Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Viagem - O preço de uma Igreja
Na Polónia, em Milowka, encontrei uma família bem simpática. Um dos filhos, o " Kuba", resolveu levar-nos a visitar em apenas um dia, o que turistas de consulta de mapas, levariam dois ou três. Os Montes Tatry, um local que, seguramente, levou os homens a inventar um deus omnipotente foi um dos pontos do itinerárioA paixão do "Kuba" pelas montanhas é uma permanente oração. Tem 24 anos e um amor profundo à sua terra, mas estas montantas, cuja maior extensão fica situada na Eslováquia, são a sua grande paixão. Durante alguns anos fez ski profissional, mas agora limita-se a ensinar e a participar em competições amadoras.Fizémos o percurso até ao topo no telesférico mais velho do Mundo, com mais de sessenta anos. Há vinte anos que as autoridades locais querem mudar o sistema, mas as populações não deixam - adoram a tradição.Fiquei a saber que a patente dos telesférico é polaca.No restaurante do topo da montanha, cheio de gente desejosa de chás, cafés e sopas, conseguimos "seduzir" as empregadas da cozinha, que ultrapassaram o sistema para nos servirem. Foi divertido.No regresso, "Kuba" queria mostrar-nos Levoca (Levotcha). Queria porque queria. Ele tinha a certeza de que iríamos gostar.Condutor exímio, participa em ralies, procurou as melhores estradas, levou-nos serpenteando montanha abaixo e chegámos a Levotcha, uma cidade património mundial, ao fim da tarde. O padre rezava a última missa daquele domingo. Entrámos, a Igreja estava repleta e os fiéis seguiam com devoção, vestidos a preceito com os seus fatos domingueiros, a liturgia da consagração, curvando-se ao som de um sino que alguém agitava.Foi como surpreender a intimidade de alguém. Recuámos para esperar pelo fim da missa, porque, num golpe de vista, percebemos estarmos perante uma grande maravilha que os tempos foram construíndo.Acabou a missa, entrámos na Igreja, mas as luzes já estavam a ser apagadas. Uma desolação. Com o "Kuba" a servir de intérprete, tentámos convencer o padre a ligar de novo o sistema eléctrico. Apareceu uma senhora vestida de freira. Alta, de olhar incisivo. Que não! Nem o padre, figura estranha, quase desaparecido dentro de uma batina preta e de sorriso constrangido, conseguiu demover a "dona" da Igreja.Mas o "Kuba" não desistiu e foi demonstrando os seus dotes de diplomata persistente. Usou todos os argumentos: "que vínhamos de Portugal, Fátima, que tínhamos feito uma longa viagem só para ver a catedral de Levotcha ( a verdade é que só naquele dia, com o "Kuba" ao volante tínhamos passado quatro vezes a fronteira da Eslováquia).A senhora resistia, mas, devagar, com inteligência, foi conduzida à armadilha: queria vinte euros. Vinte! exclamou "Kuba"! Ainda se fossem dez... Aceitou, e quando se viu com a nota de dez euros na mão, a senhora olhou para ela com o ar de quem se estava a certificar de que era verdadeira e, sobretudo, de que o negócio era real.Acenderam-se as luzes e ficámos perante um espectáculo incrível. Até já pudemos tirar fotografias...embora discretamente.( Eu já tinha introduzido na caixa das esmolas que continuam a existir nas igrejas uma moeda de um euro)Levotcha tem outros encantos, nomeadamente uma grande harmonia urbanística e arquitectónica. É uma cidade com mais de sete séculos de existência e ali respira-se tranquilidade.Não sei se algum dia voltarei,mas a vontade ficou.No regresso a Milowka, "Kuba", cujo nome real é Yakub, fez uma demonstração cabal das suas qualidades de condutor. Há já alguns anos que não tinha aquela sensação de que alguém dominava na perfeição uma máquina. Foi um dia de grandes sensações e de alguns momentos de humor, como, por exemplo, aquele em que um polícia fronteiriço polaco olhava para os cinco documentos de identificação, quatro portugueses, bilhetes de Identidade, e um passaporte polaco, para a matrícula do carro austríaco, sem perceber nada daquilo. Tinha o ar de quem se tinha acabado de levantar e não sabia se estava a sonhar: dois dos BI's eram de duas senhoras muito parecidas (irmãs) e com nomes parecidos. Desistiu (positivivamente) e resolveu voltar para a cama, dormir.
segunda-feira, agosto 08, 2005
DEFORMAÇÃO
O que é óbvio acaba sempre por surgir à tona. Ontem, no Telejornal, colocaram ao ministro António Costa as mesmas questões, aqui levantadas umas horas antes. Tanto no que toca à limpeza das matas, ao que o ministro lembrou que já existe legislação, mas a insistência de José Rodrigues dos Santos levou o ministro a gaguejar sobre quem e como se deve multar. A isso já aqui se adiantava a resposta: próximo de eleições, os autarcas não multam, não ameaçam, não chateiam.
Em relação ao destino dado aos incendiários, aí o ministro sentiu-se mais à-vontade para desviar a atenção para os magistrados, que, segundo ele, deveriam ser mais severos nas medidas de coacção.
Os magistrados não gostaram. Consideram uma intromissão no seu domínio. E produziram mesma uma sentença: a coacção aos incendiários será igual à aplicada aos restantes crimes. Um caso claro de deformação profissional. Desagradados com o projecto do governo de poder punir os magistrados nos casos de erro grosseiro, os juizes aceitam mal todas as críticas e exorbitam nos seus direitos.
Mas não é pelo governo perder o sentido da realidade, que os magistrados se podem arrogar todos os direitos e nenhuma responsabilidade. Se o governo receia ter de pagar pelos erros
judiciais, faça um seguro, mas não intimide quem tem a difícil tarefa de julgar. Mas, o contrário, também deve ser aceite e entendido. Os magistrados têm de estar à altura do dever e de cumprir com zelo a sua tarefa. Nos casos em que as decisões revelam os tais erros grosseiros, ou outras fragilidades inaceitáveis, não se pode, nem deve, multar o magistrado, mas sim, fazer o que se faz, nas mesmas condições, em qualquer outro tipo de profissão, demitir, dispensar, despedir, livrar-se dele. Se não dá provas de competência, que mude de profissão. Não é premente nem forçoso que o exercício da magistratura seja uma reforma vitalícia. Que seja, isso si, uma função delicada e com elevado índice de competência. Se um presidente da CGD pode ser despedido, sem justa causa aparente, porque é que o um juiz desatento não pode ser mandado para casa?
O ministro António Costa tentou pôr água na fervura, mas esteve longe de apagar o fogo. Neste inferno de chamas o governo (os governos) fazem preces e esperam pelo Inverno, por enquantoa melhor, senão a única, solução. O pior é a seca, que vai alastrando...
Em relação ao destino dado aos incendiários, aí o ministro sentiu-se mais à-vontade para desviar a atenção para os magistrados, que, segundo ele, deveriam ser mais severos nas medidas de coacção.
Os magistrados não gostaram. Consideram uma intromissão no seu domínio. E produziram mesma uma sentença: a coacção aos incendiários será igual à aplicada aos restantes crimes. Um caso claro de deformação profissional. Desagradados com o projecto do governo de poder punir os magistrados nos casos de erro grosseiro, os juizes aceitam mal todas as críticas e exorbitam nos seus direitos.
Mas não é pelo governo perder o sentido da realidade, que os magistrados se podem arrogar todos os direitos e nenhuma responsabilidade. Se o governo receia ter de pagar pelos erros
judiciais, faça um seguro, mas não intimide quem tem a difícil tarefa de julgar. Mas, o contrário, também deve ser aceite e entendido. Os magistrados têm de estar à altura do dever e de cumprir com zelo a sua tarefa. Nos casos em que as decisões revelam os tais erros grosseiros, ou outras fragilidades inaceitáveis, não se pode, nem deve, multar o magistrado, mas sim, fazer o que se faz, nas mesmas condições, em qualquer outro tipo de profissão, demitir, dispensar, despedir, livrar-se dele. Se não dá provas de competência, que mude de profissão. Não é premente nem forçoso que o exercício da magistratura seja uma reforma vitalícia. Que seja, isso si, uma função delicada e com elevado índice de competência. Se um presidente da CGD pode ser despedido, sem justa causa aparente, porque é que o um juiz desatento não pode ser mandado para casa?
O ministro António Costa tentou pôr água na fervura, mas esteve longe de apagar o fogo. Neste inferno de chamas o governo (os governos) fazem preces e esperam pelo Inverno, por enquantoa melhor, senão a única, solução. O pior é a seca, que vai alastrando...
TUDO BEM, HABITUEM-SE
Como dantes, quartel general em Abrantes. Mais fogo menos fogo. Antigamente a revista à portuguesa já era assim. Os que podem vão de férias, os outros ficam e sofrem as consequências. Pior que isso ficam com a televisão que resta. Não são só os helicopteiros que ganham, também as televisões ficam cheias e consomem até à exaustão. Os políticos distribuem o mal pelas aldeias, como o fogo. Medem-se percentagens e contam-se cadáveres.
De coisas concretas pouco ou nada se sabe. a CS dá conta que já foram identificados uns 70
incendiários, alguns dos quais suspeitos entre alguns confessos. Acrescenta a informação que o ano passado esse número foi superior.
Mas não se dá conta do efeito de repressão. Vê-se mais fogo, creio que se vê demais. Nada se sabe do que acontece aos incendiários, indiciados por fogo posto. Se alguma cara devia ser exibida na TV era a dessa gente, por muito doente que seja. Não se trata de violar direitos, mas
de defender a tranquilidade pública. O fogo posto é uma forma de terrorismo. Afectar a floresta corresponde a lesar a saúde pública e a pôr em risco a vida e os bens dos cidadãos e da comunidade. O governo procura tapar o fogo com a peneira, mas este, o mais recente, tem sido como os anteriores, limita-se a pôr água na fervura e nem em toda, porque algumas bocas de incêndio não passam de decoração.
Não se culpe o governo pela explosão incendiária, mas pela falta de prevenção. Os bombeiros voluntários não serão mais abnegados que outros, mas merecem um reconhecimento especial.
E volto a trás. Pouco ou nada se sabe do que aconteceu a 80 detidos o ano passado, por suspeita
de fogo posto. Não há referência a julgamento nem para os alegados criminosos, nem para os eventuais doentes do foro psiquico, nem que medidas efectivas são ou foram tomadas. O pouco que foi referido é preocupante: um confesso incendiário dos últimos dias já tinha cadastro na matéria.
Falou-se que algumas bocas de incêndio não dispunham de água, mas não é tempo de criticar os autarcas, quando há eleições no horizonte. Nem os autarcas estão em tempo de admitir que pouco ou nada fazem para limpar as matas. Em período eleitoral, os autarcas são como os carros sem gasolina: não andam, não exigem respeito, não fazem ondas, quer seja nas matas, quer nas pecuárias. Mas o que é que se pode esperar se o ministro-mór de serviço se limitou a dizer-nos, com bons modos, é verdade, não chateiem. Aguentem. Só faltou o outro para dizer:habituem-se..
De coisas concretas pouco ou nada se sabe. a CS dá conta que já foram identificados uns 70
incendiários, alguns dos quais suspeitos entre alguns confessos. Acrescenta a informação que o ano passado esse número foi superior.
Mas não se dá conta do efeito de repressão. Vê-se mais fogo, creio que se vê demais. Nada se sabe do que acontece aos incendiários, indiciados por fogo posto. Se alguma cara devia ser exibida na TV era a dessa gente, por muito doente que seja. Não se trata de violar direitos, mas
de defender a tranquilidade pública. O fogo posto é uma forma de terrorismo. Afectar a floresta corresponde a lesar a saúde pública e a pôr em risco a vida e os bens dos cidadãos e da comunidade. O governo procura tapar o fogo com a peneira, mas este, o mais recente, tem sido como os anteriores, limita-se a pôr água na fervura e nem em toda, porque algumas bocas de incêndio não passam de decoração.
Não se culpe o governo pela explosão incendiária, mas pela falta de prevenção. Os bombeiros voluntários não serão mais abnegados que outros, mas merecem um reconhecimento especial.
E volto a trás. Pouco ou nada se sabe do que aconteceu a 80 detidos o ano passado, por suspeita
de fogo posto. Não há referência a julgamento nem para os alegados criminosos, nem para os eventuais doentes do foro psiquico, nem que medidas efectivas são ou foram tomadas. O pouco que foi referido é preocupante: um confesso incendiário dos últimos dias já tinha cadastro na matéria.
Falou-se que algumas bocas de incêndio não dispunham de água, mas não é tempo de criticar os autarcas, quando há eleições no horizonte. Nem os autarcas estão em tempo de admitir que pouco ou nada fazem para limpar as matas. Em período eleitoral, os autarcas são como os carros sem gasolina: não andam, não exigem respeito, não fazem ondas, quer seja nas matas, quer nas pecuárias. Mas o que é que se pode esperar se o ministro-mór de serviço se limitou a dizer-nos, com bons modos, é verdade, não chateiem. Aguentem. Só faltou o outro para dizer:habituem-se..
domingo, agosto 07, 2005
Auschwitz
Auschwitz.Não percebo. Não aceito. Não quis ver. Não aguentei. A crueldade não faz parte do meu imaginário, mas a proximidade deste cenário adivinhado perturbou-me. A necessidade de manter viva a memória deste horror terá que implicar esta romaria turística?
Já não sabemos viver sem consumir. O convite à reflexão não chegaria?
Já não sabemos viver sem consumir. O convite à reflexão não chegaria?
Viagem - Polónia
Estou numa aldeia polaca, na fronteira com a Eslováquia ( os polícias da fronteira têm sempre um ar fasccista, estes fazem lembrar os maus dos filmes americanos. Olham para os BI's com ar entendidos, isto é, com a esperança de encontrarem uma conspiraçãozita. Mas, nada, Nada que nos faça deter. Lá ficam para trás, tristes no seu triste papel.
Está frio, para trás ficou um belo e sereno Sol, filtrado pelas neblinas da montanha que se aproxima. A terra chama-se Milówka, lê-se miluvfka e a gente é simpática. O sítio é a meio da montanha. Respira-se o ambiente especial de quem rvive na altitude. À noite, no restaurante, há gargalhadas. Mulheres descontraídas, como vai sendo hábito, vivem melhor frente aos copos. Eles recolhem-se, são tímidos. Será que o Mundo vai mudar?
A cerveja polaca é boa, mas a checa é melhor. Todavia, na Polónia servem copos de litro. Perguntam-me se quero um. Amanhã experimento, digo. Com o fresco que faz, o litro não corre o risco de aquecer.
As notícias de Portugal que me chegam via SMS ( a vida está cara e a Net por aqui ainda é produto raro) são assustadoras. O país está a arder... fico espantado: mas, afinal, ainda há país para arder?
Quando é que aparece alguém a pensar certo? O combate aos fogos tem que ser feito pela Força Aérea. Equipe-se a gente da guerra e eliminem-se as diversas empresas que ganham por cada hora no ar o dinheiro suficiente para uma operação de combate a um grande incêndio.
Para quê pensar nisso?
Agora que estou fora, basta colocar um muro à volta do país e aquilo fica um manicómio.
Está frio, para trás ficou um belo e sereno Sol, filtrado pelas neblinas da montanha que se aproxima. A terra chama-se Milówka, lê-se miluvfka e a gente é simpática. O sítio é a meio da montanha. Respira-se o ambiente especial de quem rvive na altitude. À noite, no restaurante, há gargalhadas. Mulheres descontraídas, como vai sendo hábito, vivem melhor frente aos copos. Eles recolhem-se, são tímidos. Será que o Mundo vai mudar?
A cerveja polaca é boa, mas a checa é melhor. Todavia, na Polónia servem copos de litro. Perguntam-me se quero um. Amanhã experimento, digo. Com o fresco que faz, o litro não corre o risco de aquecer.
As notícias de Portugal que me chegam via SMS ( a vida está cara e a Net por aqui ainda é produto raro) são assustadoras. O país está a arder... fico espantado: mas, afinal, ainda há país para arder?
Quando é que aparece alguém a pensar certo? O combate aos fogos tem que ser feito pela Força Aérea. Equipe-se a gente da guerra e eliminem-se as diversas empresas que ganham por cada hora no ar o dinheiro suficiente para uma operação de combate a um grande incêndio.
Para quê pensar nisso?
Agora que estou fora, basta colocar um muro à volta do país e aquilo fica um manicómio.
Viagem - o batedor
Para quem se habituou a ouvir apenas falar da República Checa como um apêndice do império dos outros tem que ficar admirado. Descobrir em pequenas aldeias patrimónios que falam da verdadeira História da Europa, daquela que enche a cabeça de todos os que julgam ter inventado o Mundo, dá que falar.
Muito mais ainda se os checos descobrirem - e aposto que sim - como se explora o Turismo. Em Dacice, por exemplo, o castelo, que tem objectos de grande valor, faz visitas guiadas de hora a hora, com guias simpáticas - belos sorrissos - mas que falam apenas checo. É uma estopada,mas mesmo assim, por causa do sorriso e das estórias que se descobrem, vale a pena.
Telc - património mundial - tem uma praça resplandecente, em que as casas são todas resguardadas por frontarias lindíssimas: Mas não tem mais nada. Se não se tiver informação coveniente, passa-se por lá como se por mais uma aldeia de camponeses, preocupados com as colheitas do trigo, das papoilas e da cevada.
Cesky Krumlov: um rio a serpentear, uma arquitectura e um urbanismo únicos, outra cidade classificada, é ainda mais atraente que Praga. Tem gente de todo o lado da República Checa, alguns austríacos, alemães e, provavelmente holandeses. Pela primeira vez numa viagem deste tipo, não ouvi uma palavra em português. Um dia destes vira moda e já não se pode andar por aqui.
Ah! os italianos, sempre aparecem: eram os únicos que destoavam na visita à exposição de Alfons Mucha, em Moravsky Krumlov: vinte quadros gigantes a narrar a história dos eslavos,da formação da pátria Checa e do movimento religioso hussita.
Do ponto de vista do aproveitamento daquele enorme potencial turístico, o mesmo disparate: fecham ao meio dia, abrem às 13 e fazem visitas guiadas, com gente que fala, fala e sorri, mas ninguém entende, exceptuando, claro,os checos, que, neste caso, ainda são - ou parecem - o maior número.
A paragem para ver Mucha, os heróicos e também as gravuras publicitárias da sua época parisiense, perturbou a chegada a Brno, para onde estava marcada uma visita para as 16 horas locais, à Villa Tugendhat, uma maravilha da arquitectura dos anos trinta, macerada e ocupada pelos nazis e pelos comunistas.
Está agora em recuperação e a cerca de uma hora que se passa ali vale bem a estopada de ouvir um cavalheiro a falar, a falar para apenas 15 pessoas sem que nenhuma delas perceba uma palavra.
E, depois, quem quiser comprar o que quer que seja tem que pagar em cash e o mais próximo multibanco fica uns quantos quarteirões abaixo.
Ma,, enfim, a propósito de Tugendhat vale a pena contar a estória da chegada.
Bron é a segunda cidade checa - enorme e não tão bem organizada como Praga. Descobrir a zona de residências senhoriais onde habitaram e devem habitar as elites de vários regimes - uns de ocupação outros não - assim, sem mais nem menos,com hora marcada, não é coisa fácil. Olham-se os mapas, pergunta-se, mas as respostas nem sempre são fáceis. A comunicação consegue-se mais por gestos. Inglês, francês, nada, e o nosso alemão está esquecido (eu acho que só os alemães se lembram, a sério, dele) . O relógio não pára e aquela visita tinha sido marcada desde Lisboa.
De repente, à nossa frente pára um carro da polícia, num semáforo, a co-piloto da viagem sái mais uma vez do carro e corre para a viatura da autoridade, aponta-lhe o mapa e o homem, sem dizer uma palavra que se perceba, faz sinal para que o seguíssemnos. Um pouco mais à frente volta a parar e - sentiu-se - resolveu levar-nos ao destino.
De facto, concluímos, depois de lá chegar, que sem batedor jamais conseguiriamos chegar às 16 em ponto.
Altura em que quatro espanhóis estavam já a ocupar os nossos lugares para visitar Tugengdhat. Um deles ainda gemeu: ..." mas somos espanhóis, vimos aqui apenas uma vez na vida..." Ao que respondemos: " ... nós somos portugueses provavelmente esta é a única viagem que aqui fazemos, temos esta visita marcada desde Lisboa e o relógio marca 16 em ponto".
Foi um gozo particular? A visita foi, a chegada com polícia, tudo isso, sim, dá para recordar com agrado. A exclusão dos espanhóis achamos um disparate. Continua a ser o sistema fechado a impôr regras que só os chefes percebem, porque só a eles dá a satisfação de um poder assumido. Além disso, as dificuldades de recuperação da vivenda são visíveis...
Os checos hão-de aprender e estes relíquias, gora são difíceis de apreciar, hão-de ser vistas por multidões.
Nessa altura será tudo muito mais caro, mas quem cedo amanhece...
Muito mais ainda se os checos descobrirem - e aposto que sim - como se explora o Turismo. Em Dacice, por exemplo, o castelo, que tem objectos de grande valor, faz visitas guiadas de hora a hora, com guias simpáticas - belos sorrissos - mas que falam apenas checo. É uma estopada,mas mesmo assim, por causa do sorriso e das estórias que se descobrem, vale a pena.
Telc - património mundial - tem uma praça resplandecente, em que as casas são todas resguardadas por frontarias lindíssimas: Mas não tem mais nada. Se não se tiver informação coveniente, passa-se por lá como se por mais uma aldeia de camponeses, preocupados com as colheitas do trigo, das papoilas e da cevada.
Cesky Krumlov: um rio a serpentear, uma arquitectura e um urbanismo únicos, outra cidade classificada, é ainda mais atraente que Praga. Tem gente de todo o lado da República Checa, alguns austríacos, alemães e, provavelmente holandeses. Pela primeira vez numa viagem deste tipo, não ouvi uma palavra em português. Um dia destes vira moda e já não se pode andar por aqui.
Ah! os italianos, sempre aparecem: eram os únicos que destoavam na visita à exposição de Alfons Mucha, em Moravsky Krumlov: vinte quadros gigantes a narrar a história dos eslavos,da formação da pátria Checa e do movimento religioso hussita.
Do ponto de vista do aproveitamento daquele enorme potencial turístico, o mesmo disparate: fecham ao meio dia, abrem às 13 e fazem visitas guiadas, com gente que fala, fala e sorri, mas ninguém entende, exceptuando, claro,os checos, que, neste caso, ainda são - ou parecem - o maior número.
A paragem para ver Mucha, os heróicos e também as gravuras publicitárias da sua época parisiense, perturbou a chegada a Brno, para onde estava marcada uma visita para as 16 horas locais, à Villa Tugendhat, uma maravilha da arquitectura dos anos trinta, macerada e ocupada pelos nazis e pelos comunistas.
Está agora em recuperação e a cerca de uma hora que se passa ali vale bem a estopada de ouvir um cavalheiro a falar, a falar para apenas 15 pessoas sem que nenhuma delas perceba uma palavra.
E, depois, quem quiser comprar o que quer que seja tem que pagar em cash e o mais próximo multibanco fica uns quantos quarteirões abaixo.
Ma,, enfim, a propósito de Tugendhat vale a pena contar a estória da chegada.
Bron é a segunda cidade checa - enorme e não tão bem organizada como Praga. Descobrir a zona de residências senhoriais onde habitaram e devem habitar as elites de vários regimes - uns de ocupação outros não - assim, sem mais nem menos,com hora marcada, não é coisa fácil. Olham-se os mapas, pergunta-se, mas as respostas nem sempre são fáceis. A comunicação consegue-se mais por gestos. Inglês, francês, nada, e o nosso alemão está esquecido (eu acho que só os alemães se lembram, a sério, dele) . O relógio não pára e aquela visita tinha sido marcada desde Lisboa.
De repente, à nossa frente pára um carro da polícia, num semáforo, a co-piloto da viagem sái mais uma vez do carro e corre para a viatura da autoridade, aponta-lhe o mapa e o homem, sem dizer uma palavra que se perceba, faz sinal para que o seguíssemnos. Um pouco mais à frente volta a parar e - sentiu-se - resolveu levar-nos ao destino.
De facto, concluímos, depois de lá chegar, que sem batedor jamais conseguiriamos chegar às 16 em ponto.
Altura em que quatro espanhóis estavam já a ocupar os nossos lugares para visitar Tugengdhat. Um deles ainda gemeu: ..." mas somos espanhóis, vimos aqui apenas uma vez na vida..." Ao que respondemos: " ... nós somos portugueses provavelmente esta é a única viagem que aqui fazemos, temos esta visita marcada desde Lisboa e o relógio marca 16 em ponto".
Foi um gozo particular? A visita foi, a chegada com polícia, tudo isso, sim, dá para recordar com agrado. A exclusão dos espanhóis achamos um disparate. Continua a ser o sistema fechado a impôr regras que só os chefes percebem, porque só a eles dá a satisfação de um poder assumido. Além disso, as dificuldades de recuperação da vivenda são visíveis...
Os checos hão-de aprender e estes relíquias, gora são difíceis de apreciar, hão-de ser vistas por multidões.
Nessa altura será tudo muito mais caro, mas quem cedo amanhece...
Viagem - as malas
É simpático reconhecer competências, dedicação, eficácia num serviço público. Já falei da Austrain Airlines bastante diferente das suas congéneres europeias, a atravessar crises miserabilistas insuportáveis. Pois, a Austrain, não apenas serve refeições a bordo com alguma dignidade, como,depois, à chegada, tem um serviço de assistência impecável.
Chegado a Viena no dia 1 de Agosto, a caminho da República Checa dei por falta de duas malas. Rapidamente soube o destino das transviadas: Barcelona. Que me seriam entregues no dia seguinte, ao fim do dia, no hotel para onde seguiria viagem.
Assim aconteceu: ainda não eram 18 horas locais do dia 2, quando o pessoal da companhia austríaca apareceu em Daceci a entregar as malas.
Daceci fica mais de 150 Kms de Viena e é noutro país. Estou mesmo a imaginar uma companhia portuguesa a prometer e cumprir entregar duas malas numa espécie de aldeia que nem no mapa vem, em Espanha...
Claro que para chegarem tão rápido não devem ter parado na espécie de paraíso do sexo que os checos plantaram à entrada da sua república, ali, disponível, de forma óbvia para quem atravessa a fronteira entre os dois países em Haugsat.
O comércio até chega a ser chocante, mas, seguramente, reflecte diferenças importantes entre dois países, agora pertencentes à União Europeia.
A República Checa exibe, confrangedoramente as sequelas dos planos quinquenais, com largas extensões de campos roubados às florestas que noutros tempos os povoaram e onde se cultivam grandes extensões de cereais. São verdadeira feridas abertas e que,obviamente, ninguém está interressado em sarar, já que é delas que vem o sustento a grande parte desta população.
A União Europeia está a entrar aqui devagar, as lojas abrem às oito e meia e fecham às 5 da tarde. É verdade que o Sol nasce às quatro, mas não se percebe muito bem o que fazem os checos da cidade. Os do campo, imagina-se que poêm aquelas enormes máquinas a trabalhar para ceifar os campos. À noite entopem as estradas...
As comunicações por aqui, junto aTelc, cidade-património mundial são um desastre e os cidadãos desta região só falam checo, assim como os portugueses da maior parte de Portugal que também só falam português. Mas, de qualquer modo, lá nos vamos entendendo
Chegado a Viena no dia 1 de Agosto, a caminho da República Checa dei por falta de duas malas. Rapidamente soube o destino das transviadas: Barcelona. Que me seriam entregues no dia seguinte, ao fim do dia, no hotel para onde seguiria viagem.
Assim aconteceu: ainda não eram 18 horas locais do dia 2, quando o pessoal da companhia austríaca apareceu em Daceci a entregar as malas.
Daceci fica mais de 150 Kms de Viena e é noutro país. Estou mesmo a imaginar uma companhia portuguesa a prometer e cumprir entregar duas malas numa espécie de aldeia que nem no mapa vem, em Espanha...
Claro que para chegarem tão rápido não devem ter parado na espécie de paraíso do sexo que os checos plantaram à entrada da sua república, ali, disponível, de forma óbvia para quem atravessa a fronteira entre os dois países em Haugsat.
O comércio até chega a ser chocante, mas, seguramente, reflecte diferenças importantes entre dois países, agora pertencentes à União Europeia.
A República Checa exibe, confrangedoramente as sequelas dos planos quinquenais, com largas extensões de campos roubados às florestas que noutros tempos os povoaram e onde se cultivam grandes extensões de cereais. São verdadeira feridas abertas e que,obviamente, ninguém está interressado em sarar, já que é delas que vem o sustento a grande parte desta população.
A União Europeia está a entrar aqui devagar, as lojas abrem às oito e meia e fecham às 5 da tarde. É verdade que o Sol nasce às quatro, mas não se percebe muito bem o que fazem os checos da cidade. Os do campo, imagina-se que poêm aquelas enormes máquinas a trabalhar para ceifar os campos. À noite entopem as estradas...
As comunicações por aqui, junto aTelc, cidade-património mundial são um desastre e os cidadãos desta região só falam checo, assim como os portugueses da maior parte de Portugal que também só falam português. Mas, de qualquer modo, lá nos vamos entendendo
Viagem - a cerveja
Isto de viajar continua a ser melhor do que ficar em casa a ver telvisão, imagens que os outros fizeram, seleccionaram venderam (ou compraram) e transmitiram às horas a que os donos das empresas de sondagens recomendam. Se, por acaso, não correspondemos aos perfis dos inquéritos, lá temos que aturar coisas que consideramos idiotas, próprias de atrasados mentais...essas coisas.
De viagem pela República Checa profunda a suportar, de quando em vez, o cheiro a suor requentado de camponeses disfarçados nas roupas, mas com os olhos cheios das planícies abertas noutros tempos por máquinas inventadas pela gente de Staline, descubro que os adversários da PAC dos franceses na União Europeia estãoa Leste. São eles que vivem da cultura extensiva de cereais e a podem trasnsformar no que quiserem e puderem.
Não percebo mesmo por que razão em Portugal toda a gente se assusta tanto com o alargamento a Leste. Sei lá... o melhor é inventar um inimigo externo.
Aqui tudo é tosco; é muto difícil encontrar alguém que fale inglês, o turismo é ainda uma curiosidade... (eu sei que tem Praga, Cesky Krumlov e Brno, mas só na capital se pode falar em turismo internacional).
Indústria? só se percebe a da cerveja - notável, diga-se
É um país a sair, seguramente, de uma noite muito escura, mas simpático, com gente esforçada e com um desígnio nacional:a Independência. É aqui que está o segredo. Contarei mais.
De viagem pela República Checa profunda a suportar, de quando em vez, o cheiro a suor requentado de camponeses disfarçados nas roupas, mas com os olhos cheios das planícies abertas noutros tempos por máquinas inventadas pela gente de Staline, descubro que os adversários da PAC dos franceses na União Europeia estãoa Leste. São eles que vivem da cultura extensiva de cereais e a podem trasnsformar no que quiserem e puderem.
Não percebo mesmo por que razão em Portugal toda a gente se assusta tanto com o alargamento a Leste. Sei lá... o melhor é inventar um inimigo externo.
Aqui tudo é tosco; é muto difícil encontrar alguém que fale inglês, o turismo é ainda uma curiosidade... (eu sei que tem Praga, Cesky Krumlov e Brno, mas só na capital se pode falar em turismo internacional).
Indústria? só se percebe a da cerveja - notável, diga-se
É um país a sair, seguramente, de uma noite muito escura, mas simpático, com gente esforçada e com um desígnio nacional:a Independência. É aqui que está o segredo. Contarei mais.
Viagem - o começo
A segunda circular de Lisboa está cada vez mais entupida e ainda não ouvi nenhum dos candidatos à presidência da Câmara da capital falar disso. De qualquer forma é por lá que se sai a caminho do aeroporto e nunca se sabe se o entupimento é maior do que o habitual. Em Lisboa, corre-se o risco de perder o avião. Desta vez foi quase...
Aeroporto de Lisboa. Nunca mais acabam as obras...os placards de indicação dos balcões de chek-in avariaram, o stress aumentou, há boas notícias...Viagem a caminho de Viena, na Air Austrian. A mesma poupança de todas as outras, mas com alguma dignidade. Nesta, não se adivinham os bancos de plástico como nos autocarros de LIsboa.
Por falar em autocarros: uma sugestão para os candidatos à CML: prometam um corredor BUS e para viaturas de emergência na segunda circular. Aquilo está perigoso a sério...
Avião cheio de crianças. Atrás de mim, um senhora queixa-se à assistente de bordo que o cavalheiro ao lado dela tresanda, não deve tomar banho há séculos...já o bisavô dele abominava a água. É a gente do Norte: água nem para beber, por isso não falam da seca.
Impecáveis, as austríacas, com muita diplomacia, removem o cavalheiro, trocando-o por uma jovem, que não sendo propriamente um modelo de limpeza, pelo menos não tresanda a suor velho e outros odores.
A viagem serve igualmente para rememorar algumas das últimas notícias escutadas em Lisboa e de que, com certeza, não vou saber desenvolvimentos. Na Guiné Bissau, os adeptos do candidato do PAIGC protestam na rua a exigirem novas eleições. É o Senegal a reagir: é que a Guiné Bissau também tem petróleo a Norte e não apenas a Sul. Todo o Mundo anda atrás do petróleo e aquele já deve estar contabilizado.
Aeroporto de Lisboa. Nunca mais acabam as obras...os placards de indicação dos balcões de chek-in avariaram, o stress aumentou, há boas notícias...Viagem a caminho de Viena, na Air Austrian. A mesma poupança de todas as outras, mas com alguma dignidade. Nesta, não se adivinham os bancos de plástico como nos autocarros de LIsboa.
Por falar em autocarros: uma sugestão para os candidatos à CML: prometam um corredor BUS e para viaturas de emergência na segunda circular. Aquilo está perigoso a sério...
Avião cheio de crianças. Atrás de mim, um senhora queixa-se à assistente de bordo que o cavalheiro ao lado dela tresanda, não deve tomar banho há séculos...já o bisavô dele abominava a água. É a gente do Norte: água nem para beber, por isso não falam da seca.
Impecáveis, as austríacas, com muita diplomacia, removem o cavalheiro, trocando-o por uma jovem, que não sendo propriamente um modelo de limpeza, pelo menos não tresanda a suor velho e outros odores.
A viagem serve igualmente para rememorar algumas das últimas notícias escutadas em Lisboa e de que, com certeza, não vou saber desenvolvimentos. Na Guiné Bissau, os adeptos do candidato do PAIGC protestam na rua a exigirem novas eleições. É o Senegal a reagir: é que a Guiné Bissau também tem petróleo a Norte e não apenas a Sul. Todo o Mundo anda atrás do petróleo e aquele já deve estar contabilizado.
sexta-feira, agosto 05, 2005
FANTASMAS
Hoje a notícia fora dos incêndios é Figo. Sai de Madrid para Milão. O Pombal está a arder. Mais de metade do país, também. O ano passado por esta altura, mais coisa menos coisa, ardiam as matas. A oposição, que hoje é governo, criticava asperamente o governo. Hoje terá sido o primeiro dia dos piores anos. O primeiro ministro está de férias. Ninguém do governo se pronunciou, nem que fosse para lastimar as vítimas. Eu sei, vamos ter que nos habituar.
Tenho andado a espreitar as primeira páginas do DN ao longo dos anos.
Não é a História que me motiva, é o jornalismo. Acho que já dei conta da mórbida curiosidade
sobre o Jornal no 28 de Maio.
È óbvio que a 28 nada haveria para contar. Do ponto de vista profissional, a curiosidade centrava-se no jornal de 29. Ora, a 29 o jornal não disse quase nada e teve muito, muito cuidado.
De facto o matutino não dava ideia de saber o que se estava a passar. No dia seguinte, já era 1927, Fevereiro: havia uma revolta militar no Porto. Finalmente, deu para entender...
De incêndios não se falava. Mas havia uma revolta e a revolta militar era o incêndio dos nossos dias. Havia para todos os gostos e conforme os dias da semana. No dia 29, já referi, falou-se do 28 de Maio, mas sem ser 28 de Maio. Eis como titulava o jornal: A odem pública alterada. mas em Lisboa e no Porto o sossêgo é absoluto. Fotos tipo passe mostraram o general Gomes da Costa, exibido como o chefe revolucionário do Norte, enquanto Mendes Cabeçadas era tido como tendo sido preso em Santarém. Uma nota oficiosa confirmava que «há sossego em todo o país. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada»...Dizia-se ainda que tinham sido organizadas duas colunas para seguirem para Braga a fim de dominar os revoltosos. Outro comunicado, do conselho de ministros, garantia que «apreciando a situação verificou que dispõe de todos os elementos para manter a ordem»...
Menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, deparava-se com algumas diferenças. Dava-se notícia de um levantamento revolucionário no Porto, mas o ministro da Guerra já tinha partido para Aveiro, onde estavam a ser concentradas tropas fieis para marchar contra os revoltosos no Porto. Mesmo assim, havia repercuções em Lisboa, onde o general Domingues, do Governo Militar de Lisboa fazia saber que ficavam proíbidos os ajuntamentos de cidadãos, usando-se de todo a violência contra os que resistirem...
Durante os 48 anos que se seguiram a medida não foi, suspensa, nem alterada, salvo para manifestações expontâneas de apoio e veneração do Presidente do Conselho, que devia estar a chegar ao topo da carreira...
Mas mais interessante e a dar o mote para o rumo que o país encetava, nessa sexta-feira, bem ao alto da primeira página, a duas colunas, à direita, a entrevista com Mussulini. onde se salientava que « o fascismo é um produto do Século» e sublinhava que «a democracia é indiscutivelmente a meta para que (para a qual) a humanidade caminha»...
A entrevista com o Duce não enganou: a guerra estava no horizonte, dele e de outyros líderes, que não falavam dela. Ele sim, e disse a propósito: «Não há nada de sinistro nos preparativos para a guerra. Pelo contrário, são mais para temer certas frases mansas que abordam o tema do pacifismo»...
Comecei a sentir-me frustrado, mesmo desmoralizado, nada de futebol na primeira página. Afinal que país era o meu. O futebol não tinha culpa os jornais é que não prestavam. Mas amanhã, que já deve ser 1928, é ano Olímpico e Portugal teve uma equipa de futebol nos Jogos e até botou fugura. Ganhou uns dois jogos e acabou eliminada aí pelo Egipto ou coisa assim..
O que é que acham?
Tenho andado a espreitar as primeira páginas do DN ao longo dos anos.
Não é a História que me motiva, é o jornalismo. Acho que já dei conta da mórbida curiosidade
sobre o Jornal no 28 de Maio.
È óbvio que a 28 nada haveria para contar. Do ponto de vista profissional, a curiosidade centrava-se no jornal de 29. Ora, a 29 o jornal não disse quase nada e teve muito, muito cuidado.
De facto o matutino não dava ideia de saber o que se estava a passar. No dia seguinte, já era 1927, Fevereiro: havia uma revolta militar no Porto. Finalmente, deu para entender...
De incêndios não se falava. Mas havia uma revolta e a revolta militar era o incêndio dos nossos dias. Havia para todos os gostos e conforme os dias da semana. No dia 29, já referi, falou-se do 28 de Maio, mas sem ser 28 de Maio. Eis como titulava o jornal: A odem pública alterada. mas em Lisboa e no Porto o sossêgo é absoluto. Fotos tipo passe mostraram o general Gomes da Costa, exibido como o chefe revolucionário do Norte, enquanto Mendes Cabeçadas era tido como tendo sido preso em Santarém. Uma nota oficiosa confirmava que «há sossego em todo o país. Apenas uma parte da guarnição de Braga está revoltada»...Dizia-se ainda que tinham sido organizadas duas colunas para seguirem para Braga a fim de dominar os revoltosos. Outro comunicado, do conselho de ministros, garantia que «apreciando a situação verificou que dispõe de todos os elementos para manter a ordem»...
Menos de um ano depois, em Fevereiro de 1927, deparava-se com algumas diferenças. Dava-se notícia de um levantamento revolucionário no Porto, mas o ministro da Guerra já tinha partido para Aveiro, onde estavam a ser concentradas tropas fieis para marchar contra os revoltosos no Porto. Mesmo assim, havia repercuções em Lisboa, onde o general Domingues, do Governo Militar de Lisboa fazia saber que ficavam proíbidos os ajuntamentos de cidadãos, usando-se de todo a violência contra os que resistirem...
Durante os 48 anos que se seguiram a medida não foi, suspensa, nem alterada, salvo para manifestações expontâneas de apoio e veneração do Presidente do Conselho, que devia estar a chegar ao topo da carreira...
Mas mais interessante e a dar o mote para o rumo que o país encetava, nessa sexta-feira, bem ao alto da primeira página, a duas colunas, à direita, a entrevista com Mussulini. onde se salientava que « o fascismo é um produto do Século» e sublinhava que «a democracia é indiscutivelmente a meta para que (para a qual) a humanidade caminha»...
A entrevista com o Duce não enganou: a guerra estava no horizonte, dele e de outyros líderes, que não falavam dela. Ele sim, e disse a propósito: «Não há nada de sinistro nos preparativos para a guerra. Pelo contrário, são mais para temer certas frases mansas que abordam o tema do pacifismo»...
Comecei a sentir-me frustrado, mesmo desmoralizado, nada de futebol na primeira página. Afinal que país era o meu. O futebol não tinha culpa os jornais é que não prestavam. Mas amanhã, que já deve ser 1928, é ano Olímpico e Portugal teve uma equipa de futebol nos Jogos e até botou fugura. Ganhou uns dois jogos e acabou eliminada aí pelo Egipto ou coisa assim..
O que é que acham?
quinta-feira, agosto 04, 2005
NOTÍCIAS DE VERÃO
Ainda sem linha, o TGV já derrapa. Pôs um ministro financeiro a andar e despediu o manda chuva da CGD. Com a OTA vai ter de mandar o benfeitor da TAP à vida ou, para disfarçar, despede o Rio e o Major da Metro do Porto. Anda tudo espantado com este governo dito socialista, sem razão. A confusão é confusa porque os jornalistas em vez de se deitarem a adivinhar deviam perguntar o como é ao dr. Vitorino, para ele aplicar com clareza europeia o seu «habituem-se!», cada vez mais objectivo. E não é que vão mesmo ter de se «habituar» a tanta coisa, tanta!
Quatro meses chega para merecer férias, não tanto por fazer tanto calor, mas por tudo à volta estar muito, muito quente! E o primeiro-ministro abalou e a produtividade foi as urtigas, logo a produtividade que faz um mal do caraças às pobres urtigas. Deixou por cá António Costa que para gerir a crise política nem deu pelos atropelos à Justiça.
Sem eco possível, Freitas do Amaral, esse, não voltou a falar de eleições, nem de Negócios Estrangeiros, tem-se limitado a ficar calado e, possivelmente pasmado. E como é por demais sabido que ele é o senhor que se segue, no que toca a zarpar do governo, os outros têm de esperar vez, de forma a que o analista Marcelo tenha razão e justifique o cachet.
Seguindo o exemplo do Benfica, que quer mudar o nome do estádio, para cobrar 40 milhões, o PS vai mudar o nome do Palácio de Belém. Deixa de ser palácio e passa a Asilo. Mantém-se o Belém. Não me perguntem. Não sei porque será...
Sempre desconfiado, Cavaco foi, pela manhã, saber de Sampaio quem é que quer, afinal, emparedar um ancião no asilo belenense? Deve ter saído sem resposta. Depois, à tarde, e à tarde porque, como dizia uma vizinha, bem alinhavada, mais vale à tarde que nunca, Mário Soares preparou-se para ir ouvir o Presidente, pelo caminho atropelou um poeta, malhas que o império tece.
O que ouviu ninguém sabe, ninguém viu, como dizia a cantiga. À saída disse que não falava. E disse que não falava como quem dissesse tudo. Era só querer perceber... que em Outubro, se lá chegar, vai ser uma festa!
Outra cantiga reza que Outubro não tem rival e é preciso que se diga que o Abril em Portugal não é mais que uma cantiga, o que não deixa curioso, para ouvir em período eleitoral! A letra da cantiga é posterior ao outro Abril, não tinha carga, não era contestatária, mas dá jeito, para brincar com coisas sérias...
Quatro meses chega para merecer férias, não tanto por fazer tanto calor, mas por tudo à volta estar muito, muito quente! E o primeiro-ministro abalou e a produtividade foi as urtigas, logo a produtividade que faz um mal do caraças às pobres urtigas. Deixou por cá António Costa que para gerir a crise política nem deu pelos atropelos à Justiça.
Sem eco possível, Freitas do Amaral, esse, não voltou a falar de eleições, nem de Negócios Estrangeiros, tem-se limitado a ficar calado e, possivelmente pasmado. E como é por demais sabido que ele é o senhor que se segue, no que toca a zarpar do governo, os outros têm de esperar vez, de forma a que o analista Marcelo tenha razão e justifique o cachet.
Seguindo o exemplo do Benfica, que quer mudar o nome do estádio, para cobrar 40 milhões, o PS vai mudar o nome do Palácio de Belém. Deixa de ser palácio e passa a Asilo. Mantém-se o Belém. Não me perguntem. Não sei porque será...
Sempre desconfiado, Cavaco foi, pela manhã, saber de Sampaio quem é que quer, afinal, emparedar um ancião no asilo belenense? Deve ter saído sem resposta. Depois, à tarde, e à tarde porque, como dizia uma vizinha, bem alinhavada, mais vale à tarde que nunca, Mário Soares preparou-se para ir ouvir o Presidente, pelo caminho atropelou um poeta, malhas que o império tece.
O que ouviu ninguém sabe, ninguém viu, como dizia a cantiga. À saída disse que não falava. E disse que não falava como quem dissesse tudo. Era só querer perceber... que em Outubro, se lá chegar, vai ser uma festa!
Outra cantiga reza que Outubro não tem rival e é preciso que se diga que o Abril em Portugal não é mais que uma cantiga, o que não deixa curioso, para ouvir em período eleitoral! A letra da cantiga é posterior ao outro Abril, não tinha carga, não era contestatária, mas dá jeito, para brincar com coisas sérias...
segunda-feira, agosto 01, 2005
FALIR POR FALIR
Por se escrever o que se escreve ou por não ser o que se deve ou por outra montanha de razões um jornal pode acabar. Um poeta disse que «O Século» não podia acabar. Os poetas são como os
aprendizes de presidências, não sabem nada de jornais. «A Capital» fechou. «O comércio do Porto» encerrou a porta. Foi morte anunciada. E não foi por causa de ou por causa do. Tão natural como a sede do anúncio. Os jornais, tal como se liam no passado, já não sobrevivem, entre nós. Os jornais, hoje em dia, não se dão ao respeito e, por isso, ninguém os respeita.
Hoje comprei o DN, para ler a notícia da morte de Guerra Junqueiro. Por acaso o diário não trazia o resultado do Guimarães-Benfica, nem do Sporting-Setubal, jogados à hora de fecho da edição, que é quando as galinhas se deitam.
Dantes, mesmo que as galinhas teimassem no sono precoce, a Censura fechava às três da manhã, e só depois as últimas páginas, entre as quais a primeira, desciam às oficinas. Dantes...
Hoje, não. Hoje os jornais têm de sair cedo das rotativas, porque a distribuidora quer os jornais cedo e tanto lhe faz que sejam de hoje como de ontem.
Talvez valha a pena situar este «ontem» no antes de haver televisão. Antes disso havia em Lisboa o «DN», «O Século» e o «Diário da Manha» (pelo menos nós chamavamos lhe assim) orgão oficioso oficial do governo de então, que ao contrário de outros que não interessa agora referir, mandava que se fartava. Havia mais uns jornalitos dispersos, sem impacte e de importância relativa. E havia, claro os vespertinos, a saber: «Diário Popular», «Diário de Lisboa»
e o «República», todos perfeitamente implantados, embora um deles tivesse que ser lido quase às escondidas. «A Capital» viria depois, já com a Televisão, mas sem força informativa, mas já a
interferir nos hábitos e costumes, como se vai ver.
E houve outro jornal que irrompeu a meio do dia, digamos assim. Saía à hora do almoço um tanto para evitar confrontos. Não teve grande sucesso, apesar do tom populista. Cada jornal diário dispunha de oficinas e distruição próprias. A excepção eram os jornais desportivos. «A Bola» se bem me lembro imprimia no «Século», o «Mundo Desportivo» era, penso eu, propriedade do «DN», e o «Record», posterior aos outros, nem faço ideia onde. Os desportivos vendiam~se tão bem que nem precisavam de pub.
Havia mercado. E foi havendo até a Televisão se intrometer no dia a dia dos cidadãos. A vida alterava-se. Primeiro foram os cafés, que viraram bancos; depois os cinemas a ficar às moscas e,
finalmente os jornais a perder pedalada. Os semanários em formato de jornal também foram perdendo mercado. As tiragens baixaram até não haver margem de sobrevivência. Restam uns quantos, como o «Expresso», que vendeu a alma ao diabo e enche páginas de perfídia e de especulação especulativa e sem réstea de vergonha, amparado pelo tráfico de influências, que controla o grosso da pub.
E os diários desaparecem não por serem bons ou maus, mas porque não interessam ou não são
de fiar. O capital da «Capital não era ser vespertino ou matutino; ele saltou da tarde para de manhã para tentar sobreviver. Em Lisboa e no resto do país nenhum jornal da tarde sobreviveu. O hábito de ler no comboio ou no barco e outros transportes domésticos perdeu-se um pouco, por falta de condições e excesso de confusão e já não há cafés, como havia, nem gente para os encher, a facilitar e convidar a ler pasquins ao fim da tarde, nem tertúlias.
Hoje para sobreviver, um jornal necessita de algumas especificidade, que desperte interesse ou curiosidade.
Os próximos jornais a ir a baixo vão ser, decerto, os desportivos, se entretanto não arrepiarem caminho. A intriga e compadrios começa por vender, mas acaba sempre por gerar descrédito. O major e o sr. Pinto não quiseram nem precisaram de provar inocência, de inocentes que são. A Federação Portuguesa da bola esteve e está-se nas tintas e a Liga ainda menos ou mais pior. Cada vez há menos gente a ir à bola e demasiada bola pela televisão já chateia. Nisto, como nos demais assuntos, é o jornal que acaba por pagar a crise.
De momento, andar nas vidas é o que está a dar e estimula jornalecos e revistas ditas cor de rosa. A virtude já foi, não vende, não rende. Agachem-se criaturas, agachem-se, se querem vender papel...
aprendizes de presidências, não sabem nada de jornais. «A Capital» fechou. «O comércio do Porto» encerrou a porta. Foi morte anunciada. E não foi por causa de ou por causa do. Tão natural como a sede do anúncio. Os jornais, tal como se liam no passado, já não sobrevivem, entre nós. Os jornais, hoje em dia, não se dão ao respeito e, por isso, ninguém os respeita.
Hoje comprei o DN, para ler a notícia da morte de Guerra Junqueiro. Por acaso o diário não trazia o resultado do Guimarães-Benfica, nem do Sporting-Setubal, jogados à hora de fecho da edição, que é quando as galinhas se deitam.
Dantes, mesmo que as galinhas teimassem no sono precoce, a Censura fechava às três da manhã, e só depois as últimas páginas, entre as quais a primeira, desciam às oficinas. Dantes...
Hoje, não. Hoje os jornais têm de sair cedo das rotativas, porque a distribuidora quer os jornais cedo e tanto lhe faz que sejam de hoje como de ontem.
Talvez valha a pena situar este «ontem» no antes de haver televisão. Antes disso havia em Lisboa o «DN», «O Século» e o «Diário da Manha» (pelo menos nós chamavamos lhe assim) orgão oficioso oficial do governo de então, que ao contrário de outros que não interessa agora referir, mandava que se fartava. Havia mais uns jornalitos dispersos, sem impacte e de importância relativa. E havia, claro os vespertinos, a saber: «Diário Popular», «Diário de Lisboa»
e o «República», todos perfeitamente implantados, embora um deles tivesse que ser lido quase às escondidas. «A Capital» viria depois, já com a Televisão, mas sem força informativa, mas já a
interferir nos hábitos e costumes, como se vai ver.
E houve outro jornal que irrompeu a meio do dia, digamos assim. Saía à hora do almoço um tanto para evitar confrontos. Não teve grande sucesso, apesar do tom populista. Cada jornal diário dispunha de oficinas e distruição próprias. A excepção eram os jornais desportivos. «A Bola» se bem me lembro imprimia no «Século», o «Mundo Desportivo» era, penso eu, propriedade do «DN», e o «Record», posterior aos outros, nem faço ideia onde. Os desportivos vendiam~se tão bem que nem precisavam de pub.
Havia mercado. E foi havendo até a Televisão se intrometer no dia a dia dos cidadãos. A vida alterava-se. Primeiro foram os cafés, que viraram bancos; depois os cinemas a ficar às moscas e,
finalmente os jornais a perder pedalada. Os semanários em formato de jornal também foram perdendo mercado. As tiragens baixaram até não haver margem de sobrevivência. Restam uns quantos, como o «Expresso», que vendeu a alma ao diabo e enche páginas de perfídia e de especulação especulativa e sem réstea de vergonha, amparado pelo tráfico de influências, que controla o grosso da pub.
E os diários desaparecem não por serem bons ou maus, mas porque não interessam ou não são
de fiar. O capital da «Capital não era ser vespertino ou matutino; ele saltou da tarde para de manhã para tentar sobreviver. Em Lisboa e no resto do país nenhum jornal da tarde sobreviveu. O hábito de ler no comboio ou no barco e outros transportes domésticos perdeu-se um pouco, por falta de condições e excesso de confusão e já não há cafés, como havia, nem gente para os encher, a facilitar e convidar a ler pasquins ao fim da tarde, nem tertúlias.
Hoje para sobreviver, um jornal necessita de algumas especificidade, que desperte interesse ou curiosidade.
Os próximos jornais a ir a baixo vão ser, decerto, os desportivos, se entretanto não arrepiarem caminho. A intriga e compadrios começa por vender, mas acaba sempre por gerar descrédito. O major e o sr. Pinto não quiseram nem precisaram de provar inocência, de inocentes que são. A Federação Portuguesa da bola esteve e está-se nas tintas e a Liga ainda menos ou mais pior. Cada vez há menos gente a ir à bola e demasiada bola pela televisão já chateia. Nisto, como nos demais assuntos, é o jornal que acaba por pagar a crise.
De momento, andar nas vidas é o que está a dar e estimula jornalecos e revistas ditas cor de rosa. A virtude já foi, não vende, não rende. Agachem-se criaturas, agachem-se, se querem vender papel...
domingo, julho 31, 2005
Outro fim anunciado
A Guiné Bissau encontrou, de acordo com as chamadas regras da democracia, um novo presidente. Um novo/velho presidente. Um novo/incompetente presidente. De facto, Nino Vieira só teve jeito para as armas e para as mulheres - louve-se porque muitos homens houve ao cimo da terra que nem para uma nem para a outra coisa tiveram jeito. E, mesmo com Nino, relativamente às mulheres, a gente só sabia que ele tinha muitas e as abandonava , com filhos e tudo por outras, a quem mandava comprar vestidos a Lisboa, a Paris e coisas assim.
Pois bem, Nino Vieira voltou à presidência da República da Guiné Bissau. E o que é que Nino vai fazer desta vez?
Eu sei: vai negociar com Conackry.
Quem perdeu as eleições de Bissau foi o Senegal.
Aqui pode começar o fim da actual geografia política africana.
Porquê?
Basta estudar e a resposta é clara. Houve já quem escrevesse este fim há mais de vinte anos.
O FIM
" A Capital" anunciou ontem, o fim de " A Capital". Se não fosse trágico pareceria patético. O Appio Sottomayor, um nome cheio de bigodes, conta a estória do jornal e passa ao de leve sobre as manobras do seu amigo Pinto Balsemão - responsável, afinal pelo fim deste jornal, um fim várias vezes anunciado e só agora concretizado.
Concretizado por falta de visão. É muito simpático ser português, mas às vezes é desesperante. Porquê tanta asneira?
" A Capital" ficou sózinha num mercado espantoso- o da imprensa vespertina. E, em vez de aproveitar esse facto, antecipando-se aos jornais matuttinos, fez todos os esforços par se incorporar no grande grupo dos jornais da manhã
Nem quando a mão de obra ficou barata - graças ao cavaquismo que permitiu a aberura de cursos de jornalismo em tudo quanto era universidade - a gente de " A Capital" percebeu que, trabalhando de madrugada poderia sair ao fimda tarde com um jornal que anteciparia, do ponto de vista noticioso todos os matutinos da manhã seguinte.
Não. o Pinto Balsemão, a quem apenas interessou o património do Bairro Alto ( no mesmo dia em que venceu o prazo determinado no contrato de venda do título passou para o seu nome o prédio do Bairro Alto) ; o Sarabando (lacaio do Balsemão), a Helena Sanches Osório ( com uma mão livre imcompreensível), O Matos não sei quê, os espanhóis de Badajoz, o Luís Osório, todos eles só pensaram em fazer um jornal igual a todos os outros . Ninguém pensou, nenhum deles percebeu que era na diferença que estava a vantagem.
Seja como for. Este jornal morreu. Como diz o Appio pode ser que não haja duas sem três, mas está morto. E, nesta morte, pessoalmente, presto homenagem ao homem - que não conheço e não quero conhecer - que deu o nome para o fim : Paulo Narigão Reis, director interino.
Que é feito do Luís Osório, tão impante, tão cheio de si? Fugiu? acho que sim.
BRINCAR COM A MORTE
Deve evitar-se porque geralmente é fatal. Um cidadão português, residente em Londres, denunciou à polícia
londrina a identidade e morada de um dos suspeitos de envolvimento num atentado terrorista e contribuiu para a sua detenção pelas autoridades. Não se tratou de denunciar um suspeito de pilhar galináceos ou riscar carros mal estacionados. Mas identificar alguém como presumível terrorista.
Por isso me surpreendi ao ver o referido português exibido no telejornal da SIC (e não sei se em mais outros canais) como heroi de telenovela. Apetece denunciar este atentado a uma alta autoridade qualquer, para que a Justiça, seja isso o que for, acuse (e condene) os autores da façanha, que consistiu em expôr um cidadão identificado à ira impiedosa do terrorismo.
Oferecer um alvo a fanáticos deve constituir alguma forma de crime, pelo menos revela total falta de respeito pela vida humana.
É de crer que não tenha sido a Polícia a revelar a identidade do cidadão que colaborou com as autoridades, até pode ter acontecido que tenha sido o pateta a dar a cara, mas é óbvio que as imagens não deviam ter sido projectadas.
Há regras e princípios de bom senso. Os cinco suspeitos detidos não serão decerto os únicos, nem os últimos fanáticos. A própria Polícia deveria ter advertido o cidadão zeloso a guardar alguma prudente reserva. Até aqui os atentados terroristas não têm tido alvos humanos definidos, não convirá muito arranjar pretextos para acções selectivas.
O jornalismo cada vez mais precisa de ser responsável. O jornalista que se recusa a revelar as fontes, por princípio, não deve andar por aí a revelar as dos outros, colocando pessoas em risco de vida, ou de morte. Até porque se uma história destas dá para o azar, pode muito bem cair um processo sobre o orgão de comunicação social e pior do isso pôr-se em causa a liberdade de informar...
londrina a identidade e morada de um dos suspeitos de envolvimento num atentado terrorista e contribuiu para a sua detenção pelas autoridades. Não se tratou de denunciar um suspeito de pilhar galináceos ou riscar carros mal estacionados. Mas identificar alguém como presumível terrorista.
Por isso me surpreendi ao ver o referido português exibido no telejornal da SIC (e não sei se em mais outros canais) como heroi de telenovela. Apetece denunciar este atentado a uma alta autoridade qualquer, para que a Justiça, seja isso o que for, acuse (e condene) os autores da façanha, que consistiu em expôr um cidadão identificado à ira impiedosa do terrorismo.
Oferecer um alvo a fanáticos deve constituir alguma forma de crime, pelo menos revela total falta de respeito pela vida humana.
É de crer que não tenha sido a Polícia a revelar a identidade do cidadão que colaborou com as autoridades, até pode ter acontecido que tenha sido o pateta a dar a cara, mas é óbvio que as imagens não deviam ter sido projectadas.
Há regras e princípios de bom senso. Os cinco suspeitos detidos não serão decerto os únicos, nem os últimos fanáticos. A própria Polícia deveria ter advertido o cidadão zeloso a guardar alguma prudente reserva. Até aqui os atentados terroristas não têm tido alvos humanos definidos, não convirá muito arranjar pretextos para acções selectivas.
O jornalismo cada vez mais precisa de ser responsável. O jornalista que se recusa a revelar as fontes, por princípio, não deve andar por aí a revelar as dos outros, colocando pessoas em risco de vida, ou de morte. Até porque se uma história destas dá para o azar, pode muito bem cair um processo sobre o orgão de comunicação social e pior do isso pôr-se em causa a liberdade de informar...
sábado, julho 30, 2005
AMANHÃ JÁ FOI
O Cinema terá alguma culpa, mas as aventuras de passear no tempo tornaram-se vulgares. E nos romances históricos o passado parece passado, mas a folhear jornais, se for possível, é uma festa. Hoje entretive-me a a dobrar páginas de jornais dispersos e dei nos "assumptos do dia"com a visita do rei de Hespanha anunciada para hoje, mas no jornal diz que é quinta-feira, adiantada, não por ser ontem, mas por se referir a um 10 de Dezembro, mas de 1903. No jornal de hoje volto a ler sobre a visita real, mas o rei é outro e a Espanha já não leva agá. Retive, na visita de ontem, que Sua Magestade a rainha era bem elegante, mas o seu magestoso marido tinha direito a foto muito maior e Rei grafado com maiúscula, D. AffonsoXIII...
De súbito é sabado, 11 de Março, corria o ano de 1916. Em França os alemães não avançavam
uma polegada e chegaram em alguns casos a ser repelidos, mas um contra-torpedeiro e um torpedeiro ingleses foram afundados, tal como um navio francês de 4 mastros, igualmente afundado.
Acelero e, num instante é Outubro de 1921, mas é como se fosse Abril. O governo do sr. dr. António Granjo é derrubado por um movimento de tropas revolucionárias, que tomam conta da capital sem ter encontrado resistência.
O movimento insurreccional teve início no Quartel dos Marinheiros, sob comando de alguns oficiais de menor patente. A Junta Revolucionária faz logo saber que: "a situação dolorosa do país reclama do nosso patriotismo o dever, mais do que todos generoso e instante de impôr um GOVERNO DE SALVAÇÃO PÚBLICA"...
Quem assumiu em andamento o movimento libertador foi o sr. coronel Manuel Maria C. -deixem-me ler bem - Coelho, é isso, Coelho, sim senhor. Não se falou no jornal da mulher dele, nem de eventual herdeiro. O governo caiu e o sr. dr. António José de Almeida resignou o cargo de Presidente da República. Os chefes revolucionários procuravam demover S.Exa., desse propósito, quando eu me disse que já tinha visto o filme e desandei. Ainda tentei apanhar um
transporte para Maio de 26, mas ainda não havia. Só lá para terça-feira ou coisa assim é que deve haver lugar...
E regresso ao presente. O Comércio do Porto vai fechar e nem é por mór do Bulhão. "A Capital" também. Soares vai voltar e o PS já está a descer e Nino, esse, recupera. Mas que raio de presente é isto?
E dou-me conta que o passado se parece tanto com o presente porque, no presente, andamos todos a andar para trás...
De súbito é sabado, 11 de Março, corria o ano de 1916. Em França os alemães não avançavam
uma polegada e chegaram em alguns casos a ser repelidos, mas um contra-torpedeiro e um torpedeiro ingleses foram afundados, tal como um navio francês de 4 mastros, igualmente afundado.
Acelero e, num instante é Outubro de 1921, mas é como se fosse Abril. O governo do sr. dr. António Granjo é derrubado por um movimento de tropas revolucionárias, que tomam conta da capital sem ter encontrado resistência.
O movimento insurreccional teve início no Quartel dos Marinheiros, sob comando de alguns oficiais de menor patente. A Junta Revolucionária faz logo saber que: "a situação dolorosa do país reclama do nosso patriotismo o dever, mais do que todos generoso e instante de impôr um GOVERNO DE SALVAÇÃO PÚBLICA"...
Quem assumiu em andamento o movimento libertador foi o sr. coronel Manuel Maria C. -deixem-me ler bem - Coelho, é isso, Coelho, sim senhor. Não se falou no jornal da mulher dele, nem de eventual herdeiro. O governo caiu e o sr. dr. António José de Almeida resignou o cargo de Presidente da República. Os chefes revolucionários procuravam demover S.Exa., desse propósito, quando eu me disse que já tinha visto o filme e desandei. Ainda tentei apanhar um
transporte para Maio de 26, mas ainda não havia. Só lá para terça-feira ou coisa assim é que deve haver lugar...
E regresso ao presente. O Comércio do Porto vai fechar e nem é por mór do Bulhão. "A Capital" também. Soares vai voltar e o PS já está a descer e Nino, esse, recupera. Mas que raio de presente é isto?
E dou-me conta que o passado se parece tanto com o presente porque, no presente, andamos todos a andar para trás...
sexta-feira, julho 29, 2005
O Meu Mundo
Deixei de ver televisão. De ler jornais. Ouço a antiga Luna e CD's, no carro ou na aparelhagem em casa. Tenho na cabeça o horário das crónicas do Fernando Alves. Se estou acordado, ouço. Se não, procuro, depois, na NET, pedindo a Deus que aquela geringonça funcione. Deve trabalhar com pouca gente e a recibos verdes, à moda da Lusomundo, isto é da PT.
Apesar de tudo não posso deixar de me arrepiar com as notícias que pressinto sobre os incêndios, ano após ano. Faz lembrar uma das sete pragas do Egipto a desabar sobre as nossas cabeças. Uma praga noticiada com foros de bravura, heroísmo e outras coisas semelhantes.
Os jornais vendem com fotografias espectaculares de incêncios, as televisões não podem gastar dinheiro noutro tipo de investigação e as rádios aproveitam os correspondentes locais, pagos a títulos de refeição para umas tiradas mais ou menos dramáticas sobre as chamas que " quase atingiram a habitação de uma pobre senhora velha e tetraplégica".
A merda dos jornalistas que hoje temos ainda não percebeu que por cada incêncio combatido por não seis quantos homens e viaturas, mais uns tantos helicópteros pesados e aviões canadairs, custam um pipão de massa e dão origem a um negócio.
Sabem qual é um dos negócios mais rentáveis da Lusomundo? é o da venda de pipocas. São não sei quantas toneladas de milho vendidas por ano, mais umas quantas de açucar.
Os jornalistas que a merda deste país hoje tem ainda não conseguiram investigar o reoordenamento da propriedade, que passou do minifúndio para o latifúndio na zonas ardidas até há dez anos.
Os homens dos microfones, da caneta e das câmaras ainda não conseguiram explicar por que razão nessas zonas impera o eucalipto e lá não há incêncios. Não conseguiram, sequer, explicar as razões por que esses eucaliptais estão limpos elivresde incêncios, com vigiância aturada.
Um dia destes, não se esqueçam de vir escrever, gritar e filmar que " o que é bom para o país é o eucalipto".
Já agora, juntem-se aos militantes das várias organizações ambientalistas e que, de uma maneira geral, são pagos a peso razoável, como consultores das empresas detentoras da nova propriedade florestal de Portugal.
Peço desculpa! Esqueci-me que tinha abandonado este estilo! Mas, um homem não é de ferro! E o Meu Mundo parece querer cair-me em cima da cabeça
URBANO
É um saloio citadino. No antigamente quase todos nós tinhamos rótulos. Quando ainda não havia máquinas de lavar roupa em profusão havia as lavadeiras de Caneças, que lavavam a roupinha no rio e a botavam a corar ao Sol. A Beatriz Costa é que sabia contar isso bem. Sou do tempo em que muito boa gente ia a balneários lavar-se, as casas de banho eram como os Mercedes Benz, só para alguns, os outros andavam de balneário.
E, ontem, creio eu, ouvi uma ministra falar de medidas, pelo menos disse coisas desmedidas, tais como pode pagar-se o carregamento do passe nos colectivos, no Multibanco ou coisa do género. Veem? Não há como ser urbano. Nenhum dos rapazes repórteres se lembrou de aproveitar para perguntar à senhora por que carga de água um sujeito (ou sujeita) tem de pagar tanta massa pelo dito passe - e não estou a falar da mensalidade, estou a referir o preço da Lisboa-viva. Essa malta dos jornais, que perde tanto tempo a falar de direitos adquiridos e por adquirir, quando quer servir-se do «metro» ou de machimbombos sujeita-se a tudo, para poupar algum. Mas o cartãozinho é caro e tem validade curta. Não faz mal, depois compra outro. Mas não é só ter direito a pagar adiantado um serviço que muito deixa a desejar. É que para obter o cartãozinho,
tem de preencher um formulário, botar o nome, o nº do BI, a idade, a profissão, o telefone, a morada, a frequência de visitas que efectua à vizinha ou à irmã dela, esta parte parece que está a mais...
Mas que direito, senhora ministra e senhores ministros e senhores juizes prestes a ir de férias, mas que direito, ia dizendo, têm as transportadoras de ter acesso, com caracter obrigatório, aos dados pessoais de cada um de nós? A que propósito lhes é facultado, de borla, o que se chama uma base de dados e qual a finalidade? Como é que o governo (os governos presentes e próximos passados) autorizam essa devassa e que uso fazem dela?
Nada disto é explicado. Nada disto é justificado. Apesar disto ser abusivo, ilegal e possivelmete criminoso.
Como o governo (os governos) é distraído posso lembrar que nada disto é prática corrente nos países civilizados, perdão, queria dizer europeus e similares, à excepção deste pedaço, a Oeste da Europa e juntinho ao oceano.E para não ir mais longe, não é assim em Madrid; não é assim em Paris e nem sei onde é que possa ser.
E ocorre-me uma velha estória, do tempo das lavadeiras de Caneças e das saloias da Malveira.
- Onde é que o senhor mora?
- Moro com o meu irmão...
- Bom! E onde é que mora o seu irmão?
- Mora comigo...
- Gaita!!! Onde é que vocês moram, os dois!?
- Moramos juntos...
Num tribunal, os manos até podiam ser absolvidos. Em Lisboa não terão direito ao Lisboa-viva...
E, ontem, creio eu, ouvi uma ministra falar de medidas, pelo menos disse coisas desmedidas, tais como pode pagar-se o carregamento do passe nos colectivos, no Multibanco ou coisa do género. Veem? Não há como ser urbano. Nenhum dos rapazes repórteres se lembrou de aproveitar para perguntar à senhora por que carga de água um sujeito (ou sujeita) tem de pagar tanta massa pelo dito passe - e não estou a falar da mensalidade, estou a referir o preço da Lisboa-viva. Essa malta dos jornais, que perde tanto tempo a falar de direitos adquiridos e por adquirir, quando quer servir-se do «metro» ou de machimbombos sujeita-se a tudo, para poupar algum. Mas o cartãozinho é caro e tem validade curta. Não faz mal, depois compra outro. Mas não é só ter direito a pagar adiantado um serviço que muito deixa a desejar. É que para obter o cartãozinho,
tem de preencher um formulário, botar o nome, o nº do BI, a idade, a profissão, o telefone, a morada, a frequência de visitas que efectua à vizinha ou à irmã dela, esta parte parece que está a mais...
Mas que direito, senhora ministra e senhores ministros e senhores juizes prestes a ir de férias, mas que direito, ia dizendo, têm as transportadoras de ter acesso, com caracter obrigatório, aos dados pessoais de cada um de nós? A que propósito lhes é facultado, de borla, o que se chama uma base de dados e qual a finalidade? Como é que o governo (os governos presentes e próximos passados) autorizam essa devassa e que uso fazem dela?
Nada disto é explicado. Nada disto é justificado. Apesar disto ser abusivo, ilegal e possivelmete criminoso.
Como o governo (os governos) é distraído posso lembrar que nada disto é prática corrente nos países civilizados, perdão, queria dizer europeus e similares, à excepção deste pedaço, a Oeste da Europa e juntinho ao oceano.E para não ir mais longe, não é assim em Madrid; não é assim em Paris e nem sei onde é que possa ser.
E ocorre-me uma velha estória, do tempo das lavadeiras de Caneças e das saloias da Malveira.
- Onde é que o senhor mora?
- Moro com o meu irmão...
- Bom! E onde é que mora o seu irmão?
- Mora comigo...
- Gaita!!! Onde é que vocês moram, os dois!?
- Moramos juntos...
Num tribunal, os manos até podiam ser absolvidos. Em Lisboa não terão direito ao Lisboa-viva...
quarta-feira, julho 27, 2005
As Mães
Todos os anos há um "Dia da Mãe". Transferiu-se do mês de Dezembro para o de Maio. Porquê? Porque o mês de Dezembro já era um tempo movimentado do ponto de vista comercial e Maio não tinha nada de importante. Depois do Carnaval e antes do Verão, não havia nada muito comercial. Juntou-se a importação do "Dia dos Namorados ", em Fevereiro, ao "Dia das Mães", acho que aí pelo fim de Maio.
Há os que já a não têm e não conseguem deixar de fazer de todos os dias "o dia da Mãe". Há os que tendo-a, se esquecem dela todos os dias , mesmo no tal "dia da Mãe".
E, finalmente há os que sem o perceber se transformam eles próprios no "Dia da Mãe". Estão ali, parados, escutando, receando as palavras, as estórias, as luas novas.
Hoje, que não é dia de coisa nenhuma, lembrei-me de um dia desses, um dia repetido em cada 24 horas, uma vida gasta, trocada com gosto, com amor, dedicação. Feliz e especial deveria ser a Mãe com um dia assim! Se o soubesse...concerteza o seria.
ALCATRUZES
Na fonte luminosa o idealismo de Mário Soares revelou o democrata que não aceitava ver substituida a deposta ditadura salazarenga por outra ditadura de esquerda.
Como primeiro ministro saído da Alameda, Soares meteu o idealismo na gaveta e empreendeu
uma longa e complicada carreira política, aos zigue-zagues, uma vezes mais à esquerda, outras mais à direita - e direita, nesse tempo, chamava-se centro, como muito bem explicaria Salgado Zenha.
É conveniente lembrar que os governos de Soares nunca foram um modelo de coerência, nem beneficiaram de maiorias estáveis. E do mesmo modo deve ser lembrado que o PS, de Mário Soares, perdeu duas eleições legislativas para Sá Carneiro, da AD. Como diria o meu vizinho, se fizesse comentários na televisão, o idealista lunático ganhou, o pragmático, perdeu.
Mas Mário Soares não era e não foi de desistir. E voltou a ganhar ao PSD, orfão de Sá Carneiro, e aceitou a tese de Eanes e foi liderar o Bloco Central, de má memória.
Com Eanes a travar politicamente os sonhos de Soares, o PS achou por bem avançar com Almeida Santos para as eleições seguintes. O PSD iria estrear Cavaco Silva e o próprio Eanes
aparecia mascarado de PRD.
O primeiro efeito da campanha foi a surpresa de um não de Direito. Até aí ou se era advogado ou militar. Cavaco era praticamente o primeiro político a não falar da Lei nem do Dever, mas sim da finanças e economia, sem baralhar as somas ou as subtrações!
Isso teve efeito e sentiu-se no Rato. Soares avançou e deu a cara, mas era manifestamente tarde. Cavaco começava a liderar um governo, apoiado em cerca de 30% dos deputados, no Parlamento. Uma boa (?) parte do PS encostava-se a Eanes contra Soares e isto ele não esqueceu nem perdoou nunca. Meteu-se à estrada e arrancou para as presidenciais com todo o ânimo, derrotando Freitas do Amaral, mas também deixou pelo caminho os «seus»Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.
Sentado em Belém, surgiu nitidamente de mangas arregaçadas. Ajudou Cavaco a ganhar novo acto eleitoral, com maioria absoluta, deitando o PRD, de Eanes, para o lixo. Depois foi a vez de outros notáveis do PS, entre os quais Victor Constâncio, pagarem com língua de palmo, mas sempre no melhor dos mundos com o governo de Cavaco Silva.
Este ia de vento em popa, tão à-vontade que foi alargando as rédeas aos ministros, até aí bem comportados e contidos nas exclamações. E no termo da legislatura, Soares era dono e senhor do PSD. Tão dono e senhor que Cavaco nem deixou o partido indicar candidato. O que estava em Belém servia perfeitamente. Soares queria fazer campanha e convenceu um «inocente» Basílio Horta a fingir de candidato.
Reeleito, Soares olhou para Cavaco Silva e deve ter murmurado: agora tu, meu menino.
E foi. Inferneziou o governo e em particular o primeiro- ministro, frequentemente à beira de um ataque de nervos. Demoliu a fachada social-democrata e Cavaco só percebeu isso quando se viu derrotado por Jorge Sampaio.
É notório que o octagenário dr. Mário Soares não satisfaz o pleno dos socialistas, mas que outro pode chegar a Belém? E que poderá o poeta fazer, que não seja parodiar Camões: (...) Tu, que afinal não partiste/Repousa por Belém todo contente/ E viva eu no Rato, sempre triste...
Como primeiro ministro saído da Alameda, Soares meteu o idealismo na gaveta e empreendeu
uma longa e complicada carreira política, aos zigue-zagues, uma vezes mais à esquerda, outras mais à direita - e direita, nesse tempo, chamava-se centro, como muito bem explicaria Salgado Zenha.
É conveniente lembrar que os governos de Soares nunca foram um modelo de coerência, nem beneficiaram de maiorias estáveis. E do mesmo modo deve ser lembrado que o PS, de Mário Soares, perdeu duas eleições legislativas para Sá Carneiro, da AD. Como diria o meu vizinho, se fizesse comentários na televisão, o idealista lunático ganhou, o pragmático, perdeu.
Mas Mário Soares não era e não foi de desistir. E voltou a ganhar ao PSD, orfão de Sá Carneiro, e aceitou a tese de Eanes e foi liderar o Bloco Central, de má memória.
Com Eanes a travar politicamente os sonhos de Soares, o PS achou por bem avançar com Almeida Santos para as eleições seguintes. O PSD iria estrear Cavaco Silva e o próprio Eanes
aparecia mascarado de PRD.
O primeiro efeito da campanha foi a surpresa de um não de Direito. Até aí ou se era advogado ou militar. Cavaco era praticamente o primeiro político a não falar da Lei nem do Dever, mas sim da finanças e economia, sem baralhar as somas ou as subtrações!
Isso teve efeito e sentiu-se no Rato. Soares avançou e deu a cara, mas era manifestamente tarde. Cavaco começava a liderar um governo, apoiado em cerca de 30% dos deputados, no Parlamento. Uma boa (?) parte do PS encostava-se a Eanes contra Soares e isto ele não esqueceu nem perdoou nunca. Meteu-se à estrada e arrancou para as presidenciais com todo o ânimo, derrotando Freitas do Amaral, mas também deixou pelo caminho os «seus»Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.
Sentado em Belém, surgiu nitidamente de mangas arregaçadas. Ajudou Cavaco a ganhar novo acto eleitoral, com maioria absoluta, deitando o PRD, de Eanes, para o lixo. Depois foi a vez de outros notáveis do PS, entre os quais Victor Constâncio, pagarem com língua de palmo, mas sempre no melhor dos mundos com o governo de Cavaco Silva.
Este ia de vento em popa, tão à-vontade que foi alargando as rédeas aos ministros, até aí bem comportados e contidos nas exclamações. E no termo da legislatura, Soares era dono e senhor do PSD. Tão dono e senhor que Cavaco nem deixou o partido indicar candidato. O que estava em Belém servia perfeitamente. Soares queria fazer campanha e convenceu um «inocente» Basílio Horta a fingir de candidato.
Reeleito, Soares olhou para Cavaco Silva e deve ter murmurado: agora tu, meu menino.
E foi. Inferneziou o governo e em particular o primeiro- ministro, frequentemente à beira de um ataque de nervos. Demoliu a fachada social-democrata e Cavaco só percebeu isso quando se viu derrotado por Jorge Sampaio.
É notório que o octagenário dr. Mário Soares não satisfaz o pleno dos socialistas, mas que outro pode chegar a Belém? E que poderá o poeta fazer, que não seja parodiar Camões: (...) Tu, que afinal não partiste/Repousa por Belém todo contente/ E viva eu no Rato, sempre triste...
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