terça-feira, março 01, 2005

CÁ POR CASA TUDO BEM

Quer-se dizer: tudo antes assim que pior. É o bem maior que, de momento, é concedido a Portugal e aos portugueses.

Bagunça política

É difícil perceber o porquê das campanhas eleitorais em país, como Portugal, onde as legislaturas não passam de longos anos de campanha eleitoral. Tirando o dia do ufa.

De onde a política à portuguesa (só?) se resumir a campanha sobre campanha com um dia de descanso. O dia de gozar a verdade do silêncio. O prazer dum ufa de vinte e quatro horas.

Bagunça Cultural - I

Foi uma bagunça silenciosa. Aliás é, porque composta de vários capítulos que não param de se suceder. E continuam. Mas o silêncio mais significativo foi o que rodeou a possibilidade de compra da Lusomundo por empresas espanholas. As que entraram no concurso organizado pelo BES para venda dos órgãos da comunicação social da pertença da PT.

Pareceu curial que isso da compra e venda de instrumentos fundamentais da cultura de um povo seja a coisa mais natural do mundo. E ainda por cima vendidos por nacionais e comprados por estrangeiros.

O negócio não se realizou nesses termos, mas ficou a naturalidade com que se encarou o ter sido possível. A cultura nacional transaccionada como a palha que vem de Espanha por causa da seca. Palha para os burros que chamam a isso democracia: os incultos políticos que ainda não perceberam que é pela cultura que se matam as nações.

Bagunça Cultural-II

Mas Deus Nosso Senhor meteu-se nessa operação comercial e, assim como decidiu o vencedor da Batalha de Ourique, resolveu também que a Lusomundo, ao que parece, vá parar às mãos do Oliveira dos carcanhóis ganhos com os futebóis. Pelo menos foi o que a imprensa pôs a circular, depois de Santana se despedir do PR e antes de Sócrates assumir funções perante o mesmo.

Ora, a verdade seja dita, isso de entregar instrumentos de cultura a espanhóis ou a um Oliveira qualquer não altera em muito os dados do problema. É que a ignorância, mesmo nacional, também é um poderosos instrumento de matar a cultura dum povo. A Nacional.

Bagunça Cultural - III

Disso de espanhóis metidos na cultura portuguesa aconteceram-me duas tragédias dignas de procedimento inquisitório. Com fogueiras e tudo.

Tenho em casa, comprado aos nacionais da nação de Cervantes, o D. Quixote. A coroa da glória literária da grande Espanha. Dois volumes de bonita capa dura, recheados de dourados, a envolver uma tradução miserável. Uma vergonha Ibérica.

A produção pertenceu a uma S.A. espanhola que não vem ao caso nomear porque a guerra não é de nomes, e a tradução coube a um vago gabinete de traduções. Mas há responsáveis. De lá e de cá também. Só que com a cultura tratada como banha da cobra, legalmente, adiante-se, nem vale a pena pedir responsabilidades.

Desse "Dom Quixote" como de um "Pai Goriot", de Balzac, obra espanhola mas de tradução portuguesa, a qual nem por isso foi favorecida pela Santa de Fátima. A cultura em Portugal só lá vai com outra Santa Inquisição.

Bagunça jornalística
Nem só na RTP atiram programas para hora incerta, como ela faz com o "contra-informação". Fazem-no todas. Mas, pior que isso, é o não cumprimento da programação anunciada em tudo o que é informação escrita. Obviamente se dirá que se trata de falta de respeito pelos telespectadores. Poderá contudo dizer-se, igualmente, que se trata de falta de educação dos responsáveis pelos vários canais. Dos directores dos jornalistas, com anuência dos jornalistas dirigidos por tais directores.
Mas poderá um povo impontual por deseducação exigir pontualidade a alguém? Na conformidade, que é desconformidade, esta bagunça nem será jornalística. Antes educativa. Cultural.
Bagunça farmacêutica
A muito custo conseguiu o PSD que os medicamentos genéricos fossem lançados no mercado, como por essa Europa fora.
Honra portanto ao PSD. E desonra para o PS que perdeu a guerra com os interesses antigenéricos. Instaladíssimos que estavam.
Sucede no entanto que, por culpa dos médicos (dizem os farmacêuticos), que não os receitam, a venda dos referidos medicamentos fica-se por uma percentagem ridícula.
Muito bem, culpa dos médicos.
E qual é a culpa dos políticos que consentem que os médicos receitem por marcas e não os obrigam a fazê-lo pela composição química dos remédios?
Isto do apuramento de culpas em Portugal é sempre tão complicado que, de modo geral, uma bagunça é mais um emaranhado delas que ela.

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