Não, aqui, em Grafenworth é tudo impecável. Apenas um senão: não têm Net. Mas os quartos são de um bom gosto a toda a prova, o pequeno almoço, de primeiríssima, servido em louça Villeroy e Boch. Como bónus, a companhia de um cão enorme, simpático e gordo, o max.
Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
domingo, agosto 14, 2005
O Pó fascista que desaparece
Não, aqui, em Grafenworth é tudo impecável. Apenas um senão: não têm Net. Mas os quartos são de um bom gosto a toda a prova, o pequeno almoço, de primeiríssima, servido em louça Villeroy e Boch. Como bónus, a companhia de um cão enorme, simpático e gordo, o max.
A Juventude Polaca
Na Catedral reparei no ar dos muitos padres que por lá andam com ar perdido, tristes. Tristes e magros, quase a desaparecer nas batinas que eles ainda usam. Impressinaram-me aqueles padres. Em Krakóvia, o Papa João Paulo II está por todo o lado, em fotografias, em estátuas, ou simplesmente representado por um ramo de flores no palácio do bispo, que ele habitou, quando foi o pastor da cidade.
Porque o tempo não chega para tudo, recorremos a um daqueles carros eléctricos que fazem a chamada volta turística à cidade. Conduzido por uma jovem bem simpática e informada, lá fomos vendo as Igrejas, as praças e as Sinagogas do bairro judeu, que em tempos constituía uma parte da cidade, separada da outra, a católica. Os judeus, que chegaram a ser trinta por cento da população de toda a Polónia, estão agora reduzidos a pouco mais de uma centena. Há números que sempre assustam.
A nossa condutora é estudante e trabalha entre 10 a 14 horas por dia, por um salário que é, concerteza, muito baixo, a avaliar pelo trejeito que fez quando se falou no assunto.
Todavia, tal como o Kuba adora as montanhas e o seu país, ela ama Krakóvia,a sua terra natal e a totalidadeda sua terra, a Polónia.
Esta atitude da juventude polaca não pode deixar de impressionar quem como nós, portugueses, se habituou a ouvir os seus jovens a desdenhar deste tipo de sentimentos e a percebê-los preocupados apenas em consumir.
Depois de visto o castelo, lá voltámos a Milowka, um caminho já conhecido, com duas portagens. Uma paragem em Ziwiec para uma cerveja na cervejaria da fábrica, mas o pessoal lá do sítio nem para nós olhou - à comunista. Espera, se quiseres. Bem diferente do tratamento que recebemos na cervejaria da Budweiser, na República Checa
"Kuba", o Ás do Ski e do Volante
sábado, agosto 13, 2005
LAVAR DAÍ AS MÃOZINHAS
Pois! Mas não é bem assim. Habitualmente o direito às férias adquire-se após e não antes. Primeiro desempenha-se a tarefa e só depois o eleito se deita a dormir. Mas nem é por ser direito ou esquerdo, que a questão se deve colocar. Um primeiro-ministro, recém empossado, não deve abandonar o barco, mal inicia a viagem. Sobretudo se a embarcação sofreu um duro e inesperado rombo - prontamente remendado, seja dito!
Não é razoável e os factos subsequentes acabaram por amargar a pílula. É certo que Sampaio já não pode intervir, não pode mais despedir governo maioritários e, portanto ele, sim ele fez bem em gozar férias tranquilas, dando uma de preocupado, para ficar bem na fotografia. Mas o PS sai mal.
António Costa borregou. Faz bem em não gostar de aparecer a choramingar à frente das câmaras televisivas, mas ele há outros modos de aparecer, de actuar, de se impor à opinião pública. E o que se viu demasiadas vezes foi não o ver nos momentos mais difíceis, não o ouvir a tempo e horas, foi isso que fez notar a ausência, essa sim constante, de Sócrates.
Quando finalmente Costa apareceu na Televisão gaguejou sobre a questão do fogo posto e da aparente falta de resposta da autoridade judicial. As polícias fartam-se de prender suspeitos, em alguns casos mais do que isso, mas nunca se sabe das consequências. Reconheça-se que os senhores magistrados sentiram-se incomodados. Magistrado incomodado é como senhora gulosa: perde a linha.
Ontem, no Parlamento, esteve mais preparado e mais à-vontade. Tem experiência de tribuno e conhece a oposição parlamentar de gingeira. Como se costuma dizer popularmente, em terra de cegos...
Mesmo assim arranjou modo de se entalar e de maneira tão absurda, que custa a crer não ter sido propositada, com aquela insistência insistente no "mais de duas vezes","mais de duas vezes"
e disse isto para aí umas três vezes...
O que quereria ele dizer? Duas vezes e meia? Três vezes menos um quarto? Não teria sido mais político e sobretudo mais fraternal dizer "todos os dias"?
Sombras que causam perplexidade e incentivam à intriga, que não tardou e já hoje arribou insidiosa. Li algures que foi Sócrates que telefonou e ordenou ao substituto a ida aos fogos, aparecer junto, fazer de primeiro-ministro, ainda que substituto.
Falou também o senhor ministro da Agricultura, mas não prestei atenção, nem reparei se ele disse alguma coisa, mas quero crer que só tenha falado.
Não sei, confesso, se o eleitorado de esquerda, o do centro ou o da direita sabem alguma coisa de concreto relativamente a incendiários. Eu desconheço. Continuo sem saber o que se fez, faz ou fará relativamente aos acendedores de matas florestais e outras que tais. Mesmo os loucos ou fascinados pelo fogo, via televisão ou vice-versa. E ainda menos quanto aos chamados mandatários, os que mais ganham com o que o país perde e ganham o que ganham porque ninguém os perde, ninguém os persegue, os acusa, os julga e os condena.
Do mesmo modo, ninguém esclarece com clareza se a suspeita carece de base ou de substrato. É costume, tem sido costume, surgirem magníficas urbanizações, onde não teria sido possível construir sem um incêndio providencial. E ele há outras formas mais subtis de apoveitar da tragédia, quer ela seja ou não de vontade divina...
A história da impossibilidade das câmaras, pobres delas, assumirem o papel na legislação existente, segundo a qual a limpeza dos matagais cem metros para dentro implicará, na prática,
esfregar todo o chão municipal é uma história mal contada, tão mal contada que mais parece um insulto aos meus vizinhos, que são decerto menos estúpidos que eu, que acredito em tudo que os ministros me vendem. Peçam às televisões (e paguem à hora se for preciso) umas reportagens obrigadas a mote, a partir de 1 de Junho: «E de limpeza de matas, como é que vamos»?
Vale uma aposta?
Há evidentemente quem defenda o «quanto pior melhor». Mas, porra, é a malta que fica com o «quanto pior» e os gajos dos costume arrecadam o «melhor».E isso pode lixar, ainda que sirva para o BE se exibir. A parte chata, do ponto de vista governamental, é que o tal «melhor» não rende para as Finanças, seja qual for o ministro, e o «quanto pior» custa uma pipa de dinheiro trocado às ditas, seja qual for o ministro.
E quando se levantar a questão resultante do «está bem, a gente percebe», mas como sair deste buraco, sem aparecer alguém a correr, mesmo a tempo de torcer o rabo. De facto a evolução não é mais o que parece, quando o «Vai e vem» regressa incólume dos céus. Quando pregaram Jesus na Cruz e questionaram o algoz-mór, este replicou: «daí lavo as minhas mãos»...
Depois disso nenhum problema em sujar as mãos. Elas lavam-se com facilidade, «mais de duas vezes» se for preciso...
quarta-feira, agosto 10, 2005
DISSE QUE NÃO DISSE/2
Era altura de alguém, habitualmente mais sábio, aparecer a tranquilizar os mais estupefatos: habituem-se!...
Por ser sábio prefere o silêncio! Por muito saber da poda preferiu deixar ministérios à solta. Por isso vive tranquilo e faz férias quando lhe apetece, sem daí vir mal ao mundo...
Viagem - A Mina de Sal
DISSE QUE NÃO DISSE
De uma vez, no regresso de uma dessas viagens, ele explicou que algumas falhas (inverdades) se deviam à frequência com tinha de mudar de idioma e se enganava nas expressões. Nunca me esqueci, depois, de inserir nas pequenas notas sobre «o disse que não disse» a referência ao «linguajar estrangeiro do dr. Soares».
Foi uma época e era um estilo de governar, arrumado, pensei eu, na gaveta da democracia recém chegada.
Parece que voltou. Hoje foi a vez do DN usar parangona na 1ª página, atribuindo Carrilho críticas à candidatura de Mário Soares. O candidato socialista à Câmara de Lisboa desmentiu prontamente a manchete do matutino da av. da Liberdade. Dias antes fora o «Público» a endossar ao secretário-geral do PCP o aviso a Alegre sobre a deselegância de Marocas. Manuel Alegre desmentiu o teor da notícia e o líder comunista também.
Os diários aderiram ao estilo dos telejornais: manchete forte e feia e quanto mais quente melhor, tanto faz que seja honesta como não, preciso é que seja chamativa e que desperte ódios e paixões.
No caso do «Público» foram formulados dois desmentidos e o jornal não tugiu nem mugiu, que é como as televisões costumam fazer, mas não era hábito nos jornais impressos. As coisas mudam.
Hoje pensa-se que tudo se pode fazer, seja improvisar ou mentir e, avaliar pelo silêncio do «Público», nem se importe de passar por mentiroso.
Quem aceitar isto como natural, pode habituar-se e continuar a comprar o pasquim.
Quanto ao caso desta manhã, o jornal ainda não teve tempo de se pronunciar sobre o desmentido, a não ser que eventualmente tenha prestado esclarecimento a outro meio de comunicação social alheio. Vou esperar. Seja como for a expressão, repetida, «fulano disse ao DN» é difícil de desmentir, se for verdade, ou de justificar, se não for.
Em geral escuto alguns noticiários breves, na Rádio, em geral de manhã, um ou outro Sic-notícias, pela tarde e uns cinco minutos de Telejornais, à noite. Não deu para ter eco.
Hoje choveu para os meus lados e por isso não tenho que regar as plantas e até vou poder lavar as mãos mais duas vezes. Nem tudo é mau, afinal de contas. Amanhã se verá. Naquelas folhinhas que nos dão imagem do passado, já lá tem vindo com regularidade a marca do Estado Novo: Visado pela comissão de censura. E hoje deu-se conta da eleição de Roosevelt. Por este andar, segunda-feira rebenta a guerra na Europa, mas só lá para terça-feira teremos notícias disso. Que pena não podermos ouvir Fernando Pessa, em directo de Londres...
Viagem - O preço de uma Igreja
segunda-feira, agosto 08, 2005
DEFORMAÇÃO
Em relação ao destino dado aos incendiários, aí o ministro sentiu-se mais à-vontade para desviar a atenção para os magistrados, que, segundo ele, deveriam ser mais severos nas medidas de coacção.
Os magistrados não gostaram. Consideram uma intromissão no seu domínio. E produziram mesma uma sentença: a coacção aos incendiários será igual à aplicada aos restantes crimes. Um caso claro de deformação profissional. Desagradados com o projecto do governo de poder punir os magistrados nos casos de erro grosseiro, os juizes aceitam mal todas as críticas e exorbitam nos seus direitos.
Mas não é pelo governo perder o sentido da realidade, que os magistrados se podem arrogar todos os direitos e nenhuma responsabilidade. Se o governo receia ter de pagar pelos erros
judiciais, faça um seguro, mas não intimide quem tem a difícil tarefa de julgar. Mas, o contrário, também deve ser aceite e entendido. Os magistrados têm de estar à altura do dever e de cumprir com zelo a sua tarefa. Nos casos em que as decisões revelam os tais erros grosseiros, ou outras fragilidades inaceitáveis, não se pode, nem deve, multar o magistrado, mas sim, fazer o que se faz, nas mesmas condições, em qualquer outro tipo de profissão, demitir, dispensar, despedir, livrar-se dele. Se não dá provas de competência, que mude de profissão. Não é premente nem forçoso que o exercício da magistratura seja uma reforma vitalícia. Que seja, isso si, uma função delicada e com elevado índice de competência. Se um presidente da CGD pode ser despedido, sem justa causa aparente, porque é que o um juiz desatento não pode ser mandado para casa?
O ministro António Costa tentou pôr água na fervura, mas esteve longe de apagar o fogo. Neste inferno de chamas o governo (os governos) fazem preces e esperam pelo Inverno, por enquantoa melhor, senão a única, solução. O pior é a seca, que vai alastrando...
TUDO BEM, HABITUEM-SE
De coisas concretas pouco ou nada se sabe. a CS dá conta que já foram identificados uns 70
incendiários, alguns dos quais suspeitos entre alguns confessos. Acrescenta a informação que o ano passado esse número foi superior.
Mas não se dá conta do efeito de repressão. Vê-se mais fogo, creio que se vê demais. Nada se sabe do que acontece aos incendiários, indiciados por fogo posto. Se alguma cara devia ser exibida na TV era a dessa gente, por muito doente que seja. Não se trata de violar direitos, mas
de defender a tranquilidade pública. O fogo posto é uma forma de terrorismo. Afectar a floresta corresponde a lesar a saúde pública e a pôr em risco a vida e os bens dos cidadãos e da comunidade. O governo procura tapar o fogo com a peneira, mas este, o mais recente, tem sido como os anteriores, limita-se a pôr água na fervura e nem em toda, porque algumas bocas de incêndio não passam de decoração.
Não se culpe o governo pela explosão incendiária, mas pela falta de prevenção. Os bombeiros voluntários não serão mais abnegados que outros, mas merecem um reconhecimento especial.
E volto a trás. Pouco ou nada se sabe do que aconteceu a 80 detidos o ano passado, por suspeita
de fogo posto. Não há referência a julgamento nem para os alegados criminosos, nem para os eventuais doentes do foro psiquico, nem que medidas efectivas são ou foram tomadas. O pouco que foi referido é preocupante: um confesso incendiário dos últimos dias já tinha cadastro na matéria.
Falou-se que algumas bocas de incêndio não dispunham de água, mas não é tempo de criticar os autarcas, quando há eleições no horizonte. Nem os autarcas estão em tempo de admitir que pouco ou nada fazem para limpar as matas. Em período eleitoral, os autarcas são como os carros sem gasolina: não andam, não exigem respeito, não fazem ondas, quer seja nas matas, quer nas pecuárias. Mas o que é que se pode esperar se o ministro-mór de serviço se limitou a dizer-nos, com bons modos, é verdade, não chateiem. Aguentem. Só faltou o outro para dizer:habituem-se..
domingo, agosto 07, 2005
Auschwitz
Já não sabemos viver sem consumir. O convite à reflexão não chegaria?
Viagem - Polónia
Está frio, para trás ficou um belo e sereno Sol, filtrado pelas neblinas da montanha que se aproxima. A terra chama-se Milówka, lê-se miluvfka e a gente é simpática. O sítio é a meio da montanha. Respira-se o ambiente especial de quem rvive na altitude. À noite, no restaurante, há gargalhadas. Mulheres descontraídas, como vai sendo hábito, vivem melhor frente aos copos. Eles recolhem-se, são tímidos. Será que o Mundo vai mudar?
A cerveja polaca é boa, mas a checa é melhor. Todavia, na Polónia servem copos de litro. Perguntam-me se quero um. Amanhã experimento, digo. Com o fresco que faz, o litro não corre o risco de aquecer.
As notícias de Portugal que me chegam via SMS ( a vida está cara e a Net por aqui ainda é produto raro) são assustadoras. O país está a arder... fico espantado: mas, afinal, ainda há país para arder?
Quando é que aparece alguém a pensar certo? O combate aos fogos tem que ser feito pela Força Aérea. Equipe-se a gente da guerra e eliminem-se as diversas empresas que ganham por cada hora no ar o dinheiro suficiente para uma operação de combate a um grande incêndio.
Para quê pensar nisso?
Agora que estou fora, basta colocar um muro à volta do país e aquilo fica um manicómio.
Viagem - o batedor
Muito mais ainda se os checos descobrirem - e aposto que sim - como se explora o Turismo. Em Dacice, por exemplo, o castelo, que tem objectos de grande valor, faz visitas guiadas de hora a hora, com guias simpáticas - belos sorrissos - mas que falam apenas checo. É uma estopada,mas mesmo assim, por causa do sorriso e das estórias que se descobrem, vale a pena.
Telc - património mundial - tem uma praça resplandecente, em que as casas são todas resguardadas por frontarias lindíssimas: Mas não tem mais nada. Se não se tiver informação coveniente, passa-se por lá como se por mais uma aldeia de camponeses, preocupados com as colheitas do trigo, das papoilas e da cevada.
Cesky Krumlov: um rio a serpentear, uma arquitectura e um urbanismo únicos, outra cidade classificada, é ainda mais atraente que Praga. Tem gente de todo o lado da República Checa, alguns austríacos, alemães e, provavelmente holandeses. Pela primeira vez numa viagem deste tipo, não ouvi uma palavra em português. Um dia destes vira moda e já não se pode andar por aqui.
Ah! os italianos, sempre aparecem: eram os únicos que destoavam na visita à exposição de Alfons Mucha, em Moravsky Krumlov: vinte quadros gigantes a narrar a história dos eslavos,da formação da pátria Checa e do movimento religioso hussita.
Do ponto de vista do aproveitamento daquele enorme potencial turístico, o mesmo disparate: fecham ao meio dia, abrem às 13 e fazem visitas guiadas, com gente que fala, fala e sorri, mas ninguém entende, exceptuando, claro,os checos, que, neste caso, ainda são - ou parecem - o maior número.
A paragem para ver Mucha, os heróicos e também as gravuras publicitárias da sua época parisiense, perturbou a chegada a Brno, para onde estava marcada uma visita para as 16 horas locais, à Villa Tugendhat, uma maravilha da arquitectura dos anos trinta, macerada e ocupada pelos nazis e pelos comunistas.
Está agora em recuperação e a cerca de uma hora que se passa ali vale bem a estopada de ouvir um cavalheiro a falar, a falar para apenas 15 pessoas sem que nenhuma delas perceba uma palavra.
E, depois, quem quiser comprar o que quer que seja tem que pagar em cash e o mais próximo multibanco fica uns quantos quarteirões abaixo.
Ma,, enfim, a propósito de Tugendhat vale a pena contar a estória da chegada.
Bron é a segunda cidade checa - enorme e não tão bem organizada como Praga. Descobrir a zona de residências senhoriais onde habitaram e devem habitar as elites de vários regimes - uns de ocupação outros não - assim, sem mais nem menos,com hora marcada, não é coisa fácil. Olham-se os mapas, pergunta-se, mas as respostas nem sempre são fáceis. A comunicação consegue-se mais por gestos. Inglês, francês, nada, e o nosso alemão está esquecido (eu acho que só os alemães se lembram, a sério, dele) . O relógio não pára e aquela visita tinha sido marcada desde Lisboa.
De repente, à nossa frente pára um carro da polícia, num semáforo, a co-piloto da viagem sái mais uma vez do carro e corre para a viatura da autoridade, aponta-lhe o mapa e o homem, sem dizer uma palavra que se perceba, faz sinal para que o seguíssemnos. Um pouco mais à frente volta a parar e - sentiu-se - resolveu levar-nos ao destino.
De facto, concluímos, depois de lá chegar, que sem batedor jamais conseguiriamos chegar às 16 em ponto.
Altura em que quatro espanhóis estavam já a ocupar os nossos lugares para visitar Tugengdhat. Um deles ainda gemeu: ..." mas somos espanhóis, vimos aqui apenas uma vez na vida..." Ao que respondemos: " ... nós somos portugueses provavelmente esta é a única viagem que aqui fazemos, temos esta visita marcada desde Lisboa e o relógio marca 16 em ponto".
Foi um gozo particular? A visita foi, a chegada com polícia, tudo isso, sim, dá para recordar com agrado. A exclusão dos espanhóis achamos um disparate. Continua a ser o sistema fechado a impôr regras que só os chefes percebem, porque só a eles dá a satisfação de um poder assumido. Além disso, as dificuldades de recuperação da vivenda são visíveis...
Os checos hão-de aprender e estes relíquias, gora são difíceis de apreciar, hão-de ser vistas por multidões.
Nessa altura será tudo muito mais caro, mas quem cedo amanhece...
Viagem - as malas
Chegado a Viena no dia 1 de Agosto, a caminho da República Checa dei por falta de duas malas. Rapidamente soube o destino das transviadas: Barcelona. Que me seriam entregues no dia seguinte, ao fim do dia, no hotel para onde seguiria viagem.
Assim aconteceu: ainda não eram 18 horas locais do dia 2, quando o pessoal da companhia austríaca apareceu em Daceci a entregar as malas.
Daceci fica mais de 150 Kms de Viena e é noutro país. Estou mesmo a imaginar uma companhia portuguesa a prometer e cumprir entregar duas malas numa espécie de aldeia que nem no mapa vem, em Espanha...
Claro que para chegarem tão rápido não devem ter parado na espécie de paraíso do sexo que os checos plantaram à entrada da sua república, ali, disponível, de forma óbvia para quem atravessa a fronteira entre os dois países em Haugsat.
O comércio até chega a ser chocante, mas, seguramente, reflecte diferenças importantes entre dois países, agora pertencentes à União Europeia.
A República Checa exibe, confrangedoramente as sequelas dos planos quinquenais, com largas extensões de campos roubados às florestas que noutros tempos os povoaram e onde se cultivam grandes extensões de cereais. São verdadeira feridas abertas e que,obviamente, ninguém está interressado em sarar, já que é delas que vem o sustento a grande parte desta população.
A União Europeia está a entrar aqui devagar, as lojas abrem às oito e meia e fecham às 5 da tarde. É verdade que o Sol nasce às quatro, mas não se percebe muito bem o que fazem os checos da cidade. Os do campo, imagina-se que poêm aquelas enormes máquinas a trabalhar para ceifar os campos. À noite entopem as estradas...
As comunicações por aqui, junto aTelc, cidade-património mundial são um desastre e os cidadãos desta região só falam checo, assim como os portugueses da maior parte de Portugal que também só falam português. Mas, de qualquer modo, lá nos vamos entendendo
Viagem - a cerveja
De viagem pela República Checa profunda a suportar, de quando em vez, o cheiro a suor requentado de camponeses disfarçados nas roupas, mas com os olhos cheios das planícies abertas noutros tempos por máquinas inventadas pela gente de Staline, descubro que os adversários da PAC dos franceses na União Europeia estãoa Leste. São eles que vivem da cultura extensiva de cereais e a podem trasnsformar no que quiserem e puderem.
Não percebo mesmo por que razão em Portugal toda a gente se assusta tanto com o alargamento a Leste. Sei lá... o melhor é inventar um inimigo externo.
Aqui tudo é tosco; é muto difícil encontrar alguém que fale inglês, o turismo é ainda uma curiosidade... (eu sei que tem Praga, Cesky Krumlov e Brno, mas só na capital se pode falar em turismo internacional).
Indústria? só se percebe a da cerveja - notável, diga-se
É um país a sair, seguramente, de uma noite muito escura, mas simpático, com gente esforçada e com um desígnio nacional:a Independência. É aqui que está o segredo. Contarei mais.
Viagem - o começo
Aeroporto de Lisboa. Nunca mais acabam as obras...os placards de indicação dos balcões de chek-in avariaram, o stress aumentou, há boas notícias...Viagem a caminho de Viena, na Air Austrian. A mesma poupança de todas as outras, mas com alguma dignidade. Nesta, não se adivinham os bancos de plástico como nos autocarros de LIsboa.
Por falar em autocarros: uma sugestão para os candidatos à CML: prometam um corredor BUS e para viaturas de emergência na segunda circular. Aquilo está perigoso a sério...
Avião cheio de crianças. Atrás de mim, um senhora queixa-se à assistente de bordo que o cavalheiro ao lado dela tresanda, não deve tomar banho há séculos...já o bisavô dele abominava a água. É a gente do Norte: água nem para beber, por isso não falam da seca.
Impecáveis, as austríacas, com muita diplomacia, removem o cavalheiro, trocando-o por uma jovem, que não sendo propriamente um modelo de limpeza, pelo menos não tresanda a suor velho e outros odores.
A viagem serve igualmente para rememorar algumas das últimas notícias escutadas em Lisboa e de que, com certeza, não vou saber desenvolvimentos. Na Guiné Bissau, os adeptos do candidato do PAIGC protestam na rua a exigirem novas eleições. É o Senegal a reagir: é que a Guiné Bissau também tem petróleo a Norte e não apenas a Sul. Todo o Mundo anda atrás do petróleo e aquele já deve estar contabilizado.
sexta-feira, agosto 05, 2005
FANTASMAS
Tenho andado a espreitar as primeira páginas do DN ao longo dos anos.
Não é a História que me motiva, é o jornalismo. Acho que já dei conta da mórbida curiosidade
sobre o Jornal no 28 de Maio.
È óbvio que a 28 nada haveria para contar. Do ponto de vista profissional, a curiosidade centrava-se no jornal de 29. Ora, a 29 o jornal não disse quase nada e teve muito, muito cuidado.
De facto o matutino não dava ideia de saber o que se estava a passar. No dia seguinte, já era 1927, Fevereiro: havia uma revolta militar no Porto. Finalmente, deu para entender...
De incêndios não se falava. Mas havia uma revolta e a revolta militar era o incêndio dos nossos dias. Havia para todos os gostos e conforme os dias da semana. No dia 29, já referi, falou-se do 28 de Maio, mas sem ser 28 de Maio. Eis como titulava o jornal: A odem pública alterada. mas em Lisboa e no Porto o sossêgo é absoluto. Fotos tipo passe mostraram o general Gomes da Costa, exibido como o chefe revolucionário do Norte, enquanto Mendes Cabeçadas era tido como tendo sido preso em Santarém. Uma nota oficiosa confirmava que «há sossego em todo o país. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada»...Dizia-se ainda que tinham sido organizadas duas colunas para seguirem para Braga a fim de dominar os revoltosos. Outro comunicado, do conselho de ministros, garantia que «apreciando a situação verificou que dispõe de todos os elementos para manter a ordem»...
Menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, deparava-se com algumas diferenças. Dava-se notícia de um levantamento revolucionário no Porto, mas o ministro da Guerra já tinha partido para Aveiro, onde estavam a ser concentradas tropas fieis para marchar contra os revoltosos no Porto. Mesmo assim, havia repercuções em Lisboa, onde o general Domingues, do Governo Militar de Lisboa fazia saber que ficavam proíbidos os ajuntamentos de cidadãos, usando-se de todo a violência contra os que resistirem...
Durante os 48 anos que se seguiram a medida não foi, suspensa, nem alterada, salvo para manifestações expontâneas de apoio e veneração do Presidente do Conselho, que devia estar a chegar ao topo da carreira...
Mas mais interessante e a dar o mote para o rumo que o país encetava, nessa sexta-feira, bem ao alto da primeira página, a duas colunas, à direita, a entrevista com Mussulini. onde se salientava que « o fascismo é um produto do Século» e sublinhava que «a democracia é indiscutivelmente a meta para que (para a qual) a humanidade caminha»...
A entrevista com o Duce não enganou: a guerra estava no horizonte, dele e de outyros líderes, que não falavam dela. Ele sim, e disse a propósito: «Não há nada de sinistro nos preparativos para a guerra. Pelo contrário, são mais para temer certas frases mansas que abordam o tema do pacifismo»...
Comecei a sentir-me frustrado, mesmo desmoralizado, nada de futebol na primeira página. Afinal que país era o meu. O futebol não tinha culpa os jornais é que não prestavam. Mas amanhã, que já deve ser 1928, é ano Olímpico e Portugal teve uma equipa de futebol nos Jogos e até botou fugura. Ganhou uns dois jogos e acabou eliminada aí pelo Egipto ou coisa assim..
O que é que acham?
quinta-feira, agosto 04, 2005
NOTÍCIAS DE VERÃO
Quatro meses chega para merecer férias, não tanto por fazer tanto calor, mas por tudo à volta estar muito, muito quente! E o primeiro-ministro abalou e a produtividade foi as urtigas, logo a produtividade que faz um mal do caraças às pobres urtigas. Deixou por cá António Costa que para gerir a crise política nem deu pelos atropelos à Justiça.
Sem eco possível, Freitas do Amaral, esse, não voltou a falar de eleições, nem de Negócios Estrangeiros, tem-se limitado a ficar calado e, possivelmente pasmado. E como é por demais sabido que ele é o senhor que se segue, no que toca a zarpar do governo, os outros têm de esperar vez, de forma a que o analista Marcelo tenha razão e justifique o cachet.
Seguindo o exemplo do Benfica, que quer mudar o nome do estádio, para cobrar 40 milhões, o PS vai mudar o nome do Palácio de Belém. Deixa de ser palácio e passa a Asilo. Mantém-se o Belém. Não me perguntem. Não sei porque será...
Sempre desconfiado, Cavaco foi, pela manhã, saber de Sampaio quem é que quer, afinal, emparedar um ancião no asilo belenense? Deve ter saído sem resposta. Depois, à tarde, e à tarde porque, como dizia uma vizinha, bem alinhavada, mais vale à tarde que nunca, Mário Soares preparou-se para ir ouvir o Presidente, pelo caminho atropelou um poeta, malhas que o império tece.
O que ouviu ninguém sabe, ninguém viu, como dizia a cantiga. À saída disse que não falava. E disse que não falava como quem dissesse tudo. Era só querer perceber... que em Outubro, se lá chegar, vai ser uma festa!
Outra cantiga reza que Outubro não tem rival e é preciso que se diga que o Abril em Portugal não é mais que uma cantiga, o que não deixa curioso, para ouvir em período eleitoral! A letra da cantiga é posterior ao outro Abril, não tinha carga, não era contestatária, mas dá jeito, para brincar com coisas sérias...
segunda-feira, agosto 01, 2005
FALIR POR FALIR
aprendizes de presidências, não sabem nada de jornais. «A Capital» fechou. «O comércio do Porto» encerrou a porta. Foi morte anunciada. E não foi por causa de ou por causa do. Tão natural como a sede do anúncio. Os jornais, tal como se liam no passado, já não sobrevivem, entre nós. Os jornais, hoje em dia, não se dão ao respeito e, por isso, ninguém os respeita.
Hoje comprei o DN, para ler a notícia da morte de Guerra Junqueiro. Por acaso o diário não trazia o resultado do Guimarães-Benfica, nem do Sporting-Setubal, jogados à hora de fecho da edição, que é quando as galinhas se deitam.
Dantes, mesmo que as galinhas teimassem no sono precoce, a Censura fechava às três da manhã, e só depois as últimas páginas, entre as quais a primeira, desciam às oficinas. Dantes...
Hoje, não. Hoje os jornais têm de sair cedo das rotativas, porque a distribuidora quer os jornais cedo e tanto lhe faz que sejam de hoje como de ontem.
Talvez valha a pena situar este «ontem» no antes de haver televisão. Antes disso havia em Lisboa o «DN», «O Século» e o «Diário da Manha» (pelo menos nós chamavamos lhe assim) orgão oficioso oficial do governo de então, que ao contrário de outros que não interessa agora referir, mandava que se fartava. Havia mais uns jornalitos dispersos, sem impacte e de importância relativa. E havia, claro os vespertinos, a saber: «Diário Popular», «Diário de Lisboa»
e o «República», todos perfeitamente implantados, embora um deles tivesse que ser lido quase às escondidas. «A Capital» viria depois, já com a Televisão, mas sem força informativa, mas já a
interferir nos hábitos e costumes, como se vai ver.
E houve outro jornal que irrompeu a meio do dia, digamos assim. Saía à hora do almoço um tanto para evitar confrontos. Não teve grande sucesso, apesar do tom populista. Cada jornal diário dispunha de oficinas e distruição próprias. A excepção eram os jornais desportivos. «A Bola» se bem me lembro imprimia no «Século», o «Mundo Desportivo» era, penso eu, propriedade do «DN», e o «Record», posterior aos outros, nem faço ideia onde. Os desportivos vendiam~se tão bem que nem precisavam de pub.
Havia mercado. E foi havendo até a Televisão se intrometer no dia a dia dos cidadãos. A vida alterava-se. Primeiro foram os cafés, que viraram bancos; depois os cinemas a ficar às moscas e,
finalmente os jornais a perder pedalada. Os semanários em formato de jornal também foram perdendo mercado. As tiragens baixaram até não haver margem de sobrevivência. Restam uns quantos, como o «Expresso», que vendeu a alma ao diabo e enche páginas de perfídia e de especulação especulativa e sem réstea de vergonha, amparado pelo tráfico de influências, que controla o grosso da pub.
E os diários desaparecem não por serem bons ou maus, mas porque não interessam ou não são
de fiar. O capital da «Capital não era ser vespertino ou matutino; ele saltou da tarde para de manhã para tentar sobreviver. Em Lisboa e no resto do país nenhum jornal da tarde sobreviveu. O hábito de ler no comboio ou no barco e outros transportes domésticos perdeu-se um pouco, por falta de condições e excesso de confusão e já não há cafés, como havia, nem gente para os encher, a facilitar e convidar a ler pasquins ao fim da tarde, nem tertúlias.
Hoje para sobreviver, um jornal necessita de algumas especificidade, que desperte interesse ou curiosidade.
Os próximos jornais a ir a baixo vão ser, decerto, os desportivos, se entretanto não arrepiarem caminho. A intriga e compadrios começa por vender, mas acaba sempre por gerar descrédito. O major e o sr. Pinto não quiseram nem precisaram de provar inocência, de inocentes que são. A Federação Portuguesa da bola esteve e está-se nas tintas e a Liga ainda menos ou mais pior. Cada vez há menos gente a ir à bola e demasiada bola pela televisão já chateia. Nisto, como nos demais assuntos, é o jornal que acaba por pagar a crise.
De momento, andar nas vidas é o que está a dar e estimula jornalecos e revistas ditas cor de rosa. A virtude já foi, não vende, não rende. Agachem-se criaturas, agachem-se, se querem vender papel...
domingo, julho 31, 2005
Outro fim anunciado
O FIM
BRINCAR COM A MORTE
londrina a identidade e morada de um dos suspeitos de envolvimento num atentado terrorista e contribuiu para a sua detenção pelas autoridades. Não se tratou de denunciar um suspeito de pilhar galináceos ou riscar carros mal estacionados. Mas identificar alguém como presumível terrorista.
Por isso me surpreendi ao ver o referido português exibido no telejornal da SIC (e não sei se em mais outros canais) como heroi de telenovela. Apetece denunciar este atentado a uma alta autoridade qualquer, para que a Justiça, seja isso o que for, acuse (e condene) os autores da façanha, que consistiu em expôr um cidadão identificado à ira impiedosa do terrorismo.
Oferecer um alvo a fanáticos deve constituir alguma forma de crime, pelo menos revela total falta de respeito pela vida humana.
É de crer que não tenha sido a Polícia a revelar a identidade do cidadão que colaborou com as autoridades, até pode ter acontecido que tenha sido o pateta a dar a cara, mas é óbvio que as imagens não deviam ter sido projectadas.
Há regras e princípios de bom senso. Os cinco suspeitos detidos não serão decerto os únicos, nem os últimos fanáticos. A própria Polícia deveria ter advertido o cidadão zeloso a guardar alguma prudente reserva. Até aqui os atentados terroristas não têm tido alvos humanos definidos, não convirá muito arranjar pretextos para acções selectivas.
O jornalismo cada vez mais precisa de ser responsável. O jornalista que se recusa a revelar as fontes, por princípio, não deve andar por aí a revelar as dos outros, colocando pessoas em risco de vida, ou de morte. Até porque se uma história destas dá para o azar, pode muito bem cair um processo sobre o orgão de comunicação social e pior do isso pôr-se em causa a liberdade de informar...
sábado, julho 30, 2005
AMANHÃ JÁ FOI
De súbito é sabado, 11 de Março, corria o ano de 1916. Em França os alemães não avançavam
uma polegada e chegaram em alguns casos a ser repelidos, mas um contra-torpedeiro e um torpedeiro ingleses foram afundados, tal como um navio francês de 4 mastros, igualmente afundado.
Acelero e, num instante é Outubro de 1921, mas é como se fosse Abril. O governo do sr. dr. António Granjo é derrubado por um movimento de tropas revolucionárias, que tomam conta da capital sem ter encontrado resistência.
O movimento insurreccional teve início no Quartel dos Marinheiros, sob comando de alguns oficiais de menor patente. A Junta Revolucionária faz logo saber que: "a situação dolorosa do país reclama do nosso patriotismo o dever, mais do que todos generoso e instante de impôr um GOVERNO DE SALVAÇÃO PÚBLICA"...
Quem assumiu em andamento o movimento libertador foi o sr. coronel Manuel Maria C. -deixem-me ler bem - Coelho, é isso, Coelho, sim senhor. Não se falou no jornal da mulher dele, nem de eventual herdeiro. O governo caiu e o sr. dr. António José de Almeida resignou o cargo de Presidente da República. Os chefes revolucionários procuravam demover S.Exa., desse propósito, quando eu me disse que já tinha visto o filme e desandei. Ainda tentei apanhar um
transporte para Maio de 26, mas ainda não havia. Só lá para terça-feira ou coisa assim é que deve haver lugar...
E regresso ao presente. O Comércio do Porto vai fechar e nem é por mór do Bulhão. "A Capital" também. Soares vai voltar e o PS já está a descer e Nino, esse, recupera. Mas que raio de presente é isto?
E dou-me conta que o passado se parece tanto com o presente porque, no presente, andamos todos a andar para trás...
sexta-feira, julho 29, 2005
O Meu Mundo
URBANO
E, ontem, creio eu, ouvi uma ministra falar de medidas, pelo menos disse coisas desmedidas, tais como pode pagar-se o carregamento do passe nos colectivos, no Multibanco ou coisa do género. Veem? Não há como ser urbano. Nenhum dos rapazes repórteres se lembrou de aproveitar para perguntar à senhora por que carga de água um sujeito (ou sujeita) tem de pagar tanta massa pelo dito passe - e não estou a falar da mensalidade, estou a referir o preço da Lisboa-viva. Essa malta dos jornais, que perde tanto tempo a falar de direitos adquiridos e por adquirir, quando quer servir-se do «metro» ou de machimbombos sujeita-se a tudo, para poupar algum. Mas o cartãozinho é caro e tem validade curta. Não faz mal, depois compra outro. Mas não é só ter direito a pagar adiantado um serviço que muito deixa a desejar. É que para obter o cartãozinho,
tem de preencher um formulário, botar o nome, o nº do BI, a idade, a profissão, o telefone, a morada, a frequência de visitas que efectua à vizinha ou à irmã dela, esta parte parece que está a mais...
Mas que direito, senhora ministra e senhores ministros e senhores juizes prestes a ir de férias, mas que direito, ia dizendo, têm as transportadoras de ter acesso, com caracter obrigatório, aos dados pessoais de cada um de nós? A que propósito lhes é facultado, de borla, o que se chama uma base de dados e qual a finalidade? Como é que o governo (os governos presentes e próximos passados) autorizam essa devassa e que uso fazem dela?
Nada disto é explicado. Nada disto é justificado. Apesar disto ser abusivo, ilegal e possivelmete criminoso.
Como o governo (os governos) é distraído posso lembrar que nada disto é prática corrente nos países civilizados, perdão, queria dizer europeus e similares, à excepção deste pedaço, a Oeste da Europa e juntinho ao oceano.E para não ir mais longe, não é assim em Madrid; não é assim em Paris e nem sei onde é que possa ser.
E ocorre-me uma velha estória, do tempo das lavadeiras de Caneças e das saloias da Malveira.
- Onde é que o senhor mora?
- Moro com o meu irmão...
- Bom! E onde é que mora o seu irmão?
- Mora comigo...
- Gaita!!! Onde é que vocês moram, os dois!?
- Moramos juntos...
Num tribunal, os manos até podiam ser absolvidos. Em Lisboa não terão direito ao Lisboa-viva...
quarta-feira, julho 27, 2005
As Mães
ALCATRUZES
Como primeiro ministro saído da Alameda, Soares meteu o idealismo na gaveta e empreendeu
uma longa e complicada carreira política, aos zigue-zagues, uma vezes mais à esquerda, outras mais à direita - e direita, nesse tempo, chamava-se centro, como muito bem explicaria Salgado Zenha.
É conveniente lembrar que os governos de Soares nunca foram um modelo de coerência, nem beneficiaram de maiorias estáveis. E do mesmo modo deve ser lembrado que o PS, de Mário Soares, perdeu duas eleições legislativas para Sá Carneiro, da AD. Como diria o meu vizinho, se fizesse comentários na televisão, o idealista lunático ganhou, o pragmático, perdeu.
Mas Mário Soares não era e não foi de desistir. E voltou a ganhar ao PSD, orfão de Sá Carneiro, e aceitou a tese de Eanes e foi liderar o Bloco Central, de má memória.
Com Eanes a travar politicamente os sonhos de Soares, o PS achou por bem avançar com Almeida Santos para as eleições seguintes. O PSD iria estrear Cavaco Silva e o próprio Eanes
aparecia mascarado de PRD.
O primeiro efeito da campanha foi a surpresa de um não de Direito. Até aí ou se era advogado ou militar. Cavaco era praticamente o primeiro político a não falar da Lei nem do Dever, mas sim da finanças e economia, sem baralhar as somas ou as subtrações!
Isso teve efeito e sentiu-se no Rato. Soares avançou e deu a cara, mas era manifestamente tarde. Cavaco começava a liderar um governo, apoiado em cerca de 30% dos deputados, no Parlamento. Uma boa (?) parte do PS encostava-se a Eanes contra Soares e isto ele não esqueceu nem perdoou nunca. Meteu-se à estrada e arrancou para as presidenciais com todo o ânimo, derrotando Freitas do Amaral, mas também deixou pelo caminho os «seus»Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.
Sentado em Belém, surgiu nitidamente de mangas arregaçadas. Ajudou Cavaco a ganhar novo acto eleitoral, com maioria absoluta, deitando o PRD, de Eanes, para o lixo. Depois foi a vez de outros notáveis do PS, entre os quais Victor Constâncio, pagarem com língua de palmo, mas sempre no melhor dos mundos com o governo de Cavaco Silva.
Este ia de vento em popa, tão à-vontade que foi alargando as rédeas aos ministros, até aí bem comportados e contidos nas exclamações. E no termo da legislatura, Soares era dono e senhor do PSD. Tão dono e senhor que Cavaco nem deixou o partido indicar candidato. O que estava em Belém servia perfeitamente. Soares queria fazer campanha e convenceu um «inocente» Basílio Horta a fingir de candidato.
Reeleito, Soares olhou para Cavaco Silva e deve ter murmurado: agora tu, meu menino.
E foi. Inferneziou o governo e em particular o primeiro- ministro, frequentemente à beira de um ataque de nervos. Demoliu a fachada social-democrata e Cavaco só percebeu isso quando se viu derrotado por Jorge Sampaio.
É notório que o octagenário dr. Mário Soares não satisfaz o pleno dos socialistas, mas que outro pode chegar a Belém? E que poderá o poeta fazer, que não seja parodiar Camões: (...) Tu, que afinal não partiste/Repousa por Belém todo contente/ E viva eu no Rato, sempre triste...
terça-feira, julho 26, 2005
IDA E VOLTA
Depois do governo tirar os projectos da cartola, não tardaram os que só viam batota. Depois veio a verdade, mas nem por estar calor ela veio despida, veio simplesmente mascarada. E claro, também fora de tempo. A doze anos de vista. Noutro tempo, por acaso de crise, o comércio
lutava apoiado na paciência de fornecedores. As letras iam-se distanciando e não tardou a ir-se para lá dos 90 dias, desdobráveis e reformáveis. Um dos vendedores conformados costumava dizer, após venda: «e letras a perder de vista!»
Na actual conjuntura é precipitado imaginar hoje um aeroporto ou um comboio de alta velocidade para daqui a dez/doze anos. Não se trata de ser um bom projecto ou mau. Antes de se avançar para projectos dessa dimensão temporal, há antes de mais de arrumar a loja. E arrumar a casa implica conhecer a rota da guerra suja. A tendência, a partir de amanhã, será a de amainar ou, pelo contrário, alastrar?
É certo que depois do atentado às torres gémeas, a aviação comercial apertou as malhas de segurança, mesmo assim, seguiu-se um período de recessão. O ataque recente a uma estância de veraneio no Egipto abre alguma expectativa na actividade turística. Sem turismo a aviação comercial perde pujança. Mesmo de TGV não se pode ir muito depressa para o México, ou no nosso caso, mais para os lados da Baía. E como já reconheceu muito boa gente o TGV só para ir ao Porto, não resolve nem acrescenta. Isto para não colocar em causa a própria segurança dos comboios de alta velocidade. E lembro, a propósito, a Espanha e a Expo de Sevilha. Estendeu-se a via férrea para o comboio veloz, mas os condicionalismo recomendaram alguma contensão e nada de altas correrias. Pelo menos uma tentativa de sabotagem foi abortada a tempo. Mas, e agora ao contrário, era outro tempo. Ainda Bush não bugia, Bin Laden estava placidamente e realojar a população do Afeganistão na Idade Média e o terrorismo em Espanha tinha uma componente caseira. Mesmo assim, optou-se pela prudência.
O País não pode parar, não deve parar, nem passar o tempo a olhar para o lado. Pode e até pode acreditar que deve, avançar com a OTA. Mas pode igualmente ser mais comedido. Imaginar na OTA uma componente do aeroporto de Lisboa, com boas pistas e instalações tipo leggo, pré-fabricadas, imitando o Marquês, que inventou o sistema para as janelas e portas do prédios da baixa pombalina. Qualquer coisa de limpinho, que poderá aumentar-se, alterar-se ou modificar-se com o andar da carruagem, deixando a Portela, aliviada e sem necessidade de mais dispêndios.
E, bem entendido, nada impede que paulatinamente não se vão estudando os futuros trajectos de vias férreas, designadamente uma ligação ferroviária à OTA, que se prolongue para lá dela, para quem chegue não tenha forçosamente de vir a Lisboa. Ele há coisas que se podem fazer ou ir fazendo. Parado não se resolve, mas andar com os pés assentes, olhando com atenção para os lados de onde soprar o vento.
Não faço ideia se será legítimo perder tempo a discutir o comboio veloz ou os aeroportos do futuro e do presente, enquanto se choram as vítimas do terrorismo, incluindo o brasileiro, afinal tão infeliz como os outros infelizes, mas já que citei o Marquês, acho que alguém (alguns) já devia ter dito como ele: «Enterrar os mortos e cuidar dos vivos».
Este ano, se for de férias, não irei além de Fornos de Algodres ou Freixo de Espada à Cinta, se entretanto a coragem não me faltar...
Jamila
Que conta? Cai-lhe, agora, que quase já passou uma vida, outra vida para viver, a da Jamila, filha de pais guineenses e a quem se propõe integrar no Mundo com todas as suas valências.
Bem Vinda, Jamila!
segunda-feira, julho 25, 2005
A MEDIOCRIDADE GENERALIZADA
E por ser mal globalizado, tropeça-se nela tanto num parlamento como na praia, tanto a ministrar ciência numa universidade como a comandar exércitos de patriotas a tremer de medo.
Mas não é a essência da pessoa humana. Aparece em todo o lado porque ao homem é dada para viver uma vida mediocrizada. Causa preocupação, porém, pensar-se que é a partir desse caldo de insuficiência que nascerão muitos dos homens de amanhã. O tão desejado homem - novo ninguém sabe o que será, tal como ninguém sabe o que será o futuro deus-novo que esse homem construirá.
Nadamos, portanto na ignorância, de arma na mão a matar inocências: a gente atónita que vive sem saber para quê e morre matada sem saber porquê. No meio da mediocridade que pula e avança como bola colorida nas mãos da abastança.
Marques Mendes
O, hoje, irriquieto periquito do PSD enganou muita gente, e a si também. Não se percebeu que muito do prestígio que conseguiu juntar se deveu ao uso, que pareceria inteligente, do silêncio. Metido no meio de uma salgalhada de araras, a sua meia dúzia de centímetros, de aspecto pensante, quando abria o bico emitia o som da ponderação, da palavra com alguma medida.
Puro engano, a parcimónia no verbo talvez se devesse a falta de banco para chegar ao microfone, ou à ocupação de todo o espaço sonoro por parte das araras. Contudo, chegado a presidente das pássaras, nunca mais se calou. E como tem pouco a dizer, por não saber que dizer, repete, repete-se, repete as araras. Começou log a exigir, talvez nem um mês depois de o governo tomar posse - reformas estruturais, reestruturação da Administração Pública e tarefas daquelas de dar graças a Deus se dentro em poucos anos estiverem acabadas.
Depois virou-se para as araras socialistas, de quem copiou o que elas andaram a dizer, durante seis anos, do governoBarroso/Manuela/M.Mendes. E anda agora pela intriga política a fingir que faz política.
Elevou-se assim, em escassos meses, a exemplo acabado de mediocridade confortavelmente instalada. Em todos os centímetros cúbicos do seu escasso volume.
Tony Blair
Blair, na sua ambição de marcar pessoalmente a história, deu a entender com muita frequência que desempenhava um papel importante ao lado de Bush porque era um elemento moderador da gana imperialista de G.W.B.. Mas por palavras travessas, propósitos sugeridos apenas.
Afinal quem travou o presidente dos Estados Unidos foi a realidade. Mostrou-lhe, no concreto, que o seu país não conseguia suportar, sozinho, duas guerras. Como se gabava.
E pô-lo em aflição, mesmo ajudado, só numa. Afeganistão e Iraque estão como estão e Bush, quando se vir, se se vir, livre delas bem pode agradecer o favor ao seu deus privativo.
De certeza que perdeu a vontade se se meter noutra.
Em consequência do que, ao fim e ao cabo, Blair, em vez de se assumir como agente de moderação acabou num vulgar político de copiação. Copiou de Bush as vontades, de olho no aproveitar-se delas, e , agora, já lhe leva as palavras.
Quando, há dias, convocou o mundo para a luta contra a "ideologia do mal" não fez mais que utilizar a divisão da política e dos políticos em dois eixos: o do bem e o do mal, da autoria do chefe da Casa Branca. Pelo menos divulgados por ele.
E copiou tão bem copiado que não conceptualizou. Palavras à toa, lançadas para produzirem efeito sem dizerem nada. O que é isso de "ideologia do mal"? Quais são elas?
A que pôs bombas em Londres ou a que pôs Bagdad a arder?
Isso do bem e do mal, na boca dos políticos, é fala como a dos vendedores de banha da cobra. Que Bagdad e Londres, salvaguardada a distância entre uma enorme desgraça e uma pequena tragédia, foram obra da cobra - ninguém duvida. Por bem ninguém mata indiscriminadamente. Mas isso são coisas fáceis de explicar - desde que se fale em língua de pessoa, o que não acontece com as cobras nem com a mediocridade, política.
As cobras silvam e a mediocridade esmera-se na arte de fugir à verdade. Ou, se se quiser, na capacidade de silvar mentiras.
Feytor Pinto
É um senhor padre simpático. Talvez também do clube do padre Melícias e tudo. Além de simpático julgo-o de cultura avançada, prelados para quem o tempo de Copérnico e da sua mania de que a Terra não era o centro do universo já lá vai. Até o tempo do criacionismo, o tempo da vida ser criada e não matéria evoluindo, também lá vai.
Agora a ciência já fala, abertamente, na´"árvore da vida", na origem comum de tudo o que vive. E os padres cultos não podem, pelo menos não devem, ser indiferentes ao que a ciência diz.
Sem ninguém me ter encomendado o sermão, ouso avançar com a ideia de que, hoje, o grande problema da Igreja é o de descobrir, no espaço e no tempo, um sítio onde meter Deus na carruagem que carrega a vida há uma infinidade de milhões de anos. Daí que pense que os padres da minha simpatia não são alheios, porque cultos e modernos, à incerteza que a "árvore da vida" levanta. E à hipótese de o Deus que houver morar infinitos quilómetros para trás da Bíblia.
Um dos ramos do ramoso jardim de J.J., A declarou, em som para vir nos jornais, que os madeirenses também são segregados, marginalizados e mais coisas dessas - no continente!
Como filho de madeirense, confirmo.
Pelos meus oito anos, passeava eu de bóia pelo Oceano Atlântico, quando um sujeito, a quem chamavam o Semelha, me expropriou o objecto daquele meu consolo infantil.
- Não tem vergonha! O filho de um madeirense metido numa bóia. Suprema segregação. De troda a criançada a banhar-se transcontinentalmente no oceano, eu, por ser filho de madeirense, deveria ter sido, naquele momento, o único obrigado a beber litros de água até pôr o pé em terra.
Água salgada, se bem me lembro.
Segregação Nacional
Mas o tal ramo ramalhal jardínico tem, também, toda a razão num outro sentido: o político.
É que é evidente a segregação de se sujeitar a população da Madeira a um patronato do calibre de JJ,A.
A Ilha, a patriótica terra dos muitos patriotas de que fala a história, bem merecia mais respeito da democracia.
Quer dizer: dos democratas continentais que têm a obrigação, CONSTITUCIONAL, de fazer com que a democracia funcione em todo o Portugal. Também na Madeira, portanto.
Mas não fazem. Tiraram a bóia à Ilha e deixaram-na a boiar no meio do Atlântico como se uma criança que cometeu o crime de ser filha de madeirense.
sexta-feira, julho 22, 2005
HOJE HÁ ÍNCÊNDIOS
À falta de melhor começou a servir, também, para contestação política, para suspeitar de interesses suspeitos, das madeiras queimadas aos aviões de combate às chamas. Cada governo novo trazia mais meia dúzia de bombeiros, seis postos de vigilância e uma grande fé em novos aviões. Algumas cabeças tiveram de rolar, outras foram e vieram. E tudo continou como dantes.
Nenhum governo assume ou assumiu a responsabilidade de agora ou a irresponsabilidade do antes. À vez, a oposição acusa o poder, numa cadência de alcatruzes da nora.
Mas há, de facto tem havido, responsabilidade de quem governa, responsabilidade da administração pública, sobretudo por falta de combate eficaz às causas que provocam e alimentam os incêndios. E, curiosamente, agora que estamos à beira de eleições autárquicas, convirá lembrar o desleixo que as câmaras do país mostram pelo estado das matas e terrenos baldios dos seus concelhos.
Portugal não é um país agrícola. Será, quanto muito, um país com alguma agricultura e muita, muita terra praticamente ao abandono, autênticas lixeiras de combustão fácil.Por si mesmo, os pinhais ou eucaliptais já são uma espécie de risco, cuja exploração não envolve, como devia, cuidados adequados e obrigatórios, geridos quase como ao abandono e com a mesma margem de risco. As autarquias não ignoram esta realidade, mas têm dificuldade em combatê-la, tanto mais que o Estado não as força a agir.
Sabemos todos que nos outros países onde a lei é mais drástica e a responsabilidade mais distribuida, os incêndios não acabaram. Pois, não. Mas abrandaram. Por todo o lado há doidos
incendiários, mas, noutros lados, têm menos facilidades e, provavelmente, mais severa punição, o que também contribui para diminuir os atentados à Natureza. E temos ainda uma motivação extra para nos dispormos a ajudar a Natureza: debelamos a seca...
quinta-feira, julho 21, 2005
A noite
quarta-feira, julho 20, 2005
LIBERDADE TINGIDA
Sendo certo que como liberdade de imprensa se entende a de toda a Comunicação Social, a interrogação é alargada na mesma medida.
Subentende-se que sejam liberdades comuns e óbvias: expressar opinião, criticar as opiniões alheias, recusar limitações a estes princípios e denunciar as violações dos direitos de cidadania.
Não deixa, por isso, de ser curioso que o DN, de hoje, surja a relembrar acontecimentos do Verão de 75, que envolveram a rebelião dos tipógrafos do «República» e do envolvimento do PS, que acusou o PCP de assalto ao jornal.
Os factos descritos dão bem a imagem da situação confusa que se vivia nesses tempos acalorados e se, por um lado, deixam sobressair o dr. Mário Soares, por outro, a avaliar pela súmula, deixam algumas interrogações sobre a responsabilidade dos comunistas de Álvaro Cunhal e isso apesar do DN, ele próprio à época, estar sob tutela comunista e após a «lavagem» da redacção. Como também não se faz com clareza a revelação de que o vespertino, que foi um símbolo de resistência ao fascismo, era de facto e de modo claro pró-PS.
À distância, ainda hoje estou em crer, que ao acabar como acabou, o «República» salvou-se da desdita de se ver reduzido a orgão partidário.
Quem melhor emergiu de todo o processo foi o dr. Mário Soares. E a Esquerda começou aí a perder. O que perdeu a Esquerda não foi o ser de esquerda, mas o estar tão ferozmente dividida.
Soares deu ânimo aos silenciados à direita das esquerdas e foi assim que, de repente, PS engrossou de democratas, digamos assim. O «República» não voltou. A gestão do DN seria entregue ao PS, não se esqueçam! E a do «Século» ao PSD.
Mesmo com Manuel Alegre a afiançar que o «Século» não podia acabar, o jornal lisboeta encerrou. Mandava quem podia e quem podia mandar refugiava-se na legitimidade democrática.
Quando chegou a sua vez, Cavaco vendeu os jornais e as rádios e abriu as mãos à televisões privadas.
É este DN que também hoje levanta dúvidas sobre a estabilidade do partido no poder. Num texto de opinião, António Peres Metelo critica o ministro das Finanças, para insinuar algumas desavenças no seio do governo. Seja como for, é um texto de opinião. O mesmo não acontece com a chamada de primeira página para a entrevista com Freitas do Amaral, a inserir amanhã, muito mais terra a terra no desígnio de publicitar algum mau estar nos corredores do governo. De Luanda o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou abusiva e vergonhosa a «habilidade» nas escolha de termos usados na entrevista, mas colocados fora do contexto.
Será que o matutino regressa ao envolvimento activo, não direi político, mas porventura económico?...
Casa de Doidos
terça-feira, julho 19, 2005
LER JORNAIS É SABER MAIS
Li sôfrego, mas aquilo não era notícia. Era um comentário desastroso e não revelava rigorosamente nada. A notícia era da véspera e na véspera os jornais da tarde tinham feito sucessivas edições. Na manhã seguinte o DN comentava na primeira página e remetia para o interior o relato dos acontecimentos. Fiquei pior que estragado e jurei não voltar a comprar o pasquim.
Nem percebi se o articulista era estúpido, vaidoso ou se estava a rebolar de gozo. Não dava para entender. Se bem que um pequeno pormenor me chamou a atenção: «que dura e terrível lição para o moço príncipe que hoje começa tão imprevista e abruptamente o seu reinado! Oxalá o destino lhe seja mais favorável e os fados lhe corram mais propícios! Nada porém ajudará melhor a cumprir a altíssima missão em que subitamente se vê investido, do que o amor entranhado pelo seu povo e o respeito escrupuloso pela lei e pela liberdade».
Eram outros tempos. Os «assumptos» tinham outra importância. Ainda não se praticava a semana inglesa. Podia já ser um atentado suicida. Podia ter sido no Terreiro do Paço, depois do almoço do pistoleiro no Rossio. A tempo dos jornais da tarde darem a notícia, com grã cópia de
pormenores. No DN, neste, nada. Nada sobre o local, a causa, as horas, nem o como, nem o porquê, nem o quem.
Foi chato. Uma coisa é ter dado a matéria na escola, ter lido versões sobre a maquinação de eventual seita radical, outra o gozo de ler a notícia, nas páginas que tenho andado a ver desde 1864. O tempo passa a correr. Ainda me parecia que tinha começado no mês passado e já íamos em 1908, no segundo dia de Fevereiro, imediato ao regicídio. Perdi a fé no que me vão dar a ler daqui a «dois anos», em Outubro...
Hoje fingi que estava distraído e comprei o DN! E não é que era já do 5 de Outubro que se falava, na edição de 6 de Outubro de 1910. Sim, senhor, o país tinha sido «libertado»! Às onze da manhã
fora proclamada a República, na sala nobre dos paços do município. Cinco gravuras tipo passe mostravam o Dr. Joaquim Theóphilo Braga, que presidia ao governo. Como de frescos que eram
ainda não tinham complexos e anunciaram como ministro do Interior, o 2º da lista, o Dr. António José d'Almeida, cuja imagem evidenciava um homem determinado, de testa alta, bigode de pontas retorcidas e pera discreta. O Dr. Affonso Costa. Não, não era gago, eles é que escreviam assim mesmo e hoje nem sei se era forma gramatical ou pedantismo neo-modernista. Seja como for passou a ser ministro da Justiça. Para a Fazenda foi Bazílio Telles, que pelos vistos não era Doutor! Para a Guerra (dizia-se assim) António Xavier Correia Barreto, também sem Dr., o qual devia ser um teso e de família discreta, porque não tinha nenhuma letra a mais no nome, nem consoante nos apelidos!
Outro nome plebeu, sem ornamentos ortográficos, foi nomeado para outra pasta bélica, a da Marinha, era ele Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Para as Necessidades foi (deve ter ido se o ministério já fosse ali) outro ilustre Doutor, Bernardino Luiz Machado Guimarães. Outro Luiz, com zê, com Doutor e tudo, foi para as Obras Públicas e era ele um tal António Luiz Gomes.
Enquanto isso, o sr. governador Civil anunciava que «Ordem e trabalho» era a divisa da Pátria
(trabalho aparece com minúscula e vá lá saber-se porquê!) libertada pela República, enquanto «Pátria e Liberdade» surge como lema...
"Depois da proclamação sentiu-se como que um uníssono grito de entusiasmo".Oito séculos de monarquia tinham-se evaporado. O governo provisório da República saudava as praças de terra e mar que «como o Povo instituia a República, para felicidade da Pátria e confiada no patriotismo de todos»...
Onde é que eu já vi este filme?
Com alguma sorte, talvez, este fim de semana já devemos poder assistir à primeira Grande Guerra, a que se deve seguir o 28 de Maio, tão aguardado!
Mas seja como for é pena que o DN não tenha elaborado uns cadernos especiais, sobre determinadas matérias, apenas com informação noticiosa da época, com base no sumo das notícias, incluidos no jornal ou pagos à parte. Na manhã de 5 de Outurbro o DN pôs na rua pelo menos 4 edições especiais.O «filme» da queda da monarquia, visto à distância, teria sido um sucesso editorial. Retive no matutino de 2 de Fevereiro de 1908, que ia haver um jogo de futebol no campo de Sporting, ao Lumiar!
Numa infelizmente curta visita à Expo do DN, em Belém, pasmei com a viagem ao passado e sobressaltei-me pelo impacte que me causou as referências sobre a implantação do Caminho de Ferro no nosso País. Foi uma obra notável, bem diferente do que viria a ser o parque subterrâneo do Camões, um exemplo exemplar de como não se faz uma obra...
domingo, julho 17, 2005
Jornal "África"
Os apanha-bolas
sexta-feira, julho 15, 2005
FEIOS,PORCOS E MAUS
Mesmo assim, eu pasmo. Que mais posso eu fazer, que não seja pasmar e resmungar? 'Tá tudo na mesma, sistematicamente na mesma! Mas este tudo engloba muita coisa e muita gente.
Começa na condescendência: "ele são assim"! pois é, eles são o que são, seja lá isso o que for, pois são, mas desde que se estabeleça que é gente que não interessa ao futebol, ou então é todo o futebol que não presta e alguns senhores da Costa e quejandos pintos são piores. Beras, muito beras, são os que mandam, e se dão ao luxo de mandar ficar tudo na mesma. Fico com a noção de que eu é que sou parvo.
E só agora é que descobriste?, pergunto-me a mim próprio, a lembrar-se que já há muito que devia saber que não adianta. Sei, claro que sei, mas sempre apetece chamar a atenção, porque é realmente premente chamar a atenção: eles são o que são, porque os deixam ser. E se os que deixam deixaram é porque ou são muito distraídos ou são da mesma cepa!
Em boa e honesta verdade o senhor Pinto foi escutado e o senhor Loureiro foi - oh! lá se foi! -muito escutado, e em diversdas vertentes. O advogado do senhor Pinto descobriu - e é para isso que ele é advogado! - que as escutas não deviam ter sido escutadas, por mais isto e mais aquilo,
logo o senhor Pinto e outros pintos e outros loureiros ficaram libertos de coacção limitativa.
Mas uma coisa é a Justiça e o competente Poder Judicial, repletos de princípios democráticos, e outra, diferente, a realidade dos factos. Eles foram escutados e o teor das conversas denunciado.
As leis do futebol são diferentes da rebaldaria da instrução de processos judiciais, o meio mais adequado que se conhece para deixar andar.
Não há como fugir da realidade. Se Salazar fosse vivo diria que no futebol o que parece é! Pior: eles sabem que nós sabemos, e que os da FIFA também sabem. E nós sabemos que eles sabem que nós sabemos. Também é verdaqde que em geral sabemos perfeitamente ser parvos, mas nem sempre.
A verdade no futebol tem que ser muito parecida ou então o caldo entorna-se. Mas como é que se pode acreditar no mundo da bola, se não há um - um só que seja!- que se levante e aponte: o rei vai nu...
Também, com este calor, que mal faz...