segunda-feira, janeiro 24, 2005

A Desregulamentação da Televisão em Portugal

O sr. ministro Morais Sarmento devia, de facto, ter feito algum esforço e recorrido a uns acessores criativos para perceber onde estaria a importância do seu papel como entidade tuteladora da Televisão.
Devia, por exemplo, ter obrigado os vários operadores do ramo a cumprir um conjunto de disposições que já se encontram regulamentadas.
Todos eles deviam ser obrigados a cumprir, integralmente, o Contrato Programa que assinaram com o Estado Português e que legaliza as respectivas autorizações de emissão e distribuição de sinal.
Deviam, igualmente, respeitar os diplomas e regulamentos em vigor e que regem o sector Audiovisual, sob pena de lhes serem aplicadas coimas de valor suficientemente exemplar, já que não tem significado a aplicação de uma coima de valor inferior ao lucro que a contravenção proporciona.
Em simultâneo, devia ter estabelecido um novo quadro legal do sector, mais ajustado à realidade decorrente das evoluções tecnológicas recentes, que introduziram no mercado novos produtos: canais distribuídos por satélite e fibra óptica, canais privados e empresariais.
Quanto à Televisão Pública devia ter-se apoiado nas conclusões da comissão independente que convidou e depois desprezou para definir um modelo de televisão e, em seguida, criar uma estrutura técnica e uma direcção administrativa e de conteúdos, de informação e programas adaptadas ao modelo escolhido.
O que é que aconteceu com o sr. ministro M. Sarmento?
A RTP mudou de instalações próprias para umas instalações alugadas, sofreu uma "profunda reestruturação", cujos resultados ainda não são visíveis, mas que, pelo que se passa em sectores vitais da empresa, poderão ser os piores.
Mais alguma coisa, para além da continuada protecção aos canais de Pinto Balsemão, que, de resto, já vinha de trás?

A Televisão do Nosso Descontentamento - Programação

As políticas de "grande esforço e inovação" do ministro M. Sarmento na Televisão não são responsáveis apenas pelo baixo nível da nossa informação televisiva. Eu diria que elas são, sobretudo, a causa do baixíssimo nível da programação de todos os canais portugueses.
Olhemos para o panorama geral das grelhas de programas emitidos pelas televisões portuguesas, cujas diferenças existem apenas nas bengalas em que cada uma delas se apoia: a SIC numa batelada de telenovelas produziadas pela TVGlobo, a TVI nas suas próprias telenovelas e a RTP em concursos já gastos e revistos.
Logo pela manhã, há um tempo de informação e entretenimento, na RTP1, "Bom dia Portugal", na TVI, "Diário da Manhã".
Seguem-se nas três cadeias longos "talk-shows", conversa de estúdio, sobre tudo e coisa nenhuma, com participação do público, geralmente remunerado a custo reduzido, dois ou três "especialistas convidados", figuras de quinto plano.. A opção está entre acompanhar o Jorge Gabriel (RTP1), a Fátima Lopes (SIC) ou o Manuel Goucha (TVI).
Às 13 horas, os noticiários, longos de mais de uma hora e sem qualquer critério editorial - adopção cega do modelo tabloide.
Às 14 horas todos eles adoptam pela repetição de séries, que, às vezes, já vão na quinta e na sexta repetição. Segue-se mais um talk-show em cada um deles. Só a partir do meio da tarde é que recorrem às tais bengalas, o que dá a aparência de programações alternativas.
À noite, depois de mais um longo jornal de pelo menos uma hora, com os critérios já descritos, lá vêm, na SIC e na TVI, programas de anedotas. O mesmo esquema deverá estar a ser seguido pela RTP 1, que, entretanto à falta de tal alarvidade, e por agora, apresenta uma série de produção nacional, de excelente qualidade "Ferreirinha" - uma honrosa excepção em alguns anos.
A seguir às anedotas e à tal série, a SIC e a TVI voltam às telenovelas e a RTP1 aos concursos.
Porquê uma tão confrangedora grelha de programas? Por uma questão de redução de custos? A situação financeira em que se encontra a generalidade das cadeias de Televisão em Portugal não justifica, minimamente, as opções editoriais e de programas adoptadas.
Repare, sr. ministro, vou começar a explicar-lhe: como há alguns anos afirmava o realizador brasileiro, Walter Avancini, o problema da Televisão Portuguesa é de natureza cultural e resume-se à falta de qualquer projecto cultural para o país e consequentemente para os diversos órgãos de comunicação social.
O sr. achou que esta coisa de televisão se resolvia com a entrega da produção televisiva a grandes grupos, sobretudo se fossem estrangeiros, e atirou o audiovisual português para as urtigas, estrangulando a capacidade criadora que as pequenas e médias empresas detinham para alimentar as cadeias televisivas.
O ministro Morais Sarmento não percebeu que a televisão representa o mais poderoso instrumento de divulgação cultural e entendeu apenas a sua condição de principal aparelho ideológico do Estado. Daí que, a certa altura, se deu ao desplante de afirmar que o Estado o devia controlar inteiramente, porque "os jornalistas não vão a votos".
E a verdade é que não desistiu da ideia: basta olhar os telejornais da RTP 1 e perceber as manobras com alguns programas, que podem ser considerados incómodos para o actual poder, como é o "Contra-Informação", um caso raro e notável de sobrevivência perante os ataques demolidores do ministro Sarmento às pequenas e médias empresas de audiovisual.

A Televisão do Nosso Descontentamento - Informação

As políticas de "grande esforço e inovação", levadas a cabo pelo sr. ministro M. Sarmento não tiveram efeitos apenas na RTP, a instituição que ele tutela directamente. No seu conjunto, a Televisão Portuguesa, pertencendo a um País Europeu, membro de pleno direito da União Europeia, de cultura e modo de vida europeus, pode classificar-se dentro de um modelo misto de latino-americano e de canal local americano, mas nunca uma Televisão de modelo europeu.
Analisemos em primeiro lugar, o que se faz em matéria de informação e sem falarmos das trapalhadas que se fazem com as mensagens de órgãos de soberania, por exemplo do Presidente da República ou do Primeiro Ministro, que, normalmente, aparecem a meio dos jornais, comentadas pelos jornalistas de serviço, enquadradas por oráculos de frases soltas, retiradas do contexto, tudo num cenário de feira a que não faltam as notícias de rodapé, sobre matérias que nada têm a ver com a comunicação emitida.
Em nenhuma televisão europeia, notícias de relevante importância nacional são preteridas a favor de informações locais, de interesse duvidoso, numa sucessão noticiosa sem critérios, nem objectivos, sem discernimento nem equilíbrio. Dir-se-ia que, em Portugal, só acontecem faits-divers, desastres, roubos, crimes, violações, assaltos...
É degradante a imagem que os diversos noticiários nacionais dão do País e do Povo Português. Ao relato e análise dos factos prefere-se o comentário especulativo, a informação converte-se em espectáculo: o "vizinho", o "morador", a "turista" e a "testemunha" são o novel critério jornalístico; o jornalista é a "notícia", a "notícia" é uma inimaginável sucessão de banalidades, uma feira de vaidades, pessoais e profissionais, onde a classe política no poder ganhou especial protagonismo.
O falso "volume de informação" criado neste sistema comum aos canais portugueses esconde uma outra realidade, que decorre da profunda fragilidade e incapacidade das diversas direcções de informação, da televisão pública e privadas, que não lhes permitem produzir nenhum bloco noticios sério ou qualquer magazine de informação especializado.
A Televisão Portuguesa interessa-se pouco pelo que, de concreto e capital, se passa no território nacional, despreza, soberanamente, o que ocorre no estrangeiro, sobretudo se a realidade ultrapassa a sua capacidade de compreensão imediata, se a notícia não arrasta o drama, a tragédia ou a vulgaridade e se não chegar pelo sistema diário de troca de informações televisivas internacionais (EVN's).
Este panorama é o resultado das políticas desenvolvidas pelo sr. ministro M. Sarmento, a quem aconselho a não sair daí... porque, lá mais para a frente, vou explicar-lhe porquê.

domingo, janeiro 23, 2005

A RTP Do Nosso Descontentamento III

RTP INTERNACIONAL E ÁFRICA
Na sua política de esforço e inovação, M Sarmento não conseguiu descobir algo para que não era necessário nenhum esforço: a existência de uma RTP África, ao mesmo tempo que uma RTP Internacional é uma aberração. Não faz qualquer sentido fora de um quadro de actuação definido por preocupações neo-coloniais, eu diria mesmo, racistas.
Isto é, a RTP Internacional é para brancos e a RTP África é para negros.
As preocupações, legítimas, de o Estado português utilizar os meios de comunicação social para, por um lado, comunicar com os seus cidadãos espalhados pelo Mundo e, por outro, fazer a defesa dos seus valores culturais junto de comunidades que os partilharam durante séculos e, em alguns casos, ainda partilham, têm que corresponder à elaboração e execução de políticas rigorosas.
A RTP Internacional deverá ser dirigida igualmente para África, sem uma designação específica, mas tendo em atenção as peculariedades das sociedades que ocupam os vários espaços a que se dirigem as suas emissões. Assim, se uma edição para África da RTP Internacional, não deve ter os mesmos conteúdos dos programas destinados a França, estes não podem ser iguais aos que são vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, ou no Brasil.
Esta concepção valoriza, de facto, a posição de Portugal no Mundo, mas implica investimentos. Desde logo na investigação das correntes emigratórias nacionais, nas suas várias componentes e na dotação dos departamentos responsáveis por estas emissões de gente qualificada para orientar antenas e programações para públicos eterogénos, mas com uma raíz comum.
A RTP não tem que juntar às suas emissões internacionais produtos que não correspondam a um perfil definido pela preocupação de fazer de cada minuto de televisão transmitido para o estrangeiro um tijolo na construção de uma comunidade respeitada, coesa, culturalmente avançada, com um passado contribuinte indispensável para o Mundo de hoje - uma comunidade que a todos respeita, mas que exige ser respeitada.
Não é essa a ideia que ressalta dos inquéritos, não comprovados cientificamente, mas possíveis graças à troca de ideias que a actual globalização das comunicações vai permitindo.
De resto, para comprovar a desgraçada qualidade das emissões da RTP Internacional e África basta recordar as palavras de um emigrante canadiano, proferidas há pouco tempo, em directo: "não somos só nós que já não vemos a RTP Internacional e África, tudo faremos para que os povos que nos acolheram também não as vejam, porque o País e o Povo que nos dão a conhecer não condiz com a realidade que apreciamos".
Ora aí está, sr. ministro, o resultado da sua política de "tanto esforço e inovação".

A RTP Do Nosso Descontentamento II

O CANAL 2 E A SOCIEDADE CIVIL
Um dos grandes cavalos de batalha do ministro M. Sarmento, na sua política de "grande esforço e inovação", uma adjectivação repetida por ele próprio sempre que tem oportunidade, foi a seguida com a RTP 2, "entregue à sociedade civil".
Esta "entrega" foi a maior mistificação da tal política, já que esta sociedade civil, a que foi entregue o Canal 2, não existe. As instituições que se associaram a este projecto e se constituiram como "parceiros" do canal, que patrocinam uma parte dos programas emitidos, são, na sua maioria, organismos, organizações e empresas , fundações, associações, alimentados por capitais públicos.
Para além dos capitais públicos têm outra característica comum: não têm vocação para produzir, realizar, programar, ou mesmo controlar a produção de programas de televisão. Acrescente-se que, em alguns casos, a contribuição dada ao canal 2, no panorama da tal sociedade civil, tem apenas a ver com "pequenas vaidades pessoais" dos respectivos dirigentes.
As consequências são o que se vê: quando a proclamada sociedade civil ocupa a Antena, sucedem-se os programas sem qualidade técnica, estética, artística, numa confrangedora pobreza de conteúdos e de formatos, a que a direcção do canal parece não querer nem poder pôr fim.
É que aquelas são horas preenchidas com programas entregues, para emissão, a custo zero ou tão baixo que tornam impossível a mínima exigência.
Aliás, à parte os programas produzidos pela RTP Meios, e que em nada se distinguem das piores produções externas, não existe nenhum controlo de qualidade dos programas apresentados, já que os "parceiros" do canal escolhem, soberanamente, as empresas produtoras dos seus "produtos televisivos".
Esta falta de controlo deu origem ao aparecimento das chamadas empresas de vão de escada, produtores completamente desconhecidas até agora e que são escolhidas pelos parceiros do canal para produzir e realizar a baixa qualidade que caracteriza o actual canal 2.
Em conclusão: o orçamento de Estado continua a pagar dois canais de televisão, com duas diferenças importantes: a factura do canal dois é dividida em múltiplas contas, algumas das quais não contribuem, seguramente, para o objectivo estabelecido e, ao mesmo tempo, o Estado alienou o controlo da qualidade de grande parte da grelha de emissão daquele canal.

sábado, janeiro 22, 2005

Artilharia Um, o Túnel do Marquês e o Túnel do Rossio

O Conselho de Ministros de Santana Lopes, na sua reunião de ontem, entre muitas outras resoluções, aprovou aquela que ratifica o Plano de Pormenor da Artilharia Um, no município de Lisboa.

Segundo o texto do comunicado da PCM, "o objectivo principal deste Plano de Pormenor é a inserção/integração de uma solução de reconversão do terreno afecto ao antigo anexo do Hospital Militar de Lisboa, de modo a resultar um novo pólo requalificado e dinamizador do território, na cidade de Lisboa".

"O Plano de Pormenor da Artilharia Um altera os parâmetros estabelececidos no Plano Director Municipal de Lisboa para a área onde se insere, nomeadamente no que respeita à área mínima de construção para comércio e à cércea máxima de referência".

O que isto poderá quer dizer é que as condições do concurso de 2001 para venda daqueles terrenos foram, entretanto, alteradas - o que faz do nosso Estado uma entidade desacreditada, porque promoveu condições excepcionais para beneficiar um cidadão.

De resto, a construção do Túnel do Marquês tem como objectivo alterar as condições de acesso à nova urbanização, já desenhada e entregue a agentes imobiliários. O Túnel vai ser pago com o dinheiro de todos os contribuintes e não pelo cidadão que vai beneficiar das mais valias que esta estrutura proporciona ao seu inmvestimento.

Esta resolução, arrancada a ferros numa das últimas reuniões do Conselho de Ministros de Santana Lopes, pode querer dizer, igualmente, que o Túnel ferroviário do Rossio vai ser totalmente reconstruído para que esta urbanização da Artilharia Um possa contruir em profundidade à vontade, tão à vontade como vai construir em altitude.

Finalmente, a opinião pública ficará a perceber as obras do Túnel do Marquês e o encerramento do Túnel do Rossio.

Também ficam mais claras as razões que levaram Judite de Sousa a fazer a chamada "Grande Entrevista" com João Pereira Coutinho. Afinal, que diabo, tinha que dar uma mãozinha ao seu amigo Santana Lopes.

E já agora, aos que leêm este blog, recomendo que façam uma releitura aos posts "Heranças", 15DEZ04 e "O Beneficiário do Regime Durão-Santana", de 17Dez04.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Insanidade Governativa

De repente, este governo demitido promete resolver tudo, assume todos os passivos e os seus membros - todos eles - falam como se o futuro lhes pertencesse. Estará a desbaratar o que não pode? Há quem o acuse de tomar medidas inconstitucionais, mas a verdade é que não parece haver instrumentos para o fazer parar.
Este comportamento bizarro faz lembrar as circunstâncias, por vezes infelizes, de algumas famílias, cujos patrimónios são desbaratados por um dos seus membros, decretado, entretanto, pelos tribunais, como incapaz de continuar a administrar os bens comuns. São, normalmente, situações de insanidade mental.
Não haverá maneira de pedir a um tribunal um despacho semelhante para esta gente que ainda nos governa?

As Descobertas de Sérgio Figueiredo

O Director do "Jornal de Negócios" escreveu há dias algo sobre nós todos, muito citada, depois em outros jornais. E foi citada porque ela é como que uma verdade de "La Palisse". De facto, todos reconhecemos a mediocridade das nossas elites.

Uns alimentam as instaladas e incapazes de sair de dentro da sua própria acomodação, como o jornal que ele dirige, outros criticam-nas como reconhecimento da impotência para as desalojarem e os importantes, aqueles que podiam mudar o país, vão embora. Não estão para aturar uns e outros.

Sempre foi assim em Portugal. Há séculos. O Sérgio Figueiredo, que, sendo embora jornalista económico, aprecio especialmente, devia ter isso presente em algumas das suas intervenções. E já agora: as fontes de informação que usa pertencem sempre às elites instaladas e eu asseguro-lhe que há muitas outras.

A RTP Do Nosso Descontentamento I

Escuto a auto-promoção da RTP e sorrio, ouço os seus administradores falar das realizações do consulado e surpreendo-me. Vou, seguramente, ficar de boca aberta de espanto, quando o ministro Morais Sarmento aparecer em campanha a falar da sua grande obra na Televisão pública.
Antes que o abrir de boca seja nacional e corra tudo para as urgências dos hospitais, será melhor contar o que realmente se passou com tal instituição.
Tenho um amigo que, para resumir a questão da RTP, conta a seguinte estória: "imagina que o dono de um fábrica de sapatos resolveu vender as máquinas e despedir os sapateiros. Todavia, para manter a existência da fábrica arrendou um apartamento, colocou a placa com o nome da fábrica virada para a rua e assegura a toda a gente que ela existe. De facto, está lá, só que já não fabrica sapatos".
É assim a nossa Televisão pública. Acertaram as contas? Eles dizem que sim. Venderam tudo quanto havia para vender, alugaram instalações, despediram pessoal. E agora ?
Agora, o grupo RTP abdicou de intervir nas grandes produções de televisão, de cobrir os grandes acontecimentos, de transmitir os grandes espectáculos.
Dispensou os seus melhores profissionais, nomeadamente em áreas determinantes como a produção e a realização televisiva, alienou parte dos meios técnicos de que dispunha, não se actualizou, não adquiriu novos meios, nem sequer aproveitopu a realização, em Portugal, de grandes acontecimentos, como foi o Eruro 2004, para iniciar um processo sustentado de actualização.
Por mais incrível que possa parecer a RTP não dispõe, actualmente, de meios humanos (realizadores, produtores...), capazes de produzir e realizar um ballet, uma ópera, um grande concerto, um desafio de futebol, uma corrida de fórmula 1...terá mesmo alguma dificuldade em "gravar" uma boa peça de Teatro.
E se quanto a meios humanos a situação é bastante grave, como provam as sucessivas recontratações de funcionários recentemente dispensados, a reestruturação técnica da empresa parece acompanhar o descalabro geral das grandes opções económicas e financeiras nacionais.
Além dos meios técnicos de informação, quer de estúdio, quer de reportagem, de aquisição recente e que são meios ligeiros, a empresa já de poucos meios técnicos de produção dispõe. A grande maioria das unidades está completamente desactualizada, mal equipada, com material antiquado a que falta manutenção, excepção feita para dois carros de exteriores, que ainda estão operacionais, mas que só ligados em série poderão transmitir um grande desafio de futebol.

As Pressas da Venda

A notícia é insistente: o BES quer vender a Lusomundo antes das eleições. Hoje, pela primeira vez, alguém acrescentou que outros accionistas têm opinião diversa. Estas duas informações juntam-se a uma montanha de outras sobre o interesse de toda a gente nos activos da Lusomundo.
A Media Capital, a SonaeCom e até o Jaime Antunes já fizeram circular o seu desejo de compra.

Pinto Balsemão foi ainda mais claro. Disse que quer a TSF e um Jornal Diário - espero que não seja para fazer como com a "A Capital": no dia seguinte ao fim do contrato que o obrigava a manter associado ao jornal o respectivo património, passou o edifício de "A Capital" para o seu nome. Logo a seguir entregou a respectiva direcção a Helena Sanches Osório e depois desfez-se do título.

Hoje também se disse que o ministro Morais Sarmento gostava que a Lusomundo fosse vendida à Cofina, por já possuir uma determinada percentagem do respectivo capital.

Esclareçamos duas coisas:
1-O BES tem apenas cinco por cento da PT, accionista maioritário da Lusomundo. O BES, embora pareça, não é o dono da PT e a comissão executiva do maior grupo empresarial português ainda não foi capaz de esclarecer esta questão. Toda a gente, incluindo as dezenas de milhar de pequenos accionistas da PT , ficam convencidos de que Miguel Horta e Costa e seus pares recebem ordens directas do BES
2 - O sr. ministro Morais Sarmento não tem que preferir coisa nenhuma. A venda de um activo da PT é um acto de gestão da sua Comissão Executiva.
A não ser que as preferências do sr. ministro e a pressa do BES estejam relacionadas e justifiquem o comentário que foi feito ao post publicado neste blog, a 10 de Dezembro de 2004, com o título Administradores-Comentadores.
Oh! sr. ministro ainda está a pressionar o BES ? Ainda tem poder e capacidade para retirar daquele banco as contas do Estado e das empresas públicas?

A República da Madeira

Os portugueses gostam de dizer que são conhecidos no Mundo e arredores pela sua virilidade, pela sua "macheza" ( à brasileira). E não está muito longe o tempo em que "certas ofensas só poiam ser lavadas com sangue". Porque isso de "corno" só paciência.

"Paciência de corno" é o que todos demonstramos - incluindo o Presidente da República - para aturar o presidente do Governo Regional da Madeira, dr. Alberto João Jardim.

Que é isto de "os deputados da Madeira renovam o compromisso de que, sempre e em todas as circunstâncias, colocarão os interesses da Madeira acima de quaisquer outros" ?

É este o levantamento a que Santana Lopes fez apelo ? Ou estas condições já estavam incluídas nas propostas aprovadas por Durão Barroso?

E o Presidente da República concorda com esta proclamação? Já chegámos à República da Madeira, ou ainda demora algum tempo?

Porque não se faz já um referendo para que a "matéria fique clara"?

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Um Ministro da República

O Programa televisivo "Prós e Contras" presta, normalmente, bons serviços à comunidade. Exceptuam-se aquelas edições em que se nota a intenção de conduzir a discussão em determinado sentido. Não foi o caso da última , em que tivemos a oportunidade de ouvir as opiniões de alguns dos nossos"Senadores" sem Senado.
Concordemos ou discordemos deles temos que reconhecer-lhes a sabedoria própria de quem estudou e viveu a vida. Porque uma coisa sem a outra não conduz à sabedoria - a Sabedoria definida por Platão na defesa de um governo de sábios, dos mais sábios.
Eles são os mais sábios de entre nós e, apesar de a democracia mediática do nosso tempo os excluir da possibilidade de nos governarem, não podemos deixar de os ouvir.
Mário Soares e a sua desinibição na análise do programa do Bloco de Esquerda, Freitas do Amaral a lembrar aos eleitores do PSD a dupla escolha que terão de fazer e Adriano Moreira a analisar a decomposição do Estado representaram-nos a todos. Ali estava o País, a analisar-se sem apelos absurdos a levantamentos e sem queixas de esfaqueamentos ou de pontapés em bébes prematuros.
Mas, para além da opinião daqueles três "Senadores" sem Senado, houve a de Miguel Cadilhe, ainda com idade, com força e telegenia para, antes de ser "Senador sem Senado", voltar a ser um "Ministro da República". Não um ministro do PSD ou do PS ou do que quer que seja , mas Da República, uma entidade já sem força e a correr o risco de perder identidade.

Vamos Ser Claros Nesta Matéria III

Oito licenciados em jornalismo respondem a um anúncio de uma agência de comunicação, daquelas que compram e presenteiam jornalistas - não estagiários, jornalistas, alguns com grande nome na praça - e são mimoseados com a proposta de um contrato confidencial, segundo o qual ficarão obrigados a uma prestação diária de duas horas de trabalho, durante quatro meses, sem qualquer remuneração. No caso de não cumprirem ficam sujeitos a uma indemnização de 2.500 Euros.
Ao pedido de levar o contrato para estudar (para, obviamente, pedir a opinião de um advogado) a resposta: "...isso é que era bom. Isto é confidencial e não sai daqui".
Três deles mandam os senhores (dois) da INFOPRESS dar uma volta.
Cinco ficam.
Na esperança de que alguma coisa mude, de que um dia destes talvez tenham um emprego sério e sem saber que estão a entrar no negócio da escravatura do nosso tempo: uma escravatura de luxo, que coloca ao serviço da pressão, da troca e influência e, muitas vezes da chantagem pura e simples um grupo de jovens generosos que cometeram o erro de sonhar com uma profissão aparentemente importante e muito valorizada pela vizinha, pelo sr. Manuel Padeiro, pelo condutor do autocarro da Escola e por algum professor saudoso dos tempos do jornal da sua própria escola.
Afinal não é nada disso!
E onde é que anda a Inspecção do Trabalho. Oh! sr. ministro Álvaro Bissaia Barreto, ao menos respeite um dos seus antepassados ilustres, que, sendo embora amigo do Salazar, tinha um grande respeito pelos trabalhadores. E, olhe que, tal como naqueles tempos já há muitas almas quase ingovernáveis.A Revolta das Palavras/

Vamos Ser claros, Nesta Matéria I

Para além dos muitos pontapés na Gramática que os nossos antepassados nos foram legando ao longo dos séculos, Jorge Coelho inventou o jargão político: "vamos ser muito claros nesta matéria".
Sejamos então:
A SEDES é uma instituição que ao longo da sua já longa existência nos habituou a uma reflexão séria sobre as grandes questões nacionais, sejam elas de carácter filosófico, político ou económico e as suas intervenções públicas pautam-se pela pluralidade, com a preocupação de sugerir diversos caminhos para as soluções dos probelmas em análise.
Por isso não entendo as razões por que vieram agora uma meia dúzia de economistas liberais e neo-liberais, em nome da SEDES, tentar pressionar, , os programas dos partidos concorrentes às eleições antecipadas num único sentido, o mesmo caminho que temos vindo a seguir há três anos. Não entendo, não aceito e tal como José António Barreiros ( a quem já declarei as minhas solidariedade e disponibiliodade) no seu blog REVOLTA DAS PALAVRAS, sinto "A Alma Quase Ingovernável"

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Vamos Ser claros, Nesta Matéria II

Entro numa delegação do Banco que há não sei quantos anos sabe o que ganho o que gasto e, de vez em quando, me faz propostas mais ou menos desonestas. Um rapazinho que aprendeu há dias a usar uma gilette, todo aprumado dentro do seu fato no melhor estilo executivo do tempo, abre-me a porta, afivela um sorriso e enquanto olha a cábula para saber o que fazer com o cheque que lhe deposito em cima do balcão, olha para a porta e abre-a para um outro cliente entrar, mais um gesto e mais um cliente.

No final das operações devidas e enquanto arrumo na carteira os Euros, vou-lhe dizendo: "um dia destes, você e os seus colegas,vão sentir num orifício qualquer um espanador para, enquanto descontam os cheques, dão dinheiro a uns clientes e abrem a porta a outros, aproveitem o tempo para fazer a limpeza da loja".

O senhor fica espantado, mas já não tem tempo para continuar a conversa. Saio a pensar: isto está muito mau, mesmo muito mau. Então, se aquele jovenzinho, que deve ser licenciado para aí em finanças, em enconomia , em gestão, eu sei lá, faz tudo aquilo, o seu índice de produtividade deve ser astronómico...

Como é que os banqueiros, que pagam poucos impostos, que aproveitam todas as oportunidades para nos mexer nos bolsos, andam a reclamar contra a baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, a exigir mais receitas (quer dizer, mais impostos para os outros) e menos despesas no sector social.

Dr. João Salgueiro, vamos ser claros nesta matéria: o senhor e os seus pares estão a abusar da passividade deste pobre povo de brandos costumes. Mas olhe que já há gente com " A Alma quase ingovernável" A Revolta das Palavras

Amilcar Cabral

Faz amanhã, 20 de Janeiro, 32 anos que um tiro ecoou nas planícies guineenses, com um estrondo enorme, se repercutiu nas montanhas cabo-verdianas e acabou por abalar o Mundo. Amilcar Cabral era morto, à frente de sua mulher, Ana Maria e, mesmo a morrer não desistiu de convencer o correligionário assassino do seu erro.
Não foi apenas a morte de um Homem. Foi o assassínio de alguém, que, pela inteligência, pela convicção, pelo carácter, derrotava a teoria de que somos todos iguais. Não é verdade. Amílcar é uma das provas.
E nem sequer vale a pena lembrar o seu enorme contributo para a libertação de uma parte importante de África - qual o destino que, entretanto, seguiu é outra questão e não vem ao caso, até porque se não tivesse sido aquele tiro, provavelmente tudo seria diferente.
Hoje, caminhando por esta cidade com música nos ouvidos para me distrair das coisas medonhas que por aqui se constatam, tive a felicidade de ouvir um dos mais importantes poemas de Amilcar Cabral, nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso - um associação insuperável, já que à ingenuidade e espontaneidade da Cesária se junta a técnica excepcional, ultrapassada apenas pela emoção que o próprio Caetano coloca na sua interpretação do poema "mamãe Velha".
Mamãe velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
E vibra dentro do meu coração.
Venha, mamãe velha, venha ouvir comigo.
Recobre as forças e chegue ao seu portão.
A chuva amiga já falou mantenha.
E bate dentro do meu coração.
A chuva amiga, mamãe velha,
A chuva que há tanto tempo não batia assim.
Ouvi dizer que a Cidade Velha
E a Ilha toda em poucos dias já virou jardim.
Dizem que o campo se cobriu de verde,
Da cor mais bela que é a cor da esperança,
Que a terra agora é mesmo Cabo Verde
E a tempestade já virou bonança.
Aqui fica a minha homenagem ao homem que se preocupava com a estratégia da guerra, com a política de unidade de um partido-dois estados, que foi capaz de fazer reconhecer o seu Estado, ainda ocupado por tropas coloniais, por mais de oitenta outros. Um homem capaz de tudo isso e de se preocupar com o fundamental, com a chuva "que há tanto tempo não batia assim" e com a alegria das pessoas, da mamãe velha já sem força para chegar ao portão.
Aquele tiro de há 32 anos roubou-nos o prazer do convívio, por mais alguns anos, com um verdadeiro dirigente político, um líder autêntico, capaz de transmitir um sonho à sua gente.

Nos Bastidores de...

Finalmente uma produtora cinematográfica resolveu levar a cabo uma super-produção cinematográfica, contando a história de um verdadeiro herói nacional. Hoje as televisões apresentaram os bastidores de algumas das cenas do emocionante filme, interpretado por António Mexia. O homem a anunciar o futuro - sim, porque a estória conta a história toda, incluindo a dos 16 netos de Nuno Álvares Pereira e a sua caminhada gloriosa até S. Bento, entretanto já liberta dos mouros por Afonso Henriques, ajudado por D. Jorge Nuno Pinto da Costa.
O protagonista foi apresentado a dizer que lá para o ano dois mil e 15 (será?) toda a gente pode ir de Lisboa ao Porto em uma hora e quinze - menos tempo do que um jogo de futebol. Portanto, quem tiver o papel necessário já pode ser sócio do FCP e viver na Amadora.
O interesse do enredo está, de resto, nas suas subtilezas, representadas nesta fala do verdadeiro herói português, quando salientou que tem de haver equilibrio entre o português contribuinte e o português utilizador. Nos bastidores houve quem defendesse uma fala mais directa:"estamos aqui para vender, portanto, quem utiliza, paga - é o princípio do utilizador - pagador".
Estou, todavia, informado que o autor do texto insistiu e ganhou contra tudo e contra todos, contra ventos e marés. Por isso é que os pés de microfone, que se veêm atrás do herói estão tão pouco entusiasmados. Já lhes custa acreditar na históra do D. Nuno, quanto mais nesta de uma ponte e de um comboio áquela velocidade.
Como informação de última hora, crê-se agora que a super-produção pode estar em causa porque os patrocinadores entendem os gastos excessivos para tanta fantasia. Eles também não acreditam.
Que havemos de fazer? Vamos ficar sem a tal superprodução que tanta falta faz à história do nosso cinema - quase toda realizada pelo mestre Manuel Oliveira, produtor, interprete, e realizador de "a história do princípe que batia na mãe", mas se recusava a usar símbolos nazis nas festas que fazia em casa do Duque de Viseu, com a senhora do dito - filme que é o verdadeiro começo da sua carreira.
Com esta descoberta fica também resolvido um dos grandes mistérios do nosso tempo: se a carreira de MO não tem fim, será que teve princípio?

terça-feira, janeiro 18, 2005

Os Tabús de Cavaco Silva

Confesso que nunca percebi muito bem as estratégias do prof. Cavaco Silva. Acho mesmo que ele, há dez anos, foi empurrado para a candidatura à Presidência da República com argumentos ligados ao dever de servir o partido e a Pátria.

Na verdade, não tem vocação para Presidente da República. Um presidente - em Portugal - não manda, não comanda, promulga e, para dissolver a Assembleia da República tem que encontrar um primeiro-ministro igual ao ex-presidente da Figueira.

Ora, essa não é a vocação de Aníbal Cavaco Silva. Ele gosta de mandar, mandar promulgar e comandar. Quanto à Figueira é apenas uma breve recordação na sua vida - foi lá fazer a rodagem de um carro novo.

Apesar de tudo , o prof. é apresentado desde há anos como o candidato natural da direita à Presidência da República. Será ele - afirma-se em tom comicieiro - que cumprirá o grande desígnio de "um assembleia, um governo, um presidente", anunciado noutras idades por Sá Carneiro.

São os outros que o dizem e ele encolhe os ombros. Mais do que isso: já demonstrou de formas claras não querer nada com o PSD. E não é apenas o PSL (SL, de Santana Lopes). Qualquer PSD. Estou fora, vai dizendo. Mesmo que não se possam colocar as aspas, as mensagens são claras. E porque será?

É muito fácil: o prof.dr. Aníbal Cavaco Silva não queria, de facto, concorrer à Presidência das República. Ele queria ser o Presidente da Comissão Executiva da União Europeia e foi traído por Durão Barroso e por todo o PSD.

Este foi um verdadeiro tabú, revelado agora por alguém muito próximo dele e longe da Comunicação Social, geralmente bem informada.

Aqui estão - afinal - as razões de todas as provocações , já que Santana sabe que Cavaco Silva não quer ser candidato - nem agora nem depois, quando ele andar à procura de um senhorio que lhe alugue uma casa com renda a perder de vista.


O País dos Primos

Não sei como, um dia destes, uma das televisões portuguesas abriu a antena para o Engº. Melancia, ex-governador de Macau, falar sobre a questão ingente das relações comerciais entre Portugal e a China. Isto, ao mesmo tempo que Jorge Sampaio, viajava para o Império do Oriente, acompanhado de uma comitiva recheada de empresários, e um sindicato, usando um porta-voz façanhudo, daqueles que ainda gritam "viva o marxismo-leninismo", responsabilizava, noutra televisão, o Presidente da República pela deslocalização de empresas do território nacional.
Ora aqui está matéria para uma semana de debate , mas entre gente interessada em analisar problemas e deixá-los, pelo menos, em equação e não entre cavalheiros dispostos a mostrar-se aos próximos patrões.
Queixou-se o engº. Melancia de que nunca se quis saber, em Portugal, das relações com China e do canal privilegiado que Macau representava para o seu desenvolvimento. Disse mais ainda: que nunca tinha sido perguntado pelo que quer que seja ácerca da China, ele, um conhecedor da realidade chinesa, um homem com uma experiência assente num quotidiano de grande exigência.
Ninguém ouviu o Engº Melancia, assim como ninguém ouviu outro dos muitos governadores de Macau. Em Portugal há sempre um primo, ou o amigo de um primo, ou da namorada do primo, ou a própria namorada - a pessoa ideal a quem perguntar, a quem dar um emprego bem remunerado - sobretudo se não tiver trabalho para fazer.
Sr. Engº Melancia: é um mal da nossa terra. Percebeu se alguma entidade com responsabilidades na gestão das relações de Portugal com África tivesse tido a preocupação de perguntar o que quer que fosse aos milhares de quadros - muitos deles altamente qualificados - que vieram das ex- colónias e aqui tiveram que se instalar.
O que é que se passou com esse "know-how"? Muito dele colocou-se ao serviço do estranheiro e o outro esqueceu o que sabia e habituou-se a ser primo. Os que ainda tinha idade fizeram-se de primos da namorada.
Qual é o conhecimento que Portugal tem hoje das realidades africanas? Muito pouco, porque, entretanto, as namoradas e os primos delas descobriram uns empregos simpáticos, que davam umas viagens aos trópicos, sobretudo no Inverno.
Com estas idiossincrasias não admira que os nossos empresários também não estejam muito interessados em gente com ideias lá nas suas empresas. Assim como assim, eles sabem um pouco de tudo e sempre se vão desenrascando. Mais subsídio, menos subsídio, sempre fogem à exigência dessa gente com ideias que quer alterar tudo e "acompanhar o Mundo... e essas coisas".
E, depois, o Presidente quando viaja sempre leva alguns deles e...sempre há uns programas livres: Por mais que o Presidente fale e explique, não entendem: foram convidados porque são pessoas importantes. Estudar os mercados ? Saber se é possível vender na China? Mas, então isso tem algum jeito? O Estado há-de dar. Se não for o Estado, sempre há Deus, e Braga, a cidade dos Arcebispos, onde se pode rezar a todos os santos.


domingo, janeiro 16, 2005

O Reformado

É espantoso! De repente, como se tivesse acontecido uma novidade, a comunicação social portuguesa fala do caso do Comandante da Polícia, desembargador reformado por uma Junta Médica. Aqui d'El Rei que o homem recebe mais de 5 mil Euros de Reforma e mais não sei quanto e não sei que mais.
E embrulham-se nesta análise meticulosa os mais insígnes jornalisas e não jornalistas da praça, ocupando preciosos espaços dos jornais, das revistas, das televisões, das rádios e, provavelmente, desviando as atenções dos chefes de família das suas mais pesadas responsabilidades para dizerem, pelo menos: ora, o malandro!
É isso, malandro. O sr. desembargador José Manuel Branquinho Lobo, chefe da polícia é uma malandro: primeiro, porque a doença dele não é de carácter psicológico. Ele bebe demais. E, por isso foi reformado. Não trabalha, não aparece no comando da polícia, basta ver o número de horas que a bandeira que assinala a sua presença no comando está hasteada.
O sr. desembargador delegou todas as suas competências num chefe de gabinete - que também é desembargador - e que também faz pouco e que também bebe demais. O comando da polícia trasnformou-se num coio de malandros.
Malandros de classe, porque recebem na messe da polícia toda a grã-finagem da alta sociedade portuguesa: Cavaco Silva, Dias Loureiro, Bagão Felix, etc, etc. - par almoçar e - alguns - charutar.
O resto, aquilo a que a nossa comunicação social resolveu, de repente, dar relevo, já foi falado - e muito - logo no dia da tomada de posse do comandante da PSP. E é legal - ele pode ser reformado e assumir aquelas funções, recebendo o que recebe.
A questão não é essa - a questão é saber se neste país não existe ninguém capaz de assumir aquele posto com alguma dignidade. Enfim, alguma, pelo menos... O problema já se punha quando o sr. desembargador Branquinho Lobo era inspector da Segurança Social. Ele é um santanocopófonico e, por isso, é comandante da PSP. Um dia ainda havemos todos de ter vergonha destas coisas.