sexta-feira, março 11, 2005

HERÓI OU MORALISTA

No DN desta manhã o comentarismo aparece em destaque a propósito de um livro de Rita Figueiras, o qual deverá estar a ser apresentado na Universidade Católica de Lisboa, e versa sobre comentadores ao longo dos últimos 20 anos. O jornal destaca seis deles, mas, de facto não
sendo muitos os que se têm mantido em permanência, em 1990 eram mais de cem.
Sem muito eco, na maior parte dos casos. Os que mais se destacavam na TV passaram a ser mais procurados pelos matutinos, uma vez que os vespertinos se foram diluindo até ao sumiço total. A ideia que tem passado para fora é a de que interessa mais o comentador que o comentário; não é tanto a lucidez e o a-propósito, mas o populismo da mensagem, que quanto mais contiver de intriga mais eco obtém.
Nos últimos tempos começa a estar de moda, começou pelo futebol, claro, é o comentarismo por grosso e atacado. Começou por dois, passou para três, já vai em quatro e não imagino até onde vai chegar. Na Quadratura, Magalhães é o chato de serviço. Praticamente não comenta, resmunga, interrompe, chalaça, sorri, uma espécie de bobo da corte, uma corte soturna e sonolenta.
Um que nem é citado no DN e que já há muito preenche uma coluna no
matutino da Av. da Liberdade, recentemente posto à venda, Francisco Sarsfield Cabral faz uma análise sobre o que tem sido o combate contra o terrorismo, "uma guerra subterrânea, oculta e, decerto, pouco limpa - mas indispensável". Por um lado aceita que algo se tem feito, porque em boa verdade não houve mais nenhum atentado nos EUA, depois do 11 de Setembro. Reconhece que apesar de tudo foi possível efectuar eleições no Iraque. Entre esses dois polos cita os atentados no Quénia, no Bali e em Madrid.
Mas como violam valores éticos, os que combatem o terrorismo, "os ocidentais dão o flanco aos seus inimigos. É que para nós, os fins não justificam os meios".
O problema com os humanistas é que eles não se explicam bem. Se um grupo de terroristas raptar a mãe de um qualquer de nós e nos avisar que lhe vai cortar a cabeça, em directo, diante da câmara de televisão, podemos contar com o senhor Francisco? Esperar que ele se ofereça como voluntário para substituir na filmagem a pobre senhora?
Humanismo não é pieguice, nem dar esmola ao pobrezinho. É preciso uma grande dose de sofrimento e de sacrifício para entender e respeitar os valores éticos. Não há fins justificáveis sem princípios elementares. Nem tudo se pode perdoar. Nem tudo se deve tolerar. Nem o terrorismo, nem o humanismo sócio-profissional.

quinta-feira, março 10, 2005

A BOLA PARADA NAS MÃOS DA VELHARIA

Disso, do mundo que pula e avança como bola colorida entre as mãos duma criança, a gente gosta porque gosta do arco-íris e outras aparências: luzes, cintilações. No fundo, bem dentro de todos nós, há sempre um patego que olha o balão.

Freitas do Amaral

Entre todos os políticos portugueses foi a Freitas do Amaral que a vida concedeu a rara oportunidade de enriquecimento individual, político, social (total) entregando-lhe a presidência da assembleia das Nações Unidas. Logo a ele que já era respeitável intelectual, tinha sido fundador de partido político e ministro lúcido.

No entanto, o anúncio da sua escolha para ministro dum governo socialista soltou mais demónios pelos cinzentos da política e do jornalismo português do que aqueles de que belzebu dispôs para levar ao pecado os candidatos à santidade.

E, pelo visto, os que chegaram a santos conseguiram fugir ao rabudo. Mas Freitas mergulhou na trentação.

Qual o Crime ?

Difícil de responder a quem quiser saber do artigo do código político infringido. Primeiro porque não é crime servir o seu país desde que não mandado por interesses extranacionais, como não raro acontece. E depois, e fundamentalmente, porque, entre a doutrina sociall da Igreja (ela própria e não a garotada e as garotices do portismo popular), a social-democracia de hoje e o socialismo inventado para servir de almofada entre a revolução e a reacção, a diferença é de difícil distinção.

As preocupações são mais ou menos as mesmas, a terminologia vai dar, mais volta menos volta, ao mesmo e a alma ideológica funda-se mais ou menos nas mesmas raízes.

Na prática há, de facto, interesses que se servem mais de uma ou doutra maneira. Mas, entre todas, as coisas não andam muito distantes. Quando, por exemplo, a xenofobia ou o menor respeito pelo direito das mulheres vão parar a este ou àquele desses partidos é mais por defeito das pessoas que de doutrina. Com excepções, evidentemente. Estamos no campo do mais ou menos.

Na conformidade, é difícil entender o tanto espanto, por vezes indignação por se saber de um democrata-cristão em governo socialista. O alvoroço deveria morar, e aí sim, com a chegada à direita de gente vinda da extrema-esquerda. Os 180 º de rotação política.

Contudo eles andam por aí, doutores sem carta de curso, a sentenciar em matéria de honestidade política sem assombro que se levante. Assombrosamente portanto.

O crime de ter tocado em Bush

Depois de passar pela presidência da assembleia das Nações Unidas, Freitas do Amaral não ficou o mesmo. É facto. Só que, quem consegue sair duma função tão enriquecedora como essa igual ao "eu" que entrou, nunca lá devia ter entrado.

É que dela vê-se por dentro o pântano internacional. Bem mais fedorento que o nacional que Guterres viu e depois fugiu, provavelmente com carradas de razão. A razão que lamentavelmente não denunciou ao país.

Esse o pecado em que Freitas do Amaral não incorreu. Cometeu até o crime de comparar Bush a Hitler. Um exagero sem dúvida. Mas todo o mundo sabe que as semelhanças encontradas com Hitler, Mussolini, Salazar e Franco são mais uma adjectivação que uma comparação. Aliás todos os tiranos foram até diferentes entre si. Todos eles tiveram a sua medida, a medida que os respectivos países lhes consentiram.

Hitler na governação dos Estados Unidos seria outro Hitler e Salazar outro Salazar. Marcaram foi a história da crueldade. A do tirano alemão, então, chegou até à loucura.

E modernamente Hitler é mais utilizado como ofensa que como figura histórica. Paul Auster, um grande romancista e uma lúcida inteligência norteamericana, escreveu, para que o mundo soubesse, que a democracia, no seu país, era quase uma ditadura. Uma maneira mais suave de adjectivar, mas um mais ou menos dizer a mesma coisa por outro processo.

Jornalistas a pedir reforma

Talvez que o maior problema do jornalismo português seja o de, nele, serem, há anos sem descanso, sempre os mesmos a perorar. Dantes pensava-se que, pior que um director do "Diário de Notícias" só podia ser outro director do "Diário de Notícias". Hoje, o que mais se vê na comunicação social portuguesa, são directores do DN, unha com carne com o patrão.

Gente com quem o mundo não pula e menos avança. Gente do cinzentão nacional.

quarta-feira, março 09, 2005

Azedumes

Hoje, logo pela manhã, tive que ouvir a Maria João Avilez. Alguém, perto de mim, tinha um receptor de Rádio sintonizado na TSF.

Lá ouvi a senhora a perorar contra Freitas do Amaral e a adivinhar males terríveis pelo facto de o recém-nomeado ministro dos negócios estrangeiros não gostar de Bush: Mal seria de nós se ele gostasse. Mais de 80 por cento do Mundo não gosta!

A senhora acrescentou, todavia, outros dislates: que Freitas do Amaral está fora do Mundo, que não conhece a Europa actual, que não percebe o Brasil e África e não sei que mais...

Francamente! Um cidadão não pode distrair-se e ser educado. Bem podia ter pedido à pessoa que ouvia estes disparates para mudar de estação ou desligar. Mas não. Lá fiquei a ouvi-la. Acho que foi a primeira vez, porque, mesmo na SIC Notícias, sempre que aparece, uso o meu poder pessoal para zerpar dali.

De resto, a senhora só tinha piada quando as suas crónicas passavam sem que alguém com jeito lhes desse um jeito.

O perigo não está nas convicções de Freitas do Amaral e no seu percurso intelectual e político. O perigo está em manter no ar este azedume serôdio e trôpego. Mas, como o patrão manda e gosta, cumpra-se. Eles sabem por que se entendem.

Tanto Disparate!!!

"O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pretende fazer uma escala em Lisboa no fim-de-semana ou nos dias seguintes, no âmbito de uma viagem que o leva a Espanha e a Israel, para se encontrar com José Sócrates..." in DN de hoje, 8 de Março de 2005.
Que editor deixa passar tamanho disparate?
Que director-adjunto confirma tanta asneira?
Que director se responsabiliza por isto?
E, ainda por cima, a notícia foi desmentida logo de manhã. O desmentido não esperou pelo "fim de semana ou dias seguintes", ou por um dia qualquer de um ano destes.
Começo a concordar com a ideia de uma Ordem de jornalistas com estatutos que permitam a depuração deste analfabetismo instalado

COMO E ONDE É O FUTURO

Sempre que se avança para o futuro é no passdo que tropeçamos. Posto isto percebe-se melhor o que disse Marcelo, de Freitas. E até se entende qualquer coisa sobre a fotografia devolvida ao remetente.
Quando era mais novo, não 25, mas quase 50 anos, recebi duas fotos, de mim mesmo, sete postais ilustrados e uma vintena de cartas de amor intenso e escaldante. Não percebi logo de que é que se tratava. A esbelta criatura tinha mudado, não de partido (só havia um a União Nacional e mais nenhum), mas de namorado!
Um quarto de Século decorrido, quando a menina do parágrafo acima se preparava para ser avó, a situação política tinha levado uma volta. Partidos era o que mais havia. Por isso era possível escolher os percursos. Havia quem se iniciasse no radical de esquerda, flectisse para a
extrema esquerda e, aos poucos acabasse no mirn. Durão e Santana, por exemplo, devem ser capazes de explicar isto melhor. E podia, claro que podia, citar uma boa meia dúzia de pesos pesados de raiz marxista-leninista que fizeram a mala e abalaram para outros horizontes mais dados ao espírito democrático, ainda que com nuances que se vocacionariam para o centro. De fotos ou rasgadas ou devolvidas não consta a História. A democracia dava ares de ter costas largas e as únicas fotografias a banir foram as do Estado Novo, mas por razões, digamos. higiénicas.
Justamente para lavar a imagem os notáveis do Largo do Caldas manifestam-se contra portas e marés.
Segundo reza Marcelo, o ministro para as Necessidades vai ser Freitas do Amaral. Mal, reza o prof.
Freitas tem mais 25 anos do que tinha quando foi ministro dos Negócios Estrangeiros, logo... não devia ser ele...
Mas...mas há mais...Freitas disse mal de Bush...
Dizer bem dele tem feito mal à saúde, digo eu. Aznar disse e caiu; Durão também e também foi embora.
A ideia inicial parecia ser a de que apoiando ia-se para as obras. No Iraque as explosões não param, morre gente aumentam as ruinas. Só as obras não começam. Quem sabe se não vão começar daqui a 25 anos. Nessa altura estará por certo Marcelo Novo na costa, sabe-se lá se ,
com 25 anos mais na mesma, melhor que nunca, a despachar Marques Mendes por excesso de veterania...

O Dia da Mulher

É um bom dia para voltar à "antena", depois de algum tempo afastado - o que já me valeu uma reprimenda aqui do meu colega de carteira do lado.
Enfim, Rafael, há que saber escolher os dias em que vale a pena exercitar esta difícil tarefa de viver. E o dia da Mulher é óptimo.
Tanto mais que me fartei de ouvir gente a falar das percentagens de mulheres aqui e ali, sobretudo no exercício de cargos políticos - o "máximo" para os nossos analistas e também para os democratas da multimédia.
O que interessa às mulheres estar no Governo ou no Parlamento, se o poder concreto, o das empresas continua com os homens, com homens cada vez menos homens e cada vez mais marionettes e palhaços?
Se as mulheres me permitem, neste dia internacional delas, deixou aqui um conselho (dos tais que servem para pouco, porque se prestassem sempre se vendiam) : mandem os homens para o Governo e para o Parlamento e governem as empresas, os Hospitais, as Universidades, os Jornais, as Rádios, as Televisões, Laboratórios... estamos todos a precisar de algum bom senso feminino.
Para além de que é preciso desconfiar deste movimento de contestação tão oficiosa. Será para entreter as mulheres numa manobra de diversão que as leve a esquecer as propostas de criação de quotas nas faculdades de medicina - um começo para outras ?

segunda-feira, março 07, 2005

A DIFICIL ARTE DE VIVER

Não é por questão de sobrevivência, mas de bem estar. De facto ninguém escreve ao coronel. E eu preciso. E preciso, sobretudo, que me escrevam, não para me dar ares, mas para as loas que me são devidas. Pensem na tinta que se gastou com o Lopes, ainda por cima era lagarto! Imaginem o que ainda vão sofrer com os novíssimos, porque Deus é assim! Seria bem mais simples e reflectivo assumirem o Rafael como iluminado. Fazia-lhe jeito. Não que ele seja ecuménico ou possuído pelo demónio, coitado, nada disso: é vaidoso, tem a mania.
Farão o favor de aceitar que não é caso único, se fosse não havia tanto blog.
A vaidade do coronel Soares ainda vá que não vá, mas a preguiça dos que vão que não vão tem menos desculpa. É preciso saber assumir, tanto quanto é preciso que cada qual se saiba sumir.É preciso e urgente gabar o coronel e, depois sim, depois fugir, como se fugiu nos séculos dezoito e dezanove para o Brasil, e depois disso para a França mal refeita da ira nazi.
E se a previsão metereológica é má, se falar de catástrofes e outras formas cíclicas de governação socialista, pós-moderna, fujam que estão perdoados, mas não sem escrever ao Rafael, como quem pede a extrema unção, porque dele vai ser - é seguro -, o reino dos céus.
Mas se o não fizerem, ao menos não deixem este cantinho à mingua de paleio.
Que o altíssimo vos guarde...

sábado, março 05, 2005

APITA O COMBOIO...

... E a composição põe-se em marcha, Sócrates levou a água ao seu moinho. Não só escolheu o seu governo, no recato do escritório, como o apresentou no timing certo, no momento mais apropriado. Mais cedo seria expor inutilmente o governo (e parte substancial dos seus membros) a maquiavelices. A CS, por si, não extravazou para além do razoável. Das oposições a contestação é tão obrigatória, como precipitada. Retive duas: "A montanha pariu um rato" e "Não tem nomes sonantes". A primeira claramente pejorativa, mas da montanha madeiroa sempre brotam ratices fedorentas, sem qualquer significado, A segunda, embora menos injuriosa é também mais ingénua: se incluisse Vitorino, Coelho, Cravinho,Gama ou a quase minúscula Roseira, logo seria tida e achada por sopa requentada.
Pessoalmente desconheço de todo algumas das novidade que constituem o executivo de Sócrates e o mínimo que se deve fazer nestas circunstâncias é conceder-lhes o benefício da dúvida. No meu caso particular vou um pouco mais além e desejo-lhes boa sorte. Não é nenhum favor, mesmo se não sou muito de passar pelo largo do Rato, nem pelas imediações, sinto necessidade de um governo eficaz, preciso disso como de pão para a boca. E quem não precisar que atire a primeira pedra.

Mas em boa e honesta verdade, ele há pedradas que tardam e com o desemprego a atingir níveis assustadores, com as reformas a perder deprimente poder de compra (salvo se forem dos administradores de origem partidária da CGD), é um dó de alma ler o que disse a bem-aventu- rada administração da PT, a propósito de lucros obscenos, que se preparava para despedir mais mil trabalhadores. Oxalá o novo governo possa intervir e optar por despedir com justíssima causa os senhores administradores, por parte da banca. Urge que sejam cada vez mais, e mais diversificados, os que podem sentar-se à mesa onde se abancam os lucros e menos os mesmos de sempre que guardam os trocos...

Sócrates - 1 Comunicação Social - 0

Foi bonito de ver: os repórteres em Belém, preparados para as perguntas encomendadas pelos chefes, e o primeiro-ministro indigitado a dizer que, naquele momento, as redacções estavam a receber um comunicado do seu gabinete com a indicação do governo acabado de apresentar ao Presidente da República.
E os chefes resfastelados em restaurantes de cinco (mais duas ) estrelas...
São as máquinas, estúpidos...os faxes e os e-mails. Daaa... sabem o que é isso?
Sócrates - 1 - Comunicação Social - 0
É uma vitória importante, se ela significar o início de uma relação de respeito mútuo. Talvez o exemplo do "Público", que publicou um novo livro de estilo ( mesmo assim cheio de hesitações e alçapões propícios a interpretações dúbias), possa florescer.
Quanto ao governo, há que esperar pelos actos, apesar do Carlos Magno já ter ditado a sua sentença de condenação, a executar à esquerda e à direita. (oh! Carlos, porque não te reformas e inventas um blog para avaliares a tua audiência. Chama-lhe "Carlos Magno, o arguto")
Duas notas: o aplauso ao reconhecimento da actuação de Freitas do Amaral, quer como um membro fundador da democracia portuguesa, quer como um português notável pelo contributo que deu à comunidade internacional, como presidente da Assembleia Geral da ONU.
A outra diz respeito ao ministro da saúde: a sua reputação entre os profissionais dedicados à causa da saúde pública não é a melhor. Pelo contrário, é muito conotado com os grandes lobies. Aceito e desejo veementemente que os desminta.
Quanto a António Vitorino, o nome da grande especulação: ele - e a mulher - sempre disse que não queria voltar a ser ministro. Fazer o quê?

A Verdadeira Razão

Toda a gente - eu, pelo menos - ficou espantada com a falta de perspicácia, diria mesmo falta de inteligência do ainda primeiro-ministro deste país, que, na noite das eleições, não pediu a demissão do cargo de presidente do partido (PPD/PSD, como ele gosta de dizer).

E logo surgiram os mais variados comentários sobre a sua capacidade de leitura dos resultados eleitorais. Houve mesmo quem duvidasse da sua inteligência. "Será que o Pedro perdeu qualidades?" - interrogavam-se os seus mais fiéis seguidores.

E se a decisão tão comentada tivesse a ver com altos níveis de inteligência, definidos por tempos muito apertados?

E se a hesitação do Pedro pudesse ser comparada às três negações do outro Pedro?

E se a inteligência, a vontade, o querer, o desejo, tudo - do Pedro - estivessem ligados a um pequeno papel rectangular, espantoso, libertador, que a sua condição de primeiro-ministro, por mais um dia que fosse, garantia?

Querem mais dados? E julgam que eu sou bruxo?

sexta-feira, março 04, 2005

Quem Vai Tramar Lisboa?

A administração da CP está a estudar a possibilidade de abandonar as instalações da sede social da empresa, na Calçada do Duque, para concentrar num único local a totalidade dos serviços que tem espalhados por Lisboa.
"Se tudo correr bem, talvez consigamos atingir esse objectivo dentro de dois ou três anos", disse o presidente da companhia, António Ramalho - confirmando parcialmente as referências que vêm sendo feitas ao assunto por dirigentes sindicais e activistas do PS organizados no interior da empresa.
Posta a circular logo a seguir às eleições - num comunicado de um"núcleo partidário" que António Ramalho não quis identificar, e posteriormente divulgada pelo "site" do sindicato Sindefer -, a notícia é apresentada pelos críticos da administração como uma"negociata" que "lesa a CP, o Estado e os contribuintes", "abrindo caminho à especulação imobiliária".
De acordo com a informação do Sindefer, o abandono da vasta e valiosa área que a empresa ocupa por cima da estação do Rossio, entre a Calçada do Duque (Escadinhas doDuque) e a Calçada da Glória, estaria "em preparação adiantada" e as novas instalações já estariam escolhidas: um edifício da Parque da Expo para onde a Refer mudou recentemente uma parte dos seus serviços e onde funciona também a sede da Rave, a empresa responsável pelo projecto dos comboios de alta velocidade.
Confrontado com esta versão dos factos, o presidente da CP garantiu que nada está decidido e que não tem qualquer fundamento a ideia de que a empresa iria ocupar um edifício onde já está a Refer. "Nem se ionde é que fica esse edifício", afirmou.
Este excerto de um texto publicado pelo jornalista António Cerejo no "Público", mais o que poderá existir por detrás destas trocas e baldorcas, associados à ligação que é possível fazer entre os empreendimentos imobiliários do grande beneficiário do regime "Durão-Santana", João Pereira Coutinho, na zona das Amoreiras (Artilharia 1 e Duarte Pacheco) com a construção do Túnel do Marquês e o encerramento do Túnel ferroviário do Rossio - de que nunca mais se falou- ...tudo isto pode dar uma ideia do que se pode estar a preparar em termos de uma nova cidade, donde muitos terão de ser excluídos.
Uma nova cidade em que muito do património do Estado poderá passar para mãos privadas, interessadas, quiçá, em mais valiadas extraordinárias com a venda do resultado a grupos estrangeiros. Desta vez, os lisboetas e os que aqui trabalham vão mesmo fazer uma forte figura de parvos.
Já venho escrevendo sobre estas matérias há algum tempo: posts "Heranças", de 15Dez04, "Artilharia Um, o Túnel do Marquês e o Túnel do Rossio", de 21Jan05.
Mas eu só posso escrever - sempre com a convicção de ter leitores tão impotentes como eu. Fazer o quê?...

As Diferenças da Diáspora

Conheceram-se os resultados das eleições entre os nossos compatriotas residentes e recensados no estrangeiro. Com uma divisão mais ou menos imcompreesnsível, entre Europa e fora da Europa, esses portugueses elegem quatro deputados, dois para cada um dos lados.
Resultado: três para o PSD, um para o PS.
Já estava tudo decidido, pelo que estes quatro deputados contam pouco para o final destas eleições.
Todavia, há que pensar neste processo e concluir alguma coisa de útil: em primeiro lugar, não faz sentido que a contagem destes votos se faça tanto tempo depois. O problema pode resolver-se alargando os prazos para trás, isto é, determinando que a votação por Correio se faça muito antes da eleição presencial.
Nos Estados Unidos, as urnas para a eleição presidencial abriram com a campanha ainda em marcha.
Em segundo lugar há que meditar na disparidade dos resultados quando confrontados com os obtidos no território nacional.
Os nossos compatriotas não são verdadeiramente esclarecidos dos problemas do país e é entre eles onde o voto clubista é mais acentuado.
Esta conclusão leva-nos a considerar a qualidade da informação que se passa nos órgãos de comunicação social do Estado e que têm a obrigação de esclarecer esses portugueses .
Refiro, explicitamente, a Lusa, a RDP e a RTP, que não conseguem - porque não querem - transmitir o retrato o mais fiel possível da realidade política e social do país, usando os respectivos tempos de antena a divulgar desgraças e "fait-divers"
Esperemos que haja alguém com capacidade e discernimento para perceber a importância da aproximação das várias comunidades que a Nação contém.

OS DESACORDOS

Os desacordos em geral são o sumo dos acordos, o fim das convergências, mas em si não tem nada de mal. Pinto da Costa fica no seu melhor quando não concorda, seja com a Liga, seja com a Federação, seja com lampiões, seja com com lagartos e mesmo quando acorda com (não me venham pr'aqui com colos,poça, comento acordos em geral) um deles ou é por estar em desacordo com o outro. Malhas que o império (da bola) tece...
Mas há melhores desacordos, por certo. Cravinho já explicou que o caminho passa pelo aeroporto da Ota, pois, ele lá sabe, ele é que foi o da ideia. Claro que ele está mesmo a adivinhar que o próximo aglomerado anti-populista nem vai retirar as portagens das auto-estradas, nem desatar a construir infraestrururas em Malveira da Serra, ou será SantaMaria da Azoia ou lá onde fica a Ota, porque a vida está cara, a crise vai alta e as ajudas comunitárias não mais vão ser o que eram.
Mais divertido é o gozo de J.Coelho sobre "o Paulinho das feiras" e o populismo, sobre Santana Lopes e o populismo, mas este revestido de preocupação mediática, salientando sobretudo, já se vê, os desacordos quase permanentes dos signatários do acordo. Analisada a conjuntura da curta existência da coligação, Coelho não levou tempo a perceber e a explicar aos leitores do DN que o populismo, isto e o populismo aquilo ... Logo, como se podia confiar num acordo pós-eleitoral?
A velha expressão popular "diz o roto ao nu..." ficava aqui a matar, mas deve-se acrescentar, ao de leve e de passagem, que o CDS já experimentara antes outro tipo de coligação governamental, não muito bem sucedida, pode assinalar-se, ainda que Salgado Zenha tenha achado por bem esclarecer que o parceiro de coligação com o Partido Socialista era um partido de centro-esquerda. Claro que a tirada do dirigente socialista foi levada à conta de populismo. E porque, no fim de contas praticamente nada é novo ao cimo da terra apetece glozar,tal como já o havia experimentado acima,outro admirável poeta: populistas somos nós todos / ou ainda menos/ populistas somos nós todos/ desde pequenos...

ALARMISMO REPELENTE

Houve tempo em que, por mór da crise, de então, para promover a leitura de jornais se criou um slogan atractivo: ler jornais é saber mais.
Hoje em dia as coisas mudaram e, cada vez mais, fica-nos a sensação de logro, de conto do vigário, de alarmismo elevado ao quadrado, quando não de tristeza. Devem ter visto, pelo menos ouviram muito,quer nos noticiários da Rádio quer da TV, a manchete do DN: Um terço das adolescentes portugueses já usou a pílula do dia seguinte". Manchete aberta a branco sobre fundo negro, para estimular os preconceitos pseudo moralistas de raiz religiosa. A questão que se põe nem tem tanto a ver com a notícia em si, como se vai ver, mas com o alarmismo que se pretende criar à volta ( a Renascença já ouviu o cardeal). Mas vejamos como começa a notícia sobre um estudo da Faculdade Portuguesa de Ginecologia, transcrita da primeira página do matutino:
"Uma em cada seis adolescentes portuguesas tem uma vida sexual activa sem utilizar qualquer contraceptivo. Dessas, 33 % já recorreram à pílula do dia seguinte "... O resto é blá-blá.
Nada contra a investigação, que tem, aliás, dados interesantes. Mas contra a aproveitamento tendencioso, como é o caso do título. Como se pode contabilizar um terço das adolescentes como
tendo usado já a pílula do dia seguinte ( e com a carga pejorativa que tal manchete provoca),se logo a abrir a notícia sobre o estudo é revelado que uma em cada seis (na minha aritmética básica significava um sexto) sim, senhor, faz sexo, "e dessas" (desse sexto,pois) um terço já recorrerreu (e ainda bem, porque não é crime nenhum) à pilula do dia seguinte. No interior do jornal o título da notícia é repetido, o que deixa pouco espaço para qualquer dúvida sobre a intenção.

A divulgação de pormenores do estudo e a preocupação que causarem é legítima, de resto está repleta de informação que convirá reter pelos pais outros responsáveis pela educação de adolescentes, no seu conjunto, e não apenas as raparigas. Saber mais, e sobretudo melhor, também é conveniente para os adolescentes masculinos e possivelmente também urgente para alguns jornalistas da Av. da Liberdade...

quarta-feira, março 02, 2005

OS AZEITES

Houve tempo, já lá vão uns anos, o slogan repetia-se ao longo dos dias, eram dias e dias a ouvir "a sapataria oliveira calça Lisboa inteira". Puxa!
Tanto quanto se sabe, era um único Oliveira. E o que ele era capaz de calçar! E eis que...
Pois, eis que aparece outro Oliveira com o irmão Oliveira. Pasma o país!, qual pais!,o lusomundo inteiro!
Quando o cinema italiano despontou do pós-guerra, um filme se destacou: Não há paz entre oliveiras". Subtraí o artigo, e logo no plural, que não dá jeito, por causa do género (basta de confusões: o género, por acaso feminino,do artigo gramatical). No filme a fonte das azeitonas era naturalmente o olival, um espaço agrícola que reune a espécie agrícola, de onde provém o azeite. No filme, os azeites tinham, bem entendido, outra origem: a bela e tentadora Silvana Mangano.
Os mais devotos sabemos que a tentação é uma fraqueza, se bem que as Silvanas do estilo de Mangano inspirem tudo menos fraqueza!
Mas podemos aprender as lições que a realidade e a ficção nos proporcionam. Fui espeitar uma montra de sapatos e pareceu-se produto pouco próprio para lisboeta ambicioso. Fui ler alguns jornais e comecei a prever qual vai ser o porvir.Tanto faz que se perceba o que vai por trás do olival como não, o país inteito vai pasmar...

Fogem de Quê?

A PT, presidida por Miguel Horta e Costa, decidiu - assim, rezam os jornais de 1 de Março de 2005 - vender a Lusomundo, que inclui 23,35 do capital da Agência Lusa, além do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas, Tal e Qual e outros e a Rádio TSF, ao Joaquim Oliveira.

Assim, de repente, depois de algumas hesitações, declarações contraditórias, mas sempre com o BES por detrás, à espera que a máquina registadora faça plim.

Ora, não é verdade que a PT tem uma golden share do Estado e que quem administra essa golden é o Governo?

Não é verdade que o negócio é polémico (ter um grupo de média nas mãos de um grupo com a dimensão empresarial da PT não é a mesma coisa que o ter nas mãos de um homem que vive da publicidade e das influências futebolísticas) ?

Não é verdade que o actual governo já não tem legitimidade para sancionar tais negócios?

Se tudo isto é verdade, porquê tanta pressa? Está em causa a comissão do BES ? Ou outras coisas?

Porque é que o presidente dos CTT, Carlos Horta e Costa, anda em reuniões com a CGD e com o BANIF por causa do Banco Postal dos CTT, uma iniciativa do governo PS que o PSD desconsiderou, mas que, ao que parece, a todo o custo, quer concretizar, mesmo quando já não tem legitimidade para tal?

Porque é que o presidente dos CTT quer reunir a Assembleia Geral dos CTT a 7 de Março para eleger os novos membros dos órgãos sociais da empresa, numa altura em, claramente, tudo indica a sua substituição?

Os Horta e Costa, destacados financiadores do PSD, fogem de quê?

Tenham Vergonha e TINO

As nossas televisões - todas - são uma vergonha.

Querem sangue, sangue, violações e mais violações, desgraça, desgraça e mais desgraça.

Nãos lhes chegam as desgraças locais. Vão procurá-las onde as houver.

E este "houver" em televisão significa IMAGEM.

Desde que tenham imagem têm notícia. Ora, nem todas as imagens são dignas de legendar notícias.

Foi o que aconteceu hoje, com a transmissão de imagens de uma jornalista francesa, refém de não se sabe de quem, que apareceu nos ecrãs de todas as televisões portuguesas a dizer coisas que não queria dizer, ameaçada por não se sabe quem, num trabalho de televisão sem assinatura, sem responsabilidade.

Um trabalho que envergonha todos os que fazem ou fizeram da sua vida a informãção.

Só não envergonhou os directores das televisões portuguesas, que permitiram a sua exibição.

Malditos sejam! Parasitas de uma profissão que já foi muito honrada na Pátria de Camões, Padrer António Vieira e Afonso de Albuquerque; Miguel Torga, José Rodrigues Miguéis e Aquilino Ribeiro. Quem vos fez depositários da honra profissional de toda a gente que está com a jornalista do Liberation?

terça-feira, março 01, 2005

Quem Deve Desculpas A Quem

Ontem, ao almoço, um velho amigo contou-me, meio estupefacto, meio displicente, que o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, depois de uma cerimónia na Universidade do Minho, onde foi agraciado com o grau de doutor honoris causa, lançou para o ar a ideia da necessidade de desculpas, por parte das sociedades que, alegadamente, teriam beneficiado da escravatura, aos alegados descendentes dos escravos.
É uma ideia velha, que, de vez em quando, faz o seu caminho entre sectores conhecidos nos Estados Unidos - os mesmos que acusam D. Catarina de Bragança de ter fomentado a escravatura e impediram, por isso, a inauguração de uma estátua sua em Nova Yorque.
O tema é vasto, complicado e conduz-nos, sinteticamente, a algumas conclusões, sobretudo no que ao dr. honoris causa diz respeito.
Uma das questões que se pode levantar sobre a eventual escravatura de naturais de Moçambique noutros séculos tem a ver com africanos e, quando muito, com os mercadores muçulmanos, já que os colonizadores das Américas, do Norte e do Sul, não se arriscavam a ir procurar escravos para além das Costas Ocidental e Central Africanas. Não dobravam o Cabo das Tormentas
De resto, a escravatura era uma instituição em toda a África, praticada pelos próprios africanos, pelo que as desculpas deveriam começar pela família.
E, por falar de família: entre os moçambicanos, quem deve pedir desculpa a quem?
A FRELIMO e a RENAMO receberam dos colonizadores um país próspero, com um grande nível de desenvolvimento, com uma sistema de saúde operacional, um sistema de educação que só perdia para Angola numa comparação alargada a toda a África. Herdaram um país organizado, com sistemas rodoviários e ferroviários operativos e eficazes, com uma indústria de turismo próspera.
Receberam das mãos dos colonizadores um projecto de desenvolvimento para o Vale do Zambeze que só tinha paralelo com o plano de desenvolvimento para o Rio Cunene, em Angola, uma barragem absolutamente extraordinária, mesmo se comparada com as grandes obras do Mundo inteiro: uma das suas previstas dez turbinas produz mais energia que todas as barragens juntas em Portugal.
E o que fizeram os moçambicanos (poder e oposição) que receberam este país: começaram por perseguir os não negros, criaram centros de recuperação paras os chamados reaccionários, um projecto levado a cabo pelo actual presidente do Projecto do Zambeze, ex-ministro de estado da segurança nacional, Sérgio Vieira e protegido pelo actual presidente da República de Moçambique, general Guebuza.
Fizeram mais o quê?
Transformaram o país numa terra de muito ricos e miseráveis, mandaram assassinar pelo menos um jornalista que se propunha lutar pela justiça, Carlos Cardoso.
Será que Joaquim Chissano e todos os outros, trinta anos depois da Independência, se sente autorizado a exigir que alguém peça desculpas ao seu povo. Porque não fazer, ele e todos os outros, no próximo dia 25 de Junho (dia da Independência de Moçambique) um acto de contrição público, pedindo desculpas sinceras ao seu povo.
E já agora, porque não aproveitam e explicam onde foram buscar o dinheiro que lhes permite ostentar tanta prosperidade pessoal. Obriguem mesmo o ex-ministro-governador do Banco de Moçambique, Sérgio Vieira a explicar as suas relações com algumas figuras europeias, nomeadamemte portuguesas.
Este ano também se comemoram os trinta anos das Independências de Angola, Cabo Verde e S. Tomé e Princípe. A Guiné Bissau comemorou já esssa data ( 24 de Setembro de 2003), mas não ouvimos ninguém pedir desculpas ao povo pelo mesmo tipo de destruição que foi levado a cabo em Moçambique, ou mesmo pior, já que aquele estado corre o risco de desagregação pura e simples.
Esperemos que os angolanos exijam desculpas públicas a todos os responsáveis pela destruição de um país que em 1973 era autosuficiente do ponto de vista alimentar, que, inclusivé, exportava alimentos; um país onde tinham sido definitivamente erradicadas doenças como a tuberculose e onde a malária estava a ser combatida com grande eficiência; um país que tinha uma rede escolar impressionante, a ponto de a própria OUA ter reconhecido no sistema implantado o melhor de toda a África. Um país que fez tudo isso sem o petróleo, que apenas depois entrou na economia.
Esperemos que os responsáveis de agora se atrevam ao pedido de desculpas, mesmo em nome de alguns fantasmas que por lá andam ainda.
O único país cujo povo não deve esperar desculpas pela Independência é o de Cabo Verde, que, apesar de pobre, ou talvez por isso, conseguiu fazer da independência uma arma de progresso e dignificação.
Os sãotomenses também devem erguer-se e exigir às várias cliques que lhes expliquem para onde foram as promessas de uma vida melhor. Sãos dirigentes de São Tomé e Princípe, de ontem e hoje, que devem pedir desculpas pela maneira infantil como governaram, no princípio, o pais, e pelos negócios pouco claros com que o governam actualmente.
Afinal, quem deve pedir desculpas a quem?
Como conclusão para reflexão ainda acrescento que, afinal, os descendentes dos escravos de há séculos vivem hoje uma vida com muito melhores perspectivas do que os descendentes daqueles que, tendo ficado nas suas terras, vivem na escravidão da pobreza e da corrupção.
É uma conclusão quase cínica, mas a responsabilidade dela é de homens como Joaquim Chissano, que entendem que a sua condição de negros lhes atribui um estatuto de imunidade congénita.

Um Contra-Peso Chamado Delgado

O BES continua cheio de pressa, a querer vender a Lusomundo ( eu bem gostaria de saber quanto é que o banco do dr. Salgado vai ganhar com a operação...)

Todavia, esta urgência cheira muito a precipitação, tanto mais que já não é possível ao ministro Morais Sarmento continuar a ameaçar quem quer que seja.

Por exemplo: ainda ninguém falou de dois apêndices do chamado pacote Lusomundo.

Um deles é importante: trata-se dos 23,35 do capital da Agência Lusa detidos pela PT - uma comparticipação que existia antes de a PTMultimédia comprar a Lusomundo ao Coronel Luís Silva.

O outro não é assim tão importante mas não deixa de ser um embrulho: há quem diga, agora, que o Luís Delgado é quadro da PT; outros, todavia, atribuem-no ao" plantel" da Lusa. Isto pode significar que quem levar o pacote pode ter que suportar o contra-peso: Luís Delgado.

De acordo com o "Contra-Informação", todavia, o dito preferiria ir para os Estados Unidos, onde se juntaria a George W. Bush e à sua equipa de génios.

Parece que esta seria a melhor solução para todos: nós ver-nos-iamos livres dele e Bush podia constatar que não nasceu néscio sózinho. Talvez, só por isso, nos distribuisse uns contratos na reconstrução do Iraque, um dos grandes objectivos de Durão Barroso, entretanto também ele emigrado e agora chamado José Barroso, em Bruxelas.

CÁ POR CASA TUDO BEM

Quer-se dizer: tudo antes assim que pior. É o bem maior que, de momento, é concedido a Portugal e aos portugueses.

Bagunça política

É difícil perceber o porquê das campanhas eleitorais em país, como Portugal, onde as legislaturas não passam de longos anos de campanha eleitoral. Tirando o dia do ufa.

De onde a política à portuguesa (só?) se resumir a campanha sobre campanha com um dia de descanso. O dia de gozar a verdade do silêncio. O prazer dum ufa de vinte e quatro horas.

Bagunça Cultural - I

Foi uma bagunça silenciosa. Aliás é, porque composta de vários capítulos que não param de se suceder. E continuam. Mas o silêncio mais significativo foi o que rodeou a possibilidade de compra da Lusomundo por empresas espanholas. As que entraram no concurso organizado pelo BES para venda dos órgãos da comunicação social da pertença da PT.

Pareceu curial que isso da compra e venda de instrumentos fundamentais da cultura de um povo seja a coisa mais natural do mundo. E ainda por cima vendidos por nacionais e comprados por estrangeiros.

O negócio não se realizou nesses termos, mas ficou a naturalidade com que se encarou o ter sido possível. A cultura nacional transaccionada como a palha que vem de Espanha por causa da seca. Palha para os burros que chamam a isso democracia: os incultos políticos que ainda não perceberam que é pela cultura que se matam as nações.

Bagunça Cultural-II

Mas Deus Nosso Senhor meteu-se nessa operação comercial e, assim como decidiu o vencedor da Batalha de Ourique, resolveu também que a Lusomundo, ao que parece, vá parar às mãos do Oliveira dos carcanhóis ganhos com os futebóis. Pelo menos foi o que a imprensa pôs a circular, depois de Santana se despedir do PR e antes de Sócrates assumir funções perante o mesmo.

Ora, a verdade seja dita, isso de entregar instrumentos de cultura a espanhóis ou a um Oliveira qualquer não altera em muito os dados do problema. É que a ignorância, mesmo nacional, também é um poderosos instrumento de matar a cultura dum povo. A Nacional.

Bagunça Cultural - III

Disso de espanhóis metidos na cultura portuguesa aconteceram-me duas tragédias dignas de procedimento inquisitório. Com fogueiras e tudo.

Tenho em casa, comprado aos nacionais da nação de Cervantes, o D. Quixote. A coroa da glória literária da grande Espanha. Dois volumes de bonita capa dura, recheados de dourados, a envolver uma tradução miserável. Uma vergonha Ibérica.

A produção pertenceu a uma S.A. espanhola que não vem ao caso nomear porque a guerra não é de nomes, e a tradução coube a um vago gabinete de traduções. Mas há responsáveis. De lá e de cá também. Só que com a cultura tratada como banha da cobra, legalmente, adiante-se, nem vale a pena pedir responsabilidades.

Desse "Dom Quixote" como de um "Pai Goriot", de Balzac, obra espanhola mas de tradução portuguesa, a qual nem por isso foi favorecida pela Santa de Fátima. A cultura em Portugal só lá vai com outra Santa Inquisição.

Bagunça jornalística
Nem só na RTP atiram programas para hora incerta, como ela faz com o "contra-informação". Fazem-no todas. Mas, pior que isso, é o não cumprimento da programação anunciada em tudo o que é informação escrita. Obviamente se dirá que se trata de falta de respeito pelos telespectadores. Poderá contudo dizer-se, igualmente, que se trata de falta de educação dos responsáveis pelos vários canais. Dos directores dos jornalistas, com anuência dos jornalistas dirigidos por tais directores.
Mas poderá um povo impontual por deseducação exigir pontualidade a alguém? Na conformidade, que é desconformidade, esta bagunça nem será jornalística. Antes educativa. Cultural.
Bagunça farmacêutica
A muito custo conseguiu o PSD que os medicamentos genéricos fossem lançados no mercado, como por essa Europa fora.
Honra portanto ao PSD. E desonra para o PS que perdeu a guerra com os interesses antigenéricos. Instaladíssimos que estavam.
Sucede no entanto que, por culpa dos médicos (dizem os farmacêuticos), que não os receitam, a venda dos referidos medicamentos fica-se por uma percentagem ridícula.
Muito bem, culpa dos médicos.
E qual é a culpa dos políticos que consentem que os médicos receitem por marcas e não os obrigam a fazê-lo pela composição química dos remédios?
Isto do apuramento de culpas em Portugal é sempre tão complicado que, de modo geral, uma bagunça é mais um emaranhado delas que ela.