segunda-feira, julho 25, 2005

A MEDIOCRIDADE GENERALIZADA

É o grande mal do mundo, do homem, da vida: a mediocridade. Chega a atingir, quiçá ultrapassar, os limites do inatingível. Não se trata apenas de mera deficiência situada perto da estupidez. Ela é activa e insatisfeita, contagia e baralha, é o caos da inteligência. Convencida de ser o supra-sumo da mesma.
E por ser mal globalizado, tropeça-se nela tanto num parlamento como na praia, tanto a ministrar ciência numa universidade como a comandar exércitos de patriotas a tremer de medo.
Mas não é a essência da pessoa humana. Aparece em todo o lado porque ao homem é dada para viver uma vida mediocrizada. Causa preocupação, porém, pensar-se que é a partir desse caldo de insuficiência que nascerão muitos dos homens de amanhã. O tão desejado homem - novo ninguém sabe o que será, tal como ninguém sabe o que será o futuro deus-novo que esse homem construirá.
Nadamos, portanto na ignorância, de arma na mão a matar inocências: a gente atónita que vive sem saber para quê e morre matada sem saber porquê. No meio da mediocridade que pula e avança como bola colorida nas mãos da abastança.

Marques Mendes

O, hoje, irriquieto periquito do PSD enganou muita gente, e a si também. Não se percebeu que muito do prestígio que conseguiu juntar se deveu ao uso, que pareceria inteligente, do silêncio. Metido no meio de uma salgalhada de araras, a sua meia dúzia de centímetros, de aspecto pensante, quando abria o bico emitia o som da ponderação, da palavra com alguma medida.
Puro engano, a parcimónia no verbo talvez se devesse a falta de banco para chegar ao microfone, ou à ocupação de todo o espaço sonoro por parte das araras. Contudo, chegado a presidente das pássaras, nunca mais se calou. E como tem pouco a dizer, por não saber que dizer, repete, repete-se, repete as araras. Começou log a exigir, talvez nem um mês depois de o governo tomar posse - reformas estruturais, reestruturação da Administração Pública e tarefas daquelas de dar graças a Deus se dentro em poucos anos estiverem acabadas.
Depois virou-se para as araras socialistas, de quem copiou o que elas andaram a dizer, durante seis anos, do governoBarroso/Manuela/M.Mendes. E anda agora pela intriga política a fingir que faz política.
Elevou-se assim, em escassos meses, a exemplo acabado de mediocridade confortavelmente instalada. Em todos os centímetros cúbicos do seu escasso volume.

Tony Blair

Blair, na sua ambição de marcar pessoalmente a história, deu a entender com muita frequência que desempenhava um papel importante ao lado de Bush porque era um elemento moderador da gana imperialista de G.W.B.. Mas por palavras travessas, propósitos sugeridos apenas.
Afinal quem travou o presidente dos Estados Unidos foi a realidade. Mostrou-lhe, no concreto, que o seu país não conseguia suportar, sozinho, duas guerras. Como se gabava.
E pô-lo em aflição, mesmo ajudado, só numa. Afeganistão e Iraque estão como estão e Bush, quando se vir, se se vir, livre delas bem pode agradecer o favor ao seu deus privativo.
De certeza que perdeu a vontade se se meter noutra.
Em consequência do que, ao fim e ao cabo, Blair, em vez de se assumir como agente de moderação acabou num vulgar político de copiação. Copiou de Bush as vontades, de olho no aproveitar-se delas, e , agora, já lhe leva as palavras.
Quando, há dias, convocou o mundo para a luta contra a "ideologia do mal" não fez mais que utilizar a divisão da política e dos políticos em dois eixos: o do bem e o do mal, da autoria do chefe da Casa Branca. Pelo menos divulgados por ele.
E copiou tão bem copiado que não conceptualizou. Palavras à toa, lançadas para produzirem efeito sem dizerem nada. O que é isso de "ideologia do mal"? Quais são elas?
A que pôs bombas em Londres ou a que pôs Bagdad a arder?
Isso do bem e do mal, na boca dos políticos, é fala como a dos vendedores de banha da cobra. Que Bagdad e Londres, salvaguardada a distância entre uma enorme desgraça e uma pequena tragédia, foram obra da cobra - ninguém duvida. Por bem ninguém mata indiscriminadamente. Mas isso são coisas fáceis de explicar - desde que se fale em língua de pessoa, o que não acontece com as cobras nem com a mediocridade, política.
As cobras silvam e a mediocridade esmera-se na arte de fugir à verdade. Ou, se se quiser, na capacidade de silvar mentiras.

Feytor Pinto
É um senhor padre simpático. Talvez também do clube do padre Melícias e tudo. Além de simpático julgo-o de cultura avançada, prelados para quem o tempo de Copérnico e da sua mania de que a Terra não era o centro do universo já lá vai. Até o tempo do criacionismo, o tempo da vida ser criada e não matéria evoluindo, também lá vai.
Agora a ciência já fala, abertamente, na´"árvore da vida", na origem comum de tudo o que vive. E os padres cultos não podem, pelo menos não devem, ser indiferentes ao que a ciência diz.
Sem ninguém me ter encomendado o sermão, ouso avançar com a ideia de que, hoje, o grande problema da Igreja é o de descobrir, no espaço e no tempo, um sítio onde meter Deus na carruagem que carrega a vida há uma infinidade de milhões de anos. Daí que pense que os padres da minha simpatia não são alheios, porque cultos e modernos, à incerteza que a "árvore da vida" levanta. E à hipótese de o Deus que houver morar infinitos quilómetros para trás da Bíblia.
De morar lá longe e de não querer saber do uso de preservativos para nada, nem das outras coisas cá da macacada que somos nós.
Daí a enorme admiração face ao recente esclarecimento de Feytor Pinto acerca do preservativo.
"Preservativos só em situação limite", disse.
Até pareceu um político a falar sem se comprometer:nem-que-sim-mas-antes-pelo-contrário, ou talvez-mas-porém. Todavia, deixou uma enorme dúvida.
O que é isso de situações limite?
No sexo tudo são situações limite. Até porque o própprio sexo, o acto em si, é uma situação limite. O extremo do amor carnal.
Num documentário qualquer, várias moças norteamericanas, desinibidamente ao lado dos respectivos maridos, disseram de seus limites amorosos. E uma delas garantiu que, depois de uma boa sessão de sexo, o que queria era uma grande palmada no rabo. Funcionaria como uma cereja em cima do bolo, mas para ela era, disse, o ponto final. O extremo dos extremos.
Não parece que o preservativo seja útil nessa situação limite.
Segregação Jardínica

Um dos ramos do ramoso jardim de J.J., A declarou, em som para vir nos jornais, que os madeirenses também são segregados, marginalizados e mais coisas dessas - no continente!

Como filho de madeirense, confirmo.

Pelos meus oito anos, passeava eu de bóia pelo Oceano Atlântico, quando um sujeito, a quem chamavam o Semelha, me expropriou o objecto daquele meu consolo infantil.

- Não tem vergonha! O filho de um madeirense metido numa bóia. Suprema segregação. De troda a criançada a banhar-se transcontinentalmente no oceano, eu, por ser filho de madeirense, deveria ter sido, naquele momento, o único obrigado a beber litros de água até pôr o pé em terra.

Água salgada, se bem me lembro.

Segregação Nacional

Mas o tal ramo ramalhal jardínico tem, também, toda a razão num outro sentido: o político.

É que é evidente a segregação de se sujeitar a população da Madeira a um patronato do calibre de JJ,A.

A Ilha, a patriótica terra dos muitos patriotas de que fala a história, bem merecia mais respeito da democracia.

Quer dizer: dos democratas continentais que têm a obrigação, CONSTITUCIONAL, de fazer com que a democracia funcione em todo o Portugal. Também na Madeira, portanto.

Mas não fazem. Tiraram a bóia à Ilha e deixaram-na a boiar no meio do Atlântico como se uma criança que cometeu o crime de ser filha de madeirense.



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