Era apenas um pasquim. Passou a escarro. É um nojo. Pior: nem tem direito a existir, apesar do senhor Jorge ter uma ideia obsoleta do que é a liberdade de expressão, escrita ou falada. Fui a Lisboa e vi, à saída do comboio aquela coisa peçonhenta, no meio de jornais e revistas. Nem quis acreditar. A negação completa do que é e como se faz uma notícia sobre um atentado criminoso perpetrado conta uma mulher. Apenas li que um conhecido cadastrado, cujo nome não vi, nem sei se constava do primeira e única página que vi, havia raptado e violado uma mulher, cujo nome e foto eram manchete. É reles. É bem pior que roubar carteiras; é pior que traficar droga. Não há tamanho para tamanha filha de putice.
Se o inquilino de Belém, ilustre defensor da liberdade de expressão, quiser voltar ao assunto aproveite. Lembre que ninguém tem o direito de qualificar o «presumível» criminoso, o qual até ser julgado e «eventualmente» condenado tem direito ao bom nome. As vítimas não! As vítimas servem de pasto e capacho a essa gente foleira que trabalha para alguma imprensa.
É diferente, eu sei, dos bonecos dinamarqueses. Não é a religião, seja qual for, que se põe em causa, mas o efeito que a gracinha pode ter para terceiros e, sobretudo, o aproveitamento vil
que se pode extrair, o que evidentemente se verificou.
Até as vítimas que não foram da Casa Pia merecem respeito. Merecem ser preservadas. Mais do que merecer têm esse direito. Direito legítimo não vende papel. Nem tudo que vende papel se justifica e pode ser aceite, melhor dizendo: tolerado.
O caso de hoje exige medidas. Não folclóricas, nem demagógicas: duras, muito duras. O fecho compulsivo, e definitivo, do pasquim ainda assim seria suave. Director e editor, pelo menos, deviam ser banidos da Informação. Pocilga com eles.
Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
domingo, fevereiro 12, 2006
O Bloco Central dos Interesses
A notícia não podia ser mais clara: o governo prepara-se para vender o património da Casa Pia, avaliado em mais de mil milhões de euros. Todavia, uma avaliação feita há uns tempos atrás baixa substancialmente o valor para 220 milhões, valor com que a chamada comissão instaladora está a trabalhar.
Não sendo estas as principais questões que o eventual desaparecimento da Casa Pia de Lisboa - porque é para lá que caminhamos - levanta, vale, todavia a pena analisá-las antes de tentarmos perceber as razões por que um ministério governado por um homem aparentemente sério, de um governo socialista, cuja ideologia tem que ser profundameente marcada pela solidariedade com os mais desfavorecidos, decreta a venda de um património que vem sendo acumulado desde 1780, sendo que muito dele é produto de dádivas de cidadãos, preocupados com a educação dos desprotegidos.
Este esquema, agora concretizado em Decreto Lei, começou a ser gizado no tempo do governo de Durão Barroso, que nomeou a tal comissão para avaliar a situação da Casa Pia, na sequência do escândalo da pedofilia.
E o que fez tal comissão? Nada! Trabalhou em cima de uma realidade que já não existe há anos na instituição,como por exemplo as camaratas, não ouviu os agentes de ensino e educação dos vários colégios e, depois de muitos euros gastos, em estudos, viagens, contratos espúrios, tirou da cartola a solução: há que reduzir o número de alunos, logo há que reduzir a estrutura, em consequência, há que vender.
Tudo muito lógico para quem, percebendo a extensão do património existente vê nele uma fonte de rendimentop e não um instrumento para melhorar cada vez mais as condições de educação das crianças cujas famílias não sabem ou não podem proporcionar aos seus filhos as mesmas oportunidades dos outros , que vão, normalmente, às escolas ou frequentam os colégios privados.
A intenção da realização de mais valias com a venda do património também é evidente na subavaliação do património. Por exemplo, diz o Conselho dos Ex-Alunos, entretanto extinto pelo Decreto Lei que cria uma comissão chamada instaladora, mas que é, de facto, uma comissão liquidatária, o Colégio Pina Manique, junto ao Mosteiro dos Jerónimos não vale apenas os seis milhões de contos mas, pelo menos 60 milhões!!!
O interesse dos negócios sugeridos por toda esta trapalhada une, mais uma vez PSD e PS, tendo pelo meio alguns membros do CDS, como Roberto Carneiro, presidente da Comissão técnico-científica para a reestruturação da Casa Pia e donde saíu a ideia da redução de alunos.
As pessoas que têm acompanhado este processo esperavam do actual titular do Ministério da Solidariedade, Vieira da Silva, uma outra atitude: que não fosse pressionável pelo bloco central dos interesses e avaliasse a Casa Pia como uma instituição com um potencial de crescimento impressionante, no seu objectivo de garantir a todos os jovens desprotegidos uma real protecção do Estado.
Mas não, numa altura em que se assiste à degradação acelerada da família e ao aparecimento de crianças pobres, sem protecção, sem perspectivas futuras que não sejam a marginalidade, um governo socialista apadrinha os intentos mais egoístas de uma direita troglodita, interessada apenas em sacar o mais possível ao Estado.
E os portugueses - mais uma vez mal informados ou completamente desinformados, porque quando ouvem falar da Casa Pia só se lembram da pedofilia - vão assistir ao desmantelamento de uma instituição que pode, muitas vezes, ter sido mal governada, mas que, se obrigada a cumprir os seus objectivos, pode ser motivo de orgulho para todos nós.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
A Loira da Rua 48 Vai Ao Porto
Com as duas filhas pela mão - Marilú na direita e Francisquinha na esquerda - tem sido sempre assim, desde que as crianças chegaram da Suécia, a Loira da Rua 48 entrou no grande átrio da Estação de Santa Apolónia e foi directa aos guichets de venda de bilhetes.
- "Quero um bilhete para o Porto..."
-"Em que combóio? Para que horas " - perguntou a senhora do outro lado.
-"Olhe, no que ande mais depressa e saia mais cedo..."
- "As meninas também têm que pagar..."
- "Isso é que era bom!... as minhas filhas têm este ar robusto, mas são novinhas, não têm idade para essas coisas... Vá, vá, um bilhete rápido, que estou com pressa... quero apanhar o major antes de ele sair de casa para a Câmara...
Do outro lado do guichet a funcionária da CP abriu os olhos de espanto.
-" Sim. Quero fazer umas perguntas áquele senhor que aparece na televisão todos os dias a dizer que é inocente de não sei quantos crimes de que é acusado, por causa do futebol..."
- "Então e vai meter-se nessa confusão, com as meninas... coitadas"
- "As minhas filhas têm que aprender como defender-se destas coisas, além disso elas gostam de viajar..."
A Loira da Rua 48, já na posse do seu bilhete, ultrapassou as portas da estação e dirigiu-se para a linha nº2, onde estava estacionado o pendular - aquele que vai para cima e vem para baixo.
Sentou- no meio das duas filhas e foi apreciando a paisagem. Reparou que a maior parte dos campos estão vazios, que há casas e rotundas por todo o lado, que em Coimbra já quase não se vê a torre da Universidade. Até que chegou ao Porto. Campanhã. Chamou um Taxi e disse ao homem: "leve-me por favor e rápido, a casa do major".
O taxista nem perguntou a identidade do tal major. Pensou logo que se tratava do capitão batata. Ainda se lembrava do escândalo, andava na tropa por essa altura...
O mais rápido que poude, despejou a senhora loira, altiva e bonita, mais as duas crianças, junto à vivenda de muros altos e portões metálicos, que naquele preciso momento começaram a abrir. Houve um movimento inusitado: homens com câmaras às costas e mulheres de microfones nas mãos aproximaram-se...
A Loira da Rua 48, com as duas crianças pela mão, postou-se à frente daquele bruto automóvel preto. Lá dentro, o major agitou-se. O motorista buzinou e ameaçou avançar com a máquina. As câmaras filmavam e os microfones esticaram-se. O major saiu do automóvel.
- "Então e a senhora quer o quê, mais essas criacinhas tão lindas?...Sabe que a campanha já acabou, agora já não estou a dar frigoríficos, nem televisões, nem coisa nenhuma, agora estou a ver se ganho para poder, daqui a alguns anos, voltar a oferecer uns electrodomésticos..." disse o major com aquele sorriso irónico que se lhe conhece dos tempos de antena de que usufrui.
- "Eu sei...eu sei disso tudo... -disse a loira, afinando a voz por causa dos microfones - eu e as minhas filhas viemos da Rua 48, de Lisboa, e estamos aqui para lhe dizer o seguinte: não apreciámos particularmente que se tenha dirigido ao Presidente da República em termos menos respeitosos... não estamos a gostar dessa estória de corrupção por causa do Gondomar... o que nós queremos saber é das outras, com o Boavista, com o Porto, com o Benfica...Andam a enganar-nos ou quê?..."
As câmaras continuavam a filmar e havia já uma multidão de microfones à frente da Loira da Rua 48. A Marilú e a Francisquinha estavam um pouco assustadas, mas a mãe, enquanto falava, puxava-as mais para si.
- "Então, a senhora vem de Lisboa, da célebre Rua 48, para ralhar comigo por causa do Gondomar...?
- "Não se faça desentendido, homem... não é por causa do Gondomar... é por causa de todas as outras trafulhices e, sobretudo por uma outra razão: então o senhor movimentou influências políticas para levar o tal Pnto não sei das quantas com o Durão Barroso a Moçambique. Oh! senhor, foi por isso que o homem ficou maluco. O Barroso sempre foi má companhia, nem em Moçambique ele perdeu esse mau hábito..."
Dito isto, a loira voltou as costas ao automóvel e encaminhou-se para o taxi, que, entretanto, perante tal aparato, tinha ficado à espera. Os pés de microfone vieram todos a correr e as câmaras colocaram-se à frente da loira da Rua 48, que, de repente, parou. " E vocês, querem o quê? porque é que não aprendem a fazer perguntas a estes sujeitos e estão sempre a perguntar o mesmo: como se sente?.... E se me deixassem passar?
Entrou no Taxi e seguiu para a estação da CP. Um combóio haveria de a trazer de volta a Lisboa.
Quando ao fim da tarde regressou à Rua 48, o pessoal começou a juntar-se para a receber em apoteose, porque as televisões todas tinham passado na íntegra a sua intervenção junto do major.
Um dos vizinhos, aquele que tem sempre sacos de lojas "in", perguntou: " porque é que a senhora não falou do Sporting?"
-" O Sporting é um clube honesto, ouviu?". Uma grande salva de palmas sublinhou a afirmação. Ficaram todos contentes.O pessoal da Rua 48 é todo- ou quase - do Sporting.
- "Quero um bilhete para o Porto..."
-"Em que combóio? Para que horas " - perguntou a senhora do outro lado.
-"Olhe, no que ande mais depressa e saia mais cedo..."
- "As meninas também têm que pagar..."
- "Isso é que era bom!... as minhas filhas têm este ar robusto, mas são novinhas, não têm idade para essas coisas... Vá, vá, um bilhete rápido, que estou com pressa... quero apanhar o major antes de ele sair de casa para a Câmara...
Do outro lado do guichet a funcionária da CP abriu os olhos de espanto.
-" Sim. Quero fazer umas perguntas áquele senhor que aparece na televisão todos os dias a dizer que é inocente de não sei quantos crimes de que é acusado, por causa do futebol..."
- "Então e vai meter-se nessa confusão, com as meninas... coitadas"
- "As minhas filhas têm que aprender como defender-se destas coisas, além disso elas gostam de viajar..."
A Loira da Rua 48, já na posse do seu bilhete, ultrapassou as portas da estação e dirigiu-se para a linha nº2, onde estava estacionado o pendular - aquele que vai para cima e vem para baixo.
Sentou- no meio das duas filhas e foi apreciando a paisagem. Reparou que a maior parte dos campos estão vazios, que há casas e rotundas por todo o lado, que em Coimbra já quase não se vê a torre da Universidade. Até que chegou ao Porto. Campanhã. Chamou um Taxi e disse ao homem: "leve-me por favor e rápido, a casa do major".
O taxista nem perguntou a identidade do tal major. Pensou logo que se tratava do capitão batata. Ainda se lembrava do escândalo, andava na tropa por essa altura...
O mais rápido que poude, despejou a senhora loira, altiva e bonita, mais as duas crianças, junto à vivenda de muros altos e portões metálicos, que naquele preciso momento começaram a abrir. Houve um movimento inusitado: homens com câmaras às costas e mulheres de microfones nas mãos aproximaram-se...
A Loira da Rua 48, com as duas crianças pela mão, postou-se à frente daquele bruto automóvel preto. Lá dentro, o major agitou-se. O motorista buzinou e ameaçou avançar com a máquina. As câmaras filmavam e os microfones esticaram-se. O major saiu do automóvel.
- "Então e a senhora quer o quê, mais essas criacinhas tão lindas?...Sabe que a campanha já acabou, agora já não estou a dar frigoríficos, nem televisões, nem coisa nenhuma, agora estou a ver se ganho para poder, daqui a alguns anos, voltar a oferecer uns electrodomésticos..." disse o major com aquele sorriso irónico que se lhe conhece dos tempos de antena de que usufrui.
- "Eu sei...eu sei disso tudo... -disse a loira, afinando a voz por causa dos microfones - eu e as minhas filhas viemos da Rua 48, de Lisboa, e estamos aqui para lhe dizer o seguinte: não apreciámos particularmente que se tenha dirigido ao Presidente da República em termos menos respeitosos... não estamos a gostar dessa estória de corrupção por causa do Gondomar... o que nós queremos saber é das outras, com o Boavista, com o Porto, com o Benfica...Andam a enganar-nos ou quê?..."
As câmaras continuavam a filmar e havia já uma multidão de microfones à frente da Loira da Rua 48. A Marilú e a Francisquinha estavam um pouco assustadas, mas a mãe, enquanto falava, puxava-as mais para si.
- "Então, a senhora vem de Lisboa, da célebre Rua 48, para ralhar comigo por causa do Gondomar...?
- "Não se faça desentendido, homem... não é por causa do Gondomar... é por causa de todas as outras trafulhices e, sobretudo por uma outra razão: então o senhor movimentou influências políticas para levar o tal Pnto não sei das quantas com o Durão Barroso a Moçambique. Oh! senhor, foi por isso que o homem ficou maluco. O Barroso sempre foi má companhia, nem em Moçambique ele perdeu esse mau hábito..."
Dito isto, a loira voltou as costas ao automóvel e encaminhou-se para o taxi, que, entretanto, perante tal aparato, tinha ficado à espera. Os pés de microfone vieram todos a correr e as câmaras colocaram-se à frente da loira da Rua 48, que, de repente, parou. " E vocês, querem o quê? porque é que não aprendem a fazer perguntas a estes sujeitos e estão sempre a perguntar o mesmo: como se sente?.... E se me deixassem passar?
Entrou no Taxi e seguiu para a estação da CP. Um combóio haveria de a trazer de volta a Lisboa.
Quando ao fim da tarde regressou à Rua 48, o pessoal começou a juntar-se para a receber em apoteose, porque as televisões todas tinham passado na íntegra a sua intervenção junto do major.
Um dos vizinhos, aquele que tem sempre sacos de lojas "in", perguntou: " porque é que a senhora não falou do Sporting?"
-" O Sporting é um clube honesto, ouviu?". Uma grande salva de palmas sublinhou a afirmação. Ficaram todos contentes.O pessoal da Rua 48 é todo- ou quase - do Sporting.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
A Manipulação
Há algumas manipulações agradáveis, daquelas que pressupoêm as mãos, macias, de preferência, mas, em matéria de manipulação na comunicação social, o que está a acontecer em Portugal, a propósito da OPA de Belmiro de Azevedo sobre a PT merecia, pelo menos, uma reprimenda da alta autoridade para a comunicação social - afinal a única pena de que há notícia relativamente a todos os atropelos cometidos pela dita... incluindo atropelos às leis de publicidade.
O jornal "Público" de hoje traz na primeira página uma notícia verdadeiramente "criminosa", porque afirma que o Governo não gostou da posição do Conselho de Administração da PT, relativamente à OPA da Sonae e acrescenta uma série de outras "barbaridades"que são, obviamente, pressão do patrão da Sonae, igualmente dono do "Publico", sem citar uma fonte.
Esta notícia foi repetida por várias rádios e vários televisões, sem um vírgula alterada...
Há um outro jornal de economia que afirma, peremptoriamente, que o governo irá contra a Autoridade para a Concorrência, viabilizando a fusão das duas empresas de telecomunicações móveis - a TMN e a OPTIMUS. Quem acredita?
O que surpreende é o facto de a PT ter revelado, ao longo dos últimos anos, uma enorme capacidade de manipulação da comunicação social, através da agência de Líbano Monteiro, que colocou, inclusivé, parte da sua gente na estrutura interna de comunicação da PT - incluindo o seu director central, Abílio Martins, e agora se mostra completamente manietada, sem conseguir contrariar os argumentos daqueles que parecem ser os seus adversários.
Será que a JLM já se passou?
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
OPA De Quem?
Não posso deixar de me admirar com o que ouço e leio ácerca da "repentina"opa de Belmiro de Azevedo sobre o Grupo Portugal Telecom (PT). O espanto dos jornais, das televisões e das rádios. O que aí vai, Santo Deus!!!...
Mas, senhoras e senhores, o plano não é novo: a primeira vez que ele foi tentado foi por volta de 1996, quando era ministro da tutela das telecomunicações o engº. Cravinho e Secretária de Estado da Habitação e Telecomunicações, Leonor Coutinho. Murteira Nabo já era Presidente da Portugal Telecom.
Belmiro de Azevedo arquitectou o projecto de juntar a France Telecom e a DeutcheTelekom, para, com ele, então concorrente a uma das licenças de operador móvel, tomarem conta da Portugal Telecom. Foi então que a operadora nacional, por inspiração da Secretária de Estado, arquitectou a estratégia de se aliar, em simultâneo, à Telefónica e à British Telecom.
Os anos passaram, a PT foi completamente nacionalizada, com a excepção das 500 acções "golden share", que dão ao Estado a possibilidade de votar contra decisões estratégicas ( entre as quais a escolha do presidente do Grupo) e Belmiro regressa com o seu plano.
Com uma diferença importante: a France Telecom não tem condições para se juntar a ele, porque os resultados negativos dos seus últimos exercícios obrigaram a uma intervenção do Estado francês.
Sem a France Telecom, a Deutchetelekom está no céu e assume sózinha o papel das duas. Belmiro enverga as dragonas do cavaleiro português, o Banco Satander, a troco de um grande comissão, aceita passar o cheque e aí está o "circo" montado. Tanto mais que a PT, entretanto, se espalhou pelo Mundo e dispersou activos por mercados de rentabilidade impressionante.
Belmiro garante o interesse nacional e não sei que mais, já aceita a "golden share" e as duas redes, mas toda a gente sabe que ele compra para vender. Compra em grande e vende a retalho. O interesse da Deutchetelekom está na rede fixa, para tomar conta do mercado ibérico.
É aí que a porca torce o rabo, já que a Telefónica sabe que com a Deutchetelekom em Portugal tem o seu próprio mercado interno ameaçado.
Estamos a assistir a um a luta de gigantes na nossa pequenina bolsa. Veremos quem ganha. Uma coisa é certa: aqueles que se bateram para que o Estado ficasse pelo menos com 25 por cento do capital da Portugal Telecom estão a ser derrotados todos os dias.
Nesta OPA também fica, por outro lado, evidente, o papel permanentememte negativo do BES, que, com os seus jogos escuros - e às vezes sujos - manteve a cotação das acções da PT a níveis tão baixos que hoje permitem ao engº Belmiro vir oferecer a ridicularia de 9,5 euros por cada acção.
Talvez esta luta de gigantes sirva para demonstrar o verdadeiro valor accionista do maior grupo empresarial português, que - diga-se em abono da verdade - tem sido dirigido por oportunistas que apenas pensam em si e nas suas próprias contas bancárias.
Portugal como Estado com capacidade para orientar a sua vida e determinar a dos seus cidadãos está a desaperecer aos poucos. Fica apenas o espaço - bonito, bonito, mas sem poder ir à mesa.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
NÃO FAZEI ONDAS...
Alguns jornais, pasquinados ou afins, entenderam denunciar, como vileza, que o primeiro-ministro dispunha de uma «Secreta» secretíssima. E tanto que só ele,Sócrates e os jornais é que sabiam. Também sabiam os polícias vulgares de lineu. A minha avó não sabia, juro que não sabia, de contrário ela havia de me ter contado, a mim e às dezassete amigas que ainda conserva. O neto dela borrifa-se. E mais: acha muito bem que o chefe do governo governe com terra à vista e possua a sua (dele) Companhia de Investigação Avisada (convém uma sigla discreta!) longe do Parlamento. E por uma razão simples: se o Parlamento soubesse da «Secreta» não seria secreta porra nenhuma. Conhecem, vossas mercês, algum deputado que não fale (cá fora) muito ou demais? Bom... e lá dentro? Entre muros sussurram por todos os corredores. Cada um deles haveria de exigir dois «secretas» só para si. Um para vigiar a direita e o outro para circunscrever, ou coisa parecida, a esquerda. Do centro já ninguém quer saber. Estão a ver: lá se
ia o santo equilíbrio orçamental...
Era bom, sim senhor, que Sócrates dispusesse de uma «Secreta» desconhecida, atenta aos devaneios de alguns nuevos ibéricos que por aí cirandam aos vivas e aos olés ou à multiplicação de coelhos ruidosos e seus acoelhados estratégicos. Novas seitas, novos bandos a exigir cautelas e caldos de galinha, convenientemente secretos.
E, claro, escutar, escutar imenso. Sobretudo magistrados, juizes e similares, designadamente adjuntos e equiparados. Convirá, de vez em quando, escutar o inquilino de Belém, não vá ele amuar por ser deixado de fora! E, bem entendido, ouvir especialmente o primeiro-ministro, ele mesmo, de modo a testemunhar que ele nunca diz nada - só fala!
E tenho dito.
A Bem da Nação
O cronista ateu, que não é venerador nem obrigado.
ia o santo equilíbrio orçamental...
Era bom, sim senhor, que Sócrates dispusesse de uma «Secreta» desconhecida, atenta aos devaneios de alguns nuevos ibéricos que por aí cirandam aos vivas e aos olés ou à multiplicação de coelhos ruidosos e seus acoelhados estratégicos. Novas seitas, novos bandos a exigir cautelas e caldos de galinha, convenientemente secretos.
E, claro, escutar, escutar imenso. Sobretudo magistrados, juizes e similares, designadamente adjuntos e equiparados. Convirá, de vez em quando, escutar o inquilino de Belém, não vá ele amuar por ser deixado de fora! E, bem entendido, ouvir especialmente o primeiro-ministro, ele mesmo, de modo a testemunhar que ele nunca diz nada - só fala!
E tenho dito.
A Bem da Nação
O cronista ateu, que não é venerador nem obrigado.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
PIROTECNIA
Se sobrar um bocadinho já deverá estar cheio, se eu lá chegar... Assim como assim os filmes tem de ter um fim e o nosso vai acabar cheio de fumarada e com o que sobrar do Globo a cheirar mal!
Com os pobres a deixar de precisar e os ricos a carpir. Não me compreendam mal. Não estou de mau humor, nem sequer chateado. Já tenho idade para estar conformado, mas não sou vaidoso a ponto de acreditar que comigo Irão todos embora.
O que acontece é que cada vez mais percebo menos. Não percebo a razão pela qual os iranianos não podem armar uma bomba atómica. Ou duas! Se os outros têm porque carga de água eles não podem ter?
Podemos lembrar que as únicas que, ainda fresquinhas, cairam sobre cabeças de gente eram americanas!
E não foi por boa causa. Não foi para pôr termo à guerra, como se pretendeu fazer crer. Os japoneses já andavam a tentar junto da diplomacia europeia a rendição, mas os americanos
estavam desesperados por experimentar o novo brinquedo e com isso impressionar os chatos dos russos.
Impressionados ou não, os russos não perderam tempo. Também tinham prisioneiros eruditos e sabiam comprar ambiciosas criaturas. Com bombas dos dois lados a ameaça reduzia-se. Mas depois os ingleses; mas depois, os franceses... e depois outros...e outros. E as experiências calamitosas e irresponsáveis! Perdemos um fotógrafo por causa disso. Estava, com o seu aparelho-photo, num barco pacifista, que denunciava a ameaça anti natura. E o barco explodiu. Um par de secretas gauleses pouco dotados deixou tantas pistas que foi capturado. E foi julgado e condenado. Nunca soube o que aconteceu ao macho, mas a fêmea foi para uma ilha, onde podia ter visitas e onde engravidou e com esse suplemento humanista foi autorizada a ir cumprir o resto da pena na sua terra natal, onde, bem entendido, não cumpriu nada!...
É esta gente criteriosa, pacifista, civilizada que dá bafo sobre a conduta dos outros. E como pacifistas e civilizados «somos nós todos ou ainda menos», apreciamos a liberdade de expressão
«desde pequenos». Vai daí toca a fazer bonecos. Acredito piamente que qualquer dinamarquês tenha o mesmo direito a ser estúpido como qualquer vizinho dele, mais ou menos distante. Podia-se limitar a ser contra o aborto. O problema é que o «plástico» de pasquim é irresponsável e não pode ser responsabilizado. Em vez de fazer bonecos podia vir para a Televisão lusitana ou para o «Diário de Notícias» e outros sítios onde a estupidez desaforada
não paga imposto. Pessoalmente não tenho a mais pequena simpatia pela religião, qualquer que seja. Temos boas razões de queixa da ocidental para nos permitirmos criticar a dos vizinhos.
Acho que sim. Acho que está a chegar a hora. As civilizações não são eternas. Se ainda houver espaço para outra, que seja fina e saiba de paz...
Com os pobres a deixar de precisar e os ricos a carpir. Não me compreendam mal. Não estou de mau humor, nem sequer chateado. Já tenho idade para estar conformado, mas não sou vaidoso a ponto de acreditar que comigo Irão todos embora.
O que acontece é que cada vez mais percebo menos. Não percebo a razão pela qual os iranianos não podem armar uma bomba atómica. Ou duas! Se os outros têm porque carga de água eles não podem ter?
Podemos lembrar que as únicas que, ainda fresquinhas, cairam sobre cabeças de gente eram americanas!
E não foi por boa causa. Não foi para pôr termo à guerra, como se pretendeu fazer crer. Os japoneses já andavam a tentar junto da diplomacia europeia a rendição, mas os americanos
estavam desesperados por experimentar o novo brinquedo e com isso impressionar os chatos dos russos.
Impressionados ou não, os russos não perderam tempo. Também tinham prisioneiros eruditos e sabiam comprar ambiciosas criaturas. Com bombas dos dois lados a ameaça reduzia-se. Mas depois os ingleses; mas depois, os franceses... e depois outros...e outros. E as experiências calamitosas e irresponsáveis! Perdemos um fotógrafo por causa disso. Estava, com o seu aparelho-photo, num barco pacifista, que denunciava a ameaça anti natura. E o barco explodiu. Um par de secretas gauleses pouco dotados deixou tantas pistas que foi capturado. E foi julgado e condenado. Nunca soube o que aconteceu ao macho, mas a fêmea foi para uma ilha, onde podia ter visitas e onde engravidou e com esse suplemento humanista foi autorizada a ir cumprir o resto da pena na sua terra natal, onde, bem entendido, não cumpriu nada!...
É esta gente criteriosa, pacifista, civilizada que dá bafo sobre a conduta dos outros. E como pacifistas e civilizados «somos nós todos ou ainda menos», apreciamos a liberdade de expressão
«desde pequenos». Vai daí toca a fazer bonecos. Acredito piamente que qualquer dinamarquês tenha o mesmo direito a ser estúpido como qualquer vizinho dele, mais ou menos distante. Podia-se limitar a ser contra o aborto. O problema é que o «plástico» de pasquim é irresponsável e não pode ser responsabilizado. Em vez de fazer bonecos podia vir para a Televisão lusitana ou para o «Diário de Notícias» e outros sítios onde a estupidez desaforada
não paga imposto. Pessoalmente não tenho a mais pequena simpatia pela religião, qualquer que seja. Temos boas razões de queixa da ocidental para nos permitirmos criticar a dos vizinhos.
Acho que sim. Acho que está a chegar a hora. As civilizações não são eternas. Se ainda houver espaço para outra, que seja fina e saiba de paz...
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
A Tábua Rasa da Recuperação Económica
A Recuperação económica tem sido o livro nunca acabado de todos os governos dos últimos trinta anos. Nunca acabado porque não escrito e nunca acabado por nunca lido. É um eterno recomeço de escrita e leitura.
É um dos nossos males: sempre que chega alguém ao poder age como se para trás não houvesse nada. O seu objectivo é a montra dos quatro anos seguintes. Quer chegar ao fim da legislatura e ter argumentos para voltar a ganhar eleições.
Nas últimas semanas o governo de Sócrates tem anunciado programas em cima de programas, tendo em vista a tal recuperação económica. E em que consistem tais programas? Na criação de novas empresas, na concessão de créditos para coisas novas, para gente nova. E as outras, e os outros ?
Aqueles que tiveram que suportar nos últimos anos as sucessivas crises, fruto de más políticas, de má governação e que se veêm, de repente, como espectadorees de um novo circo, de um novo filme em que o seu enredo nem sequer conta.
Que fazer com as empresas (pequenas e médias) que, em consequência dos sucessivos maus anos têm dificuldades tremendas com o fisco, com o pagamento de salários, com os custos das reestruturações?
Os empresários, que bem ou mal, foram cumprindo, assumindo compromissos, explicando as razões por que não os puderam cumprir todos, ouvem falar em planos de reestruturação da Banca - com lucros obscenos - das grandes empresas, que criam cada vez mais desemprego e não descobrem na pantalha dos novos planos do novo livro, nada que os possa ajudar. Pelo contrário: é em cima deles, dos pequenos e médios empresários que o fisco e a segurança social avançam como justiceiros do apocalipse, sempre em nome dos novos escritores do grande livro da recuperação económica. Um livro já sem leitores.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
ESCUTA
De manhã, com Sol e sem vento é uma festa. Sento-me tranquilamente no quintal e leio qualquer coisa que tenha à mão. Entrevi por entre folhagem uma vizinha que foi depositar sacos de plástico no tambor do lixo. No retorno cruzou com um vizinho, adivinhei um enorme sorriso e ouvi um estridente «bom dia, vizinho!», que ripostou qualquer coisa sobre o dia bonito. Palpitou-me um blá-blá comprido, enquanto eu ia lendo qualquer coisa sobre abusos com as escutas telefónicas e ouvi a vizinha: «Oh! sabe lá! Isto está cada vez pior. Estes gordos até o lixo espalham! É lixo por todo o lado e o contentor está um nojo! E não há ninguém que lhes diga nada.... É uma nojeira é o que é!... E a sua senhora como é que vai?» Nem percebi a resposta mas voltei a ouvir a vizinha: »O vizinho está enganado... aquela dali é uma sonsa... é que ela é... Não se deixe ir nissso»...
Voltei ao pasquim e à zanga de Pinto da Costa com os adeptos violentos e de repente escutei: «Este, aqui, é um chato, um mal encarado, mal diz bom dia. Só pensa nos cães. Parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga!»...
O «este,aqui», o «mal encarado» sou eu, mesmo dando de barato que eu não sujo o contentor e que os meus «bons dias» para a «sonsa» do outro lado da rua costumam ser bem cordiais, que evito os «gordos» e não deixo que os cães mijem nas plantas dela. Mas lembrei-me da minha avó:«não sejas malcriado, não se ouve a conversa dos outros... Não te esqueças que quem escuta de si ouve»...
Fiz barulho com as páginas do jornal e sorri ante o súbito silêncio e o fim da conversa «Adeus, vizinho»...
Conversas de campo são como as notícias nos jornais: acabam sempre no mesmo! Porque a zanga sobre as escutas telefónicas perderem o senso. O que se sabe dessas «conversas» são em geral fugas de informação. Não é assunto para badalar na praça pública. Farto-me de ouvir telefonemas, quando vou de comboio para Lisboa. A última que escutei, quase escandalizado,
foi a de uma jovem senhora, muito desenvolta. Quis lembrar-me, aqui, do que ouvi, mas a única coisa que me lembro é que a sujeita era bem interessante, «apelativa», como diria o meu avô se fosse vivo!Caramba, ricos!, com uma beldade daquelas para quê um telefone? Comunicação só por sistema braile...
Não há já nenhum personagem importante, mesmo que seja corrupto, que faça hoje em dia, ou receça, telefonemas comprometedores. «Engates» ainda vá que não vá, mas negociatas!? Tá quieto!
Pasma-se com a informação que se vincula através dos jornais, sobretudo a que previne a delinquência e os delinquentes dos propósitos das autoridades. E pasma-se mais justamente por
se poder desconfiar que parte dessa informação é «vendida» ou irresponsavelmente divulgada.
Já lá vai o tempo em que o segredo era a alma do negócio...
Voltei ao pasquim e à zanga de Pinto da Costa com os adeptos violentos e de repente escutei: «Este, aqui, é um chato, um mal encarado, mal diz bom dia. Só pensa nos cães. Parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga!»...
O «este,aqui», o «mal encarado» sou eu, mesmo dando de barato que eu não sujo o contentor e que os meus «bons dias» para a «sonsa» do outro lado da rua costumam ser bem cordiais, que evito os «gordos» e não deixo que os cães mijem nas plantas dela. Mas lembrei-me da minha avó:«não sejas malcriado, não se ouve a conversa dos outros... Não te esqueças que quem escuta de si ouve»...
Fiz barulho com as páginas do jornal e sorri ante o súbito silêncio e o fim da conversa «Adeus, vizinho»...
Conversas de campo são como as notícias nos jornais: acabam sempre no mesmo! Porque a zanga sobre as escutas telefónicas perderem o senso. O que se sabe dessas «conversas» são em geral fugas de informação. Não é assunto para badalar na praça pública. Farto-me de ouvir telefonemas, quando vou de comboio para Lisboa. A última que escutei, quase escandalizado,
foi a de uma jovem senhora, muito desenvolta. Quis lembrar-me, aqui, do que ouvi, mas a única coisa que me lembro é que a sujeita era bem interessante, «apelativa», como diria o meu avô se fosse vivo!Caramba, ricos!, com uma beldade daquelas para quê um telefone? Comunicação só por sistema braile...
Não há já nenhum personagem importante, mesmo que seja corrupto, que faça hoje em dia, ou receça, telefonemas comprometedores. «Engates» ainda vá que não vá, mas negociatas!? Tá quieto!
Pasma-se com a informação que se vincula através dos jornais, sobretudo a que previne a delinquência e os delinquentes dos propósitos das autoridades. E pasma-se mais justamente por
se poder desconfiar que parte dessa informação é «vendida» ou irresponsavelmente divulgada.
Já lá vai o tempo em que o segredo era a alma do negócio...
domingo, janeiro 29, 2006
MANTO ALVO DE FANTASIA
Caiu um nevão sobre o meu quintal. Nevou na aldeia e na sede do concelho. E por todo o distrito. Um pouco por todo o país, afinal.
Em boa e honesta verdade já vinha nevando copiosamente sobre quase toda a Europa. Mas, nevar na Europa não é a mesma coisa que nevar aqui. Aqui só nevava praticamente na Covilhã e no seu (dela) quintal. A serra ultimamente era mais ardente e o sky a sair de moda. Parece que o efeito Anibal nas montanhas não era só mito. Desde que o homem ganhou Portugal mudou. Choveu a cântaros para os lados da Luz. O vermelho, faustoso e em constante progresso, embaciou, e Alegre se fez triste e o Benfica, que ia ganhando, de repente perdeu. E hoje nevou. Eu sei, eu vi, eu estava lá (no meu quintal)!
E um milhão e tal de votos para que serve? Talvez o ministro Freitas, coitado, pudesse dizer, mas o mais provável é ele nem querer lembrar-se. De projectos nado-mortos não reza a história. Um projecto é como o «euro-milhões», às vezes sai...
Não sei porque há tanto empenho em acusar Alegre de não ter ganho e não recriminar Sócrates por não saber escolher e, sobretudo, quando se viu metido na embrulhada não ter sabido dar a volta por cima. O facto é que quer Soares, quer o primeiro-ministro trataram o poeta abaixo de cão. E ele reagiu e ganhou respeito por ele próprio. Os que votaram nele e não quiseram votar nos outros apoiaram a sua decisão e discordaram de outras. Só isso. Não lhe encomendaram outro sermão.
Fui espreitar os telejornais. Só deu neve e às vezes coisa de nada. Há mais de cinquenta anos, em Lisboa. Eu sei, eu vi, eu estive no alto de Santa Catarina. Houve alguém que falou de 1945. Deve ter sido algum tempo antes.Também vi, também estive, no alto da Victor Cordon, que era onde eu morava, quando nevou, na minha estreia. Tinha menos de dez anos e nunca me esqueci. Foi um belo nevão e da minha água-furtada via vi imensos telhados brancos. Se queria tinha de ver, Não havia televisão, E havia guerra na Europa e nós tinhamos racionamento e muito frio. Brasas de carvão era tudo quanto havia. Tinham-se colados fitas de papel, nas janelas. Não era por mór da neve nem do frio, mas da guerra. Havia algum temor (ou forjava-se?) de que a guerra pudesse atravessar os Pirineus. Tinha que se tapar as janelas para não passar luz eléctrica. Era muita fruta para um garoto. Depois, o outro nevão apanhou-me no fim da adolescência e subi da Fernandes Tomás, onde, então, morava, para junto do Adamastor a ver nevar, até que o manto de neve cobriu o jardim.
Acho que voltou a nevar, mas já cá não vivia. Vi outras neves e outras gentes. E estive a ver, agora, o Porto empatar como Rio Ave. Nem senti frio. O vinho era alentejano e o queijo das beiras. Parece-me melhor táctica que a do Koelman, pelo menos não mete água! O Sousa, esse sim, improvisou um Movimento de Intervenção apropriado, não direi alegre mas, ao menos, divertido e sem incomodar muito o sucessor de Baía fez como Sócrates: aguentou o barco...
O Bento também tem o mesmo dilema que o poeta: como aguentar um milhão de lagartos até o Porto ir a Alavalade?
Em boa e honesta verdade já vinha nevando copiosamente sobre quase toda a Europa. Mas, nevar na Europa não é a mesma coisa que nevar aqui. Aqui só nevava praticamente na Covilhã e no seu (dela) quintal. A serra ultimamente era mais ardente e o sky a sair de moda. Parece que o efeito Anibal nas montanhas não era só mito. Desde que o homem ganhou Portugal mudou. Choveu a cântaros para os lados da Luz. O vermelho, faustoso e em constante progresso, embaciou, e Alegre se fez triste e o Benfica, que ia ganhando, de repente perdeu. E hoje nevou. Eu sei, eu vi, eu estava lá (no meu quintal)!
E um milhão e tal de votos para que serve? Talvez o ministro Freitas, coitado, pudesse dizer, mas o mais provável é ele nem querer lembrar-se. De projectos nado-mortos não reza a história. Um projecto é como o «euro-milhões», às vezes sai...
Não sei porque há tanto empenho em acusar Alegre de não ter ganho e não recriminar Sócrates por não saber escolher e, sobretudo, quando se viu metido na embrulhada não ter sabido dar a volta por cima. O facto é que quer Soares, quer o primeiro-ministro trataram o poeta abaixo de cão. E ele reagiu e ganhou respeito por ele próprio. Os que votaram nele e não quiseram votar nos outros apoiaram a sua decisão e discordaram de outras. Só isso. Não lhe encomendaram outro sermão.
Fui espreitar os telejornais. Só deu neve e às vezes coisa de nada. Há mais de cinquenta anos, em Lisboa. Eu sei, eu vi, eu estive no alto de Santa Catarina. Houve alguém que falou de 1945. Deve ter sido algum tempo antes.Também vi, também estive, no alto da Victor Cordon, que era onde eu morava, quando nevou, na minha estreia. Tinha menos de dez anos e nunca me esqueci. Foi um belo nevão e da minha água-furtada via vi imensos telhados brancos. Se queria tinha de ver, Não havia televisão, E havia guerra na Europa e nós tinhamos racionamento e muito frio. Brasas de carvão era tudo quanto havia. Tinham-se colados fitas de papel, nas janelas. Não era por mór da neve nem do frio, mas da guerra. Havia algum temor (ou forjava-se?) de que a guerra pudesse atravessar os Pirineus. Tinha que se tapar as janelas para não passar luz eléctrica. Era muita fruta para um garoto. Depois, o outro nevão apanhou-me no fim da adolescência e subi da Fernandes Tomás, onde, então, morava, para junto do Adamastor a ver nevar, até que o manto de neve cobriu o jardim.
Acho que voltou a nevar, mas já cá não vivia. Vi outras neves e outras gentes. E estive a ver, agora, o Porto empatar como Rio Ave. Nem senti frio. O vinho era alentejano e o queijo das beiras. Parece-me melhor táctica que a do Koelman, pelo menos não mete água! O Sousa, esse sim, improvisou um Movimento de Intervenção apropriado, não direi alegre mas, ao menos, divertido e sem incomodar muito o sucessor de Baía fez como Sócrates: aguentou o barco...
O Bento também tem o mesmo dilema que o poeta: como aguentar um milhão de lagartos até o Porto ir a Alavalade?
A Democracia do Voto
Terminei o texto anterior, com o título "Ricardo Salgado Super Star", com uma pergunta sobre se a democracia tem a virtualidade de resolver situações como a que retratei.
Vou mais longe, na caracterização da situação que vivemos: uma democracia formal, do ponto de vista político, em que os cidadãos são chamados, regularmente, a eleger vários órgãos representativos. Uma não democracia económica e uma não democracia social, com uma comunicação social bem pior daquela que existia nos tempos da ditadura.
As eleições são, de há uns largos tempos atrás, manipuladas descaradamente por uma comunicação social completamente comprada, servida por jornalistas de pacotilha, sem opinião e sem espinha dorsal.
De resto, nos últimos anos tem acontecido que, mesmo do ponto de vista formal, a democracia não corresponde porque os partidos concorrem com determinados programas e depois que ganham as eleições alteram tudo e fazem exactamente o contrário do que prometeram. O uso e abuso desta prática retira à democracia que nos governa qualquer dignidade e transforma-se numa espécie de jogo de "chicos espertos", onde cada um procura a melhor maneira de enganar o maior número de pessoas possível.
O mesmo jogo aconteceu com a eleição presidencial. Cavaco Silva aproveitou o facto de os portugueses estarem fartos de ser enganados pelos partidos e apresentou-se a votos dizendo o menos possível, mas deixando claro que não quer nada com os partidos, o que o levou a ser considerado como o presidente ideal.
Este jogo pode conduzir-nos à situação de os partidos políticos, afinal o esteio da afirmação da democracia política, passarem a ser considerados um mal em si mesmos.
E quem quererá tal coisa?
As forças que apoiaram Cavaco Silva e que não deram a cara, mas que são facilmente identificáveis: são aqueles que à sombra de reivindicações de democraccia política se foram assenhoreando da riqueza que o país produz, não para investir mas para entesourar e exportar, para aplicar em negócios menos claros e alguns bem sujos.
De reivindicação em reivindicação, de pressão em pressão foram tomando conta do poder político, retirando-lhe a possibilidade de desenvolver a democracia social e económica.
Hoje, em Portugal, o poder político está nas mãos de meia dúzia de ricaços - uns banqueiros, outros com passagem pela polítca nos tempos em que a Europa mandava dinheiro a rodos e o sr. Silva o foi distribuindo.
O poder político não tem sequer capacidade para mandar instaurar uma auditoria às contas das grandes empresas para tentar perceber para onde vai o dinheiro que ganham. E é muito. Todos os anos, as grandes empresas e os bancos anunciam aumentos extraordinários de lucros. Mas, todos os anos diminuem a capacidade de criação de emprego. Quanto a investimentos , apesar de algumas delas anunciarem que são os maiores investidores, ele não se vê. O país está cada vez mais pobre.
E o que faz o poder político? monta esquemas de perseguição às pequenas e às micro empresas, aos trabalhadores por conta de outrém, deixando os grandes impérios financeiros a coberto de qualquer problema, pagando impostos ridículos, sempre protegidos por benefícios e incentivos fiscais.
O poder político é, na verdade, um instrumento na mão dos muitos ricos, cujo dinheiro já não está sequer em Portugal e o que cá está não se movimenta.
A democracia que elege estes órgãos políticos está velha caduca, não serve os interersses da maioria, não serve os interesses do país.
Além de lacaios e "chicos espertos", esta democracia produz dirigentes arrogantes, teimosos, que fazem da pose "quero, posso e mando" um modelo de vida e se revelam incapazes de perceber esta necessidade absoluta: é preciso fazer os possíveis para fazer do dinheiro um instrumento de desenvolvimento e não um fim em si mesmo.
Em Portugal já não há investidores, há apenas especuladores financeiros, que estão interessados em acabar com a "instabilidade" das mudanças políticas, ainda que elas sejam apenas aparentes. Eles confiam em que o sr. Silva dê uma ajuda para concretizar os seus objectivos.
E, afinal, em Portugal tudo é possível: aturámos o Salazar durante 40 anos... Eu confesso que nunca integrei nenhuma "manifestação espontânea", mas garanto que elas existiram.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Ricardo Salgado Super Star
Desde que apareceram as notícias que implicam o BES (Banco Espírito Santo) em movimentos estranhos, com cofres nas casas dos funcionários, cheios de dinheiro, mas sem acesso pelos putativos donos, Ricardo Salgado virou vedeta da televisão, da Rádio e (quem sabe?) da cassete pirata.
Ele aparece em festas sociais, ele aparece na televisão a explicar qualquer coisa inexplicávcel,ele aparece a apresentar a nova imagem do BES, imaginada e montada em tempo recorde - para apagar a que existe nos arquivos da Judiciária.
Ele fez as pazes com o Balsemão, depois de uma guerra tipo Somália ou Eritreia, ele apare em entrevista ao Mário Crespo ( quando vejo este só me lembro dos editoriais ridículos dele na "Capital" ... deve ser por isso... deve ser a dívida que o Balsemão está a pagar. Balsemão tem muitas dívidas... também não se percebe muito bem que tipo de dívida está a pagar à Maria João Avilez... más línguas. Enfim, outras houve cujo vencimento já ocorreu, infelizmente...)
A par destes aparecimentos "espontâneos" outras notícias acontecem, sem que os jornais, mesmo os da especialidade, comentem: por exemplo, Henrique Granadeiro vai ser proposto como novo presidente do Grupo Portugal Telecom. Além de parecer ridículo um presidente de tão importante grupo, cujo grosso do capital está na bolsa de Nova Yorque, não falar inglês, dá vontade de perguntar se ele, entretanto, vai devolver a choruda indemnização que a PT em tempos lhe deu.
Ou não vai, porque, entretanto, é igualmente assessor do BES?
E já que volto a falar do BES: a que propósito a imprensa afecta ao BES (toda ela) noticia que o substituto de Zenal Bava como CFO do Grupo PT vai ser Joaquim Goes, outro funcionário do BES?
Outra pergunta: porque é que Zenal Bava abandona o único pelouro para o qual está preparado - o financeiro ? Foi, finalmente, agarrado em alguma manobra perigosa, tipo ultrapassagem nas curvas, passagem por sobre traço contínuo...?
Ainda outra pergunta: porque é que sob a batuta de Zenal Bava o Grupo PT manobra outras empresas, nomeadamente cotadas na bolsa, como a Nova Base e a Pararede e outras, que apresentam propostas de estudos, propostas de fornecimentos, ganham a adjudicação ( a PT não é, como é legal, obrigada a concurso públicos) e depois não aparecem os estudos, nem os materiais e o dinheiro também desaparece, sem se saber para onde vai?
Voltemos ao BES e à sua superstar: então não é o dr. Ricardo Salgado que controla isto tudo? Será que ele está a "desnatar" o Grupo PT para o vender barato à Telefónica, ficando, ainda assim, com um pé no Grupo, nomeadamente nos projectos brasileiros?
Que mais perguntas nos poderá sugerir esta inesperada superstar da (baixa) finança portuguesa? Talvez esteja a preparar o seu regresso a Angola, onde a sua família foi, de facto, o retrato do mais miserável colonialismo que em nome de Portugal se praticou. Eduardo dos Santos, todavia, não se lembra e já deve ter transferido a sua conta pessoal do BCP para o BES.
Por último: o governo deste país não pode parar a sangria deste grande grupo económico e de outros, em nome do crescimento económico nacional e da criação de riqueza que nos tire das estatítiscas miseráveis em que chafurdamos?
Que fazer, agora que o sr. Silva vai ter que pagar as suas próprias dívidas ao dr. Salgado e a outros figurões da banca que não param de anunciar grandiosos lucros, feitos num país cujo povo está cada vez mais pobre?
O que é que eu posso perguntar mais?
Será que a democracia tem a virtualidade de mudar situações destas?
segunda-feira, janeiro 23, 2006
A Loira da Rua 48 Deixa de Ouvir
São nove horas da noite de 22 de Janeiro. A Loira da Rua 48 desligou a Televisão e disse às suas meninas: "filhas, está na hora de deitar, amanhã é dia de trabalho, de escola..."
- "...Mãe, porque desligaste a televisão? ", perguntou a Marilú, sempre a mais atrevida. "...Não gostas do senhor que ganhou as eleições...?"
- ... " Qual senhor?... quais eleições... oh! filha, estás doente, com febre, a delirar?... o melhor é chamar o sr. dr...."
-..." Não precisa..." - diz a Francisquinha, mais calma e a aconchegar-se ela mesma. "Tem calma, mamã, está tudo bem. Nós estamos bem e a a Marilú está a ser inconveniente..."
- A Loira da Rua 48 saíu do quarto das filhas e foi para a janela, para tentar explicar alguma coisa. Que diabo! Tinha havido uma eleição presidencial, pela primeira vez em mais de trinta anos alguém da direita tinha ganho, logo à primeira volta e, todavia, a cidade era um sepúlcro. Os homens da televisão diziam "cresce a olhos vistos a multidão junto ao Centro Cultural de Belém". Lá dentro eram imagens de gente que ninguém via há mais de dez anos. Velhos, a cair da tripeça, mas com ar de ricos... a bater palmas.
Lá fora, meia dúzia de bandeiras agitavam-se segundo a batuta do contra-regra do espectáculo...
A cidade permanecia silente. Que presidente é este que é eleito sem um clamor de alegria? Só pode ter sido uma eleição de raiva, contra alguma coisa. E aí a loira percebeu que não tinha deixado de ouvir e preparou-se para os próximos cinco anos, de pura raiva.
- "...Mãe, porque desligaste a televisão? ", perguntou a Marilú, sempre a mais atrevida. "...Não gostas do senhor que ganhou as eleições...?"
- ... " Qual senhor?... quais eleições... oh! filha, estás doente, com febre, a delirar?... o melhor é chamar o sr. dr...."
-..." Não precisa..." - diz a Francisquinha, mais calma e a aconchegar-se ela mesma. "Tem calma, mamã, está tudo bem. Nós estamos bem e a a Marilú está a ser inconveniente..."
- A Loira da Rua 48 saíu do quarto das filhas e foi para a janela, para tentar explicar alguma coisa. Que diabo! Tinha havido uma eleição presidencial, pela primeira vez em mais de trinta anos alguém da direita tinha ganho, logo à primeira volta e, todavia, a cidade era um sepúlcro. Os homens da televisão diziam "cresce a olhos vistos a multidão junto ao Centro Cultural de Belém". Lá dentro eram imagens de gente que ninguém via há mais de dez anos. Velhos, a cair da tripeça, mas com ar de ricos... a bater palmas.
Lá fora, meia dúzia de bandeiras agitavam-se segundo a batuta do contra-regra do espectáculo...
A cidade permanecia silente. Que presidente é este que é eleito sem um clamor de alegria? Só pode ter sido uma eleição de raiva, contra alguma coisa. E aí a loira percebeu que não tinha deixado de ouvir e preparou-se para os próximos cinco anos, de pura raiva.
A Loira da Rua 48 Vai Votar
Aperaltou-se toda. Cuidou das duas filhas - a Marilú e a Francisquinha - e saiu à Rua, imponente, com o seu ar quase majestático. Ainda na escada do prédio cruzou-se com um vizinho, de pijama, com a barba por fazer, despenteado, com ar de quem tinha a intenção de não sair de casa.
- Então, senhor Manuel, não vai votar? É hoje o dia . Vamos ter que ir dizer aquele sujeito que deve voltar para a tumba...
- Está a falar de quê? ou antes de quem?
- Daquele homenzinho de quem nunca ninguém ouviu falar durante dez anos e agora apareceu feito cadáver a querer ir para o Palácio de Belém. Percebeu, oh! senhor Manuel?. Vá lá vestir-se em condições, fazer a barba, pentear-se, pôr-se com ar decente e votar. Ainda agora, eu e as minhas filhas ouvimos o sr. Presidente - aquele que ainda é - dizer que em 1975 levou a avózinha dele, com 95 anos, a votar pela primeira vez. E que ela vestiu o seu melhor vestido...
- E que tenho eu com isso ? - perguntava o perturbado vizinho.
- Que tem você com isso ? Tudo, homem, tudo! Se você que tem que ir trabalhar todos os dias, que anda de transportes públicos, que paga os medicamentos cada vez mais caros... olhe, não tenho mais nada que lhe explicar... o melhor mesmo é ir meter-se outra vez na cama...
E saiu porta fora com as duas filhas pela mão. Estava Sol e na rua havia um movimento desusado de domingo. Toda a gente subia a Rua... até a senhora que ao fim da tarde chega a casa de taxi se aprestava para entrar num e rumar o local de voto. Mandou parar o automóvel junto da Loira da Rua 48 e perguntou-lhe se queria uma boleia... por causa das crianças...
Que não, "muito obrigado"- respondeu a Loira, com cortezia. E explicou: "quero mostrar às minhas filhas a festa do voto, para que elas, quando fôr a vez delas também a apreciem... vou também aproveitar para lhes explicar algumas coisas... olhe, e já agora espero que não vote naquele desenterrado..."
Riu a senhora do taxi e lá foi.
A Loira continuou o seu caminho e deu de caras com dois velhotes que trocavam impressões sobre o voto: " pois claro, dizia um deles, o homem é que sabe de economia... é nele que devemos votar..."
- " Pois é, o homem sabe de economia para encher os cofres dos fulanos que estão a pagar-lhe a campanha... vocês são uns velhos idiotas, já esqueceram que foi ele que encheu os bolsos a uns quantos, quando o país recebia um milhão de contos por dia da CEE. O que é que ele fez ? Você, sr. Joaquim, já se esqueceu do que ele fez com os trabalhadores, mesmo com os da função pública? Quantos milhares deles havia com recibo verde durante anos e anos?
-".... Mas...."
- "Qual mas, qual carapuça. O homem é aliado do Bush, o homem é aliado do BES, o homem é aliado do BCP, o homem é aliado de quem tem dinheiro.... Diga-me lá, oh! sr. João, de repente, você ficou rico? Talvez fosse tempo, então, de me pagar o que me pediu já vai para um ano..."
Feito o discurso, o ralhete, virou-se para as filhas e enquanto subiam a rua, ela ia dizindo:
- "Estão a ver, filhas, estes senhores já esqueceram tudo, incluindo os tempos em que os pais deles, coitados, tinham que tarabalhar de sol a sol, sem regalias, sem assistência médica e sem reformas. Agora estão reformados e ainda não perceberam porque é que a vida deles não é exactamente igual à dos pais deles..."
Chegaram finalmente ao local de voto. A sair da mesa de voto vinha uma senhora de idade, a andar com alguma dificuldade: "Então para que trouxeste as minhas netas? Elas não podem votar, são tão novinhas..."
- "Vieram aprender... então e votou bem?..."
- " Olha, filha eu cá não sei, o homem está tão velho..."
- "...Está velho, mas sabe defender-nos desses abutres que andam a voar cada vez mais baixo por sobre as nossas cabeças..."
- "...Tens cá uma conversa... não percebo nada disso. Anda, que eu tomo conta das meninas enquanto tu votas. Depois podemos ir todas para casa..."
A Loira da Rua 48 avançou decidida para a mesa de voto, entregou o BI e o Cartão de Eleitora e, quando saiu da urna de voto vinha com um sorriso resplandecente.
-" Oh! filha... porque te ris dessa maneira?"
- "Porque tenho a certeza de que este povo não vai querer um lacaio dos banqueiros em Belém. Tenho a certeza de que vamos ter uma segunda volta nestas eleições. E agora vamos. Nós as três ajudamo-la a chegar a casa".
quinta-feira, janeiro 12, 2006
As Manobras de Bastidores
Apareceu na Televisão Portuguesa um anúncio da PT, com o Hino Nacional em fundo e com muita gente com ar sério, divertido ou sem ar nenhum. Um clamor de protestos e contraprotestos se levantou contra e a favor do uso do Hino Nacional em anúncio publicitário, para dizer que o Grupo Portugal Telecom é o que mais investe em Portugal.
Nada me move contra o uso do Hino Nacional, mas acho o tal anuncio de uma piroseira indizível. Uma pepineira, uma saloiíce. Tanto mais que as aparências, no que concerne ao investimento não confirmam o texto, já que o Grupo tem sido o que mais postos de trabalho tem eliminado e deixou, claramente, de investir em infraestruturas, tendo-se transformado numa empresa de especulação financeira, que paga o mais tarde possível e recebe o mais cedo possível.
Por outro lado, transformou um dos seus administradores numa espécie de globetrotter da destruição, porque tem corrido todas as empresas do grupo e, por onde passa deixa um rasto de destruição inapagável.
Refiro o venerável Zenal Bava, que deu cabo da PT Multimédia, da TVCabo, da PT Comunicações e agora se prepara para levar a sua gente, toda sem papéis e sem qualificações muito claras para a TMN, onde obviamente, vai instituir os seus métodos de gestão mais ou menos aterrorizadores, os mesmos que implantou por todo o lado, incluindo na PT Pro, a empresa que criou para dificultar o mais possível a vida dos trabalhadores do grupo
Pelo menos na TMN já está toda a gente assustada.
Que motivos estarão por detrás desta destruição sistemática de um grupo que já tem que recorrer ao Hino Nacional para se posicionar no campo da imagem?
Estará o Grupo PT a ser preparado para ser cada vez mais barato e ser vendido à Telefónica com a intermediação do BES?
É que tudo quanto o engº Bava faz - mesmo quando debita as contas do supermercado na contabilidade da empresa - tem o aval do BES.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
A VER NAVIOS
Costumava vê-los, da janela das águas-furtadas onde morava morei na infância. A maior parte deles eram as canoas do Tejo à mistura com cacilheiros e umas quantas fragatas ancoradas. Muitas gaivotas a esvoaçar. O meu pai pagava duzentos e vinte paus de renda. Eu ia de manhã para a escola primária, na rua das Gaivotas, ao Conde-Barão. Ia a pé e, no entanto, o eléctrico custava cinco tostões. O «Mosquito» também. E ficam a perceber melhor a razão pela qual ia a pé.
Mas o título não tem a ver com isto. É mais sinónimo de «ficar a xuxar no dedo», que é como se fica quando se vai «no embrulho». Esta manhã, por exemplo, o «DN» deixava entender que o presidente do «metro» era um enorme malandro. O visado apressou-se a explicar que nem por isso. O sr. Vieira também disse que o Simão não saía...
Houve em tempos um sujeito que passava o tempo de lanterna na mão à procura da verdade ou da virtude ou uma coisa dessas, dessas a que já não se liga. No tempo dele, o petróleo era baratucho, mas mesmo assim a busca deu em nada.
Mas é ligeiramente diferente quando acontece connosco ou comigo, para ser mais específico. É que...
Pois, isso mesmo, comprei o «DN» esta manhã. Mas tinha uma boa razão: o sudoku de ontem.
Fiquei pendurado. Troquei um número qualquer e não arrangei meio de alinhar. Resolvi punir-me e ir espreitar a solução. E comprei o pasquim. Lixaram-me. A solução não era a do problema de ontem. Eles diziam que sim, que era de ontem, mas não era. E zanguei-me: então esta gente anda a enganar-me, a extorquir-me centimos que me fazem falta e ainda diz mal dos outros!
Mas o título não tem a ver com isto. É mais sinónimo de «ficar a xuxar no dedo», que é como se fica quando se vai «no embrulho». Esta manhã, por exemplo, o «DN» deixava entender que o presidente do «metro» era um enorme malandro. O visado apressou-se a explicar que nem por isso. O sr. Vieira também disse que o Simão não saía...
Houve em tempos um sujeito que passava o tempo de lanterna na mão à procura da verdade ou da virtude ou uma coisa dessas, dessas a que já não se liga. No tempo dele, o petróleo era baratucho, mas mesmo assim a busca deu em nada.
Mas é ligeiramente diferente quando acontece connosco ou comigo, para ser mais específico. É que...
Pois, isso mesmo, comprei o «DN» esta manhã. Mas tinha uma boa razão: o sudoku de ontem.
Fiquei pendurado. Troquei um número qualquer e não arrangei meio de alinhar. Resolvi punir-me e ir espreitar a solução. E comprei o pasquim. Lixaram-me. A solução não era a do problema de ontem. Eles diziam que sim, que era de ontem, mas não era. E zanguei-me: então esta gente anda a enganar-me, a extorquir-me centimos que me fazem falta e ainda diz mal dos outros!
terça-feira, janeiro 10, 2006
A Loira da rua 48 no Bairro Fiscal
-... Oh! senhor, eu já não lhe disse que estou aqui para falar com o seu chefe?... Porque é que está sempre a perguntar se me pode ajudar... Parece que está a vender óculos ou cuecas num shopping... não estou aqui para comprar nada. Diga lá ao seu chefe que eu quero falar com ele.
- ... " E quem é a senhora?" - perguntou o senhor por detrás do balcão, com barba de dois dias, roupa descuidada, enquanto tirava umas fotocópias.
A assistência, composta por três funcionárias - todas com um computador à frente, tal como noutros tempos tinham máquinas de escrever - despertou, desejosa de ver o espectáculo...
- " Oh! moço, vá lá dentro e diga ao seu chefe que está aqui uma loira que lhe chamou, primeiro, senhor, depois, moço e que quer falar com ele... ande, despache-se... não tenho tempo a perder, porque o meu tempo é dinheiro e o seu nem para fazer a barba chega... vá...vá...
As espectadoras ficaram espantadas. O galifão da repartição, considerado o mau do pedaço, que punha todos os fregueses na ordem, não dissse nada e avançou para o gabinte do chefe.
Dois minutos depois o mesmo rapagão com barba mal feita e roupa pouco cuidada, apareceu ao balcão, desfazendo-se em mesuras...para que a senhora entrasse: "....por aqui, faz favor... à esquerda...
Correu a abrir a porta e, logo à entrada, lá estava o chefe: casaco à moda mas a sobrar(" o pronto a vestir é uma chatice"... ia pensando... "logo hoje que a loira resolveu vir à repartição...")
A Loira da Rua 48 entrou no gabinete do chefe, olhou de soslaio para a bombazine, de novo na moda, do casaco do pobre homem, fez um sorriso compreensivo, olhou o empregado de balcão com uma ordem nos olhos: desaparece!
E ficou, frentre a frente com o homem grande da repartição, que ameaçava, que mandava cartas, que assinava coimas, juros e estava ali, a olhar para ela, feito trapo, homem da rua, como que a dizer: "eu não tenho a culpa... são eles que mandam, eles querem cobrar..."
Não precisou falar, a Loira da Rua 48 percebeu o discurso só de olhar para os olhos daquele gordo, empaturrado com um bom almoço que alguém - não ele - pagou.
"... Olhe lhá, seu gordo embombazinado, estou aqui para lhe dizer que eu vou pagar. Tudo. Mas quando puder, quando os seus chefes puserem este país a funcionar! Quando o Estado resolver pagar os seus compromissos a horas, quando o Estado, que você e os seus chefes representam, pagar as suas contas a tempo e horas....
O chefe da repartição de finanças esboçou um gesto, ia dizer qualquer coisa. A Loira da Rua 48 silenciou-o com um dedo sobre os lábios: "... já sei o que vai dizer e não me interessa... Da próxima vez que me mandar uma carta a dizer que me vai penhorar não sei o quê, eu vou mandar aqui o pessoal da minha rua perguntar quando é que prendem os banqueiros que andam a lavar dinheiro de negócios esquisitos..."
- "Isso náo é comigo..." balbuciou o coitado.
- " Então deixe de fazer serviço de macaco e faça com que esses assuntos também sejam, consigo! E agora mande aquele seu lacaio mal lavado e mal vestido ensinar-me o caminho de regresso à rua, para ver se respiro algum ar puro..."
A loira da Rua 48 passou pelas secretárias das três "doutoras" olhando cada uma nos olhos, perguntando com um sorriso: " já descobriram hoje mais um devedor, daqueles que se sujam apenas veêm o carimbo da repartição de finanças...?
sábado, janeiro 07, 2006
SALDOS
É um mês chato para eleições. Em Março ou Abril seria menos caricato, por certo. Em Janeiro a conotação com os saldos é excessiva. Quando Soares abraça Valentim cheira a desconto. A ideia de que tudo se compra, desde que seja económico é mais intensa nesta altura do ano. Todos sabemos que o dr. Soares fala, de preferência a estar calado, fala, fala sempre, mesmo que não diga nada. Quando não foi capaz de se calar, ao perder para uma senhora uma eleição europeia, envergonhou todos os assumidos machistas do velho continente!
Nem era uma questão de idade, mas de incontinência. Alguns mijam-se, ele fala, não resiste, não se contém. Um sim a Valentim deve obrigá-lo a, pelo menos, uma nega a Fátima! Ou se perdoa tudo ou a democracia é uma batata e neste género de ideologia nada se perde, tudo se transforma ou, como diria o poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena. Mas não é uma questão de tamanho é de reflexo. Até uma certa idade, um ministro pode dizer o que quiser, mesmo sobre tgv's, que são só asneiras, com mais idade é mais dolorosa a conotação: está
gá-gá! Por essa altura fala-se com toda a espécie de gente e diz-se o que vem à pinha! É triste, mas é a vida. E tanto mais triste quando há gente alegre pelas imediações...
Nem era uma questão de idade, mas de incontinência. Alguns mijam-se, ele fala, não resiste, não se contém. Um sim a Valentim deve obrigá-lo a, pelo menos, uma nega a Fátima! Ou se perdoa tudo ou a democracia é uma batata e neste género de ideologia nada se perde, tudo se transforma ou, como diria o poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena. Mas não é uma questão de tamanho é de reflexo. Até uma certa idade, um ministro pode dizer o que quiser, mesmo sobre tgv's, que são só asneiras, com mais idade é mais dolorosa a conotação: está
gá-gá! Por essa altura fala-se com toda a espécie de gente e diz-se o que vem à pinha! É triste, mas é a vida. E tanto mais triste quando há gente alegre pelas imediações...
Propriedade Intelectual - Os Assaltos
Quem, como eu, tem o hábito de, sempre que pode, viaja pela blogoesfera e, mais por obrigação profissional, do que propriamente por gosto, lê os jornais que se publicam neste cada vez mais pobre país, não pode deixar de ter a impressão do "já lido".
Nas minhas deambulações tenho um itenerário fixo e um outro aleatório. Do primeiro fazem parte, obrigatoriamente ,"Erotismo na Cidade" e " A Barca da Lyra".
A autora de "Erotismo na Cidade", que tem o cuidado de avisar que todos os seus textos e poemas são registados na Sociedade Portuguesa de Autores, denuncia desde há algum tempo um roubo descarado de um dos seus textos por um programa de Televisão, emitido na Dois, - "A Revolta dos Papéis de Nata" . A denúnica não pode ser mais clara.
Não parece que até agora tenha havido da parte dos responsáveis do programa ou mesmo da direccção do Canal 2 da RTP qualquer manifestação de reparação de tal roubo. Doutro modo, a autora do blogue já o teria sublinhado.
Hoje verifiquei que a autora do "A Barca de Lyra" resolveu inibir o acesso aos arquivos, porque já viu textos seus publicados noutros locais sem nenhuma referência à respectiva "maternidade".
Muitos outros casos existirão, seguramente. Tantos que o problema da propriedade intelectual já deveria ter sido analisado pelas autoridades competentes de modo a salvaguardar os legítimos direitos de quem cria, seja em que veículo for.
O que acontece é que essas autoridades fazem como os órgãos de comunicaão convencional: assobiam para o lado e consideram a blogoesfera um epifenómeno sem expressão e mesmo condenado ao desaparecimento.
Ora, a verdade é que não é assim. Um estudo objectivo e atento deste fenómeno não deixaria, concerteza, de constatar que aqueles cuja capacidade criativa foi sendo rejeitada pelos donos do negócio chamado comunicação, se foram refugiando na blogoesfera e hoje vão alimentando as pobres cabeças dos que, por obrigação contratual, profissional - a maior parte das vezes sem qualquer gosto especial - vão enchendo as pobres páginas dos nossos jornais e os ensanguentados telejornais das televisões dos espanhóis e de outros que não se sabe quem são.
Um tal estudo não deixaria igualmente de concluir que muitos dos que são impedidos pelos gestores do tal negócio de exercer os seus direitos nos órgãos em que trabalham, se refugiam em blogues onde expressam toda a sua criatividade.
Nos dois casos aqui apontados, o mais evidente é o do "Erotismo na Cidade", que já deveria ter levado a que os autores do tal programa fossem condenados ao pagamento de pesadas indemnizações à autora do texto lido abusivamente numa das emissões do programa. A condenação deveria ter igualmente uma componnente cívica impedindo os autores deste verdadeiro assalto de, durante um período de tempo suficientemente longo para ser considerado como uma punição a sério, de exercer qualquer actividade no domínio da comunicação social.
terça-feira, janeiro 03, 2006
LIXO
À medida que os anos passam aprendo a não perceber e vou aprendendo a não me espantar. Não me envergonhei quando o Benfica eliminou o Manchester. Não tive culpa! E como profundo entendedor de bola nem me passou pela cabeça que pudesse ser possível. Encolhi os ombros e não deixei de beber o meu copo. Outra vez, já há uns anitos largos, vi o chui a mijar a uma esquina. Fiquei fulo, pensava que «aquilo» era um direito exclusivo de cidadãos não chuis.
Os espanhois não podem fumar hoje onde fumavam ante-ontem. A bem da saúde. A bem da saúde conspurca-se a atmosfera e poluem-se os rios. O «tabaco mata» lê-se na embalagem. Parece que mata devagar, o que não faz mal porque o cliente não é apressado. A minha «câmara» aumentou o preço da água, de potabilidade duvidosa, aí uns quinhentos por cento ou mais. Tal faz um mal à saúde e ao porta-moedas que nem queiram saber, mas a municipalidade não se importa.
Tudo acontece, sobretudo o impensável. Deve-se estar preparado para tudo. de preferência contra os espertos e fazer o que o Barbas manda: perdoar as ofensas, aceitar a tragédia e outras bençãos do céu. Olhar o marmoto todos os anos e vomitar quando não se aguenta tanto.
Se Soares dança com peixeiras é porque gosta de peixeirada. Já se sabia...
Eu já devia saber que não sabia. Acho que foi um sábio que assumiu: «sei que nada sei», como tinha de ser um poeta a saber «sei que não vou por aí». Eu saí pela porta fora quando, distraído, a olhar a televisão, esbarrei com a publicidade a uma merda qualquer com o hino nacional em fundo! Não era reclame a farturas de papar, nem a papel higiénico, nem a cuequinha
para rabos bonitos. Uma maneira manhosa de tentar passar a ideia de que a PT é do caraças!
Sempre entendi a pub como uma matreirice, uma forma evidente de vender gato por lebre, de
enganar o próximo, mas com limites. É verdade que o problema não está na pub, está no entendimento de que tem das coisas sérias, que se calhar nem são tão sérias como isso. Nem sei se o Hino Nacional faz parte da Constituição ou não passa de mero sucedâneo de fado corrido.
O pior lixo deve ser o que temos na cabeça, por dentro, porra, os piolhos não são para aqui chamados. Que se lixe o Hino. Viva a PT. Morra o Dantas, morra!
Os espanhois não podem fumar hoje onde fumavam ante-ontem. A bem da saúde. A bem da saúde conspurca-se a atmosfera e poluem-se os rios. O «tabaco mata» lê-se na embalagem. Parece que mata devagar, o que não faz mal porque o cliente não é apressado. A minha «câmara» aumentou o preço da água, de potabilidade duvidosa, aí uns quinhentos por cento ou mais. Tal faz um mal à saúde e ao porta-moedas que nem queiram saber, mas a municipalidade não se importa.
Tudo acontece, sobretudo o impensável. Deve-se estar preparado para tudo. de preferência contra os espertos e fazer o que o Barbas manda: perdoar as ofensas, aceitar a tragédia e outras bençãos do céu. Olhar o marmoto todos os anos e vomitar quando não se aguenta tanto.
Se Soares dança com peixeiras é porque gosta de peixeirada. Já se sabia...
Eu já devia saber que não sabia. Acho que foi um sábio que assumiu: «sei que nada sei», como tinha de ser um poeta a saber «sei que não vou por aí». Eu saí pela porta fora quando, distraído, a olhar a televisão, esbarrei com a publicidade a uma merda qualquer com o hino nacional em fundo! Não era reclame a farturas de papar, nem a papel higiénico, nem a cuequinha
para rabos bonitos. Uma maneira manhosa de tentar passar a ideia de que a PT é do caraças!
Sempre entendi a pub como uma matreirice, uma forma evidente de vender gato por lebre, de
enganar o próximo, mas com limites. É verdade que o problema não está na pub, está no entendimento de que tem das coisas sérias, que se calhar nem são tão sérias como isso. Nem sei se o Hino Nacional faz parte da Constituição ou não passa de mero sucedâneo de fado corrido.
O pior lixo deve ser o que temos na cabeça, por dentro, porra, os piolhos não são para aqui chamados. Que se lixe o Hino. Viva a PT. Morra o Dantas, morra!
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