segunda-feira, outubro 15, 2007

AO FIM DA NOITE

Cheirou-me a papeis rasgados, quando o locutor da Tv-Cabo,a propósito das meias finais do mundial de râguebi, anunciou a transmissão «em directo» para o...«fim da noite»!
Ainda sou, confesso, um sujeito capaz de se espantar e como a mulher é francesa, queria, com ela, ver o jogo. Aparentementeo «fim da noite» esteve previsto para as 20 horas lisbonenses, que são 21 em boa parte da Europa, para lá de S.Sebastião da Pedreira,perdão,perdão, queria Vilar Formoso.
Por aqueles lados europeus dão-se ao luxo de fixar o horário de ver a bola para as 20-45, após o noticiário nobre das 20, que termina antes das oito e meia. Segue-se a pub mais umas quantas informações televisórias. Nós por cá, como se sabe, não: a bola «lixa» o noticiário das 20 e valoriza o Cabo ou o «vizinho» que der o jogo!
O mundial de râguebi contou na primeira fase com a presença entusiástica da equipa portuguesa e prosseguiu, depois, sem ela. Desse modo, para a Sport-Tv,o directo tornou-se dispensável. E assim surgiu o adequado horário:«lá para o fim da noite».
Estou em crer que «fim da noite signifique «menos oneroso»!
É certo que, no meu esquema onerado eu tive direito a ver o directo, através de um dos canais franceses disponivel,o que me permitiu ver a França baquear face à «pérfida Albion» como se dizia na rádio de onda curta espanhola, nos idos tempos do generalissimo. E vi também a África do Sul arredar a animosa Argentina. Não vou, tranquilizem-se, comentar os jogos. Quanto muito daria conta de algum pasmo por ver
no conjunto africano um elemento quase escuro. Lembrou-me o Ben David, que jogou foot
no Atlético e era tão português como eu, nascido na +Alfredo da Costa+. O Atlético
aproveitouo defeso e abalou em digressão por África, dita, então, portuguesa. Na hora do regresso um convite simpático da África do Sul o derradeito jogo da digressão. Ben David,obviamente não podia jogar, mas o Atlético, que era alcantarense por alguma razão, alegou que, sim senhor, Ben David podia jogar. O seu (dele) passporte rezava que o nascido em Cabo Verde era branco, tal como era português.E sem ele não haveria jogo. Jogou, claro, no centro do ataque.Ontem, em Paris, o escurinho brilhou e participou em alguns dos empolgantes ensaios.Um em quinze! Ora, digo eu, tal como o fazia Tavares da Silva,quando beijava a mão às senhoras: «Tem que se começar por algum lado»...

quinta-feira, outubro 11, 2007

SANTO DEUS...

Ora bolas! Mal da fé quando um milagre necessita de certificado de origem.Diante de um milagre pasma-se, reza-se. Para canonizar os pastorinhos são precisos mais milagres!
Mais?
Vamos lá e com alguma calma. Fátima eliminou da Taça o Porto e se tal não é um milagre divino, não faço ideia que mais possa vir a sê-lo!
Atentem, por favor, que se eliminar o Porto como foi, não fosse milagre, o «prior» da freguesia das Antas ter-se-ia deitado ao árbitro, fosse ele quem fosse, como gato a bofe. Em boa verdade, Pinto nem piou. Alguma vez se viu?
O Fátima ganhou. Ganhou, sim senhor e ganhou em Fátima. O Porto perdeu e Pinto não piou. Ó céus, benditos crentes, que mais se pode desejar?
Não brinquem comigo: o Porto só perde se Deus, na sua infinita misericórdia, quiser...
É milagre, sim Senhor!
Querem ver que os bispos de Roma são um súcia de lampiões frustrados?...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Se o Ridículo Matasse...





















Neste fim de semana, a revista "Tabu", do semanário "SOL" publicou uma entrevista com a drª Catalina Pestana. Ao lê-la fiquei, finalmente, a perceber o que move esta senhora que destruiu uma das mais importantes instituições de solidariedade do país, uma destruição que, segundo ela e os seus amigos, foi a única solução para resolver um problema grave que, - sabemos agora - pelos vistos continua.





Só que não se sabe como. Dos internatos quase nada resta, O Colégio Pina Manique -o centro de todos os problemas - deixou de receber alunos dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, o que significa que dentro de dois ou três anos aquelas magníficas instalações também estarão disponíveis para venda - tal como aconteceu agora com o Colégio de Santa Clara.






o que está a acontecer na Casa Pia pós Catalina é a venda de património, muito do qual foi doado por particulares a troco de contra-partidas.






Enquanto isso, o Sr. Ministro da tutela foge a sete pés de falar do futuro da Casa Pia e a drª Catalina pavoneia-se nas revistas, com posturas ridículas e ameaças de contar mais coisas a respeito do famoso processo de pedofilia. Toda a gente espera que venha dizer, por exemplo, porque protegeu tanto determinados "meninos" - como ela lhes chamava - que deixavam os livros à guarda de funcionários e iam para o Parque Eduardo Sétimo.






As imagens que ilustram a entrevista da drª Catalina são a grande revelação; a srª sempre quis dar nas vistas, fazer pose para a fotografia, dar a conhecer a sua estória de "menina pobre", de "cultura operária".






Talvez esteja mesmo a pensar nesta entrevista no começo de uma brilhante carreira como modelo fotográfico ou - quem sabe ? - a musa inspiradora para uma telenovela daquelas que conta as desgraças de uma menina pobrezinha mas tenaz e com capacidade para chegar ao topo. Quem sabe o que significará aquela pose ridícula num dos acessos ao CCB?


Este conjunto de fotografias em que aparece a menina e já senhorinha e também com uma clebridade do PS - não se vá pensar que a cultura operária fez algum estrago na cabeça que até usa lenço... -terá, seguramente, a intenção de despertar a imaginação de um escrevinhador de telenovelas.




Terá, todavia, que ser na TVI, porque, ao dar a entrevista ao "Sol", queimou a possibilidade de se ver na SIC e não acredito que, apesar de tudo, de todas as cópias do modelo da América do Sul que a RTP tem vindo a fazer faça passar uma telenovela com, por exemplo o título "Catalina, a Grande".

domingo, outubro 07, 2007

PENSAR MELHOR

Achei bem que o primeiro ministro tivesse entendido explicar a premência na construção de novas barragens. Espero que ele não se sinta constrangido em recuperar a que Guterres mandou para o lixo, para poupar as gravuras razoavelmente milenárias.
Li qualquer coisa sobre a falência do projecto cultural e turístico. Quero crer que a barragem, ela, podia ter apoiado com vantagem o fenómeno, conservando as gravuras, sem as afundar. E teria sido mais útil para o País, fosse qual fosse o sucesso da exposição das gravuras.Os primeiros-ministros podem dar-se ao luxo de ser generosos. Podem, claro! Sobretudo quando o dinheiro é do povo. O obscuro jornalista que eu era,por essa altura, criticou a decisão de mandar uma barragem, praticamente pronta, para o lixo. Tanto mais que havia meios para salvaguardar as imagens gravadas na pedra. Prevaleceu a fé de quem mandava. Foi demais, mesmo levando em conta que Guterres era católico assumido!
Não deve ter sido por mór da fé que o governo de então anunciou de seguida um aeroporto para a OTA.O pobre jornalista, acima referido, bramiu contra, claro. Mas ele, recordo,nada tinha contra a Ota, até achava bem. Não queria, e ainda hoje não quer, era o fim do aeroporto da Portela.
Como está,o projecto cheira a papeis rasgados.A decisão de apressar o «Metro» para a Portela não visa melhorar os acessos. Afigura-se mais como meio de valorização de vasta área destinada à especulação imobiliária.
O país não tem necessidadede um imenso aeroporto em parte alguma.O que Lisboa necessita é de dois ou três aeroportos pelas cercanias e da «Portela» bem no centro, onde está. E não estou a dar nenhuma novidade. Imaginem quantos aeroportos rodeiam Londres! E de quantos conta Paris!
Quando o «Charles de Gaulle» abriu, lembro-me, «Orly» deixou de ter voos nocturnos.
Foi isso que «pobre jornalista» lembrou e sugeriu para a «Portela», quando o novo aeroporto de (ou para) Lisboa estivesse pronto, para que os lisboetas pudessem, todos, dormir em paz.
Receio que este país não tenha, de facto, jeito para aeroportos. Quando absorveu o aerodromo de Beja, imaginei que iria alargar-se à volta de Beja uma rede de acessos, mais virada para os lados de Espanha. Haveria por ali mercado para alargar o tráfego aéreo. Beja era bem mais perto do que Madrid. Imaginar,imaginei, mas estava a sonhar...

quarta-feira, setembro 19, 2007

MAIS EURO MENOS EURO...




É evidentemente uma graçola de mau gosto,uma montagem perversa ou uma canalhice acanalhada. Nada que não se espere de um governo de direita, camuflado de esquerdismo
baratucho. Seria muito bem feito que espetassem com estes gajos no tribunal, como se fez com o outro, do burgo intestino, e sem piedade! Que vão fazer gracinhas p'ra casa deles...

sexta-feira, agosto 24, 2007

ANDAR À TOA

Nem me lembro quem escreveu a frase que mais me vai marcando à medida que envelheço:«Quanto mais se avança no futuro é o passado que encontramos!».
Mas é o presente que mais me baralha e me remete para o que foi e se acabou.
Em Santa Apolónia havia um balcão de Informações. Havia, já não há.Perguntei ao da bilheteira onde perguntar.
- Lá dentro -, disse-me ele. - Junto ao gabinete do chefe da estação.
Num hall pequeno, duas mesas tipo secretária, cada qual com sua ocupadora. Pedi informação sobre comboios para e de Santarém.
-Ora aqui tem - disse-me ela, estendendo-me um pequeno horário desdobrável. Folheei e surpreendi-me.
- Aqui só mencionam comboios para Tomar e Entroncamento - disse-lhe. - Os «Alpha»
ou os «inter cidades» também lá param... Ou já não?
- Param, claro -- respondeu, com um sorriso. - Mas esses são com a minha colega, daquela mesa...
Uns dias depois, no feriado, tentei telefonar.Só se descortinam números esquema, «se for para isto carregue no...se for para aquilo, carregue no... Se não for para «isto» ou «aquilo» ficas a falar sózinho. Fui-me á lista anterior e lá vinha o número da Estação tal e qual. Mas qual quê...Logo que se estabelecia a ligação apareciao sinal de ligado ao fax. Transcorridos 21 quilómetros até à Estação, perguntei o porquê. Não há porquê. É assim.
Quando um dia destes quis ligar à cia seguradora (agora sou eu que falo assim)esbarrei com...«a sua chamada está em fila de espera. Deverá aguardar cerca de l8 minutos». Passados uns intantes a voz monótona avisou: «Tem 17 pessoas à frente e deverá aguardar 17 minutos». Foi repetindo, repetindo, até faltarem 8 pessoas e dois minutos. Cinco minutos depois ainda faltavam 6 pessoas e os mesmos dois minutos. Desisti. Telefonei para um amigo de um sobrinho do cunhado de um chefe de serviço. Passado meia hora o meu amigo ligou-me para me tranquilizar:o seguro já tinha sido pago.
Uma noite destas foi o telejornal a falar da balbúrdia nos serviços de estrangeiros, com os telefones na merda.
Lembro-me do primeiro telefone caseiro. Morava num sexto andar da Victor Cordon.Custava trinta paus por mês,o aluguer, e as chamadas cinco tostões. Era preciso pedir ao pai ou à mãe para telefonar. Como era adolescente, um dia telefonei para uma pequena, que morava perto da Covilhã. Na factura apareceu uma chamada de quinze mil reis e isso custou-me um arraial de porrada paterna. Eram bons tempo.O prédio tinha uma modernice: campaínhas na porta da rua. Mas uma vez esqueci-me da chave da dita porta. Passava um pouco da uma da manhã e a minha autorização para voos nocturnos terminava às dez!Uma vez fui apanhado às 0nze e cinco, e isso valeu-me duas semanas sem saídas pós jantar.
Bom, bate palmas, rapaz, bate palmas. O guarda nocturno lá apareceu, quando eu desesperava. Quem, hoje, se lembrará destes personagens típicos?
Estava a matutar nisto e desandei para as nuvens. E foi por me lembrar de chinelos de trança e de como eles deviam hoje constituir um sucesso, se alguém os soubesse fazer, que me lembrei das varinas, desta cidade, que me viu nascer. Vejo-me na «24 de Julho», quando ainda tinha bancos,alta madrugada, a descer com o Gonçalo Duarte,os dois, claro, com um grãozito na asa, quando começamos a ouvir a discussão de varinas da Madragoa, a caminho da Ribeira, e sentamo-nos num banco a apreciar. De súbito, no meio do sururu, uma das varinas gritou:«Fressureira, eu?Eu fressureira». E caiu num desatino. Imobiliza-se. Com a mão esquerda levantou as saias e com a direita dava palmadas no fundo da barriga, entre as pernas e gritava:«Olha pr'aqui, minha cabra, olha pr'aqui, pró calo dos colhões do meu marido!».
Eu e o Gonçalo ficámos desvairados e só mais tarde, na tasca da Ribeiro, conseguimos rir. Depois do copo senti-me deprimido
- Qu'é que tens,pá? - perguntava-me. - Tás com sono?
- Não! Não tenho sono. Mas... pois...é que...nenhuma das minhas namoradas tem calos
ali...

sexta-feira, agosto 03, 2007

SIM...MAS...

Como o comum das criaturas do meu tempo, fui para a escola aos sete anos. Já vos devo ter contado que tive um prof. trasmontano e tinha um presidente do Conselho de Santa Comba.
Um colega de carteira haveria de malhar com os ossos na Índia. Da confusão só teve o prelúdio. A parte dura seria depois, já ele regressara ao Século, onde trabalhou nas oficinas. Ainda a tempo da guerra que por lá estalou, quando o governo de então tinha metido «o socialismo na gaveta», para entre outras coisas fechar o jornal dos sapateiros e publicações afins, numa das cujas directava Natália Correia. O então ministro Alegre, também poeta, diria nas vésperas que o «Século» não podia fechar.
Já me perdi. Estava na escola para aprender a ler, mas comecei a falar disso por mor dos electricos. É que, de vez em quando, com uma «croa» (cinco tostões) lá ia até ao Conde Barão.
Havia, claro, outros mais desembaraçados que se penduravam no estribo e os cinco tostões davam para duas doses de tremoços. Aquilo dos eléctricos era negócio inglês. Não sei se era estúpido, mas tinha muita, muita gentinha a trabalhar. Começava cedo a circular e terminava pela madrugada. Havia, bem entendido, problemas de trânsito. Não que o tráfego fosse intenso. Durante a guerra na Europa os automóveis eram escassos e autocarros não os havia na Carris. A chatice advinha dos burros, cavalos ou éguas que puxavam carroças e que, por vezes, caiam sobre a linha, causando efervescência mais ou menos divertida e que também servia para justificar alguns atrasos.
E também havia comboios, que consumiam carvão. Nos comboios e nas estações deles também trabalhava muita gente, muita. Na minha terra, nesse tempo, podia-se ir até ao Porto ou a Sintra. E também a Cascais, mas nesta linha o comboio não ia a carvão e, nele, eu ia para a praia.
Na estação do Cais do Sodré havia muitas bilheteiras e para passar do hall de entrada para a gare, pelas diversas portas em cada qual estava um vigilante a vigiar as entradas.
Havia, é certo, outros circuitos à roda de Lisboa, que não conheci em pormenor.
Tal como os eléctricos, em Lisboa ou no Porto, os comboios desempenhavam um serviço público e eram economicamente rentáveis. Depois da guerra, quando a indústria automóvel irrompeu
em força, obrigando os governos a desviar verbas para construir estradas, auto-estradas e
outros caminhos asfaltados, foi sendo travado o desenvolvimento dos eléctricos citadinos bem como dos comboios urbanos ou interurbanos. Não se procurou conciliar, mas substituir. Foi assim até o caos se instalar.
As mudanças não ocorreram apenas nos meios e sistemas de locomoção, mas na economia de subsistência que se foi gerando e que levou ao esvaziamento dos empresas transportadoras e não só...
Além dos eléctricos, os ingleses exploraram por cá os telefones; mas os CTT também dispunham de redes. Quer os ingleses, quer os de cá, empregavam toneladas de criaturas. Deviam ser burros. Os novos directores-gerais, engenheiros, doutores e correlativos, acharam por bem reduzir os quadros ao mínimo possível. Nos transportes, por exemplo, só há alguns bilheteiros e muitas máquinas a fazer de. Nos comboios ainda subsiste o chefe da estação a agitar a bandeira e a apitar para a saída do Alpha ou do regional, mas no «metro» ou nos autocarros é só maquineta a controlar. Evidentemente que há muita balda e «eles» sabem. Sabem e contabilizam, agravando os preços. De facto esforçam-se por assegurar os sistemas de modo a travar os borlistas, mas estes também se esforçam, mas como a manutenção dos sistemas é onerosa e, claro, quem se lixa é o mexilhão. A opção pelos sistemas maquiavélicos não limita os custos empresariais, mas evita, isso sim, os diferendos laborais.
E vou voltar ao meu eléctrico de menino e moço. Custava cinco tostões quando ia para a primeira classe aos sete anos. Custou cinco tostões aos vinte anos, quando fui às sortes...

quinta-feira, agosto 02, 2007

IR E VIR

Já confessei que a ler jornais não vou lá, não entendo este mundo que me rodeia. Volta que não volta espanto-me, como me aconteceu em Paris, face à aterradora má vontade da comunicação social para com Sarkosy, desde que tomou posse da presidência. E como já vos contei não levou muito a perceber que não era o personagem em si, recentemente eleito, que estava em causa, mas a carência de temas apelativos que conduzam à compra, ou à venda, se preferirem, de jornais.
Como acontece noutros países, a oposição francesa está em crise aguda. Praticamente não existe. Melhor dizendo: existe mas fracturada, desiludida e descomandada! Façam o favor de notar que estou a referir-me especificamente a França. Nem me ocorrem outras crises do género pelas proximidades!
Não tardou que outra, noutro Continente, nos pusesse no mesmo rumo: a premência de vender papel. Nada melhor do que trazer à ribalta política o decote de Hilary Clinton. Mas desta vez reclamo: gaita, na foto dos jornais cá do burgo nem um bocadinho do decote se vislumbra. Mas que raio de história! Para que Diabo as mulheres têm mamas se não é para encher decote? Oh!Oh! como era diferente nos tempos de Kennedy! Esse até a Marylin consumia sem que jornais e jornalistas dessem um pio!
De facto, parece que falta jeito a muita gente para vender jornais.
Vale que por cá tudo bem. Os jornais vendem pouco e os gratuitos vão sobrando. Um dos matutinos pôs no lixo o soduku e as cruazadas; o vizinho alargou o espaço. Na estação onde apanhei o comboio vendem só o matutino que não e como não sabia, lá tive que ler o jornal e ficar a saber que «o cabo só deve cumprir 12 anos e meio»! É,claro, uma conclusão filha da mãe, mas os jornais, agora, são assim, cheios de criatividade. Como o juiz não fez o favor de arranjar uma condenação minúscula, que permitisse uma parangona a toda a largura, houve que improvisar...
Mas a Justiça não está livre, de facto, de ser posta em causa. Nem tanto pelos juizes e por algumas sentenças, mas por tudo à volta. Não se pode revelar o nome do menor que matou o irmão mais novo, mas como não é proíbido, por certo, divulgar o nome da vítima.
Permite-se, por exemplo, às televisões, entrevistar criminosos confessos ou acusados, como aconteceu com um religioso que assassinou um jovem na Madeira e já condenado, numa saída precária participou num programa de TV vergonhoso, que incluia uma maquineta detectora de falsidades. Narcisicamente, o criminoso saiu «inocentado». Na precária seguinte,o recluso sumiu-se com a mãe para o Brasil, via Espanha.
Este mais recente, também foi à TV dias antes do julgamento e acusou o vizinho, como quem vende banha da cobra.
Matar uma jovem e deitá-la ao poço é uma coisa, matar, atropelando uma jovem que atravessava a rua, na passagem para peões, é capaz de ser outra, mesmo que o tribunal tenha entendido condenar o automobilista em dois anos de prisão. Mas com pena suspensa!
Até para matar pessoas é preciso sorte e jeito.
Se um tipo acreditar nas paragonas dos jornais pode fazer projectos, pesando prós e contras.
Matar a vizinha do rés-do-chão, que é uma chata, custará quanto? Dez anos? Doze? Se for com carro talvez seja mais barato que matar à machadada. Se alegar que foi ela que pediu, haverá desconto? Poderá negociar-se a dispensa de recurso em troca de duas «precárias» por semana?
Parece uma espécie de roda da sorte, em que tudo é possível e nada está determinado. Um juiz diz vinte cinco, e o repórter contrapõe. 12 e meio!
Se já não há ética, que se ponha ordem...

sexta-feira, julho 27, 2007

DESAPRENDER ATÉ MORRER

Eu ignorante me confesso. Absoluta ou absurdamente, nem sei. Sei que não entendo. Ler jornais não é, de maneira nenhuma (alguma?) modo de saber mais. Duas semanas e meia de Paris e arredores chegaram e sobraram para entender isso. Todos os jornais e televisões, grosso modo, dizem mal ou ridicularizam o personagem presidente da República, eleito com apreciável maioria.Digo grosso modo porque o canal do Estado abstem-se. Quando não se tem à mão um qualquer caso objectivo improvisa-se. Tem é que se dizer (ou escrever) mal. Objectivamente mal ou caricato. Ainda esta semana, um editorialista improvisou a cena que seria o despertar de Sarkosy, deslumbrado com o cargo, a acordar a esposa para lhe lembrar que ele era o Presidente. Uma cabotinice reles, porque não foi estampada no «inimigo público» do pasquim, mas nas páginas de política comum.

Mesmo o desfecho do caso das enfermeiras cativas e condenadas à morte foi asperamente criticado pelo facto da mulher do Presidente ter participado; e não obstante o facto do ministro dos assuntos exteriores ter explicado os contornos das negociações e da recusa do Khadafi em receber ministros ou executivos da comunidade europeia.
Durante quase oito anos as enfermeiras e um dos médicos tiveram presos a sujeitos a
torturas físicas e psicológicas e a ser condenados à morte. Médico e enfermeiras foram acusados de injectar crianças com o virus da sida, mas são os hospitais que adquirem os produtos farmacêuticos, importados do estrangeiro, não são nem os médicos nem os enfermeiros. Ninharias para Khadafi, os altos interesses de Estado não se compadecem.
E em Espanha é o herdeito do trono a não ter direito à ira, quando um pasquim qualquer, presumivelmente humorístico, sugere o príncipe desnudado a tomar por tràs a esposa. Mas se, ao invés, se tivesse exibido o director da publicação a ser papado por um cigano bem apessoado, como alguns deles gostam de ser, ( não sei se entenderam que eu quis dizer "apessoados" e não a expressão "papados"), talvez a reacção fosse diferente, sem pôr em causa a santificada liberdade da imprensa, que como qualquer outra liberdade tem limites apropriados, qualquer que seja a moral convencionada. Ele há merdas que se não dizem e brincadeiras de mau gosto.
Pessoalmente não sou monárquico; como não sou de esquerda e menos ainda de direita. Sou descrente por convicção.Mas pelo facto de não gostar do ex namorado da senhora Segolene não tenho o direito de lhe chamar filho da puta, apesar de ser notório que pelo tacho ele se tem sujeitado a tudo.
Suponho que ainda não se saiba ao certo se Chirac vai ou não ser acusado de filhas de putice reles, que poderão afogar Villepin, que creio ter alguma dificuldade em nadar fora de pé. Mas antes destes já um presidente de outra família política tinha mandado afundar um barco pacifista
que se opunha a experiências nucleares, no Pacífico e que, imagine-se!, também tinha descendência ilegítima, ainda que tivesse um bon ami em Lisboa!
Quando a ministra demitiu o funcionário por dizer graçolas deu para perceber que a liberdade de expressão é uma treta e coisa que nem o governo legítimo tolera. Pois que se lixem e fiquem
com toda a opressão de que forem capazes. Estou-me borrifando. Já passei dos setenta. Não preciso de cautelas nem caldos de galinha. Em qualquer circunstância morrerei de velho...

quinta-feira, julho 12, 2007

Defice Democrático

O tema da democracia em Portugal está na ordem do dia - de resto, nunca deveria ter deixado de estar - não porque o presidente da República chamou a atenção para eventuais atitudes de abuso do poder e evidentes carências dos partidos da Oposição, mas porque o nosso sistema não é um sistema democrático.
Eu explico: a estrutura de poder saída de eleições que, segundo tudo indica, decorrem dentro das regras democráticas vigentes em grande parte dos países europeus (pelo menos), regra geral, não cumpre o programa com que se candidatou às eleições.
Esta verdade, verificada desde o 25 de Abril, representa uma fraude insanável, com repercussões catastróficas em toda a vida nacional, a primeira das quais é representada pela desconfiança generalizada dos cidadãos em relação a todos os políticos.
Quando um povo, na sua quase globalidade, não acredita nos dirigentes que escolhe para o governar, está tudo errado, sobretudo porque esta desconfiança cria, primeiro, o descrédito das alternativas e, depois, afasta os cidadãos da pouca participação que o sistema lhes permite.
Este alheamento permite, por outro lado, que os sucessivos governos saídos de eleições, cada vez menos participadas, esqueçam facilmente os grandes problemas das populações em geral e dispensem especial atenção à satisfação dos interesses dos mais variados lobies, como a banca, os petróleos, os automóveis, os construtores, etc. etc.
A certeza de que o programa com que os partidos concorrem às eleições não vai ser cumprido, transformou, de resto, as eleições legislativas, não na escolha de um programa de governo, mas na votação numa figura para primeiro-ministro e as campanhas trasnformaram-se na "venda" de um leader.
Por isso, a população, de uma forma geral, não lê, não compara os programas dos diversos partidos concorrentes e guia o seu voto pela simpatia que tem por determinada figura, pela "necessidade" que sente em desalojar quem está no poder ou porque, assim como é do Benfica ou do Sporting, milita neste ou naquele partido.
O resultado é uma tensão permanente entre oposição e governo, tendo como único objectivo a disputa do poder e uma instabilidade social perigosa, que coloca em causa os fundamentos da ordem e da legalidade.
A continuidade da mentira não deveria poder continuar. Os programas apresentados ao sufrágio popular deveriam ser rigorosamente cumpridos, pelo que deveria existir uma instância constitucional com a possibilidade, diria mesmo, com a obrigação, de demitir o governo que não cumprissse o programa sufragado.
Esta possibilidade/obrigação poderia ser partilhada pelo presidente da República e pelo Conselho de Estado, cuja composição não poderia continuar a seguir o actual sistema.
Este modelo poderia ser substituído pela existência de um Senado, que partilharia tal responsabilidade com o presidente.
Ou uma outra solução, ou qualquer outra mais elabora e eficiente. O que é importante é acabar com a enorme mentira a que chegamos através de um processo aparentemente democrático.

quinta-feira, julho 05, 2007

Icêndios e Televisões

Nos últimos anos, por esta altura, as emissões televisivas já estavam em chamas. Qualquer incêndio dava direito a directos, a repetição de imagens, as mais dramáticas, um verdadeiro festival do inferno.
Felizmente, este ano a "época dos incêndios" está atrasada. As condições climatéricas não são propícias, nem aos incêndios naturais, nem aos provocados por loucos ou criminosos.
Este facto parece ter perturbado as perspectivas de alinhamento dos noticiários das televisões, que, entretanto, têm recorrido a um estratagema que já deveria ter sido condenado por quem de direito. Como não há incêndios em directo, recorrem, a propósito de tudo e nada, à recapitulação dos incêndios dos últimos anos, sobretudo dos mais dramáticos.
Esta atitude parece uma provocação: "então, vocês, os incendiários, onde estão?...estamos à vossa espera...sabem? é que é difícil investigar para obter notícias nacionais e as internacionais custam dinheiro...os incêndios também ajudam a resolver o problema das férias dos jornalistas e de muito mais gente...vamos nisso!

sábado, junho 30, 2007

IDA E VOLTA

O problema com os idosos é que eles já viram os filmes. Já passaram por muito e já viveram antes muitos dos problemas que hoje se colocam, muitos dos quais nem há tanto tempo como isso! O défice instalou-se em plena euforia revolucionária. Os governos provisórios não tinham nem meios nem vontade de travar os desvarios do povo saído da opressão. Proibidos os despedimentos, por exemplo, logo o desemprego se instalou até se tornar assustador, especialmente na construção civil. Após as eleições e com o governo legitimado por eleições, Mário Soares entendeu, por bem, «meter o socialismo na gaveta». Foi daquele governo que saiu o «contrato a prazo». O que hoje soa a infâmia deu, na altura, resultado. O desemprego abrandou. Foi mais difícil equilibrar a economia. Foi o período longo e duro dos salários em atraso, que perduraram por diferentes governos, até que Cavaco Silva lhes pôs termo. Estão a reaparecer. E a crise agrava-se por culpa do governo. As deslocalizações não aconteceram por acaso. Era manifesto que iam acontecer.
O contrato a prazo já não é o paliativo que foi. No passado foram muitas as empresas do Estado que deram o mote do abuso renovando os contratos a termo certo ene vezes, borrifando-se para a legislação, mas acabavam por engolir boa parte desses trabalhadores, naturalmente prejudicados pela contagem de tempo para efeitos promoções ou reforma.
Hoje é bem pior. A Banca,por exemplo, explora os jovens à saída dos liceus ou faculdade, devolvendo-os ao desemprego uma duzia ou mesmo duas de meses depois. Mas não só. As empresas que sairam da posse do Estado desligam-se de imediato de comparticipar na economia do país. Reduzem os quadros, desfazem-se dos trabalhadores, substituindo-os, em muitos casos, por maquinetas, que não gozam férias, nem subsídios nocturnos.
Não é preocupação das empresas privadas o bem estar da população. O Estado, quer dizer os governos que alienaram e vão alienando os bens do Estado, não asseguram «o dever de lealdade» ao povo. E como se não bastasse é agora um dos ministros patetas que fechar as maternidades, deslocaliza os centros de saúde. A segurança social tornou-se uma espécie de passe do «metro» ou da «carris». Tem que se pagar. A opção é simples:a vida ou a morte!
Este governo não é socialista, disse o avô-cantigas da Segurança Social. O governo talvez não seja, mas eles, os ministros, a começar pelo primeiro, são. Pelo menos enquanto o Partido não os demitir, que para isso o P.R. não tem tomates, se me é permitida alguma jucosidade...

Cansei!

No começo foram as promessas a ficar no tinteiro, porque a situação, afinal, era pior. Os impostos foram aumentados, a saúde começou a complicar-se, a educação entrou em rota de colisão com os educadores e com os educandos, a ciência e a tecnologia fecharam-se nos lobies habituais, alguns deles a passar pela cama do ministro...
Depois foi a licenciatura do Sócrates: uma verdadeira ofensa para dezenas de milhares de homens e mulheres que tiveram de fazer enormes sacrifícios para dar possibilidades aos filhos para estudarem e estes para acabarem os cursos, a trabalhar de dia - no duro - e a estudar à noite.
Esta, da licenciatura, matou politicamente o jovem Sócrates que , ao contrário do que seria aconselhável, carregou a nota da arrogância e da prepotência, fazendo queixa crime contra quem tinha denunciado a alegada trafulhice do seu diploma.
Agora é o ministro da saúde a despedir a directora da saúde de Vieira do Mindo, uma terra onde, segundo me recordo, no tempo da outra senhora mandavam os padres , tendo um deles corrido à pedrada um dos bibliotecários da Gulbenkian (daquele bendito programa das bibliotecas itinerantes).
Depois, temos o ministro da solidariedade e do trabalho e de não sei mais o quê, que, a princípio , parecia ser uma pessoa em quem confiar.
Sem falar no desastre do código do trabalho, da baralhada que vai ser porque nem patrões nem empregados vão apreciar as alterações e a economia portuguesa vai ficar ainda pior, repleta de conflitos insolúveis, temos as coisas concretas que ele governa, ou antes as instituições que estão sob a sua tutela.
A Santa Casa da Misericórdia é um peso morto. O Rui Cunha chega tarde e sai cedo, não faz nada e ao que parece também não sai de cima.
A Casa Pia é gerida por uma militante socialista, chamada Joaquina Madeira, que tem no gabinete uma colecção de galinhas às quais uma empregada tem - todos os dias - que dar milho.
O PS e Vieira da Silva prometeram remodelar, transformar a Casa Pia , mas o que está a acontecer é que se preparam para a fechar.
Começaram por nomear a senhora da galinhas para provedora, depois o Jorge Lemos, ex-PCP, com gostos especiais, porque depois do almoço aparece sempre com uns olhos esquisitos, foi nomeado director do principal colégio da instituição, o Pina Manique, por detrás do Mosteiro dos Jerónimos.
Sabe pouco, exerce durante pouco tempo e costuma explicar porque é que o director não pode ser eleito e tem que ser nomeado.
Ete ano a Casa Pia acabou com o segundo ciclo - um primeiro passo para o nascimento de um projecto de especulação imobiliária em Belém e em todas as outras zonas onde a Casa Pia tem colégios.
Aproveitaram a questão da pedofilia para destruir a única instituição, que, do ponto de vista da formação profissional, produzia resultados positivos. Deram milhões a uma comissão de avaliação, à frente da qual estava o engº Roberto Carneiro, que tem a habilidade para ganhar dinheiro de todas as maneiras e feitios e onde estava, igualmente, o dr. Daniel Sampaio, irmão de Jorge Sampaio, para o qual, ainda há pouco tempo os pais eram os responáveis por todos os males que as criancinhas faziam e agora já defende a necessidade de maior autoridade nas escolas e na família.
Esta e outra gente comportaram-se com uma comissão liquidatária da Casa Pia e o ministro foi aprovando, aprovando, asim como aprova tudo da Santa Casa.
Esperemos que saiba que muito do património da Casa Pia foi doado em testamento por gente que apreciava os objectivos para que foi criada a Casa Pia e não permita, por exemplo, que algumas das quintas existentes por essa via vão parar às mãos de alguns dos liquidatários.
Espero que o ministro saiba que, por exemplo, os herdeiros dos doadores da Quinta de Colares, dado o desevolvimento da situação na instituição estão dispostos a reclamar a sua devolução, o mesmo acontecendo com os proprietário do Arrife, cuja doação tinha como objectivo a criação de uma Escola Agrícola.
Agora, a Casa Pia vai dispensar não sei quantos professores e a dona das galinhas resolveu promover uma campanha de marketing, oferendo medalhas aos que têm mais de 25 anos de trabalho na instituição. Tanto quanto julgo saber, os laureados gostariam de meter as medalhas em sítios esquisitos, mas não querem correr o risco de, também o ministro Vieira da Silva, com aquele ar de homem sério, lhes mover um processo disciplinar e correr com eles para os bancos do jardim onde é cada vez mais difícil encontrar um lugar para jogar a sueca.
Cansei!!!
Cansei de saber que há gente nos hospitais angustiada porque, depois de hospitalizada um certo número de dias, tem que pagar o internamento - contas que, às vezes, chegam a assustar. Imaginem um idoso (velho mesmo) reformado, com uma pensão de miséria, com uma conta de hospital de três mil euros na mão, com um funcinário à perna a dizer-lhe que tem que pagar.
Cansei!!!
Não foi para isto que votei e estou a adivinhar uma ditadura do medo, que também me assuta porque também eu vou caminhando para idoso (velho mesmo!!!)
É preciso acabar com isto. Esta democracia já não serve as pessoas de bem, já não serve o povo. É preciso passar a palavra e começarmos a organizar grupos de cidadãos dispostos a contestar este poder sem legitimidade porque os seus representantes foram eleitos para cumprirem um programa que adulteraram profundamente.
É preciso acabar com o sistema. Não basta que este governo caia, porque , a seguir, virá outro ainda pior, com piores homens e mulheres.
Este governo já não representa os portugueses. E outros, eleitos no mesmo sistema, também não o representarão.
Cansei de ouvir mentiras, prosápias, discursos ocos feitos em tom grandiloquente. Cansei de ser sujeito a leis feitas por gente que nunca trabalhou, que começou nos bancos da escola a fazer política e nas fotocopiadoras dos partidos a delinear carreiras de chefes de gabinte, secretários de estado, ministros e - quiçá! - primeiros-ministros.!
Estou cansado, PORRA!!!!

sexta-feira, junho 29, 2007

FICAR A DEVER

Qualquer criatura que compre casa a crédito contrai o dever de lealdade para com a instituição de crédito. Em boa e honesta verdade, a instituição está-se nas tintas para a lealdade, quer é o taco a tempo e horas e quer, agora, extrair mais a quem não cumprir na hora do vencimento. Mesmo que vá ao café dizer que o banqueiro é um agiota, mas pague, o banco borrifa-se. Com os ministros pia mais fino. Eles entendem que têm o direito de fazer asneiras e dizer disparates, sem que o funcionalismo hiper dependente possa rebolar-se de gozo, tal como o faz o comum dos mortais. O dever de lealdade deve inibir o funcionário, ou a funcionária, sobretudo se é conhecido o seu sentido de voto, porque se for devoto, bom! bom! vocês sabem: Deus é grande e misericordioso e a lealdade é como a água benta: cada qual toma a que quer! Viram, Manuel Alegre não foi desleal, não senhor, nada disso: não sabe é ler!...
Um outro manda-chuva antes destes, também ele, um furioso do dever de lealdade, perseguia os desleais com requintes de malvadez fascista e foi por essas e por outras que lhe chamaram nomes feios. Agora, pelos vistos, é um direito democrático...

quarta-feira, junho 27, 2007

A vergonha do Hoquei em Patins

A selecção nacional de hóquei em patins quedou-se por um mísero sexto lugar no último mundial da modalidade, perdendo com a Suiça (que a Espanha, entretanto goleou por 8/l) e depois com a França.
A classificação é uma vergonha, mas pior é o seleccionador vir dizer, no final, barbaridades, tais como "o hoquei evolui e os outros países também evoluem.... e não sei que mais"
Oh! homem! É isso mesmo.Nós que sempre fomos os melhores temos que evoluir mais que todos os outros.
Além disso há coisas importantes que Portugal - e a Espanha - deveriam fazer no que respeita às leis do hóquei. Aquela lei do anti-jogo que obriga que só se jogue em meio campo (um jogo com rodas...e não aproveita o espaço todo????!!!!!!!) veio beneficiar os jogadores com menos técnica e menor velocidade, que foram sempre as grandes armas portuguesas.
Por isso, senhores responsáveis do hóquei nacional, façam evoluir a modalidade e lutem por que as regras permitam a exploração de todo o nosso potencial.
Porque será que os portugueses não conseguem fazer prevalecer os seus interesses a nível internacional? É que, por vezes, nem sequer os conseguem identificar...

sábado, junho 23, 2007

HÁ MAR E MAR...

Quando eu era mais novo, e já havia Portela, ia-se de barco para o Brasil, como, grosso modo, se ia para África. Não me recordo se podíamos ir directos para os «states» em barcos portugueses ou como é que se faria. Os americanos também vinham de barco. Foi a guerra que melhorou os aviões. Mesmo assim durante muito tempo para mudar de continente pelo ar era preciso passar por Santa Maria. Por cá existiam duas companhias de transporte marítimo. Uma Nacional, outra Colonial. Vejam lá se adivinham qual era a que ia para África e a que ia para outros destinos. Mas, mesmo antes da Portela, já se andava de avião. Sei porque o senhor Gago Coutinho foi ao Brasil, com Sacadura Cabral, se não estou em erro. Foram de hidro, que emergia da água. Ele era dado a devaneios. Depois do Brasil teve um fraco pela Beatriz Costa, cuja dita não deixou, por isso, de ir ao Brasil de barco.

Nem sei se houve discussão sobre o aeroporto ser na Portela ou se alguém preferia a Malveira. Quando foi feito, o «senhor dos aneis», que havia nesse tempo, não costumava discutir nem com jornalistas, nem com o comum dos mortais. Mandava fazer. E fazia-se.

E quando o patrão Adolfo começou a fazer a união europeia dele, já tinhamos aeroporto. E, como já expliquei, continuou a ir-se de barco, tudo que fosse para além do jardim da Estrela. Avião demorou o seu tempo até tornar-se meio de transporte. A parte chata com os navios é que só andavam na água e nunca alguém se lembrou de lhe pôr umas rodas! O aeroporto dos barcos era o Cais de Alcântara e a alternativa o da Rocha de Conde de Óbidos. O Terreiro do Paço e o Cais do Sodré só davam para Cacilhas. De Belém, além de papar pasteis, podia-se ir para a Trafaria, com os calções de banho enrolados na toalha.

E de Santa Apolónia sabia-se pouco. A estação da ordem era a do Rossio, com o túnel em fundo, repleto de fumarada.

Nos anos trinta, sei eu, já havia linha de Sintra. Via-os passar por Queluz, onde morava à beira da estação. Como por lá passavam também comboios para o Porto.

O marquês de Pombal, que teve de reconstruir a Lisboa que o terramoto destroçou, deve ter ficado passado quando lhe contaram que Lisboa estava cheia de eléctricos, tão eléctricos tão, que nem precisavam mais de cavalos para os puxar. Nem deve ter acreditado!Nem sei como fizeram, mas como eram ingleses faziam e tomaram bem conta do que fizeram até que, a dada altura, mijaram fora do penico e o artista da calçada da Estrela pô-los a mexer daqui.Também os telefones eram ingleses e deixariam de o ser pelo mesmo motivo, o dos ingleses serem pacifistas com as guerras dos outros.

No pós guerra o automóvel surgiu de rompante e com ele as auto-estradas e o desleixo pelos comboios. Os aviões engrossaram de tamanho e de número. O retorno ao comboio começou a brotar com os comboios velozes do Japão. Uma parte da Europa começou a reconsiderar. E a França avançou com o TGV.

O problema com os comboios de alta velocidade é o de serem outros comboios a exigir outras linhas. Comboios seria fácil: bastava deixar entrar, que eles depois saíam. São precisas outras linhas, as nossas já estão gastas. E as linhas é que custam os olhos da cara. Quando foi da Feira de Sevilha, os espanhóis avançaram com a linha Madrid-Sevilha, para alta velocidade. Na altura
acharam por bem travar. Os riscos em Espanha eram e continuam a ser levados em linha de conta e o comboio começou por ir menos depressa do que podia!Não se pode evitar tudo, mas faz-se um esforço. E o esforço em prosseguir está de volta. Não se vislumbram muitas alternativas: ou abrir a porta ou marcar passo. Nem esqueçam que tempo é dinheiro...

Quando se coloca a questão do preço deve ter-se em conta a qualidade do serviço que se deseja.
É a linha em condições que permite um bom serviço e atrai consumidores.

Se já houvesse tgv no tempo do primeiro dos afonsos ele teria decerto chegado mais depressa a Lisboa, mas talvez deixasse pelo caminho, para os moiros, a Ota, a Universidade coninbriceira e a fabriqueta socrática de queimar o ferro velho...

Pena é que não se possa construir o aeroporto em Virtudes, onde até já passa o comboio. Imaginem o aeroporto de Virtudes. Poder-se chegar ao topo do mundo como gente de Virtudes.
haverá preço para um aertoporto destes?

quinta-feira, junho 21, 2007

POUCA TERRA - POUCA TERRA

Creio que se pode e deve contestar medidas do governo sem contestar o governo em si mesmo.
Quando defendi a continuação da Portela fi-lo logo que foi apresentado, ainda no tempo do governo de Guterres e não mudei de opinião, nem os posteriores governos me deram motivos para mudar de parecer.
Quantos a comboios é uma questão diferente. O governo prepara-se para um sonho, não direi impossível, mas pior que isso: desnecessário. E eu sou a favor do caminho de ferro. Pessoalmente adoro comboios e ainda recentemente usei o TGV entre Nantes e Paris; a primeira vez que usei essa beleza foi no Século passado, para ir a Marselha ver o França-Portugal a contar para o Europeu, ainda jogava o Chalana!
Por cá, não precisamos de TGV para porra nenhuma.Mas precisamos, isso sim, de piso decente para os comboios. Os outros que tragam até cá os seus deles tgvês. Desde que cá possam chegar,
estamos servidos.
A verdade é que não temos nem espaço, nem destinos para linhas de TGV. O que dispomos é de mau piso. As linhas não aguentam. Mas, meus senhores, dispomos de comboios capazes de fazer Porto-Lisboa em menos de duas horas, os comboios, sim, as linhas não.
A segunda verdade tem a ver com o investimento. Não faz sentido ir de tgv à Cruz Quebrada e para um tgv, Santarém é Cruz Quebrada, ou nem isso. Houve quem refilasse porque a CP (parece que já não se diz assim) cortou nos intercidades e nos alphas. Costumo apanhá-los, de vez em quando, aqui, em Santarém. Acontece-me com frequência ser o único passageiro a subir, mas o mais frequente é haver dois ou três passageiros pacientes e, dentro haver lugares de sobra. Estou, como se vê, no principal eixo do País. Comboios cheios há-os, com certeza, entre Lisboa e Porto, não todos, mas alguns ao longo do dia, mas nem um só, creio eu, directo entre Lisboa e Porto. Se deixarmos Julho e Agosto de fora, quantos comboios ditos rápidos haverá entre Lisboa e Faro? Alguns deles cheios?
Como as linhas são más, e para a maioria dos destinos por via única, incluindo o que vai para um povoado distante, nem sei se conhecem e se chama Espanha, os comboios, dizia, tornam-se maçadores. Será, talvez diferente, quando houver linhas aptas e comboios ultra. Talvez. Lembro que, em França, houve um período divertido em que muita gente parisiense, sobretudo a que trabalhava com computadores, trocou de casa e foi ou para Lyon ou mesmo para Marselha, onde o preço das casas era mais acessível, e vinham a Paris uma ou duas vezes por mês.
Hoje há montes de tgvês por toda a França e nem todos andam muito depressa, mas compensa e se repararem a maoria dos passageiros anda com o seu pc.!!!
Não faço ideia se os suiços já têm tgv. Nem devem precisar, o francês já lá chega! E quando algum deles aqui puder chegar vai ser uma festa...

terça-feira, junho 19, 2007

PORCOS, FEIOS E BERAS

Devia começar a cronicar a resmungar pelo mau cheiro dos porcos, mas já lá vou. Tenho de começar pelos bem vestidos. É que antes de abrir por aqui fui espreitar as últimas e lá estava o elegante ministro dos aeroportos a dizer que não senhor, Portela+1 nem pensar. Este ministro, ele sim, ele dá que pensar e quem devia pensar nele mais a sério era o primeiro a contar da esquerda.
Outras descargas de mau gosto ocorrem de vez em quando. São efeitos, maus, das suiniculturas,
perdão: dos suinicultores, que continuam a beneficiar do deixa andar das autoridades para descarregar sobre os rios e, pior ainda, sobre veios de águas subterrâneas. Existem meios e modos de criar porcos para abate, sem infernizar a vida à vizinhança com os odores dos bichos propriamente ditos e os dos porcos dos donos e vice-versa.
Sei do que falo porque resido no campo, onde laboram algumas das criaturas que vivem (e bem) de maltratar os bichos e os vizinhos. No entender dos «ditos cujos» quem não está bem muda-se. No meu entender é o ministro da Agricultura, não só este, mas todos os outros que por ali passaram que se estão e estiveram nas tintas. Por aqui ainda havia quando eu cheguei muitas fontes de água natural, fresca e deliciosa. Me espantei por não haver quem se desse ao cuidado
de explorar comercialmente a água que jorrava das fontes e escorria ao Deus dará. É verdade que algumas das lojas de comes e bebes se davam ao trabalho de encher muitos garrafões de água, que, depois, enchiam garrafolas de marca. Distrações. A s próprias autarquias estão sempre a chorar por investimentos e não investem no que têm à mão. Neste do meu burgo não investiram e já não podem investir porque os veios de águas subterrâneas estão contaminados.
Só resta aos autarcas comungar com os senhores suinicultores e fechar os olhos ao crime.
Acima dos autarcas os membros dos governos, que estão ou passaram, não sabem, não viram, não estavam lá. Porcos? Ora!... Por vezes os rios transbordam. Que maçada. Às vezes multa-se um deles, decerto com muitos cuidados. Trata-se, meus senhores, de um crime contra a Natureza; de um crime contra a humanidade. Até aqui sem intervenção estatal...
Recentemente arribou gente nova que, tal como eu, quando cheguei, há 15 anos, tentaram mobilizar os vizinhos para se queixarem do mau ambiente que as suiniculturas proporcionam.
O responsável pela Junta de freguesia cedeu a sala das festas para a vizinhança se reunir.
Numa dessas reuniões esteve presente um «distinto», vai entre comas para evitar um palavrão,
cujo dito explicou que não era dono dum fábrica de perfumes!
No município mostraram-se compreensivos, mas com muita pena de não poderem fazer nada. Mas acharam por bem prevenir o pobre infeliz da Junta que à próxima cedência da sala para fins inconvenientes ficam sem subsídio para festarolas...
Entretanto, todas quartas-feiras aumentam o preço da água canalizada, pouco aconselhável para beber sem prévia fervura. Por tudo isto, todos os crentes e devotos ficam avisados que sempre que comerem carne de suino devem pedir perdão...

segunda-feira, junho 18, 2007

TODOS JUNTOS...

Dispomos de(nem sei se deva dizer aturamos?)um governo maioritário. Neste caso podemos verificar que temos um ministro que diz que manda, outro que faz o que quer, um outro encarregado de dizer disparates e uma ministra que é má como as cobras. O primeiro da escala garante que não senhor, os centros de saúde não fecham. Mas o outro vai-os fechando e não abrem, que é para tratar melhor dos doentes. Com a Ota está a ser um pouquinho ao contrário, não se sabe bem quem é que diz sim e quem diz não!O problema não reside unicamente no aeroporto ou na falta que esteja a fazer, este tipo de urgência premente pode sempre esperar. A urgência urgente é outra e terá mais a ver com financiamentos a desfinanciados carentes e já quase afogados em carências.
Um projecto para andar não pode ser barato. Quem nos apoia nosso amigo é, logo precisa de ser estimulado.É óbvio que para o «nosso» amigo o estímulo pode vir de qualquer lado, conquanto chegue a tempo e horas. Deve ser isso que motivou o Porto a avançar também com um projecto para o aeroporto de Lisboa, que ficaria melhor centralizado se fosse estendido na Trofa ou em Vila Nova de Gaia. Bota-se um tgv, ao cantinho, do lado esquerdo, e chega-se ao Marquês, num estantinho, sem afectar o impacte ambiental do deserto Seixal e das áreas agrestes envolventes.
Quem poderá torcer o nariz é Aveiro, por mór da Ria, mas o presidente da Câmara de Gondomar daria um jeito para pôr o Beira Mar na primeira divisão. Depois, na Portela, podia-se ter o já prometido jardim pequenino, para passear os cãezinhos dos prósperos moradores dos bairros, que brotariam de jacto, logo que o aeroporto fosse à vida...

quarta-feira, junho 06, 2007

NÃO É POR MUITO ARGUIR/ QUE AMANHECE MAIS CEDO

Parece que não quer dizer nada. Acusar não é condenar. O «barão da droga» foi arguido, fugitivo, acusado, julgado, condenado, recorrido, rejulgado e absolvido!
Talvez acabe por ter uma estátua, ou por comprar a Telecom e acumule com o Expresso, se entretanto o fumo não lhe der cabo dos pulmões.
É, afinal, uma lufada de ar fresco ser-se arguido e presidir-se à câmara de Paio Pires,de Fornos de Algodres ou dos Mártires da Pátria.
A gaita é que não tem importância mas chateia. O comum das criaturas pensa mal da condição arguida.Incomoda os senhores,ainda que os não iniba de se recandidatarem, a Lisboa,por exemplo!
Ora bem: a questão não é, nem deve ser, saber o que fazer de um arguido ou qual deve ser o comportamento do vilipendiado, porque em boa e honesta verdade «arguido» é um adjectivo do caraças!
A palavra não tem o cunho que se lhe atribui, dizem os manda-chuvas. Nesse caso devia
sacudir-se do léxico, excluí-la. Em vez disso o senhor Procurador preconiza arranjar outro termo. Se não fosse o senhor Procurador ser o procurador que é atraver-me-ia a afirmar que isso é disparate. Quando um meu vizinho do segundo esquerdo, que é distraído que se farta, me perguntasse o que é isso de ser «testemunha qualificada»?, eu, que sou burro, dir-lhe-ia: "é um arguido"! Para ele completar:"Ah!tou a ver"!!!
O problema é outro e é profundo, maquiavélico, diria melhor.A diferença entre ser um xui ou um magistrado a qualificar um cidadão de arguido não é nenhuma se...
As coisas continuarem como são! O que lixa o sistema é o próprio sistema ser criminoso.Acusar alguém de isto ou aquilo e demorar dois, três ou mais anos a proferir uma acusação ou a julgar a causa é lixado, absurdo, doentio. Classificar alguém de suspeito, arguido ou testemunha qualificada deverá, isso sim, implicar julgamento imediato.
Não faz sentido causticar o autarca de Oeiras ou os de outras câmaras e os processos não andarem para a frente. Não faz sentido andar, agora, a perguntar as horas a João Soares, quando o relógio dele é já outro. A madame de Felgueiras não fugiu por ser arguida, baldou-se foi quando a avisaram de que iria ser detida. Os amigos são para as ocasiões e um «amigo» daqueles bem podia ter sido arguido de qualquer coisa, mas até as criaturas com poderes para arguir o próximo fazem por esquecer...