava sempre «a.v.s.p.» 12 tostões. Um dia um cliente reparou na parcela e perguntou o que aquilo queria dizer e o tasqueiro explicou:
«a ver se passa»...
Para completar a factura faltava o IVA (0,64 euros), que surge numa rúbrica alucinada: Serviços
Prestados (?) , talvez o incómodo de contar as moedinhas...
Concluindo. Ainda eu me preocupo em não fazer negócios com ciganos! E isto com uma empresa pública! Estava outra vez enganado. Não é pública porra nenhuma. É simplesmente Empresa Portuguesa de Águas Livres, sociedade anónima. Ocorre-me à memória um amigo fixe, que já lá está,muito apreciador de tinto alentejano, mas que também bebia branco, além de algumas aguardentes, me ter dito uma vez, quando me viu tomar um comprimido: «Olha, meu filho, quem bebe água merece tudo o que lhe aconteça».
Parece que sim!...
Não esperava encontrar grandes alterações no valor da factura da água. Valor que cresce com aborrecida frequência. Mas hoje dei-me ao cuidado de ler o resumo, nem sei se por qualquer resquício masoquista. E pasmei!
A água consumida em casa valia 0,88 euros. Não se pode dizer que fosse caro, mesmo dando de barato que a casa está quase sempre vazia e o neto que de vez em quando lá dorme não é muito de banhos. Mas o total da factura atinge os 11,85 euros! Espantoso! Por me vender água, a Epal cobra 6.71 euros. A CML, essa, arrecada 3,88 euros, que divide entre Saneamento Fixo (2,01 euros), Saneamento Variável (1,23 euros) e Adicional (0,64 euros).
Saneamento Fixo suponho saber o que seja; Saneamento Variável creio ser o saneamento que umas vezes não há e outras não é preciso; Adicional presumo ser como a tasca do galego, no antigamente lisboeta, que no fim da conta do almoço, botava sempre «a.v.s.p.» 12 tostões. Um dia um cliente reparou na parcela e perguntou o que aquilo queria dizer e o tasqueiro explicou:
«a ver se passa»...
Para completar a factura faltava o IVA (0,64 euros), que surge numa rúbrica alucinada: Serviços
Prestados (?) , talvez o incómodo de contar as moedinhas...
Concluindo. Ainda eu me preocupo em não fazer negócios com ciganos! E isto com uma empresa pública! Estava outra vez enganado. Não é pública porra nenhuma. É simplesmente Empresa Portuguesa de Águas Livres, sociedade anónima. Ocorre-me à memória um amigo fixe, que já lá está,muito apreciador de tinto alentejano, mas que também bebia branco, além de algumas aguardentes, me ter dito uma vez, quando me viu tomar um comprimido: «Olha, meu filho, quem bebe água merece tudo o que lhe aconteça».
Parece que sim!...
quinta-feira, julho 07, 2005
NO MELHOR PANO CAI A NÓDOA
A nódoa pinga sempre, dê lá por onde der. O pano, esse, seja de que qualidade for, é que se mete debaixo. Meter-se debaixo tem os seus riscos e alguns inconvenientes, mas até os alcatruzes o sabem, não se pode estar constantemente por cima. Bom, adiante, não se inquietem, não mudei de estilo, nem estou a ensaiar erotismo saloio. Simplesmente a ganhar embalagem para chegar ao assunto e, confesso, devo estar a ser influenciado, na forma, por um candidato assumido à Câmara de Lisboa, que me encanta com a sua postura, que eu creio seja filosófica, que o distância da plebe, sobretudo a jornaleira, que manifestamente o enfada. Sorri para ela enfastiado e só então diz o que lha apraz.
Não fora a influência e, decerto, já iria na adjectivação contundente, a escrever que aqueles tipos uns filhos da mãe e outros, provavelmente, nem isso! Não querem lá ver que uns se estão nas tintas e os outros ensandecidos pela avidez. Perdão! Embalei antes do tempo. Ainda nem expliquei da origem do furor. Pois, que não vá o sapateiro além da chinela. Vamos lá rebobinar
e recomecer pelo início. A Comissão Nacional de Protecção de Dados chumbou o projecto de instalar câmaras de videovigilância nas auto-estradas, que constava no Orçamento Rectificativo.
A posição da CNPD já vem detrás. Há uns anos as autoridades policiais tentaram em Guimarães
instalar um sistema de vigilância electrónica à zona histórica da cidade, alvo de vandalismo vergonhoso. A Comissão não vai em vergonhas e recusou.
Agora a situação quase se repete, mas a gravidade do que está em causa é bem mais delicada.A vigilância das auto-estradas, que permita identificar prevaricadores ou, melhor que isso, inibir
alguns dos excessos que tornam as auto-estradas portuguesas as mais sinistradas da Europa, não pode avançar por pruridos sobre direitos e liberdades.
Não se entende bem que direitos ou liberdade sejam coarctadas pela vigilância vídeo nas auto
estradas. É talvez mais um destes casos em que a letra da Lei se sobrepõe ao espíto dela.
Aceito que desta vez subsista o direito à reserva: a determinação aparecer incluida no Orçamento Rectificativo. Deixa, assim, de ter conteúdo para se tornar um impopular esquema de caça à multa.
O importante não é que se facture muita coima, mas que amaine o fluxo de excessos e diminua a sinistralidade. Podia-se puxar as orelhas ao governo, sem chumbar a medida. De facto, os direitos constitucionais não vão tão longe quanto se pode pensar ou como pode parecer. Ninguém é livre de pôr em risco a vida alheia nem tem o direito de se eximir às responsabilidades pelos actos que pratica, seja a onde for e mesmo nas estradas ou sobretudo nelas.
E a verdade é que se algum cidadão comum for a um banco depositar economias ou solicitar um empréstimo para ir de férias à Mautitânia, sujeita-se a ser vigiado, tal como, de resto, se for à estação de serviço abastecer o automóvel de gasolina, pode ser vigiado por câmaras de vídeo e se for na auto-estrada não o pode ser? Porque é que nuns casos não se violam os direitos e liberdades das criaturas e no outro, sim?
Não será legítimo que alguém de luto olhe qualquer um dos ilustres senhores da Comissão e não lhe reconheça direito ao mínimo de consideração ou mesmo que o considere responsável moral pela sua dolorosa solidão?
Sejamos claros: a videovigilância das auto-estradas pode ser, em Portugal, o único meio eficaz de normalizar o tráfego e desse modo reduzir a sinistralidade. Mas sejamos coerentes: em vez de um faminto Orçamento Rectificativo, que seja a Assembleia da República a decidir, com o aval
de Belém...
Não fora a influência e, decerto, já iria na adjectivação contundente, a escrever que aqueles tipos uns filhos da mãe e outros, provavelmente, nem isso! Não querem lá ver que uns se estão nas tintas e os outros ensandecidos pela avidez. Perdão! Embalei antes do tempo. Ainda nem expliquei da origem do furor. Pois, que não vá o sapateiro além da chinela. Vamos lá rebobinar
e recomecer pelo início. A Comissão Nacional de Protecção de Dados chumbou o projecto de instalar câmaras de videovigilância nas auto-estradas, que constava no Orçamento Rectificativo.
A posição da CNPD já vem detrás. Há uns anos as autoridades policiais tentaram em Guimarães
instalar um sistema de vigilância electrónica à zona histórica da cidade, alvo de vandalismo vergonhoso. A Comissão não vai em vergonhas e recusou.
Agora a situação quase se repete, mas a gravidade do que está em causa é bem mais delicada.A vigilância das auto-estradas, que permita identificar prevaricadores ou, melhor que isso, inibir
alguns dos excessos que tornam as auto-estradas portuguesas as mais sinistradas da Europa, não pode avançar por pruridos sobre direitos e liberdades.
Não se entende bem que direitos ou liberdade sejam coarctadas pela vigilância vídeo nas auto
estradas. É talvez mais um destes casos em que a letra da Lei se sobrepõe ao espíto dela.
Aceito que desta vez subsista o direito à reserva: a determinação aparecer incluida no Orçamento Rectificativo. Deixa, assim, de ter conteúdo para se tornar um impopular esquema de caça à multa.
O importante não é que se facture muita coima, mas que amaine o fluxo de excessos e diminua a sinistralidade. Podia-se puxar as orelhas ao governo, sem chumbar a medida. De facto, os direitos constitucionais não vão tão longe quanto se pode pensar ou como pode parecer. Ninguém é livre de pôr em risco a vida alheia nem tem o direito de se eximir às responsabilidades pelos actos que pratica, seja a onde for e mesmo nas estradas ou sobretudo nelas.
E a verdade é que se algum cidadão comum for a um banco depositar economias ou solicitar um empréstimo para ir de férias à Mautitânia, sujeita-se a ser vigiado, tal como, de resto, se for à estação de serviço abastecer o automóvel de gasolina, pode ser vigiado por câmaras de vídeo e se for na auto-estrada não o pode ser? Porque é que nuns casos não se violam os direitos e liberdades das criaturas e no outro, sim?
Não será legítimo que alguém de luto olhe qualquer um dos ilustres senhores da Comissão e não lhe reconheça direito ao mínimo de consideração ou mesmo que o considere responsável moral pela sua dolorosa solidão?
Sejamos claros: a videovigilância das auto-estradas pode ser, em Portugal, o único meio eficaz de normalizar o tráfego e desse modo reduzir a sinistralidade. Mas sejamos coerentes: em vez de um faminto Orçamento Rectificativo, que seja a Assembleia da República a decidir, com o aval
de Belém...
A estória
Quem me lê habitualmente já adivinhou o fim da estória que prometi ontem: ela, jovem ( 24, ou 25?) vai ganhar o seu lugar, lutando e rindo, mas com fibra ( antes torcer que quebrar).
Ela, todavia, vai continuar a ser portuguesa e, um dia, muito mais tarde, entre as suas gargalhadas contagiantes e os pesos mortos instalados à sua volta, vai reconhecer que, apesar de tudo, valeu a pena a luta.
Porquê? porque se divertiu com a vida, porque cimentou, consolidou os seus princípios e, inclusivé, foi capaz de os transmitir a outros - jovens e menos jovens, capazes e menos capazes.
Um dia - e eu ainda vou ver - ela vai confirmar que vale mais ser optimista. O mundo do "diz que disse" vai continuar a passar-lhe ao lado e, embora lhe possa provocar mossas, o fim da estória desta aminha heroína vai ser uma garagalha. Força.
Ela, todavia, vai continuar a ser portuguesa e, um dia, muito mais tarde, entre as suas gargalhadas contagiantes e os pesos mortos instalados à sua volta, vai reconhecer que, apesar de tudo, valeu a pena a luta.
Porquê? porque se divertiu com a vida, porque cimentou, consolidou os seus princípios e, inclusivé, foi capaz de os transmitir a outros - jovens e menos jovens, capazes e menos capazes.
Um dia - e eu ainda vou ver - ela vai confirmar que vale mais ser optimista. O mundo do "diz que disse" vai continuar a passar-lhe ao lado e, embora lhe possa provocar mossas, o fim da estória desta aminha heroína vai ser uma garagalha. Força.
quarta-feira, julho 06, 2005
Água fresca
Tenho uma estória para vos contar de uma jovem com 24 ( ou serã0 26?) anos. Começa o dia a dar explicações de inglês e de mais não sei quantas coisas. Chega a horas para fazer o seu "trabalho" de devoção. Entusiasma a "populaça", com a sua alegria a vontade de viver. Nos intervalos, vai atendendo uns telefonemas e resolve problemas familiares. Ralha, quando perecebe que a companhia de seguros a está a enganar com as questões da morte do pai em acidente de trabalho e pemanece uma verdadeira Lady Di na hora de falar com uma vedeta de TV, da ciência ou tecnologia.
A estória fica para depois.
Boa noite. Sonhos de luta , um acordar ligeiro e água fresca!
A estória fica para depois.
Boa noite. Sonhos de luta , um acordar ligeiro e água fresca!
FAZ DE CONTA /2
Era um bando, noutro canal. Augusto Mateus falava, falava, mas não dizia nada. Ao lado, Belmiro sorria e o sorriso do patrão lusitano dizia muito mais. Um deles era pateta, nem me lembra quem e de que é que era rico. Havia outro que não gostava de espanhois. Então não é que eles queriam o TGV em Badajoz! Oh! E porque eles querem...
Os espanhois estão a tratar da rede ferroviária deles e, naturalmente, de forma a prolongar-se para além das suas fronteiras. Eles não obrigam o pateta do senhor rico a ir por Badajoz para chegar a Madrid. O senhor pateta (que fazia sorrir o senhor Azevedo) pode, se quiser, ir por Marvão, desde que trate ele da linha e, depois, convença os espanhois em prolongar o seu devaneio: ir de TGV até Madrid.
Entretanto Augusto Mateus ia falando, falando e o senhor Belmiro ia sorrindo, reduzindo Augusto a nada. Depois, o próprio Belmiro de Azevedo mostrou o seu desagrado contra o projecto do comboio da modernidade. Nada contra o comboio mas contra o custo. Vir do Porto a Lisboa em menos de duas horas não compensa o preço. Pois não. Eu gosto de comboios e acho que qualquer comboio confortável que efectue o trajecto nas tais duas horas e meia que já efectuou, quando a linha não tinha ainda consumido alguns milhões em melhoramentos, é muito razoável. Mas a questão, e eu peço desculpa de não ser rico, não é essa. A opção por comboios de alta velocidade não é para chegar mais depressa à Malveira, mas sim às outras cidades europeias da Europa. E o comboio é bom para isso. Reconheço que pela nossa parte não precisamos de super comboios, mas precisamos de rede, precisamos de linhas e de tráfego regular que nos leve a nós e nos traga muitos visitantes de longe, de muito longe e que cheguem depressa. Porque da nossa parte, só temos de chegar à fronteira.
Sei do que falo. Já tomei o TGV genuino em Paris com destino a Lisboa. O dito sai e a primeira paragem é em Bordeus, qualquer coisa como seiscentos e picos quilómetros. Calma, nada de excitações. O percurso é rápido, umas três horas. Mas, depois, calma. Depois a ideia é despejar
gente pelas zonas balneares. Pára-se cada quarto de hora, até à fronteira, onde ainda não havia
nenhum comboio de alta velocidade com destino a Lisboa. Viaja-se uma longa noite por Espanha e chega-se a Vilar Formoso ao romper da aurora. Alguns dormem, outros conversam. Alguns sofrem.
Na maioria, os passageiros são portugueses, emigrados em França. Pelo caminho entram e saem
muitos espanhois. Os que ficam no comboio antiquado, habituados, habituaram-se e são gentis para os neófitos. Com o tempo e com a adaptação, trocaram o comboio pelo avião, até porque os preços aligeiraram no ar e agravaram-se nos caminhos de ferro.
Seja como for, o que está em causa não é ir mais depressa a Campanhã, pessoalmente só lá vou empurrado. A questão é saber se vale a pena criar condições para que se possa ir a Madrid, como quem vai a Braga, ou ir ver os filhos ou conhecer os netos a França, à Bélgica ou Suiça, do mesmo modo que (não) se vai a Fornos de Algodres.
Já na questão do aeroporto na Ota manifestamos (só me falta ser rico) o mesmo ponto de vista, eu na Net, ele no debate, não se deve trocar Lisboa. Ele defende que se deve dar mais espaço aos aeroportos de Faro e Porto. Nós por cá aceitamos a Ota, como complemento, ficando Lisboa como apeadeiro da comunidade europeia, durante o dia.
Havia outros senhores ostensivamente ricos, é verdade e deviam estar cheios de razão, mas não me lembro quem eram, nem o que é que disseram...
Os espanhois estão a tratar da rede ferroviária deles e, naturalmente, de forma a prolongar-se para além das suas fronteiras. Eles não obrigam o pateta do senhor rico a ir por Badajoz para chegar a Madrid. O senhor pateta (que fazia sorrir o senhor Azevedo) pode, se quiser, ir por Marvão, desde que trate ele da linha e, depois, convença os espanhois em prolongar o seu devaneio: ir de TGV até Madrid.
Entretanto Augusto Mateus ia falando, falando e o senhor Belmiro ia sorrindo, reduzindo Augusto a nada. Depois, o próprio Belmiro de Azevedo mostrou o seu desagrado contra o projecto do comboio da modernidade. Nada contra o comboio mas contra o custo. Vir do Porto a Lisboa em menos de duas horas não compensa o preço. Pois não. Eu gosto de comboios e acho que qualquer comboio confortável que efectue o trajecto nas tais duas horas e meia que já efectuou, quando a linha não tinha ainda consumido alguns milhões em melhoramentos, é muito razoável. Mas a questão, e eu peço desculpa de não ser rico, não é essa. A opção por comboios de alta velocidade não é para chegar mais depressa à Malveira, mas sim às outras cidades europeias da Europa. E o comboio é bom para isso. Reconheço que pela nossa parte não precisamos de super comboios, mas precisamos de rede, precisamos de linhas e de tráfego regular que nos leve a nós e nos traga muitos visitantes de longe, de muito longe e que cheguem depressa. Porque da nossa parte, só temos de chegar à fronteira.
Sei do que falo. Já tomei o TGV genuino em Paris com destino a Lisboa. O dito sai e a primeira paragem é em Bordeus, qualquer coisa como seiscentos e picos quilómetros. Calma, nada de excitações. O percurso é rápido, umas três horas. Mas, depois, calma. Depois a ideia é despejar
gente pelas zonas balneares. Pára-se cada quarto de hora, até à fronteira, onde ainda não havia
nenhum comboio de alta velocidade com destino a Lisboa. Viaja-se uma longa noite por Espanha e chega-se a Vilar Formoso ao romper da aurora. Alguns dormem, outros conversam. Alguns sofrem.
Na maioria, os passageiros são portugueses, emigrados em França. Pelo caminho entram e saem
muitos espanhois. Os que ficam no comboio antiquado, habituados, habituaram-se e são gentis para os neófitos. Com o tempo e com a adaptação, trocaram o comboio pelo avião, até porque os preços aligeiraram no ar e agravaram-se nos caminhos de ferro.
Seja como for, o que está em causa não é ir mais depressa a Campanhã, pessoalmente só lá vou empurrado. A questão é saber se vale a pena criar condições para que se possa ir a Madrid, como quem vai a Braga, ou ir ver os filhos ou conhecer os netos a França, à Bélgica ou Suiça, do mesmo modo que (não) se vai a Fornos de Algodres.
Já na questão do aeroporto na Ota manifestamos (só me falta ser rico) o mesmo ponto de vista, eu na Net, ele no debate, não se deve trocar Lisboa. Ele defende que se deve dar mais espaço aos aeroportos de Faro e Porto. Nós por cá aceitamos a Ota, como complemento, ficando Lisboa como apeadeiro da comunidade europeia, durante o dia.
Havia outros senhores ostensivamente ricos, é verdade e deviam estar cheios de razão, mas não me lembro quem eram, nem o que é que disseram...
FAZ DE CONTA
De facto, é a falar que a gente não se entende. Foi só um pedaço. Ao fim do dia já não há paciência. Apanhei Vitorino no caminho e o assunto era o perdão das dívidas aos países africanos.O estratega socialista é um bom conversador, sabe do que fala e, sobretudo, sabe falar. E também sabe, olaré se sabe, não falar do que não deve. A jornalista, claro, queria empurrá-lo para a velha questão: os africanos passam fome, têm imensa Sida, quer dizer são imensos milhões com a doença. Mas têm líderes ultra milionários. E muita da ajuda internacional foi parar aos bolsos dos ditadores.
António Vitorino sorriu, com um sorriso muito simpático, disse um pois é, mas...
O que um simples mas, pode ser venenoso. A corrupção, explicou, não esteve apenas nos que receberam, também foi dividida por alguns dos que deram!
Pessoalmente sempre acreditei que a corrupção é como a água benta. Um corrupto teve de ser corrompido senão não é corrupto nem é nada.
Para dourar melhor a pílula ele acrescentou que, desta vez, o plano de ajuda humanitária terá observadores atentos. Se forem suficientemente atentos talvez possam compreender como um país com jazidas de diamantes e com petróleo tem gente a morrer à fome.
António Vitorino sorriu, com um sorriso muito simpático, disse um pois é, mas...
O que um simples mas, pode ser venenoso. A corrupção, explicou, não esteve apenas nos que receberam, também foi dividida por alguns dos que deram!
Pessoalmente sempre acreditei que a corrupção é como a água benta. Um corrupto teve de ser corrompido senão não é corrupto nem é nada.
Para dourar melhor a pílula ele acrescentou que, desta vez, o plano de ajuda humanitária terá observadores atentos. Se forem suficientemente atentos talvez possam compreender como um país com jazidas de diamantes e com petróleo tem gente a morrer à fome.
terça-feira, julho 05, 2005
Crianças
Parada, a sorrir, de carapinha em tranças, aquela criança, quando por ela passei, estendeu-me a mão. De olhos negros, enormes, a rir
Era uma rua de Lisboa, apinhada de gente.
E ela, ali, a olhar para mim. A mãe - percebi depois- conversava com uma amiga. Problemas, confidências, troca de esperanças. A pequenita estendeu-me a mão, pequenina!!!
Segurei-a e ela pôs-se a caminhar junto a mim.
Assustou-se, a mãe. Quase ralhou, mas, no ar, ficou, apenas um gesto, a surpresa. E veio o sorriso. A filha tinha, afinal, conquistado, com a sua simpatia, simplicidade e desejo de ver o resto da cidade, um estranho, um cidadão vulgar, encantado com o gesto: "vem comigo, leva-me contigo..."
É assim, a nossa cidade, sem lugar para recusas ao mundo, aos outros que chegam e partem. Ficam para ganhar a vida ou viver a vida connosco porque gostam de nós.Somos um porto virado a Sul, ao Sol. À vida. Festejemos e demos as mãos a todas as crianças. Ensinemos-lhe o caminho da ternura, da solidariedade. Elas saberão responder construindo uma cidade sem lugar para exclusões, para os tribunos do ódio, da fanfarronice, da arrogância, da pobreza de carácter.
Façamos das crianças da nossa cidade, de todas as crianças, a razão das nossas vidas. Depositemos em suas mãos não apenas o futuro delas mas o nosso presente. E assim nos sentiremos - todos - mais dignos delas e de nós também.
Era uma rua de Lisboa, apinhada de gente.
E ela, ali, a olhar para mim. A mãe - percebi depois- conversava com uma amiga. Problemas, confidências, troca de esperanças. A pequenita estendeu-me a mão, pequenina!!!
Segurei-a e ela pôs-se a caminhar junto a mim.
Assustou-se, a mãe. Quase ralhou, mas, no ar, ficou, apenas um gesto, a surpresa. E veio o sorriso. A filha tinha, afinal, conquistado, com a sua simpatia, simplicidade e desejo de ver o resto da cidade, um estranho, um cidadão vulgar, encantado com o gesto: "vem comigo, leva-me contigo..."
É assim, a nossa cidade, sem lugar para recusas ao mundo, aos outros que chegam e partem. Ficam para ganhar a vida ou viver a vida connosco porque gostam de nós.Somos um porto virado a Sul, ao Sol. À vida. Festejemos e demos as mãos a todas as crianças. Ensinemos-lhe o caminho da ternura, da solidariedade. Elas saberão responder construindo uma cidade sem lugar para exclusões, para os tribunos do ódio, da fanfarronice, da arrogância, da pobreza de carácter.
Façamos das crianças da nossa cidade, de todas as crianças, a razão das nossas vidas. Depositemos em suas mãos não apenas o futuro delas mas o nosso presente. E assim nos sentiremos - todos - mais dignos delas e de nós também.
segunda-feira, julho 04, 2005
Questões de Estilo
Anunciei ontem que tinha pendurado as luvas. Recebi alguns telefonemas, uns tantos e-mails e, publicamente houve dois simpáticos membros da blogoesfera: LS, do Abnegado e Pindérico, do Só Palpites, lamentando o abandono que, segundo eles, eu anunciava.
Devo, seguramente, ter-me explicado mal.
Apenas anunciei mudança de estilo. Pendurei as luvas e vou tentar mostrar alguma habilidade para distribuir rosas, esperanças e sorrisos.
Ainda ontem, por exemplo, ao entrar em Lisboa, deixei-me arrastar pelo enlevo da luminosidade da nossa cidade e preferi maravilhar-me com a luz do fim de tarde a pensar noutras coisas.
Veio-me então à lembrança o encantamnento de uma velha amiga, habitante de outro país europeu, igualmente luminoso, mas que, quando chegava a Lisboa, se surpreendia com a sua própria irritação por constatar a existência de outros estrangeiros a gozar a luz de Lisboa.
Lisboa, espraindo-se na luz de um fim de tarde, sugere a descoberta de todos os encantos de mulher vivida, de menina atrevida, de mestiça de olhos doces e sorriso cumplice.
Lisboa, plantada de jacarandás e roseirais é um jardim de esperança que eu quero cultivar.
Outra Fase
Blogue. Foi uma ideia. Gira! Dá, aparentemente, uma certa capacidade de intervenção. Não nos ficamos apenas pela posição de espectadores...Óptimo. Mas, de repente, descobrimos que é uma espécie de masturbação intelectual. Quem lê não comenta e quem acredita não dá retorno. Quem anda à procura de ideias acha que as encontrou no quintal. E depois, vêmo-las florir, ali mesmo no jardim do vizinho, bem regado e adubado.
É giro, mas cansei. Das palmadas nas costas dos amigos, do sorriso simpático e das críticas cáusticas. "é só porrada, é só porrada!".
Estou Noutra.
Que me desculpem os parceiros aqui do lado. Vou virar-me para as coisas lindas da vida. Querem ver como é?
- " para quem estavas a falar com voz de cama...?
- .....???
- Sim, voz de cama, que bem a senti.
- ....???
- Escusas de olhar para o lado! Voz de Cama!!! Percebes?!
- Sabes, está na minha natureza: oferecer rosas, falar com voz doce, gostar que me respodam por enigmas, com sugestões. Está na minha natureza. Que fazer?
- ....????
- Cansei de falar de problemas sérios de denunciar a cáfila que vive aqui em cima de nós, a olhar para nós a sorrir para nós. Cansei de nós, assim, a aturar o carro do vizinho, o olhar da vizinha e adivinhar-lhe as intimidades...
-...???
- Está na minha natureza: gosto de rosas, de sorrisos, de beijos, nem que sejam apenas sugeridos. É tarde para voltar atrás... e tempo de seguir em frente.
-?????!!!!!
A parte deste blogue que me cabe é já outra. Pendurei as luvas.
É giro, mas cansei. Das palmadas nas costas dos amigos, do sorriso simpático e das críticas cáusticas. "é só porrada, é só porrada!".
Estou Noutra.
Que me desculpem os parceiros aqui do lado. Vou virar-me para as coisas lindas da vida. Querem ver como é?
- " para quem estavas a falar com voz de cama...?
- .....???
- Sim, voz de cama, que bem a senti.
- ....???
- Escusas de olhar para o lado! Voz de Cama!!! Percebes?!
- Sabes, está na minha natureza: oferecer rosas, falar com voz doce, gostar que me respodam por enigmas, com sugestões. Está na minha natureza. Que fazer?
- ....????
- Cansei de falar de problemas sérios de denunciar a cáfila que vive aqui em cima de nós, a olhar para nós a sorrir para nós. Cansei de nós, assim, a aturar o carro do vizinho, o olhar da vizinha e adivinhar-lhe as intimidades...
-...???
- Está na minha natureza: gosto de rosas, de sorrisos, de beijos, nem que sejam apenas sugeridos. É tarde para voltar atrás... e tempo de seguir em frente.
-?????!!!!!
A parte deste blogue que me cabe é já outra. Pendurei as luvas.
domingo, julho 03, 2005
Narciso
Abro o portão, olho a relva, noto o excesso de sol, a falta de água. Desvio os olhos e reencontro o narciso. Assento os pés na pedra e deixo-me fascinar pelo amarelo . Poiso a mala e deixo-me enlevar. Parado, olho dentro de mim e descubro-me naquela flôr - tão frágil - ameaçada pela seca, sobrevivente, quase a gritar-me. De repente, noto, que além de amarelo, o narciso, que eu próprio plantei há meses, é também vermelho, um círculo, bem marcado.
Sento-me aturdido. Aquela flôr afronta-me.
Que fazer?
Recupero a mala, entro em casa. Procuro água, lavo as mãos, o rosto e ergo os olhos: no espelho está o vermelho do meu narciso, a rir do meu incómodo. Volto ao jardim e colho a flor. Coloco-a numa jarra com água. Tenho a certeza de que aquele vermelho desmaiará com o tempo.
sábado, julho 02, 2005
SONHOS DE VERÃO
Um aeroporto na OTA e um TGV na rua da Betesga. Foi um foguete para bulir com as almas penadas, para desviar os jornais das greves e dos aumentos que estavam a chegar. Era e é necessário retomar o caminho, antes que a Auto-Europa vá à vida. E como os tesos nem água bebem, a Espanha já começou a desviar o caudal do Tejo. Que fazer?
Habituemo-nos.
Lisboa dispõe de um aeroporto especial: literalmente dentro da cidade. Habitualmente considera-se essa situação desapropriada. Será. Mas no caso de Lisboa dá jeito. Diria melhor: no caso português dá um jeitão. Se a Portela pudesse ter um acessório escorreito na OTA seria excelente. Se o governo, encostado aos problemas económicos, quisesse reduzir a aerogare de Sacavém a uma espécie de estação de Metro-aéreo, isto é funcionando apenas para voos de e para a Europa, durante o dia, fechando à noite. E por falar de Metro, se a rede deste chegasse à Portela, por baixo, que festa seria!
A OTA podia ser uma realidade interessante, recebendo tráfego intercontinental e nocturno. Um aeroporto amplo, limpo, sem excessos de luxo.
Mudar pura e simplesmente da Portela para a Ota para um projecto grandioso, só porque é caro? Parece excessivo para os tempos que correm, tanto mais que aglutinaria necessariamente
outros investimentos em ligações rodoviárias e ferroviárias, deixando para trás outras zonas do país.
Aliás, para um país tão pequeno a rede ferroviária é estranhamente escassa e de má qualidade. Quem quis visitar a exposição do DN, relativa aos 140 anos de existência teria tido oportunidade de constatar o ritmo espantoso para a época da construção do caminho de ferro e a forma rápida como se expandiu. Com o fim da guerra 39/45 a industria automóvel, com lobbies poderosissimos pressionou os estados para o desenvolvimento das redes de estradas e auto-estradas, sempre e mais, sempre mais, defendendo que o comboio já não respondia às necessidades de desenvolvimento. Foram 30 e picos anos que quase puseram de lado o tráfego ferroviário na Europa ocidental. Até que a Alta Velocidade recuperou para o comboio o antigo fascínio.
Não foi ainda o caso português. A recuperação tem sido lenta. Fala-se por aí de TGV, mas sem referir que, por exemplo as ligações a Madrid ou a Irun se fazem por vias únicas. As linhas não suportam velocidades. Só devagar, devagarinho ou quase parado. A linha do norte tem troços melhores e dispõe de comboios capazes de ligar Lisboa ao Porto em 2 horas, claro que tem, mas a linha não dá. Em muitos casos não chega só mudar a linha, é preciso quadriplicar ou criar caminhos alternativos.
Há quase tudo por fazer. Por ora só podemos sonhar. Tempos houve que só de burro se levava a água ao moínho. Ainda assim e como estamos em tempo de férias, aproveitem um pequeno passeio pelo passado. Façam uma viagem curta pela linha do Tua e pasmem, que hão-de gritar de medo ao ver um minúsculo comboio a rir-se da ferocidade fascinante do Marão...
Habituemo-nos.
Lisboa dispõe de um aeroporto especial: literalmente dentro da cidade. Habitualmente considera-se essa situação desapropriada. Será. Mas no caso de Lisboa dá jeito. Diria melhor: no caso português dá um jeitão. Se a Portela pudesse ter um acessório escorreito na OTA seria excelente. Se o governo, encostado aos problemas económicos, quisesse reduzir a aerogare de Sacavém a uma espécie de estação de Metro-aéreo, isto é funcionando apenas para voos de e para a Europa, durante o dia, fechando à noite. E por falar de Metro, se a rede deste chegasse à Portela, por baixo, que festa seria!
A OTA podia ser uma realidade interessante, recebendo tráfego intercontinental e nocturno. Um aeroporto amplo, limpo, sem excessos de luxo.
Mudar pura e simplesmente da Portela para a Ota para um projecto grandioso, só porque é caro? Parece excessivo para os tempos que correm, tanto mais que aglutinaria necessariamente
outros investimentos em ligações rodoviárias e ferroviárias, deixando para trás outras zonas do país.
Aliás, para um país tão pequeno a rede ferroviária é estranhamente escassa e de má qualidade. Quem quis visitar a exposição do DN, relativa aos 140 anos de existência teria tido oportunidade de constatar o ritmo espantoso para a época da construção do caminho de ferro e a forma rápida como se expandiu. Com o fim da guerra 39/45 a industria automóvel, com lobbies poderosissimos pressionou os estados para o desenvolvimento das redes de estradas e auto-estradas, sempre e mais, sempre mais, defendendo que o comboio já não respondia às necessidades de desenvolvimento. Foram 30 e picos anos que quase puseram de lado o tráfego ferroviário na Europa ocidental. Até que a Alta Velocidade recuperou para o comboio o antigo fascínio.
Não foi ainda o caso português. A recuperação tem sido lenta. Fala-se por aí de TGV, mas sem referir que, por exemplo as ligações a Madrid ou a Irun se fazem por vias únicas. As linhas não suportam velocidades. Só devagar, devagarinho ou quase parado. A linha do norte tem troços melhores e dispõe de comboios capazes de ligar Lisboa ao Porto em 2 horas, claro que tem, mas a linha não dá. Em muitos casos não chega só mudar a linha, é preciso quadriplicar ou criar caminhos alternativos.
Há quase tudo por fazer. Por ora só podemos sonhar. Tempos houve que só de burro se levava a água ao moínho. Ainda assim e como estamos em tempo de férias, aproveitem um pequeno passeio pelo passado. Façam uma viagem curta pela linha do Tua e pasmem, que hão-de gritar de medo ao ver um minúsculo comboio a rir-se da ferocidade fascinante do Marão...
Subscrever:
Mensagens (Atom)