Este país é mesmo provinciano. O país inteiro, gente e geografia, já que os responsáveis por ele fazem dele uma província da Europa. Espiritual, servindo-se do seu nome como razão arrasadora em tudo o que discutem.
A comparação com o que se faz e não faz na Europa, e se faz deveria repetir-se ou se não faz deveria rejeitar-se, é o argumento máximo. A elaboração intelectual mais sabida.
Um provincianismo que nem dá direito ao contraditório, tal como Marcelo não gostava de dar entre as suas constantes afirmações de ser professor de direito.
- Eu que sou professor de direito ! - lembram-se ?
Não gostava e não dava, para grande irritação de Santana. Enquanto desejava a ocupação da Lusomundo por gente sua. Ou seja, enquanto trabalhava no limiar do direito ao contraditório do povo que ainda ministra. Como se faz na Europa.
Provincianismos, no entanto
Fernando Pessoa dizia, e até deixou escrito, que Eça de Queiroz era o mais provinciano dos escritores portugueses: pelo parisiense que gostava de mostrar-se, pelo estrangeirado de modos e dizeres por que às vezes se fazia passar. Ou passava mesmo.
Para Pessoa, provinciano era o que se enfeitava com plumas alheias, o que se punha em bicos nos pés para que o vissem. Considerava-o como que parvenu , como diria Eça.
Mas há que diferenciar entre uma pose de literato e o senhor Silva ao volante dum Ferrari. À parte isso, o que mais distinguiu, no capítulo, Pessoa de Eça foi que, enquanto este se escreveu, numa das suas "cartas" ( de Londres ou de Paris, embora num enquadramento que diminuiu o entono) um parisiense - a presença do primeiro em terra estrangeira exacerbou-lhe o nacionalismo. Fez dele um patriota místico.
Serviram aqui os talvez maiores nomes, em popularidade, da literatura portuguesa para demonstrar que provincianismos há muitos. Não apenas entre políticos.
O chico-espertismo
O chico-esperto talvez seja um tipo de provinciano, mas mais tosco. No fundo um convencido da estupidez dos outros, que procura explorar.
Paulo Portas, em defesa do seu ministro Nobre Guedes, aquele que arengou ao povo de Coimbra para não deixar entrar Sócrates nas muralhas da cidade, apareceu nas televisões com um arrasoado a dizer que aquilo retumbado pelo governante não foi o que as palavras disseram. Não foi barrá-lo, a Sócrates, com barreiras físicas (paus e pedras) mas com barreiras políticas (votos). No fundo disse que Guedes disse o que não disse.
E falou com tanta convicção que deixou a ideia de crer realmente em que os portugueses a que se dirigiu são estúpidos que nem portas. Ideia de que sobram duas hipóteses: serem os portugueses estúpidos que nem portas, ou Portas que nem porta.
Provincianismo erótico
Disse-se que eram mil. Elas
E apenas um. Ele.
Ele, Pedro, que não é pedra como o São, mas carne de um colo, o seu, para muitos colos, os delas. As que foram pôr-se-lhe à volta num colar de orgia política.
Colar que espichou lubricidade. Jacto, Santo Deus! Que por descuido foi atingir os desprovidos de tal aconchego. Uma variante dos sem-abrigo: os sem-regaço. Pelo menos delas, as que se regaçaram para Pedro. A quem Nosso Senhor não livrou da tentação de apontar José-Suposto-Sem-Colo com um gesto largo de mostrar-lhe elas todas adornando-o. A si. Não a ele, sobre quem boatos oportunos lançaram suspeitas.
Que Pedro Santana Lopes se prestasse ao papel a que se prestou, hoje não admira. A mãe de Kennedy também orientou uma campanha à presidência dos EUA apelando ao eleitorado feminino; os conselheiros de Lopes, ao que consta brasileiros, teriam agrrado na ideia e, de modo grosseiro, lembraram-se de fazer dos mil colos um facto político. Até aqui, tudo vá que não vá. Santana Lopes tem sido uma desilusão, até para os que lhe achavam graça. Portanto, para os técnicos de imagem levá-lo ao caricato não deve ter sido difícil. E mulheres arranjaram-nas. Pelo menos veio na informação que elas estiveram lá.
Aqui é que foi o mal. A mulher, hoje, já não é nada que foi. A mulher, hoje, tem obrigações para si como mulher. E, ir de colo a a abanar em demonstração de como qualquer político é femeeiro, ofende-a como pessoa.
Se houvesse justiça, deveriam todas as mil ser julgadas por interrupção voluntária da dignidade feminina.
Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Os Filhos do Pedro
O Pedro não faz campanha na rua, não gosta de andar a apertar as mãos às pessoas...o Pedro não fez campanha na terça-feira de Carnaval e chamou os jornalistas a S. Bento, para lhes mostrar os jardins, os filhos a passear de ar compostinho e criticar José Sócrates.
Oh! Pedro, tudo isso até capaz de resultar no Brasil, onde dois terços da população pertence ao quarto Mundo. Lembro-lhe, todavia, um facto brasileiro: o Ciro Gomes, candidato à Presidência do Brasil, com Lula da Silva, liderava as sondagens quando um jornalista lhe perguntou se o papel de Patrícia Pilar, sua mulher, era importante na campanha.
Ele respondeu à cafageste: "é importante, dorme comigo". Desde esse dia as sondagens não pararam de descer. Ciro Gomes, é, hoje, um cadáver político bem enterrado.
Que dizer de si, que só lhe falta estar enterrado e só faz e diz estes disparates ? Dizem que a conselho do mesmo brasileiro que levou Ciro Gomes ao topo das sondagens e não o impediu de se esborondar nos gráficos das agências.
Quando os filhos deste Pedro tiverem a sua própria vida e as suas próprias responsabilidades vão dizer o quê deste pai, ao verem as imagens de arquivo das televisões de então. Televisões que terão, seguramente, outros patrões e não o dr. Pinto Balsemão que manda transmitir comícios inteiros em directo, numa tentativa desesperada de salvar alguma coisa.
Salvar o quê? Perguntarão então os filhos do Pedro. "Os seus próprios interesses, prometidos pelo Morais Sarmento e confirmados pelo vosso pai" - responderão os interrogados.
Só estórias tristes de um futuro defunto.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Para Que Serve a Política
Sempre se lhe abre um largo sorriso quando apareço. Um sorriso de alegria, a mostrar a falta de dentes levados pela idade, mas também a alma limpa, carregada de amizade, bondade, solidariedade. Para os seus quase oitenta anos, o meu amigo trabalha quase como nos velhos tempos, quando andava de pinhal em pinhal a fazer pela vida e a gozar as alegrias da mocidade. Delas fala quando sente alguma esperança de melhores dias e sente aliviado o peso da sua condição de idoso, trabalhador por conta própria e português.
Ontem, a propósito da campanha eleitoral, lá veio a política à baila e a sua conclusão habitual: "Oh meu amigo, a política não serve para nada!"
Com alguma paciência e amizade tentei dar-lhe o meu ponto de vista: "bem que os poderosos do Mundo gostariam de a eliminar da nossa vida.Por causa daquilo a que chamamos política é que não somos todos peças de uma engrenagem de produção, sem direito às pequenas alegrias e às pequenas ou grandes ideias que gostamos de trocar".
Ficou pensativo, o meu amigo, mas não me quis deixar sem resposta: "mas, então acha que estes gajos que nos estão a governar são políticos?".
"Não, esses fazem parte dos que gostariam de eliminar a política da nossa vida. Esses são apenas lacaios dos que têm tudo, dos que se apoderaram da maior parte do esforço que a Humanidade fez para progredir. Esses são os que estão a permitir a importação dos métodos chineses para gerir as empresas. Mas, felizmente, ao contrário do que acontece na China, nós temos a possibilidade de os mandar borda fora".
"Você é danado! - riu-se o meu velho amigo. E lá voltámos à conversa sobre os achaques dele e meus.
Na despedida, um abraço e o remoque final: "... eu acho que não vou votar...para quê?"
"Olhe, nem que seja para voltar a sentir alguma esperança"
Tenho que passar por lá outra vez. Talvez se o frio passar ele se sinta melhor consigo mesmo.
domingo, fevereiro 06, 2005
A Realidade Não É Essa
Inicia-se hoje mais uma campanha eleitoral em Portugal. Os Portugueses voltam a votos a 20 de Fevereiro.
Demos graça à força da razão que levou os homens deste país a lutar por esta tão simples forma de decidir quem nos deve governar. Se tivessemos que dar graças a Deus - tal como o concebe D. José Policarpo - ainda estaríamos, seguramente, de joelhos, a agradecer a algum iluminado a nossa condição de homem ou mulher, de português ou senegalês, negro ou branco. Teríamos de esquecer Sócrates, que dava graças por ter nascido livre e não escravo.
A proibição de os católicos serem, em simultâneo, maçãos é, para um homem livre, imcompreensível. Tal imcompatibilidade, a juntar a tantas outras, ajuda a transformar o catolicismo numa seita restritiva, que, um dia, quando constatar o seu completo desajustamento com as sociedades em que vive, terá de voltar à clandestinidade - para aí cumprir as suas regras, defender as suas proibições e praticar a sua hipocrisia.
Mas, não é apenas a Igreja Católica que está desajustada da realidade.
Também os Partidos Políticos que arrancam hoje para mais uma campanha eleitoral não percebem a sociedade que querem governar e perdem-se em análises abstractas, propostas imcompreensíveis, discussões de modelos irrealizáveis.
A nossa sociedade já não está organizada como os seus dirigentes supõem. As medidas que foram sendo tomadas ao longo dos anos conduziram a vários fenómenos de que ninguém fala.
Por exemplo, a nossa Juventude está a entrar em esquemas de trabalho definidores de um modelo de uma escravatura impressionantemente veloz: os estágios não remunerados de que se alimentam pequenas, médias e grandes empresas; os contratos de trabalho precaríssimos, que alimentam os salários de miséria e desmobilizam qualquer apetência para especializações, aprendizagens avançadas; as regras de avaliação monolíticas, espartilhadas, aparentemente exigidas pelo cumprimento de objectivos a favor dos accionistas das grandes empresas, transformam o dia-a-dia de milhares e milhares de pessoas em infernos.
A constatação de que, sobretudo nas grandes empresas, as diferenças são cada vez mais abissais e de que, afinal, os objectivos que obrigam os trabalhadores ao cumprimento de regras ilógicas, absurdas e mesmo estúpidas, contribui para a descrença e consequente crescimento do espírito carreirista, oportunista, quando não para comportamentos de deslealdade e de desonestidade.
A ideia de que um trabalhador aos 50 anos é velho e precisa de ser substituído por alguém mais novo e, por isso, mais disponível para aceitar as regras da escravatura dos objectivos definidos por meia dúzia de gestores de capitais alheios, é outra das realidades deste país que os políticos e as suas políticas foram construindo - pedindo, aos poucos, umas brasas ao inferno dos católicos.
E nesta campanha não há nenhum partido capaz de agarrar o touro pelos cornos. Aos que ouvi só percebo estratégias de poder para a sociedade, cuja existência é fruto das suas imaginações. E, quando fazem o apelo ao voto, contra a abstenção, continuam desajustados. Se a abstenção sobe é porque a população não se reconhece nos problemas enunciados e nas propostas políticas publicitadas.
Os que votam fazem-no por uma questão de jogo. Estão viciados nele. Mas, mesmo esses, acreditam pouco, porque percebem que o futuro depende do presente e, para este, os políticos nem sequer são capazes de fazer o diagnóstico. Trocam tudo, mesmo quando acertam numa palavra: confiança.
Identificam-na com o sistema económico. Nada disso, do que eles precisam é da confiança dos cidadãos.
Tal como a Igreja de D. Policarpo, também estes partidos vão, um dia, ter que viver de si mesmos, logo numa clandestinidade que lhes permita falar das suas fantasias.
sábado, fevereiro 05, 2005
O Bom Tempo
Queixamo-nos nós das elites - sobretudo das políticas.
Há pouco, ao seguir um noticiário de uma das nossas Rádios - a que liga Portugal - lá ouvi o RM da meteorologista de serviço, a prever chuva para os próximos dias e o "regresso do bom tempo" lá para terça ou quarta-feira.
A minha alma fica parva. É suposto tratar-se de alguém licenciada em curso relacionado com as várias geografias, logo com aberturas para a análise científica das consequências gravosas da actual evolução do clima, não só em Portugal, mas em todo o Planeta.
E o que diz ela? Que bom tempo é o céu limpo, temperaturas amenas, mesmo agora, no Inverno, altura em que, supostamente, deveria chover e fazer frio.
E o que diz o "locutor" de serviço da tal Rádio que liga Portugal ? Nada. Nada, porque ele não sabe que o país rural está suplicando aos céus por chuva e clamando junto dos poderes instituídos por apoios que lhe permitam manter os animais, as pastagens e a esperança de ter condições para lançar algumas sementes à terra.
Que maneira de ligar Portugal!
É claro que todas as outras rádios e todas as televisões estão a repetir o conceito de "bom tempo", desligando-o da ideia de chuva. Ora, a verdade é que, muitas vezes, a ideia de bom tempo não pode ser dissociada da de chuva.
O Debate - Comentários
Algumas vezes na minha vida tive este sentimento de "pioneiro", de alguém que dá alguma coisa de si para construir algo que pode servir a todos.
Desde os finais de Novembro de 2004, altura em que inaugurei este blog, cujo título devo a um amigo do coração, voltei a esse sentimento gratificante.
A blogoesfera é, na realidade, o futuro que começou ontem ( eu ainda estou a correr atrás do combóio, mas já com um enorme sorriso...). Na verdade, esta rede de cabeças que exigem continuar a apensar por si, representa a maravilha do nosso tempo. Um dia, estaremos todos ligados, não como no "Big Brother", mas a postos, para discutir ideias e sistemas para a sua execução ; estaremos capacitados para, finalmente, decidir um poder de gente sábia, em primeiro lugar, honesta, no mesmo plano, competente, logo a seguir, preocupada com os outros, antes de tudo.
Que me desculpem os meus pouco leitores estes desabafos.
Vêm eles a propósito de dois comentários que o meu post sobre o Debate entre SL e JS mereceram: o primeiro da DespenteadaMental, a quem cumprimento, tirando o chapéu, a imitar o gesto elegante do meu avô, que se recusava sair sem o dito, porque "não podia andar na rua à estudante".
Fui olhar o seu blog. Vou incluí-lo na minha lista de preferidos, porque não quero roubar aos que me visitam o prazer de a conhecer. E agradeço-lhe a rectificação. Ainda bem que José Sócrates disse que aquela entrada maciça de funcionários públicos, durante os governos de António Guterres, tinha o objectivo de rectificar situações irregulares de gente que trabalhava há anos par a FC a recibos verdes.
Foi pena, todavia, que não tivesse responsabilizado a "era cavaquista". Porque foram os "cavaquistas"os responsáveis pela deterioração da Administração Pública. Foi Cavaco Silva que fez todos os jogos para, no final de cada legislatura, ter o eleitorado na mão. Foi a sua gente que enriqueceu de forma escandalosa. Em notícia largamente documentada do "Expresso" de um ano e de um mês que não recordo ( e já não tenho paciência para pesquisar) foi apresentado o enriquecimento extraordinário de Manuel Dias Loureiro ( o tal que telefonou ao pai a dizer que já era ministro) e que, pouco tempo depois de chegar ao poder, tinha acumulado um património em Lisboa, de mais de um milhão de contos, tendo como base uma herança sem quantificação precisa, tão pequena era ela.
E ele não é caso único dessa década negra da história recente do nosso país.
E já que Santana Lopes e "sus muchachos" não param de falar dos seis anos de governação guterrista, era saudável lembrar aos portugueses os dez anos de cavaquismo.
DespenteadaMental, muito obrigado por me permitir este desabafo.
Quanto a LS, do Abnegado: também lhe agradeço a generosidade da partilha das suas ideias, dos seus textos. Já faz parte da minha rotina diária, uma visita ao seu blog.
Não deixa de ser curioso que ao ouvir Carlos Magno na Dois me tenha ocorrido a ideia: "ora aqui está um homem que só não é o Luís Delgado porque não teve a coragem de se assumir como um verdadeiro "carraceiro" do poder - é verdade que o o outro, o verdadeiro Luís Delgado, teve e tem, um patrão, o JLM, e o Carlos Magno anda sempre à procura de alguém".
Tem razão, LS, o carlos Magno faz lembrar um palhaço a quem o nariz "bola vermelha" não se ajusta, porque já tem uma séria dificuldade em confrontar-se consigo mesmo.
Mas, infelizmente, não é o único
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
O Debate e os Foruns
Ouço, a propósito do debate Santana/Sócrates as reacções habituais: os representantes dos patrões, dos trabalhadores, desde e daquele sector e os habituais foruns de algumas rádios. Toda a gente manifesta a sua frustração por não ter sido esclarecido, por não ter ouvido falar do que acha importante.
Nesta matéria (como dizem os políticos) os candidatos estão absolutamente inocentes. Os jornalistas, a quem cabia interpretar a opinião pública e fazer as perguntas adequadas, estiveram, como quase sempre estão, fora da realidade. Desta vez foram eles que se esqueceram do país e se imaginaram perante audiências de milhões - como na América.
Esta preocupação de amerecanizar tudo ainda nos vai levar a considerar o hamburguer como um prato regional do Alentejo.
Pelo exemplo de ontem, talvez possamos concluir que o país não está assim tão mau; os jornalistas que temos é que andam a representar mal o papel deles
O Debate
Enfim... lá se encontraram aqueles que, no dizer dos jornalistas de serviço, são os únicos com possibilidadedes de chegar a primeiro-ministro de Portugal. Santana Lopes e José Sócrates enfrentaram-se num modelo de debate "à americana". Isto é: uma espécie de tribunal com um júri a que só faltam as cabeleiras empoadas, com semáforos a cronometrar as ideias de cada um.
No final, nada de novo: Sócrates mais firme e Santana, cuja gripe lhe deu tempo para decorar uns números e tomar conhecimento de uns dossiês, a fugir às responsabilidades do passado e a pedir que o deixem continuar.
Venha lá o dia 20 porque já estou cansado.
PS - foi pena que o engº. Sócrates não se tivesse lembrado que as entradas de trabalhadores na Administração Pública nos governos do engº. Guterres serviram para regularizar a situação de milhares e milhares de trabalhadores que trabalhavam na função pública há anos a recibos verdes - uma situação que era da responsabilidade dos dez anos de governação cavaquista. Que diabo ! já que Santana Lopes continua a falar do passado... era só ir um pouco mais atrás!
Televisão Pública Pedinte
Dentro de minutos vai começar o debate entre Santana Lopes e José Sócrates. A realização deste acto político, sobre o qual há grandes expectativas, vai ser realizado num estúdio alugado à empresa privada Valentim de Carvalho.
A Televisão pública já não tem estúdios onde possa realizar um debate político entre os líderes dos dois maiores partidos políticos.
Estes são os resultados das políticas desenvolvidas pelo ministro Morais Sarmento (ver mais atrás, neste blog, a série de posts sobre Televisão).
A Televisão pública já não tem estúdios e, dentro de pouco tempo, não terá ninguém que saiba fazer televisão, já que a sua administração está a pressionar a saída de quadros da empresa com a promessa de contrapartidas espantosas a quem ceder.
Se um dia destes, o Presidente da República, numa qualquer situação de emergência, quiser fazer uma comunicação ao país via televisão, vai ter que perguntar à Telefónica espanhola se tem um carro de exteriores disponível.
Parabéns, ministro M. Sarmento.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
O Mapa de Bush
Para ser franco comigo e convosco, não acredito na possibilidade de Bush perceber que as suas palavras vão denunciando o mapa desenhado na cabeça dos ideólogos-escribas dos seus discursos
No último - sobre "o estado da Nação"- , além de garantir o costume, pediu dinheiro aos compatriotas - não a todos, mas aos que necessitam dos programas estatais de assistência social. Aos ricos, promete descidas de impostos. Mas... isso é com os americanos. Eles que votaram neles, que se entendam.
A outra, a questão do mapa, também é deles porque é lá que o dinheiro vai ser gasto, mas diz respeito a todos nós.
Vamos a ele, ao mapa:
No tal discurso ameaçou a Síria e o Irão, velhos membros do proclamado "eixo do mal". Não apenas ameaçou, prometeu ajuda aos "freedomfighters", sobretudo do Irão.
Olhe-se para um mapa e repare-se nas ligações fronteiriças: Síria, Iraque, Irão, Afeganistão, Paquistão...CHINA. Recordem-se as relações dos EUA com todos estes países.
Volte-se atrás e revejam-se as preocupações de Washington com a Turquia e, já agora, a importância das bases militares ali instaladas.
Tanta preocupação com os outros, com a liberdade dos outros, com os tiranos de outras paragens, não conduzem a uma única palavra sobre o que acontece, por exemplo, na Birmânia ou mesmo no Zimbabwé.
Um dia destes, com mais alguns sorrisos, e temos Bush a integrar a India no grupo dos países do "eixo do mal".
Os ideólogos de Washington andam a desenhar um mapa perigoso no sorriso idiota de Bush.
Espero que, ao contrário dos americanos, o resto do Mundo saiba ler nos lábios do texano fanático.
Fórmula 1 e Patrocínios
Se se trata de um crime passional, de um acidente, de uma suspeita de pedofilia, de um escândalo financeiro, da doença papal, de coisas assim, a comunicação social monta acampamento, fomenta o mercado da venda de cachorros quentes e cerveja. E se o escândalo ou a desgraça demora o tempo suficiente juntam-se aos vendedores de DVD's piratas os de chupetas para bébés.
Notícia é assim mesmo: complicada, a cheirar a sangue e lágrimas. As coisas simples ficam para adivinhar.
Por exemplo, hoje foi notícia em todo o lado: Tiago Monteiro vai correr na Fórmula 1 . Toda a comunicação salienta as qualidades do piloto - de que não duvido - para justificar a inclusão de um quatro português no chamado "circo da fórmula 1".
Há um jornal que, citando a porta-voz do piloto, refere que o contrato foi assinado, depois de resolvidas todas as questões com os patrocinadores em Portugal.
Ninguém fala do patrocinador que permitiu a Tiago Monteiro esta nova aventura na sua vida - oxalá lhe corra muito bem. E ninguém fala por duas razões: 1 - acham que seria publicidade gratuita; 2 - teriam que revelar os montantes do patrocínio.
E se o patrocinador é uma empresa de capitais públicos ? Vamos voltar ao caso de Pedro Lamy, patrocinado pela Portugal Telecom, então empresa pública, e que nunca chegou a revelar o preço de tal patrocínio, sujeitando-se à "verdade" dos boatos e dos rumores?
A informação correcta sobre esta participação de Tiago Monteiro nas corridas de automóveis revelará ainda uma outra circunstância desagradável: é que o piloto paga para correr. Os patrocínios são entregues aos construtores. Sem esse dinheiro não há "mais uma volta, mais uma corrida".
Na fórmula 1 é assim. Muito poucos são pagos para correr.
FUTEBOL E CULTURA
O principal da cultura são as coisas simples. As que fazem o dia-a-dia: a língua, o amar, os paladares, a música, o desporto e assim. Claro que a erudição também é cultura, tem até um patamar especial. Mas, por exemplo, o "Fátima, fado e futebol" diz mais dum povo de analfabetismo elevado, como o português, que referências à ilustração das suas elites.
É acto de cultura, portanto, falar do futebol português, de suas indignidades e inocências, negociatas e altruismos, lhanezas e caciquismos. E mais de cultura ainda pelas evidentes semelhanças com a acção dos agentes políticos quando exercem o poder, pela desvergonha destes quando se metem pelo futebol adentro na caça ao voto e pela cobardia que demonstram quando têm de se assumir em casos de dignificação da modalidade.
No futebol vê-se muito de Portugal e dos portugueses.
Atrevimento Jornalístico
Comparando "A Bola" com uma sociedade anónima de evidente simpatia da publicação, Vitor Serpa, que foi, para quem esqueceu ou não sabe, um modesto jornalista desportivo e hoje é o director, escreveu, como bom juiz em causa própria, em editorial:
"A dois dias de completar 60 anos, A Bola continua a ser um jornal de causas e um jornal místico. E isso só se tornou possível num jornal onde o mais importante ainda são as pessoas."
Grande ousadia, de facto!
Tirando o sinónimo de graça sobre-humana, a palavra mística, aplicada à folha de futebolês, só pode significar "fanatismo" ou "adesão entusiástica a grandes valores, a princípios ideiais".
Ora, só do titular e da paginação de "A Bola" se lhe vê a "grandeza" dos princípios. Se é para favorecimento de determinada sociedade anónima em detrimento de outras, o grande princípio é o fanatismo; se favorece para conseguir maiores vendas, logo maiores lucros, o grande princípio é conseguir dinheiro à custa do antijornalismo...
Aliás, "A Bola", de Vitor Serpa, pouco tem a ver com o "jornal de todos os desportos" que foi dirigido por Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis. Até fica mal a Vitor Serpa entrar por comparações desse tipo. E fica pior reclamar para um jornal a mística de um clube de futebol. É que o jornalismo tem dignidade própria, por sinal bem difícil de cumprir. Não precisa de mística emprestada.
A pobreza do dirigismo
Polícias, prisões, inquéritos, tribunais e suspeitas a rodos caem hoje sobre quem dirige os negócios dos futebóis como se um deus furioso se resolvesse a entornar enxofre sobre uma Sodoma desportiva. E não sabe da missa a metade!
Porquê?
Porque o dirigismo desportivo foi inundado por gente de passado duvidoso, por caciques consagrados e por analfabetos de ignorância atestada sempre que exprimem um pensamento. Pacóvios à procura de lugar na sociedade que julgam merecer por mérito das contas bancárias, como é típico nos chamados provincianos. Ou seja, não por serem da província, como a maioria da população, mas por limitação própria.
Por outro lado, para o ambicioso comum que se serve do futebol como trrampolim, vale tudo. Desde o lícito ao ilícito. De onde o caos desportivo, social, cultural a que se chegou - na esperança que polícia e tribunais consigam a dignificação necessária.
O problema da arbitragem
O árbitro, este árbitro que há, é uma consequência do ambiente degradado em que se enterrou o futebol. E que não se venha com o argumento de que os árbitros também erram na Inglaterra, na Escócia, em Espanha e assim. Erram sim senhor, e volta não volta bem se vê. Só que o problema não é de erro mas de percentagem. Além de que há erros e erros. Há o erro casual, há o erro por ignorância, há o erro grosseiro, e há o erro científico: o erro exacto na hora certa, o erro de preparação da "estocada" final, o erro para disfarçar e o erro praticado cientificamente num outro desafio, a quilómetros de distância, mas que também conta para a soma de pontos do campeonato.
Tudo isso é uma questão já com anos. E, por junto, entre berros e acusações, apuraram-se os casos Calheiros, Guímaro e poucos mais. Tudo de acordo com a vontade de não os encontrar.
Mudaram-se os tempos. A ver vamos se se mudaram as vontades.
Parabéns, Abnegado
Esta penosa queda é um texto que dignifica a blogoesfera pela intensidade que se desprende do encadeado de sentimentos que o seu autor consegue transmitir a quem o lê. Uma intensidade proibida na chamada imprensa livre. Parabéns ao Abnegado.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Misoginia Dominante II
Lembrando o que escrevi a 13 de Janeiro deste ano, não posso deixar de aconselhar Este texto .
Entendo que passa pela solução desta contradição própria de bárbaros a solução de alguns dos principais problemas da nossa sociedade. Sem que isso implique que os homens sejam menos homens ou as mulheres menos mulheres no seus papéis específicos. Pelo contrário.
Quem controla o que Se Come?
A medicina deu passos espantosos nos últimos anos. O país, independentemente de todas as dicussões políticas em torno da saúde e do assalto dos poderes financeiros à sua exploração, construiu um sistema de saúde com alternativas que a cada ano se valorizam e prestam melhores serviços à população.
Por isso se entende mal que as notícias nos apresentem as crianças e os adolescentes como estando em progressão na contagem dos doentes cancerígenos.
O cancro nunca foi entendida como uma epidemia da Humanidade porque, em regra, apenas atingia as pessoas que já tinham ultrapassado a idade da reprodução. Não parece que essa regra esteja a ser observada com o mesmo ávontade de há alguns anos.
Será legítimo desconfiar da alimentação, dos produtos sem controlo que cada um de nós compra para nossa casa?
Um dia destes abri uma embalagem de um produto alimentar que, no rótulo escrito em português, assegurava ser um produto importado da União Europeia. Todavia, o texto em alemão, garantia ser um produto importado da China. Em que ficamos?
Os alemães importam produtos em que não confiam e depois exportam-nos para países onde não há controlo efectivo dos produtos postos à venda? Portugal é um desses países?
Por isso se entende mal que as notícias nos apresentem as crianças e os adolescentes como estando em progressão na contagem dos doentes cancerígenos.
O cancro nunca foi entendida como uma epidemia da Humanidade porque, em regra, apenas atingia as pessoas que já tinham ultrapassado a idade da reprodução. Não parece que essa regra esteja a ser observada com o mesmo ávontade de há alguns anos.
Será legítimo desconfiar da alimentação, dos produtos sem controlo que cada um de nós compra para nossa casa?
Um dia destes abri uma embalagem de um produto alimentar que, no rótulo escrito em português, assegurava ser um produto importado da União Europeia. Todavia, o texto em alemão, garantia ser um produto importado da China. Em que ficamos?
Os alemães importam produtos em que não confiam e depois exportam-nos para países onde não há controlo efectivo dos produtos postos à venda? Portugal é um desses países?
domingo, janeiro 30, 2005
Leituras de Fim de Semana - Sábado
Por uma vez. Procuro outras leituras. Passo na Tabacaria e " As Aventuras do Miguel" levaram-me à compra. A leitura foi uma surpresa: "MEC na Sábado". Um membro da direcção diz que Miguel Esteves Cardoso é um génio do jornalismo português. Génio ? do jornalismo português ?
Até acredito que o MEC tenha carteira profissional, mas, apesar de todo o respeito que tenho por ele e pelas suas crónicas, penso que nunca tenha ido à procura de uma notícia, de uma reportagem. Entrevistas? sim, algumas. E uma delas é publicada nesta edição de "Sábado"- feita a Francisco Louçã.
Eu não a apresentaria como exemplo de entrevista. É mais um exercício literário, esteticamente perfeito, mas duvidoso do ponto de vista ético, sobretudo porque, logo a seguir, diminui o seu entrevistado numa crónica completamente reprovável, embora de bom estilo.
De resto, não é apenas MEC que trata mal Louçã. A direcção da revista ataca o Bloco de Esquerda, retirando do contexto frases do seu dirigente para, com uma forma verdadeiramente infantil, ingénua, "assustar" a classe média com o fantasma da "ruptura com o capitalismo" e as alterações ao "modelo de sociedade".
Lendo esta espécie de editorial percebe-se o fascínio da Direcção pela presença de MEC.
A leitura da entrevista do Ferreira Fernandes ao Miguel Sousa Tavares compensa. Ainda bem que nenhnum deles é apresentado como génio. Acredito mesmo que, continuando a escrever tão limpo como escreve na sua coluna de opinião, na última página da Revista, Ferreira Fernandes venha a ter algumas dificuldades em conviver com tanto génio.
As Novidades da Lusomundo
O Expresso publicou "A NOTÍCIA": Luís Delgado é candidato à compra da Lusomundo, na sua condição de colaborador da empresa. Ora aqui está uma verdadeira novidade - que se soube mesmo antes de Luís Delgado ter sido imposto por Morais Sarmento ao BES e à Comissão Executiva da PT como presidente do grupo de Media.
Esta novidade já está escrita num post deste blog do dia 1 de Dezembro de 2004 e em alguns outros, a seguir. Donde virá o dinheiro a Luís Delgado para a operação? O Expresso não será capaz de descobrir?
E a Bolsa de Valores de Lisboa será capaz de encontrar nesta operação de lançamento de MBO uma actuação concertada dentro da estrutura decisora do resultado final?
E a Comissão Executiva da PT vai continuar a deixar-se pressionar?
E os accionistas da PT? Que podem fazer eles?
Esta novidade já está escrita num post deste blog do dia 1 de Dezembro de 2004 e em alguns outros, a seguir. Donde virá o dinheiro a Luís Delgado para a operação? O Expresso não será capaz de descobrir?
E a Bolsa de Valores de Lisboa será capaz de encontrar nesta operação de lançamento de MBO uma actuação concertada dentro da estrutura decisora do resultado final?
E a Comissão Executiva da PT vai continuar a deixar-se pressionar?
E os accionistas da PT? Que podem fazer eles?
Leitura de Fim de Semana - Público
Helena Matos assina na edição de Sábado um texto notável, lembrando o essencial e o acessório da política, nomeadamente nesta fase de campanha eleitoral, em que os principais dirigentes dos partidos políticos portugueses se afadigam a falar de coisa nenhuma, deixando para trás o tanto (importante) que existe para tratar acerca da vida da nossa sociedade, organizada no mais antigo estado da Europa.
O mais antigo e, seguramente, aquele que reproduziu a sua Nação por mais Mundo, espalhando gente pelas sete partidas.
No seu texto, "A Natureza do Mal", a cronista clama contra a tentativa de os "líderes independentistas" espanhóis procurarem "obter em Portugal o reconhecimento tácito do seu estatudo de chefes de Estado".
Lamenta que Santa Lopes, na última reunião cimeira luso-espanhola tenha permitido ser tratado ao nível dos presidentes das comunidades autónomas de Espanha e que, nem ele, nem Sócrates se pronunciem sobre o que Josep Carol Rovira, líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) veio dizer a Portugal sobre o nosso próprio Estado: que devemos preparar-nos para um futuro de mera região ibérica, no quadro de um" Estado multipolar".
A indignação de Helena Matos tem toda a razão: os principais dirigentes deste país - principais porque disputam a possibilidade de nos governar - esquecem-se, perigosamente, de que a política tem a ver com a boa governação dos povos e não com interrogações ao espelho ou à fita métrica.
Ao sr. Rovira terá que haver alguém a lembrar que Portugal não é apenas o mais antigo Estado da Europa, mas aquele que fez sair o velho continente do seu confinamento miserabilista e doentio. Alguém que diga, com voz grossa, que na Península Ibérica existem e vão continuar a existir, pelo menos, dois Estados. Não nos misturem na confusão e nos erros dos espanhóis.
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Os Resultados da Crise
A crise política portuguesa, que já se arrasta há demasiado tempo, está a ter consequências verdadeiramente surpreendentes. Em alguns casos, delirantes. Atente-se na repentina capacidade de unidade dos patrões - todos juntos para pressionar o poder político, que ainda não rstá definido, mas cujo retrato começa a ser pintado nas sondagens tornadas públicas e nas outras também.
É um verdadeiro desaforo porque aparecem em alturas de crise a apontar as pistolas, de rostos façanhudos, a exigir menos despesas sociais, menos estado, cada vez menos, mas não explicam onde meteram os resultados de trinta anos de trabalho com um taxa de produtividade que eles nunca especificam.
Estes mesmos patrões que aparecem a condicionar o poder político, a sair da vontade livremente expressa pelo povo, não explicam as falências fraudulentas, a má gestão das empresas, a pouca qualificação dos seus quadros e trabalhadores. Não explicam os seus altos níveis de vida, seus e dos seus gestores.
Não explicam, mas exigem. E fazem-no porque já dominam quase tudo.
Já é tão evidente o seu domínio sobre a Comunicação Social que uma das revistas deles apareceu com a ideia delirante de constituir "um governo de sonho" em que aparecem alguns nomes de gestores considerados grandes sumidades.
A Revista, que se chama Exame, só não fez uma coisa, as contas. Quanto custaria um Governo daqueles?
O Estado teria dinheiro para lhes pagar?
Até porque alguns deles começariam por estabelecer percentagens comissionistas sobre todo os negócios em que participassem.
É um verdadeiro desaforo porque aparecem em alturas de crise a apontar as pistolas, de rostos façanhudos, a exigir menos despesas sociais, menos estado, cada vez menos, mas não explicam onde meteram os resultados de trinta anos de trabalho com um taxa de produtividade que eles nunca especificam.
Estes mesmos patrões que aparecem a condicionar o poder político, a sair da vontade livremente expressa pelo povo, não explicam as falências fraudulentas, a má gestão das empresas, a pouca qualificação dos seus quadros e trabalhadores. Não explicam os seus altos níveis de vida, seus e dos seus gestores.
Não explicam, mas exigem. E fazem-no porque já dominam quase tudo.
Já é tão evidente o seu domínio sobre a Comunicação Social que uma das revistas deles apareceu com a ideia delirante de constituir "um governo de sonho" em que aparecem alguns nomes de gestores considerados grandes sumidades.
A Revista, que se chama Exame, só não fez uma coisa, as contas. Quanto custaria um Governo daqueles?
O Estado teria dinheiro para lhes pagar?
Até porque alguns deles começariam por estabelecer percentagens comissionistas sobre todo os negócios em que participassem.
A Surpresa do Apoio de Freitas do Amaral
Este país parece não ter memória. Freitas do Amaral escreve um texto numa revista nacional a apoiar (mais do que apoiar, a pedir) uma maioria absoluta para o PS nas próximas eleições legislativas e toda a gente faz um ar espantado. Paulo Portas, inclusivé, diz que aquele não é o Freitas que ele conheceu.
Portas ainda andava de calções - ou bibe? - e já Freitas do Amaral fazia alianças com o PS. Esqueceram o governo PS/CDS, com Salgado Zenha a dar a cara para defender a iniciativa, classificando o CDS como partido do centro-esquerda?
Além disso, o próprio Diogo Freitas do Amaral, num daqueles programas televisivos para recordar os primeiros anos pós 25 de Abril, disse -não mandou ninguém dizer por ele - que Mário Soares o tinha incentivado a formar o CDS.
É evidente que a estratégia, nessa altura, era do secretário geral do PS: queria dividir a direita.
Mais tarde, quando foi necessário indicar alguém para Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mário Soares indicou quem ? Diogo Freitas do Amaral.
Mais história: o PSD de Cavaco Silva não pagou a parte das contas que lhe cabia da campanha para a Presidência da República em que Freitas defrontou Soares. E ele assumiu o compromisso de as liquidar pessoalmente, com os proventos obtidos através dos seus pareceres jurídicos.
Mais ainda? Depois da vitória da AD, com Sá Carneiro, o PPM e a ASDI, o CDS ficou reduzido a um partido de taxi. E porquê? porque Pinto Balsemão, na sequência da morte de Sá Carneiro, não chegando a ser igual a Santana Lopes, andou lá perto.
Além da história, há a consciência cívica de Freitas do Amaral. Só os cidadãos sem consciência cívia hipotecam o seu voto a um cartão de partido, como se de um clube de futebol se tratatasse, assim como aquele que conta em público que no dia seguinte a ter nascido era sócio do Sporting.
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