sábado, maio 14, 2005

As Condenações do Poder

Com o passar dos anos a gente habitua-se a ler as notícias, os gestos, as palavras. O actual governo de Portugal, três meses depois já permite uma leitura: é um governo dos negócios e o primeiro-ministro é um homem com medo.

Tudo isto quer dizer que a confusão se vai instalar dentro de pouco tmpo.

E basta!!! Não vale a pena gastar mais cera. É a condenação do poder político em Portugal.

MEMÓRIAS AO SABOR DO VENTO

Quando, em Junho de 1944, o dr. Oliveira N'Dalatando inaugurou o Estádio Nacional, com pompa e circunstância, evidentemente, no Dia de Camões, também conhecido, à época, como "Dia da Raça", pelos bem aventurados do regime, eu tinha dez anos e já os conhecia, quer o citado Presidente do Conselho (monárquico praticante) e o presidente Oscar de Fragoso Uige, a quem também deixavam inaugurar as obras inauguradas, claro, pelo dr. Salazar. Não os conhecia pessoalmente, bem entendido, mas pelos retratos deles, pendurados nas paredes da escola, nas paredes de todos as escolas do país.
Como a guerra ainda não tinha acabado o Estádio podia ter a configuração imperialista germânica, de matriz romana, se preferirem. Uma festa. Muito Sol e muita música. Muitos meninos e meninas a fazer ginástica. O que é que importava que a Europa estivesse a consumir-se numa guerra medonha.
Nesse tempo não havia muitos carros. Nem se sabia o que viriam a ser horas de ponta. Mas quem quisesse e tivesse carro podia ter ido por auto-estrada até ao Estádio, desde as Amoreiras!
O viaduto ainda não se chamava, creio eu, Duarte Pacheco, porque o dito ainda estava vivo e ainda era ministro das Obras Públicas.
Eu fui de comboio. Um pequeno ramal, desviava na Cruz-Quebrada e deixava-nos perto do Estádio. O eléctrico também prolongou a linha até à Cruz-Quebrada.
Eu vi o Salazar na tribuna. O meu pai emprestou-me o binóculo. Espreitei e vi-lhe, juro que vi, as botas.
E finalmente o jogo. O que levou o meu pai a levar a família ao Estádio não foi o Camões nem a Raça, mas o Benfica-Sporting, que disputaram a primeira Taça Império. Não me lembro do jogo.
Acabou às escuras e o Sporting ganhou. O que retive mais daquele dia foi espanto por ver tanto polícia a cavalo e por ter visto as botas do senhor da tribuna.
Nesse tempo o Estado Novo impusera o racionamento. Um racionamento igual para todos que fossem iguais; os outros, os mais ou menos endinheirados, tinham de tudo, compravam de tudo. Os restaurantes também deviam cumprir a lei. Uma lei de opereta. Podia escolher da lista: sopa,um prato de peixe, um prato de carne, queijo e fruta ou doce. Para comer em casa era mais complicado. Havia senhas para o pão, senhas para o arroz, para o sabão, para o açucar e não sei para que mais. Nunca havia nos talhos a carne que se precisava, só da outra. Para ter acesso a bifes de vaca (como se dizia na época) era preciso desenvolver um intenso tráfico de influências, também conhecido por mercado negro.
Na minha escola, ao Conde Barão, a maior parte dos alunos ia descalça. Aos sábados tinhamos a Mocidade Portuguesa. Consistia em marchar, distinguir um chefe de quina de um chefe de castelo; aprender os hinos. Só uma vez em quatro anos assisti a uma distribuição de fardas. Para um desfile nos Restauradores e depois eléctrico até ao Jardim Zoológico. Não fui. Não havia farda para o meu tamanho (era minúsculo).
Na escola, o meu prof era o director. Um trasmontano de Chaves. Aprendi a ler e a fazer contas.
Não me ensinaram cultos religiosos.
Morava na Rua Victor Cordon, abaixo da António Maria Cardoso. Passava todos os sábados duas vezes à porta da PIDE, sem saber o que era, para ir e vir do Chiado Terrasse, o cinema da minha mocidade.
Ia a pé para a escola, mas o eléctrico custava cinco tostões. Telefonar das cabinas também, mas nunca telefonei. Não me lembro que na família alguém tivesse telefone. De vez em quando ia ao cinema à noite, com os pais, a meio da semana. O filme acabava a rondar a meia-noite. Os cafés na Baixa estavam todos abertos. Era altura de engolir um galão e um bolo. No Verão, gelados. A loja ao canto dos Restauradores ainda existe!
Patinhava-se a pé Chiado acima. Bastante gente. Tranquila. Não havia carros patrulha. Mas, aqui e ali havia sempre um polícia a cirandar devagar.
Claro que havia miséria e até havia espionagem de permeio, mas não era visível aos olhos de um garoto de nove/dez anos. Ouvi um tio uma vez referir-se ao Barreiro e o meu pai mandar-se à rua comprar cigarros. E ouvi e não percebi o meu professor ralhar alto a um rapaz descalço por causa de não ter caderno nem lapís. O miudo falou qualquer coisa de terem ido buscar o pai a casa. E rasgou-me meio caderno e deu-o ao rapaz. Durante uns dias, antes da saída, entregava um embrulho pequeno ao rapaz.
(continua, num dos próximos dias, se houver pachorra).

MEMÓRIAS AO SABOR DO VENTO(2)

Das outras coisas eu pouco sabia. Da janela de casa via um pedaço do Tejo e à distância as fragatas de vela erguida, como canta Carlos do Carmo, pareciam brinquedos. Como as outras fragatas metálicas, as da Marinha, presas à boia, não pareciam ameaçar nada nem ninguém. Não estou a dourar a pílula. A vida não era tão tranquila como os olhos de menino a viam. Quando subia a encosta para o Castelo passava pelo Aljube, mas não sabia o que era, nem quem albergava. Nem sabia de Caxias ou de Peniche e menos ainda de Tarrafal. Nem tribunal especial com juizes capazes de julgar o injulgável.
À volta do rapazinho que lia o mosquito o mercado negro florescia. Pelo Norte o volfrâmio fazia excêntricos todas as semanas. Por Setubal arribavam, discretamente, navios alemães, para levar o minério.
Aos sábados havia um senhor que contava uma história pela telefonia e aos domingos era Alfredo Quádrios Raposo que fazia o resumo da primeira parte e o relato da segunda, de um jogo de futebol realisado à tarde. Algumas vezes vi o jogo e depois, em casa, ouvia o relato do mesmo jogo.
O meu pai ia por vezes, à noite, a Campo de Ourique ver filmes ingleses fornecidos pela embaixada. Junto ao Chiado, abaixo do teatro da Trindade, que se chamava teatro porque passava filmes, estava o Ginásio, que só dava filmes alemães. Devia ser a maneira mais hábil que se conhecia de exibir uma neutralidade, que em boa verdade nada tinha de neutral. Como seria de esperar o conceito de neutralidade foi evoluindo à medida que o avanço dos aliados já poucas dúvidas deixava sobre o desfecho da guerra. O Estado Novo era bem entendido pró-americano. Era tempo de saber dos judeus e dos campos de extermínio. O governo rezava e não escondia alguma preocupação. A oposição terá acreditado no milagre, mas não terá feito tudo por merecê-lo...

sexta-feira, maio 13, 2005

MEMÓRIAS AO SABOR DO VENTO/3

Mas em 1947, quando Leitão de Barros encenou o Cortejo Histórico, para celebrar os oitocentos anos da tomada de Lisboa, a II Grande Guerra já lá ia. A Festa badalava-se pelas avenidas da Baixa. Género popular do melhor e não digo para memória futura porque a televisão ainda não devia estar inventada na Europa. Eu odiava que me levassem a ver. Era comum o género de manif populista pelas ruas. As marchas, pelos santos populares ou os cortejos com criaturas importantes. Os putos mais pacientes ficavam sentados nas bordas dos passeis horas a fio. Ou então ficava-se de pé, atrás das costas dos mais altos. Datam daí a maioria dos meus complexos.Mas era comum, lá isso era, amontoar pessoas ao longo das ruas e avenidas a ver passar e muitas vezes nem se vislumbrava o que passava ou quem passava. Mas podia bater-se palmas à vontade.De vez em quando consegui ver uma mãozinha a acenar dentro do carro. De uma fez foi o Franco, que veio a Lisboa. Não me recordo se vi só a mãozinha se vi o generalissimo todo, mas vi qualquer coisa.
Oito Séculos de História ficava bem num cortejo festivo e parecia marcar o fim do incómodo governativo com o desfecho da guerra. Suficientemente desmascarado, o fascismo já não incomodava. Mesmo assim, não dava jeito exibir uma ditadura muito severa. De todo conveniente enfeitar o regime e congeminar eleições para inglês ver o país do faz de conta. Os eléctricos eram de uma companhia inglesa; os telefones ainda não tinham espírito santo de orelha, eram anglo-portuguese qualquer coisa. O Vinho do Porto bebia-se na Inglaterra.
O cortejo de Leitão de Barros terminava com as quatro raínhas de Lisboa. A moral vigente ainda não suportava misses meio descascadas. A que ia mais no alto era a Lisboa Eterna era minha colega no Ateneu, uns dois ou três anos mais adiantada.
Pois é! Lisboa era uma aldeia. Daí a nada seria a NATO a vir estruturar-se em Lisboa. Era tempo de ver outra realidade: montes de polícias e metralhadoras pelos telhados, diante do Técnico. A ditadura tinha-se solidificado. Ninguém queria saber, ninguém quis e quando assim é a obra nasce.
Já se podia celebrar à vontade o 28 de Maio. Era a revolução que prevalecia, uma festa de militares, em honra dos que salvaram a Pátria. A Pátria tinha ar de estar um tanto farta de ser salva, mas os militares não tinham sensibilidade, nem percebiam que já pertenciam ao passado.
A ditadura concentrava-se num só homem e assentava numa polícia política. Por isso Spínola esteve na siderurgia de Champalimaud. Maria Armanda Falcão, quando foi preciso, foi com Maria Barroso ao Aljube, visitar Mário Soares.
À beira dos anos 60 reencontei a «Lisboa Eterna» na Parede.Vinha de Moçambique e reencontrava os amigos. Um belo dia fugiu com Manuel da Fonseca, que era dado a distrações.O grupo, de que também fazia parte Mário Henrique Leiria entretinha-se alegremente a escandalizar o comum dos mortais.
A guerra estava esquecida, apesar da Coreia e da Argélia estar a chegar e a Indochina estar a aquecer. Os dias plácidos sucediam-se. Goa estava tão longe. Ainda não havia pílula. Mas estava a chegar...
Faltava uma dúzia de anos, para tudo se acabar na quarta-feira. E começar de novo.

A OESTE ALGO DE NOVO

...E, de súbito, pessoas inesperadas começaram a ser inesperadamente detidas para averiguações e indiciadas e incomodadas. Dei por mim a ler uma qualquer insinuação sobre um avião depositado num banco estrangeiro, perdão, num aeroporto fora de portas, por razões mais estratégicas que económicas. Eu póprio dou por mim a fazer contas. Li algures, e acho que também ouvi, sobre a nova ponte sobre o Tejo, como assunto arrumado: do Carregado para Benavente. Com direito a comboio próximo futuro, que auto-estrada já lá chega. Parecia uma boa notícia, parecia, sim senhor...
Depois é isto, a maldição: não há paz entre as oliveiras ou sobreiros ou lá o que é. Estava em crer que desportivamente Benavente carecia de um jogo de matraquilhos. Mas novo, claro. Pode ser que um campo de golfe também sirva, mas numa coisa daquelas onde é que se mete a moeda?
Além disso ocupa um data de espaço, espaço que chegava de sobra para fazer mais dois ou três estádios de futebol novinhos em folha. E sempre se evitava ter o Benfica de ir jogar a Faro sempre que houvesse corrente de ar no Estoril.
E como a diplomacia do burgo estabeleceu tão cordiais relações com os E.A.U. porque não santificar o espírito da cordialidade, abrindo novas dependências da banca divina, no Dubai, purificados que estão os emirados?...
Seja como for, é necessário ponderar. Se as instâncias judiciais desatam a prender gente inesperada pode criar um problema delicado no largo do Caldas: o partido das imediações ficar sem fotografias para pôr nas paredes...
Mas solução economicamente viável podia encontrar-se por perto, ainda do lado de cá do rio, na linha de caminho de ferro do norte, onde se encontra a estação de Virtudes, onde os homens políticos deviam ter residência fixa e ajuramentada. Qualquer deles podia sempre afirmar-se como um homem de Virtudes. Sem receio de desmentido...

quinta-feira, maio 12, 2005

Notícias giras

Hoje um jornal de economia dizia, citando a Lusa, que indicava fontes "ligadas ao processo" - Ah! Ah! Ah! - que a PT iria reduzir o preço médio das chamadas em 9,8 por cento e passar as comunicações regionais para locais.

O jornal não disse, mas" fontes ligadas ao processso" acrescentaram que a Administração da PT pediu desculpa ao seu director de recurso humanos por apenas lhe conceder um prémio de 35.000 Euros pelo esforço desenvolvido para se ver livre de tanta gente trabalhadora.

O (a) braço direito teve um prémio de apenas 11.000 euros , mas, no futuro, ambos serão compensados pela grande batalha que estão a travar pela construção da empresa ideal: sem pessoas.

Essa será uma batalha vencida, quando o grande timoneiro, Zenal Bava, já presente em tudo quanto é programa televisivo, assumir definitivamente o comando da grande nau e a ancorar no Índico junto de um faustoso palácio digno das das mil e uma noites, onde não se comerá carne de vaca e se ornamentarão as paredes com as fitas enormes das contas dos supermercados portugueses: papel higiénico... sabonete lux... coca-cola... wisky...vinho casal da eira...

Vários Casos de Sucesso e de Seriedade

Um jornal lisboeta noticiava ontem que o Grupo Amorim se preparava para criar um Banco em Angola, tendo como sócia uma filha do presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

Ora aqui está uma jovem cheia de talentos!

Como é possível que com gente tão capaz, o país - Angola - continue a ser um dos mais pobres do Mundo, com uma população cada vez mais miserável, a morrer de doenças que já não existiam há dezenas de anos?!!!

Como é que se chama mesmo a senhora tão talentosa, capaz de ter um banco com um grupo tão sério?

Tão sério como o outro, o BES, que há anos e anos não desiste de deitar abaixo os sobreiros de Benavente para ali construir um complexo turístico, para o qual - evidentemente - muito há-de contribuir o Estado, já que se trata de um empreendimento de "evidente benefício público"

Vá lá que desta vez foram apanhados alguns dos administradores das centenas de empresas que compoêm o Grupo BES. Um deles, por curiosidade, tem o apelido de Horta e Costa, por certo, família do barão. Será ele o homem que sobe no avião estacionado em Espanha, ou é mesmo o barão?

Quando é que a PJ nos surpreende com a revelação?

quarta-feira, maio 11, 2005

SEMANA DESPORTIVA

Dificilmente o desporto nacional será tão pobre como no futebol. Pobre de mentalidade. Das mentalidades de árbitros, de dirigentes, de adeptos, de jornalistas, de todos: políticos quer dizer governantes, e povo.
Não há semana em que essa pobreza não fique a pairar por sobre a indigência de mente e moral do universos futebolístico. Com excepções evidentemente, mas de ordinário silenciosas.
Na RTP riparam na rapaqueca
O coração de Jorge Perestrelo, que viveu com o Benfica, começou a morrer em Amsterdão com o Sporting. Calhou. Mas a emoção com que gritou "Te amo, Sporting", ao golo do Sporting nos últimos segundos do desafio, sem dúvida que deram um empurrão num corpo, o seu, que estava para morrer.
Os benfiquistas da RTP é que não gostaram. E quando transmitiram a reportagem da sua morte, e o entusiasmo com que festejou a vitória do rival cortaram-se. Não obstante o ter repetido por, pelo menos e salvo erro, três vezes.
Critérios jornalísticos. Se a PIDE tinha critérios jornalísticos, porque é que os jornalistas da RTP não deveriam tê-los? Basta fazer zaping e confrontar os noticiários com os das parceiras da liberdade jornalística para ver que os têm mesmo. Graças a Deus. Como os outros aliás, que Deus é pela igualdade.
A democracia jornalística é que não tanto.
Pois eu, que não sou de felicitações póstumas, deixo aqui ao Rapaqueca um cumprimento. Foi talvez o primeiro retorno das palmas que bati e do dinheiro que gastei com o Benfica. O outro, que toda a gente sabe qual é.
Os directores
Naquilo que os dirigentes dos chamados três grandes se queixam sou tentado a quase dar-lhes razão. Aos factos de que se lembram: à penalidade que o árbitro não marcou, à deslocação que os prejudicou, à vista grossa que fez à violência dos adversários.
Quanto ao que esquecem é que não posso dar. Desconheço-a. Mas como aprendi na escola que a memória é selectiva, que normalmente faz a vontade ao seu portador, calculo o que esquecem e o porque esquecem.
Dava para gorda crónica. Uma resenha explicativa, e documentada, do risível em suas pessoas. Para o que não há tempo nem paciência. Mas para gastar umas linhas com eles há.
Para dizer que não vale a pena, por agora, perder minutos com o Pinto da Costa, quando os tribunais andam às voltas com o seu desportivismo.
Quanto a Vieira e seu lugar-tenente, Veiga, a pobreza é tanta que fazem dó. Para rir só quando se queixam dos árbitros. Com Damásio e Vale Azevedo são o retrato deste Benfica.
Agora a Cunha, o Dom Quixote dos futebóis, é conveniente lembrar que isso de paladino exige compostura. Lealdade. Aquilo que lhe falta para reconhecer as vezes em que os seus adversários são desfavorecidos a favor do seu clube. Lembram-se de M. Vinhas, para quem o importante era o desportivismo, não o ganhar?
O árbitro
Caiu o Carmo e a Trindade com a arbitragem do último Penafiel-Benfica. Porque o árbitro é do Benfica, e podia muito bem sê-lo sem escândalo e não foi; na dúvida foi até contra o Benfica. Do meu ponto de vista, pelo menos perdoou uma grande penalidade ao Penafiel. Se não foram duas.
E a propósito de um árbitro que se sabe que é do Benfica. Qual é o clube dos outros todos? Será que é a Polícia que terá de tomar a iniciativa de saber se foram honestos ou desonestos na declaração de tendência clubística? Ou não tem iomportância saber se foram ou desonestos ou honestos?
E os árbitros auxiliares
Com o objectivo de diminuir os atritos à volta dos foras-de-jogo, os reaccionários e pouco lúcidos dirigentes do futebol internacional, resolveram, desta vez bem, determinar que, no caso de dúvida, é de deixar seguir a jogada. O que, a ser cumprido, favoreceria a beleza do espectáculo e diminuia o risco de punir quem não prevaricou.
Só que os juízes de pau-na-mão apropriaram-se da determinação e fazem gala em assinalar as deslocações duvidosas. Não cumprindo com o que lhes mandaram cumprir, o que lhes dá oportunidade para serem desonestos as vezes que quiserem, obedecendo ou desobedecendo à directiva.
E os chamados jornalistas, que os do futebol são duma pobreza tão grande como o próprio futebol, por seu turno, fazem mira ao pé à frente ou atrás (20cms) que, na sua perspectiva, os autoriza a dizer se foi "ofessaîde" ou não foi. Brilhantes.

terça-feira, maio 10, 2005

RECORDANDO HITLER

E subitamente meio mundo, ou o mundo inteiro, pôs-se a falar de Hitler.
Tenho para mim que Hitler, hoje, não é mais que um adjectivo. Não mais um substantivo. Ele, o seu nome por ele, qualifica.
É um outro Maquiavel. O nome, porque um não tem nada a ver com o outro. Quando se diz que alguém é maquiavélico, mesmo quem diga não faça a menor ideia de quem foi e do que foi Maquiavel, esse que não sabe quem ele foi está a chamar pérfido a outro alguém.
Ora Hitler já é mais ou menos isso: uma ofensa. Mas ele, como adjectivo, não está relacionado com a perfídia. Antes com a crueldade. Sucedeu-lhe porém ter tanto de pérfido como de cruel.
E de estúpido também
Um dia um jornalista, ao entrevistar Edison, chamou-lhe génio. Tinha ele inventado uma das muitas coisas que inventou e depois foram as homenagens e já havia jornalistas a chatear. Então lá veio o adjectivo génio.
Edison ouviu, parou a olhar a palavra, e depois debitou um discurso em que dizia que não sabia o que era isso de génio. Mas tinha uma ideia, e , se a ideia dele não estava errada, definia-a, matematicamente, como noventa e oito por cento de trabalho e dois por cento de inteligência.
- Mas esses dois por cento são muito importantes, acrescentou para que ficasse bem percebido.
Ele, que passou noites inteiras a experimentar a resistência de metais para saber o que devia utilizar nas lâmpadas eléctricas, sabia bem do valor do trabalho na genialidade. Até esse dom parece que cai do céu, a arte, consome ao artista mais horas que as horas de expediente em escritórios, repartições e congéneres. Pergunte-se a um violinista quantas horas gasta em treinos todos os dias. Já para não falar em exemplos como os do pobre Mozart que andou desde criança, mas criança mesmo, como os macacos de feira, de terra em terra a mostrar as suas habilidades.
Mas o Hitler, a pessoa, não o adjectivo, não. Convenceu-se. Deu-lhe a estupidez para ali, e não podia ter dado para pior. Aliás, tudo o que deixou feito e deixou escrito foi tão pequeno, e é, que estupidez não chega para o definir. Nem loucura chega. Loucura talvez seja até uma forma de o desculpar. Claro que louco também, mas imbecil muito mais.
Não esquecer Hitler
Parece que o adjectivo deste intenso rememorar Hitler teve por objectivo lembrar os 53 milhões de mortos na Europa, mais os 6 milhões de judeus que aparecem normalmenmte separados nas contas da mortandade. Rememoração que acontece precisamente no tempo em que se procura lavar a crueldade, as crueldades, crueldades épicas praticadas pelos japoneses na China. É que não foram do cientificismo sinistro das câmaras-de-gás, nem da crueldade holocáustica duma bomba atómica, foram mortes artesanais, uma a uma, desventramentos à baioneta e à faca, à bala também, uma a uma. Foi a crueldade paciente que não cansa, horas, dias, minutos e segundos, porque o tempo era pouco para matar tanto.
Mas o Japão, que foi aliado de Hitler, agora já é um dos fiéis amigos. Portanto, não esquecer Hitler, e quanto aos japoneses o que lá vai, lá vai.
Façamos-lhes então a vontade. E lembremos Hitler. Não apenas o louco, o cruel, o ditador, o carrasco dos judeus, antes e principalmente o pérfido. O traidor, o que fazia acordos de política internacional com aqueles que pensava atacar, o que até convidou o "irmão" Estaline para invadirem juntos a Polónia, dividindo metade-para-mim-metade-para-ti, e tempos depois invade a União Soviética.
Não esquecer então essa perfídia, tê-la sempre bem presente, primeiro que tudo porque as crueldades são incontáveis. Há crueldades para todos os gostos, em todas as idades e em todos os continentes. As perfídias são menos e esquecem mais. Há a palavra dada, o respeito que alguns tiranos têm por si próprios, enfim, há algum prurido. E, por ser menos frequentes, obrigam a mais cautelas.
Alguém faz ideia do que estará por detrás da profunda mudança no comportamento de Bush e todo o seu staff de agressivos economistas e delirantes filósofos?
Bruscamente os filósofos calaram-se todos. E na voz do chefe o que mais se ouve são as palavras "amigos", "aliados" e outras semelhantes.
Pode ser que se trate duma conversa sincera. Deus é grande! Mas também pode ser que não. O diabo tem sido maior.
E menos esquecer a perfídia
De qualquer maneira o que não deve é entrar-se pelo campo da manifestação de intenções. Há apenas dados que servem para ajuizar: os Estados Unidos permanecem no Iraque sem sinais de até quando, continuam a armar-se ferozmente e os seus sábios das químicas e das físicas não desistem de inventar mais instrumentos para matar.
Mesmo assim, os dados de ajuizamento também servem para desajuizar. Dado não é facto.
O que é facto é que a democracia que elegeu Hitler mantem-se intacta. Portanto não esquecer. Hitler é irrepetível, como todo o ser humano. A perfídia não.

Campanhas

O PS iniciou uma pré-campanha para as autárquicas em Lisboa, apresentando um cartaz com Carrilho em várias poses e com uma afirmação: estamos a elaborar um projecto para Lisboa.
Tudo bem. Carrilho tem uma boa imagem, com ou sem gravata e a frase é uma lapalissada, não envergonha ninguém.
Há, todavia, um sinal preocupante: os cartazes da dita campanha estão colocados sobretudo nas entradas e saídas de Lisboa. Ora o que os lisboetas querem é um presidente que se preocupe com eles e não com os que saem e entram. Esses têm que se preocupar com outros projectos. Esta cidade, por exemplo, não tem que ter o seu trânsito desenhado apenas em função das entradas e saídas.
Espero, francamente, que algém se lembre dos liboetas, das suas necessidades específicas, da sua condição muito particular de habitantes da capital do país e que não monte em cima deles mais um projecto megalómano, feito a pensar numa grande capital europeia, habitada por uns desgraçados, alguns dos quais com casas sem casa de banho, com o tecto a cair-lhes em cima.
Espero, com grande esperança, que o tal projecto faça de Lisboa uma terra de que os lisboetas se orgulhem e não tenham que se esconder para que as visitas os não vejam.
Desejo muito, como habitante de Lisboa, que esta cidade se transforme numa terra a que eu possa chamar " a minha terra". Formulo votos sinceros para que, no caso de António Maria Carrilho ganhar estas eleições, vá além dos grandes voos e tenha capacidade para os pequenos passos de que todos precisamos.

segunda-feira, maio 09, 2005

Começo a preocupar-me...

O ministro que tutela a comunicação social, Augusto Santos Silva, já foi ministro da educação e, na altura, opinou, em várias circunstâncias, sobre a comunicação social tutelada pelo Estado. Pareceu, então, ter algumas ideias arrumadas. Agora, de repente, aparece a dizer que a administração da RTP - que é a mesma da RDP - está a fazer um bom trabalho, que tem todo o seu apoio e mais pátipátátá. Será que o ministro virou, ficou cego ou não percebe nada de comunicação social e só está a ver os negócios por detrás da coisa? Será que já é visita de casa do Pinto Balsemão?
Como é que se pode defender o assassínio de uma indústria tão importante como a do audiovisual em nome de uma gestão doméstica feita por um louco, que acha sua obrigação abrir um concurso público para comprar discos para a RTP 2 , uma vez que as editoras já não oferecem discos?
O que se passa com este PS que, de repente, concorda com tudo o que encontrou? Porque não deixaram lá ficar o Santa Lopes? Pelo menos divirtiamo-nos todos muito mais.

As Presidenciais

Ultimamente não tenho muito tempo para este prazer de escrever sem ter que estar a pensar para além de mim mesmo. Hoje, todavia, vou ter algum tempo para isso e não posso deixar de me lembrar de um "puto", muito orgulhoso da sua condição de jornalista, que me mandou um e-mail, tentando ridicularizar algumas observações que eu fiz a um texto dele. O "moço" mora no Cartaxo, vem de madrugada para Lisboa, trabalha numa daquelas revistas inventadas para fazer sair dinheiros esquisitos mas é muito orgulhoso de si mesmo e, naquela altura acusava-me de ter todo o tempo do mundo para os blogs, já que escrevia às horas mais disparatadas ( para ele).
Pois é, nos últimos tempos, nem a horas disparatadas consigo. Aproveito esta noite de domingo para falar das presidenciaisd e lançar dois palpites. A esquerda vai enfrentar o candidato da direita - Cavaco Silva ( até me arrrepio...) - com dois nomes fortes: António Guterres e Francisco Louçã.
Quem passar à segunda volta ganha!
Louçã, para mim, é certo já. O seu discurso de hoje à tarde foi claro.
Quanto a Guterres, será candidato se, entretanto, fôr escolhido como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Claro que, se não fôr escolhido, não tem a mínima hipótese.
Estes socialistas andam a ler com muito cuidado alguns autores bem antigos...

sexta-feira, maio 06, 2005

BLAIR,TONY:SICOFANTA-NATO?

Lombrose, Cesare Lombroso.
Hoje não é muito conhecido, mas no tempo dele (morreu em 1909) arranjou um sarilho científico dos diabos. Mesmo assim, isto é, mais ou menos esquecido depois da balbúrdia, foi, e é, reconhecido como um dos fundadores da Antropologia Criminal.
Ele, o médico legista e psiquiatra, entrou pela criminologia e fez o retrato-robot do criminoso-nato. Defeituosamente, gatinhando na matéria que estava a inventar, chegou à conclusão de que há homens que nascem predestinados para matar. Com o que distiguiu aquele que comete um crime do que nasceu para os cometer.
Neste século, que alvorou sob o signo da pedofilia, explica-se bem, com exemplo verídico até, o que é um nascido para o crime. Houve um pedófilo que pediu para ser castrado porque, logo que voltasse à liberdade, voltava à pedofilia.
Eis um pedófilo-nato.
Mas Lombroso foi mais longe: avançou com sinais que caracterizariam o homem patibular: queixo largo, testa curta e inclinada para trás, cabeleira nascendo perto das sobrancelas, barba hirsuta e coisas assim tenebrosas. Também caracterizou o sábio.
Só que a ciência pede números, percentagens, amostras significativas. Que o médico não apresentou. Ficou no entanto a ideia para ser trabalhada com outros cuidados.
Cuidados que não são precisos para falar de políticos já que eles não têm cuidado algum para falar ao povo e ao mundo. Nem vergonha. Acusados de mentir mantêm-se em funções, passeiam-se sorridentes como se o direito de mentir fosse constitucional.
Então, seguindo Lobroso, procuremos, em larga margem, e universal, de políticos actuais o que os caracteriza para além da desvergonha generalizada ( que talvez seja cientificamente comprovável). As características exteriores como a testa estreita ou o queixo facinorose dos nascidos para o crime.
Nos nascidos para a mentira, como todos os que mentem sem peso de consciência. E a intuição leva-nos de imediato ao sorriso sicofanta.
Repare-se no sorriso de Durão, Bush, Aznar e Blair. Na falta de franqueza. No lábio estreito, nos dentes escondidos.
Dir-se-á que em Blair se lhe vêm os dentes. Mas no meio do amarelo do fácies nem se sabe se está a defecar se a sorrir. O que torna a mentira ainda maior.
Cheira pior.

quinta-feira, maio 05, 2005

Afinal...

O Governo PS demora tanto tempop a intervir em empresas como os CTT, onde um dos Horta e Costa ( o Carlos) continua a fazer as mais incríveis negocitatas com os amigos, como a PT onde o outro Horta e Costa ( o Miguel) agora dá prioridade aos genros para distribuir as benesses e até já esquece os militantes do PSD ou os recomendados pelo Ricardo, como na ANA, onde tudo continua confuso e outras... que o povo já começa a pensar:" afinal, o PSD tinha um bom, governo, não sabemos para que votámos no Sócrates."

quarta-feira, maio 04, 2005

Presidente-Polícia

A iniciativa de Jorge Sampaio de andar na estrada a ver como os portugueses conduzem, a acompanhar os polícias, a ver como eles multam os prevaricadores tem um lado preverso: o presidente está atrás da Comunicação Social. O tema é recorrente sobretudo nas trelevisões, mas também nas rádios e nos jornais, que, normalmente, publicam os números que a GNR e a PSP lhes fornecem, sem qualquer critério, sem nenhum tratamento.
Para aquelas forças policiais, os condutores são sempre os culpados. Ou porque andam depressa, ou porque conduzem com alcool a mais. Não há mais culpados, como, por exemplo, as más estradas a sinalização anedótica ou a falta dela e a própria ausência da autoridade nas estradas, a quando de situações perigosas ou confusas.
As televisões, sobretudo, "adoram" um "bom" desastre, com muito ferro torcido, muito sangue espalhado pelo chão e muita gente a chorar. Ficam com imagens para dois ou três dias de noticiários.
Por outro lado, as chamadas forças da ordem adoram as épocas altas, porque aparecem sempre na televisão, com aqueles bonés ridiculos a debitar números à toa, sem nenhum termo correcto de comparação, como se cada Páscoa se pudesse comparar com a anterior, o mesmo para os Natáis, paras as férias, para os fins de semana prolongados.
Que autoridades são estas que não têm ninguém capaz de ler estatísticas?
Que autoridades são estas que vão para a estrada para emboscar os cidadãos, aqueles mais pacatos, cumpridores, mas que, por um qualquer discuido pisam um traço contínuo, ultrapassam os 120 kms à hora sem ningém mais na estrada, a não ser o radar emboscado?
Que presidente é este que vai para a estrada defender a emboscada, o disfarce da polícia, ao contrário de uma presença efectiva, visível, da autoridade sem medo dos verdadeiros prevaricadores, os que provocam os tais desastres de que as televisões tantos gostam, mas que as polícias nunca apanham?
Democracia também é isso: lisura das polícias para com os cidadadãos. Este presidente-polícia esqueceu as regras básicas da democracia: as polícias existem para defender os cidadãos e não para os emboscar e tentar surpreender, arrancando-lhes uns cobres porque não cumpriram uma pequena regra de um conjunto de leis - o código da estrada - ele mesmo uma emboscada.
Claro que as televisões, os jornais e as rádios estão a adorar esta presidência policial aberta. E o presidente lá tem mais um tempo de antena.

terça-feira, maio 03, 2005

DOS FRACOS NÃO...

O homem disse que não. Ele que podia dizer sim, se quisesse. Que podia.
Que importa? Não quis. E como não quis, não há: referendo. Que se lixe! Estou um bocado farto daquela gente, que parecem tão diferentes e acabam por ser iguais: uns safardanas. Como estou a usar o plural, devo clarificar os geminados anti-aborto: o sr. Presidente da R. e o sr. ex-Presi-
dente do C.
Um foi sempre solteiro; o outro bi-casado. Percebo melhor um, do que entendo o outro, mas não desculpo, nem um nem o outro. Mas, se um deles, era assumidamente católico praticante, o outro aparentemente nem isso, mesmo se se sujeitou a mendigar uma recepção.
Qualquer deles prezou em mostrar-se a pairar por cima: eles por cima e nós, por baixo. Eles foram e são o que são; nós pagamos, e alguns de nós sofrem. Faltou-me dizer que um era facho. o outro não como definir, com receio de ofender todos quantos são politicamente o que ele diz que é, mas que, por actos e decisões, não parece.
E, no entanto, ele não hesitou fazer abortar o governo do ex-lagarto em plena gestação...
Mas, em boa verdade, não se lhe conhecia (ao governo) mãe e o pai tinha-se ausentado, o que deixava, de facto, presumir um executivo sem pés ou cabeça...
Do ponto de vista meramente democrático o dono da loja permitiu-se fazer o que não permite às demais criaturas, com bem mais direito a ter voto na matéria...
O que vale é que o tempo dele está a acabar. Será mais um a ir sem deixar saudades...

quinta-feira, abril 28, 2005

NA TERRA DA NOSSA IGNORÂNCIA

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Parafraseando: nas terras da ignorância todos falam e ninguém sabe o que diz.
Claro que sempre há alguém que sabe o que diz. Uma ou outra excepção no meio da santa ignorância, que é o caminho mais eficaz de chegar ao céu. Por isso o inferno está quase vazio...
Carvalho da Silva, uma excepção
A gente da política faz profundos cálculos sobre a velocidade necessária ao despedimento dos funcionários da Administração Pública. E a profundidade oscila, salvo erro, entre os 100 à hora e os 6.000/ 6.500 ao ano.
Mas, espanto dos espantos! apareceu na santa terra lusitana um homem, Carvalho da Silva de seu nome, a perguntar por quê?
A querer saber como se pode chegar a números sem primeiro se definirem necessidades. Sem primeiro se estudarem as reformas da Administração Pública.
Um querer saber lapalissiano: ignorando-se o tamanho e o peso da carroça, como se pode calcular o número de bois necessários a puxá-la? A qualidade da carroça, aqui, tem de andar à frente do número de bois. É para isso que existe a ciência e o método científico. Para contrariar o que a ignorância diz.
E com isto somos chegados a um caso de polícia, a partir do qual todo o departamento de investigação terá de formular duas interrogações:
1 . Em que faculdades se formaram os senhores governantes, opositores e toda essa chusma de iluminados que vai para a política porque, diz-se, é um emprego que "tem saída"?
2. Que universidades portuguesas ensinam metodologia ?
De posse destes dados poderá, então, formular-se a extensão do crime, bem como as condições sociais que levam à proliferação de criminosos.
Marcelo Rebelo de Sousa, o génio
Um homem de outra galáxia. Génio como o Mourinho, ele próprio se sugeriu. Modestamente, como é seu timbre.
- No PSD não o acharam tão genial assim. E viram-no até de muito bons olhos pelas costas quando abandonou a direcção do partido. Provavelmente ingratos duma ingratidão que lhe classificou o génio como de serpe dum cobril sinistro;
- Na TVI despediram-no sob um cortejo de flores, desde o volte sempre até às juras de admiração, mas com o desejo secreto de que fosse andando e não voltasse;
- E na RTP já deve haver gente a pensar em como mandar passear um ilustre professor que utiliza o seu ziguezaguear como muleta de toureiro frente a um pacífico interlocutor sem direito à interlocução. Agora interlocutora, e com bonito penteado. Elogiou o mestre.
É que ele , o eu-sou-professor-universitário, a estar bem, só poderia estar na SIC, na TVI, entre gente da sua gente e nunca num órgão da informação estatal. Uma casa que tem obrigações de isenção, de suprapartidarismo, de supra-egocentrismo, dispensa de bom grado quem jornalisticamente mais parece um trapezista saltando entre os seus desígnios. Antiprofissionalmente.
Esperemos, portanto, que Ana de Sousa Dias lhe saiba pôr cobro ao tagarelar com que a atropela, ou tenha a coragem de o deixar a falar sozinho. Ele com ele dá-se muito bem, a palestra portanto teria melhor efeito. E mais verdade.
A flor do jardim
1. Julgo que foi D. João V. Também se não foi ele foi outro assim: uma magestade mandante.
E ia a magestade em seu coche quando, cruzando-se com um escravo, recebe deste um cumprimento desde o alto até ao chão. Ao qual responde com outro de igual tamanho.
Incomodado, o acompanhante real fez-lhe ver que o outro da troca de delicadezas era um escravo. Observação a que a magestade respondeu (mais ou menos, claro) :
- Em Portugal ninguém pode ser mais bem-educado que o rei de Portugal.
2. No tempo do colonialismo, o Estatuto do Funcionalismo Ultramarino obrigava todos os funcionários públicos, desde o governador ao servente, à urbanidade no trato. E um artigo do mesmo Estatuto estabelecia a pena a que correspondia a falta-de-educação. A qual, dependendo das circunstâncias e gravidade da ofensa, merecia registo no cadastro.
A partir destes dois pontos é importante investigar, em especial na democracia que governo, oposição, constituição, presidência da república, ministério-público e mais instituições democráticas dizem que Portugal é, quem é que deu, e dá, autorização a Alberto João Jardim para ser tão grosseiro.
Não há memória, na história portuguesa da ditadura recém-falecida e da democracia recém-nascida, de alguém tão incivil. E se nem a ditadura consentia que um seu servidor fosse assim, a que título e sob a responsabilidade de quem a democracia consente.
Será que a democracia portuguesa é da irresponsabilidade?
Ou será que os ditos democratas portugueses não sabem que a democracia sem responsabilidade não existe?
E o periquito tremeu
Alberto João também tremeu. Mas foi de fúria.
E mandou os seus recados ao partido de Marcelo Rebelo de Sousa, que é o seu e de outros espécimes igualmente notáveis, a propósito da limitação dos mandatos. Portanto da limitação do seu. Seu emprego. E parece que único porque não consta que saiba fazer mais nada.
Mandou recado mas só a fazer uh! uh!
E foi a vez de o periquito tremer. Mas de medo. Então periquito falou que sim senhor, que limitação sim senhor, que ele é pela limitação sim senhor, mas só daqui a 12 anos.
Esperto. Está convencido que doze anos chegam para que o Jardim seja acometido por um AVC vínico. Um AVCV portanto.
A ganda nóia
O periquito Marques Mendes da Nóia entrou em funções propriamente depois do uh! uh! que lhe fez o grande-chefe Jardim. Assustou-se primeiro, que uh! não é para menos, e depois teve que resolver de imediato, e duma assentada, as hipóteses de referendo sobre a constituição europeia e sobre a libertação da mulher portuguesa das garras dos tribunais e da polícia no caso de aborto.
E resolveu: o referendo sobre a Europa para já, é de interesse nacional; o referendo sobre a despenalização do aborto é do interesse do mulherio. Fica para depois.
Com a chegada do periquito que subiu ao poder no PSD, o partido transformou-se numa espécie de gaiola para a passarada.
Primeiro foi o passarão que voou atrás do seu interesse; depois foi o despassarado que o país pôs a voar por não ter interesse; agora arribou um passarinho que mal chega ao poleiro.
Não chega, mas se um dia o periquito crescer vão ver como o passarinho ainda se faz um homenzinho.

segunda-feira, abril 25, 2005

Viva o 25 de Abril

VIVA o 25 de ABRIL!!!
O grito é óbvio. Viva!
Mas, trinta e um anos depois, era natural esperar que a história se virasse para outros ângulos, para os daqueles que, embora gritando VIVA!!!, o tinham que fazer para dentro de um saco, escondidos, porque à sua volta havia medos, angústias, responsáveis por atitudes impensadas, precipitadas e, em alguns casos, por via disso, a tender para o crime.
Refiro os portugueses que viviam nas ex-colónias. Para uns, a Revolução, o golpe de estado, o que quer que seja, era um alívio, o resultado de uma luta que também tinha sido e era deles. Para outros, foi um sobressalto, a evidência de que, afinal, tinham vivido toda a sua vida dentro de uma mentira e agora (então) não tinham saída, ficavam sem rumo. Pior do que isso: não percebiam nada.
Para ambos os grupos, de Lisboa, só chegavam notícias de disparates. Na ânsia de se apresentarem com os governantes mais revolucionários, os homens que iam salvar o Mundo, os responsáveis pela gestão dos negócios do Estado - que interessavam a todos os cidadãos - comportavam-se como os adeptos de um qualquer- Sporting-Benfica e esqueceram a cidade "destruida".
De onde resultou que, nem para uns (os dos Vivas), nem para outros (os das angústias), nada se salvou de tal destruição. Por lá, Portugal morreu mesmo e em seu lugar, com a excepção de Cabo Verde nasceu nada, ou antes nasceu tudo: corrupção, crime, desprezo pelo direito dos outros, etc, etc. E esta realidade nem Bento XVI com toda a sua humildade germânica pode salvar.
De qualquer modo, VIVA o 25 de ABRIL

domingo, abril 24, 2005

Cherchez o negócio

Durão Barroso voltou às primeiras páginas dos jornais por causa de um amigo. Um amigo multimilionário, grego, antigo colega de estudos, enfim...o habitual: amigo convida amigo e sai um cruzeiro de luxo. Eles e as famílias e uma tripulação completa.
Tal com da outra vez, quando outro amigo convidou Durão Barroso para umas férias numa ilha particular, no Brasil. Neste caso, o amigo multimilionário era português e chamava-se João Pereira Coutinho, cujo irmão acabou por comprar a Quinta da Falagueira pelo preço da uva mijona.
O João já havia comprado o quartel da Artilharia 1 e os terrenos do antigo Colégio dos Maristas, entre a Travessa da Légua da Póvoa e a Avenida Duarte Pacheco. Já estão desenhadas e vendidas as respectivas urbanizações, entretanto hipervalorizadas pelo chamado Túnel do Marquês.
Quando as férias brasileiras do José Manuel levantaram alguma celeuma, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que se tratava da sua vida privada.
O mesmo argumento usou agora o gabinete do presidente da Comissão da União Europeia, a propósito das férias gregas do sr. Barroso.
Esperemos pelo negócio.

Os Tiques do Poder

Um semanário traz hoje a notícia de algumas movimentações na gestão de empresas públicas ou participadas pelo Estado e é incrível como esses nomes nos fazem adivinhar que, afinal, nada mudou na forma de gerir o Estado. Lá estão os lobies todos escarrapachados. Prefiro não comentar a notícia, já que ela pode não passar de especulação. Todavia, a confirmar-se, terei algumas coisas a dizer a propósito de alguns nomes. Esperemos então pelo anúncio do Ministro das Obras públicas, Transportes e Comunicações.