domingo, fevereiro 27, 2005

OS DO RESTELO

Quem mais espreita os sucessos alheios o que mais deseja é vê-los cair. Sempre ouvi dos menos afoitos, dos menos dotados a sabedoria dos que nunca descobriram a pólvora:
quanto mais se sobe/maior é o trambolhão!
De medroso que sempre fui, aprendi que não se deve bater num homem caído.Subsiste sempre o risco de ele se levantar.Quem mais empurrou Santana para o abismo foi o Lopes que havia nele. O mesmo Santana que ganhou a Figueira da Foz, a fazer lembrar Helena Roseta a candidatar-se por Setubal, porque não era fácil. Mais fácil seria depois Cascais. Era muito, era demais e não lhe perdoram e ela abalou. Marcelo não ganhou Lisboa e depois voltou a perder naquilo que ele julga que é forte: a intrigalhada. Portas deitou-o por terra e como se não bastasse o Santana, com Lopes e tudo, afoitou-se a Lisboa. E ganhou.
Ganhou é uma forma de dizer, de facto ele perdeu-se nas teias emaranhadas do Pelourinho, enquanto Durão Barroso descortinava forma de, ele próprio, sair da crise, trespassando-a para o nº2.
Agora é fácil e simples concluir que o nº2 do Partido falhou como nº1 na condução
dos assuntos do Estado, na chefia do governo.
A primeira questão que se pode levantar é o porquê? Porque motivo era ele o nº2 do nº1? Seria porque o nº3 era mau de mais para ser verdade? E, decerto, nem valerá a pena citar o nº4 ou o nº5, deviam ser péssimos.
Os bons estavam prudentemente recolhidos.O mais excelentíssimo recolheu-se demais, tanto que se queimou. Já pode guardar o tabu na gaveta.
Tenho, confesso pouco geito para prever o futuro, mesmo próximo. Do jogo de amanhã prevejo que ou o Porto ou o Benfica ganhe, porque se não for assim, empatam. Mais longe que isso habitualmente não me afoito, mas admito que estive estes últimos dias à espera que o prof. Freitas aderisse ao Bolco de Esquerda. Ali ficaria a matar...

sábado, fevereiro 26, 2005

Aos Empresários Compete Investir

Não sei o que deu aos empresários deste país. Agora deu-lhes para alvitrar sobre matérias que não lhes dizem respeito. Vêm dizer-nos como formariam um governo, quem escolheriam para esta e para aquela pasta e até se permitem interferir no cumprimento do programa eleitoral do partido que ganhou as eleições por uma maioria estrondosa.

Francamente, senhores!

Então a CIP acha que o PS não deve mexer uma linha do Código de Trabalho e os srs. Belmiro de Azevedo e Artur Santos Silva e mais não sei quem entendem que os governos são muito grandes e deviam isto e mais aquilo.

Então, e os senhores fazem o quê? Por acaso, foram a eleições? Por acaso contentar-se-iam com os míseros vencimentos, relativamente às fortunas que cada um de vós ganha, que os ministros recebem.

(Um dia destes alguém se lembrou de publicar num jornal qualquer a notícia de que o engº Zenal Bava poderia vir a ser ministro da Educação. Era para rir, seguramente. De quanto seria necessário aumentar o orçamento do Ministério da Educação? E o engº iria receber comissões de quem?)

Fechado o parentesis: os srs. empresários dizem estes disparates porque os jornalistas os interrogam sobre estas matérias. Ninguém lhes pergunta: e agora, sr. engº. vai investir? E agora sr.dr., vai criar postos de trabalho.

E já agora, uma pergunta especialmente dirigida a um que não esteve no tal programa da SIC Notícias, o dr. Ricardo Salgado: vai deixar de parasitar a PT?

Srs. empresários, é hora de arregaçar as mangas e investir. Despir foi antes, já passou. Assumam as vossas responsabilidades e deixem de armar em políticos.

Quanto aos jornalistas económicos: aprendam, a fazer perguntas. Os empresários não se interrogam sobre como formar governos.

E já agora, um último parentesis: aquela notícia do engº Bava tinha como objectivo assegurar que também o PS aceitará a sua candidatura à presidência da PT - é o que ele quer.

SINAIS DOS TEMPOS /3

É uma questão de tempo e o tempo não abunda. Isto justamente para sugerir ao novo governo que terá decerto empenho em dar seguimento ao enunciado eleitoral -- as reformas, porque reformar é preciso.E como já vinha alvitrando a maneira mais coerente de avançar com o programa é começar por reformar por dentro. Num país minúsculo como o nosso, o peso tumultuoso do Estado representa um travão restritivo a qualquer programa governativo. Para se avançar há que diminuir a herança herdada do Estado Novo, nessa matéria. O Estado-patrão ou o Estado-senhor-doutor ou o Estado-senhor-professor ou o Estado-vaca-leiteira terá de ser brutalmente interrompido.
Um governo ambicioso não pode aceitar ser mero tesoureiro do Patrão, tem que ambicionar mais.Um ministro não pode mais continuar a ser um mero chefe de repartição. Ao ministro da Saúde caberá traçar a política sectorial e o governo determinar a sua execução, logo que aprovada pela A.R., e quer seja a Ordem dos Médicos, se quiser, ou o senhor doutor Espirito Santo (que já tem alguma prática) ou, porque não, a Olivedesportos (que é muito, muito prática)tratem de encher os hospitais de clínicos e de doentes, com remédios de marca ou genéricos. Competirá ao estado controlar e ser exigente. O mesmo, mas mais depressa, para a Educação e com mais calma para a Agricultura. Até o pessoal burocrático nos ministérios não deveria ser constituido por funcionários públicos. O serviço assegurado por empresas privadas, de acordo com as necesidades
Claro que no Palácio das Necesidades as coisas são diferentes. Na maioria dos outros não. Um ministro não deve perder tempo a negociar com sindicatos ou o serviço paralizado por uma greve.
Não vale a pena ignorar um dado adquirido:a gestão privada é mais rentável e mais eficaz. Enquanto um governo for um mero director de pessoal, perde tempo e meios para governar.Poderão eventualmente sobreviver alguns, mas o funcionalismo público, tal como o conhecemos hoje não pode continuar Hidra de sete cabeças.
Por-se-á a questão delicada e que fazer com os funcionários? Não é do jornalista a receita dos milagres, mas haverá decerto soluções. Ocorre-me quando foi do regresso maciço das ex-colónias, que envolveu não só funcionários públicos, improvisou-se um Quadro Geral de Adidos.
Poderá sempre determinar-se directivas que obriguem as empresas que prestarem serviço ao Estado a recrutar percentagens expressivas de ex-funcionários e mesmo entre estes, com diferentes graus para os diferentes escalões etários.
Claro que a solução mais fácil para qualquer governo é deixar tudo na mesma, mas com outros nomes.
Pois é, mas acaba na mesma e com o mesmo resultado.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

SINAIS DOS TEMPOS/2

Mesmo Alta, o que uma pessoa é não é o que foi. O que foi Filho talvez não aceitasse ser Alto, mas se aceitasse por certo haveria de intervir de forma a não pactuar com a vil tristeza a que chegou a CS. Compram-se escandalos para abrir tj ou primeiras páginas de semanários (a moda já começa a chegar aos diários). Compram-se e jogam-se para o ar mesmo que manifestamente sejam falsos ou falseados e quando é preciso desmentir fazem-no de modo a que o desmentido soe a falso.

No meio disto o cronista avençado/comprometido passa ao lado. Os círculos de comentadores políticos, esses, sim, esses têm outro peso e, por conseguinte, outra autoridade, mesmo moral, porque não disfarçam as conotações. Pacheco Pereira foi tão duro contra Santana Lopes quanto
Marcelo, afilhado de outra Marcelo, mas foi este quem mais empurrou o líder da irmandade
para o caos. Mas a que preço? O partido de todos eles já está a pagar e mesmo a prestações vai ser duro.

Enquanto isso o estado de graça do PS começa a ser sobressaltado. Os prazos regimentais são um tormento para a estabilidade que se pretende. Precisa-se, precisa o PS, de um governo sem convulsões, tranquilo, tão natural como a sede, que possa avançar para as santas reformas. E avançar para elas o mais imediatamente possível, porque reformar contunde com hábitos e vícios, que não cedem facilmente. Que esbracejam, refilam e inundam cabeçalhos, abrem tj e atiçam os cronistas pró-interesses constituidos. O estado de graça some-se. O remédio consiste em começar cedo e acabar dezoito meses e meio antes das próximas legislativas, de forma a ter tempo para fazer render as reformas, as mudanças, e valorizar os índices económicos. Para começar cedo era necessário dispôr de projectos, planificados que mobilizem. Sem isso será difícil avançar, porque tempo é como o dinheiro; não há...

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

SINAIS DOS TEMPOS

Um colega de carteira derrama incontrolável ira sobre colunistas amplamente conhecidos por posições (atenção que não estou a referir-me a colos) pouco ou nada isentas. Numa onda de euforia, a imparcialidade é subjectiva e só se dá pela sua falta quando ataca, ofende, a onda.
Mas é verdade que a parcialidade do contra não é ingénua, é claramente mercantilista.

Sendo um dado adquirido que a comunicação social é uma loja, que frequentemente vende produtos em saldo ou que pratica descontos avultados na venda por atacado, é natural que se aproveite o intervalo em que um governo ainda não está e outro ainda não saiu para esvaziar as prateleiras dos monos afim de dar espaço aos luzidios lugares comuns da nova temporada.
Isso porque vai ter de haver lugar para os outros, com outra noção de imparcialidade convenientemente parcial. Em todo o caso, eles dão a cara e mesmo que não seja por amor à camisola comprometem-se.

Não tenho em mente justificar, seja quem for e de que lado estiver. São muito poucos os cronistas que vou lendo ( e apreciando) e cada vez mais os que deixei de ler. Vou envelhecendo
sem ver telenovelas, séries boas (que as vai havendo, quero crer) ou más. Nem filmes. Quase sempre, porque algumas vezes o apelo é irresistível. E mesmo assim, não raro acabo por sair do filme, à segunda ou terceira interrupção, por imperativos comerciais da Estação. Não tolero a
publicidade em doses maciças, e na 2, a dita institucional, chega a ser tão chata como a comercial

Mas busco sempre a Informação (é um vício natural ou, se preferirem, deformação profissional) , dando-me ao incómodo de saltitar de canal em canal. Mas até os tele-jornais me começam a enfadar. A falta de ética é gritante. Nem acredito que os modelos de informação
sejam todos impostos com finalidade inconfessável. Na maior parte dos casos é manifesto o cunho pessoal, tanta o destempero, a ignorância e a irresponsabilidade. Um pequeno exemplo: o apresentador do tj anuncia: A "X" (pode-se aplicar a qualquer uma das três) soube que fulano de tal e tal de fulano foram convidados para integrar o próximo governo e entram imagens.Um
repórter (ou uma ou uma chuva deles) aponta o microfone ao fulano visado e grita:o senhor foi convidado para integrar o governo?
A resposta foi simples: não fui nem tinha quer. Perguntem ao eng. Sócrates. E o bando ulula: "mas se for aceita"?!!!
Colocaram a mesma questão a mais suspeitos, obtendo o mesmo tipo de resposta, mas foi como se nada se tivesse passado. Os noticiários seguintes (no Cabo e nas generalistas) continuaram a divulgar, ao longo da noite e no dia seguinte, como certa a informação desmentida e nunca confirmada. A Sic sabe, a Sic soube, a TVI, a TVI aquilo e pronto, quem quiser que engula. Desculpem por não ter citado a RTP, mas podia ter citado.

É verdade que existe uma autoridade (alta) para a Comunicação Social. Se fosse clandestina seria por certo mais activa, como não é, funciona como um instrumento com tecnologia sideral, alimentado a pilhas e é activado para não fazer ondas. (continua, depois do jantar)...

Ansiedades

A informação em Portugal funciona numa lógica absolutamente preversa, determinada por um sem número de factores, cuja identificação rigorosa é indispensável a quem quiser fazer dela um instrumento de comunicação social.
Desde logo a sua natureza de negócio. Tal como a venda de sapatos ou a concessão de créditos. É um negócio. Os seus factores de produção são considerados da mesma maneira que numa empresa de telecomunicações ou num restaurante.
Nessa perspectiva, os seus trabalhadores valem pelo que produzem e pelo que ganham. O melhor trabalhador para um empresário de comunicação social é aquele que produz mais e ganha menos.
O negócio, por sua vez, é alimentado pelos leitores e pela publicidade - em Portugal, mais por esta do que por aqueles, já que os leitores são cada vez menos. Cada vez mais os únicos leitores de jornais são os quadros de empresas que têm direito ao jornal diário, pago pelo orçamento.
Há, todavia, em matéria de leitura, dois concorrentes sérios: a blogoesfera e os jornais distribuídos gratuitamente nos transportes públicos. Para quem quiser saber dos instrumentos de comunicação social, deve dedicar alguma atenção sobretudo a este último fenómeno.
A publicidade é a chamada pescada com o rabo na boca, já que os grupos proprietários de jornais têm interesses nas agências de publicidade e os dinheiros passam de um lado para o outro, engordando ou emagrecendo orçamentos, mas sem resultados importantes.
A informação portuguesa vive da pressão política que faz sobre os detentores dos poderes de Estado. Os grupos económicos, que dominam a informação, vivem, sobretudo, dos favores que obtêm do Estado. Por isso fazem pressão e dão guarida a todo o tipo de lixo, desde que possa representar uma pistola apontada ao peito de alguém.
É neste contexto que se interpreta a ansiedade - quase desespero - da comunicação social a propósito na nova situação política de Portugal. Chega a ser ridículo ficar atento ao que escreve ou diz.
Todavia, é necessário ter alguma compreensão acerca de tal ansiedade. Os jornalistas estiveram habituados, durante muitos anos, aos telefonemas privilegiados, às relações próximas com os gabinetes do poder. Alguns deles foram formados nesse esquema - não imaginam outro. Nunca produziram uma notícia, fizeram sempre redações a partir de ditados do sr. dr (nos últimos anos, os ditados já têm erros de ortografia).
Percebe-se, portanto, que os jornalistas desesperem e que os profissionais da intriga aproveitem o desespero para atirar para as redacções as chamadas análises inteligentes.
Também não custa perceber que o País - todo ele e não apenas os jornais - esteja perplexo com os resultados das eleições do último fim de semana. Eu atrever-me-ia a dizer que a própria Europa está, mais uma vez, de boca aberta. Como é possível uma viragem tão acentuada na contagem dos votos?
Contagem de votos - digo bem.
Essa contagem deve ser lida sobretudo pelo PS. É que ela não representa uma onda entusiastica favorável aos socialistas e ao seu secretário-geral. É, sobretudo, um grito de rejeição. Tão forte que até deu para alguns dos votos socialistas irem alimentar o crescimento do PCP e do BE.
Esta maioria absoluta não pertence ao PS e ao engº Sócrates. Pertence a este povo e à sua esperança na mudança de rumo.
Ao contrário do que dizem os intriguistas profissionais, tais como António Ribeiro Ferreira, Vasco Graça Moura, Luís Delgado e outros, o povo não rejeita a ideia do sacrifício. Está disponível para ele, mas quer ver os resultados. Por isso se mobilizou nesta votação maciça na esquerda - não porque é esquerda, mas porque é a única alternativa.
É aqui que deve entrar a inteligência de quem vai formar governo, de quem vai delinear políticas, de quem vai assumir este cheque em branco, onde é preciso, urgentemente, colocar os números e a assinatura.
Na rua, conversando com as pessoas, percebe-se que é tudo muito simples: toda a gente quer uma vida mais simples, mais cómoda e mais recompensadora e quer entender o que os políticos propõem.
Espero que o engº José Sócrates não confunda amizades com política e tenha capacidade para identificar algumas figuras socialistas que o povo não quer voltar a ver com responsabilidades de governo. Alguns deles até podem ser amados pelo povo socialista, mas não são queridos dos outros.
A outros é o próprio PS que se esforça por esconder nos bastidores, mas o resto do país reconhece-lhes competência, seriedade, amor à causa pública.
Esta maioria absoluta ainda não pertence ao próximo primeiro-ministro de Portugal e ao PS, mas eles têm todas as possibilidades de a ganhar, de a justificar e , quiçá, ampliá-la. Há muitos casos na história de granders líderes que o foram, sendo-o. Não chegaram à liderança através de um caminho longo de conquistas na construção de carismas irresistíveis. Há muitos exemplos na história em que o poder construiu o carisma e a capacidade de liderança incontestável e incontestada. Em Portugal já há algum tempo que tal não acontece.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Outra Vez o DN

O Diário de Notícias continua uma lástima. Começa a parecer-se com o governo de Santana Lopes. Hoje, Luís Delgado, no seu estilo trapalhão, brinda-nos com um choro convulsivo a propósito da saída , "de cabeça erguida", de Pedro Santana Lopes e promete (ou ameaça?) com o seu (dele, Pedro) regresso. Só lido, contado ninguém acredita.

Noutra página, noutro estilo, mais elegante, mas trauliteiro, Vasco da Graça Moura, na mesma linha do António Ribeiro Ferreira, desanca os eleitores que deram ao PS a maioria absoluta e anuncia a calamidade.

Pode concluir-se que estes textos de opinião anunciam a nova linha editorial do DN? Já ontem, ao que parece ingenuamente, sugeria que a direcção do jornal se sentiria desconfortável com este tipo de escritos. Hoje, parece-me poder concluir o contrário: Miguel Coutinho e Raul Vaz estão mais felizes que nunca, agora que viraram vedetas de televisão não devem ter tempo para essa coisa menor de dirigir um jornal. Os outros, António Perez Metelo, João Morgado e Pedro Rolo Duarte, que são sub-directores, também devem achar piada a este insulto permanente à inteligência dos eleitores.

Podem rir-se, pensando: "mas tu compras o jornal". Não, não compro. Leio na Net e, a partir de hoje, vou deixar de o fazer. O DN entrou na minha lista de pasquins. Contentes?

VOTEM EM MIM

O mundo já esqueceu a "Laranja Mecânica", um livro ( e filme) com várias mensagens, o qual e as quais já andam esquecidos mas ao tempo fizeram tanto banzé na Europa como Santana Lopes em Portugal nos escassos meses em que governou o país.
Coisa de sua natureza, o barulho. Só que o cimo do banco onde subiu amplificou-os: barulho e barulhento. Mas ele não fez mais do que repetir-se. Foi sempre assim, homem a pedir que olhassem para si. E quando primeiro-ministro pediu o mesmo, por palavras de primeiro-ministro: votem em mim!
Mais ou menos a mesma coisa que os outros apenas de forma veemente. Agora: se o homem é veemente de que forma havia de pedir. Depois: por estas e outras é que temos o que temos.
O narrador da "Laranja" chamou aos políticos, a todos e não apenas a Santana, que nem sabia que existia, gabarolas.
Deveria ter acrescentado porém o tipo de gabarolice. É que são acriançados. Dedo apontado ao outro a dizer que tu és feio e o bonito sou eu, com a vida do povo na ponta do ioó.
O Actor Portas
Mas Santana Lopes tem o encanto de ser natural. Nele até a pouca competência é natural. A vida bem gozada tem coisas mais importantes que ser competente, em consequência do que não há gravidade em pôr os violinos do pianista Chopin a tocar, como ele disse que tocavam. E tocaram mesmo nas duas sinfonias que ele, Chopin, fez. Mas isso ninguém sabia, nem tem importância. Ignorância natural de todos nós.
O que, de resto, falta a Paulo Portas. O mais postiço dos políticos portugueses, salvo caso de fingimento bem escondido. Mas Portas anda de defeitos à vista desarmada. Ainda nos últimos dias desempenhou três papéis distintos com cara de quem representa a mesma para situações distintas. A que pôe para homem de Estado, a que pôs para se mostrar compungido com a morte da irmão Lúcia e a que voltou a pôr para dramatizar o seu abandono da presidência do CDS.
O mesmo ricto, carão fechado, distante, altivo, mas simultaneamente farfalhudo de intenções, pretendendo representar um Catão, mais Catão que Catão, um cristianíssimo mais cristão que Cristo e o espanto de um político desinteressado, um soberbo mandante que esbanja poder, que o deita fora como coisa pequena. Um avo ou menos.
Sucede que a naturalidade humana tem caras para isso tudo. A verdade no entanto é que não tem muitas para quem pretende sempre colher dividendos políticos. A ambição larga fica apertada num só fingir.
Mas há casos em que tem uma para tudo. Uma cara e uma voz para tudo. Sem caixa de sentimentos, como o caso de Sócrates. Um de que não se desconfia, mas em que não se confia.
Rufando apressado
Voltando a Portas, ele é, de facto, um espectáculo. Vários espectáculos. Não só em dia de sermão e missa cantada ou em sessão de actor que representa mal. De grande teatralidade é ele na tropa, ele frente a um desfile, ele a passar revista à guarda de honra. Como marcha emproado, peito de pombo que arrulha, esquerdo/direito, a satisfação de se sentir o oficial do exército que nunca foi! Faz lembrar Camillo Pessanha numa parte do poema cujo primeiro verso é "rufando apressado". E diz assim, numa altura:
Com força soldado!
A passo dobrado!
Bem bamboleado!
O que, já que o soldado é ministro, parafraseando, dá:
Com força ministro!
A passo sinistro!
E aqui a porca torce o rabo porque, nem com a ajuda de dois dicionários de rima, se encontrou rima de bamboleio que jogue com ministro. Mas lá que se bamboleia é vê-lo, esquerdo/direito, rufando ele mesmo até com o bombo calado.
Não haverá um amigo de Portas a dizer-lhe que a vaidade assim se chama cagança? E que tanto a moda como a inteligência a recusam!
Alcunhas
Miguel de Sousa Tavares inventou um bom cognome para Louçã. Chamou-lhe "bispo". Pense-se agora no irmão Francisco de mitra à cabeça. Fica parecido com ele mesmo. Aconteceu no entanto que um leitor, parece que dos futebóis, chamou a Sousa Tavares o "enjoado". Trejeito realmente bem caçado.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

JÁ CHOVE

Logo que se anunciou a mudança de governo, a chuva voltou. Fosse Sócrates tão beato como Guterres e, por certo, estaríamos, agora a venerar um milagre. Esta chuva representa a esperança, remotiva os agricultores e credibiliza os senhores que se seguem. De repente até os benfiquistas acreditam, reaprenderam a esperança. Ainda ontem, à noite, quando o Guimarães marcou logo no primeiro minuto da segunda-parte, um lampião dizia atemorizado: "Queres ver que o gajo, afinal, vai convidar Pinto da Costa para ministro Interior..."
É prometedor justamente que ainda não tenham circulado rumores sobre o elenco governamental. Sampaio deu uma boa ajuda para o clima de tranquilidade, acelerando o processo de consultas. Se Sócrates puder despachar com prontidão, de modo a que os artistas da comunicação social não tenham embalado para a caça ao alvo a abater, apontando como mais prováveis os improváveis ou como tendo sido sondados uma data de insondáveis, pode evitar
atritos ou desavenças internas e atapetar o seu legítimo período de graça.

O bom senso aconselha a que a preocupação primeira seja conhecer o programa governativo, a estratégia para a recuperação, os horizontes para a Educação. O que a malta que compra jornais ou os mira na Net quer é saber quem vão ser os ministros, porque esta curiosidade é-lhes despertada, justamente pela comunicação social.

Como lisboeta, bem gostava de ver nos assuntos sociais alguém com vontade de meter nos eixos
os senhores responsáveis pelos diferentes meios de transporte urbanos. Tanto quanto me lembro, foi Leonor Coutinho que concebeu, ainda num dos primeiros governos de Mário
Soares, o passe social, que ainda hoje vigora. Acho que nunca se deu o devido destaque a uma medida realmente social encontrada à época, conciliando os interesses, especialmente de estudantes e trabalhadores, com os de quatro transportadores independentes uns dos outros : Carris, Metro ,CP e Cacilheiros.
Depois vieram os abusos, povo tem que sofrer. É dos livros. Os passes aumentaram (de preço, bem entendido) amiude. Pior: os cartões ( cada vez mais caros) são temporários. De cada vez
é preciso um imenso rol perguntas sobre idade, morada, estado civil, que se destinam a banco de dados, transaccionados para diferentes publicidades, sem autorização prévia. Só para não imaginarem que não sei do que falo (escrevo) também tenho passe parisiense. Não é cartão é uma carteirinha, gratuita, onde se introduz o bilhete, semanal ou mensal, conforme as posses ou necessidades. Serve, claro, para Metro e Autocarros. Em Paris também há barcos, mas não são transporte urbano para operariado. A única despesa com o passe é a fotografia. O único incómodo é inscrever o nome.
Deve haver por certo muitas lisboas pelo país fora, com alguns vícios e os mesmos defeitos. Não recomendo um milagre, mas o ponto final num abuso contra direitos básicos dos cidadãos. Não constitui um dilema, mas isto de mudanças profundas é como entender por é que se beija a mão às senhoras: ora, por que é preciso começar por algum lado.

Mais Um Trauliteiro no DN

O Título despertou-me a curiosidade. O sujeito, o autor, deve ter andado na escola com o futuro primeiro-ministro, José Sócrates.
"A Culpa não é do Sócrates" - mal-educado e deselegante - a anunciar o insulto. E, no corpo do texto, desenvolve uma raiva surda contra os mais de dois milhões e meio de votantes eleitores da nova Assembleia da República.
O homem (?) distribui traulitada a esmo, ofende os portugueses, quase promete vingança ao prever a desgraça total para Portugal e para os portugueses; faz lembrar a ameaça das sete pragas que assolaram o Egipto.
Quem é este sujeito? é rival ou sucessor de Luís Delgado? Quem é este António Ribeiro Ferreira?
Como é que um boçal destes pode escrever num jornal que é uma das referências da imprensa portuguesa há mais de um século?
Não posso acreditar que a direcção do jornal, com um director, um director-adjunto e três sub-directores se sinta confortável com este tipo de prosa, mas esta minha crença pode ser ingénua e o DN tenha inaugurado com este monte de lixo a sua nova orientação editorial.

Bush e o Mapa

Bush, o texano, veio à Europa. Sob vigilância apertada de Condoleezza Rice, que o castiga com os olhos, enquanto acena com a cabeça, George veio fazer as pazes com os europeus, tentar partilhar os estragos do Iraque e mostrar o mapa que os seus ideólogos lhe metem na cabeça todos os dias.

O Presidente dos Estados Unidos veio à Europa ameaçar a Síria e o Irão. Bem que o podia ter feito lá na sua casa branca. Assim como assim, já conhecemos o mapa e imaginamos o que se vai passar com ele. Para quê ouvi-lo na "velha " Europa, a mesma que ajudou a desenhar e a redesenhar todas aquelas fronteiras que o cowboy agora quer saltar?

Afinal, Quem Ganhou as Eleições?

Já ontem salientei o atrevimento de Rocha de Matos, que, no próprio dia das eleições apareceu citado num jornal a recomendar não sei quantas medidas ao novo governo socialista.

Hoje, a CIP - A Confederação da Indústria Portuguesa -, em nota distribuida pela Agência Lusa e depois explicada, bem explicadinha, nas televisões, recomendou (ou exigiu?) ao novo governo que não mexa na legislação laboral.

Lá mais para a noite, na SIC Notícias, no jornal apresentado pelo Mário Crespo, cujos editoriais do jornal " A Capital" de há uns anos eram o "Ridiculus" de então, lá estava Horácio Roque, um banqueiro, a fazer novas recomendações, com ar grave, diria mesmo ameaçador. Que isto e mais aquilo, confiança e não sei que mais. E o Mário, todo atento e venerando, sem interromper, como costuma fazer a quem diz coisas com que ele não concorda.

Mas, afinal, o que é que isto quer dizer?

Por não ter visto o Luís Delgado julguei que as coisas iam ficar normais, com gente normal, e assim, gente com bom senso, que consiga perceber os resultados das eleições de ontem.

Não senhor, as televisões e os jornais entraram em delírio.

O sr. Rocha de Matos - que hoje também apareceu numa das televisões - foi a votos? e o sr Horácio Roque terá sido sufragado onde? Entre os comendadores?

E a CIP, deixou de ser confederação e assumiu-se definitavemente como corporação e ganhou alguma eleição entre os grémios?

Já não bastava o António Barreto, com toda a sua má fé, a dizer que José Sócrates fez um discurso de vitória só para socialistas...

Apetece-me citar ma amiga: "estes gajos estão mal habituados".

SOBREVIVER

Se não os podes vencer...
Junta-te a eles! Deve ter sido uma correria, ontem, a partir das 19 horas, quando o que tem que ser tem muita força já não oferecia dúvidas...

Mesmo assim, ainda me surpreendo com o gorducho Freitas do Amaral. Não era preciso ser tão pronto, que diabo! Não se põe a questão de mudar de cor, mas de fazê-lo com algum decoro. Para se mudar de campo não é necessário lamber botas.
Socrates não se parece com Mário Soares e, ao contrário deste, nem tem necessidade de dividir a direita, mais que dividida - estilhaçada.
Vai ter um provir sobressaltado, uma espera quase mística por El-Rei D.Sebastião, um que também abandonou cedo, em busca de quimeras.

Não se vislumbra que monarca possa suceder ao infante desvalido, se bem que o tabu algarvio
de tanto querer perder o outro, perdeu-se a ele próprio, ficou sem espaço e não se lhe vê geito de pegar na criança. Ver-se-á...

E, agora? Em que presente nos vamos sentar para arrancar para o futuro. Não vai ser fácil.
Quando Guterres saiu, deixou um triste quadro. Todo o país sofreu com a situação até se tornar intolerável.
Agora escutamos palavras de esperança e promessas de vencer a crise, mas de momento ainda não se conhece sequer a composição do próximo executivo. E muito, muito do modo como se vai afrontar os problemas e na confiança na sua resolução dependerá da equipa
que for escolhida por Socrates.
Assim ele possa estar em condições de apresentar um governo
novo e politicamente renovado, o que implicaria a total pacificação interna e o exemplo de confiança que daí adviria para o país!

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Barreto & Marcelo

Primeiro: a minha manifestação de grande alegria. O PS ganhou: com maioria absoluta, as eleições antecipadas convocadas fora de tempo ( mas, mesmo assim, convocadas) pelo Presidente da República.
A Esquerda portuguesa, pela primeira vez, conseguiu exprimir em votos e em deputados a sua real força na sociedade portuguesa.
Nestas coisas de eleições, todos nós estamos colados às televisões e vamos ouvindo aqui e ali os comentadores, os jornalistas e assim. Todos nós percebemos quem está lá - na pantalha - a falar de si ou dos outros. Na maior parte dos casos, de si mesmos.
Judite de Sousa, sorriso amarelo, toda vivaz quando anuncia que o prof. Marcelo vai retomar o comentário político, na RTP.
António Barreto, com idade para ter juizo e, ao que parece, com algum receio de que apareça alguém a falar de contratos conseguidos não se sabe bem como e do seu passado como renovador para dar nome à célebre "AD", a dar a deixa ao prof. Marcelo.
"Fiquei muito desiludido com o discurso de J. Sócrates ... porque falou para os socialistas...etc, etc...
Oh! dr. , não percebeu que ele estava a falar para uma multidão de socialistas que foram espezinhados, despedidos, celindrados, humilhados pelo PSD e pelo PP durante estes três anos e meio?
Não percebeu?
Faz então o quê na vida, além de ganhar concursos sem outros concorrentes para apresentar estudos e programas na Televisão, que qualquer sociólogo ou qualquer profissional da TV, faria a preços dez vezes menores, com mais eficiência e mais dignidade?
Não percebeu que Sócrates quiz dizer que o seu governo(PS) não ia ser norteado pelo desejo de vingança, do ajuste de contas e que seria uma governação para todos? Não percebeu que era importante, para ele, fazer o discurso contrário do habitual, falando, sem falar, dos "jobs for the boys"?
O sr. é apenas convencido ou é, como parece, arrogante?
Oh! dr. António Barreto, aprenda, de uma vez por todas, que a sua arrogância nem sequer tem fundamento. O país nunca beneficiou nada consigo. Tal como nesta noite de comentários de televisão, em que caiu na armadilha montada pelos novos-velhos directores da RTP.
Hoje, como sempre, o sr. esteve à procura de uma brecha por onde pressionar o poder político, do qual vive, despudoradamente.
E, por isso, concedeu a deixa àquela dissertação "inteligente" de Marcelo Rebelo de Sousa, que já começou a anunciar o que vão ser os seus comentários dominicais na RTP, ainda dominada pela estrutura montada pelo "boxeur" Morais Sarmento.
Será que o dr. Barreto tem capacidade e curriculum para obter todos os trabalhos em que ganha para além do necessário ao seu sustento, se submetido a concurso, devidamente publicitado, com outros profissionais da sua área e de outras que invade como um predador?
A Televisão é, para ele, um instrumento de pressão?
Enfim, vai ser precisa muita coragem. Ainda o PS não anunciou o seu governo e já os lobies começam a manifestar-se em toda a sua plenitude.
Deus e a irmã Lúcia nos guardem.

E Não Podia Calar-se ?

Raúl Solnado legou-nos, com os seus textos humorísticos e o uso inteligente da gaguez, algumas brincadeiras linguísticas que o tempo ainda não apagou de todo. Uma delas é o célebre: "podioocaláloo?"
É o que me apetece perguntar ao sr. Rocha de Matos, cujas recomendações para os primeiros cem dias de governo de um poder a sair das eleições de hoje, aparecem num jornal com data de 20 de Fevereiro.
Quem é o sr. Rocha de Matos para vir recomendar o que quer que seja? Talvez uma biografia não autorizada explique a presteza de tais recomendações.
Foi o sr. Rocha de Matos a votos?
Ora... e se estivesse quieto e calado, a aguardar o anúncio das medidas do próximo governo, escolhido pelo voto livre e soberano do povo português. E se se preparasse para os sacrifícios que vão ser exigidos a todos, a começar pelo pagamento das obrigações fiscais?

Uma Outra Esperança

Hoje é dia de esperança. Para mim e para muitos milhares de portugueses. Esperança numa mudança significativa da vida colectiva da nossa Terra.
Talvez por isso me apeteça, hoje precisamente, falar de uma outra esperança - a de que em Coimbra surja alguém que joque longe o ar cinzentão dos prof(s). dr(s). que todos os coimbrões têm e se ponha a pensar.
A pensar em quê? Muito simplesmente em futebol e na Associação Académica de Coimbra. Alguém capaz de descobrir que aquelas camisolas negras podem motivar a existência do maior clube português e , em consequência, deixar de significar angústia, domingo a domingo, todos os anos.
Houve, para mim, alguma esperança nas últimas eleições, mas, rapidamente percebi que o cinzento continu a imperar na direcção da Académica, o meu clube de sempre.
Senhores, basta que se lembrem de que há dezenas de milhares ( só?) de pessoas que passaram pela Universidade de Coimbra e que não se importarão - seguramente - de comparticipar com uma cota mensal para as despesas de um clube que recupere a tradição de fazer do futebol um meio e não um fim.
Vamos a isso? É só fazer uma base de dados, devidamente protegida e autorizada pela Comissão de Protecção de Dados Informáticos. Claro que é preciso investir, mas trata-se de um investimento estruturante, de futuro.
Que diabo! Vivemos a era da globalização. Pode haver um sócio da Académica no Japão a pagar, todos os meses, a sua contribuição. Deixem o cinzentismo, assumam o preto como a cor da certeza.

sábado, fevereiro 19, 2005

Um Novo Mapa Político

A partir de amanhã, o mapa político português vai ser completamente diferente daquele a que nos habituámos nos últimos anos, já que a esquerda, na sua globalidade, vai impôr-se de forma absoluta, deixando a direita entregue a uma representação escassa, do ponto de vista quantitativo e pobre do ponto de vista qualitativo.

As eleições de amanhã poderão mesmo apontar para o próximo fim de uma das contradições do nosso espectro político: a existência de dois partidos que se reclamam da social-democracia.

É que a entrega do PPD/PSD a Santana Lopes, por parte de Durão Barroso com o assentimento de todos os seus dirigentes e uma grande parte dos militantes, foi como que um assassinato (também tu, Brutus?").

O PPD/PSD, perante a calamidade que foi Santana Lopes, quer como governante, quer como líder partidário, vai aparecer a agonizar entre os festejos de vitória da esquerda e as coroas de flores da direita, representada pelo CDS.

Todavia, a este CDS/PP (porque é que a direita usa este truque de duas siglas para os seus partidos?) também não esperam boas notícias, ao contrário daquilo que o seu presidente foi anunciando ao longo da campanha.

Uma campanha especial, a fugir do seu eleitorado de 2002: os feirantes, os "espoliados do Ultramar", os ex- combatentes da guerra colonial, precisamente o eleitorado que não lhe vai perdoar o não cumprimento das promessas então feitas.

Repare-se que Paulo Portas só apareceu de supresa em alguns locais públicos. Durante toda a campanha montou acampamentos defendidos das multidões que fazem as vitórias dos políticos.

Portanto, as coroas de flores do CDS/PP têm mais a ver com o futuro do que com o dia de amanhã. Com o PPD/PSD a desmembrar-se, previsivelmente, numa" guerra civil fratricida", ao PP resta esperar a absorção dos "PP" do PSD para hastear a bandeira da direita e entregar ao centro, em que o PS se vai transformar, o que ficar do PSD.

Neste contexto, o reforço da esquerda do Parlamento português pode anunciar a reformulação do chamado espectro político nacional, já para as próximas eleições autárquicas. Diria mesmo que, depois das eleições de amanhã, todos os cenários para as presidenciais também terão de ser revistos.

Vá Lá Alguém Entendê-lo

A pressão sobre o eventual negócio da Lusomundo pode ser uma das explicações. Mas, mesmo assim, as crónicas do ex-jornalista e actual vice-presidente da Lusomundo, Mário Bettencourt Rezendes, - publicadas no DN, de que foi director - são um rosário de perplexidades.
A última, em vésperas de eleições, é espantosa, já que, perante a chuva de sondagens a dar a maioria absoluta ao PS, ele segue o raciocínio desesperado da direita dos interesses - não a direita ideológica- "já que não os podemos bater, pedimos à esquerda, mais à esquerda, que dê uma ajuda".
Neste cronista o pedido de ajuda entende-se por uma defesa dos seus próprios intereesses, já que, nunca tendo feito nenhum esforço para se demarcar da estratégia João Líbano Monteiro/Luís Delgado, está ligado a ela, para o bem e para o mal.
Isto, a despeito de algumas linhas abertas para o Largo do Rato e utilizadas, nos últimos dias, para explicar "as circunstâncias".

História de Um Gestor de Sucesso

... voltando ao porta-voz dos gestores de sucesso, que nos últimos dias andam de dedo apontado ao poder político, assim com um pistolão 38, à John Wayne.
O seu porta-voz é considerado entre os jornalistas-economistas um exemplo de sucesso. Apenas isso e ponto. De sucesso
A memória fica obnibulada pelos elogios. Ele próprio se esquece que recebeu do Estado Português uma licença para instalar uma empresa de telecomunicações a custo zero. Quer dizer, não pagou um tostão pela licença, que, em qualquer outro país do Mundo teria ido a leilão e teria custado muito dinheiro - que reverteria a favor dos cofres do Estado.
Este Estado Português era então governado por Cavaco Silva, que justificou a benesse em nome da necessidade de criar em Portugal um sector de telecomunicações competitivo.
A autorização concedida à Telecel obrigava à manutenção de uma maioria de três quartos de capital portugês por um período de cinco anos. BES e Amorins subscreveram a maioria desse capital.
E subscreveram mais alguma coisa, provavelmente com o conhecimento do ministro das telecomunicações de então, Ferreira do Amaral: um acordo com uma empresa estrangeira, que, no final dos cinco anos tomou o controlo da Telecel, gerida por Carrapatoso, que, desse modo, propiciou aos accionistas portugueses o ganho de mais valias escandalosas.
Isto quer dizer: a Telecel, entretanto, adquirida pela Vodafone, nasce de uma concessão gratuita, em que o Estado, mais uma vez, abre as portas do cofre aos privados e os deixa meter a mão.
Esta é, igualmente, a explicação do sucesso de António Carrapatoso e dos milhões que vai ganhando. E também uma pequena parte da explicação para os milhões que faltam ao Estado Português para ir resolvendo os problemas das pessoas que nâo têm acesso a estes negocios - ou serão negociatas?

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Que Desgraçados Nós Somos

Eu acredito que o dr. Medina Carreira tenha razão - parece mesmo que tem! Mas, ouvi-lo ou lê-lo é um verdadeiro exercício de masoquismo.
Que diabo! (ou será meu Deus!), estamos condenados a ser completamente esmagados pela realidade económica, a ser completamente desgraçados? Este povo, que somos nós, não terá capacidade para um golpe de asa?
Por falar nisso, e se a comunicação social mudasse as agulhas e se preocupasse em lembrar-nos o que já fizemos , para concluir que voltaremos a ser capazes?
Alguns dos cronistas de lugar cativo parecem-se muito com a ideia de político disseminada a esmo.
As suas preocupações têm mais a ver com a necessidade de se venderem a si próprios do que ajudar os leitores a perceber o que quer que seja. Recolho da minha leitura diária uma frase espantosa - que deve ter alcançado uma boa cotação no mercado das chamadas frases assassinas - "escolher (o próximo primeiro-ministro) é como escolher entre a pepsi-cola e a coca-cola".
Será plágio ou representa uma venda inédita: dois em um?