segunda-feira, maio 09, 2005

Começo a preocupar-me...

O ministro que tutela a comunicação social, Augusto Santos Silva, já foi ministro da educação e, na altura, opinou, em várias circunstâncias, sobre a comunicação social tutelada pelo Estado. Pareceu, então, ter algumas ideias arrumadas. Agora, de repente, aparece a dizer que a administração da RTP - que é a mesma da RDP - está a fazer um bom trabalho, que tem todo o seu apoio e mais pátipátátá. Será que o ministro virou, ficou cego ou não percebe nada de comunicação social e só está a ver os negócios por detrás da coisa? Será que já é visita de casa do Pinto Balsemão?
Como é que se pode defender o assassínio de uma indústria tão importante como a do audiovisual em nome de uma gestão doméstica feita por um louco, que acha sua obrigação abrir um concurso público para comprar discos para a RTP 2 , uma vez que as editoras já não oferecem discos?
O que se passa com este PS que, de repente, concorda com tudo o que encontrou? Porque não deixaram lá ficar o Santa Lopes? Pelo menos divirtiamo-nos todos muito mais.

As Presidenciais

Ultimamente não tenho muito tempo para este prazer de escrever sem ter que estar a pensar para além de mim mesmo. Hoje, todavia, vou ter algum tempo para isso e não posso deixar de me lembrar de um "puto", muito orgulhoso da sua condição de jornalista, que me mandou um e-mail, tentando ridicularizar algumas observações que eu fiz a um texto dele. O "moço" mora no Cartaxo, vem de madrugada para Lisboa, trabalha numa daquelas revistas inventadas para fazer sair dinheiros esquisitos mas é muito orgulhoso de si mesmo e, naquela altura acusava-me de ter todo o tempo do mundo para os blogs, já que escrevia às horas mais disparatadas ( para ele).
Pois é, nos últimos tempos, nem a horas disparatadas consigo. Aproveito esta noite de domingo para falar das presidenciaisd e lançar dois palpites. A esquerda vai enfrentar o candidato da direita - Cavaco Silva ( até me arrrepio...) - com dois nomes fortes: António Guterres e Francisco Louçã.
Quem passar à segunda volta ganha!
Louçã, para mim, é certo já. O seu discurso de hoje à tarde foi claro.
Quanto a Guterres, será candidato se, entretanto, fôr escolhido como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Claro que, se não fôr escolhido, não tem a mínima hipótese.
Estes socialistas andam a ler com muito cuidado alguns autores bem antigos...

sexta-feira, maio 06, 2005

BLAIR,TONY:SICOFANTA-NATO?

Lombrose, Cesare Lombroso.
Hoje não é muito conhecido, mas no tempo dele (morreu em 1909) arranjou um sarilho científico dos diabos. Mesmo assim, isto é, mais ou menos esquecido depois da balbúrdia, foi, e é, reconhecido como um dos fundadores da Antropologia Criminal.
Ele, o médico legista e psiquiatra, entrou pela criminologia e fez o retrato-robot do criminoso-nato. Defeituosamente, gatinhando na matéria que estava a inventar, chegou à conclusão de que há homens que nascem predestinados para matar. Com o que distiguiu aquele que comete um crime do que nasceu para os cometer.
Neste século, que alvorou sob o signo da pedofilia, explica-se bem, com exemplo verídico até, o que é um nascido para o crime. Houve um pedófilo que pediu para ser castrado porque, logo que voltasse à liberdade, voltava à pedofilia.
Eis um pedófilo-nato.
Mas Lombroso foi mais longe: avançou com sinais que caracterizariam o homem patibular: queixo largo, testa curta e inclinada para trás, cabeleira nascendo perto das sobrancelas, barba hirsuta e coisas assim tenebrosas. Também caracterizou o sábio.
Só que a ciência pede números, percentagens, amostras significativas. Que o médico não apresentou. Ficou no entanto a ideia para ser trabalhada com outros cuidados.
Cuidados que não são precisos para falar de políticos já que eles não têm cuidado algum para falar ao povo e ao mundo. Nem vergonha. Acusados de mentir mantêm-se em funções, passeiam-se sorridentes como se o direito de mentir fosse constitucional.
Então, seguindo Lobroso, procuremos, em larga margem, e universal, de políticos actuais o que os caracteriza para além da desvergonha generalizada ( que talvez seja cientificamente comprovável). As características exteriores como a testa estreita ou o queixo facinorose dos nascidos para o crime.
Nos nascidos para a mentira, como todos os que mentem sem peso de consciência. E a intuição leva-nos de imediato ao sorriso sicofanta.
Repare-se no sorriso de Durão, Bush, Aznar e Blair. Na falta de franqueza. No lábio estreito, nos dentes escondidos.
Dir-se-á que em Blair se lhe vêm os dentes. Mas no meio do amarelo do fácies nem se sabe se está a defecar se a sorrir. O que torna a mentira ainda maior.
Cheira pior.

quinta-feira, maio 05, 2005

Afinal...

O Governo PS demora tanto tempop a intervir em empresas como os CTT, onde um dos Horta e Costa ( o Carlos) continua a fazer as mais incríveis negocitatas com os amigos, como a PT onde o outro Horta e Costa ( o Miguel) agora dá prioridade aos genros para distribuir as benesses e até já esquece os militantes do PSD ou os recomendados pelo Ricardo, como na ANA, onde tudo continua confuso e outras... que o povo já começa a pensar:" afinal, o PSD tinha um bom, governo, não sabemos para que votámos no Sócrates."

quarta-feira, maio 04, 2005

Presidente-Polícia

A iniciativa de Jorge Sampaio de andar na estrada a ver como os portugueses conduzem, a acompanhar os polícias, a ver como eles multam os prevaricadores tem um lado preverso: o presidente está atrás da Comunicação Social. O tema é recorrente sobretudo nas trelevisões, mas também nas rádios e nos jornais, que, normalmente, publicam os números que a GNR e a PSP lhes fornecem, sem qualquer critério, sem nenhum tratamento.
Para aquelas forças policiais, os condutores são sempre os culpados. Ou porque andam depressa, ou porque conduzem com alcool a mais. Não há mais culpados, como, por exemplo, as más estradas a sinalização anedótica ou a falta dela e a própria ausência da autoridade nas estradas, a quando de situações perigosas ou confusas.
As televisões, sobretudo, "adoram" um "bom" desastre, com muito ferro torcido, muito sangue espalhado pelo chão e muita gente a chorar. Ficam com imagens para dois ou três dias de noticiários.
Por outro lado, as chamadas forças da ordem adoram as épocas altas, porque aparecem sempre na televisão, com aqueles bonés ridiculos a debitar números à toa, sem nenhum termo correcto de comparação, como se cada Páscoa se pudesse comparar com a anterior, o mesmo para os Natáis, paras as férias, para os fins de semana prolongados.
Que autoridades são estas que não têm ninguém capaz de ler estatísticas?
Que autoridades são estas que vão para a estrada para emboscar os cidadãos, aqueles mais pacatos, cumpridores, mas que, por um qualquer discuido pisam um traço contínuo, ultrapassam os 120 kms à hora sem ningém mais na estrada, a não ser o radar emboscado?
Que presidente é este que vai para a estrada defender a emboscada, o disfarce da polícia, ao contrário de uma presença efectiva, visível, da autoridade sem medo dos verdadeiros prevaricadores, os que provocam os tais desastres de que as televisões tantos gostam, mas que as polícias nunca apanham?
Democracia também é isso: lisura das polícias para com os cidadadãos. Este presidente-polícia esqueceu as regras básicas da democracia: as polícias existem para defender os cidadãos e não para os emboscar e tentar surpreender, arrancando-lhes uns cobres porque não cumpriram uma pequena regra de um conjunto de leis - o código da estrada - ele mesmo uma emboscada.
Claro que as televisões, os jornais e as rádios estão a adorar esta presidência policial aberta. E o presidente lá tem mais um tempo de antena.

terça-feira, maio 03, 2005

DOS FRACOS NÃO...

O homem disse que não. Ele que podia dizer sim, se quisesse. Que podia.
Que importa? Não quis. E como não quis, não há: referendo. Que se lixe! Estou um bocado farto daquela gente, que parecem tão diferentes e acabam por ser iguais: uns safardanas. Como estou a usar o plural, devo clarificar os geminados anti-aborto: o sr. Presidente da R. e o sr. ex-Presi-
dente do C.
Um foi sempre solteiro; o outro bi-casado. Percebo melhor um, do que entendo o outro, mas não desculpo, nem um nem o outro. Mas, se um deles, era assumidamente católico praticante, o outro aparentemente nem isso, mesmo se se sujeitou a mendigar uma recepção.
Qualquer deles prezou em mostrar-se a pairar por cima: eles por cima e nós, por baixo. Eles foram e são o que são; nós pagamos, e alguns de nós sofrem. Faltou-me dizer que um era facho. o outro não como definir, com receio de ofender todos quantos são politicamente o que ele diz que é, mas que, por actos e decisões, não parece.
E, no entanto, ele não hesitou fazer abortar o governo do ex-lagarto em plena gestação...
Mas, em boa verdade, não se lhe conhecia (ao governo) mãe e o pai tinha-se ausentado, o que deixava, de facto, presumir um executivo sem pés ou cabeça...
Do ponto de vista meramente democrático o dono da loja permitiu-se fazer o que não permite às demais criaturas, com bem mais direito a ter voto na matéria...
O que vale é que o tempo dele está a acabar. Será mais um a ir sem deixar saudades...

quinta-feira, abril 28, 2005

NA TERRA DA NOSSA IGNORÂNCIA

Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Parafraseando: nas terras da ignorância todos falam e ninguém sabe o que diz.
Claro que sempre há alguém que sabe o que diz. Uma ou outra excepção no meio da santa ignorância, que é o caminho mais eficaz de chegar ao céu. Por isso o inferno está quase vazio...
Carvalho da Silva, uma excepção
A gente da política faz profundos cálculos sobre a velocidade necessária ao despedimento dos funcionários da Administração Pública. E a profundidade oscila, salvo erro, entre os 100 à hora e os 6.000/ 6.500 ao ano.
Mas, espanto dos espantos! apareceu na santa terra lusitana um homem, Carvalho da Silva de seu nome, a perguntar por quê?
A querer saber como se pode chegar a números sem primeiro se definirem necessidades. Sem primeiro se estudarem as reformas da Administração Pública.
Um querer saber lapalissiano: ignorando-se o tamanho e o peso da carroça, como se pode calcular o número de bois necessários a puxá-la? A qualidade da carroça, aqui, tem de andar à frente do número de bois. É para isso que existe a ciência e o método científico. Para contrariar o que a ignorância diz.
E com isto somos chegados a um caso de polícia, a partir do qual todo o departamento de investigação terá de formular duas interrogações:
1 . Em que faculdades se formaram os senhores governantes, opositores e toda essa chusma de iluminados que vai para a política porque, diz-se, é um emprego que "tem saída"?
2. Que universidades portuguesas ensinam metodologia ?
De posse destes dados poderá, então, formular-se a extensão do crime, bem como as condições sociais que levam à proliferação de criminosos.
Marcelo Rebelo de Sousa, o génio
Um homem de outra galáxia. Génio como o Mourinho, ele próprio se sugeriu. Modestamente, como é seu timbre.
- No PSD não o acharam tão genial assim. E viram-no até de muito bons olhos pelas costas quando abandonou a direcção do partido. Provavelmente ingratos duma ingratidão que lhe classificou o génio como de serpe dum cobril sinistro;
- Na TVI despediram-no sob um cortejo de flores, desde o volte sempre até às juras de admiração, mas com o desejo secreto de que fosse andando e não voltasse;
- E na RTP já deve haver gente a pensar em como mandar passear um ilustre professor que utiliza o seu ziguezaguear como muleta de toureiro frente a um pacífico interlocutor sem direito à interlocução. Agora interlocutora, e com bonito penteado. Elogiou o mestre.
É que ele , o eu-sou-professor-universitário, a estar bem, só poderia estar na SIC, na TVI, entre gente da sua gente e nunca num órgão da informação estatal. Uma casa que tem obrigações de isenção, de suprapartidarismo, de supra-egocentrismo, dispensa de bom grado quem jornalisticamente mais parece um trapezista saltando entre os seus desígnios. Antiprofissionalmente.
Esperemos, portanto, que Ana de Sousa Dias lhe saiba pôr cobro ao tagarelar com que a atropela, ou tenha a coragem de o deixar a falar sozinho. Ele com ele dá-se muito bem, a palestra portanto teria melhor efeito. E mais verdade.
A flor do jardim
1. Julgo que foi D. João V. Também se não foi ele foi outro assim: uma magestade mandante.
E ia a magestade em seu coche quando, cruzando-se com um escravo, recebe deste um cumprimento desde o alto até ao chão. Ao qual responde com outro de igual tamanho.
Incomodado, o acompanhante real fez-lhe ver que o outro da troca de delicadezas era um escravo. Observação a que a magestade respondeu (mais ou menos, claro) :
- Em Portugal ninguém pode ser mais bem-educado que o rei de Portugal.
2. No tempo do colonialismo, o Estatuto do Funcionalismo Ultramarino obrigava todos os funcionários públicos, desde o governador ao servente, à urbanidade no trato. E um artigo do mesmo Estatuto estabelecia a pena a que correspondia a falta-de-educação. A qual, dependendo das circunstâncias e gravidade da ofensa, merecia registo no cadastro.
A partir destes dois pontos é importante investigar, em especial na democracia que governo, oposição, constituição, presidência da república, ministério-público e mais instituições democráticas dizem que Portugal é, quem é que deu, e dá, autorização a Alberto João Jardim para ser tão grosseiro.
Não há memória, na história portuguesa da ditadura recém-falecida e da democracia recém-nascida, de alguém tão incivil. E se nem a ditadura consentia que um seu servidor fosse assim, a que título e sob a responsabilidade de quem a democracia consente.
Será que a democracia portuguesa é da irresponsabilidade?
Ou será que os ditos democratas portugueses não sabem que a democracia sem responsabilidade não existe?
E o periquito tremeu
Alberto João também tremeu. Mas foi de fúria.
E mandou os seus recados ao partido de Marcelo Rebelo de Sousa, que é o seu e de outros espécimes igualmente notáveis, a propósito da limitação dos mandatos. Portanto da limitação do seu. Seu emprego. E parece que único porque não consta que saiba fazer mais nada.
Mandou recado mas só a fazer uh! uh!
E foi a vez de o periquito tremer. Mas de medo. Então periquito falou que sim senhor, que limitação sim senhor, que ele é pela limitação sim senhor, mas só daqui a 12 anos.
Esperto. Está convencido que doze anos chegam para que o Jardim seja acometido por um AVC vínico. Um AVCV portanto.
A ganda nóia
O periquito Marques Mendes da Nóia entrou em funções propriamente depois do uh! uh! que lhe fez o grande-chefe Jardim. Assustou-se primeiro, que uh! não é para menos, e depois teve que resolver de imediato, e duma assentada, as hipóteses de referendo sobre a constituição europeia e sobre a libertação da mulher portuguesa das garras dos tribunais e da polícia no caso de aborto.
E resolveu: o referendo sobre a Europa para já, é de interesse nacional; o referendo sobre a despenalização do aborto é do interesse do mulherio. Fica para depois.
Com a chegada do periquito que subiu ao poder no PSD, o partido transformou-se numa espécie de gaiola para a passarada.
Primeiro foi o passarão que voou atrás do seu interesse; depois foi o despassarado que o país pôs a voar por não ter interesse; agora arribou um passarinho que mal chega ao poleiro.
Não chega, mas se um dia o periquito crescer vão ver como o passarinho ainda se faz um homenzinho.

segunda-feira, abril 25, 2005

Viva o 25 de Abril

VIVA o 25 de ABRIL!!!
O grito é óbvio. Viva!
Mas, trinta e um anos depois, era natural esperar que a história se virasse para outros ângulos, para os daqueles que, embora gritando VIVA!!!, o tinham que fazer para dentro de um saco, escondidos, porque à sua volta havia medos, angústias, responsáveis por atitudes impensadas, precipitadas e, em alguns casos, por via disso, a tender para o crime.
Refiro os portugueses que viviam nas ex-colónias. Para uns, a Revolução, o golpe de estado, o que quer que seja, era um alívio, o resultado de uma luta que também tinha sido e era deles. Para outros, foi um sobressalto, a evidência de que, afinal, tinham vivido toda a sua vida dentro de uma mentira e agora (então) não tinham saída, ficavam sem rumo. Pior do que isso: não percebiam nada.
Para ambos os grupos, de Lisboa, só chegavam notícias de disparates. Na ânsia de se apresentarem com os governantes mais revolucionários, os homens que iam salvar o Mundo, os responsáveis pela gestão dos negócios do Estado - que interessavam a todos os cidadãos - comportavam-se como os adeptos de um qualquer- Sporting-Benfica e esqueceram a cidade "destruida".
De onde resultou que, nem para uns (os dos Vivas), nem para outros (os das angústias), nada se salvou de tal destruição. Por lá, Portugal morreu mesmo e em seu lugar, com a excepção de Cabo Verde nasceu nada, ou antes nasceu tudo: corrupção, crime, desprezo pelo direito dos outros, etc, etc. E esta realidade nem Bento XVI com toda a sua humildade germânica pode salvar.
De qualquer modo, VIVA o 25 de ABRIL

domingo, abril 24, 2005

Cherchez o negócio

Durão Barroso voltou às primeiras páginas dos jornais por causa de um amigo. Um amigo multimilionário, grego, antigo colega de estudos, enfim...o habitual: amigo convida amigo e sai um cruzeiro de luxo. Eles e as famílias e uma tripulação completa.
Tal com da outra vez, quando outro amigo convidou Durão Barroso para umas férias numa ilha particular, no Brasil. Neste caso, o amigo multimilionário era português e chamava-se João Pereira Coutinho, cujo irmão acabou por comprar a Quinta da Falagueira pelo preço da uva mijona.
O João já havia comprado o quartel da Artilharia 1 e os terrenos do antigo Colégio dos Maristas, entre a Travessa da Légua da Póvoa e a Avenida Duarte Pacheco. Já estão desenhadas e vendidas as respectivas urbanizações, entretanto hipervalorizadas pelo chamado Túnel do Marquês.
Quando as férias brasileiras do José Manuel levantaram alguma celeuma, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que se tratava da sua vida privada.
O mesmo argumento usou agora o gabinete do presidente da Comissão da União Europeia, a propósito das férias gregas do sr. Barroso.
Esperemos pelo negócio.

Os Tiques do Poder

Um semanário traz hoje a notícia de algumas movimentações na gestão de empresas públicas ou participadas pelo Estado e é incrível como esses nomes nos fazem adivinhar que, afinal, nada mudou na forma de gerir o Estado. Lá estão os lobies todos escarrapachados. Prefiro não comentar a notícia, já que ela pode não passar de especulação. Todavia, a confirmar-se, terei algumas coisas a dizer a propósito de alguns nomes. Esperemos então pelo anúncio do Ministro das Obras públicas, Transportes e Comunicações.

sábado, abril 23, 2005

JÁ SE VISLUMBRA LUZ AO FUNDO

Não me surpreende, como calculam, que cerca de 500 médicos estejam a ser investigados pela Inspecção-Geral de Saúde, a propósito da colocação de professores. O que me surpreendia, e disso dei nota esta madrugada, era que não estivessem. Mas ocorre com os médicos, agora visados, o mesmo que defendi em relação aos professores: o hábito faz o monge!
Não devem, os médicos, passar, de um dia para o outro, de gajos porreiros a filhos da mãe, para evitar a forma mais expressiva que usou Fernando Alves relativamente aos jornalistas...
O hábito de sacar/passar atestados médicos vem de longe e há muito que se tornou uma válvula burocrática. Valia o que valia. Mas era uma nódoa. Pouco visível, é certo. Mas suja, mesmo assim.
Ocorre-me um caso típico. Um professor estrangeiro, a exercer em Lisboa, numa escola não portuguesa, assistiu a um acidente de trânsito, assás violento, de que resultou a deficiência num dos condutores, que ficou pelo resto da vida confinado a uma cadeira de rodas. Fez o que lhe pareceu natural, testemunhou. Um processo mais a seguir trâmites. E entretanto, o professor terminou o seu tempo de Lisboa e regressou ao seu país.
Quando o processo chegou a tribunal, anos depois, o professor foi citado. Apesar do incómodo e da despesa, achou natural. E no dia e hora aprazados lá estava, à espera da audiência.
Que não houve, bem entendido. Geralmente nunca há, em geral o réu não comparece, mune-se de atestado médico. Da vez seguinte, não foi o réu, mas uma das testemunhas, que faltou. Bom, é melhor não dramatizar. Nem sei como acabou o caso. A testemunha deixou simplesmente de comparecer.
E eu paro de citar outros casos paralelos, todos iguais, todos diferentes. Nem quero desculpar A ou B, nem pegar numa lanterna e procurar alguém que tenha razão. É tarde para encontrar um
culpado ou uma dúzia deles, talvez seja tempo de glozar Cesariny: culpados somos nós todos /ou ainda menos/ culpados somos nós todos/ desde pequenos...
A Ordem dos Médicos sai deste caso mal vista. Ao longo dos anos não se preocupou com o assunto. E o assunto era/é simples: a idoneidade da classe...

sexta-feira, abril 22, 2005

COMO SAIR DE UM BURACO?

A maneira mais prática de evitar um dilema destes é não entrar no buraco. Mas sem problemas não há soluções. Pronto! Lá estou eu a atirar-me às cegas pelo beco fora e, depois, esbracejar como um doido. E tudo porque li o matutino, que fazia queixa do matutino do lado. Não era a rufiada de um contra o outro que me pôs mal disposto, já lá vai o tempo em que os jornais me mereciam respeito. Hoje folheia-se um jornal com a mesma placidez com que se busca na lista telefónica o número da salsicharia.
O caso dos profs e dos seus deles atestados médicos deixou-me mal disposto. Principalmente por, a meu ver, ter sido mal abordado. O desenrascanso lusitano tem tradição. Nasce da necessidade e, como é sabido, esta aguça o engenho. No caso vertente, um caos administrativo, politicamente vergonhoso, pôs em risco o ano escolar. Misturou-se escassês de massa, (taco, pilim, cacau, ah! euros!) com falta de programas, falta de organigramas, falta colocações e excesso de vontade de diminuir encargos e pessoal docente. Muita falta e pouca uva.
O resto já se sabe e deu na palhaçada que deu.
E, agora, com o ano já na fase derradeira, ergue-se a questão moral, levantam-se vozes escandalizadas e preparam-se inquéritos impiedosos. Atenção:não vai haver inquéritos aos efeitos da balbúrdia que foi a montagem do ano. O que se põe em causa é a legitimidade dos profs serem aldrabões, como se a aldrabice fosse privilégio exclusivo de outros escalões da função pública.
Muito provavelmente noventa por cento dos atestados médicos em moeda falsa. O que é que se podia esperar?
Não se praticou nenhuma falsificação incomum. Os tribunais recebem imensa papelada dessa para adiar julgamentos. Réus e testemunhas fartam-se de se baldar com recurso desse tipo. Os funcionários que gostam de fazer crecer o fim-de-semana também utilizam esse documento trivial.E toda a gente sabe. É daquelas coisas...
Vamos dar de barato que sim, que no caso da colocação dos profs se exorbitou e que, bom!,pois!, enfim, nasce uma oportunidade para finalmente se sair do buraco. Pode concordar-se com esta tese, mas, senhores, antes de tudo convirá enquadrar bem o buraco. Não será altura para pedir explicações à Ordem dos Médicos?
De facto, não é um sapateiro qualquer que assina o atestado que paraliza o juiz, desautoriza o director-geral ou o director debaixo-do-geral. Nunca se achou por bem pôr em causa a idoneidade do documento assinado à toa pelo clínico mais à mão, o qual as mais das vezes assina por amabilidade ou por ser simpático, sem disso tirar grande proveito. É muitas vezes certo. Será. Mas ao ser simpático, o médico acaba por prejudicar alguém no processo ou, no caso vertente, prejudicou outros docentes igualmente carecidos de colocação e sempre se soube que essa era uma prática corrente, apesar dos prejuizos que causava ( e causa) ao Estado.
E, pela mesma razão, devemos acusar de irresponsabilidade na matérias os sucessivos governos, progressistas ou não, os supremos tribunais com todo o cortejo de ilustres mestres, os quais, de facto, nunca mostraram grande aptidão para prevenir, que é, sem dúvida preferível a julgar?
É manifesto que a legislação nesta matéria terá de ser revista e actualizada com rigor, mas a Ordem terá de intervir também no sentido de impôr respeito pelos valores éticos da classe. Punir só os profs será manifestamente injusto. Como se diz na terra da minha prima: tão ladrão
é o que vai à horta, como o que fica à porta...

É MUNDO QUE TEMOS

Achei por bem oferecer-me umas férias curtas. Como não tenho nenhum amigo milionário, não
fui de canhoneira e nem por isso me vi grego, por ir de carro. Fui sem net, sem portátil, e sem preocupação. O Papa já tinha falecido que me chegasse, mas depois de três dias de viagem, quando liguei a televisão, para saber do mundo, era ainda a morte dele o assunto. Já tinha de sobra e o conclave que estava para seguir-se não me dizia nada. Paris está muito na mesma.
Finalmente comprei um matutino, de uma prateleira de um supermercado de Chateau Thierry e quase caí: era o desemprego, os desempregados a lastimar-se, uma senhora, quadro superior de uma grande empresa comercial a queixar-se que a inflação lhe comia mais de dez por cento do salário. Enfim, populices!
É bem verdade que também eu sou vítima do sistema: entre um bourgogne e um bordeaux não
se coloca a questão de gosto, eu não coloco, mas de preço e, por isso, opto pelo que posso comprar. Bom, mas aqui para nós, que ninguém nos ouve, não tive a mais pequena curiosidade sobre o que teria acontecido numa aldeola onde houve um congresso, mas passei algum tempo a folhear pasquins expostos à espera de saber coisas da minha terra. Um portuga não deixa de ser saloio só por estar numa lojeca de Saint Germain. Nada. Finalmente, na quinta-feira o Nouvel Obs trazia uma página de pub, com uma foto de Lisboa, do alto de Alfama, bem bonita, por sinal.
Isso lembrou-me que é bem verdade que Lisboa é um dos destinos de agrado dos executivos e dos quadros médios franceses, para as escapadelas de fins-de-semana. No sábado, foi o suplemento do Figaro a incluir uma página de anúncio, mas desta feita de promoção do Algarve. Foi pelo telefone que acabei por saber que o Benfica perdeu e que estava muito vento em Lisboa.
E de repente dei por mim a rir como um perdido. Villepin é ministro do Interior. Achou por bem dizer que a seguir ao referendo, fosse qual fosse a opção, a política ia ser outra, mais isto e mais aquilo. Raffarin foi aos arames e o seu ministro do Interior achou por bem insinuar que foi Chirac que lhe encomendou o serviço. O Presidente, bem entendido, não confirmou nada, nem desmentiu coisa nenhuma. "Uma tempestade num copo de água" -concluiu. Do lado da oposição, o PS debate-se com um dilema: metade é pelo sim, a outra metade é pelo não, o que está a deixar o PC embaraçado. Mas entre a direita a contradição é semelhante. Chirac entrou na liça mas sem grande sucesso. O Canard divulgava ontem que o presidente apenas convenceu a neta de um velho amigo e colaborador, já falecido.
Isto de políticos está complicado, está. Até parece que, afinal, Santana Lopes fez escola!
Mas não é só de política. Pela Polícia, pelos tribunais passa-se de tudo, como nas farmácias e mesmo sem receita. Um exemplo, retirado de um dos vários processos tipo Casa Pia que ocorrem, mesmo onde menos se espera. Sobre um dos mais badalados, o "scandale d'Outreau"
o mesmo Canard editou um dossier a que chama "O horror judiciário", onde conta como dois homens foram presos devido a um erro de transcrição do interrogatório de um dos rapazes abusados que terá descrito um dos pretensos violadores como "Dany le grand (o alto)". Ao
passar ao papel o agente escreveu "Dani Legrand". E eis como, de repente, na Bélgica dois homens de nome Daniel Legrand, pai e filho, foram detidos e acusados no processo, ficando presos. Ao londo do processo o pai Daniel fez parte de um grupo de seis detidos inocentados, mas o filho aguarda há três anos recurso à condenação. Este e outros casos, agora divulgados, estão
a causar algum embaraço aos diferentes orgãos judiciários.
Pois, então, é assim mesmo. Na minha terra a economia vai mal, nos governos é a trapalhada que se sabe, nos tribunais os processos arrastam-se e isto e aquilo. Pois, sim, pois sim. Mas se não fosse o Benfica ser o que é, seriamos todos iguais, todos europeus, com mais ou menos sim, com mais ou menos não. Ah, grande Trapattoni!...

terça-feira, abril 19, 2005

O "Senhor Engenheiro"

Dantes, nos noticiários, chamava-se-lhe "senhor engenheiro João Proença", secretário-geral da UGT. A democracia, entretanto, foi-se acentuando e o título foi-lhe retirado. Hoje é apenas João Proença, secretário-geral da UGT. E o que diz João Proença ?: que a Administração Pública deve ser reduzida entre vinte e quarenta mil trabalhadores.
E porquê, João Proença pensa isto?
Por razões orçamentais - diz, "com muito desgosto".
Mais valera que João Proença continuasse a ser "o senhor engenheiro". Ficavam-lhe melhor as preocupações orçamentais. Assim, sem recomendar um estudo aturado, sem reconhecer a necessidade de um reajustamento dos recursos humanos da Administração Pública, assim, de sopetão, aceitar a dispensa de tanta gente, mesmo em quatro anos, não fica bem a um sindicalista.
Não é, sr. engº?

Os Jornalistas são "umas putas"

No segundo congresso dos Jornalistas - segundo e último - um dos oradores, Fernando Alves, que, felizmente para todos nós, continua de boa saúde e constitui um exemplo de que as generalizações podem ser perigosas, subiu ao palco dos trabalhos e pronunciou a célebre frase: "os jornalistas são umas putas". E explicou porquê.
Ontem, ao ver o comportamento de dois ou três "jornalistas" da RTP, que recorreram a todos os expedientes para encobrir o que se passava na sua própria casa, chegando ao ponto de aproveitar, miseravelmente, as imagens repetitivas de cerca de uma centena de velhos decrépitos, mascarados para um qualquer cortejo carnavalesco - imagens que, posteriormente repetiram no jornal da 2... ontem ao constatar esta verdadeira "filhadaputice", lembrei-me da frase do Fernando Alves.
Coitados dos filhos deles.

NOS DIAS DE NADA

Há semanas assim: não morre um papa nem escolhem outro, não treme a terra nem o mar invade a Ásia, Bush não liberta o Iraque nem Carlos dá escapadelas à cama de Camila, nem o petróleo desce nem o príncipe da batota e dos iates repete o seu trajecto de cá para lá (paz à sua alma e à do Papa (ex) também, em verdade nem mais nada..
Foi uma semana sem importância.
Portanto um rescaldo
Disse-o de ela própria uma fraqueza muito explicada, para que o mundo a visse e ouvisse enquanto dizia, por conseguinte falando aos microfones duma televisão que era ateia.
Ateia a sério, dessas de não acreditar mesmo, confessou-se. Não acreditar nem antes nem depois da morte de J.P. II.
Não obstante sentiu-se chamada a Roma, quando do passamento de um polaco sucessor de Pedro. Não sabia porquê!, admirou-se.
Então pôs-se a falar disso "urbi et orbi"como os papas fazem nos dias de festa cristã. Aventando porém que o chamamento talvez tivesse partido da personalidade falecida.
Queria ela dizer, e não disse, carisma. Por isso a ajudamos aqui. E a ajudamos também lembrando que as exéquias a que ela foi tinham o seu quê de agrado.
Era festa, reliogiosa mas aparatosa. Mais que ritual, um espectáculo, um espectáculo oferecido pela morte. Uma solenidade vestida de roupagens e mostrada por sentimentos. Sentidos uns, mostrados outros.
Uma cena chamando a atenção das indiferenças cosmopolitas. Que gostam de ver tudo e vão a todas.
A festa das chamas
Mas espectáculo de impossível comparação, foi o da pompa e dos ritos com que a igreja se engalanava depois de passar a ser apoiada por reis e suportada pelos respectivos braços seculares: o das fogueiras purificadoras de almas. As que mandavam para o inferno. A queima de hereges constituiu o acúmen da espectacularidade. Judeus, judaizantes, pagãos, bruxas, uma chusma de incréus corria sérios riscos de ser trasnformada em archote iluminante desde que o santo do tribunal da inquisição assim o entendesse.
Então a igreja vestia galas.
Estranhamanete, dada a sua origem judia e a nacionalidade do Filho que Deus mandou à Terra.
É que os judeus, quando martirizavam os seus incréus: os cristãos e outros idólatras (como chamavam, e chamam ainda, aos crentes na santidade de Cristo), eram de festas mais modestas.
Talvez por serem mais forretas.
Crucificavam-nos, e espetavam-nos com compridas lanças que chegavam até ao cimo das cruzes. Mas a pompa e circunstância era coisa barata. Não metia a ostentação de decotes a convidar ao pecado, usados pela rainha e mais damas da corte, nem o passeio de circunspectos bispos e luzidios nobres pelo palco se iriam assar pessoas.
Claro que o ar com que assistiam à gala era grave, mas curioso da festa em que as chamas engoliam os gritos. Calavam-nos tão completamente que deles ficava apenas o cheiro, diz-se que nauseabundo, além do lixo que as vidas deixam quando se vão.
Entre as duas festas, a dos judeus e a dos cristãos, a ciência ainda não escolheu qual a mais cruel: se o esplendor das labaredas se a sovinice duma tosca cruz onde se pregavam e espetavam pecados e pecadores.
Mas, como uma igreja é filha da outra, bem se pode dizer que tal pai tal filho. Ou tal mãe tal filha.
Os Clubes da Política
Em política recuso-me a ter clube. Poderia até votar nas eleições de todos os partidos e escolheria sempre o candidato que a honestidade aconselhasse.
Por isso que no PSD votaria em Marques Mendes. Depois do despassaramento santanista era de obrigação. Escolher Menezes pareceu grave risco à honestidade. O homem deu a impressão de ter um carreto fora do lugar. Ou dois.
E Marques Mendes não. Fala até o politiquês corrente, o daquelas frases redondas cheias de vazio, mas di-las com convicção. Homem a mostrar que não brinca em serviço. Portanto antes ele que outro.
Agora, tirando-lhe a convicção não lhe sobra grande coisa.
E, sendo pequeno de mais para chegar a papagaio, fica-se por periquito. Mas repete as palavras muito bem. Será portanto um periquito amestrado. O qual, falando da Administração Pública, repetiu isso que está na moda dizer: o isso que os empresários querem ouvir, o isso que o liberalismo defende para já, o isso da reacção. Convenha-se então que, mesmo para periquito não foi muito original. Embora tenha a chamada ideologia de ouvido. De onde se depreendeu que ignora que, em Portugal, a instituição Administração Pública nunca funcionou. Que foi sempre dominada pelos governantes. Dominada, infiltrada, esmagada. E que, em consequência, levará muito tempo e muito mais estudo até se perceber o que fazer dela. Como a remendar. Como reformar.
Daí a naturalidade da interrogação a querer saber onde trabalhou este homem, que só sabe periquitar.
Parece que trabalhou em lado nenhum, mas dá uma mãozinha na política. Ou seja, outro político de aviário.
Santo Deus! Está a ser cruel o destino deste Portugal, crucificado na política e assado por aprendizes da governação.

sábado, abril 16, 2005

A Entrevista

José Sócrates apareceu a falar dos seus projectos, do seu governo, em entrevista a Judite de Sousa. Foi esta semana, que agora termina. Que dizer desta entrevista? O primeiro-ministro esteve ao seu melhor nível, a revelar bom senso, conhecedor dos dossiês, sem fazer da crise - que toda a gente conhece - motor da conversa e, ao contrário, tentando fazer passar a mensagem de que é no crescimento económico que está a solução.
O que dizer da entrevistadora? Sempre com o mesmo jeito, procurando na pequena política um título para os jornais do dia seguinte. Sempre o mesmo tipo de perguntas, com intrigas subjacentes, mas já gastas, já velhas e revelhas.
Perguntas sobre problemas sérios, concretos, nada.
Por exemplo: a questão da segurança, não se resume a um caso de polícia, como parece ser interpretado por José Sócrates e a sua equipa.
Estão a criar-se ilhas perigosas em Portugal, nomeadamente em Lisboa e uma das culpas mais fortes desses territórios perigosos tem a ver com a lei na nacionalidade, que considera estrangeiros milhares e milhares de jovens que aqui nasceram, aqui vivem, aqui fizeram amigos, mas a quem a lei continua a considerar outra coisa qualquer.
Como é que estes jovens, classificados à partida como estranhos à sociedade em que vivem se podem integrar na nossa sociedade. A lei convida-os objectivamente à marginalidade, praticamente sem alternativa. É um problema grave, de que ninguém fala.
Porque é que na preparação da entrevista a jornalista não detectou esta questão e tantas outras que ficaram por colocar ao primeiro-ministro, cuja disposição era a de, aparentemente ,esclarecer tudo?
Francamente, Judite, que interesse tem, agora, saber se este ou aquele ministro foram a primeira escolha? Será que essa preocupação representa a frustação de não ter participado no habitual festival dos governos formados nos jornais, nas rádios e nas televisões?
Na verdade o país está a precisar de grandes mudanças e não é apenas na política. O governo aparece aos olhos dos portugueses com uma nova atitude, pautada pela dignidade e pelo tão citado sentido de estado, mas os jornalistas e os comentadores não conseguem acompanhar - não saem da baixa política, da pequena intriga, sempre desejosos de pequenos ou, de preferência, grandes escândalos.

quarta-feira, abril 13, 2005

Os Tempos das Músicas

Ouço Aznavour e espanto-me. Afinal, a tecnologia de hoje não me obriga a ouvir os verdadeiros infernos que as Rádios trasnmitem - nem a música, nem as conversas, nem as notícias. Basta ter o CD certo no momento. E não apenas em casa. Agora, no carro trago, entre outras músicas de outros tempos, 48 sucesssos de Juanito Valderrama, o cantor andaluz que comovia toda a Espanha com a sua voz e , muito particularmente, com o "El Emigrante", que Franco, num golpe de génio acabou por transformar numa espécie de hino do franquismo, depois de ter sido uma verdadeira cantiga de protesto dos espanhóis que se sentiam obrigados a procurar melhor vida e melhores dias noutras paragens.

Assim como eu que procuro noutras músicas um complemento para o conforto de quem se sente bem consigo e mal com o que o mundo à volta proporciona.

Para me sentir ainda melhor recordo a voz de Mayza Mataratzo, a feiticeira de voz cálida, de quem nem os brasileiros já falam. A par de músicas de outros tempos - que seriam de hoje se as editoras se dispusessem a isso e os homens e mulheres da Rádio fossem mais cultos, mais informados, também visito João Loio, um verdadeiro proscrito da música portuguesa

Deste modo esqueço a política, a pequenez da oposição e o tamanho da desesperança, que, ou me engano muito, ou está retomar o seu lugar no centro do Mundo.

domingo, abril 10, 2005

Os "Problemas PSD"

A seis de Dezembro de 2004 eu dizia aqui neste blogue que Santana Lopes era um problema do PSD e desejava que os dirigentes sociais-democratas o conseguissem resolver rapidamente . Hoje, no segundo dia do Congresso Social-democrata, a decorrer em Pombal, renovo a pergunta e repito a dúvida. Acho que o PSD vai substituir o problma Santa Lopes por um outro chamado Marques Mendes. A dificuldade está em que este arrasta muitos outros, enquanto que o Pedro se encontrava com todas as suas ramificações na "nigth".
Para líder de transição, o "metro e meio" está a arrastar muitos "pesos pesados". O PSD, definitivamente, está sem elasticiade mental e o mal é dos negócios.
Sem ler até final repito aqui o post de Dezembro de 2004.
Santana é um problema do PPD/PSD
A vida política portuguesa das últimas semanas atinge as raias do burlesco, mas tem um lado trágico-cómico que confrange pelo ridículo que revela. As reuniões dos estados-maiores dos partidos, os comunicados dos porta-vozes, as jogadas de antecipação percebidas pela recusa de falar com os jornalistas, a quem - entretanto - se comunicou, evidentemente, a existência de uma reunião. O que é preciso é o folclore das câmaras.
Os editores das televisões ainda não perceberam que não vale a pena mandar o microfone com o respectivo pé - basta a câmara para filmar os senhores, umas vezes com berrantes gravatas, outras com fatos desportivos a evidenciarem o como estão confrotáveis na pel e de políticos em fim de semana e quase a entrar de férias.
O CDS/PP vai ganhando as várias jogadas a que já assistimos e ainda não mecheu nenhuma peça importante. O PPD/PSD parece um clube da Segunda divisão a tentar não descer à terceira e impossibilitado de fazer uma chicotada psicológica - vai ter que sofrer até ao fim com o mesmo treinador.
Para o PPD/PSD no seu conjunto este cenário é um verdadeiro pesadelo. É que este partido é apenas um agrupamento de interesses e de pessoas com especial apetência para o poder. Basta veririficar que dos quase 31 anos da democracia portuguesa, 24 foram inteiramente dominados pelas suas siglas. E mesmo os seis anos de governo do PS têm, em muitas áreas, especialmente em empresas decisivas, o seu carimbo.
Pela primeira vez - se os homens que representam os interesses que os têm segurado no poder, nada fizerem - os chamados sociais-democratas vão iniciar uma longa travessia do deserto, um deserto tão agreste que pode implicar consequências catastróficas para os tais interesses e para os tais grupos de homens.
E tudo isto porque não conseguiram perceber na altura certa que mais lhes valia perder o poder por uns tempos, do que apostar num líder em quem ninguém confiava, um homem sem obra, só com conversa, conversa sem ideias.
Nem como dirigente desportivo conseguiu realizar nada. Como Presidente da Câmara da Figueira da Foz deixou um buraco de dívidas tão grande que o seu sucessor não tem feito outra coisa que pagar os calotes que por lá ficaram. De resto, ao relatório do Tribunal de Contas sobre a gestão de Santana na Figueira da Foz nunca foi dada nenhuma publicitação.
Eram os tempos em que dominava, de uma maneira ou de outra, a comuniucação social, a mesma que julgava poder continuar a dominar como primeiro-ministro - mesmo que para tal tivessse que recorrer à JLM e Associados para montar uma central de comunicação.
Só que os métodos da JLM, se chegaram para tirar o Fernando Lima da direcção do DN, não conseguiram eliminar o José Rodrigues dos Santos - que conhece bem um dos associados do João Líbano Monteiro.
Se os tais métodos conseguiram manter no ar, quase em permanência, alguns dos ministros de Santana, foi porque, entretanto, as redacções foram sendo invadidas por jovens jornalistas PSD's desejosos de servir os chefes e, às vezes, mais do que chefes.
Todavia, nas redacções dos Órgãos de Comunicação Social, existe uma desconfiança generalizada relativamente aos "colegas" que mantêm contactos com os "associados", uma desconfiança que leva os profissionais com estatuto, com nome e currriculum a ignorar pura e simplesmente as "notícias" provenientes dos seus vários agentes
O resultado do falhanço da única estratégia que Pedro Santana Lopes tinha - o controlo da CS - é esta peça trágico-cómica em que, se por um lado o CDS, o partido mais pequeno da coligação, anuncia que está a elaborar o seu programa e as suas listas para concorrer sózinho, o PSD fala de uma plataforma eleitoral sem contornos definidos.
Os portugueses vão ficando esclarecidos e aliviados, já que o problema chamado Pedro Santana Lopes deixou de ser nacional- ele é apenas do PPD/PSD. Pode ser que os sociais-democratas portugueses se redescubram durante os caminhos que os hão-de levar à inevitável solução, ainda que demorada.
posted by M.Pedrosa

sábado, abril 09, 2005

A Igreja Católica

Agora que o Papa João Paulo II foi a enterrar e os cinco milhões de peregrinos voltaram a casa, analisemos, ainda que muito ligeiramente, os últimos 26 anos da vida desta Humanidade que, na sua quase totalidade, prestou, ao que parece, sentidas homenagens ao chefe da Igreja Católica.
Dizem os correspondentes que pelo Vaticano passaram representantes dos maiores estados do Mundo - e dos pequenos também - numa demonstração inequívoca de admiração pela figura do Papa dos últimos 26 anos.
E o que aconteceu à Humanidade nestes últimos 26 anos apesar dos apelos incessantes do Papa à Paz, contra a pobreza, a favor dos explorados, da dignificação da pessoa humana, contra ódios rácicos, religiosos. O que aconteceu?
A prática da guerra preventiva foi um facto ocorrido por diversas vezes, umas mais evidentes e destruidoras que outras. Vários povos foram praticamente dizimados com o assentimento dos estados poderosos que mandaram os seus representantes ajoelhar junto a Karol Jtyla, já despojado de todo o poder, mesmo o da sua grande capacidade crítica.
A fome não pára de aumentar. Os números já são tão assutadores que as estatísticas oficiais apenas os referem vagamente ("à volta de...cerca de...").
As diferenças sociais cavaram nestes últimos 26 anos um precipício ainda maior. A Humanidade está cada vez mais dividida entre os muito poderosos (cada vez menos) e os completamente deserdados (cada vez mais).
Ora, tendo sido o Papa João Paulo II o grande arauto dos valores sociais da Igreja - reconhecido por todo o Mundo na hora da sua morte, temos, necessariamente, que perguntar pelo real poder desta Igreja, que nada conseguiu mudar apesar de o seu chefe ter tido, depois de morto, o mundo de joelhos perante a sua memória.
A Igreja Católica não passa de um palco para representação de grandes e pequenos espectáculos, sempre cheios de rituais desligados da realidade e onde a riqueza espanpanante demonstra que os actores em cena não conhecem as misérias dos bastidores, mas combinan perfeitamente com os rituais dos senhores da guerra, dos criadores da pobreza e dos pobres. A Igreja Católica, se com um chefe tão prestigiado, não conseguiu alterar nada, vai fazer o quê a partir de agora?
Não estará na altura de jogar o guarda roupa e os cenários fora e montar outro tipo de espectáculo?