sexta-feira, março 02, 2007

DESTINOS

O autocarro do costume (do meu) mudou de número e de percurso. A Casa da Imprensa também mudou. O número da porta é o mesmo e o posto médico no quarto piso, como dantes. Não foi isso que mudou, quero eu dizer. O governo entendeu fechar a caixa de previdência dos jornalistas, os ditos quais ficaram desprevenciados ou desprevenidos, isto é: sem o amparo da Caixa prestado à Casa. Jornalista sofre. Nem sequer pode recorrer, melhor dizendo: ir a correr, a Badajoz, para arrancar um dente ou parir, se for o caso do jornalista ser fêmea.
Frustrados, lixados e ofendidos, os jornalistas vão ser implacáveis. Vão atacar o Benfica e denuciar os encarnados de viverem à custa do Simão; insultar Pinto da Costa por apitar demais e acusar o Sporting de ter Paulo Bento a mais e vento a menos. Com jornalistas não se brinca. Claro, vai decerto reconhecer Sócrates. O governo não brinca e muito menos com os jornalistas! É a sério, pois! Sim senhor, muito a sério, como eles merecem, há-de ele dizer à Televisão e reforçar o carisma.
O que vale é que a oposição não dorme: come e cala, crente no efeito aterrador do silêncio, sobretudo se for um silêncio silencioso e minúsculo. Não se espere cataclismo do largo das Caldas, nem de Buenos Aires ou reacção dos destemidos de António Serpa.
Há excepções. Não viram o prof Martelo a criticar o desvio do pasquim que publica a súmula das marteladas domingueiras?
E, no dia seguinte, o matutino pespegava logo na primeira página a revelação cuidadosa do tamanho dos pirilaus dos portugueses, quer em condições de soberba ou na hora do sono.
Desconheço se o governo tremeu de emoção e face a isso tenha recuado nas urgências. O referendo recebeu um apoio prometedor e por seu lado concede um estímulo apreciável.
E, ontem, foram os polícias a fazer espera na auto-estrada. Entre motoristas enebriados e outros quase embriagados apareceu por lá Marques Mendes, que conversou com os guardas com amenidade e teve suficiente malícia para sublinhar a presença dos meios de comunicação social.
De facto o que melhor assegura o sucesso de uma operação sigilosa é a presença dos jornalistas.
Outro tema jornaleiro em foco é o dos diários gratuitos. A coexistência, pois... Nem vale a pena discutir: Ninguém é obrigado a ler jornal gratuito, pode comprar os que quiser. Pela minha parte nem borla perdia tempo a ler alguns dos que se pagam, apetecia mais dizer dos que se vendem, no sentido pejorativo do termo. Dêem os jornais, quanto mais à borla melhor. Em vez de suplementos ofereçam «camisinhas» perfumadas ou a pílula do dia seguinte. Em tempos de guerra não se limpam armas e se não há paz entre os Oliveiras, armai-nos, Senhor...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

FRASES FEITAS

Devem provir da sabedoria popular, como espuma confeccionada ao longo de séculos. Não me conforta saber que viemos do nada, nem me tranquiliza saber que já não podemos ir de urgência para o além, via hospital tradicional. Mesmo Jesus teria pouco mais de dois mil anos, quando foi pregado na cruz. Não se salvou, nem nos salvou de outras violências posteriores. Ainda teve de assumir os excessos dos descobridores ou dos cruzados que, em seu nome, espasmavam sobre as negras atónitas e outras barbaridades sobre os seus (delas) machos infieis, se bem que a infidelidade, tal como a entendemos, não fosse para ali chamada! Tão pouco a civilização, que era o que era, como era, como sabia e, acima de tudo, como podia, quiçá fruto de vontade divina!O homem podia ser vivo como qualquer gato ou cachorrinho por mór da Natureza e não por direito. Muito antes dos matadouros serem municipalizados já se mandavam cristãos para o Coliseu para festim de leões e minorar o enfado das cortesãs. Os Césares imperavam, não eram fascistas porque o fascismo não tinha nascido ou então andava disfarçado. Terá sido a falta de espaço vital que os levou por esse mundo fora a exibir a natureza deles, que como se sabe não era cristã. Talvez por isso os chineses construiram a muralha, enquanto os portugueses pensaram que o Viriato chegava e era mais económico que fazer um muro. E Sertório ainda tentou improvisar um 25 de abril mas lixou-se. Que falta lhe fez o Otelo!Mas romanos leva-os o vento, se é que não foram embora por falta de urgências!Mas foi o Adolfo quem mudou o mundo ou o fez mudar. À custa da guerra e do terror que dela emana. Não ganhou, mas livrou-se de ser pregado. Um iraquiano recente não teve a mesma sorte. O que resta de iraquianos sofre.Desde que me lembro, e eu sou do tempo de Adolfo, nunca o mundo deixou de ter guerra e nos países onde não há guerra morre-se atropelado! Pior: mata-se o próximo, o mais chegado; abusa-se do menino ou da menina. Numa sociedade de direito matar é um direito. Tem preço, bem entendido. Por vezes sai caro. Se for com carro sai mais barato...

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

COMBOIOS DA MINHA VIDA

Não sou um furioso. Simplesmento carrego comigo o comboio que me viu nascer ou, melhor dizendo é do comboio de Sintra a minha primeira memória. Morava à beira da linha, em Queluz.
Do pátio avistava o comboio que passava a apitar. Corria para dentro de casa e do postigo das trazeiras via-o sumir-se. As vizinhas enchiam-me a cabeça de cegonhas. Nem sei se foi alguma delas que me trouxe o irmão, que vi de manhã, ao acordar. Acho que se chamava«Vila Moreira»,
o pequeno aglomerado de pequenas casinhotas, o que não se chamava, de certeza, era condomínio fechado. Tinha um dono, que vendia couves e hortaliças na praça e era muito murmurado porque tinha tido um filho da mãe da filha que vivia com ele e de quem, também já tinha descendente. E viviam em família, todos juntos.
Como não havia «apitos dourados» o tema era muito badalado com quem ia e vinha de visita às criaturas do conjunto habitacional. Nem a porcaria da +grande guerra+ ainda tinha começado quando da cegonha...
Giro é que não guardo memória de ter andado de comboio, enquanto miudo. Lembro-me, isso sim, de os ver e ouvir. Até que dei por mim em Lisboa. Numas águas-furtadas da Victor Cordon via-se o Tejo e as barcaças e uns dois ou três caricatos «vasos de guerra» presos a boias. Como os comboios, a guerra na Europa não me dizia nada. Ainda nem sequer lia o «Mosquito»! Mas no Verão ia-se de comboio para a Cruz-Quebrada, fazer praia! Quando explicaram ao meu pai que aquilo não era sítio para onde se fosse, passámos a ir para a Trafaria ou para Carcavelos. Um dia,
quando cheguei da escola, a minha mãe disse-me que íamos ao Porto ver um vago parente do meu pai e que, por obra provável do acaso, se chamava Benfica. Nós chamavamos-lhe Alfredo. Mas fui de comboio. Por essa altura, os comboios saiam quando calhava e chegavam sabe Deus quando. Era complicado ter lugar sentado ou mesmo de pé. Mas o meu pai evoluira e comprou bilhetes em segunda-classe. Era giro, juro que era, passear no comboio, sobretudo quando se atravessava de uma carruagem para outra. Perigoso era espreitar pela janela aberta. Faúlhas acesas não era brinquedo.
Para andar de comboio tinha de se comprar bilhete. Depois de comprar o dito, mostrava-se ao sujeito da porta, para ele deixar passar para dentro da gare. Depois mostrava-se, no comboio, ao senhor do alicate, que furava o bilhete. Tinhamos de guardá-lo porque, à saída um teimoso queria o bilhete furado. . Algumas das estações eram edifícos bem bonitos. Alguns perduraram até ao nossos dias. Outros perderam viço, perderam uso. Viraram ruinas. Ainda hoje quando passo de carro por Vilar Formoso, dou sempre desculpa de ter que comprar o jornal, para ir ao largo da estação. Nunca entrei no edifício. Por lá passei algumas vezes no comboio para Paris.
Tempos houve em que os comboios para (e de) Paris tinham história: as carruagens de cochettes eram as únicas que, saídas de Lisboa, prosseguiam de Hendaya até ao destino. A bitola estendia e encolhia conforme a conveniência, o que permitia despachar as velharias sem problema.
Lembro-me de algumas viagens soberbas, a começar por Angola, onde o comboio ia do Lobito
ou Benguela até onde se quisesse. Fui uma vez até ao Luso, mas habitualmente descia em Nova Lisboa. Lá estava: era um serviço e peras e o jantar uma delícia! As histórias que se contavam do Expresso do Oriente não me impressionam.
Divertido também era o comboio das minas, que saía de Moçâmedes e me deixava em Sá da Bandeira.
Foram, de algum modo, os comboios da História. Comboios que andavam como comboios. Os TGV e outros que tais são de outro filme. Não podem descer, como eu desci, de Berna para Milão não como eu tanto adoro, nas voltinhas do Marão, mas de outras tremendas encostas alpinas.
Os automóveis também se abatem; também se perdem e custam vidas. E não param. Os autocarros também se viram. E cada vez há mais. O comboio do Tua é (era?) uma relíquia. Fascina-me que tenha sido concebido em mil oitocentos e troca o passo. Os jornalistas televisivos
procuraram uma causa e recuperaram meia dúzia de acidentes com comboios.
Durante seis anos reparti-me entre Lisboa e Madrid, quase sempre de comboio. Ainda havia fronteiras, como havia pesetas e escudos. No início a peseta custava cinco tostões, depois seis, depois sete... Quando dei por ela custava um escudo e vinte!
Uma tarde fui surpreendido com as notícias de um acidente. Em linha única dois comboios não podem circular em sentidos opostos. Mas circularam. E bateram. Foi terrível. E foi erro humano. Impossível de remediar porque nesse tempo, esse tempo é tempo recente, já foi nos anos oitenta!, nesse tempo, dizia, não havia comunicações entre e com os comboios.
O comboio do Tua não tem, hoje em dia, sentido como meio de transporte. Já nem é comboio é uma trotinetezita. Não tem passageiros. Pior não tem estações operacionais. Quer dizer as estações estão lá, mas foram desactivadas e recentemente. É o revisor que revisa a estação fechada, quando a automotora estaciona. A CP, ou o que dela resta, faz como o governo: o que não dá fecha. Já se vira o que deu com as ambulâncias. Agora deu com o comboio. O alerta laranja devia obrigar a alguma prudência. Com estações operacionais poderia vigiar-se um pouco melhor a linha. Sem elas, a interrupção do serviço devia ser óbvia. Mas sejamos realistas: um acidente não faz a primavera. O trajecto é um mimo turístico, sobretudo se for usado, como tem sido de vez em quando, por comboio vetusto, o de antigamente. Nos meses favoráveis ao veraneio, no interesse das agências de viagens, dos turistas e do turismo. E no meu, que gosto. O Verão passado levei lá a minha filha e depois o meu filho e o meu irmão a ver a Régua e do quarto da pousada o Douro serpeteante.
Este Natal ofereci à neta e à mãe bilhete especial de comboio para Madrid. A minha vizinha horrorizou-se: «Oh! É muito mais caro que o avião para Barcelona»!...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A Cidade Sem Governo

Há longos meses que passo por esta Lisboa com a clara sensação de viver numa cidade sem governo. Vale tudo e nada se cuida. São os estacionamentos em segunda fila, os jardins descuidados, os semáforos avariados e/ou mal regulados, é o lixo voando, eu sei lá...um sem número de coisas, assim como numa casa com a loiça por lavar, as camas por fazer e o chão por limpar, enquanto duas ou três pessoas se cruzam e não se falam, fumam sem cinzeiros ou janelas abertas.

Lisboa é uma casa desarrumada, caraterística de uma família desavinda.

Ao ouvir e ler sobre o que vai nos bastidores, percebi que a minha sensação tem toda a razão. Quem governa a Cidade apenas pensa nos grandes negócios onde poderá ganhar o seu dinheiro e dar algum a ganhar aos amigos. Os cidadãos, aqueles que pagam e, de vez em quando, votam em listagens e boas intenções e de mentiras, esses não interessam. Se querem qualidade de vida, emigrem. A cidade foi feita para eles ganharem dinheiro.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Taxas Bancárias

Corre na Net uma petição contra uma eventual taxa de utilização do Multibanco de 1,5 Euros por cada operação electrónica.
Cá por mim assino e faço mais: vou já fazer do colchão o meu banco. Pelo menos se for roubado, sê-lo-ei por alguém a quem se chama ladrão. O que se passa agora é que os Bancos não passam de associações de malfeitores que nos roubam de todas as maneiras.
Se todos voltarmos a usar o dinheiro no bolso, os bancos terão que se transformar em instituições credíveis e, além disso, criadoras de emprego e não de desemprego.
Vamos todos voltar a ter o dinheiro no bolso. Os Bancos ganham demais, roubam demais e têm consideração de menos pelos seus clientes, aqueles que lhes permitem a utilização dos seus dinheiros.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

JUSTOS E PECADORES

O que quer que sejam que o bom Deus os livre da Justiça, essa coisa cega e surda que se perde por falar! Hoje li sobre um levantamento popular contra uma juiza e sobre machismo exacerbado de alguns magistrados. Os juizes, quer sejam de instância do rés-do-chão, quer do mais acima que julgar se pode, podem ser bons ou maus profissionais, tal como acontecerá com as senhoras juizas, se assim se pode dizer, simplesmente para facilitar.
E ocorreu-me um caso extremo, que segui pela imprensa, em Espanha, onde residi algum tempo: um par de jovens namorados namoriscava num banco de jardim. O enleio juvenil desagradou a um outro casal, mais idoso, que noutra banco desfrutava do calor da noite. A admoestação não terá surtido efeito e o idoso consorte, que era juiz, mandou prender o adolescente. A jovem acompanhou o namorado até à esquadra e rumou a casa.
Nunca mais voltaria a estar com ele.
O jovem enforcou-se na cela!
Imagine-se a reacção, numa gente tão expansiva! Talvez não se possa imaginar aqui, foi o efeito lá. O juiz foi posto a andar para o mais longe possível, e nesse mesmo dia zarpou.
O hábito não faz o monge. Qualquer cidadão, ou cidadã!, tem o direito de ser burro (que os pobres quadrúpedes me desculpem) mesmo que envergue toga.
Claro que terem passado mais de dois anos para efectuar o julgamento é de somenos e não tem importância para o caso. Qual é a pressa em saber se uma criança deve estar aqui ou ali, se é bem ou mal tratada. Ora, ora! Se morrer prende-se o vilão...
No caso descrito por Fernanda Câncio no «DN» de uma corrente judicial e judiciosa que recusa considerar de crime a «importunação sexual», o que deixa espaço para acariciar, apalpar e o roçar gente alheia, eu não resistiria a sugerir ao juiz que inquirisse sobre a matéria senhora sua esposa, no caso de a ter, ou a quem o acompanhe no leito...

sábado, janeiro 13, 2007

CAROLINICE

Jantei uma vez com Pinto da Costa. Aconteceu-me em Marselha. Ia de férias, que me ofereci, para assistir ao Europeu de futebol, em França, pelos anos 80. Instalei-me em Versailles, em casa de amigos e no dia seguinte fui tratar da papelada para os ingressos. Saiu-me em sorte uma jovem senhora que não só fez um esforço imenso em entender o meu linguajar estrangeiro, como me ofereceu uma entrada mágica para ir assistir, daí a nada, à final de Roland Garros, que estava mesmo a começar.
O primeiro jogo de Portugal foi com a Alemanha, em Estrasburgo, claro, ali mesmo encostadinho à porção alemã ocidental. Já se sabe que isenção e receitas são coisas distintas. Deu para ver uma porção de loiraços embriagados, acalorados pelo sol radioso, a fazer arruaças próprias da época. Almocei choucroute. Os restaurantes estavam à espera de imigras portugueses, mas nenhum se deu ao incómodo de assar sardinhas. Fui de avião, que ainda não havia tgv para aqueles lados.
O jogo foi ligeiramente mau, mas deu para empatar. Nem me lembro se houve golos, creio que não. Mesmo assim o Chalana foi badalado. Até porque a mulher estava lá e esforçava-se por ser notada. Era, mas ainda não se sabia, uma forma acarolinada de estar no futebol. Esteve à guarda de Neves de Sousa, que também ia de esposa!
Mas foi em Marselha, onde ia ter lugar o segundo jogo da equipa portuguesa, que encontrei um colega angolano, que ia relatar para a Renascença, Ribeiro Cristóvão. Como estar em serviço não é o mesmo que estar de férias, combinamos beber um copo ao fim da tarde e entretanto ele foi à vida e eu aturistei-me pelas colinas. E quando dei por mim estava a jantar. Fui ao balcão e pedi para telefonar (ainda não havia telemóvel!) para o hotel do Cristóvão. Ele e o comentador ainda estavam à espera de uma chamada, para gravar serviço. Eu que não estava à espera de nada fui acabar o meu jantar e desci a avenida até ao mar, onde estava o restaurante onde se ia jantar, onde fiquei à espera. Em vez de um par, chegou um trio...
Fui beberricando o meu café, enquanto eles lutavam contra o menu. Pinto da Costa contava com alguma amargura como fora avisado pelo médico da doença de Pedroto. Tinha sido um choque. E não se sabia ainda como ia ser. Perguntaram-lhe se já havia algum treinador em vista. Que não, que não, disse Pinto da Costa, Pedroto ia continuar...
Mas... Qual mas, o homem ainda está vivo e tem contrato... E foi assim, se a memória não me falha. O Porto chegou à final da Taça Uefa, com Pedroto no leito.
Recordo-me deste jantar, que Pinto da Costa pagou, incluindo o meu café, porque me impressionou. Aquele Pinto da Costa era ainda do tempo em que o poder ainda se concentrava em Lisboa. Por isso, durante o estágio de preparação para o Europeu, em Palmela, contra tudo quanto estaria estabelecido, dirigentes leoninos foram ao centro e aliciaram Sousa e Pacheco!
Data daí as tremendas mudanças no futebol dos portugueses. De meio mundo vieram estímulos em forma de fundos. E de repente Futre vai para as Antas; uns quantos Pintos saiem das cascas. É o assalto estratégico à Praça da Alegria. Dá-se de barato a presidência, mas fixa-se a comissão dos árbitros, a junta dos justos, o poder, esse. Lisboa desapareceu. Perdeu poder e decisão. De tudo isso, de muito e muito campeonato levado para o Norte, iria nascer a Liga. Mas os impetos «liguistas» foram criteriosamente prolongados no tempo. Até arrefecer os ânimos, até permitir um controlo controlado. Desde então o Porto nunca deixou de estar no alto e sózinho ganhar mais do que os outros todos juntos. Os outros, bem entendido, é que são ilustres, mas ele é que foi ganhando. Provavelmente irá ter que sair de cena e de momento não se vislumbram outros Pintos à vista.
E não é que Figo está a cair de maduro!...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

A MUITOS À HORA

Anda tudo zangado. É do radar, mesmo que não haja radar. Eu, que não conduzo, vejo coisas divertidas e algumas sem graça nenhuma. A questão é simples: somos desastrados na estrada. Não direi os piores do planeta, porque é preciso passar pelo Cairo para ter-se a certeza que não somos, mas porque, de facto, somos maus como as cobras, exceptuando um tal M.Pedrosa, que, como se sabe, é quase bom a andar no carro dele!
Ouvi um desalmado barafustar por mór dos carros. A culpa é do senhor que faz os automóveis que andam que se fartam, acima dos 120 kh! O que o Sócrates devia fazer era obrigar o gajo a fazer carros que só andassem a cento e vinte! Parece elementar, parece. Mas não é. Em Alfama não se pode andar a cento e vinte, nem mesmo a cento e dezanove; nem a noventa. Teria que haver uma oficina de fazer Mercedes em Alfama que só andassem a trinta e sete e meio, mais coisa menos coisa.
Não se fazem carros em Alfama e mesmo que se fizessem não era para andar devagarinho. Ocorre-me lembrar que nos finais do Século XIX ainda não havia automóveis e o grande receio era que como aumento incontrolado da caleches, carroças e afins, cada uma das quais com mais cavalos que as do vizinho, as bravas criaturas de então pudessem sucumbir a estrebuchar na merda! Em boa verdade de cavalo sai o mesmo que de cu de menino.
O problema não é de hoje e não é só nosso. O nosso é pior que muitos outros porque nós somos bem piores. Se fizerem o favor de visitar um ou dois psicólogos e outros tantos psiquiatras hão-de acreditar nisto. Mas se os outros são menos piores não significa que sejam bons e mesmo os muito bons têm acidentes do caraças, até porque de bons que são têm turistas pouco recomendáveis!
Há por aí uns dois anos a sinistralidade rodoviária alarmou a França e a França respondeu, partindo do princípio badalado de que o drama resultava de excesso de velocidade. Não diminuiram as tabelas, antes procuraram formas de evitar excessos. Criaram pontos nas cartas de condução e além de multas elevadas retiram pontos à quotação. Perder um ponto ou dois não parece grave, mas ao cabo de meia dúzia ou coisa assim perde-se a carta e será preciso muito, muito tempo até obter outra. Isto sim! Isto dá resultado. O medo de ficar sem carta pesa bem mais do que a chatice de pagar uma multa.
O resto, os radares são ultrapassáveis, com gps's ou com memória qualificada. Mas o risco de perder pontos trava. Das últimas vezes que circulei a caminho de Paris bem que encontrei um tráfego mais tranquilo. Passo a maior parte do tempo a refrear o entusiasmo da patroa, que refila que se farta logo que passa a fronteira dos Pirineus.
Um xui patriota dizia ontem num canal televisivo que passou alguns dos dias de feriados a passear por Espanha e não viu brigadas de polícia na estrada, ao longo dos 150 km que percorreu! Oh rico! Isso em Espanha é o mesmo que ir a Bucelas. Não, não falta controlo rodoviário nas estradas espanholas, nem nas francesas e são prontos a chegar quando é preciso e o que é realmente preciso é conduzir com precaução, expandir quando se pode e reduzir quando necessário. E talvez não faça mal saber o que realmente acontece aos que prevaricam. Não haverá por aí gente a mais com algumas mortes às costas? Ainda não há muito, um ministro foi referenciado numa auto estrada a mais de duzentos à hora e com uma desculpa razoável: o primeiro ministro quer apanhar os paises da frente! Economia, economia! A quanto obrigas...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

50 Kms/Hora

Em Lisboa começaram a colocar em diversos pontos estratégicos da cidade radares que avisam e , depois multam, obrigando os automobilistas a uma velocidade de 50 Kms por hora.
Acho muito bem.
Desta maneira vai ser possível constatar que o Código da Estrada e as suas proibições idiotas não passam de uma armadilha - diria mesmo uma emboscada - para sacar ainda mais dinheiros aos incautos.
Se a limitação da velocidade a de 50 Kms/ hora for cumprida em Lisboa, a cidade vai engarrafar definitivamente e os responsáveis por estas coisas vão constatar que não basta arranjar bodes espiatórios para os seus erros e para a sua ignorância.
O excesso de velocidade é o mito dos burocratas e o alibi dos políticos para a incapacidade de conceberem um código da estrada que consubstancie todas as diferenças existentes na indústria automóvel e na concepção, quer das estradas ,como nos arruamentos dos vários conjuntos urbanísticos em que vivemos.
Veremos.

sábado, dezembro 23, 2006

A OPA

Desde o princípo que se percebeu: tanto a ANACOM como a Autoridade para a concorrência estavam a torcer pela SONAE. Vá-se lá saber porquê. ..

Tenho acompanhado um pouco de longe as peripécias da OPA, mas gostaria de manifestar a minha convicção de que o Engº. Belmiro - um belo merceeiro e pouco mais - não vai conseguir obter o controlo do maior grupo empresarial português.

Desde logo porque a conseguir que os accionistas lhe vendam a maioria do capital da PT, será a France Telecom a dominar o gigante que daí sairá. É preciso não esquecer que a France Telecom ainda é detida em 32 por cento pelo estado...

Só os portugueses e mais dois países europeus, salvo erro a Dinamarca e a Holanda cairam na esparrela montada pelos americanos da liberalização das telecomunicações. Nos EUA não foram nisso. Exportaram a ideia.

O Engº António Guterres garantiu que o Estado sempre ficaria com, pelo menos, 25 por cento, mas como promessa de político é como negócio de meretriz...o Estado lá ficou com 500 acções e uma golden share que toda a gente contesta, excepto quando ela pode valer de alguma coisa.

A PT, desde que o é teve quatro presidentes; o primeiro, o engº. Luís Todo Bom teve que resolver o grave problema de organizar uma empresa que resultou da fusão de duas concorrentes. Organizou e organizou-se, isto é, financiou-se a ele e ao primo e mais ao PSD então do todo poderoso Cavaco Silva.

A seguir veio o dr. Murteira Nabo, sem habilidade para o dia a dia de uma empresa, com talento para a macro economia, mas incapaz de dar garantias a uma equipa. O medo é a sua companhia inseparávél.

O BES impôs, depois, Miguel Horta e Costa, vaidoso, gastador e sem qualquer jeito para administrar o que quer que seja desde que não seja "secretária", jovem e bonita, e o seu próprio património. De resto, seria curioso indagar como é que um homem que sempre foi funcionário público (apenas nos últimos 4 ou 5 anos é que não) tem o património que tem...

Este último presidente é, para mim, uma verdadeira surpresa. Lembro-me bem de aqui ter escrito que Henrique Granadeiro não tinha qualquer capacitação para o cargo e que a sua nomeação apenas se justificava pela sua amizade com Ricardo Salgado.

É certo que a amizade entre os dois homens terá contribuído, mas a atitude de Granadeiro faz dele um verdadeiro presidente de um grande grupo empresarial. A entrevista que concedeu a Judite de Sousa constituiu uma demonstração poderosa de um homem que sabe o que quer, um empresário com um projecto para um grande grupo empresarial. Sem medos, sem jogos.

Nem que seja apenas por isto seria uma pena que a PT perdesse a hipótese de continuar a ser um projecto português.
Ao Governo caberá uma última palavra se, na hipótese, pouco provável, de os restantes accionistas quererem ver a PT governada por franceses.
Há um aspecto curioso em toda esta trama, que é o da comunicação. Continuando Henrique Granadeiro com João Líbano Monteiro a administra-lhe a comunicação - eles são, de resto, cunhados - a comunicação social colocou-se abertamente ao lado da SONAE e as notícias dos últimos dias são a manipulação total - até confrange.
Este facto corresponde a um erro de Henrique Granadeiro. Ele não precisava, comos os três presidentes que o antecederam de "compradores" de jornalistas. Ele apenas necessitava de um sistema de informação aberto e que o tivesse dado a conhecer a tempo. A JLM & Associados foi um prejuizo, porque os jornalistas não incluídos na respectiva folha não perceberam a diferença.

Dois Anos

Foi em 30 de Novembro de 2004 que iniciei este blogue. Depois convidei dois velhos amigos a partilhar o espaço. Um deles, por razões de tecnologia - ainda é um bocado avesso a estas "modernices" foi-se afastando, mas um dia reaparecerá. O Rafael Soares, pelo contrário, tem sido ele que nos últimos tempos alimenta a fogueira e, a bem dizer, a fornalha.

Agora que volto a um curto período de poisio, tentarei descobrir algumas ervas daninhas e delas dar conta, assim como enlevar-me com algumas flores e desse enlevamento vos dar conta. Veremos se serei capaz de cumprir o que a mim próprio prometo.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

O DIREITO A SAIR DE CENA

Telefonei, por mór da época que atravessamos, a uma amiga que muito estimo e que reside em Madrid. A intenção era dizer olá e desejar bom Natal. Escolhi mal o dia e a hora. O irmão acabava de se suicidar, atirando-se da janela. Um exame médico detectara-lhe um cancro, dos delicados. É o quinto suicídio que a senhora minha amiga soma na família, todos eles de parentes muito chegados. Deve ser um fardo terrível de suportar. Toda a minha simpatia e sentimento não lhe devem servir de muito e eu tenho alguma dificuldade em enfrentar determinadas situações e esta terá sido decerto uma delas.
A morte voluntária é mais dramática justamente por ser interdita. Não fora isso e talvez fosse menos dura de suportar pelos que ficam, pelos que esperam. Estou em crer que é assunto que deve ser mais amplamente debatido. Tem a ver, convenhamos, com os direitos humanos. O direito que cada um tem, ou devia ter, para escolher o momento de partir. O direito a uma morte suave e não punitiva. Se para tal tivesse que ir de burro ajaezado como o poeta queria ou com os vizinhos a bater em latas, não era por isso que me iria ralar e seria preferível a ter de sujar a locomotiva ou a salpicar de entranhas as pedras da calçada. Mas queria, isso sim, saber que podia resolver o desenlace duma vida, a minha, como e quando me aprouvesse, Como pode alguém pretender-se livre e autónomo se não dispõe de si próprio?
Não tento intrometer-me noutra questão, a da pena de morte. Não me interessa discutir isso.
Não sou nem contra nem a favor, nem pouco mais ou menos. Sou emotivo e de vez em quando
parece-me que sim, outras que não. O que me apavora é a injustiça, a probabilidade do erro de julgamento, a ideia de que alguém inocente possa, como já aconteceu, ser aparatosamente apagado. E, por vezes, exaspero-me, como, por exemplo, quando um sujeito foi julgado por ter atropelado - e morto - uma senhora, numa passadeira para peões. O juiz entendeu sentenciou-o em dois anos de prisão, com pena suspensa. O réu, à saída, respondeu aos jornalistas, considerando a pena exagerada. Ainda hoje acho que sim, que foi um «exagero» e acho mais, acho que casos do género têm sido demasiado frequentes. Cheguei a pensar que os juizes pudessem ter problemas de consciência: "podia ser comigo", ou qualquer coisa assim!
Hoje ouvi pela rádio que o sujeito que abusou sexualmente de um garoto surdo-mudo a ponto de lhe causar a morte foi condenado a doze anos de prisão. Provavelmente poderá voltar ao nosso convívio daqui a seos ou sete anos. Poderá ter mais juizo ou voltar com os mesmos ímpetos.
Nos tribunais devia haver um guichet de informações que elucidasse o cidadão do volume da pena que teria de cumprir se quisesse violar uma vizinha de sete anos ou no caso de se contentar com a prima dela, de nove, teria desconto?
O que tudo isto tem de bárbaro ou absurdo choca com a impunidade dos impunes e cria a convicção de que a justiça é cada vez mais como o euro milhões: só sai a alguns...
A maneira mais simples, e provavelmente objectiva, de melhorar a imagem da justiça e emprestar-lhe a necessária tranquilidade é proibir as notícias sobre investigações de crimes e subornos, julgamentos e acima de tudo sentenças. Subsiste o risco de criar dificuldades aos ministros do senhor Sócrates ou embaraços ao senhor de Belém.
Por mim tudo bem. Só queria que me concedessem o direito de poder desistir, quando estiver farto e antes que as maleitas me torturem...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

...MÁS COMPANHIAS

Quando eu era pequeno lembro-me que havia companhias. Ele era a companhia das águas, ele era a companhia das luzes e do gás ou a companhia dos carros eléctricos. É verdade que também havia a Real Companhia Velha, mas disso ainda não sabia. E havia o Alfredo, que me fazia companhia quando cavávamos da escola para ir jogar à bola. O prof. não achava graça e, às vezes, levantava-me do lugar por uma orelha. A minha mãe procurava desculpar-me com «as más companhias», para acalmar a ira do meu velho, o qual, verdade seja dita, ameaçava mais do que batia.
Aos domingos ia-se à bola, quer dizer, levava-me o meu pai ver o Benfica. Por esses dias o Benfica era, claro, o que jogava mais e melhor. Era, bem entendido, o que tinha mais azares. Por isso é que o Sporting ganhava mais vezes. O Benfica era, de longe, o que mais vezes ficava em segundo. Até foi segundo no ano em que o Belenenses ganhou o campeonato. E eu só tinha olhos para a bola. É verdade que lia amiúde o «Mosquito», mas a bola via-se com tudo, olhos, sentidos e coração.
Mas o futebol era, provavelmente, como hoje em dia, o que era a sociedade desse tempo: uma ditadura fascista. Mesmo o Benfica, suspeito de populismo suspeito, não se coíbia de uma ou outra prepotência sobre os seus atletas. O futebol era, já o disse, aos domingos. Começava logo pela manhã, para ver os juniores. Mastigava-se qualquer coisa no Quebrabilhas e ala, ver as segundas categorias e depois as reservas, para acabar nos mais custosos.
Foi assim anos a fio, com o Benfica a esgalhar num campo minúsculo de terra batida, a que se chamava «estância de madeiras» em razão das suas bancadas todas feitas de pau, mas o peão era empedrado. Pelo menos não tinha lama, como nas Salésias ou no Lumiar. Os jogos «grandes» começavam às três da tarde, salvo no verão de Setembro, que era às 16 , até mudar a hora.
O resto da semana era para discutir os «ofessaides» e as diferentes malandrices dos árbitros, todos suspeitos, na casa do meu pai, de serem lagartos.
Já no fim da adolescência tive o primeiro choque ideológico. O presidente encarnado que era cambista na Rua do Ouro, puniu o Felix com um ano de suspensão. Com Rogério condescendeu-se que fizesse a festa e fosse à vida. Qualquer manda chuva de trazer por casa se podia dar ao luxo de armar aos ditadores porque os jogadores eram zés-ninguém e não havia profissionalismo. Ocorreu-me que um xui numa madrugada, junto a um café razoavelmente mal frequentado, deteve e levou para a esquadra, onde acusou de vadiagem, um jogador de futebol.
Futebol não era profissão reconhecida, não obstante os jogadores descontarem para o desemprego, como salientou a notícia do jornal, visado pela comissão de censura.
O Felix cumpriu seis meses de castigo. A amnistia do Natal, que sua excelência o presidente do conselho de ministro, prof. dr. etc. e tal promulgava por essas alturas, engoliu o restante semestre. O Rogério foi para o Oriental, de onde saiu desiludido. Tinha proposto aos colegas uma greve porque não pagavam há um ror de tempo os prémios prometidos e devidos. O senhor director lembrou aos malandros dos jogadores que no país não havia direito à greve.
Posso garantir-vos que, tanto o Rogério como o Felix foram seguramente dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos. O Passos do Sporting, já veterano, teve sorte semelhante, foi posto a andar de forma humilhante.
Com o advento do profissionalismo profissional que Otto Glória impôs ao Benfica e por acréscimo
ao País ainda salazarado, o dirigismo no futebol foi-se modificando até chegar aos dias de hoje.
Já não vou à bola. Vejo em casa. E vi, na sexta-feira, à noite, o presidente do Sporting e o presidente do Benfica a fazer companhia um ao outro. Ah! Se um deles tivesse uma mãe como a minha...

quinta-feira, novembro 23, 2006

Uma Organização de Mal-Feitores

Ao longo dos anos, com o andar dos tempos, com o aumento do número de homens e mulheres a dedicarem-se à política, tudo se foi complicando. O Estado foi demitindo-se de algumas funções, aquelas cujas actividades estavam ligadas ao lucro fácil e , à vez, os amigos dos políticos que se vão substituindo na gestão dos negócios do estado, vão ficando ricos (alguns dos políticos também aparecem, de repente, com estatutos impressionantes).

O Estado está, praticamente, despido das suas funções mais importantes, mas continua a cobrar impostos "à bruta", exigindo o respectivo pagamento em dias certos, depois do que cobra juros e coimas.

Estaria tudo muito bem se o estado pagasse os seus compromissos, assumidos depois de complicados concuros públicos, garantias bancárias, etc. O Estado não paga desde Agosto a pequenas e médias empresas, cujas actividades dependem quase exclusivamente de fornecimentos vários ao Estado. Algumas delas terão seguramente que fechar, mesmo aquelas que, entretanto, animadas pela ideia de que alguma coisa ia mudar, criaram postos de trabalho para a Juventude à procura de primeiros empregos e agora verificam que o melhor era terem ficado em casa.

Este Estado não serve para nada. É uma organização de mal- feitores, que só serve para desassossegar os cidadãos.

terça-feira, novembro 14, 2006

IR À BOLA

Fernando Caiado morreu. Li no «Público» e comoveu-me. Também me irritou. Disseram dele que era um «médio com características defensivas». Não era, não senhor, não era! Lembro-me bem dele no Boavista. Internacional português, era avançado num lugar que já não se usa no futebol actual: Meia-ponta, interior esquerdo. Nos tempos idos, quando o futebol era coisa de domingos, à tarde e havia uma semana inteira para digerir. Um off side era coisa séria. Não havia maneira de controlar. O fora de jogo era quase sempre um roubo para um dos lados, até porque o árbitro nunca via os fora de jogo dos outros, como com as grandes penalidades. Agora é pior porque a televisão mostra e o pior cego é o que não quer ver e em geral o estádio está cheio de ceguetas.
Comecei a ir à bola muito miudo. Retive na memória a primeira vez (que fui à bola, a outra foi alguns anos depois...) nas Amoreiras. Nem vi o jogo. No peão só dava para ver as costas dos da frente. Mas depois, na estância de madeiras aprendi a ver sentado ou de pé nas bancadas. Aprendi também com os jornais e até aprendi com eles que eles informavam mal. Por exemplo os jornais (e a rádio, com Alfredo Quádrios Raposo, na Emissora, ou o Domingos Lança Moreira, no Rádio Clube) escreviam (ou diziam) a constituição das equipas mais ou menos assim: Capela, Vasco e Feliciano; Amaro, Gomes e Serafim... Azevedo, Cardoso e Manuel Marques; Canário Barrosa e Veríssimo... Martins, Gaspar Pinto e César Ferreira. Jacinto, Moreira e Francisco Ferreira... No Porto, era: Barrigana,Alfredo e Guilhar (os outros já lá vai!)...
No campo já não era assim, o que se via era o Feliciano a central, como o Manuel Marques, no leões, Gaspar Pinto, no Benfica, e Guilhar, no Porto. Pelos fins dos anos trinta, do Século que já lá vai, começaram a aparecer refugiados hungaros ou checos que puxaram o esquema de jogo para o WM, deixando cair o até então «clássico», mas só se deu por isso, quando se tornou obrigatório numerar as camisolas, ainda que limitados a onze números, porque nesses bons velhos tempos só jogavam onze de cada lado.
Cândido de Oliveira, Ornelas, Tavares da Silva e poucos mais iam dando dicas. Começou-se pelo quadrado mágico, os dois médios e os dois interiores, a comandar a estratégia, Depois, já pelos meados dos anos 50 foi avançando um dos interiores e recuando um dos médios. Começava um tal quatro dois quatro, que no Brasil se definia com Diagonal. De uma vez, um artista seleccionador levou para Espanha uma selecção pomposamente de quatro em linha. O recuado foi, imagine-se o jovem Caiado, empurrando-se Travassos para a extrema esquerda. Correu mal. A Espanha ganhou por cinco-um. Na segunda parte, Travassos passou para o seu lugar de interior e Caiado relegado para extremo, ficando «reduzido à ínfima espécie», escreveu Tavares da Silva no Diário de Lisboa e os «Ridículos» também glosaram com «quatro em linha e um à boa vida».
Para Caiado sair do Boavista não foi fácil. Foi necessária uma assembleia geral e premente que Baptista ameaçasse sair do futebol se teimassem em cortar as pernas ao jogador. E lá foi para Lisboa e para o Benfica. Mas não foi fácil.
No Benfica subsistia uma velha questão: Rogério. Muito jovem revelou-se prodigioso a jogar na ala esquerda do ataque. Jovem, muito rápido e com uma técnica muitos furos acima da média tomou o lugar de Valadas até que, de supresa, foi para o Brasil, onde era mais um dentro da média e onde aprendeu que o seu lugar não era ma extrema, mas na zona criativa. Era a camisola 10 que lhe assentava bem.
Regressou a Lisboa e ao Benfica, que tinha nessa altura um treinador inglês: Ted Smith. Mas tinha também dirigentes mandões entre os quais o presidente, um cambista da Baixa lisboeta. Eles achavam que Rogério era extremo esquerdo. E passavam o tempo a comprar interiores esquerdos, cada um deles pior que o outro. Fernando Caiado viria a ser mais um, não obstante
Smith ter acreditado ter o seu criativo na meia esquerda. Foi com o «dez» na camisola que Rogério foi campeão latino. Com a ansia de arranjar um dez que pusesse Rogério na extrema, o Benfica lá foi buscar Fernando Caiado. E não ficou por aí, ainda foi buscar o Vieirinha ao Estoril Praia
Quando a direcção do clube entendeu prescindir de Felix, um central de grande classe, punindo-o com um ano de suspensão e suspendendo igualmente Rogério, mas permitindo a este organizar a feste de despedida, a meias com Feliciano, do Belenenses, o Benfica teve a chance de comprar Costa Pereira e Coluna, que chegaram para Otto Glória. Este não demorou muito a colocar Caiado no meio campo, a alimentar o ataque. Não tinha colega certo à sua esquerda. De uma das vezes foi Angelo, defesa esquerdo a alimentar o quarteto da frente! Mas por fim o cargo foi entregue a Coluna, que foi evoluindo bem depressa. Caiado instalou-se definitivamente a alimentar o ataque. E podia dar-se ao luxo de exibir alguma veterania, o moçambicano da esquerda tinha estofo por dois!
Mesmo depois de deixar de jogar, Fernando Caiado ainda foi esteio do Benfica. Merecia bem ser melhor recordado pelos jornalistas, pelo Benfica e até pelo Boavista...

domingo, novembro 05, 2006

PRETÉRITOS

Eram por exemplo os verbos no passado. No presente, os tempos mais adequados são necessariamente os do conjuntivo com o indispensável «se» na conjugação. Se não chover talvez o comboio chegue a algures. A conjuntivite é cada vez mais impiedosa, cada vez há mais ses e menos complemento directo. O Século, o Mosquito ou a Vida Mundial perderam-se no condicional. Recordo-me de debitar de pé o pretérito imperfeito; impingiram-me o impossível pretérito mais que perfeito. Naquele tempo só poderia ser o 28 de Maio. O Abril incompatível
conjugou-se depois porque a ordem dos factores é arbitrária.
No mais possível presente do indicativo condenaram Saddam Hussein à morte. Na forma pretérita, presumivelmente imperfeita, amarraram Jeanne D'Arc a um poste, pegaram-lhe fogo a extinguiram-lhe a vida. Além de matarem a senhora, os ingleses fizeram a América e encheram-na de americanos conjuntivos, que haveriam de estragar o chá que havia na Pérsia, que ficou intragável.
Ah!, já sei, já me lembro, era por mór do apagão que me sentei a escrevinhar, tende em mente que ao princípio era o verbo. Li do apagão, em Lisboa e Paris, aqui mesmo, no computa, mas não nos jornais. Foi entre as nove e as dez da noite. Para os jornais lisboetas, mas não só, o «ontem» acaba à roda das oito menos um quarto, ou coisa assim. Acontecimento às nove já não dá. E é isto que vai matando os jornais. Nos abomináveis velhos tempos, a «Censura» fechava às três da madrugada. Depois as notícias eram da responsabilidade do director do pasquim, que nessa altura já estaria a dormir. A tipografia pertencia ao jornal (ou vice-versa) e a distribuidora também. E havia recurso a segundas ou terceiras tiragens, geralmente por causa da Volta a Portugal em pasteleira ou do foot dominical. Tá bem, tá bem... não havia TV e a Rádio dava poucas notícias e raros directos. Pois, pois, é isso. Mas não abusem...

sexta-feira, novembro 03, 2006

OS OUTROS

Eu sei, é o título de filme, bem divertido, por sinal e nem vem a propósito. Só fui de viagem e não foi ao além, nem por lá vasculhei. Foi só até Paris e com alguns devaneios pelo caminho. Ah! querem algumas impressões? Claro, pois e rebuscadas, de preferência. Então lá vai: Paris é enorme; o Louvre, também. Tem muita gente, muita. E alguns são brancos. É uma chatice. Só dá para andar de «metro». As avenidas são quase todas como a do túnel do Santana: alargadas, esburacadas e sem fim (à vista!). O trânsito fica um pandemónio, mas... Vocês sabem, é com obras, muitas obras, que se ganha para os alfinetes! E, caramba!, aquela gente e aqueles partidos precisam de afiar alfinetes como de pão para a boca. Quando lá estive, o ano passado, tinha havido zaragata num bairro periférico e dois adolescentes, que fugiam à polícia,
enfiaram-se onde não deviam e morreram electrocutados. Este ano foram recordados como vítimas inocentes de um sistema canibalesco, que obriga os inocentes a gamar e a agredir quem não se quer deixar gamar. Também se recordou, mas ao de leve, uma senhora do mesmo bairro que foi assassinada, na mesma altura, por outro bando de amigos do alheio.
Muito parecidos comigo estão a ficar, também, os criativos realizadores de telefilmes. Não se matam a andar para a frente, a criar ou projectar o futuro, servem-se do passado, uma vez por outra recente, para a sua obra. Recriam escândalos escandalosos e apimentam o assunto. É giro reconhecer que são assuntos escaldantes, como, por exemplo, a recriação de um caso que nos tocou de perto: o afundamento do «Rainbow Warrior», atracado num porto da Nova Zelândia, o barco pacifista que prometia navegar pela zona escolhida pelos militares franceses para efectuar experiências nucleares, de que resultou a morte de um fotógrafo português, que cobria o acontecimento polémico.
Pessoalmente eu lembrava-me do caso e estava justamente em Paris, para cobrir as eleições presidenciais, naquela altura. O candidato Chirac, então primeiro-ministro, tinha efectuado uma diligência deligente e conseguira a libertação de uma agente militar secreta, que participara no atentado que fez explodir e afundar o navio, que era suposto estar vazio, mas onde dormia o inditoso fotógrafo português. Ela e um parceiro foram desaastrados e facilmente identificados, presos, julgados e condenados. A capitoa, ou coisa que o valha, cumpria pena numa ilha, num regime compreensivo. O marido podia visitá-la ou passear com ela pela praia e por outros sítios, uma vez que a senhora engravidou, quando deu jeito. Tanto quanto me recordo, a gravidez foi o pretexto para ser solicitada a transferência da reclusa, que deveria cumprir o resto da pena num presídio militar francês.
Eu estou a fazer o mesmo que fez o cineasta: a deixar para trás a tónica. A experiência que o barquito procurava abortar era evidentemente o lançamento de um engelho nuclear, a que se chamava quando eu era miudo bomba atómica. Quem era presidente da República francesa era Mitterrand e os militares não iriam por ali fora sem que o ilustre chefe socialista estivesse pelos conformes. Quando o escândalo rebentou quem teve que dar a cara foi o jovem ministro Fabius, que também teve que aguentar com o escândalo do sangue contaminado, não levou muito tempo a ser posto de lado. Tudo isso conduziu a que a Assembleia Legislativa fosse ao ar e a direita voltou a liderar as eleições de que resultou o primeiro e notório acasalamento político: presidente de esquerda e primeiro-ministro de direita. As nacionalizações foram desnacionalizadas, o primeiro-canal de TV privatizado. Uma festa. Chirac pairava e desvairava.
Mitterrand mantinha-se na sombra e ia dando lenha a Chirac. O fiasco na Bolsa afectou muitos países e afogou Chirac. Ele bem trouxe a menina «que se sacrificara» pela pátria e trouxe outros azarentos «pacificadores» de outro lado. Mitterrand sorriu e foi mortífero quando se rcusou a comentar um caso tão delicado em momento eleitoral.
Às quatro da tarde de domingo, nas intalações da Rádio France o telex da Lusa, perdão da France Press dava conta da vitória de Mitterrand, com 54% dos votos. Desde manhã que o Presidente recolhia favoritismo e liderava todas as previsões.
Reeleito, Mitterrand não nacionalizou mais nada. Arregaçou as mangas e passou o mandato a acertar contas com o seus pares socialistas. Esmagou e espezinhou alguns dos mais notáveis políticos socialistas.
O telefilme torceu-se um pouco para nem tocar em Mitterrand. De Fabius recuperou uma imagem do então jóvem membro do governo, absolutamente confuso sobre o que se tinha passado.
E o que se passara fora simplesmente um acto de terrorismo puro e duro. O governo francês considerou ofensivo que o movimenteco dito pacifista tentasse travar o progresso nuclear, agora, como se sabe, ao alcance de qualquer Irão que por aí ande. A senhora, e o senhor que a acompanhou no atentado, eram James Bond's de trazer por casa e foram consumar o atentado no país terceiro, não era bem a heroína que a Televisão quis fazer passar. Possivelmente nem andou à tareia com as outras reclusas, por crimes menores, como a mostraram no televisor, nem isso interessa. O que interessa é o terrorismo. No fim de contas é um acto repulsivo ou heróico. Talvez possa ser as duas coisas, mas nesse caso deve ser assumido. Na América o fime sobre o atentado das torres foi um hino ao pundonor do bombeiro, em França canta-se a valentia
da terrorista. Quem terá chorado pela sorte do fotógrafo?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Estou Cansado de Ser Português

Ontem à noite, finalmente, tive que admitir de mim para mim: estou cansado de ser português. Não estou a dizer que não gosto - só que estou cansado.
Nas várias fases da minha vida sempre tive que aturar a condição de português daqueles com quem tive, de algum modo, trabalhar, tentar fazer isto ou aquilo. E foi sempre muito didífil.
Sobretudo com as pessoas que, mais ou menos de repente, sem que se saiba porquê, assumem posições de poder, por pouco que seja. Ficam logo inacessíveis, com secretárias muito "in", muito "tias" a dizerem que o "o sr. engº ou o senhor dr. está numa reunião".
Em Portugal não se pode levar a cabo um projecto diferente, com mérito - toda a gente gosta muito, mas tudo fica a torcer para que acabe, tropece, se estatele... ou então avançam para a cópia de baixa qualidade, na esperança de recolher os méritos...
Os governos sucedem-se nas promessas e nas mentiras. Aproveitam pouco do que está para trás e refazem tudo - sempre com os mesmos argumentos e os mesmos objectivos: servir os amigos de modo a que, mais tarde, também possam ser servidos.
Gostava de, uma vez por outra, ouvir um primeiro-ministro com um tom de voz normal, a falar com os cidadãos, sem dar a impressão que está zangado e a ralhar com toda a gente.
Sei lá... gostava de viver numa comunidade de gente educada, que não está sempre em reunião, naquelas reuniões que nunca acabam, porque eles ou elas nunca devolvem os telefonemas.
Uma das minhas grandes ambições era saber que o ministro da ciência e tecnologia tinha capacidade para perceber que há coisas que ele tem que apoiar - a sociedade civil está à espera que o aumento de orçamento signifique essa compreensão.
Confesso-me cansado e sem jeito para esta condição. Gostava de pertencer a uma comunidade onde as pessoas, para além de se divertirem a beber uns copos e ir à praia, tivessem disponibilidade para apreciar o esforço dos outros, o mérito dos outros - mesmo que não sejam amigos.
Gostava de viver numa comunidade que ao falar de juventude não estivesse a pensar nos filhos dos amigos e nos seus próprios, mas em toda a Juventude, fazendos os possíves por enquadrar os seus projectos.
Estou cansado, mas irritado, porque gosto. Será uma manifestação de masoquismo?

segunda-feira, outubro 09, 2006

JUSTO E PECADOR

... e o polícia malfeitor que só
malvadez contém prendeu a pobre
velhinha que andava a roubar flores
para pôr no túmulo da mãe...

Foi lenga-lenga que me ensinava um tio ainda jovem, e que decorei, enquanto a minha mãe me catava a cabeça, como se fazia no meu tempo de miudo. Tornei-me paciente militante desde que um miudo, na minha aula, apanhou um bicharoco da gola de blusa de um colega e o foi levar ao professor. A minha avó é que levou a novidade do DDT lá a casa. Acabaram de vez os piolhos na cabeça e os percevejos na cama, foi remédio santo. «Podia ter-te morto!», disse-me um droguista algum tempo depois. Desde então fui aprendendo que estamos sempre sujeitos a tudo não obstante as polícias e a justiça subjacente serem uma exigência das sociedades evoluidas (ou quase) tal como a Medicina por exemplo, ou o Ensino (e etc). Sabe-se que nem todos os médicos são honestos ou competentes, que nem todos os profs. sabem o que devem ensinar ou pelo menos o suficiente para passar de classe. Com a Polícia sucede o mesmo. Os agentes procuram manter a ordem e garantir alguma tranquilidade. Não são robots, são gente comum. Exercem uma profissão de risco.Alguns ( e não poucos!) morreram no exercício dela.
Por inerência da profissão o agente da ordem anda armado. Na sua posse, a arma sublinha a autoridade que é devida a quantos zelam para ordem pública. Não é um brinquedo!
Fazer, como fez hoje, «oPúblico» uma acusação implícita à GNR de acção criminosa não é razoável mas vai na linha muito em voga nos últimos tempos: uma notícia não vale nem vende sem estar embebida em molho picante. Tem que ser o menino a morder no cão. Só interessa se for a menina a violentar o sacristão.
Talvez a intenção da notícia não fosse o direito de cada um roubar por aí as viaturas que quisesse e não se dar ao incómodo de travar à ordem policial de parar! Quando -- e já tem acontecido -- as viaturas policiais não conseguem alcançar os carros mais potentes em fuga, os jornalistas criticam, com desdém, a falta de meios ou a inabilidade das forças da ordem..
Quando dá para o azar, coitado do ladrão, levar um tiro por roubar a porcaria de um carro, onde é que já se viu! É o abuso do poder e a prepotência da autoridade a pagar as favas, pois claro.
E quando ocorre o contrário, como aconteceu, não há muito, um agente ser morto por um bando de honestos assaltantes de bancos e de caixas multibanco, a culpa foi do colete!
É evidente que qualquer instituição (como qualquer jornal!) pode e deve ser criticada, isso está fora de questão. Não é um agente da GNR que faz a primavera. Não é decerto a encolher os ombros que se assegura o respeito à autoridade. Mas prefere-se pôr a tónica no infeliz gatuno, que gozava como podia a liberdade condicional, pois que seja e viva o jornalismo redentor...

quinta-feira, outubro 05, 2006

QUE OS PARIU

Não, gaita! Não quero falar das origens de ninguém em especial, nem sequer vou botar futeboleiras arrebatadas, mas da surpresa pelo encerramento de maternidades e as deslocalizações de parturientes. Mandar para Espanha um parturiado de concepção portucalense faria por certo o Afonso vimaranense saltar da cova, se fora mais novo. As maternidades dos automóveis estão todas a mudar-se sabe Deus para onde e isso provoca crise e angústia a tal ponto que até os ministros fazem o favor de mostrar preocupação.
Sou de um outro tempo. Do tempo em que não sabia que esta palavra saudade infelizmente existia. Bolas! Lá caí eu no fado. Queria, na minha, lembrar que me recordo das vizinhas estarem em casa, à espera que a cegonha trouxesse o rebento. Pelo menos era assim que me explicavam. Depois apercebi-me melhor. Era em casa que acontecia. Com parteira ou sem ela, mas quase sempre com elas. Já havia Alfredo da Costa, sou de lá, mas quase tudo acontecia no aconchego do lar.
Primitivismo, estou em crer. Mas até um país salazarengo podia evoluir. Evoluiu e a par de aljubes, tarrafais e coisas que tais foram aparecendo maternidades e salas de parto pelos hospitais. As parteiras passaram a ter outra função. Era feio ir na parteira, mas fazê-lo na Suiça ou coisa assim não escandalizava.
Agora é o ministro ou o governo a empurar as parturientes para Espanha, porque em Elvas
não se pode. Em Mirandela não dá. Em não sei onde também. Só o senhor ministro é que sabe onde se pode arrancar às mães os frutos dos respectivos ventres. Ele é certo que as questão de Saúde são delicadas e com a Economia doente como anda não se espantem se surgir por aí um saudável surto de propaganda da interrupção voluntária da gravidez...