quinta-feira, julho 12, 2007

Defice Democrático

O tema da democracia em Portugal está na ordem do dia - de resto, nunca deveria ter deixado de estar - não porque o presidente da República chamou a atenção para eventuais atitudes de abuso do poder e evidentes carências dos partidos da Oposição, mas porque o nosso sistema não é um sistema democrático.
Eu explico: a estrutura de poder saída de eleições que, segundo tudo indica, decorrem dentro das regras democráticas vigentes em grande parte dos países europeus (pelo menos), regra geral, não cumpre o programa com que se candidatou às eleições.
Esta verdade, verificada desde o 25 de Abril, representa uma fraude insanável, com repercussões catastróficas em toda a vida nacional, a primeira das quais é representada pela desconfiança generalizada dos cidadãos em relação a todos os políticos.
Quando um povo, na sua quase globalidade, não acredita nos dirigentes que escolhe para o governar, está tudo errado, sobretudo porque esta desconfiança cria, primeiro, o descrédito das alternativas e, depois, afasta os cidadãos da pouca participação que o sistema lhes permite.
Este alheamento permite, por outro lado, que os sucessivos governos saídos de eleições, cada vez menos participadas, esqueçam facilmente os grandes problemas das populações em geral e dispensem especial atenção à satisfação dos interesses dos mais variados lobies, como a banca, os petróleos, os automóveis, os construtores, etc. etc.
A certeza de que o programa com que os partidos concorrem às eleições não vai ser cumprido, transformou, de resto, as eleições legislativas, não na escolha de um programa de governo, mas na votação numa figura para primeiro-ministro e as campanhas trasnformaram-se na "venda" de um leader.
Por isso, a população, de uma forma geral, não lê, não compara os programas dos diversos partidos concorrentes e guia o seu voto pela simpatia que tem por determinada figura, pela "necessidade" que sente em desalojar quem está no poder ou porque, assim como é do Benfica ou do Sporting, milita neste ou naquele partido.
O resultado é uma tensão permanente entre oposição e governo, tendo como único objectivo a disputa do poder e uma instabilidade social perigosa, que coloca em causa os fundamentos da ordem e da legalidade.
A continuidade da mentira não deveria poder continuar. Os programas apresentados ao sufrágio popular deveriam ser rigorosamente cumpridos, pelo que deveria existir uma instância constitucional com a possibilidade, diria mesmo, com a obrigação, de demitir o governo que não cumprissse o programa sufragado.
Esta possibilidade/obrigação poderia ser partilhada pelo presidente da República e pelo Conselho de Estado, cuja composição não poderia continuar a seguir o actual sistema.
Este modelo poderia ser substituído pela existência de um Senado, que partilharia tal responsabilidade com o presidente.
Ou uma outra solução, ou qualquer outra mais elabora e eficiente. O que é importante é acabar com a enorme mentira a que chegamos através de um processo aparentemente democrático.

quinta-feira, julho 05, 2007

Icêndios e Televisões

Nos últimos anos, por esta altura, as emissões televisivas já estavam em chamas. Qualquer incêndio dava direito a directos, a repetição de imagens, as mais dramáticas, um verdadeiro festival do inferno.
Felizmente, este ano a "época dos incêndios" está atrasada. As condições climatéricas não são propícias, nem aos incêndios naturais, nem aos provocados por loucos ou criminosos.
Este facto parece ter perturbado as perspectivas de alinhamento dos noticiários das televisões, que, entretanto, têm recorrido a um estratagema que já deveria ter sido condenado por quem de direito. Como não há incêndios em directo, recorrem, a propósito de tudo e nada, à recapitulação dos incêndios dos últimos anos, sobretudo dos mais dramáticos.
Esta atitude parece uma provocação: "então, vocês, os incendiários, onde estão?...estamos à vossa espera...sabem? é que é difícil investigar para obter notícias nacionais e as internacionais custam dinheiro...os incêndios também ajudam a resolver o problema das férias dos jornalistas e de muito mais gente...vamos nisso!

sábado, junho 30, 2007

IDA E VOLTA

O problema com os idosos é que eles já viram os filmes. Já passaram por muito e já viveram antes muitos dos problemas que hoje se colocam, muitos dos quais nem há tanto tempo como isso! O défice instalou-se em plena euforia revolucionária. Os governos provisórios não tinham nem meios nem vontade de travar os desvarios do povo saído da opressão. Proibidos os despedimentos, por exemplo, logo o desemprego se instalou até se tornar assustador, especialmente na construção civil. Após as eleições e com o governo legitimado por eleições, Mário Soares entendeu, por bem, «meter o socialismo na gaveta». Foi daquele governo que saiu o «contrato a prazo». O que hoje soa a infâmia deu, na altura, resultado. O desemprego abrandou. Foi mais difícil equilibrar a economia. Foi o período longo e duro dos salários em atraso, que perduraram por diferentes governos, até que Cavaco Silva lhes pôs termo. Estão a reaparecer. E a crise agrava-se por culpa do governo. As deslocalizações não aconteceram por acaso. Era manifesto que iam acontecer.
O contrato a prazo já não é o paliativo que foi. No passado foram muitas as empresas do Estado que deram o mote do abuso renovando os contratos a termo certo ene vezes, borrifando-se para a legislação, mas acabavam por engolir boa parte desses trabalhadores, naturalmente prejudicados pela contagem de tempo para efeitos promoções ou reforma.
Hoje é bem pior. A Banca,por exemplo, explora os jovens à saída dos liceus ou faculdade, devolvendo-os ao desemprego uma duzia ou mesmo duas de meses depois. Mas não só. As empresas que sairam da posse do Estado desligam-se de imediato de comparticipar na economia do país. Reduzem os quadros, desfazem-se dos trabalhadores, substituindo-os, em muitos casos, por maquinetas, que não gozam férias, nem subsídios nocturnos.
Não é preocupação das empresas privadas o bem estar da população. O Estado, quer dizer os governos que alienaram e vão alienando os bens do Estado, não asseguram «o dever de lealdade» ao povo. E como se não bastasse é agora um dos ministros patetas que fechar as maternidades, deslocaliza os centros de saúde. A segurança social tornou-se uma espécie de passe do «metro» ou da «carris». Tem que se pagar. A opção é simples:a vida ou a morte!
Este governo não é socialista, disse o avô-cantigas da Segurança Social. O governo talvez não seja, mas eles, os ministros, a começar pelo primeiro, são. Pelo menos enquanto o Partido não os demitir, que para isso o P.R. não tem tomates, se me é permitida alguma jucosidade...

Cansei!

No começo foram as promessas a ficar no tinteiro, porque a situação, afinal, era pior. Os impostos foram aumentados, a saúde começou a complicar-se, a educação entrou em rota de colisão com os educadores e com os educandos, a ciência e a tecnologia fecharam-se nos lobies habituais, alguns deles a passar pela cama do ministro...
Depois foi a licenciatura do Sócrates: uma verdadeira ofensa para dezenas de milhares de homens e mulheres que tiveram de fazer enormes sacrifícios para dar possibilidades aos filhos para estudarem e estes para acabarem os cursos, a trabalhar de dia - no duro - e a estudar à noite.
Esta, da licenciatura, matou politicamente o jovem Sócrates que , ao contrário do que seria aconselhável, carregou a nota da arrogância e da prepotência, fazendo queixa crime contra quem tinha denunciado a alegada trafulhice do seu diploma.
Agora é o ministro da saúde a despedir a directora da saúde de Vieira do Mindo, uma terra onde, segundo me recordo, no tempo da outra senhora mandavam os padres , tendo um deles corrido à pedrada um dos bibliotecários da Gulbenkian (daquele bendito programa das bibliotecas itinerantes).
Depois, temos o ministro da solidariedade e do trabalho e de não sei mais o quê, que, a princípio , parecia ser uma pessoa em quem confiar.
Sem falar no desastre do código do trabalho, da baralhada que vai ser porque nem patrões nem empregados vão apreciar as alterações e a economia portuguesa vai ficar ainda pior, repleta de conflitos insolúveis, temos as coisas concretas que ele governa, ou antes as instituições que estão sob a sua tutela.
A Santa Casa da Misericórdia é um peso morto. O Rui Cunha chega tarde e sai cedo, não faz nada e ao que parece também não sai de cima.
A Casa Pia é gerida por uma militante socialista, chamada Joaquina Madeira, que tem no gabinete uma colecção de galinhas às quais uma empregada tem - todos os dias - que dar milho.
O PS e Vieira da Silva prometeram remodelar, transformar a Casa Pia , mas o que está a acontecer é que se preparam para a fechar.
Começaram por nomear a senhora da galinhas para provedora, depois o Jorge Lemos, ex-PCP, com gostos especiais, porque depois do almoço aparece sempre com uns olhos esquisitos, foi nomeado director do principal colégio da instituição, o Pina Manique, por detrás do Mosteiro dos Jerónimos.
Sabe pouco, exerce durante pouco tempo e costuma explicar porque é que o director não pode ser eleito e tem que ser nomeado.
Ete ano a Casa Pia acabou com o segundo ciclo - um primeiro passo para o nascimento de um projecto de especulação imobiliária em Belém e em todas as outras zonas onde a Casa Pia tem colégios.
Aproveitaram a questão da pedofilia para destruir a única instituição, que, do ponto de vista da formação profissional, produzia resultados positivos. Deram milhões a uma comissão de avaliação, à frente da qual estava o engº Roberto Carneiro, que tem a habilidade para ganhar dinheiro de todas as maneiras e feitios e onde estava, igualmente, o dr. Daniel Sampaio, irmão de Jorge Sampaio, para o qual, ainda há pouco tempo os pais eram os responáveis por todos os males que as criancinhas faziam e agora já defende a necessidade de maior autoridade nas escolas e na família.
Esta e outra gente comportaram-se com uma comissão liquidatária da Casa Pia e o ministro foi aprovando, aprovando, asim como aprova tudo da Santa Casa.
Esperemos que saiba que muito do património da Casa Pia foi doado em testamento por gente que apreciava os objectivos para que foi criada a Casa Pia e não permita, por exemplo, que algumas das quintas existentes por essa via vão parar às mãos de alguns dos liquidatários.
Espero que o ministro saiba que, por exemplo, os herdeiros dos doadores da Quinta de Colares, dado o desevolvimento da situação na instituição estão dispostos a reclamar a sua devolução, o mesmo acontecendo com os proprietário do Arrife, cuja doação tinha como objectivo a criação de uma Escola Agrícola.
Agora, a Casa Pia vai dispensar não sei quantos professores e a dona das galinhas resolveu promover uma campanha de marketing, oferendo medalhas aos que têm mais de 25 anos de trabalho na instituição. Tanto quanto julgo saber, os laureados gostariam de meter as medalhas em sítios esquisitos, mas não querem correr o risco de, também o ministro Vieira da Silva, com aquele ar de homem sério, lhes mover um processo disciplinar e correr com eles para os bancos do jardim onde é cada vez mais difícil encontrar um lugar para jogar a sueca.
Cansei!!!
Cansei de saber que há gente nos hospitais angustiada porque, depois de hospitalizada um certo número de dias, tem que pagar o internamento - contas que, às vezes, chegam a assustar. Imaginem um idoso (velho mesmo) reformado, com uma pensão de miséria, com uma conta de hospital de três mil euros na mão, com um funcinário à perna a dizer-lhe que tem que pagar.
Cansei!!!
Não foi para isto que votei e estou a adivinhar uma ditadura do medo, que também me assuta porque também eu vou caminhando para idoso (velho mesmo!!!)
É preciso acabar com isto. Esta democracia já não serve as pessoas de bem, já não serve o povo. É preciso passar a palavra e começarmos a organizar grupos de cidadãos dispostos a contestar este poder sem legitimidade porque os seus representantes foram eleitos para cumprirem um programa que adulteraram profundamente.
É preciso acabar com o sistema. Não basta que este governo caia, porque , a seguir, virá outro ainda pior, com piores homens e mulheres.
Este governo já não representa os portugueses. E outros, eleitos no mesmo sistema, também não o representarão.
Cansei de ouvir mentiras, prosápias, discursos ocos feitos em tom grandiloquente. Cansei de ser sujeito a leis feitas por gente que nunca trabalhou, que começou nos bancos da escola a fazer política e nas fotocopiadoras dos partidos a delinear carreiras de chefes de gabinte, secretários de estado, ministros e - quiçá! - primeiros-ministros.!
Estou cansado, PORRA!!!!

sexta-feira, junho 29, 2007

FICAR A DEVER

Qualquer criatura que compre casa a crédito contrai o dever de lealdade para com a instituição de crédito. Em boa e honesta verdade, a instituição está-se nas tintas para a lealdade, quer é o taco a tempo e horas e quer, agora, extrair mais a quem não cumprir na hora do vencimento. Mesmo que vá ao café dizer que o banqueiro é um agiota, mas pague, o banco borrifa-se. Com os ministros pia mais fino. Eles entendem que têm o direito de fazer asneiras e dizer disparates, sem que o funcionalismo hiper dependente possa rebolar-se de gozo, tal como o faz o comum dos mortais. O dever de lealdade deve inibir o funcionário, ou a funcionária, sobretudo se é conhecido o seu sentido de voto, porque se for devoto, bom! bom! vocês sabem: Deus é grande e misericordioso e a lealdade é como a água benta: cada qual toma a que quer! Viram, Manuel Alegre não foi desleal, não senhor, nada disso: não sabe é ler!...
Um outro manda-chuva antes destes, também ele, um furioso do dever de lealdade, perseguia os desleais com requintes de malvadez fascista e foi por essas e por outras que lhe chamaram nomes feios. Agora, pelos vistos, é um direito democrático...

quarta-feira, junho 27, 2007

A vergonha do Hoquei em Patins

A selecção nacional de hóquei em patins quedou-se por um mísero sexto lugar no último mundial da modalidade, perdendo com a Suiça (que a Espanha, entretanto goleou por 8/l) e depois com a França.
A classificação é uma vergonha, mas pior é o seleccionador vir dizer, no final, barbaridades, tais como "o hoquei evolui e os outros países também evoluem.... e não sei que mais"
Oh! homem! É isso mesmo.Nós que sempre fomos os melhores temos que evoluir mais que todos os outros.
Além disso há coisas importantes que Portugal - e a Espanha - deveriam fazer no que respeita às leis do hóquei. Aquela lei do anti-jogo que obriga que só se jogue em meio campo (um jogo com rodas...e não aproveita o espaço todo????!!!!!!!) veio beneficiar os jogadores com menos técnica e menor velocidade, que foram sempre as grandes armas portuguesas.
Por isso, senhores responsáveis do hóquei nacional, façam evoluir a modalidade e lutem por que as regras permitam a exploração de todo o nosso potencial.
Porque será que os portugueses não conseguem fazer prevalecer os seus interesses a nível internacional? É que, por vezes, nem sequer os conseguem identificar...

sábado, junho 23, 2007

HÁ MAR E MAR...

Quando eu era mais novo, e já havia Portela, ia-se de barco para o Brasil, como, grosso modo, se ia para África. Não me recordo se podíamos ir directos para os «states» em barcos portugueses ou como é que se faria. Os americanos também vinham de barco. Foi a guerra que melhorou os aviões. Mesmo assim durante muito tempo para mudar de continente pelo ar era preciso passar por Santa Maria. Por cá existiam duas companhias de transporte marítimo. Uma Nacional, outra Colonial. Vejam lá se adivinham qual era a que ia para África e a que ia para outros destinos. Mas, mesmo antes da Portela, já se andava de avião. Sei porque o senhor Gago Coutinho foi ao Brasil, com Sacadura Cabral, se não estou em erro. Foram de hidro, que emergia da água. Ele era dado a devaneios. Depois do Brasil teve um fraco pela Beatriz Costa, cuja dita não deixou, por isso, de ir ao Brasil de barco.

Nem sei se houve discussão sobre o aeroporto ser na Portela ou se alguém preferia a Malveira. Quando foi feito, o «senhor dos aneis», que havia nesse tempo, não costumava discutir nem com jornalistas, nem com o comum dos mortais. Mandava fazer. E fazia-se.

E quando o patrão Adolfo começou a fazer a união europeia dele, já tinhamos aeroporto. E, como já expliquei, continuou a ir-se de barco, tudo que fosse para além do jardim da Estrela. Avião demorou o seu tempo até tornar-se meio de transporte. A parte chata com os navios é que só andavam na água e nunca alguém se lembrou de lhe pôr umas rodas! O aeroporto dos barcos era o Cais de Alcântara e a alternativa o da Rocha de Conde de Óbidos. O Terreiro do Paço e o Cais do Sodré só davam para Cacilhas. De Belém, além de papar pasteis, podia-se ir para a Trafaria, com os calções de banho enrolados na toalha.

E de Santa Apolónia sabia-se pouco. A estação da ordem era a do Rossio, com o túnel em fundo, repleto de fumarada.

Nos anos trinta, sei eu, já havia linha de Sintra. Via-os passar por Queluz, onde morava à beira da estação. Como por lá passavam também comboios para o Porto.

O marquês de Pombal, que teve de reconstruir a Lisboa que o terramoto destroçou, deve ter ficado passado quando lhe contaram que Lisboa estava cheia de eléctricos, tão eléctricos tão, que nem precisavam mais de cavalos para os puxar. Nem deve ter acreditado!Nem sei como fizeram, mas como eram ingleses faziam e tomaram bem conta do que fizeram até que, a dada altura, mijaram fora do penico e o artista da calçada da Estrela pô-los a mexer daqui.Também os telefones eram ingleses e deixariam de o ser pelo mesmo motivo, o dos ingleses serem pacifistas com as guerras dos outros.

No pós guerra o automóvel surgiu de rompante e com ele as auto-estradas e o desleixo pelos comboios. Os aviões engrossaram de tamanho e de número. O retorno ao comboio começou a brotar com os comboios velozes do Japão. Uma parte da Europa começou a reconsiderar. E a França avançou com o TGV.

O problema com os comboios de alta velocidade é o de serem outros comboios a exigir outras linhas. Comboios seria fácil: bastava deixar entrar, que eles depois saíam. São precisas outras linhas, as nossas já estão gastas. E as linhas é que custam os olhos da cara. Quando foi da Feira de Sevilha, os espanhóis avançaram com a linha Madrid-Sevilha, para alta velocidade. Na altura
acharam por bem travar. Os riscos em Espanha eram e continuam a ser levados em linha de conta e o comboio começou por ir menos depressa do que podia!Não se pode evitar tudo, mas faz-se um esforço. E o esforço em prosseguir está de volta. Não se vislumbram muitas alternativas: ou abrir a porta ou marcar passo. Nem esqueçam que tempo é dinheiro...

Quando se coloca a questão do preço deve ter-se em conta a qualidade do serviço que se deseja.
É a linha em condições que permite um bom serviço e atrai consumidores.

Se já houvesse tgv no tempo do primeiro dos afonsos ele teria decerto chegado mais depressa a Lisboa, mas talvez deixasse pelo caminho, para os moiros, a Ota, a Universidade coninbriceira e a fabriqueta socrática de queimar o ferro velho...

Pena é que não se possa construir o aeroporto em Virtudes, onde até já passa o comboio. Imaginem o aeroporto de Virtudes. Poder-se chegar ao topo do mundo como gente de Virtudes.
haverá preço para um aertoporto destes?

quinta-feira, junho 21, 2007

POUCA TERRA - POUCA TERRA

Creio que se pode e deve contestar medidas do governo sem contestar o governo em si mesmo.
Quando defendi a continuação da Portela fi-lo logo que foi apresentado, ainda no tempo do governo de Guterres e não mudei de opinião, nem os posteriores governos me deram motivos para mudar de parecer.
Quantos a comboios é uma questão diferente. O governo prepara-se para um sonho, não direi impossível, mas pior que isso: desnecessário. E eu sou a favor do caminho de ferro. Pessoalmente adoro comboios e ainda recentemente usei o TGV entre Nantes e Paris; a primeira vez que usei essa beleza foi no Século passado, para ir a Marselha ver o França-Portugal a contar para o Europeu, ainda jogava o Chalana!
Por cá, não precisamos de TGV para porra nenhuma.Mas precisamos, isso sim, de piso decente para os comboios. Os outros que tragam até cá os seus deles tgvês. Desde que cá possam chegar,
estamos servidos.
A verdade é que não temos nem espaço, nem destinos para linhas de TGV. O que dispomos é de mau piso. As linhas não aguentam. Mas, meus senhores, dispomos de comboios capazes de fazer Porto-Lisboa em menos de duas horas, os comboios, sim, as linhas não.
A segunda verdade tem a ver com o investimento. Não faz sentido ir de tgv à Cruz Quebrada e para um tgv, Santarém é Cruz Quebrada, ou nem isso. Houve quem refilasse porque a CP (parece que já não se diz assim) cortou nos intercidades e nos alphas. Costumo apanhá-los, de vez em quando, aqui, em Santarém. Acontece-me com frequência ser o único passageiro a subir, mas o mais frequente é haver dois ou três passageiros pacientes e, dentro haver lugares de sobra. Estou, como se vê, no principal eixo do País. Comboios cheios há-os, com certeza, entre Lisboa e Porto, não todos, mas alguns ao longo do dia, mas nem um só, creio eu, directo entre Lisboa e Porto. Se deixarmos Julho e Agosto de fora, quantos comboios ditos rápidos haverá entre Lisboa e Faro? Alguns deles cheios?
Como as linhas são más, e para a maioria dos destinos por via única, incluindo o que vai para um povoado distante, nem sei se conhecem e se chama Espanha, os comboios, dizia, tornam-se maçadores. Será, talvez diferente, quando houver linhas aptas e comboios ultra. Talvez. Lembro que, em França, houve um período divertido em que muita gente parisiense, sobretudo a que trabalhava com computadores, trocou de casa e foi ou para Lyon ou mesmo para Marselha, onde o preço das casas era mais acessível, e vinham a Paris uma ou duas vezes por mês.
Hoje há montes de tgvês por toda a França e nem todos andam muito depressa, mas compensa e se repararem a maoria dos passageiros anda com o seu pc.!!!
Não faço ideia se os suiços já têm tgv. Nem devem precisar, o francês já lá chega! E quando algum deles aqui puder chegar vai ser uma festa...

terça-feira, junho 19, 2007

PORCOS, FEIOS E BERAS

Devia começar a cronicar a resmungar pelo mau cheiro dos porcos, mas já lá vou. Tenho de começar pelos bem vestidos. É que antes de abrir por aqui fui espreitar as últimas e lá estava o elegante ministro dos aeroportos a dizer que não senhor, Portela+1 nem pensar. Este ministro, ele sim, ele dá que pensar e quem devia pensar nele mais a sério era o primeiro a contar da esquerda.
Outras descargas de mau gosto ocorrem de vez em quando. São efeitos, maus, das suiniculturas,
perdão: dos suinicultores, que continuam a beneficiar do deixa andar das autoridades para descarregar sobre os rios e, pior ainda, sobre veios de águas subterrâneas. Existem meios e modos de criar porcos para abate, sem infernizar a vida à vizinhança com os odores dos bichos propriamente ditos e os dos porcos dos donos e vice-versa.
Sei do que falo porque resido no campo, onde laboram algumas das criaturas que vivem (e bem) de maltratar os bichos e os vizinhos. No entender dos «ditos cujos» quem não está bem muda-se. No meu entender é o ministro da Agricultura, não só este, mas todos os outros que por ali passaram que se estão e estiveram nas tintas. Por aqui ainda havia quando eu cheguei muitas fontes de água natural, fresca e deliciosa. Me espantei por não haver quem se desse ao cuidado
de explorar comercialmente a água que jorrava das fontes e escorria ao Deus dará. É verdade que algumas das lojas de comes e bebes se davam ao trabalho de encher muitos garrafões de água, que, depois, enchiam garrafolas de marca. Distrações. A s próprias autarquias estão sempre a chorar por investimentos e não investem no que têm à mão. Neste do meu burgo não investiram e já não podem investir porque os veios de águas subterrâneas estão contaminados.
Só resta aos autarcas comungar com os senhores suinicultores e fechar os olhos ao crime.
Acima dos autarcas os membros dos governos, que estão ou passaram, não sabem, não viram, não estavam lá. Porcos? Ora!... Por vezes os rios transbordam. Que maçada. Às vezes multa-se um deles, decerto com muitos cuidados. Trata-se, meus senhores, de um crime contra a Natureza; de um crime contra a humanidade. Até aqui sem intervenção estatal...
Recentemente arribou gente nova que, tal como eu, quando cheguei, há 15 anos, tentaram mobilizar os vizinhos para se queixarem do mau ambiente que as suiniculturas proporcionam.
O responsável pela Junta de freguesia cedeu a sala das festas para a vizinhança se reunir.
Numa dessas reuniões esteve presente um «distinto», vai entre comas para evitar um palavrão,
cujo dito explicou que não era dono dum fábrica de perfumes!
No município mostraram-se compreensivos, mas com muita pena de não poderem fazer nada. Mas acharam por bem prevenir o pobre infeliz da Junta que à próxima cedência da sala para fins inconvenientes ficam sem subsídio para festarolas...
Entretanto, todas quartas-feiras aumentam o preço da água canalizada, pouco aconselhável para beber sem prévia fervura. Por tudo isto, todos os crentes e devotos ficam avisados que sempre que comerem carne de suino devem pedir perdão...

segunda-feira, junho 18, 2007

TODOS JUNTOS...

Dispomos de(nem sei se deva dizer aturamos?)um governo maioritário. Neste caso podemos verificar que temos um ministro que diz que manda, outro que faz o que quer, um outro encarregado de dizer disparates e uma ministra que é má como as cobras. O primeiro da escala garante que não senhor, os centros de saúde não fecham. Mas o outro vai-os fechando e não abrem, que é para tratar melhor dos doentes. Com a Ota está a ser um pouquinho ao contrário, não se sabe bem quem é que diz sim e quem diz não!O problema não reside unicamente no aeroporto ou na falta que esteja a fazer, este tipo de urgência premente pode sempre esperar. A urgência urgente é outra e terá mais a ver com financiamentos a desfinanciados carentes e já quase afogados em carências.
Um projecto para andar não pode ser barato. Quem nos apoia nosso amigo é, logo precisa de ser estimulado.É óbvio que para o «nosso» amigo o estímulo pode vir de qualquer lado, conquanto chegue a tempo e horas. Deve ser isso que motivou o Porto a avançar também com um projecto para o aeroporto de Lisboa, que ficaria melhor centralizado se fosse estendido na Trofa ou em Vila Nova de Gaia. Bota-se um tgv, ao cantinho, do lado esquerdo, e chega-se ao Marquês, num estantinho, sem afectar o impacte ambiental do deserto Seixal e das áreas agrestes envolventes.
Quem poderá torcer o nariz é Aveiro, por mór da Ria, mas o presidente da Câmara de Gondomar daria um jeito para pôr o Beira Mar na primeira divisão. Depois, na Portela, podia-se ter o já prometido jardim pequenino, para passear os cãezinhos dos prósperos moradores dos bairros, que brotariam de jacto, logo que o aeroporto fosse à vida...

quarta-feira, junho 06, 2007

NÃO É POR MUITO ARGUIR/ QUE AMANHECE MAIS CEDO

Parece que não quer dizer nada. Acusar não é condenar. O «barão da droga» foi arguido, fugitivo, acusado, julgado, condenado, recorrido, rejulgado e absolvido!
Talvez acabe por ter uma estátua, ou por comprar a Telecom e acumule com o Expresso, se entretanto o fumo não lhe der cabo dos pulmões.
É, afinal, uma lufada de ar fresco ser-se arguido e presidir-se à câmara de Paio Pires,de Fornos de Algodres ou dos Mártires da Pátria.
A gaita é que não tem importância mas chateia. O comum das criaturas pensa mal da condição arguida.Incomoda os senhores,ainda que os não iniba de se recandidatarem, a Lisboa,por exemplo!
Ora bem: a questão não é, nem deve ser, saber o que fazer de um arguido ou qual deve ser o comportamento do vilipendiado, porque em boa e honesta verdade «arguido» é um adjectivo do caraças!
A palavra não tem o cunho que se lhe atribui, dizem os manda-chuvas. Nesse caso devia
sacudir-se do léxico, excluí-la. Em vez disso o senhor Procurador preconiza arranjar outro termo. Se não fosse o senhor Procurador ser o procurador que é atraver-me-ia a afirmar que isso é disparate. Quando um meu vizinho do segundo esquerdo, que é distraído que se farta, me perguntasse o que é isso de ser «testemunha qualificada»?, eu, que sou burro, dir-lhe-ia: "é um arguido"! Para ele completar:"Ah!tou a ver"!!!
O problema é outro e é profundo, maquiavélico, diria melhor.A diferença entre ser um xui ou um magistrado a qualificar um cidadão de arguido não é nenhuma se...
As coisas continuarem como são! O que lixa o sistema é o próprio sistema ser criminoso.Acusar alguém de isto ou aquilo e demorar dois, três ou mais anos a proferir uma acusação ou a julgar a causa é lixado, absurdo, doentio. Classificar alguém de suspeito, arguido ou testemunha qualificada deverá, isso sim, implicar julgamento imediato.
Não faz sentido causticar o autarca de Oeiras ou os de outras câmaras e os processos não andarem para a frente. Não faz sentido andar, agora, a perguntar as horas a João Soares, quando o relógio dele é já outro. A madame de Felgueiras não fugiu por ser arguida, baldou-se foi quando a avisaram de que iria ser detida. Os amigos são para as ocasiões e um «amigo» daqueles bem podia ter sido arguido de qualquer coisa, mas até as criaturas com poderes para arguir o próximo fazem por esquecer...

segunda-feira, junho 04, 2007

O Ridículo da Comunicação em Portugal

Nos últimos anos criaram-se inúmeras Universidades em Portugal e em todas elas cursos de comunicação, marketing, jornalismo e afins.
É verdade que a maior parte das pessoas formadas nessas universidades está desempregada, manda curriculos para tudo quanto é sítio, ou está a trabalhar noutras áreas para onde entrou escondendo o facto de ser licenciado em comunicação ou qualquer outra coisa afim.
Com tanta formação e com tanta concorrência seria de esperar que a comunicação feita em Portugal tivesse algum nível. E não refiro apenas o jornalismo onde acontecem coisas verdadeiramente espantosas (ontem, por exemplo, um comentador de ténis, na Eurosport dizia que um dos treinadores de uma das participantes tinha feito um trejeito indicativo de que estava a "evacuar a tensão").
Ora, com tanta gente desempregada no sector da comunicação (seja ela qua seja) é legítimo pensar que os outros, os empregados, produzam com qualidade.
Presunção errada, do meu ponto de vista, claro....
A Publicidade produzida em Portugal é tão ridícula que assuta. Há, por exemplo, uma série de anúncios de Rádio e Televisão, feitos por um rapazinho que até tem jeito, é mesmo um bom humorista, e que se chama Bruno Nogueira, sobre uma cerveja, que é de fugir.
Mas o meu objectivo é falar do cartaz de campanha de António Costa em que ele aparece de braços cruzados. O retrato é mesmo infeliz: o sr. parece aleijado. Há ali qualquer coisa que lhe tira parte de um braço...
Como é possível? O PS não tem gente com olhos direitos? O próprio António Costa não tem medo de ser ridicularizado pelo próprio irão na SIC, já que ele não perdoa gagues, como ficou demonstrado com aquele célebre engano do António Guterres sobre o PIB nacional?
Por amor de Deus, retirem o cartaz o mais rapidamente possível e renovem a equipa que está a fazer a campanha!

quarta-feira, maio 30, 2007

MANDA QUEM PODE

É evidente! O chato da coisa é não ser eu o que pode e assim nem me importar com a truculenta malvadez do meu companheiro de blog, que me compromete. Vou já dizer que nem lhe conheço e mais gritar-lhe: vai de eléctrico,Satanás, invejoso da boa estrela dos felizardos. E não é que li no pasquim matinoso que os jornalistas têm medo. Mas não dizem que é dos gajos do taco que eles se arreceiam! Deixem disso, caramba! Não tenham medo. Façam como eu que tenho (e muito!) mas não digo.Quando está escuro até assobio ou escondo-me atrás do cão.Até dos insossos tenho cagufa, quanto mais dos salgados e afins.Fico é calado. Agora que nem há pide posso ficar calado. Quando há risco é preciso ser pronto a apontar para o lado e o do lado que se amanhe.
Não há razão para alarmismos. Aqui é tudo bem e com o dinheirinho temos que compreender que todo cuidado é pouco. Porra! tou cheio de pôr água na fervura. Esta nossa não é profissão de risco. Ainda há pouco limparam um jornalista, lá, por Moscavide, como se dizia no tempo da outra senhora, mas Putin não deve ter tido nada a ver com aquilo! E se tivesse acham que o José tinha lá ido visitá-lo?
Mudemos de assunto, até porque vim aqui corajosamente porque me tinha esquecido de me lembrar de contar um susto que tive em Paris, justamente quando o Sarkosy andava a imitar Sócrates, a saltitar pelas veredas do bosque, tendo o cuidado de não permitir a presença de mais de 174 fotógrafos e alguns centos de cameramen.Não, nada disso, eu não estava lá, ia para outro lado, para o Hospital, por acaso bem simpático. Já não ia para aqueles lados há algum tempo. Saio da cova e, ho!, que vejo eu: o Metro do Porto a circular avenida acima!
Esfreguei os olhos. Atravessei. Nem sei porquê! Talvez estivesse esperançado em ver o major conduzir o eléctrico. É igualzinho, xiça, tal qual. Não havia, claro, Valentim nenhum.Mas, levava gente,lá isso levava,não é como o daqui, da outra banda, que anda às moscas.
Ontem ouvi um comentador comentar, na TVI. Sujeito corajoso. Disse mal de Pinto da Costa. Ainda não há muito andava ao colo dele. Ao menos a outra era de alterne...

terça-feira, maio 29, 2007

Recordando


Em Janeiro d2 2006 escrevi neste blog dois textos com os títulos "Ricardo Salgado Super Star e "A Democracia do Voto".
A propósito do texto que inseri ontem com o títtulo "A propósito", resolvi recuperar esses dois textos, anotando especialpente que o primeiro tem 53 comentários, que vão sendo colocados de tempos a tempos e que parecem mensagens de um louco ou de um grupo que aproveitou o texto para trocar mensagens cifradas entre si. Não deixa de ser curioso.
Ricardo Salgado Super Star
Desde que apareceram as notícias que implicam o BES (Banco Espírito Santo) em movimentos estranhos, com cofres nas casas dos funcionários, cheios de dinheiro, mas sem acesso pelos putativos donos, Ricardo Salgado virou vedeta da televisão, da Rádio e (quem sabe?) da cassete pirata.
Ele aparece em festas sociais, ele aparece na televisão a explicar qualquer coisa inexplicávcel,ele aparece a apresentar a nova imagem do BES, imaginada e montada em tempo recorde - para apagar a que existe nos arquivos da Judiciária.
Ele fez as pazes com o Balsemão, depois de uma guerra tipo Somália ou Eritreia, ele apare em entrevista ao Mário Crespo ( quando vejo este só me lembro dos editoriais ridículos dele na "Capital" ... deve ser por isso... deve ser a dívida que o Balsemão está a pagar. Balsemão tem muitas dívidas... também não se percebe muito bem que tipo de dívida está a pagar à Maria João Avilez... más línguas. Enfim, outras houve cujo vencimento já ocorreu, infelizmente...)
A par destes aparecimentos "espontâneos" outras notícias acontecem, sem que os jornais, mesmo os da especialidade, comentem: por exemplo, Henrique Granadeiro vai ser proposto como novo presidente do Grupo Portugal Telecom. Além de parecer ridículo um presidente de tão importante grupo, cujo grosso do capital está na bolsa de Nova Yorque, não falar inglês, dá vontade de perguntar se ele, entretanto, vai devolver a choruda indemnização que a PT em tempos lhe deu.
Ou não vai, porque, entretanto, é igualmente assessor do BES?
E já que volto a falar do BES: a que propósito a imprensa afecta ao BES (toda ela) noticia que o substituto de Zenal Bava como CFO do Grupo PT vai ser Joaquim Goes, outro funcionário do BES?
Outra pergunta: porque é que Zenal Bava abandona o único pelouro para o qual está preparado - o financeiro ? Foi, finalmente, agarrado em alguma manobra perigosa, tipo ultrapassagem nas curvas, passagem por sobre traço contínuo...?
Ainda outra pergunta: porque é que sob a batuta de Zenal Bava o Grupo PT manobra outras empresas, nomeadamente cotadas na bolsa, como a Nova Base e a Pararede e outras, que apresentam propostas de estudos, propostas de fornecimentos, ganham a adjudicação ( a PT não é, como é legal, obrigada a concurso públicos) e depois não aparecem os estudos, nem os materiais e o dinheiro também desaparece, sem se saber para onde vai?
Voltemos ao BES e à sua superstar: então não é o dr. Ricardo Salgado que controla isto tudo? Será que ele está a "desnatar" o Grupo PT para o vender barato à Telefónica, ficando, ainda assim, com um pé no Grupo, nomeadamente nos projectos brasileiros?
Que mais perguntas nos poderá sugerir esta inesperada superstar da (baixa) finança portuguesa? Talvez esteja a preparar o seu regresso a Angola, onde a sua família foi, de facto, o retrato do mais miserável colonialismo que em nome de Portugal se praticou. Eduardo dos Santos, todavia, não se lembra e já deve ter transferido a sua conta pessoal do BCP para o BES.
Por último: o governo deste país não pode parar a sangria deste grande grupo económico e de outros, em nome do crescimento económico nacional e da criação de riqueza que nos tire das estatítiscas miseráveis em que chafurdamos?
Que fazer, agora que o sr. Silva vai ter que pagar as suas próprias dívidas ao dr. Salgado e a outros figurões da banca que não param de anunciar grandiosos lucros, feitos num país cujo povo está cada vez mais pobre?
O que é que eu posso perguntar mais?
Será que a democracia tem a virtualidade de mudar situações destas?
A Democracia do Voto
Terminei o texto anterior, com o título "Ricardo Salgado Super Star", com uma pergunta sobre se a democracia tem a virtualidade de resolver situações como a que retratei.
Vou mais longe, na caracterização da situação que vivemos: uma democracia formal, do ponto de vista político, em que os cidadãos são chamados, regularmente, a eleger vários órgãos representativos. Uma não democracia económica e uma não democracia social, com uma comunicação social bem pior daquela que existia nos tempos da ditadura.
As eleições são, de há uns largos tempos atrás, manipuladas descaradamente por uma comunicação social completamente comprada, servida por jornalistas de pacotilha, sem opinião e sem espinha dorsal.
De resto, nos últimos anos tem acontecido que, mesmo do ponto de vista formal, a democracia não corresponde porque os partidos concorrem com determinados programas e depois que ganham as eleições alteram tudo e fazem exactamente o contrário do que prometeram. O uso e abuso desta prática retira à democracia que nos governa qualquer dignidade e transforma-se numa espécie de jogo de "chicos espertos", onde cada um procura a melhor maneira de enganar o maior número de pessoas possível.
O mesmo jogo aconteceu com a eleição presidencial. Cavaco Silva aproveitou o facto de os portugueses estarem fartos de ser enganados pelos partidos e apresentou-se a votos dizendo o menos possível, mas deixando claro que não quer nada com os partidos, o que o levou a ser considerado como o presidente ideal.
Este jogo pode conduzir-nos à situação de os partidos políticos, afinal o esteio da afirmação da democracia política, passarem a ser considerados um mal em si mesmos.
E quem quererá tal coisa?
As forças que apoiaram Cavaco Silva e que não deram a cara, mas que são facilmente identificáveis: são aqueles que à sombra de reivindicações de democraccia política se foram assenhoreando da riqueza que o país produz, não para investir mas para entesourar e exportar, para aplicar em negócios menos claros e alguns bem sujos.
De reivindicação em reivindicação, de pressão em pressão foram tomando conta do poder político, retirando-lhe a possibilidade de desenvolver a democracia social e económica.
Hoje, em Portugal, o poder político está nas mãos de meia dúzia de ricaços - uns banqueiros, outros com passagem pela polítca nos tempos em que a Europa mandava dinheiro a rodos e o sr. Silva o foi distribuindo.
O poder político não tem sequer capacidade para mandar instaurar uma auditoria às contas das grandes empresas para tentar perceber para onde vai o dinheiro que ganham. E é muito. Todos os anos, as grandes empresas e os bancos anunciam aumentos extraordinários de lucros. Mas, todos os anos diminuem a capacidade de criação de emprego. Quanto a investimentos , apesar de algumas delas anunciarem que são os maiores investidores, ele não se vê. O país está cada vez mais pobre.
E o que faz o poder político? monta esquemas de perseguição às pequenas e às micro empresas, aos trabalhadores por conta de outrém, deixando os grandes impérios financeiros a coberto de qualquer problema, pagando impostos ridículos, sempre protegidos por benefícios e incentivos fiscais.
O poder político é, na verdade, um instrumento na mão dos muitos ricos, cujo dinheiro já não está sequer em Portugal e o que cá está não se movimenta.
A democracia que elege estes órgãos políticos está velha caduca, não serve os interersses da maioria, não serve os interesses do país.
Além de lacaios e "chicos espertos", esta democracia produz dirigentes arrogantes, teimosos, que fazem da pose "quero, posso e mando" um modelo de vida e se revelam incapazes de perceber esta necessidade absoluta: é preciso fazer os possíveis para fazer do dinheiro um instrumento de desenvolvimento e não um fim em si mesmo.
Em Portugal já não há investidores, há apenas especuladores financeiros, que estão interessados em acabar com a "instabilidade" das mudanças políticas, ainda que elas sejam apenas aparentes. Eles confiam em que o sr. Silva dê uma ajuda para concretizar os seus objectivos.
E, afinal, em Portugal tudo é possível: aturámos o Salazar durante 40 anos... Eu confesso que nunca integrei nenhuma "manifestação espontânea", mas garanto que elas existiram.

segunda-feira, maio 28, 2007

A Propósito...

Ainda bem, Rafael, que chegaste das duas longas semanas parisienses. Ao ler as tuas crónicas, lembrei-me que há muito não debitava nada para o nosso blog e confesso que já me estava a fazer falta.
Como vês por aqui nada de novo. A comunicação social à espera de um erro qualquer, assim como o Rafael Nadal à espera que o Federer atire a bola contra a rede, para dar um ar da sua graça.
Um ministro durante um almoço entusiasmou-se a explicar a um economista que lhe tinha posto uma questão, o embaraço da construção de um aeroporto que toda a gente quer, vá de zurzir...e temos um festival...
Mas...por outro lado, Kofy Hanan vem a Lisboa, senta-se no meio de dois tubarões, para falar da pobreza e da riqueza e ninguém na comunicação social lembra que a família Salgado foi responsável pela mais bárbara colonização em Angola, que Balsemão é o dono de mais de 50 por cento da comunicação social portuguesa e que ambos devem beneficiar de apoios do Estado que dariam para resolver grande parte do problema da fome em Portugal e noutros sítios.
Fala-se, entretanto nos investimentos do BES em Luanda: um prédio de 25 andares numa cidade onde se começa a despejar gente sem olhar a meios.
O BES poderia, por exemplo, criar condições de desenvolvimento lá para o Norte, onde em tempos a família Salgado deteve as maiores plantações de algodão e café, trabalhadas pelos tais contratados de que o MPLA nunca deixou de falar, mesmo depois de eles já não existirem.
Sim...o BES poderia tentar reabilitar a família do tal massacre de Cassange. Mas, em vez disso, o que é que faz? constrói prédios, cria bancos, ajuda a elite angolana a recolonizar os angolanos.
Porque é disso que se trata; em Angola, como noutros países africanos, a maioria, diria eu, está a assistir-se não ao tão temido processo de neo-colonização, mas a uma verdadeira colonização levada a cabo pelas respectivas elites que, ajudadas pelos agora grandes investidores, ganharam a capacidade para levar a cabo tal processo roubando os respectivos povos.
Alguém denuncia isto?
Alguém pergunta por que razão, ou razões a filha mais velha do presidente da República de Angola, Isabel Santos,é sócia de quase todas as grandes empresas angolanas e aparece agora como sócia de um banco em Portugal?
Kofy Hanan veio a Lisboa confraternizar com os aliados dos novos colonos, não escapando também ele à classificação, e falar da necessidade de distribuir melhor a riqueza...
Vê-lo entre Balsemão e Salgado, com este discurso, até dá vontade de chorar...

DOIS DA ÚLTIMA

Perdi-me.Falei do Estádio e do aeroporto e esqueci-me do que queria contar. Só falei, não disse nada. Acontece. Vocês sabem: é dos desgosto da vida!
Aquilo das finais da Taça ser obrigado a mote não é verdade. Nem vício lusitano. Em Wembley joga-se a final das finais de taça, a fina flor delas, queria dizer. Em França era no Parque dos coisos e acho que ainda é. Por cá, que me lembre, era nas Salésias, em Belém. Dizia-se campo, como se dizia «campo grande», o do Benfica, que era, na triste realidade, «campo 28 de Maio».E o Benfica nem podia, claro, ser vermelho, quanto muito «encarnado». Mas o futebol tinha algo de magia. Vocês não se dão conta, do que era o futebol,naqueles campos carecas do antigamente.Um antigamente menos antigo do que pode parecer. Campos arrelvados só foi obrigatória, entre nós, a partir dos anos 79.
Foi em 55 que o Benfica quebrou a hegemonia leonina, com Otto Glória ao comando. Mas isto é só meia verdade. Era o Belenenses que devia ter ganho esse campeonato. Perdeu-o, frente ao Sporting, no último dia do campeonato, a seis minutos do fim, quando os adeptos azuis faziam troar no ar chicotes, perdão foguetes, e Martins empatou nas Salésias, oferecendo o campeonato ao Benfica.
Foi o fim de uma era. Até então o futebol português dispunha de quatro grandes.O Porto, então,obscurecido, ergueu-se e, caramba!, ainda não parou...
Mas foi justamente o Estádio Nacional, que o antigo regime nos deixou, que registou a nova era: o poder no Norte.
Até então FPF era uma sigla lisbonense. O poder ao Sul. Devia acontecer a final da Taça, no Estádio do costume.E que final: Porto-Benfica! Mas não houve.Foi a primeira e acho que única que não se realizou. Concretizou-se no início da época seguinte, mas... nas Antas. Por acaso o Benfica ganhou, mas não teve importância, o importante é que algo começava aí: A era dos Pintos ou o declínio do império do sul, como queiram! O controlo da hierarquia mudou de mãos e de rumo. A tentativa posterior de criar a Liga, fora da Federação falhou. O controlo manteve-se até aos nossos dias.
E foi preciso gritar ao da guarda,para travar uns excessos.
Mas quando se avança pelas auto-estradas,quando é de aeroportos que fala,percebemos que o futebol, afinal, é só bola e que apitos dourados hão-de brilhar, seja qual for a margem do Tejo...

BATER NO MOLHADO

De vez em quando os ditos orgãos de comunicação social gostam de vir atrás rememorar.Como dispõem de limites apertados de tempo relembram pouco e por vezes mal.
Vi o Estádio Nacional, a propósito do final da taça e aproveitou-se para criticar um estádio que só serve para um jogo por época. E se tinham matéria para agitar as artes!
O Estádio da Cruz Quebrada data, creio eu, de l944, quando o Estado Novo dispunha
de um ministro das Obras Públicas levado da breca. O aeroporto da Portela era ainda novo, mas já existia. Tinham em comum a notável ausência de acessibilidades. Para se ir ao Estádio, aquando da inauguração, o comboio da linha do Estoril deixava-nos na estação da Cruz Quebrada, que também servia a praia, bastante frequentada. Dali ao Estádio ia-se a pé. Os eléctricos também se imobilizavam no termo da carreira, já fora dos limites da cidade, o que onerava o trajecto em dois tostões de vassalagem a outra câmara municipal. Ao desvio do comboio faltava acabar um pedaço de estação, tal como aos eléctricos, que iriam depois até ao largo fronteiro à estação, ainda distantes do Estádio. Autocarros não os havia e auto-estradas ainda menos. Se bem que para o Estádio estava a ser construida um desses luxos. Faltava era acabar o viaduto por cima de Alcântara...
Nesse 10 de Junho iniciava-se a Taça Império. Que devia opor o campeão nacional ao vencedor da taça de Portugal. Logo havia que arranjar coisa maior e, que Diabo!, um império tinha que servir para alguma coisa! Sporting-Benfica. Os lagartos haviam ganho o campeonato e o Benfica vencera o Estoril, ainda da segunda divisão, nas Salésias. Só lá para os anos setenta a Taça incluiria equipas africanas.
A inauguração propriamente dita teve o seu aparato aparatoso, com muitos meninos a fazer ginástica e fizeram tanta que o jogo começou já ao fim da tarde. Terminou empatado e fez-se a meia hora suplementar, praticamente às escuras. Estádios iluminados não se conhecia. O Sporting ganhou.
Com o aeroporto era quase o mesmo. Não se podia lá ir. O eléctrico mais próximo ficava no Areeiro; autocarros, já disse, não havia. Só chegaram uns dois ou três anos depois da guerra. Só de taxi é que lá se chegava. Gente com carro era pouca. Para se ir espreitar o aeroporto à Portela tinha que se marchar um bom pedaço. Só ao domingo ou nas férias! E ninguém perguntava pelas auto-estradas.
Em boa e honesta verdade o ministro não tem razão, no que toca à margem esquerda. Claro que tem auto-estrada. Experimente fazer um aeródromo junto de Setúbal. Tem tudo lá. Até tem casino e hoteis constelados à brava, em Troia, onde já têm um festival de cinema tão bom como o de Cannes. Cheio de vantagens. Se um tipo se descuida por ir muito depressa, não faz mal,logo que chegue a Faro tem outro aeroporto, rodeado de hoteis supra-sumo.
Na Ota não! É um deserto. Até ao Porto não há nada que se veja, a não ser saloios.Em Troia, pois! Imagine-se criar um centro cultural, onde se pudesse ler e escutar as anedotas do Bocage!
Em todo o caso, se querem vender, porque é a vender que se amealha, a Ota, eu ajudo. Sócrates só tem que fazer uma ameaça: Ou a Ota ou este ministro das O.P. nunca mais sai...

sábado, maio 26, 2007

VOLTA QUE NÃO VOLTA

Habitualmente volto e, em geral, nem me demoro muito. Desta feita fui por quinze dias. Passei por Espanha, à ida e à volta,patinhei mais por aqui, mais por ali, até Paris. Ganhei hábitos burgueses, como o de jantar no casino de S.Jean-de-Luz, menu simpático e acessível!
Sarkosy vinha de ganhar as eleições. Para a Informação em geral era uma festa generalizada: tudo a zurzir no vencedor e, vá lá, também na oposição.Passados uns dias de algum espanto percebe-se que a Informação, sobretudo a escrita, não se vende se não for o maldizer. Quando cheguei a Paris já o novo presidente estava empossado,o Lyon campeão e Segolene prestes a ser dispensada.
Antes de sair de Lisboa tinha achado graça à graçola do ministro engenheiro e não fazia ideia de que viria a ser explorada de maneira manhosa.Durante as duas semanas que estive ausente o erro, quanto a mim, foi o ministro ficar à minha espera para «explicar-se» de maneira tão desastrada. Tudo o que ele teria para dizer, e já seria muito, era: meus ricos, deputado ou afim que não sabe rir-se duma piada ou é tolo ou não tem arte. A imagem que se repetiu era a de um ministro bem disposto e a sorrir ele próprio da gracinha. Aparecer a mastigar desculpas perdeu a graça e ficou com o ridículo todo para ele próprio. Bom, pior foi para o prof.que ficou sem cadeira e para a hierarquia supostamente culta, mas assumidamente moscovita. Valeu o primeiro-ministro, que lavou as mãos ao dizer um iluminado não sei/ não vi/ não 'tava lá!
Sócrates tem carregado com indulgente paciência alguns ministros, dos dois sexos, pouco iluminados e bastante infelizes, mas vê-lo dispensar justamente um dos mais sólidos e equilibrados por mór da Câmara de Lisboa dá que pensar. Fica-se com a ideia de que ele não precisa de ministros para nada.E se calhar não precisa. Mas, neste caso, devia mandar uma das ministras para a junta de freguesia da Malveira e o ministro dos aeroportos tratar das pontes de Trás-os-Montes. Sem António Costa no governo, Sócrates vai ficar mais fragilizado ante o residente em Belém.
Ver-se-á. Em Julho volto ao norte, tranquilamente de carro, e espero levar novidades...

quinta-feira, maio 03, 2007

EUROSICES

A expressão «todos iguais/todos diferentes» já não é nova, mas enquadra-se divinamente no conceito da UE. Todos temos os mesmos direitos, mas os alemães, os nórdicos, os ingleses ou franceses, sem esquecer os espanhóis e outros europeus, ganham melhores salários, auferem melhores pensões de reforma, que os portugueses.
Mas as semelhanças existem. Ontem, por exemplo diverti-me, a assistir ao frente-a-frente Sarko-Sego. Politicamente incorrectos,os candidatos procuravam jogar a imagem, não tanto por uma questão de postura e de domínio dos dossiers, mas de condição. A guerra dos sexos estende-se cada vez mais, mas de cada vez que surge gera perplexidade.
Sarkosy contido; Segolene disposta a não se conter. Talvez tenha exagerado. Não por zurzir no oponente. Isso era o que se esperava dela, mas por prometer demais. Ò, rica, de promessas está o mundo cheio e o povo já se habituou a desconfiar.
Claro que mulheres na política não é novidade.Golda Meir surgiu de rompante em Israel. Claro que impressionou pela sua firmeza. Mas que podia ela fazer se Israel estava rodeado de hostilidade? Claro que como mulher confundia o sistema. E como entender isto melhor se não lembrando a graçola: «Sabes porque é que Golda Meir usa saias compridas? Para não se lhe verem os colhões!»...
Mais do que ordinarice entendia-se como um lampejo de machismo resssentido!
E a «dama de ferro», na Inglaterra, alguém se esqueceu dela, ao cabo destes anos todos? Também ela teve de pegar em armas!
Foi acontecendo um pouco por todo o lado.Por cá, tivemos Lurdes Pintasilgo, que entrou pela mão de Eanes e que acabaria por salvar Mário Soares, ao dividir os votos da esquerda dura com Salgado Zenha, então apoiado pelo PC...
Em todo o caso foi melhor assistir a este frente-a-frente do que a alguns do passado.
Da última vez não houve, porque Chirac não aceitou sentar-se diante de Le Pen. Não era preciso para resolver nada e o Presidente livrava-se de ter que aturar diatribes sobre subsídios camarários «do antigamente», que sempre vinham à baila em períodos eleitorais. Houve alguns decisivos, entre os quais o de 74, que salvou Giscard, frente a Mitterrand!
Da vez seguinte o presidente ficou isolado, à direita, e para aceitar um «frente-a-frente» Mitterrand impôs uma porção de condições e de condicionalismos para o debate.
Com sucesso! Ganhou o debate e venceu as eleições.
Chirac haveria de pagar a maldade, quando chegou a sua vez de se enfrentar com Mitterrand.
Desta feita, temia-se a imagem de um casal desavindo ir gritar para a Televisão, E não foi assim.Ainda que tenha sobrado a ideia de que ambos, contidos, tenham optado por mandar recados aos jornalistas, mais do que tentado influenciar os que votam; como se deixassem à imprensa o encargo de fazer promoção política. As promessas, mesmo partindo de uma senhora bonita, quando excessivas dão que pensar. Algum matreirismo sarkosiano aligeirou o debate. A imagem de um polícia repressivo que Segolene quis sublinhar do seu adversário é uma arma de arremesso perigosa. Depende aonde vai acertar. Há muita gente que vive aterrorizada nos bairros periféricos de Paris e outras grandes cidades,para quem um polícia, preferencialmente duro, é uma necessidade primária...
A juventude pende mais para o romantismo, indiferente à causa, ainda que seja a sua.Porque,se algo de errado acontecer será sobre ela, a juventude, que tombará o pior das consequências. Seja como for, é para isso que se vota: para pagar a factura...

quinta-feira, abril 26, 2007

GOSTOS E DESGOSTOS

A princípio foi quase com comoção que dei pela quantidade de portugueses a participar nas eleições francesas, dividindo-se pelos diferentes partidos, em contraste com o que na matéria se passa cá por casa. Depois deixei-me disso.Diverti-me mais com os resultados, confrontados com as previsões e análises. É sempre a mesma festa. Mas se a leitura, que se faz por cá, do que acaba de acontecer faz algum sentido, a caseira, as dos meios de comunicação franceses deixam alguma coisa a desejar...
Mas faz sentido misturar, afinal somos muitos por lá e de algum modo,já no passado meio recente, tivemos alguma interferência, alguma responsabilidade no resultado de eleições gaulesas.Lembram os jornalistas que já aconteceu antes o ganhador da primeira volta não vencer as eleições. A primeira dessas situações ocorreu em 74.Ano histórico, não apenas para nós portugueses de cá, mas para a França, que vivia o momento especial: a esquerda aparecia definitivamente em condições de triunfar e as querelas à direita pareciam insanáveis. A perspectiva de mudança empolgou os franceses e o facto de não ser já o desgastado partido comunista a comandar a oposição, mas sim o PS, com Mitterrand à frente, inebriava grande parte do eleitorado.Mas...
Mas as notícias alarmadas que chegavam de Lisboa, sobre o Portugal revolucionado, com a muito estridente viragem à esquerda, a par do afundamento de economia, foi pesado e badalado e surtiu efeito:a direita, em França,reunificou-se, Giscard passou uns pinguinhos dos 50%!
Mitterrand iria esperar sete anos para entrar na História. Da vez seguinte, Chirac ficou surdo aos apelos e Giscard caiu. Pelo contrário, Mitterrand acabou por aceitar um discreto acordo com o PC.
Por essa altura, andei por lá e diverti-me. Em casa dos outros tudo tem graça.Houve, bem entendido, nacionalizações mais a torto que a direito, mas, sobretudo, muito paleio festivo e a promessa de que tudo ia mudar.Como jornalista,o que me divertiu mais foi vendaval na comunicação social. Havia,por essa altura, três canais televisivos. Dois com pub e um limpinho, sem muita graça, mas sem a pub. Quase tudo eram discuções infindáveis sobre política e políticos. Aventou-se que era preciso um canal só para cultura «pró povo». O povo precisava. A Esquerda ia dar.
O que acabou por aparecer foi um canal comum, mas codificado, quer dizer: a pagar! Foi quase um escândalo. Então o povo, a cultura? Como é isso?, diziam os descrentes desconcertados. Bom, vai haver cultura e isso em sinal aberto. E houve: 15 minutos por dia!
Houve mais, muito mais. O governo inicial não durou muito.O PC depressa tomou conta
da administração pública, dificultando a acção do governo. Mitterrand foi aguentando o barco, até às eleições governativas. O esquerdismo morreu, com a chegada de Chirac. Fez-se a desnacionalização das nacionalizações, privatizou-se a maioria dos canais televisivos, criaram-se novos e manteve-se na posse do Estado o canal-2.
Mitterrand manteve-se tranquilo, à espera que Chirac arrumasse a casa. E nem precisou de nenhum veneno para se livrar do primeiro ministro: o crash da Bolsa esvaziou a euforia renovadora. Nas presidenciais que se seguiram, Chirac ficou a quatro pontos e o seu governo foi à viola. Finalmente, Mitterrand «reinava». Seguiram-se alguns ajustes de contas, entre iguais, com ministros sonantes a ir à vida. Para o fim, o Presidente arrumou os seus assuntos pessoais e familiares e deve ter-se divertido a assistir ao desvario do destroçado PS para arranjar um candidato.
Lionel Jospin foi quase inventado. Não havia nome que aceitasse gerir o partido.
Quase desconhecido e com o partido nas covas, Jospin entrou na corrida e obteve uma inesperada supremacia na primeira volta, face a Chirac, que viria a ganhar a segunda volta. Mas o líder socialista recuperou o partido e impôs-se na cena política. Chirac acabou por imitar Mitterrand,para evitar ser arranhado pelos seus pares: demitiu o governo e convocou novas eleições. Jospin chegou assim à segunda cohabitação. Mas acabou por ter um fim inglório, quase caricato: foi derrotado pela comunicação social de esquerda!
Também assisti e custou-me a acreditar. Mas foi simples:as eleições eram muito participadas, com os partidos do costume, mais os pequenos partidos, mais os grupelhos e de que é que se foram lembrar os jornalistas e os afins? «Bom, meus senhores, todos sabemos que Chirac e Jospin vão à segunda volta. Agora o que é preciso é aproveitar para referendar os outros. Vamos ver de maneira clara o que é que vale cada um deles, sem preocupações, sabendo todos que Chirac e Jospin vão à segunda volta!» Isto,sim, isto foi explicado até à exaustão pelos jornais e semanários! Foi, sim senhor. E nesse domingo, quando cheguei a casa do Yanne,para ver com ele a noite eleitoral, levei com a bomba, dez minutos antes das oito o canal do cabo furou o esquema e anunciou: Jospin está de fora!E estava! Nenhum jornal, nenhum jornalista, entendeu explicar ou justificar.Brincar com o fogo queima, lá isso queima! Mas, enquanto queimar os outros,que se lixe...