quarta-feira, julho 13, 2005

NASCIDO DO MAR

Não foi no mar. Mas foi do mar que nasceu Portugal. Embora mais crescer que nascer. Mas isso são contas muito complicadas de fazer. De qualquer maneira, mais milímetro-menos milímetro, a dada altura o país ficou aquático. Até teve um império marítimo. E outro terrestre, mas o marítimo é que vem na história. Com marés, maresias e tudo. O Adamastor.
Agora Portugal voltou. Coisas do tempo. Está sempre a mudar a história e resolveu mandar os marinheiros para terra. No mar sobraram poucos, os que carregam petróleo e outra carga. Profissionais sem passado histórico, embora o país, no Oriente, também tenha sido recoveiro.
No entanto os portugueses quando voltaram tinham-se é esquecido de si. Gente hoje de passado sem presente. Como patos fora da água andam aos solavancos, pata-aqui-pata-ali. Gingam como os marinheiros em terra. Suspiram saudades de si porque deixaram de se ser. Até o Atlântico, que foi oceano, já só é praias.
Democracia, mas náutica
Saído do colonialismo a tempo de fechar a porta antes que lha fechassem, acabou com o ultramar. Mas ficou uma democracia marítima, da tanta água restante e da muita fabricada pelos nacionais: os democratas filhos de Salazar, os democratas filhos de Estaline e os democratas a quererem saber o que é isso de democracia.
No meio deles nasceu Alberto João Jardim. O Adalberto da copofonia. O gualberto da broncofonia. O Roberto das macacadas. O Liberto da incivilidade. O Florberto da grosseria. O Herberto não, por respeito ao Herberto Helder. Antes o Felisberto da monomania.
Da mania que é o dono dfa Madeira. Aprendeu que era como os patos em terra.
Lembram-se da FLAMA, ou lá o que era esse movimento dito de libertação? Lembram-se do medo de que os Estados Unidos apoiassem a independência da Madeira?
Esses sustos apanhados pelos democratas feitos à pressa que eram todos os portugueses ( quem não era?) foi a lição onde Floriberto se percebeu. Depois foi andando, andando na javardice até chegar aos gritos de filhos da puta. Porque o português não dá para mais.
Se desse, com a certeza que tem da cobardia de presidentes disto-e-daquilo, do partido à república, ele avançava. Portanto, os cínicos que dizem mal dele pelas costas, presidentes disto e daquilo, ministros daquilo e disto, dentro do partido e fora do partido, que não o culpem. Ele não tem culpa de o português ser uma língua pequena para o tão grande homem que é.
Cobardia jornalística
O momento mais importante da recente reunião da Assembleia da República onde o actual pupilo de Sócrates, o Platão possível, defendeu o seu orçamento rectificativo, foi aquele em que Louça apontou para a fuga ao fisco, praticada pelo Banco Totta. Para as quarenta e tal mil mudanças de banco-subterrâneo para banco-mais-subterrâneo que a patriótica instituição bancária fez com o objectivo de prejudicar a pátria. Diria Alberto João Jardim, se não fosse sacristão numa confraria da igreja off-shore, com o objectivo de foder a pátria.
As patrióticas televisões que ouvi focaram Louçã e transmitiram as palavras que disse. Mas passaram por cima do significativo silêncio do ministro perante tão grave acusação. De onde se conclui que ministro e jornalistas se puseram off-shore.
Cobardia jornalísitica II
O outro momento de importância maior foi aquele em que o ministro, réu dum défice orçamental de 6,2, passou a juiz e mostrou ao CDS e PSD que esse défice se encontra precisamente na linha dos défices dos últimos três anos. E anunciou os défices reais das gestões PSD/CDS.
Aqui as televisões omitiram as declarações ministeriais. É um off-shore curioso este da informação isenta. Puseram-se fora ou dentro consoante critérios jornalísticos.
Se culpas pecaminosas houver, são dos critérios não dos jornalistas. Nem dos prejuízos materiais nascidos dos défices fabricados.
A guerra das civilizações
Bush é um homem de sorte. Neto do petróleo e de amizades com descendentes de Maomé, emires petroleiros e coisas assim, foi aquilo a que se chama nascido de rabo virado para a Lua. E continuou assim na tropa, na faculdade, nos negócios em que meteu a pata na poça, nos copos em que a poça ia à pata, até que o elegeram presidente dos EUA. Um escândalo que correu mundo e com que ele pouco se importou. Nem se importa.
Mas à segunda foi eleito, à grande e à francesa. Nem um pio piou. Lá se foi por causa da guerra ou do medo terrorístico dos americanos-do-norte, isso de pouco interessa. A verdade é que foi, e foi mesmo.
Estava agora a perder popularidade. O seu povo, como Tresa Batista, já cansado de guerra, fartou-se da que ele tinha declarado acabada. Mas os seus terroristas de estimação voltaram a ajudar, (dá-lo a ele) com explosões em Londres. Longe dos Estados Unidos, como o excelentíssimo gosta. Daí que, com contida satisfação, o próprio em corpo e alma se assomou às imagens das Tvês a dizer palavras de indignação pela morte de inocentes. Ele que, à sua conta já mandou matar tantos que, a continuar assim, nem o substantivo inocência fica vivo para contar o massacre das inocências.
Um português que pensa
Cansado de ouvir os portugueses perguntar a Sócrates se vai aumentar, ou não, os impostos durante a legislatura, coisa que, a mudar como as coisas andam, ninguém sabe, e mais cansado ainda de sempre isso, todos os dias isso, a grosseria de Jardim já a jardinar por entre a mediocridade dos deputados que temos, quando li no "público", o jornal dos duros da linha Bush (José Manuel Fernandes e Pacheco Pereira), um trabalho de Jorge de Almeida Fernandes. Com cabeça, tronco e membros. A cabeça que às tantas escreveu:
Os americanos estão num atoleiro.
Irónico é que os países europeus estejam crescentemente reféns do Iraque. Recusar um papel na normalização do país é agravar a situação no Médio Oriente e subir exponencialmente os riscos para a sua própria segurança.
Sua. Da Europa e dos europeus, não dos Estados Unidos e dos estadunidenses. Leiam com atenção porque é raro dar com um português a pensar.
Bush e a ciência
A óptica científica não é de precipitações. E rejeita o facilitismo de entrar com adjectivos pela integridade mental de Bush.
Precisa de parar face às hipóteses de trabalho formuladas e exigir que sejam comprovadas. Mesmo quando as coisas parecem claras, como o subdesenvolvimento intelectual do presidente dos Estados Unidos.
Se o senhor sofrer de dismnésia algébrica pode muito bem entender que a mais de centena de milhar de mortos, matados à sua conta durante o exercício do cargo presidencial, é menor que as vítimas do terror fundamentalista acontecido em capitais do Ocidente. Nesta conformidade o homem não é tão selvagem como parece. É dismnésico.
Nome bonito que até lhe fica bem na lapela, ao lado dos emblemas foleiros que usa. Um toque de distinção na saloiada

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