quarta-feira, janeiro 26, 2005

O PORTUGAL DA POLÍTICA

A Tragédia de Santana
E lá seguiu sacrificado ao interesse da pátria, o ex-esquerdista transmutado em neoconservador, oferecendo um país em crise ao seu ex-adversário, transmutado em companheiro neoliberal, Santana Lopes. Que, inocente, delirou com o presente envenenado.
Mas com muito veneno. Encapotado um, descarado outro, de dentro do partido, de fora dele, de membros da coligação, de adversários da mesma, enfim, comunistas, socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos, de todos os lados largaram vespas a ferrar em Santana. Exposto numa cruz de Santo André.
Contudo, as maiores ferroadas, pelo menos para magoar mais, partiram de pardos como Durão, de políticos que mudaram de valores. E mudaram porque para se calcorrearem os pedregosos atalhos que separam Mao ou Lenine de um Bush é fundamental, antes de mais, mudá-los. Vender a alma ao Diabo.
E é, pelo menos, de estranhar tanta agressividade partida de quem defendeu as atitudes de Bush, de quem lhe aceitou a insolência, de quem lhe perdoou as agressões aos direitos humanos, de quem lhe compreendeu as mentiras, de quem alinhou com as suas agressões ao direito internacional, de quem inventou justificações para as suas ambições político-imperiais, de quem o absolveu, e absolve, da sua pobreza mental.
De estranhar porque Santana Lopes é muito mais democrata que Bush, muito mais humano que Bush e, fundamentalmente, muito mais civilizado que Bush. Em verdade, e resumindo, muito mais pessoa.

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