Entro numa delegação do Banco que há não sei quantos anos sabe o que ganho o que gasto e, de vez em quando, me faz propostas mais ou menos desonestas. Um rapazinho que aprendeu há dias a usar uma gilette, todo aprumado dentro do seu fato no melhor estilo executivo do tempo, abre-me a porta, afivela um sorriso e enquanto olha a cábula para saber o que fazer com o cheque que lhe deposito em cima do balcão, olha para a porta e abre-a para um outro cliente entrar, mais um gesto e mais um cliente.
No final das operações devidas e enquanto arrumo na carteira os Euros, vou-lhe dizendo: "um dia destes, você e os seus colegas,vão sentir num orifício qualquer um espanador para, enquanto descontam os cheques, dão dinheiro a uns clientes e abrem a porta a outros, aproveitem o tempo para fazer a limpeza da loja".
O senhor fica espantado, mas já não tem tempo para continuar a conversa. Saio a pensar: isto está muito mau, mesmo muito mau. Então, se aquele jovenzinho, que deve ser licenciado para aí em finanças, em enconomia , em gestão, eu sei lá, faz tudo aquilo, o seu índice de produtividade deve ser astronómico...
Como é que os banqueiros, que pagam poucos impostos, que aproveitam todas as oportunidades para nos mexer nos bolsos, andam a reclamar contra a baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, a exigir mais receitas (quer dizer, mais impostos para os outros) e menos despesas no sector social.
Dr. João Salgueiro, vamos ser claros nesta matéria: o senhor e os seus pares estão a abusar da passividade deste pobre povo de brandos costumes. Mas olhe que já há gente com " A Alma quase ingovernável" A Revolta das Palavras
Este é um espaço de opinião assente em convicções e de análise baseada em factos, alguns tornados públicos e credíveis, outros de conhecimento restrito, mas cuja credibilidade asseguramos, por razões de natureza ética e deontológica.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Amilcar Cabral
Faz amanhã, 20 de Janeiro, 32 anos que um tiro ecoou nas planícies guineenses, com um estrondo enorme, se repercutiu nas montanhas cabo-verdianas e acabou por abalar o Mundo. Amilcar Cabral era morto, à frente de sua mulher, Ana Maria e, mesmo a morrer não desistiu de convencer o correligionário assassino do seu erro.
Não foi apenas a morte de um Homem. Foi o assassínio de alguém, que, pela inteligência, pela convicção, pelo carácter, derrotava a teoria de que somos todos iguais. Não é verdade. Amílcar é uma das provas.
E nem sequer vale a pena lembrar o seu enorme contributo para a libertação de uma parte importante de África - qual o destino que, entretanto, seguiu é outra questão e não vem ao caso, até porque se não tivesse sido aquele tiro, provavelmente tudo seria diferente.
Hoje, caminhando por esta cidade com música nos ouvidos para me distrair das coisas medonhas que por aqui se constatam, tive a felicidade de ouvir um dos mais importantes poemas de Amilcar Cabral, nas vozes de Cesária Évora e Caetano Veloso - um associação insuperável, já que à ingenuidade e espontaneidade da Cesária se junta a técnica excepcional, ultrapassada apenas pela emoção que o próprio Caetano coloca na sua interpretação do poema "mamãe Velha".
Mamãe velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
E vibra dentro do meu coração.
Venha, mamãe velha, venha ouvir comigo.
Recobre as forças e chegue ao seu portão.
A chuva amiga já falou mantenha.
E bate dentro do meu coração.
A chuva amiga, mamãe velha,
A chuva que há tanto tempo não batia assim.
Ouvi dizer que a Cidade Velha
E a Ilha toda em poucos dias já virou jardim.
Dizem que o campo se cobriu de verde,
Da cor mais bela que é a cor da esperança,
Que a terra agora é mesmo Cabo Verde
E a tempestade já virou bonança.
Aqui fica a minha homenagem ao homem que se preocupava com a estratégia da guerra, com a política de unidade de um partido-dois estados, que foi capaz de fazer reconhecer o seu Estado, ainda ocupado por tropas coloniais, por mais de oitenta outros. Um homem capaz de tudo isso e de se preocupar com o fundamental, com a chuva "que há tanto tempo não batia assim" e com a alegria das pessoas, da mamãe velha já sem força para chegar ao portão.
Aquele tiro de há 32 anos roubou-nos o prazer do convívio, por mais alguns anos, com um verdadeiro dirigente político, um líder autêntico, capaz de transmitir um sonho à sua gente.
Nos Bastidores de...
Finalmente uma produtora cinematográfica resolveu levar a cabo uma super-produção cinematográfica, contando a história de um verdadeiro herói nacional. Hoje as televisões apresentaram os bastidores de algumas das cenas do emocionante filme, interpretado por António Mexia. O homem a anunciar o futuro - sim, porque a estória conta a história toda, incluindo a dos 16 netos de Nuno Álvares Pereira e a sua caminhada gloriosa até S. Bento, entretanto já liberta dos mouros por Afonso Henriques, ajudado por D. Jorge Nuno Pinto da Costa.
O protagonista foi apresentado a dizer que lá para o ano dois mil e 15 (será?) toda a gente pode ir de Lisboa ao Porto em uma hora e quinze - menos tempo do que um jogo de futebol. Portanto, quem tiver o papel necessário já pode ser sócio do FCP e viver na Amadora.
O interesse do enredo está, de resto, nas suas subtilezas, representadas nesta fala do verdadeiro herói português, quando salientou que tem de haver equilibrio entre o português contribuinte e o português utilizador. Nos bastidores houve quem defendesse uma fala mais directa:"estamos aqui para vender, portanto, quem utiliza, paga - é o princípio do utilizador - pagador".
Estou, todavia, informado que o autor do texto insistiu e ganhou contra tudo e contra todos, contra ventos e marés. Por isso é que os pés de microfone, que se veêm atrás do herói estão tão pouco entusiasmados. Já lhes custa acreditar na históra do D. Nuno, quanto mais nesta de uma ponte e de um comboio áquela velocidade.
Como informação de última hora, crê-se agora que a super-produção pode estar em causa porque os patrocinadores entendem os gastos excessivos para tanta fantasia. Eles também não acreditam.
Que havemos de fazer? Vamos ficar sem a tal superprodução que tanta falta faz à história do nosso cinema - quase toda realizada pelo mestre Manuel Oliveira, produtor, interprete, e realizador de "a história do princípe que batia na mãe", mas se recusava a usar símbolos nazis nas festas que fazia em casa do Duque de Viseu, com a senhora do dito - filme que é o verdadeiro começo da sua carreira.
Com esta descoberta fica também resolvido um dos grandes mistérios do nosso tempo: se a carreira de MO não tem fim, será que teve princípio?
terça-feira, janeiro 18, 2005
Os Tabús de Cavaco Silva
Confesso que nunca percebi muito bem as estratégias do prof. Cavaco Silva. Acho mesmo que ele, há dez anos, foi empurrado para a candidatura à Presidência da República com argumentos ligados ao dever de servir o partido e a Pátria.
Na verdade, não tem vocação para Presidente da República. Um presidente - em Portugal - não manda, não comanda, promulga e, para dissolver a Assembleia da República tem que encontrar um primeiro-ministro igual ao ex-presidente da Figueira.
Ora, essa não é a vocação de Aníbal Cavaco Silva. Ele gosta de mandar, mandar promulgar e comandar. Quanto à Figueira é apenas uma breve recordação na sua vida - foi lá fazer a rodagem de um carro novo.
Apesar de tudo , o prof. é apresentado desde há anos como o candidato natural da direita à Presidência da República. Será ele - afirma-se em tom comicieiro - que cumprirá o grande desígnio de "um assembleia, um governo, um presidente", anunciado noutras idades por Sá Carneiro.
São os outros que o dizem e ele encolhe os ombros. Mais do que isso: já demonstrou de formas claras não querer nada com o PSD. E não é apenas o PSL (SL, de Santana Lopes). Qualquer PSD. Estou fora, vai dizendo. Mesmo que não se possam colocar as aspas, as mensagens são claras. E porque será?
É muito fácil: o prof.dr. Aníbal Cavaco Silva não queria, de facto, concorrer à Presidência das República. Ele queria ser o Presidente da Comissão Executiva da União Europeia e foi traído por Durão Barroso e por todo o PSD.
Este foi um verdadeiro tabú, revelado agora por alguém muito próximo dele e longe da Comunicação Social, geralmente bem informada.
Aqui estão - afinal - as razões de todas as provocações , já que Santana sabe que Cavaco Silva não quer ser candidato - nem agora nem depois, quando ele andar à procura de um senhorio que lhe alugue uma casa com renda a perder de vista.
Na verdade, não tem vocação para Presidente da República. Um presidente - em Portugal - não manda, não comanda, promulga e, para dissolver a Assembleia da República tem que encontrar um primeiro-ministro igual ao ex-presidente da Figueira.
Ora, essa não é a vocação de Aníbal Cavaco Silva. Ele gosta de mandar, mandar promulgar e comandar. Quanto à Figueira é apenas uma breve recordação na sua vida - foi lá fazer a rodagem de um carro novo.
Apesar de tudo , o prof. é apresentado desde há anos como o candidato natural da direita à Presidência da República. Será ele - afirma-se em tom comicieiro - que cumprirá o grande desígnio de "um assembleia, um governo, um presidente", anunciado noutras idades por Sá Carneiro.
São os outros que o dizem e ele encolhe os ombros. Mais do que isso: já demonstrou de formas claras não querer nada com o PSD. E não é apenas o PSL (SL, de Santana Lopes). Qualquer PSD. Estou fora, vai dizendo. Mesmo que não se possam colocar as aspas, as mensagens são claras. E porque será?
É muito fácil: o prof.dr. Aníbal Cavaco Silva não queria, de facto, concorrer à Presidência das República. Ele queria ser o Presidente da Comissão Executiva da União Europeia e foi traído por Durão Barroso e por todo o PSD.
Este foi um verdadeiro tabú, revelado agora por alguém muito próximo dele e longe da Comunicação Social, geralmente bem informada.
Aqui estão - afinal - as razões de todas as provocações , já que Santana sabe que Cavaco Silva não quer ser candidato - nem agora nem depois, quando ele andar à procura de um senhorio que lhe alugue uma casa com renda a perder de vista.
O País dos Primos
Não sei como, um dia destes, uma das televisões portuguesas abriu a antena para o Engº. Melancia, ex-governador de Macau, falar sobre a questão ingente das relações comerciais entre Portugal e a China. Isto, ao mesmo tempo que Jorge Sampaio, viajava para o Império do Oriente, acompanhado de uma comitiva recheada de empresários, e um sindicato, usando um porta-voz façanhudo, daqueles que ainda gritam "viva o marxismo-leninismo", responsabilizava, noutra televisão, o Presidente da República pela deslocalização de empresas do território nacional.
Ora aqui está matéria para uma semana de debate , mas entre gente interessada em analisar problemas e deixá-los, pelo menos, em equação e não entre cavalheiros dispostos a mostrar-se aos próximos patrões.
Queixou-se o engº. Melancia de que nunca se quis saber, em Portugal, das relações com China e do canal privilegiado que Macau representava para o seu desenvolvimento. Disse mais ainda: que nunca tinha sido perguntado pelo que quer que seja ácerca da China, ele, um conhecedor da realidade chinesa, um homem com uma experiência assente num quotidiano de grande exigência.
Ninguém ouviu o Engº Melancia, assim como ninguém ouviu outro dos muitos governadores de Macau. Em Portugal há sempre um primo, ou o amigo de um primo, ou da namorada do primo, ou a própria namorada - a pessoa ideal a quem perguntar, a quem dar um emprego bem remunerado - sobretudo se não tiver trabalho para fazer.
Sr. Engº Melancia: é um mal da nossa terra. Percebeu se alguma entidade com responsabilidades na gestão das relações de Portugal com África tivesse tido a preocupação de perguntar o que quer que fosse aos milhares de quadros - muitos deles altamente qualificados - que vieram das ex- colónias e aqui tiveram que se instalar.
O que é que se passou com esse "know-how"? Muito dele colocou-se ao serviço do estranheiro e o outro esqueceu o que sabia e habituou-se a ser primo. Os que ainda tinha idade fizeram-se de primos da namorada.
Qual é o conhecimento que Portugal tem hoje das realidades africanas? Muito pouco, porque, entretanto, as namoradas e os primos delas descobriram uns empregos simpáticos, que davam umas viagens aos trópicos, sobretudo no Inverno.
Com estas idiossincrasias não admira que os nossos empresários também não estejam muito interessados em gente com ideias lá nas suas empresas. Assim como assim, eles sabem um pouco de tudo e sempre se vão desenrascando. Mais subsídio, menos subsídio, sempre fogem à exigência dessa gente com ideias que quer alterar tudo e "acompanhar o Mundo... e essas coisas".
E, depois, o Presidente quando viaja sempre leva alguns deles e...sempre há uns programas livres: Por mais que o Presidente fale e explique, não entendem: foram convidados porque são pessoas importantes. Estudar os mercados ? Saber se é possível vender na China? Mas, então isso tem algum jeito? O Estado há-de dar. Se não for o Estado, sempre há Deus, e Braga, a cidade dos Arcebispos, onde se pode rezar a todos os santos.
domingo, janeiro 16, 2005
O Reformado
É espantoso! De repente, como se tivesse acontecido uma novidade, a comunicação social portuguesa fala do caso do Comandante da Polícia, desembargador reformado por uma Junta Médica. Aqui d'El Rei que o homem recebe mais de 5 mil Euros de Reforma e mais não sei quanto e não sei que mais.
E embrulham-se nesta análise meticulosa os mais insígnes jornalisas e não jornalistas da praça, ocupando preciosos espaços dos jornais, das revistas, das televisões, das rádios e, provavelmente, desviando as atenções dos chefes de família das suas mais pesadas responsabilidades para dizerem, pelo menos: ora, o malandro!
É isso, malandro. O sr. desembargador José Manuel Branquinho Lobo, chefe da polícia é uma malandro: primeiro, porque a doença dele não é de carácter psicológico. Ele bebe demais. E, por isso foi reformado. Não trabalha, não aparece no comando da polícia, basta ver o número de horas que a bandeira que assinala a sua presença no comando está hasteada.
O sr. desembargador delegou todas as suas competências num chefe de gabinete - que também é desembargador - e que também faz pouco e que também bebe demais. O comando da polícia trasnformou-se num coio de malandros.
Malandros de classe, porque recebem na messe da polícia toda a grã-finagem da alta sociedade portuguesa: Cavaco Silva, Dias Loureiro, Bagão Felix, etc, etc. - par almoçar e - alguns - charutar.
O resto, aquilo a que a nossa comunicação social resolveu, de repente, dar relevo, já foi falado - e muito - logo no dia da tomada de posse do comandante da PSP. E é legal - ele pode ser reformado e assumir aquelas funções, recebendo o que recebe.
A questão não é essa - a questão é saber se neste país não existe ninguém capaz de assumir aquele posto com alguma dignidade. Enfim, alguma, pelo menos... O problema já se punha quando o sr. desembargador Branquinho Lobo era inspector da Segurança Social. Ele é um santanocopófonico e, por isso, é comandante da PSP. Um dia ainda havemos todos de ter vergonha destas coisas.
sexta-feira, janeiro 14, 2005
CTT - SALÁRIOS DOS AMIGOS
O que está a contecer nos CTT pode(?) ou deve(?) ser considerado crime público? A Procuradoria Geral da República tem que ser solicitada a intervir ou pode e deve fazê-lo por iniciativa própria, face a evidências públicas de gestão danosa de património público?
São muitas interrogações - mas são as que me assaltam face às informações que vão sendo confirmadas e segundo as quais, o actual conselho de administração dos CTT está a desbaratar, a esbanjar, a grande oportunidadade que teve para reforçar, nos últimos dois anos, um empresa de referência em Portugal e até na Europa.
Os CTT estão a receber do Estado entre 120 e 130 milhões de Euros por ano, graças à transferência do seu fundo de pensões para a Caixa Geral de Aposentações, feita por Manuel Ferreira Leite . Por essa transferência, os CTT deixaram de transferir aquelas quantias e, em contrapartida não tiveram, sequer que alienar património.
E o que faz o CA dos CTT com este presente caído do céu. A maior parte da sua actuação é pública: publicidade a rodos - o que permite ao seu presidente aparecer em constantes entrevistas nos jornais -, mudanças de imagem com custos exorbitantes e aumentos salariais extraordinários para os amigos, numa altura em que o país está quase negociar um lugar de pedinte na esquina de um maremoto.
Vejamos: quando este CA entrou em funções, as chamadas primeiras linhas da empresa auferiam mensalmente uma média de 5.000 Euros. Os que as ocupavam foram atirados para as prateleiras e foram substituídos por amigos dos novos "patrões", com vencimentos aumentados para mais de 6.000 Euros.
Em simultâneo foram sendo admitidos através de empresas privadas jovenss quadros, sem concursos, sem coisa nenhuma, apenas com o cartão do PSD ou com a simpatia do presidente.
No final deste ano, as actuais primeiras linhas foram aumentadas entre 33 por cento e 6 por cento. O nome mais falado deste aumento, até pela história da sua passagem pelos CTT e pela GALP é António José Cunha, que ganha agora, por mês, 8.746,10 Euros e está associado ao presidente nas grandes operações de marketing, publicidade e comunicação.
Da lista, apenas quatro dos directores foram aumentados entre 6 e 8 por cento. E são os que não amigos do presidente.
Mas há mais e pior: foram contratados no exterior 20 novos responsáveis, com contratos confidenciais, que não vão sequer aos Recusros Humanos da empresa e que contêm clausulas de indemnização substanciais, a prever já que uma próxima administração tenha que fazer umna limpeza da casa.
Ora aqui está um belíssimo objectivo de investigação para um dos inúmeros jornais económicos que existem em Portugal e que, na grande generalidade, ocupam o seu precioso espaço a falar dos baixos índices de produtividade dos trabalhadores portugueses. Esqueçam a publicidade e investiguem.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
Procura-se Instabilidade
Em"Recursos Humanos", pag. 75 da Revista "Prémio", na sua edição de 24 de Dezembro de 2004 (belo dia para tal texto) está um resumo de algumas preciosas afirmações de alguns preciosos administradores executivos da nossa praça, produzidas durante um debate organizado pela preciosa "Portuguese American Post Graduate Society( PAPS).
O jornalista dá destaque a dois dos administradores presentes: Paulo Fernandes, da PT, e Rui Horta e Costa da EDP.
Mas, vamos às tais declarações:
Diz Paulo Fernandes, um ex-consultor de uma das empresas que foi dando papéis de reestruturação à PT: «No Grupo PT ainda existem muitos "gonçalvistas". Pessoas pouco ambiciosas e que foram educadas num clima de pós 25 de Abril em que o importante era manter o emprego, mesmo que a ganhar pouco».
A esta pérola, o barão da EDP acrescenta: «os trabalhadores têm de ter alguma coisa a perder. Saber punir é muito mais difícil que saber premiar. E os portugueses têm que se habituar a ser despedidos quando os objectivos não são cumpridos".
Ficamos agora a perceber porque é que algumas empresas em Portugal, em vez de directores de recursos humanos, têm "cangalheiros"...
Ficamos também a saber o que é que o patronato quer dizer com flexibilidade, que é, aliás, o título do tal texto "Procura-se flexibilidade". Qual flexibilidade?Instabilidade é que é, oh! senhor Nuno Abrantes Ferreira - o homem que assina o trabalhinho.
Trabalhinho imcompleto porque poderia ter perguntado áqueles preciosos administradores quanto ganham eles, quais os montante dos auto-prémios pelo cumprimento dos objectivos conseguido no esforço dos tais trabalhadores que devem" perder alguma coisa" e "habituar-se a ser despedidos".
E já agora, sr. Abrantes Ferreira - seja lá quem for - porque não lhes perguntou o que devem eles perder pelos gastos excessivos em mordomias - deles e dos colegas de administração , em despesas de representação, em viagens sumptuosas; pelos ganhos( para eles e para os amigos)conseguidos em negócios com os recursos das empresas que dizem administrar.
Por último, sr. Ferreira, deveria ter-lhes perguntado por que méritos especiais são eles administradores executivos das duas empresas ex-públicas mais importantes do país e que mantêm os preços dos seus produtos no mais alto nível da Europa.
E já agora, sr NAF, mude lá o título do próximo texto que escrever sobre a matéria - lute contra a porcaria do recibo verde que, de certeza, assina no final do mês para lhe pagarem uma porcaria de uma remuneracãozita.
PS. O Sr. Nuno Abrantes Ferreira poderia, inclusivé, no seu texto, e a propósito da PAPS, lembrar aos srs. administradores que os seus congéneres americanos assinam um termo de responsabilidade em que assumem, pessoalmente, as consequências dos seus actos ao serviço das respectivas empresas, incluindo actos de má gestão, prejuizos, etc. Por cá, as empresas apresentem os números que apresentarem os srs. administradores só têm direito aos prémios, que, de resto, vão "cobrando" ao longo do ano.
O jornalista dá destaque a dois dos administradores presentes: Paulo Fernandes, da PT, e Rui Horta e Costa da EDP.
Já sabía que a família do barão se tinha multiplicado pela PT, a ponto de, supostamente, haver nos Recursos Humanos um departamento exclusivo da família Horta e Costa, se tinha estendido aos CTT, mas desconhecia que o baronato já tinha existência na EDP.
Mas, vamos às tais declarações:
Diz Paulo Fernandes, um ex-consultor de uma das empresas que foi dando papéis de reestruturação à PT: «No Grupo PT ainda existem muitos "gonçalvistas". Pessoas pouco ambiciosas e que foram educadas num clima de pós 25 de Abril em que o importante era manter o emprego, mesmo que a ganhar pouco».
A esta pérola, o barão da EDP acrescenta: «os trabalhadores têm de ter alguma coisa a perder. Saber punir é muito mais difícil que saber premiar. E os portugueses têm que se habituar a ser despedidos quando os objectivos não são cumpridos".
Ficamos agora a perceber porque é que algumas empresas em Portugal, em vez de directores de recursos humanos, têm "cangalheiros"...
Ficamos também a saber o que é que o patronato quer dizer com flexibilidade, que é, aliás, o título do tal texto "Procura-se flexibilidade". Qual flexibilidade?Instabilidade é que é, oh! senhor Nuno Abrantes Ferreira - o homem que assina o trabalhinho.
Trabalhinho imcompleto porque poderia ter perguntado áqueles preciosos administradores quanto ganham eles, quais os montante dos auto-prémios pelo cumprimento dos objectivos conseguido no esforço dos tais trabalhadores que devem" perder alguma coisa" e "habituar-se a ser despedidos".
E já agora, sr. Abrantes Ferreira - seja lá quem for - porque não lhes perguntou o que devem eles perder pelos gastos excessivos em mordomias - deles e dos colegas de administração , em despesas de representação, em viagens sumptuosas; pelos ganhos( para eles e para os amigos)conseguidos em negócios com os recursos das empresas que dizem administrar.
Por último, sr. Ferreira, deveria ter-lhes perguntado por que méritos especiais são eles administradores executivos das duas empresas ex-públicas mais importantes do país e que mantêm os preços dos seus produtos no mais alto nível da Europa.
E já agora, sr NAF, mude lá o título do próximo texto que escrever sobre a matéria - lute contra a porcaria do recibo verde que, de certeza, assina no final do mês para lhe pagarem uma porcaria de uma remuneracãozita.
PS. O Sr. Nuno Abrantes Ferreira poderia, inclusivé, no seu texto, e a propósito da PAPS, lembrar aos srs. administradores que os seus congéneres americanos assinam um termo de responsabilidade em que assumem, pessoalmente, as consequências dos seus actos ao serviço das respectivas empresas, incluindo actos de má gestão, prejuizos, etc. Por cá, as empresas apresentem os números que apresentarem os srs. administradores só têm direito aos prémios, que, de resto, vão "cobrando" ao longo do ano.
Misoginia Dominante
Na sua crónica do último domingo, Ana Sá Lopes , de quem sou leitor assíduo, fala da "misoginia dominante" na política nacional. E o que lá está está tudo certo. Todavia, também falta muita coisa. Suponho que a regra dos dois mil caracteres não a deixou ir mais longe.
É que a misoginia execrável que nos vai governando não existe apenas na política. Quantas mulheres existem nos conselhos de administração das grandes empresas, privadas semi-privadas, com golden shares estatais ? Quantas mulheres dirigem jornais, não especificamente femininos, em Portugal, apesar, de , como diz Ana Sá Lopes, as mulheres terem vencido as barreiras das redacções dos jornais?
É que a misoginia execrável que nos vai governando não existe apenas na política. Quantas mulheres existem nos conselhos de administração das grandes empresas, privadas semi-privadas, com golden shares estatais ? Quantas mulheres dirigem jornais, não especificamente femininos, em Portugal, apesar, de , como diz Ana Sá Lopes, as mulheres terem vencido as barreiras das redacções dos jornais?
Quantas mulheres saltaram nas redacções dos jornais em defesa de outras mulheres, nomeadamente políticas, sistematicamente perseguidas pela comunicação social por causa por das suas relações pessoais ? Mesmo nos casos em que a perseguição para além de um miserável sentimento misogino revelava outros, de natureza racista?
É que a misoginia não é uma atitude exclusiva dos homens. É uma condição cultural que também define as mulheres portuguesas e nos conduz a uma sociedade cada vez mais masculina, apesar de "elas" serem em maior número nas Faculdades, nas Empresas, na Administração Pública, etc. E não só mais - mais qualificadas.
As mulheres continuam a achar natural que elas próprias sejam criticadas e até excluídas porque, para além de competentes do ponto de vista técnico e mesmo político, têm os sentidos despertos, enquanto os homens continuam a ser medalhados - nem que seja pelo olhar extasiado de admiração - pela capacidade de derrubar saia atrás de saia, uma capacidade que pode constituir atributo exclusivo para chegar a primeiro-ministro.
São elas que conjugam o poder no masculino. São elas que aceitam as reuniões de horas e horas dos chamados homens importantes, dos poderosos, para quem o poder é uma dádiva divina - pertence-lhes por direito natural. Elas sabem que aquelas reuniões servem de pouco, representam apenas um dos rituais do poder masculino, que não têm outro tipo de preocupações.
Elas sabem que eles sabem que as questões familiares, com os filhos, com o canalizador, com o electricista, com as compras, as refeições, a atenção aos amigos, tudo, são resolvidas por elas.
Elas sabem que eles sabem que a família já não existe, mas eles continuam a fazer de conta (outro dos rituais masculinos...).
Elas sabem tudo isso. E a maior parte faz o quê? Aceita e imita os gestos, as atitudes, copia comportamentos. O resultado desta misoginia dominante será que um dia vamos ter uma sociedade culturalmente masculina, sem o conhecimento feminino da realidade e a consequente capacidade para resolver os problemas inerentes, uma sociedade apenas com os rituais masculinos, com feminilidades artificiais e com pouco sentido.
Enquanto existem esta capacidade e esta lógica de vida feminina é que deveriamos tentar a conjugação do poder no feminino. E nem lhes falta legitimidade, já que elas são o esteio da vida concreta.
Como é que se chega lá ? Não sei. Mas, a imitação não é, seguramente, o melhor caminho.
As Viagens
A viagem de Morais Sarmento a S. Tomé e Príncipe ( e não apenas S. Tomé como toda a comunicação social portuguesa repete) continua a fazer correr tinta. Ouvem-se as mais disparatadas observações. De resto, as viagens dos governantes sempre foram objecto da crítica de toda a gente - porque toda a gente gostaria de ir a alguns sítios onde eles (os governantes )vão ou foram. E não é só em Portugal. Todo o Mundo critica. Coitado do Presidente Lula no Brasil.
Aceite-se que esta viagem teve alguns exageros - ela mesma, pela oportunidade , pelo objecto, pelos gastos e pelas críticas que lhe foram feitas. Parecia um bando de mabecos a perseguir um deles, ferido numa pata...
Por isso, os jornais, as rádios e as trelevisões e as oposições, que agora andam tão atentas, estão a deixar passar uma outra viagem, essa sim uma verdadeira afronta.
Eu explico: a propósito dos 25 anos do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o seu conselho directivo convida qualquer coisa como cerca de 12.000 (doze mil) pessoas para uma missa, um almoço e uma sessão solene em Coimbra, no próximo dia 29 de Janeiro.
O aniversário ocorreu a 29 de Dezembro e a direccção IEFP convida todos os colaboradores da instituição, que - supõe-se - deve estar a passar uma grave crise financeira, para uma viagem paga a eles e mais aos acompanhantes declarados até 18 de Janeiro.
Isto é que vai ser uma missa! As viagens estão asseguradas com partidas de todas as delegações regionais e da sede nacional, em Lisboa.
Coma falatde padres que há, ainda vamos ver algumas mulheres a rezar missa em Coimbra.
Direitos do Consumidor
Estrada fora, a ouvir a minha música, isto é, a música que eu escolhi, sem me sujeitar às encomendas das editoras, que continuam a matraquear os portugueses com a mais descarada música pimba anglosaxónica e, de repente - porque eu autorizei - entra-me uma estação de rádio no sistema audio do automóvel, para me dar informações de trânsito.
Tudo certo.
Apenas um senão: quando accionei o mecanismo do meu auto-rádio que me permite saber como vai o trânsito, não autorizei mais nada. Não quero saber quem patrocina a informação, que porcarias está a oferecer em troca de não seio o quê; e também não quero saber o que é que a emissora vai trasnmitir a seguir.
Tudo certo.
Apenas um senão: quando accionei o mecanismo do meu auto-rádio que me permite saber como vai o trânsito, não autorizei mais nada. Não quero saber quem patrocina a informação, que porcarias está a oferecer em troca de não seio o quê; e também não quero saber o que é que a emissora vai trasnmitir a seguir.
A todas as horas os meus direitos estão a ser agredidos, a minha privacidade, violada. E o que fazem as organizações que se dizem defensoras dos consumidores? Publicam revistas, onde é possível vislumbrar informação não completamente isenta, projectam a imagem dos seus líderes, instalam-se como verdadeiras instituições de exploração da credibilidade dos otários que somos todos nós- os consumidores.
Não quero ouvir publicidade no meu auto-rádio. Já desliguei. Ponto final
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Carlos Magno
Conhece toda a gente, entende todos, percebe as atitudes, recomenda roturas, faz citações eruditas - é ele, o Carlos Magno, em todo o seu esplendor.
Ouço-o colocar em dúvida a candidatura de M. Sarmento por (pergunta à bengala do outro lado...em Lisboa: por que círculo?...)
Isso mesmo, Castelo Branco. E fica satisfeito, porque, se por um lado, compreendeu a atitude do sr. ministro ("conhecendo-o como conheço, não esperaria outra coisa..."), por outro, lançou uma dúvida intrigante: será que vamos ter "o combate SarmentoXSócrates em Castelo Branco?".
Ouço-o colocar em dúvida a candidatura de M. Sarmento por (pergunta à bengala do outro lado...em Lisboa: por que círculo?...)
Isso mesmo, Castelo Branco. E fica satisfeito, porque, se por um lado, compreendeu a atitude do sr. ministro ("conhecendo-o como conheço, não esperaria outra coisa..."), por outro, lançou uma dúvida intrigante: será que vamos ter "o combate SarmentoXSócrates em Castelo Branco?".
É esta habilidade que faz do Carlos Magno o concorrente mais sério ao prémio "Rolha das últimas duas décadas". É nestas épocas de transição que todas as suas qualidades de "comentador político" se notam. Dá até para pensar que as botas de sete léguas estão com ele, tal é o desembaraço das suas viagens pelo mundo da crítica. Nunca a bengala jornalística do "por um lado...por outro lado..." se aplicou com tanta propriedade.
Lá vamos ter que o ouvir por mais uma década, pelo menos.
A Ópera do Malandro
O José Nuno Martins que nos tem servido, nos últimos tempos, alguns pedaços de boa Rádio, e que foi atirado para aquele horário de que ninguém gosta, lá vai reaparecer a horas cristãs para nos devolver alguma da alegria que anda arredia de Portugal, segundo um estudo da Reuters - que agora já não se dedica em exclusivo aos números da bolsa. (Está mau, isto dos negócios com números...)
Em bora hora José Nuno volta a um horário decente. Assim terá a oportunidade de explicar a um maior número de portugueses que o espectáculo a trazer a Portugal, chamado "A Ópera do Malandro" é uma das muitas obras primas do Chico Buarque e não uma revista do novíssimo Parque Mayer,escritaa partir das peripécias do ex-presidente da Figueira da Foz, a que se juntou mais um verdadeiro malandro, um ministro de confiança, ex-habitante de S.Tomé, ex-boxeur e que na perspectiva de ver o seu pedido de demissão aceite já tinha mandado fazer novos cartões de visita:
M. SARMENTO, ex-passageiro de Falcon
em viagem de 83.000 Euros
terça-feira, janeiro 11, 2005
Os´´Indices de criminalidade"
Durante anos o deputado Paulo Portas matraqueou os ouvidos do Parlamento e de toda a gente com o crescente índice de criminalidade. Os números saltavam-lhe da garganta como coelhos da cartola de qualquer mágico. Assustava: as senhoras apertavam as carteiras contra o peito, os homens entravam no Metro a apalpar o bolso das calças e toda a gente fechava bem as janelas de toda a casa antes de ir para a cama. Mas, no dia seguinte, lá gritava o então deputado Paulo Portas - às vezes lançava o seu grito nas feiras - :" estamos a ser roubaaaaados!!!!".
Mas, isso foi há alguns anos. Agora, eu já fui à polícia sete vezes para dizer que me assaltaram o carro para roubar o rádio (vejam lá!... um insignificância) e há sempre um agente da ordem, com ar inteligente, que me diz para ter cuidado. Ele quer lá saber que eu pago impostos, que, supostamente, o obrigam a a velar pelos meus bens. Provavelmente, pensa que devo levar o carro para a cama, ou para um daqueles parques de estacionamento que o ex-presidente da Figueira prometeu para Lisboa.
Conheço outras pessoas a quem aconteceram coisas piores, mas não há um deputado como Paulo Portas para gritar: "aqui del-rei!!! que nos roubaaaaam!". Nem agora, que um ministro foi a S. Tomé doar uns gravadores de som, e uns microfones velhos e gastou oitenta e três mil euros. Oh! dr. Paulo Sacadura Cabral Portas, está a perder oportunidades! Mais de oitenta mil euros é um roubo a sério. Para mais num país em crise, em recessão, à beira da falência...
"Para Elisa"
No começo chamava-se LUNA. Depois, os probelmas habituais, os costumados protestos e (não sei se chegou aí) os abaixo-assinados, houve um tubarão que comprou. O actual ministro-demissionário (felizmente) do ambiente ( não sei bem como ele se chama) juntou a Luna à sua colecção de Rádios. Já se chamou Clássica e agora chama-se classe 96. Falo de uma estação de Rádio que transmite música sem berros, a partir do Montijo, sem amplificadores de má qualidade e que está a descobrir algumas coisas simpáticas, sem eliminar o básico (aquele vestidinho preto...).
Entre o básico está o "Fur Elise"... que repetem...repetem...repetem. Alguma jovem descobriu que gosta daqueles acordes, tão harminosos, que lhe despertam a Juventude. Não sei se quem controla o computador é um ou uma jovem, mas tem uma jovem metida nisso, porque aquela canção foi escrita para uma mulher de olhos negros e de olhar alegre, na força da vida, a querer descobrir o que existia para além dela. Beethoven era mais para os olhos claros, mas a verdade é que também era surdo e escreveu a música qu escreveu.
Entre o básico está o "Fur Elise"... que repetem...repetem...repetem. Alguma jovem descobriu que gosta daqueles acordes, tão harminosos, que lhe despertam a Juventude. Não sei se quem controla o computador é um ou uma jovem, mas tem uma jovem metida nisso, porque aquela canção foi escrita para uma mulher de olhos negros e de olhar alegre, na força da vida, a querer descobrir o que existia para além dela. Beethoven era mais para os olhos claros, mas a verdade é que também era surdo e escreveu a música qu escreveu.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Domingo - Vieira da Silva
Um friozinho cortante, dia cinzento, nem os pardais do Jardim das Amoreiras se atrevem ao saltitar constante do saibro para a relva e refugiam-se nos beirais. Museu da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva e a surpresa de salas cheias para ver a exposição " Vieira da Silva Nas Colecções Internacionais - Em Busca do Essencial".
O conforto inexplicável de um diálogo que nunca acaba porque se descobre um novo quadro, e no mesmo quadro um outro traço, uma outra tonalidade e o génio de uma cabeça que esteve sempre à frente do seu e do nosso tempo. Helena Vieira da Silva tranquiliza-me no desassossego da certeza das respostas que dá e das interrogações que me sugere.
À saída do Museu - ainda com muita gente a entrar - descobri no Jardim das Amoreiras uma verdadeira floresta de encantamentos.
PS. - A Exposição encerra apenas a 30 de Janeiro.
O conforto inexplicável de um diálogo que nunca acaba porque se descobre um novo quadro, e no mesmo quadro um outro traço, uma outra tonalidade e o génio de uma cabeça que esteve sempre à frente do seu e do nosso tempo. Helena Vieira da Silva tranquiliza-me no desassossego da certeza das respostas que dá e das interrogações que me sugere.
À saída do Museu - ainda com muita gente a entrar - descobri no Jardim das Amoreiras uma verdadeira floresta de encantamentos.
PS. - A Exposição encerra apenas a 30 de Janeiro.
Domingo - Entrevista de Miguel Cadilhe
Este "homem do Norte" justifica a minha desconfiança relativamente à chamada "renovação das listas" assente em critérios de idade.
Aqui está um homem do país cuja experiência e sabedoria têm que ser úteis. Não se lhe pode atribuir a condição de "senador", sem Senado.
As suas preocupações políticas servem para mobilizar a economia ao serviço de projectos integrados numa realidade social que não pode ser analisada à luz das concepções europeias ou americanas dos consultores, com pós-graduações feitas em Universidades célebres e que, aos poucos, vão tomando conta dos executivos importantes, quer nas empresas, quer nos governos.
Aqui está um homem do país cuja experiência e sabedoria têm que ser úteis. Não se lhe pode atribuir a condição de "senador", sem Senado.
As suas preocupações políticas servem para mobilizar a economia ao serviço de projectos integrados numa realidade social que não pode ser analisada à luz das concepções europeias ou americanas dos consultores, com pós-graduações feitas em Universidades célebres e que, aos poucos, vão tomando conta dos executivos importantes, quer nas empresas, quer nos governos.
Portugal é um país concreto, com necessidades, qualidades e defeitos concretos. Não é uma abstracção e para o entender não basta um grande curriculum, obtido na frequência sucessiva de universidades cotadas. São precisas experiência e sabedoria.
Excluir deste processo de entendimento gente só porque já não suscita a admiração pela juventude, é condenar o país aos sobressaltos de experiências sempre interrompidas. É perda de tempo.
Sábado - Sondagens
As sondagens são o outro lado das cartomantes. A última que veio a público parece de uma bruxa má. Se os resultados das eleições se aproximarem daqueles números: um terço dos portugueses a querer continuar o actual estado de coisas, com mais seis ponto não sei quantos a deixar-se convencer pelo discurso das feiras, vou perguntar onde se pede a demissão desta Federação.
É que a política em Portugal faz lembrar uma disputa entre Sporting e Benfica: sejam quais forem os resultados ninguém abdica da simpatia clubista e das acusações ao árbitro.
sábado, janeiro 08, 2005
A estória da minha ida ao futebol
Amanhã, dia 8 de Janeiro, o país vai vibrar com mais um jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica. Velha tradição a que se chamam os mais variados nomes: "clássico", "derby", "campeonato na segunda circular", eu sei lá mais quantas coisas, inventadas pela imaginação sempre muito fértil dos jornalistas desportivos. Lembro-me de um com uma imaginação tão brilhante que acabou confidente do director nacional da PJ.
Eu não vou ao estádio Alvalade XXI. Até talvez pudesse ir, mas tenho as minhas razões para não ir. É uma pequena história: no último dia 4 de Janeiro, disputava-se um jogo de futebol de pequeno cartaz naquele estádio, que eu ainda não tinha visto. Também por outras razões que não vêm ao caso, mas porque pensei ser aquele um jogo de pouco cartel e, portanto, com pouca gente, seria a oportunidade ideal.
Cheguei ao local das bilheteiras para comprar bilhete com meia hora de antecedência. Havia tanta gente que tive vontade de desistir - palavrinha difícil esta!... - e lá estive o tempo necessário para obter o rectângulo de papel que me deu direito, primeiro, a ser apalpado, e depois, a entrar no Estádio. Estava a primeira parte do jogo a acabar.
Enquanto esperava que o pobre jogo recomeçasse fui matutanto nesta desgraça portuguesa da desorganização. Dantes, os estádios eram incómodos, frios, estavam à chuva e tantas outras coisas. Agora, o espaço é mais acolhedor, não se corre o risco de uma gripe se começar a chover, tem tudo um ar limpo.
Tudo muito bem. E os clientes? Deixam-se uma hora e meia à espera para ver o espetáculo!
Fazemos tantas vezes lembrar um país do terceiro mundo que começo a pensar na hipótese de não ser só piada. Estas falhas são uma questão de organização. A estrutura está lá: bonita, acolhedora, funcional -construída apenas para o futebol, mas está lá.
Iniciou-se a segunda parte do pobre jogo e os meus pobres tímpanos começaram a ser agredidos por sons estranhos: tambores e gritos amplificados por sistemas de som de má qualidade. Uma mistura que resultava num espectáculo horroroso, grotesco, que alguns espectadores, nas bancadas de topo acompanhavam com saltos simiescos e gestos descabidos.
Tudo isto, sem aparente justificação, porque na relva bem cuidada o pobre jogo continuava sem grandes primores técnicos.
Já há muito tempo que não ia ao futebol ao vivo - tenho-o preferido na televisão -. E com razão: pensei. Então perco eu alguma do meu tempo em deslocações, em esperas e depois, para além de um jogo mau, ainda tenho que assitir aquele espectáculo escabroso!
São as claques organizadas - dizem-me depois.
Eu não vou ao estádio Alvalade XXI. Até talvez pudesse ir, mas tenho as minhas razões para não ir. É uma pequena história: no último dia 4 de Janeiro, disputava-se um jogo de futebol de pequeno cartaz naquele estádio, que eu ainda não tinha visto. Também por outras razões que não vêm ao caso, mas porque pensei ser aquele um jogo de pouco cartel e, portanto, com pouca gente, seria a oportunidade ideal.
Cheguei ao local das bilheteiras para comprar bilhete com meia hora de antecedência. Havia tanta gente que tive vontade de desistir - palavrinha difícil esta!... - e lá estive o tempo necessário para obter o rectângulo de papel que me deu direito, primeiro, a ser apalpado, e depois, a entrar no Estádio. Estava a primeira parte do jogo a acabar.
Enquanto esperava que o pobre jogo recomeçasse fui matutanto nesta desgraça portuguesa da desorganização. Dantes, os estádios eram incómodos, frios, estavam à chuva e tantas outras coisas. Agora, o espaço é mais acolhedor, não se corre o risco de uma gripe se começar a chover, tem tudo um ar limpo.
Tudo muito bem. E os clientes? Deixam-se uma hora e meia à espera para ver o espetáculo!
Fazemos tantas vezes lembrar um país do terceiro mundo que começo a pensar na hipótese de não ser só piada. Estas falhas são uma questão de organização. A estrutura está lá: bonita, acolhedora, funcional -construída apenas para o futebol, mas está lá.
Iniciou-se a segunda parte do pobre jogo e os meus pobres tímpanos começaram a ser agredidos por sons estranhos: tambores e gritos amplificados por sistemas de som de má qualidade. Uma mistura que resultava num espectáculo horroroso, grotesco, que alguns espectadores, nas bancadas de topo acompanhavam com saltos simiescos e gestos descabidos.
Tudo isto, sem aparente justificação, porque na relva bem cuidada o pobre jogo continuava sem grandes primores técnicos.
Já há muito tempo que não ia ao futebol ao vivo - tenho-o preferido na televisão -. E com razão: pensei. Então perco eu alguma do meu tempo em deslocações, em esperas e depois, para além de um jogo mau, ainda tenho que assitir aquele espectáculo escabroso!
São as claques organizadas - dizem-me depois.
E são permitidas ? pergunto eu. Não só permitidas, estimuladas. Volto para casa a pensar que, para além de mal organizados no trabalho continuamos a ser mal organizados no lazer. Como é que eu algum dia convenceria a família a ir ao futebol comigo? A minha paixão pelo futebol seria definitivamente deitada no cesto das aberrações. Agora, já tenho que desligar o som por causa das crianças.Não vão elas aprender aquele linguajar dos jornalistas e comentadores futebolísticos, "aqueles que..."
sexta-feira, janeiro 07, 2005
As Listas
Os Partidos concorrentes às próximas eleições antecipadas têm vindo a divulgar as suas listas de deputados, mas o que os nossos jornais nos relatam não são as listas mas as opiniões que alguns dos jornalistas e não jornalistas (mais estes do que aqueles ) têm acerca das pessoas cujos nomes são divulgados.
Há até casos curiosos de directores de jornais - é o caso do JM Fernandes, que está agora menos gordo como diria o saudoso Mário Castrim - que se atiram "que nem gato a bofe" às listas do PS só porque, claramente, não gosta do partido nem de alguns dos nomes. Nota-se, de resto, que lhe parecendo não conseguir evitar a derrota do PS, começa já a fazer-lhe oposição - talvez na esperança de que alguns dos seus amigos, como o caso do David Justino, volte à ribalta.
As listas de deputados é claramente uma questão dos Partidos, dos seus dirigentese e quem neles milita. Aos cidadãos, e em particular aos jornalistas, cabe-lhes o principal papel que é o julgamento da actuação dos eleitos.
E, tal como não me parece justo estar a criticar desde já a composição das listas, também não me parece curial estar a louvar com algum frenesim a chamada renovação das listas com o critério da média das idades.
É que uma média de idade baixas entre os políticos significa inexperiência, transição, tudo o que não estamos a precisar neste momento . Nós necessitamos de renovação, mas renovação de qualidade e a juventude é boa, seguramente, para o futebol, não para a política. Já Platão o dizia na sua "República"
Há até casos curiosos de directores de jornais - é o caso do JM Fernandes, que está agora menos gordo como diria o saudoso Mário Castrim - que se atiram "que nem gato a bofe" às listas do PS só porque, claramente, não gosta do partido nem de alguns dos nomes. Nota-se, de resto, que lhe parecendo não conseguir evitar a derrota do PS, começa já a fazer-lhe oposição - talvez na esperança de que alguns dos seus amigos, como o caso do David Justino, volte à ribalta.
As listas de deputados é claramente uma questão dos Partidos, dos seus dirigentese e quem neles milita. Aos cidadãos, e em particular aos jornalistas, cabe-lhes o principal papel que é o julgamento da actuação dos eleitos.
E, tal como não me parece justo estar a criticar desde já a composição das listas, também não me parece curial estar a louvar com algum frenesim a chamada renovação das listas com o critério da média das idades.
É que uma média de idade baixas entre os políticos significa inexperiência, transição, tudo o que não estamos a precisar neste momento . Nós necessitamos de renovação, mas renovação de qualidade e a juventude é boa, seguramente, para o futebol, não para a política. Já Platão o dizia na sua "República"
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