terça-feira, fevereiro 22, 2005

JÁ CHOVE

Logo que se anunciou a mudança de governo, a chuva voltou. Fosse Sócrates tão beato como Guterres e, por certo, estaríamos, agora a venerar um milagre. Esta chuva representa a esperança, remotiva os agricultores e credibiliza os senhores que se seguem. De repente até os benfiquistas acreditam, reaprenderam a esperança. Ainda ontem, à noite, quando o Guimarães marcou logo no primeiro minuto da segunda-parte, um lampião dizia atemorizado: "Queres ver que o gajo, afinal, vai convidar Pinto da Costa para ministro Interior..."
É prometedor justamente que ainda não tenham circulado rumores sobre o elenco governamental. Sampaio deu uma boa ajuda para o clima de tranquilidade, acelerando o processo de consultas. Se Sócrates puder despachar com prontidão, de modo a que os artistas da comunicação social não tenham embalado para a caça ao alvo a abater, apontando como mais prováveis os improváveis ou como tendo sido sondados uma data de insondáveis, pode evitar
atritos ou desavenças internas e atapetar o seu legítimo período de graça.

O bom senso aconselha a que a preocupação primeira seja conhecer o programa governativo, a estratégia para a recuperação, os horizontes para a Educação. O que a malta que compra jornais ou os mira na Net quer é saber quem vão ser os ministros, porque esta curiosidade é-lhes despertada, justamente pela comunicação social.

Como lisboeta, bem gostava de ver nos assuntos sociais alguém com vontade de meter nos eixos
os senhores responsáveis pelos diferentes meios de transporte urbanos. Tanto quanto me lembro, foi Leonor Coutinho que concebeu, ainda num dos primeiros governos de Mário
Soares, o passe social, que ainda hoje vigora. Acho que nunca se deu o devido destaque a uma medida realmente social encontrada à época, conciliando os interesses, especialmente de estudantes e trabalhadores, com os de quatro transportadores independentes uns dos outros : Carris, Metro ,CP e Cacilheiros.
Depois vieram os abusos, povo tem que sofrer. É dos livros. Os passes aumentaram (de preço, bem entendido) amiude. Pior: os cartões ( cada vez mais caros) são temporários. De cada vez
é preciso um imenso rol perguntas sobre idade, morada, estado civil, que se destinam a banco de dados, transaccionados para diferentes publicidades, sem autorização prévia. Só para não imaginarem que não sei do que falo (escrevo) também tenho passe parisiense. Não é cartão é uma carteirinha, gratuita, onde se introduz o bilhete, semanal ou mensal, conforme as posses ou necessidades. Serve, claro, para Metro e Autocarros. Em Paris também há barcos, mas não são transporte urbano para operariado. A única despesa com o passe é a fotografia. O único incómodo é inscrever o nome.
Deve haver por certo muitas lisboas pelo país fora, com alguns vícios e os mesmos defeitos. Não recomendo um milagre, mas o ponto final num abuso contra direitos básicos dos cidadãos. Não constitui um dilema, mas isto de mudanças profundas é como entender por é que se beija a mão às senhoras: ora, por que é preciso começar por algum lado.

Mais Um Trauliteiro no DN

O Título despertou-me a curiosidade. O sujeito, o autor, deve ter andado na escola com o futuro primeiro-ministro, José Sócrates.
"A Culpa não é do Sócrates" - mal-educado e deselegante - a anunciar o insulto. E, no corpo do texto, desenvolve uma raiva surda contra os mais de dois milhões e meio de votantes eleitores da nova Assembleia da República.
O homem (?) distribui traulitada a esmo, ofende os portugueses, quase promete vingança ao prever a desgraça total para Portugal e para os portugueses; faz lembrar a ameaça das sete pragas que assolaram o Egipto.
Quem é este sujeito? é rival ou sucessor de Luís Delgado? Quem é este António Ribeiro Ferreira?
Como é que um boçal destes pode escrever num jornal que é uma das referências da imprensa portuguesa há mais de um século?
Não posso acreditar que a direcção do jornal, com um director, um director-adjunto e três sub-directores se sinta confortável com este tipo de prosa, mas esta minha crença pode ser ingénua e o DN tenha inaugurado com este monte de lixo a sua nova orientação editorial.

Bush e o Mapa

Bush, o texano, veio à Europa. Sob vigilância apertada de Condoleezza Rice, que o castiga com os olhos, enquanto acena com a cabeça, George veio fazer as pazes com os europeus, tentar partilhar os estragos do Iraque e mostrar o mapa que os seus ideólogos lhe metem na cabeça todos os dias.

O Presidente dos Estados Unidos veio à Europa ameaçar a Síria e o Irão. Bem que o podia ter feito lá na sua casa branca. Assim como assim, já conhecemos o mapa e imaginamos o que se vai passar com ele. Para quê ouvi-lo na "velha " Europa, a mesma que ajudou a desenhar e a redesenhar todas aquelas fronteiras que o cowboy agora quer saltar?

Afinal, Quem Ganhou as Eleições?

Já ontem salientei o atrevimento de Rocha de Matos, que, no próprio dia das eleições apareceu citado num jornal a recomendar não sei quantas medidas ao novo governo socialista.

Hoje, a CIP - A Confederação da Indústria Portuguesa -, em nota distribuida pela Agência Lusa e depois explicada, bem explicadinha, nas televisões, recomendou (ou exigiu?) ao novo governo que não mexa na legislação laboral.

Lá mais para a noite, na SIC Notícias, no jornal apresentado pelo Mário Crespo, cujos editoriais do jornal " A Capital" de há uns anos eram o "Ridiculus" de então, lá estava Horácio Roque, um banqueiro, a fazer novas recomendações, com ar grave, diria mesmo ameaçador. Que isto e mais aquilo, confiança e não sei que mais. E o Mário, todo atento e venerando, sem interromper, como costuma fazer a quem diz coisas com que ele não concorda.

Mas, afinal, o que é que isto quer dizer?

Por não ter visto o Luís Delgado julguei que as coisas iam ficar normais, com gente normal, e assim, gente com bom senso, que consiga perceber os resultados das eleições de ontem.

Não senhor, as televisões e os jornais entraram em delírio.

O sr. Rocha de Matos - que hoje também apareceu numa das televisões - foi a votos? e o sr Horácio Roque terá sido sufragado onde? Entre os comendadores?

E a CIP, deixou de ser confederação e assumiu-se definitavemente como corporação e ganhou alguma eleição entre os grémios?

Já não bastava o António Barreto, com toda a sua má fé, a dizer que José Sócrates fez um discurso de vitória só para socialistas...

Apetece-me citar ma amiga: "estes gajos estão mal habituados".

SOBREVIVER

Se não os podes vencer...
Junta-te a eles! Deve ter sido uma correria, ontem, a partir das 19 horas, quando o que tem que ser tem muita força já não oferecia dúvidas...

Mesmo assim, ainda me surpreendo com o gorducho Freitas do Amaral. Não era preciso ser tão pronto, que diabo! Não se põe a questão de mudar de cor, mas de fazê-lo com algum decoro. Para se mudar de campo não é necessário lamber botas.
Socrates não se parece com Mário Soares e, ao contrário deste, nem tem necessidade de dividir a direita, mais que dividida - estilhaçada.
Vai ter um provir sobressaltado, uma espera quase mística por El-Rei D.Sebastião, um que também abandonou cedo, em busca de quimeras.

Não se vislumbra que monarca possa suceder ao infante desvalido, se bem que o tabu algarvio
de tanto querer perder o outro, perdeu-se a ele próprio, ficou sem espaço e não se lhe vê geito de pegar na criança. Ver-se-á...

E, agora? Em que presente nos vamos sentar para arrancar para o futuro. Não vai ser fácil.
Quando Guterres saiu, deixou um triste quadro. Todo o país sofreu com a situação até se tornar intolerável.
Agora escutamos palavras de esperança e promessas de vencer a crise, mas de momento ainda não se conhece sequer a composição do próximo executivo. E muito, muito do modo como se vai afrontar os problemas e na confiança na sua resolução dependerá da equipa
que for escolhida por Socrates.
Assim ele possa estar em condições de apresentar um governo
novo e politicamente renovado, o que implicaria a total pacificação interna e o exemplo de confiança que daí adviria para o país!

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Barreto & Marcelo

Primeiro: a minha manifestação de grande alegria. O PS ganhou: com maioria absoluta, as eleições antecipadas convocadas fora de tempo ( mas, mesmo assim, convocadas) pelo Presidente da República.
A Esquerda portuguesa, pela primeira vez, conseguiu exprimir em votos e em deputados a sua real força na sociedade portuguesa.
Nestas coisas de eleições, todos nós estamos colados às televisões e vamos ouvindo aqui e ali os comentadores, os jornalistas e assim. Todos nós percebemos quem está lá - na pantalha - a falar de si ou dos outros. Na maior parte dos casos, de si mesmos.
Judite de Sousa, sorriso amarelo, toda vivaz quando anuncia que o prof. Marcelo vai retomar o comentário político, na RTP.
António Barreto, com idade para ter juizo e, ao que parece, com algum receio de que apareça alguém a falar de contratos conseguidos não se sabe bem como e do seu passado como renovador para dar nome à célebre "AD", a dar a deixa ao prof. Marcelo.
"Fiquei muito desiludido com o discurso de J. Sócrates ... porque falou para os socialistas...etc, etc...
Oh! dr. , não percebeu que ele estava a falar para uma multidão de socialistas que foram espezinhados, despedidos, celindrados, humilhados pelo PSD e pelo PP durante estes três anos e meio?
Não percebeu?
Faz então o quê na vida, além de ganhar concursos sem outros concorrentes para apresentar estudos e programas na Televisão, que qualquer sociólogo ou qualquer profissional da TV, faria a preços dez vezes menores, com mais eficiência e mais dignidade?
Não percebeu que Sócrates quiz dizer que o seu governo(PS) não ia ser norteado pelo desejo de vingança, do ajuste de contas e que seria uma governação para todos? Não percebeu que era importante, para ele, fazer o discurso contrário do habitual, falando, sem falar, dos "jobs for the boys"?
O sr. é apenas convencido ou é, como parece, arrogante?
Oh! dr. António Barreto, aprenda, de uma vez por todas, que a sua arrogância nem sequer tem fundamento. O país nunca beneficiou nada consigo. Tal como nesta noite de comentários de televisão, em que caiu na armadilha montada pelos novos-velhos directores da RTP.
Hoje, como sempre, o sr. esteve à procura de uma brecha por onde pressionar o poder político, do qual vive, despudoradamente.
E, por isso, concedeu a deixa àquela dissertação "inteligente" de Marcelo Rebelo de Sousa, que já começou a anunciar o que vão ser os seus comentários dominicais na RTP, ainda dominada pela estrutura montada pelo "boxeur" Morais Sarmento.
Será que o dr. Barreto tem capacidade e curriculum para obter todos os trabalhos em que ganha para além do necessário ao seu sustento, se submetido a concurso, devidamente publicitado, com outros profissionais da sua área e de outras que invade como um predador?
A Televisão é, para ele, um instrumento de pressão?
Enfim, vai ser precisa muita coragem. Ainda o PS não anunciou o seu governo e já os lobies começam a manifestar-se em toda a sua plenitude.
Deus e a irmã Lúcia nos guardem.

E Não Podia Calar-se ?

Raúl Solnado legou-nos, com os seus textos humorísticos e o uso inteligente da gaguez, algumas brincadeiras linguísticas que o tempo ainda não apagou de todo. Uma delas é o célebre: "podioocaláloo?"
É o que me apetece perguntar ao sr. Rocha de Matos, cujas recomendações para os primeiros cem dias de governo de um poder a sair das eleições de hoje, aparecem num jornal com data de 20 de Fevereiro.
Quem é o sr. Rocha de Matos para vir recomendar o que quer que seja? Talvez uma biografia não autorizada explique a presteza de tais recomendações.
Foi o sr. Rocha de Matos a votos?
Ora... e se estivesse quieto e calado, a aguardar o anúncio das medidas do próximo governo, escolhido pelo voto livre e soberano do povo português. E se se preparasse para os sacrifícios que vão ser exigidos a todos, a começar pelo pagamento das obrigações fiscais?

Uma Outra Esperança

Hoje é dia de esperança. Para mim e para muitos milhares de portugueses. Esperança numa mudança significativa da vida colectiva da nossa Terra.
Talvez por isso me apeteça, hoje precisamente, falar de uma outra esperança - a de que em Coimbra surja alguém que joque longe o ar cinzentão dos prof(s). dr(s). que todos os coimbrões têm e se ponha a pensar.
A pensar em quê? Muito simplesmente em futebol e na Associação Académica de Coimbra. Alguém capaz de descobrir que aquelas camisolas negras podem motivar a existência do maior clube português e , em consequência, deixar de significar angústia, domingo a domingo, todos os anos.
Houve, para mim, alguma esperança nas últimas eleições, mas, rapidamente percebi que o cinzento continu a imperar na direcção da Académica, o meu clube de sempre.
Senhores, basta que se lembrem de que há dezenas de milhares ( só?) de pessoas que passaram pela Universidade de Coimbra e que não se importarão - seguramente - de comparticipar com uma cota mensal para as despesas de um clube que recupere a tradição de fazer do futebol um meio e não um fim.
Vamos a isso? É só fazer uma base de dados, devidamente protegida e autorizada pela Comissão de Protecção de Dados Informáticos. Claro que é preciso investir, mas trata-se de um investimento estruturante, de futuro.
Que diabo! Vivemos a era da globalização. Pode haver um sócio da Académica no Japão a pagar, todos os meses, a sua contribuição. Deixem o cinzentismo, assumam o preto como a cor da certeza.

sábado, fevereiro 19, 2005

Um Novo Mapa Político

A partir de amanhã, o mapa político português vai ser completamente diferente daquele a que nos habituámos nos últimos anos, já que a esquerda, na sua globalidade, vai impôr-se de forma absoluta, deixando a direita entregue a uma representação escassa, do ponto de vista quantitativo e pobre do ponto de vista qualitativo.

As eleições de amanhã poderão mesmo apontar para o próximo fim de uma das contradições do nosso espectro político: a existência de dois partidos que se reclamam da social-democracia.

É que a entrega do PPD/PSD a Santana Lopes, por parte de Durão Barroso com o assentimento de todos os seus dirigentes e uma grande parte dos militantes, foi como que um assassinato (também tu, Brutus?").

O PPD/PSD, perante a calamidade que foi Santana Lopes, quer como governante, quer como líder partidário, vai aparecer a agonizar entre os festejos de vitória da esquerda e as coroas de flores da direita, representada pelo CDS.

Todavia, a este CDS/PP (porque é que a direita usa este truque de duas siglas para os seus partidos?) também não esperam boas notícias, ao contrário daquilo que o seu presidente foi anunciando ao longo da campanha.

Uma campanha especial, a fugir do seu eleitorado de 2002: os feirantes, os "espoliados do Ultramar", os ex- combatentes da guerra colonial, precisamente o eleitorado que não lhe vai perdoar o não cumprimento das promessas então feitas.

Repare-se que Paulo Portas só apareceu de supresa em alguns locais públicos. Durante toda a campanha montou acampamentos defendidos das multidões que fazem as vitórias dos políticos.

Portanto, as coroas de flores do CDS/PP têm mais a ver com o futuro do que com o dia de amanhã. Com o PPD/PSD a desmembrar-se, previsivelmente, numa" guerra civil fratricida", ao PP resta esperar a absorção dos "PP" do PSD para hastear a bandeira da direita e entregar ao centro, em que o PS se vai transformar, o que ficar do PSD.

Neste contexto, o reforço da esquerda do Parlamento português pode anunciar a reformulação do chamado espectro político nacional, já para as próximas eleições autárquicas. Diria mesmo que, depois das eleições de amanhã, todos os cenários para as presidenciais também terão de ser revistos.

Vá Lá Alguém Entendê-lo

A pressão sobre o eventual negócio da Lusomundo pode ser uma das explicações. Mas, mesmo assim, as crónicas do ex-jornalista e actual vice-presidente da Lusomundo, Mário Bettencourt Rezendes, - publicadas no DN, de que foi director - são um rosário de perplexidades.
A última, em vésperas de eleições, é espantosa, já que, perante a chuva de sondagens a dar a maioria absoluta ao PS, ele segue o raciocínio desesperado da direita dos interesses - não a direita ideológica- "já que não os podemos bater, pedimos à esquerda, mais à esquerda, que dê uma ajuda".
Neste cronista o pedido de ajuda entende-se por uma defesa dos seus próprios intereesses, já que, nunca tendo feito nenhum esforço para se demarcar da estratégia João Líbano Monteiro/Luís Delgado, está ligado a ela, para o bem e para o mal.
Isto, a despeito de algumas linhas abertas para o Largo do Rato e utilizadas, nos últimos dias, para explicar "as circunstâncias".

História de Um Gestor de Sucesso

... voltando ao porta-voz dos gestores de sucesso, que nos últimos dias andam de dedo apontado ao poder político, assim com um pistolão 38, à John Wayne.
O seu porta-voz é considerado entre os jornalistas-economistas um exemplo de sucesso. Apenas isso e ponto. De sucesso
A memória fica obnibulada pelos elogios. Ele próprio se esquece que recebeu do Estado Português uma licença para instalar uma empresa de telecomunicações a custo zero. Quer dizer, não pagou um tostão pela licença, que, em qualquer outro país do Mundo teria ido a leilão e teria custado muito dinheiro - que reverteria a favor dos cofres do Estado.
Este Estado Português era então governado por Cavaco Silva, que justificou a benesse em nome da necessidade de criar em Portugal um sector de telecomunicações competitivo.
A autorização concedida à Telecel obrigava à manutenção de uma maioria de três quartos de capital portugês por um período de cinco anos. BES e Amorins subscreveram a maioria desse capital.
E subscreveram mais alguma coisa, provavelmente com o conhecimento do ministro das telecomunicações de então, Ferreira do Amaral: um acordo com uma empresa estrangeira, que, no final dos cinco anos tomou o controlo da Telecel, gerida por Carrapatoso, que, desse modo, propiciou aos accionistas portugueses o ganho de mais valias escandalosas.
Isto quer dizer: a Telecel, entretanto, adquirida pela Vodafone, nasce de uma concessão gratuita, em que o Estado, mais uma vez, abre as portas do cofre aos privados e os deixa meter a mão.
Esta é, igualmente, a explicação do sucesso de António Carrapatoso e dos milhões que vai ganhando. E também uma pequena parte da explicação para os milhões que faltam ao Estado Português para ir resolvendo os problemas das pessoas que nâo têm acesso a estes negocios - ou serão negociatas?

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Que Desgraçados Nós Somos

Eu acredito que o dr. Medina Carreira tenha razão - parece mesmo que tem! Mas, ouvi-lo ou lê-lo é um verdadeiro exercício de masoquismo.
Que diabo! (ou será meu Deus!), estamos condenados a ser completamente esmagados pela realidade económica, a ser completamente desgraçados? Este povo, que somos nós, não terá capacidade para um golpe de asa?
Por falar nisso, e se a comunicação social mudasse as agulhas e se preocupasse em lembrar-nos o que já fizemos , para concluir que voltaremos a ser capazes?
Alguns dos cronistas de lugar cativo parecem-se muito com a ideia de político disseminada a esmo.
As suas preocupações têm mais a ver com a necessidade de se venderem a si próprios do que ajudar os leitores a perceber o que quer que seja. Recolho da minha leitura diária uma frase espantosa - que deve ter alcançado uma boa cotação no mercado das chamadas frases assassinas - "escolher (o próximo primeiro-ministro) é como escolher entre a pepsi-cola e a coca-cola".
Será plágio ou representa uma venda inédita: dois em um?

vogar no espaço/tempo

Sempre que tento avançar no tempo é o passado que encontro. É como se nada fosse novo e eu já conhecesse a história.Vou tentar começar pelo princípio, mas não garanto que os tempos dos verbos estejam atempados. Então lá vai...

Eu pecador me confesso.
Também, puritano incompetente, também eu subornei. Subornei funcionários públicos, com o intuito vil de lucrar com informações valiosas para o pasquim (e para mim mim, bem entendido), da capital (geográfica, porra) para o qual trabalhava.
Sejamos mais claros: eu subornava, mas era o pasquim que pagava.
Um deles, corcunda, trabalhava na morgue.
Nunca percebi bem se trabalhava ou se vivia na dita morgue, estava sempre lá. E sempre que aparecia um cadáver conveniente ele telefonava-me.

Um cadáver era sempre um ponto de partida para reportagens de sucesso.

Outros dois da minha folha de pagamentos eram da "Judite". Eram-me muito úteis, sobretudo para desviar as atenções. Nesse tempo tinha boas relações naquelas instalações.
O director mostrou sempre alguma simpatia pelo repórter que cobria o Tribunal de Polícia, no qual o director da PJ era juiz.
Essa relação amistosa manteve-se quando o repórter mudou de
categoria e de periódico e incluia outras amizades com dois do principais inspectores.
Deles nunca tive informação privilegiada, salvo um que outro esclarecimento.
Suponho que eles sabiam que eu tinha informação quente dentro e que provavelmente eles próprios tenham utilizado as fontes anónimas para me fazer chegar informação útil para os dois lados, mas, tal como eles, eu nunca esmiucei isso.
Mas, a propósito dos colos e das insinuações lembro-se do citado director me ter contado, e se me dão licença, vou usá-lo na primeira pessoa: Quando pela primeira vez fui a Londres (contava ele) a homosexualidade era considerada no Reino Unido imoral e era proíbida. Era como aqui(ele é que comparou).
Uns tempos mais tarde tive que lá voltar (ele). Então apercebi-me que já não se sentia a imoralidade, ainda que legalmente continuasse proíbida. Mas à terceira vez que lá fui apanhei um susto: já nem era proíbida! Jurei a mim mesmo (ele, chiça, foi ele que jurou) nunca mais lá voltar..

- E porquê? - perguntei eu (eu este sou eu).
- Tenho medo que já seja obrigatório...

Talvez vocês não acreditem mas contei esta memória num noticiário matinal na Rádio, em Lisboa.Tive que ser eu porque nenhum dos jornalistas- locutores esteve pelos ajustes.

Percebem porque eu digo que é o presente que me empurra para o passado? Por estar na matéria, recordo a primeira vez que fui confrontado com a questão.
Menino e moço e ingénuo e desinformado. Aprendia o b-a:bá do futebol e por via do foot que lí no Século, o jornal que o meu pai, que sabia de sapatos, comprava.
Um treinador de futebol do Sporting tinha sido encontrado morto no Parque Eduardo VII. Naquele tempo creio que não havia conexão. Naquele parque o menino que eu era só sabia que Portugal tinha ganho o primeiro mundial em Hoquei em Patins, com os primos Correia, os manos Serpa o Cipriano e um defesa que nem me lembra o nome mas jogava na Amadora.
O crime foi assunto muito comentado.Devia estar bem explicado nas entrelinhas mas eu não sabia ler isso. E um dia um cara do Século chocou-me: "tanto a vítima, como o criminoso eram dois miseráveis!". Lembro-me de ter perguntado ao meu pai se aqueles senhores eram miseráveis só por serem do Sporting...
Isto passou-se muitos anos antes do director aqui de cima ter ido a Londres, mas deve dar uma imagem de como a moralidade da época podia ser podre.

E valeu a pena eu ter durado todos estes anos só para perceber que hoje em dia ninguém é miserável por qualquer coisinha destas. Chateia é para eleições...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Os Debates do Debate - Um Filme de Terror

Há um debate político e lá estão eles: os jornalistas da economia e outros, que não o sendo - sem serem nada, porque misturam tudo - lhes imitam os gestos, as palavras e os fatos novos. E até as gravatas garridas.
E o que dizem eles, os economistas-jornalistas, a quem é exigida, por uma directiva da União Europeia, uma declaração de património ?
Sempre o mesmo e sempre com o mesmo ar, de quem tem a solução no bolso. É preciso despedir, reduzir as despesas do Estado, criar alternativas à Segurança Social existente, aumentar a idade da reforma - não pelos bons motivos - mas pelos mesmos de sempre: reduzir despesas com as pessoas.
O que faz confusão a esta gente são as pessoas. As pessoas é que estão a mais. Ainda os vamos ouvir, um dia destes, a pedir a demissão do Povo.
Nunca os ouvi explicar porque é que as grandes empresas estão sempre a criar novas empresas: que se trata de um dos muitos expedientes usados para não pagar os impostos devidos, já que, durante três ou quatro anos ( e às vezes mais), absorvem lucros, transformados em despesa.
Jamais lhes ouvi uma palavra explicativa sobre as razões por que a Banca continua a usufruir de condições especiais no pagamento de impostos, que lhe foram atribuídas há mais de vinte anos com o objectivo de se reorganizar.
E é verdade que a Banca se regorganizou. Tão bem que aproveitou para incorporar todas as novas tecnologias e dispensar o maior número de trabalhadores. Os que ficaram viram os seus direitos reduzidos a quase zero.
Houve até alguns bancos que se permitiram declarar que não aceitariam mulheres como suas trabalhadoras. A gravidez incomodava-os muito...
Também nunca ouvi os tais economistas-jornalistas a explicar ao "povo ignorante" qual o papel da Banca no desenvolvimento e no crescimento da economia. O tal papel indispensável, tão louvado por eles, limita-se à especulação financeira em seu próprio proveito - com o dinheiro dos outros - , à concessão de crédito ao consumo e à construção civil.
O que faz mais a Banca? Transfere as operações rentáveis para os of-shore (o da Madeira é apenas folclore), parasita os médios e pequenos empresários e algumas grandes empresas na condição de accioinistas de referência, e pressiona o poder político para ter mais regalias, mais isenções de pagamento de impostos.
Algumas destas acções da Banca têm como arautos estes jornalistas-economistas (ou serão economistas-jornalistas) sempre de sorriso irónico e fato novo.
Porque não perguntar à Banca pelo apoio à criação de empresas viradas para as novas tecnologias, pela criação de créditos que permita a reconstrução da nossa Indústria, da nossa Agricultura, das nossas Pescas, numa palavra, do nosso aparelho produtivo?
Eles também são os arautos e ferverosos adeptos dos grupos de gestores que se reunem para, assim como entidades supra-estatais, apontarem o dedo.
A última vez que o fizeram foi para acusar os políticos de não ter coragem para dizer aos portugueses os sacrifícios que é necessário exigir-lhes. Mais?
O porta-voz foi o dr. Carrapatoso.
Não ouvi nenhum dos comentadores de debates perguntar se o dr. Carrapatoso ( ele e todos os outros) está disponível para sacrificar os milhões que recebe anualmente, só de prémio pelo desempenho da empresa que dirige, distribuindo uma parte pelos trabalhadores que o ajudaram a obter os resultados premiados.
É que, desse modo, as receitas do Estado seriam bem maiores, já que os impostos a pagar não se concentrariam num único contribuinte.
Não percebo as palmas que estes comentadores batem a tudo quanto é empresário, sem lhes perguntar onde estão os programas de requalificação de mão de obra, de criação de novos empregos.
Percebo, mas gostava de não perceber, o entusiasmo com que acolhem as medidas de reestruturação das grandes empresas, que significam - sempre - dispensa de trabalhadores e o consequente "outsorsing" contratato a uns amigos, donos de empresas com trabalhadores precários e pagos miseravelmente.
Acho mesmo que estes doutores vivem noutro planeta, que não passam pelas mesmas ruas que eu e não veêm as multidões de gente com ar desesperado a andar a esmo, sem ocupação e a maldizer a hora em que aceitaram a conversa do director de recursos humanos ( ou de um seu representante) a convencê-los a assinar o "maldito papel".
Eles ainda não perceberam que a desregulamentação do trabalho é a causadora da crise a nível internacional. Que os empresários (grandes e enormes) se apoderam dos aumentos incríveis de produtividade atingidos pela Humanidade. E querem mais!!!
Essa gente está no filme errado e aterroriza quem os ouve. Por favor, tirem-nos de cena!

Debate com Velório em Fundo

Afinal, o Pedro não chorou. Ainda bem.

E aquela gravata preta assentava-lhe bem: estava como deve ser no seu próprio velório.

Um funeral em grande com flores à direita e tiros à esquerda.

Desta vez, sr. ex-presidente da Figueira da Foz, acertou em cheio.

nada igual a nada

Não vi o debate. Não cheguei tarde, nem me esqueci. Fui ao cinema, depois petisquei comida basca. Foi agradável. Vi, claro, imagens no último telejornal, deu para entender. Parece fácil, parece sobretudo pretensioso. A questão parece ser: se um tipo não se preocupa agora, que direitos terá depois?

Pode-se responder sem responder: o que não tem remédio... quanto pior melhor... O que for soará...

O dia das eleiçõs há-de chegar. Um deles há-ganhar, que se lixa, o que perder vai à vida e um deles vai livrar-se da tropa (ou será a tropa que se livra dele?) , a vida há-de continuar. E, depois, as coisas importantes: o que é que vai acontecer ao Porto? e ao Benfica? E o Sporting? Ah!, e o Boavista? Se depender de um apito, ao menos que seja dourado, que entretém mais e melhor.
Reconheço que baixar os braços não é exemplo. Ocorre-me citar um poeta, ele, sim um exemplo
de tenacidade, de teimosia,que não vergava: (... ) fazei todo o mal que puderdes e passai depressa....

O Último Acto

Depois da carta que hoje recebi do dr. Santa Lopes, a pedir-me, por amor de Deus, para ir votar (nele). Depois de ler aquela "queixinha" de que é o político mais mal-tratado da face da Terra, acho que ainda o vou ver, na Televisão, a chorar.
Oh! doutor, por quem é, não me faça uma coisa dessas, porque eu não consigo ver sequer uma mulher a chorar, quanto mais um homem. Caramba! um Homem não chora!!! Além disso, o sr. até teve o colinho da Irmã Lúcia. O sr. e o sr Portas. Vá lá, porte-se bem.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

As Homenagens Devidas ao Sr. Ministro

O Ministro Paulo Portas sugeriu aos chefes dos três ramos das Forças Armadas que o condecorassem, atribuindo-lhe o mérito de "melhor ministro da defesa". Esta "sugestão" foi feita logo a seguir à dissolução da Assembleia da República ao Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMFGA).
O Almirante Mendes Cabeçadas teve que explicar ao sr. Ministro que tais condecorações não seriam possíveis por várias razões: desde logo porque o sr. ministro é, do ponto de vista da hierarquia, o chefe. Depois, porque os chefes dos estados maiores de cada um dos ramos das Forças Armadas não têm competência para tal e, finalmente, porque seria ridiculo...
Esta "exigência" do "melhor" ministro da defesa, que, entretanto, tem feito ou mandado fazer as maiores tropelias com alguns dos concursos que estão em curso no âmbito da reestutururação de diversas estruturas militares, tem um precedente:
Logo no primeiro ano do seu consulado, "sugeriu" aos mesmos chefes que deveriam congratular-se, de forma pública e notória, com o facto de o terem como ministro, no dia do seu aniversário. O público e notório seria expresso por ofertas individuais de cada um dos chefes.
Nessa altura mandou o seu secretário de estado telefonar ao Chefe do Estado Maior da Força Aérea, dizendo-lhe que já tinha a aquiescência do seu homólogo da Marinha.
O ridículo foi evitado porque, entretanto, os generais conversaram uns com os outros.
Será necessário acrescentar alguma coisa?

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

ORGIA CARNAVALESCA I

Ao Mundo ninguém o fez. Fez-se. Melhor: foi-se fazendo. Como o homem, que anda a fazer-se há milénios e nunca mais se acaba. Uma confusão dos diabos, convenha-se.
Por isso, que no tempo do paganismo, a gente simples e de pensar a direito, ciente de não ter feito isso duma vida que se alimenta da morte e duma riqueza sustentada pela pobreza, ciente, disso, resolveu inventar os deuses. Alguém explicativo de tamanho despautério: quadros futuros como o da sintonia entre Iraque-Irão-Afeganistão-Ruanda-Sudão-o maremoto-o imperialismo-os fundamentalismos-a Coreia atómica-os comunismos serôdios-secas dilúvios, tudo isto com direito ao contraditório. Que até a natureza o tem porque a agridem diariamente.
No meio de tanta tragédia salva-se um Portugal onde se brinca tanto ao Santana e seus meninos como ao almirante Portas e suas fragatas anti-aborto. Só que a folia, embora não mate povos, mói nações com o grotestco de seus episódios.
ENTÃO:
I - A co-incineração
Rezam as crónicas e os cronistas que os portugueses são o povo mais, ou dos mais, analfabetos da Europa. Pois não obstante essa maior percentagem é formada, quem diria?, por peritos em incineração. Pincipalmente co.
Economistas, bombeiros, futebolistas, políticos, marinheiros, poetas e advogados, também a dona Balbina e o senhor Travassos, de todo esse mundo dos muitos por cento que mal sabem, ou nem sabem mesmo, juntar as letras, anda meio-mundo na rua aos pontapés a um assunto da competência exclusiva dos técnicos. Competentes.
E a chamada democracia, para aumentar o pandemónio, anda por tudo quanto é canto a perguntar ora diga lá de resíduos e da incineração com co , de gases e dos perigos. Questão a que ninguém se recusa porque falar tornou-se um vício. Falo, logo existo.
Então ao telefone e ao microfone todos destapam a sua ignorância porque não têm mais nada para mostrar. Nem vergonha da nudez.
II - Os Revolucionários
O defunto CDS, hoje partido de Portas, descobriu-se revolucionário: um partido de esquerda às direitas.
Nobre Guedes disse que ele, Portas, podia ser o "nosso Malraux".
Nosso deles, evidentemente. Mesmo assim não foram nada modestos, escolheram para comparação um anti-fascista que andou por guerras a sério a lutar contra o fascismo, um intelectual ante a memória de quem a Europa se curva, um homem que até pessoa foi!
Por outro lado, Pires de Lima, afirmando-se "sem medo das palavras garantiu que "nós" (eles) "somos os verdadeiros revolucionários do século XXI". E o próprio Paulinho das Feiras já aceita a transmutação em Paulinho das Revoluções.
Ora, se no meio deste revolucionarismo-PP uns se lembram de Malraux e outros de outras mirabolâncias, fora dele há quem se lembre mais modestamente de revolucionários dá de perto. Da terra portuguesa.
De um revolucionário que, de poder fresco nas mãos, declarou, tão convicto como é hábito entre Portas e seus rapazes:
"Enquanto houver um lar sem pão, a revolução continua".
Chamava-se António de Oliveira Salazar.

ORGIA CARNAVALESCA II

III - A independência da Madeira

Miguel Sousa Tavares tem sido o homem dos jornais mais inconformado com a chantagem de Jardim quando deseja favores políticos dos tacanhos governantes do continente.
Tacanhos, o mínimo que chama aos "inimigos" da Madeira e da autonomia, os quais, com receio duma suposta chantagem com a independência da ilha, vão suportando as bernardices de AJJ.
Chantagem mais implícita que assumida. Existente no entanto. E, como o mais inconformado com ela, a repetição do jornalista, insistindo no tema, não teria novidade se não fossem as serpentinas que lançou para a festa.
Rolos delas a dizer que a melhor maneira de calar Jardim com a cantata da independência seria a de submetê-la a escrutínio popular.
De facto o carnaval desregula a razão.
O território de uma qualquer nação nunca foi, nunca será, formado por imposição dum qualquer plebiscito. Atrás dumas fronteiras nacionais há factos e história. Há razões sociais, políticas e jurídicas, razões de séculos, de mil vivências e de direito internacional, razões de amor à terra, de hábitos e familiariedades e, finalmente, a grande razão do bem-querer à gente que é a nossa.
Há tudo isso amassado num cimento feito da terra do chão nacional.
Não cabe na cabeça de ninguém sugerir a independência do Porto e redondezas em razão do passado galego e de exigências de governantes locais. Ou do Algarve, que foi mouro e hoje tem interesses específicos.
Não cabe e ninguém se lembrou disso.
Assim, a que título, a não ser carnavalesco, vem a lume a independência da Madeira, terra achada por portugueses, povoada por portugueses, que nunca teve outra história nem outra vida que não fosse portuguesa?
A descontinuidade geográfica é argumento juridicamente pobre e a chantagem de Jardim ainda mais pobre.
IV - Havai descontínuo
O Estado norteamericano do Havai são umas ilhas longe, metidas nos Estados Unidos há um século, e que existiam antes disso primeiro como monarquia e depois como república.
Ora no aproveitamento das disputas havidas nessa transição, da guerra interna, os estrangeiros entraram em ajuda a uma parte contra a outra. E poucos anos depois pegam na terra e incorporam-na por sucção.
Aposentam a rainha a troco de um punhado de dólares, manobram com força sua interesses seus e alheios e pronto, já está.
Antes esteve. E ficou.
A Independência para o Havai, já!!! É uma causa justa.
V - Lembrando o truca-truca de Natália Correia
A sina deste Fevereiro que ainda não passou atacou também António Barreto. E levou-o para longe das paragens políticas: para o sexo de governantes.
Aventou, com ar sério de quem pensa, que os responsáveis máximos do país fossem obrigados a apresentar, para além da declaração dos rendimentos e mais teres e haveres, suas habilitações sexuais.
A prática e as tendências.
Na conformidade, ficaríamos a saber se são truca, retruca ou truca-retruca. E como a Constituição não permite discriminações por motivos de raça, sexo e assim, também as mulheres que eventualmente chegassem a cargos presidenciais e primoministeriais teriam de apresentar a sua declaração de fufa, fafu ou fuaf.
Em consequência do que se chegaria ao voyeurismo democrático na cama com o poder político.
Óptima modalidade de programa para a TVI.